terça-feira, 30 de março de 2021

DIÁRIO CARIOCA e VER-O-FATO publicam dois romances de Ray Cunha em capítulos

Ray Cunha em foto recente e a tela Tuiuiú Crucificado, de Olivar Cunha

Edição da amazon.com.br

BRASÍLIA, 30 DE MARÇO DE 2021 – O DIÁRIO CARIOCA, portal jornalístico sediado na cidade do Rio de Janeiro, e o VER-O-FATO, um dos portais de notícias mais lidos de Belém do Pará, publicam dois thrillers policiais em capítulos do escritor, jornalista e terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa (acupunturista) Ray Cunha. 

O DIÁRIO CARIOCA começa a publicar o romance FOGO NO CORAÇÃO a partir desta sexta-feira, 2 de abril, em sete capítulos. A história se passa no Rio de Janeiro e em Brasília/DF. 

O delegado de Repressão a Homicídios da Polícia Civil do Distrito Federal, Ricardo Larroyed, também formado em Medicina Tradicional Chinesa, investiga o suicídio e o assassinado de três modelos de moda, em Brasília, todas pacientes em acupuntura, sendo que duas delas foram atendidas no Instituto Holístico, onde trabalha o principal suspeito, o professor, mestre em artes marciais e poeta carioca Emanoel Vorcaro, que atende uma quarta modelo, a estonteante ruiva Rosa Nolasco. 

Edição do clubedeautores.com.br

FOGO NO CORAÇÃO é um mergulho no dia a dia de quem trabalha, leciona ou estuda a milenar terapia taoísta, razão pela qual Ray Cunha adverte: “Todas as personagens e ambientações deste thriller foram inventadas”. 

O VER-O-FATO já vem publicando o romance A CONFRARIA CABANAGEM, também toda sexta-feira, em 14 capítulos. O primeiro capítulo foi publicado em 19 de março, e, o segundo, em 26 de março. 

A capital do estado do Pará, Belém, está imersa em corrupção, e, para a misteriosa Confraria Cabanagem, só o senador Fonteles, candidato ao governo, é capaz de acabar com a sangria, mas descobre um complô para assassiná-lo em um crime perfeito. 

Assim, contrata o único homem capaz de impedir que eliminem o senador Fonteles: o detetive Apolo Brito, ex delegado da Polícia Civil do Pará, e que atualmente mora em Brasília. Nada a ver com o Pará real. Trata-se de um trabalho de invenção de Ray Cunha, mas no qual personalidades de carne e osso, como, por exemplo, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, transitam com personagens de ficção. 

Tanto FOGO NO CORAÇÃO quanto A CONFRARIA CABANAGEM estão à venda nas editoras clubedeautores.com.br e amazon.com.br. 

Ray Cunha é natural de Macapá/AP, cidade situada na margem esquerda do maior rio do mundo, o Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador, na Amazônia Caribenha, e mora em Brasília/DF.

Além de FOGO NO CORAÇÃO e A CONFRARIA CABANAGEM, Ray cunha é autor dos romances A CASA AMARELA, JAMBU e HIENA; dos livros de contos NA BOCA DO JACARÉ, A CAÇA O CASULO EXPOSTO; e do livro de poemas DE TÃO AZUL SANGRA.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Macapá e Cachoeiro de Itapemirim festejam o gênio do pincel Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia. Roberto Carlos pontifica na parada

Tuiuiú Crucificado: salvem a baía da Guanabara da ameaça de virar esgoto

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 29 DE MARÇO DE 2021 – Em uma manhã de 31 de março de 1952, dia do nascimento de Olivar Cunha, seu pai, João Raimundo Cunha, plantou uma seringueira (Hevea brasiliensis) no quintal da casa onde a família morava, uma casa amarela, remanescente do antigo aeroporto da cidade, ao lado do Colégio Amapaense, na esquina das ruas Iracema Carvão Nunes e Eliezer Levy, na então pequena cidade ribeirinha de Macapá.

