RAY CUNHA
Haverá obra
de arte mais emocionante do que mulher muito linda?
Sim, nua!
Cheirando a púbis!
E mais bela
do que isso?
Grávida!
Amamentando!
Mais belo
Só crianças
rindo!
Luz se
eternizando!
Sinto cheiro
de mulher nua
Ostra com Antarctica
enevoada, em julho, às 9 horas
No ar
saturado de mulheres lindíssimas e suadas, em Salinas
Tu precisas
me lamber com teus olhos verdes como lápis-lazúli
Para eu
sentir o acme
Precisas
apenas sorrir e tocar nos meus finos lábios
Para que eu
morra como as rosas, que não morrem nunca
Porque são
imortais na sua explosiva beleza
Imobilizo
minha amante pelos cabelos
Beijo-a na
boca, faço-a gritar de prazer
Ela é a
própria noite
Café
noturno, cheio de mulheres misteriosas de tão lindas
Que dizem oi
quando passo
O cheiro de
púbis ruivo
Inunda meu
olfato, meu paladar, meu cérebro.
Degusto
Antarctica, com Jorge Tufic, em Manaus, no Nathalia
Lambo o
rosto da Tharcilla
Beijo os
lábios carnudos e mordo o pescoço da Mara
Como fez
Isnard Brandão Lima Filho, oferto rosas para a madrugada
Ao extrair
gemidos da mulher amada, percorrendo sua pele de jambo
E sonho com
leões caminhando na praia, ao amanhecer
Igual
Picasso, com seus olhos negros, nonagenários
Sou como
pássaro que nunca envelhece
Nasci com
asas invisíveis
Que se
equilibram no éter, como avião de caça
Riscando um golpe vermelho no azul
A noite
chega, ouço os alísios
Que me falam
de Macapá e da Estação das Docas
Então
compreendo que o som que vem do vento
São vozes e
risos femininos
Como a nudez
das mulheres muito lindas
Boeing
pousando
Navio todo
iluminado e em festa, no porto
Cataclismo
de rosas
O atrito da
Terra no éter
O Concerto Para Piano e Orquestra, em Ré Menor,
de Mozart,
O choro dos
jasmineiros
Chanel 5
Shoppings
lotados
De mulheres
seminuas
Em Brasília,
e em todas as grandes cidades do mundo
Os lábios de
Alinne Moraes ao meu ouvido
Prenhes de
romance e mistério
A mulher
amada
Que habita o
azul dos meus gritos
Na minha
memória
Barcos
deslizam na latitude da Linha Imaginária, na boca do rio Amazonas
E despencam
no Atlântico
Espero as
chuvas com a mesma sofreguidão com que aguardo
O outono, o
inverno e a primavera
O verão,
como ocorre em todas as estações da vida,
Inunda um
planeta de rosas tão azuis que sangram
E mangas
doces como seios de mulheres de olhos de esmeraldas
E, se é
madrugada, a chuva se confunde ao som
Que não se
interrompe nunca
Do mar
Então, o
atrito da Terra no espaço invade minha alma
E se mistura
ao perfume das virgens ruivas
Misterioso
como mulher nua
Como a luz,
como o éter, como o próprio triunfo
Ah! meu
amor, tu és meu amor porque teu riso impulsiona meu coração
Porque tu
crias a vida, pois à tua passagem os jardins se levantam
E a luz
infinita vibra em oração
Que escapa
dos teus lábios
Quisera eu
ser poeta, e dominar a força de gravidade com palavras
Para te
dedicar versos
Que
contivessem o mar
Um oceano
inteiro de rubis, azuis como o céu
Depois que
te conheci, exorcizei o medo
Aprendi a
escutar o silêncio das madrugadas
Comecei a
voar no perfume dos jasmineiros
Sou teu,
todo teu, inteiramente teu
Pertencer-te
é o mesmo que a liberdade
É ascender,
vencer a eternidade, e sentir a presença de Deus!
A noite mais
azul é quando
Assassinos
me perseguem, derroto-os
E durmo com
a princesa.
Isto só
acontece nas noites tão azuis
Que um
Boeing 777 fere-as
E sangue
verte sobre as rosas
Que o acme
da princesa
Transforma
em rosas colombianas.
A noite mais
azul é tórrida e os jasmineiros choram
O mundo recende a maresia
E o meu
corpo
Volta a ser
rijo como os punhos de Muhammad Ali
Quando
acabou com George Foreman, no Zaire.
