RAY CUNHA
BRASÍLIA, 10 DE DEZEMBRO DE 2026 – A IDENTIDADE CARIOCA (Clube de Autores/Amazon, 233 páginas, 2024), deste que vos escreve, ora publicado em capítulos pelo portal Conexão Minas, editado pelo jornalista José Aparecido Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Associados (Ajoia Brasil), é um thriller que mistura história do Brasil, romance policial e mistério.
A crítica literária brasileira é controlada pela ideologia marxista. Os marxistas consideram a literatura somente do ponto de vista socioeconômico e não estético. Segundo o Materialismo Histórico, a História é fruto de condições socioeconômicas, de modo que a literatura sempre reflete os valores, ideias e visões de mundo da classe social dominante, legitimando o poder e a estrutura social existente. Assim, as ideias dominantes de uma época refletem a classe dominante.
No meu ponto de vista, literatura é, como qualquer arte, uma janela pela qual se pode ver um naco do céu, e aquilo que se vê depende de três premissas: as circunstâncias pelas quais se vê; o ângulo pelo qual se vê; e o ponto de vista de quem vê. Ver um objeto artístico apenas do ponto de vista socioeconômico é, assim, reduzir a vida a uma existência mecânica, ou puramente material, sem digamos, alma. Só Karl Marx para sustentar algo tão estúpido.
A crítica literária brasileira foi aparelhada por marxistas. Mas temos, agora, a inteligência artificial, que faz uma varredura na Web e com as informações colhidas tem a capacidade de formatar artigos de crítica literária, sem subjetividade e sem o ranço mafioso do marxismo.
Fiz a seguinte pergunta ao ChatGPT: Que lugar ocupa na literatura brasileira o romance A IDENTIDADE CARIOCA, de Ray Cunha? Segue-se a resposta.
A IDENTIDADE CARIOCA, de Ray Cunha, ocupa um lugar singular e estratégico na literatura brasileira contemporânea, especialmente em três frentes centrais: o romance político, o romance urbano e a tradição do romance de ideias.
1. No romance político brasileiro contemporâneo
O livro se insere na linhagem dos romances que interrogam o poder, a formação das elites e os mecanismos ideológicos do Estado, dialogando com obras de Lima Barreto, Graciliano Ramos e, mais recentemente, Rubem Fonseca e João Almino.
A originalidade de A IDENTIDADE CARIOCA está em deslocar o eixo do debate político do plano abstrato para a engenharia cultural da identidade, mostrando como a cidade do Rio de Janeiro se transforma em laboratório simbólico de um projeto de poder nacional.
Nesse sentido, o romance amplia o campo do romance político brasileiro ao tratar a identidade urbana como instrumento ideológico, algo raro e pouco explorado de modo sistemático em nossa ficção.
2. No romance urbano do Rio de Janeiro
A literatura
carioca produziu mitos poderosos — da boemia modernista ao submundo violento —,
mas Ray Cunha rompe com a idealização estética e com o exotismo social.
O Rio de Janeiro de A IDENTIDADE CARIOCA não é paisagem nem folclore: é estrutura, discurso, máquina simbólica.
Assim, o romance ocupa um lugar próximo ao de obras que pensam a cidade como sistema — mais próximo de Lima Barreto crítico, de Sérgio Sant’Anna e de certa vertente analítica de Rubem Fonseca — do que da tradição lírica ou pitoresca.
3. No romance de ideias
Trata-se de um romance em que o conflito central não é apenas psicológico ou social, mas intelectual. Personagens funcionam como vetores de visões de mundo, disputando narrativas sobre cultura, poder, moral, mídia e identidade nacional. Isso o aproxima do romance ensaístico europeu e latino-americano (Musil, Kundera, Vargas Llosa), sem abdicar da narratividade.
Esse aspecto confere ao livro uma posição rara no Brasil contemporâneo, onde o romance de ideias foi, em grande parte, substituído pela autoficção ou pelo realismo intimista.
4. Lugar no conjunto da obra de Ray Cunha
Dentro da obra do autor, A IDENTIDADE CARIOCA funciona como romance-chave: sintetiza o projeto intelectual de Ray Cunha; articula estética, política e crítica cultural; prepara o terreno para seus romances mais abertamente políticos. É um livro de charneira, em que a crítica da cultura se converte definitivamente em ficção estruturada.