É fácil ver Macapá no mapa. A antiga aldeia dos índios tucujus fica na esquina da Linha Imaginária do Equador com o maior rio do mundo, o Amazonas. A cidade se debruça na margem esquerda do colosso, a cerca de 250 quilômetros do Atlântico, no setentrião brasileiro, a Amazônia Caribenha.

Anos depois, foi construído um muro delimitando o terreno do Colégio Amapaense, correndo exatamente pelo local onde a seringueira crescia, a oeste, na Rua Eliezer Levy. Então fizeram um gracioso desvio no muro para conservar a árvore ali. Mas, em 1983, ela apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Mas escapou de ser decepada graças à intervenção do engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952, e amigo de infância de Olivar Cunha.

Luiz Façanha trabalhava como especialista em seringueira na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo ele, estudantes fizeram forte pressão junto à Prefeitura de Macapá e ao Governo do Estado do Amapá para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem por ali transitava.

Foi então que o repórter da Rede Globo, Antônio de Pádua, solicitou a Luiz Façanha que fizesse uma gravação no local, para dar sua opinião sobre o caso. Após minuciosa inspeção, Façanha verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu.” O fato é que a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a seringueira.

Trata-se da mesma que aparece na capa da edição da amazon.com.br do meu romance A Casa Amarela, uma recriação da casa onde Olivar Cunha nasceu. Aos 15 anos, em 1967, o pintor expôs pela primeira vez, em Macapá. Uma madrugada, um marchand francês acordou todo mundo na Casa Amarela porque teria que viajar para a França naquela manhã e queria porque queria levar alguns quadros do Olivar Cunha, e levou o que estava disponível.

Nas décadas de 1970/1980, o artista mudou-se para Belém do Pará, quando produziu algumas dezenas de telas que o colocam como um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos: seus mendigos do Guamá, subúrbio da Cidade das Mangueiras, são tão chocantes quanto a colonização do Inferno Verde, que explode na ignorância e na fome, como pedrada na cara.

Depois de morar no Rio de Janeiro, onde estudou no Parque Lage e foi aluno de Charles Watson, nos anos 1990, consolidou sua posição como um dos grandes expressionistas contemporâneos com a série de animais agonizando no esgoto das grandes cidades, como na impressionante tela Tuiuiú Crucificado, uma ave da Amazônia e do Pantanal crucificada sobre o esgoto em que teima se transformar a baía da Guanabara.

Tuiuiú Crucificado é, talvez, o berro mais fovista, o grito mais expressionista de Olivar Cunha. Ele a pintou em três meses, em 1992, em Jacaraípe/ES. Trata-se de uma acrílica sobre tela, em espátula e pincel, de 120 cm por 100 cm. Pertence à fase que o pintor chama de Habitat Transform, desenvolvida no Rio de Janeiro/RJ e em Jacaraípe/ES, após pesquisa sobre a devastação da flora e da fauna do Pará, do Amapá e do Pantanal.

A Amazônia é recriada na espátula do pintor à base de espilantol, o princípio ativo do jambu, indicador de que o gênio pinta, na verdade, a alma das suas criaturas, sejam elas pessoas ou paisagens. Assim, as telas de Olivar Cunha gritam como o coração das trevas, mas também pulsam no rio da tarde, prenhes do perfume dos jasmineiros noturnos.

O artista dá à luz à Amazônia eternamente viva, à Hileia que só os cabocos entendem – os apreciadores de merengue, de tacacá, de mapará assado na brasa servido com pirão de açaí, os que se emocionam com o trotar da mulher amazônida no calor equatorial, o mergulho no rio que deságua na tarde, os segredos que se encerram em Macapá, Belém, Mosqueiro, Salinas, Caiena...