Então me
transformo em luz
Nesta noite
excessivamente azul
Estou sentado em um quiosque defronte ao Macapá Hotel
Só
Mas há mulheres tão lindas que as vemos apenas em grandes
aeroportos internacionais
Estou só, mas o rio Amazonas, o maior do mundo, ruge como o
mar em Copacabana
Na maré cheia, e salpica meu rosto, escanhoado para esta noite
Estou aparentemente só
Pois ouço merengue
E meu Pai enviou uma legião que me acompanha por todo o sempre
Estou só com meu coração
Pois sinto o perfume das virgens ruivas
Relicário de pedras preciosas como acme da mulher amada e o
choro dos jasmineiros
Nas tórridas noites da Linha Imaginária do Equador
Estou só
Mas estão comigo Belém, Manaus e Rio de Janeiro
E meus amigos logo chegarão
Minha solidão é como a dos pugilistas e dos escritores
Quando começa o assalto ninguém os pode socorrer e eles só
contam com a própria luz
Por isso nunca estou só
Pois ouço do mar o Concerto
para Piano e Orquestra, em ré Menor, de Mozart
Estou só
Mas o céu é tão azul que chove rosas vermelhas colombianas
E o ar é prenhe do cheiro de mulher nua
Sinto rosas
desabrochando como a vertigem do primeiro beijo
No ar prenhe
de Chanel 5
Meu coração
respira o sabor da mulher amada
Cheiro de
mar numa tarde de julho
Ao choro dos
jasmineiros
Em tórrido
anoitecer na Estação das Docas
Sinto o
cheiro de madrugadas
Acme nos
lábios da mulher amada
Secos de
gozo, e que ela umidifica com a língua
Tirando os
cabelos do rosto
Meu coração
está prenhe do sabor indescritível
De púbis,
abismo de galáxias
Inalcançáveis,
mas que cintilam no azul da minha vida
Anoitece
O rio
Amazonas ruge defronte ao Macapá Hotel,
Debaixo do
Trapiche, rodovia que conduz à noite
Tão azul que
sangra
Estou
sentado
Sozinho
Em um
quiosque
Degusto Cerpinha
enevoada
Parece que
estou só
Mas converso
com meus antepassados
Com a mulher
amada
Com meus
anjinhos e minha princesa
Com Isnard
Brandão Lima Filho
Alcinéa
Maria Cavalcante
Iara
Marcille
Deury Farias
Olivar Cunha
Joy Edson
José
Montoril
Fernando Canto
Raimundo
Peixe
Alcy Araújo
Luiz Tadeu
Magalhães
Manoel Bispo
Myrta
Graciete
Tereza,
Leila, Sílvia e Telma
Um
cataclismo de rosas vermelhas
Juntam-se a
nós Ernest Hemingway
Antoine de
Saint-Exupéry
Gabriel
García Márquez
Vargas Llosa
Pablo
Picasso
André Cerino
Ouço
merengue
Um navio,
grande como uma cidade, surge, lento, até aportar, feérico
Despeja uma
legião de espíritos e anjos
Que se
juntam a nós
Chanel
Número 5, Dom Pérignon, maresia e leite da mulher amada
Tomam conta
de tudo
Como paz se
alastrando na minha memória
Por que
escreves? – pergunta-me o jornalista
– Para viver
– respondo
Pois só com
as palavras desnudo a luz
E voo até o
fim do mundo
Por isso,
escrevo granadas intensas como buracos negros
E garimpo o
verbo como o primeiro beijo
Escrevo porque
escrever traz aos meus sentidos
Cheiro de
maresia
Dom
Pérignon, safra de 1954
O labirinto
do púbis no abismo do acme
Mulher nua como rosa vermelha desabrochando
Que sensação
estranha
Na hora de
ser enforcado
Ser salvo e
dormir com a princesa
O primeiro
beijo que me deste explodiu
Como
relâmpago na minha alma
Feriu-me,
doce como brisa,
Pétalas
pousando no púbis de um anjo
Desde então,
flor da minha vida,
Sou
prisioneiro do teu olhar
Grávido de
ti, como um abismo,
Mulher amada
Segue-me,
pois te mostrei quase nada.
Tenho a
chave dos sonhos,
Que conduz
para a eternidade
A fogueira
do nosso amor, minha namorada,
O voo
vertiginoso
Da luz
movida a acme
Meu bem,
estou à tua espera, vibrando de alegria
Pois
esperar-te é como a emoção que precede o garimpeiro
Ao encontrar
a maior pepita de ouro, dez anos depois
No morro do
Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene
É como a
felicidade de abraçar crianças que escaparam de um naufrágio
Ao largo de
Marajó
Ver rosas
nuas em toda parte
Só de te
esperar!