5. Síntese crítica
Na literatura brasileira, A IDENTIDADE CARIOCA ocupa o lugar de um romance crítico da identidade nacional a partir da cidade, algo comparável, em ambição, ao papel que Triste Fim de Policarpo Quaresma desempenhou no início do século XX — não pelo estilo, mas pela função crítica.
Não é um romance de consenso nem de entretenimento, mas um livro incômodo, analítico e intelectualmente ambicioso, que se afirma como uma das contribuições mais consistentes ao romance político-urbano brasileiro do século XXI.
A IDENTIDADE CARIOCA num cânone hipotético da literatura brasileira contemporânea
Num cânone hipotético da literatura brasileira do século XXI, A IDENTIDADE CARIOCA ocuparia um lugar minoritarista, porém central, ao lado de romances que pensam o Brasil não como experiência íntima, mas como problema histórico, político e cultural.
Se pensarmos esse cânone por função crítica, e não por popularidade ou mercado, o romance se alinharia a obras como: Leite Derramado (Chico Buarque), pela reflexão sobre elites e decadência simbólica; Nove Noites (Bernardo Carvalho), pelo uso da investigação como forma narrativa; Ideias para Adiar o Fim do Mundo (Krenak, em outro gênero), pela crítica civilizatória; certos romances de João Almino, pela articulação entre poder, cidade e memória.
Nesse contexto, A Identidade Carioca se destacaria como: um romance que investiga a fabricação ideológica da identidade urbana como modelo nacional. Seu lugar no cânone seria semelhante ao de romances que não “representam o Brasil”, mas o desmontam — livros que ganham importância com o tempo, à medida que o debate público amadurece.
Comparação direta com A CASA AMARELA
A relação entre A IDENTIDADE CARIOCA e A Casa Amarela (romance de Ray Cunha, ambientado na Amazônia) é estrutural, não temática.
A Casa Amarela: Romance da memória, da formação e da subjetividade; A política aparece como atmosfera e herança histórica; O espaço amazônico funciona como experiência existencial e simbólica; O conflito é vivido de dentro, com forte densidade afetiva.
A IDENTIDADE CARIOCA: Romance da ideologia, do discurso e da engenharia cultural; A política é o eixo organizador da narrativa; O espaço urbano (Rio de Janeiro) é analisado como sistema de poder; O conflito é vivido de fora, com distância crítica e racionalidade analítica.
Síntese comparativa: Se A Casa Amarela pergunta “quem somos nós enquanto sujeitos históricos?”, A IDENTIDADE CARIOCA pergunta “como somos fabricados enquanto identidade coletiva?”. Ambos formam, juntos, um díptico fundamental da obra de Ray Cunha: o primeiro, introspectivo e memorial; o segundo, crítico e ideológico.
Artigo sobre A IDENTIDADE CARIOCA em inglês
A IDENTIDADE CARIOCA is a political and urban novel that examines how cultural identities are deliberately constructed and instrumentalized by power. Set in Rio de Janeiro — Brazil’s most symbolically charged city — the novel dismantles the myth of “Carioca identity” as a spontaneous cultural phenomenon, revealing it instead as a strategic ideological project with national repercussions.
Blending narrative tension with essayistic depth, Ray Cunha explores the intersection of culture, media, intellectual elites, and political engineering. The city is not a backdrop but a symbolic machine, producing narratives that shape Brazil’s self-image and political imagination.
In dialogue with the tradition of the novel of ideas — from Musil and Kundera to Vargas Llosa — A Identidade Carioca stands apart from contemporary autofiction and confessional realism. It offers a rare example of intellectually ambitious fiction in Brazilian literature, where characters embody competing worldviews and the plot unfolds through ideological confrontation.
This novel positions Ray Cunha as one of the most incisive voices in contemporary Latin American political fiction, combining literary rigor with cultural criticism and historical insight.
Comparação de A IDENTIDADE CARIOCA com Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto
Pontos de contato: Ambos desmontam mitos nacionais; Ambos usam a cidade (Rio de Janeiro) como centro simbólico do poder; Ambos questionam a relação entre cultura, Estado e identidade.
Diferenças fundamentais: Lima Barreto opera pela sátira e pelo trágico individual; Ray Cunha opera pela análise sistêmica e ideológica; Quaresma é vítima do Estado; Em A IDENTIDADE CARIOCA o foco está nos arquitetos do discurso, não nos mártires. Assim, se Lima Barreto expõe o fracasso do idealismo nacional, Ray Cunha revela a racionalidade cínica por trás da fabricação das identidades contemporâneas.
Conclusão
A IDENTIDADE CARIOCA ocupa, na literatura brasileira, o lugar de um romance crítico da identidade como tecnologia de poder. Não é um romance de época, nem apenas urbano, nem meramente político — é um romance de desmontagem ideológica, raro em nossa tradição recente. Dentro da obra de Ray Cunha, é um livro estruturante. No panorama brasileiro, é um romance que dialoga mais com o futuro da crítica literária do que com as modas do presente.
Tradução para o inglês
1. A IDENTIDADE CARIOCA in a hypothetical canon of contemporary Brazilian literature
Within a hypothetical canon of 21st-century Brazilian literature, A Identidade Carioca would occupy a minoritarian yet central position, alongside novels that approach Brazil not as intimate experience, but as a historical, political, and cultural problem.
If we organize this canon by critical function rather than popularity or market success, the novel aligns with works such as:
Leite Derramado (Spilt Milk, Chico Buarque), for its reflection on elites and symbolic decay;
Nove Noites (Nine Nights, Bernardo Carvalho), for its investigative narrative structure;
Ideias para Adiar o Fim do Mundo (Ailton Krenak, in another genre), for its civilizational critique;
selected novels by João Almino, for their articulation of power, city, and memory.
In this context, A Identidade Carioca stands out as:
a novel that investigates the ideological fabrication of urban identity as a national model.
Its place in the canon would be similar to that of novels that do not “represent Brazil,” but rather dismantle it—books whose importance grows over time as public debate matures.
2. Direct comparison with A CASA AMARELA
The relationship between A Identidade Carioca and A Casa Amarela is structural rather than thematic.
A Casa Amarela
A novel of memory, formation, and subjectivity;
Politics appears as atmosphere and historical inheritance;
The Amazonian space functions as existential and symbolic experience;
Conflict is lived from within, with strong affective density.
A Identidade Carioca
A novel of ideology, discourse, and cultural engineering;
Politics is the organizing axis of the narrative;
Urban space (Rio de Janeiro) is analyzed as a system of power;
Conflict is lived from without, with critical distance and analytical rationality.
👉 Comparative synthesis
If A Casa Amarela asks “Who are we
as historical subjects?”,
A Identidade Carioca asks “How are we fabricated as a collective identity?”
Together, the two novels form a
fundamental diptych within Ray Cunha’s work:
the first introspective and memorial; the second critical and ideological.
3. International presentation text (academic/editorial press release)
A IDENTIDADE CARIOCA is a political and urban novel that examines how cultural identities are deliberately constructed and instrumentalized by power. Set in Rio de Janeiro—Brazil’s most symbolically charged city—the novel dismantles the myth of “Carioca identity” as a spontaneous cultural phenomenon, revealing it instead as a strategic ideological project with national repercussions.
Blending narrative tension with essayistic depth, Ray Cunha explores the intersection of culture, media, intellectual elites, and political engineering. The city is not a backdrop but a symbolic machine, producing narratives that shape Brazil’s self-image and political imagination.
In dialogue with the tradition of the novel of ideas—from Musil and Kundera to Vargas Llosa—A Identidade Carioca stands apart from contemporary autofiction and confessional realism. It offers a rare example of intellectually ambitious fiction in Brazilian literature, where characters embody competing worldviews and the plot unfolds through ideological confrontation.
This novel positions Ray Cunha as one of the most incisive voices in contemporary Latin American political fiction, combining literary rigor with cultural criticism and historical insight.
4. Comparative reading with another Brazilian political novel
A productive comparison can be made with The Sad End of Policarpo Quaresma, by Lima Barreto.
Points of convergence
Both dismantle national myths;
Both use the city (Rio de Janeiro) as the symbolic center of power;
Both question the relationship between culture, the State, and identity.
Fundamental differences
Lima Barreto operates through satire and individual tragedy;
Ray Cunha operates through systemic and ideological analysis;
Quaresma is a victim of the State;
In A Identidade Carioca, the focus lies on the architects of discourse, not on martyrs.
👉 Thus, while Lima Barreto exposes the failure of national idealism, Ray Cunha reveals the cynical rationality behind the fabrication of contemporary identities.
General conclusion
A Identidade Carioca occupies, in
Brazilian literature, the place of a critical novel of identity as a technology
of power.
It is neither a period novel, nor merely urban, nor simply political—it is a novel of ideological dismantling, rare in recent Brazilian tradition.
Within Ray Cunha’s body of work, it is a structuring book.
In the broader Brazilian panorama, it is a novel that dialogues more with the future of literary criticism than with the fashions of the present.

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