Amor da
minha vida, esta noite será eterna
Porque nesta
casa
Só haverá
nós dois e a noite, presente de Deus,
para ti
Já arrumei
tudo, as flores, o vinho e a comida, camusquim com camarão pitu
Seremos nós
dois e os diamantes que garimpei toda a minha vida
E que só
encontramos no céu de Macapá, em agosto, nos anos 1960
Ouviremos La Cumparsita, na voz de Julio Iglesias
E dançaremos
lentamente, nossos lábios se roçando
E ouviremos Suave é a Noite, com Alcione
E Amarcord, de Nino Rota
Então,
voando nas asas de Dom Pérignon, safra de 1954
Beberei
colostro e sentirei o sabor da tua pele e do teu púbis
E será
madrugada
A quem
ofertarei teus gemidos, que espalharei no jardim da minha alma
Mulher amada
Vem logo
Pois a noite
já chegou
Como um
navio, um continente, uma galáxia
Só nossa!
Teu dorso, à
sombra da tarde que finda e escoa em murmúrios
É alvo como
pétala de rosa vermelha; sinuoso; nu
Agarro-me
aos cabelos, às ancas, aos ombros, ao perfume, bêbedo de gemidos
A noite se
instala como transatlântico no porto
Feérico,
iluminado como o Copacabana Palace
Tuas costas
são alvas como jambo
De olhos
fechados, sorvo cheiro de nudez
Sabor de Dom
Pérignon, safra de 1954
Ouço Concierto de Aranjuez, de Joaquin
Rodrigo
E os 14
minutos e 10 segundos do Bolero, de
Maurice Ravel,
Sob a
regência de Silvio Barbato
Abro os
olhos e enxergo o halo azul da noite
Suave como o
primeiro movimento, allegro,
Do Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor,
Número 20,
K. 466, de Mozart
Pulsar
longínquo, o atrito da Terra no espaço
Gemidos femininos
se esvaindo
Som de
maresia
Sangue
circulando nos tímpanos
O segundo
movimento, romanze,
É de
estrelas se acamando no azul da alma
O terceiro
movimento, rondó,
Flores se
abrindo ao riso de crianças
Solto o
urro, vibrante, de leão alado, ao ouvir gritos abafados,
E sentir que
desmaias ao acme
Ah! Tu és
como uma flor rindo ao sol
Linda como
asas que sustentam o voo impossível
Intensa como
a vida
Nua, sob
vestido de seda
Esplendorosamente
inalcançável
Ah! Tu és a
alegria que não finda
Luz que
inunda a galáxia
Iridescente
como pedras preciosas
Néctar que
sorvo em sonhos
Enlevado na
vertigem da subida íngreme
Azul abismal
Leva-me para
a cumeeira
Inda que eu
não regresse
Nem desperte
Procuro na
luz dos teus olhos
Misteriosos
como a noite
Nos teus
lábios de rosa vermelha esmigalhada
Nos
meridianos do teu mar
Perder-me no
azul
E sentir o
sabor da tua boca
Do teu leite
Do teu púbis
Num desejo
que me consome e não cessa nunca
As mulheres
são a ilusão mais pungente
Que existe
Porque
tornam o desejo inesgotável
E não saciam
nunca
Porque, por
mais que as amemos, são inacessíveis
E, no
entanto,
Basta o
olhar da mulher
Para
acenderem-se todas as chamas
Munir de
asas o homem mais medíocre
E engravidar
de perfume o mundo
Em movimento
imperceptível, como estrelas nascendo,
Pouso o
olhar nas penugens do teu corpo.
Durante
muito tempo meu olhar permanece imóvel,
E agora é
navalha te lambendo.
Avião
rasgando o azul do céu de agosto da Amazônia,
Que, de tão
azul, sangra.
Ainda te
agarrando com as tenazes do meu olhar
Começo a
imaginar meu falo na tua boca,
Esguichando
morno suco, que bebes avidamente.
Então a fera
faminta e enjaulada fenece, arquejante, até ressuscitar,
Como erupção
de desejos.
Mas isso é
só no olhar, porque vou sugar-te a vida com minhas mãos ensandecidas
E devolvê-la
com mais fogo ainda.
Por ora, o
olhar desliza no dorso imobilizado, suplicante.
Tu pareces
adormecida, mas estás atenta, à beira da explosão,
À espera da
minha língua, das mãos que te pegam suavemente.
Tu suplicas
ação, mas meu olhar te lambe pacientemente,
Até deixar
tua pele penugenta úmida de saliva.
Meu olhar é
como uma boca.
Meu olhar
estaciona no teu olhar.
Teu olhar é
sorridente e meigo, mulher amada.
Meus olhos
sugam teus seios como bebê faminto.
Tentas
pegar-me. Mas ainda não deixo.
Deslizo pelo
teu ventre, vagarosamente,
Até o tufo
de pelos, que sugo avidamente,
À porta que
se abre para meu olhar latejante.
Perfume da
minha vida, tu e eu somos só fogo, assim como as rosas
Mas não nos
consumimos, ilusão alguma nos detém na jornada
Nem o
abismo, que a tudo cerca, pode nada
Pois tu e
eu, como as rosas, somos eternos porque agora
Querida, nem
lágrimas, nem o pavor do incompreensível
Nem as
ilusões, o horror, os pesadelos
Têm o poder
de abalar as rosas, na sua tênue existência
Simplesmente
porque elas são indestrutíveis
Música da
minha alma, nossa viagem no éter
A caminhada
sem começo nem fim
Apenas
começou nesta fogueira
A luz que
alimenta o infinito
É a lei que
a tudo governa
O fogo que
vivifica, amor da minha vida
Estou pronto
para ti
Sereno como
um homem deve ser diante de uma mulher nua
Pegar-te-ei
com tanta suavidade, e firmeza,
Que
lamentarás o prazer, intenso como o voo do orgasmo
Tocarei cada
ponto dos teus meridianos
No fundo
mais recôndito dos teus abismos insondáveis
Cavalgar-te-ei,
preso em ti, na tua boca, nos teus seios, no teu sexo
Como a Terra
gravitando em torno do Sol
A 108 mil
quilômetros por hora
O sistema
solar girando em volta do núcleo da
Via Láctea
A 830 mil
quilômetros por hora
A Via Láctea
indo para o Grupo Local
A 144 mil
quilômetros por hora
O Grupo
Local voando para o aglomerado de Virgem
A 900 mil
quilômetros por hora
E tudo isso
seguindo em direção ao Grande Atrator
A 2,2
milhões de quilômetros por hora
O Grande
Atrator fica para além de Centauro
A 137 milhões
de anos-luz da Terra
Como deve o
acupunturista proceder nos casos das paixões avassaladoras?
Haverá
agulha tão comprida, e fina, que atinja a alma?
Ou
prescindiriam, os danados, de cura?
Pois os
pacientes desse mal, ou bênção, sobrevivem nas trevas e na luz
São cinza e
asas
E seus
corações atingem a velocidade dos despenhadeiros
Do mergulho
no maremoto
Do olho do
furacão
Do desespero
Não será
tamanho sentimento, em si mesmo, o triunfo?
Voo
concedido a poucos?
Eterno
porque agora?
Creio que
descobri um mal – ou bênção?
Que a
acupuntura não sana
Pois como
apagar a luz com luz
Como ouvir o
som da Terra no espaço
Se o coração
não se inflama?
Ah! Tu és
como flor se abrindo ao sol
Nua como
preciosas pedras
Leve como
asas que sustentam o voo
Do abismo a
queda
Conduz-me à
cumeeira
Dos sonhos
Ainda que eu
não desperte
Como se
estivesse morto
Na bacanal
de rosas vermelhas
Esvaem-se os
sentidos
Embriagados
de estrelas
No labirinto
do teu púbis
Afogo-me na
maresia
E ressuscito
em gozos múltiplos
Vou
acalantar-te nesta noite
Vou te dizer
coisas carinhosas
E tu e eu
seremos dois amantes lúcidos.
Mais tarde,
quando eu te penetrar e sentirmos
O gosto do
sexo, da carne, da vida
Suspirarei
baixinho ao teu ouvido.
E quando o
sexo, a carne, a vida terminarem
Haverá mais
sexo, carne e vida para
comermos
Até irmos ao
banheiro.
Tua boca é
pura flor embelezando-se ao sol de Copacabana
E tua figura
é um desenho gostoso esculpido ao sol de Copacabana
E quando
Copacabana inteira se prostituir
Os gemidos
de amor serão a canção da moda em
Copacabana
Então a praia Copa será uma enorme cama.
Impor-nos o
abandono físico
Ingerir
grandes quantidades de álcool
E fumar
interminavelmente
É o pior que
se faz
Quando uma
mulher se ausenta
Definitivamente.
Mas ela
tinha cheiro de madrugada
Um leve
sabor de vinho
E qualquer
coisa espanhola
Sinto,
agora, mais intenso ainda, perfume de jasmineiros
Chorando nas
tórridas madrugadas de Macapá
Chanel 5, o
mar, azul sangrando.
A eternidade
se aproxima
Vertiginosa
como a Terra girando
Profunda
como o mistério de mulher nua
Como galgar
o Pico da Neblina
Morar no
Hilton Internacional Belém
Viver em
Copacabana.
Agora
compreendo, claramente,
Só há éter,
energia, vibração, sintonia,
Nem matéria,
nem tempo, existe
A vida é
abismo interminável, e ascendente,
É como cair
para cima
Cheiro de
púbis de virgem ruiva, sabor de gozo,
Como se eu
engravidasse de rosas vermelhas.
É
permanente, agora, a sensação de autografar livros
De bater
papo com Fernando Canto
Sobre telas
de Olivar Cunha
Flutuando
numa garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954,
Neste 7 de agosto, como em todos os anos

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