As passarelas nos subúrbios das cidades amazônicas, as naturezas mortas, detalhes da Fortaleza de São José de Macapá, as Lavadeiras do Sol, o rio, pulsam na paleta, nas telas, nas ruas, no trópico de Olivar Cunha.

Hoje, o artista vive no paradisíaco balneário de Jacaraípe, distrito atlântico no município de Serra, na grande Vitória, onde se consolida também como restaurador, recuperando obras sacras de igrejas da região, pois, no Rio, ainda, Olivar Cunha fez curso de restauração no Museu Nacional de Belas Artes.

Cidadão de Cachoeiro de Itapemirim/ES, Olivar Cunha mantém um ateliê em Conduru, distrito de Cachoeiro. Entre as imagens de santo que vem restaurando, recuperou o acervo de Santa Rita de Cássia, cultuada em Cachoeiro. Assim, a Casa de Cultura Roberto Carlos, em Cachoeiro, terá uma surpresa em 22 de maio, quando a cidade se engalana para homenagear a santa.

quinta-feira, 25 de março de 2021

O perfume da virgem ruiva que o escritor deflora a cada madrugada é o seu ringue e a sua lucidez

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DE 2021 – É recorrente jornalistas perguntarem a escritores por que escrevem. As respostas são infinitas. Algumas, tão elaboradas que se tornam incompreensíveis, objeto de análise psicológica. Contudo, o modo como os escritores se comportam no processo de trabalho é previsível. Costumam se levantar em torno das 5 horas e a dedicar boa parte da manhã trabalhando, geralmente sem que ninguém os paguem por isso. 

Alguns chegam a levantar-se em um horário em que quase todos os demais jamais cogitaram em deixar a cama: às 3 horas. E em boa parte do dia, ou da noite, recarregam as baterias da criação praticando esporte, bebendo, ou, simplesmente, vagabundando. Outros, trabalham para pôr comida na mesa. 

Os escritores iniciantes, ou pobres, ou que ainda não conseguiram ganhar nada com sua produção literária, fazem qualquer trabalho para pôr comida na mesa da família e manter a rotina de levantar de madrugada para escrever. São como viciados que mergulham em um vício apenas tolerado pela família. 

É claro, há os casos dos escritores que se tornam grandes vendedores de livros, vendem milhões, ficam ricos e com eles a família, que, assim, passa a estimular o escritor, a quem antes desestimulavam, a se profissionalizar. 

Já dá para notar uma coisa: escritores são incansáveis. Há aqueles que trabalham como jornalistas, passam o dia escrevendo matérias ou copidescando nas redações dos jornais, e ainda encontram substância, à noite, para a criação. Outros, além de escrever e fugir dos cobradores, são ainda matadores compulsivos de mulheres. 

Matadores no bom sentido. Diz-se que Honoré de Balzac tanto escrevia compulsivamente quanto fornicava. Não podia passar sem escrever e fornicar. Escrevia como um condenado e recarregava a bateria da criação fornicando.   

Mas os escritores, estou certo disso, pouco estão querendo saber se contarão ou não com comida no almoço e mulher no jantar. Precisam escrever! E não escrevem com o estômago, embora um naco de carne quente seja sempre bem-vindo. William Faulkner disse que o escritor é aquele sujeito que não tem medo de saber o quanto aguenta sem comer. 

O escritor é aquele que, entre o conforto e o sacerdócio da escrita, renuncia ao luxo e se entrega à criação como o padre se entrega à missa. O escritor é um escravo voluntário. Um viciado que não faz mal a ninguém. Apenas incomoda a quem possa entrevê-lo na sua solidão. O escritor é feio ou belo, doente ou tímido. Isso nada significa para ele. 

O verdadeiro escritor, quando é pobre e tem que sustentar a família realizando qualquer trabalho, o faz sem perda de tempo, e não deixa escapar também qualquer oportunidade de escrever, mesmo que seja no intervalo entre uma pedreira e outra. Não perde tempo com coisa alguma. Apenas o que escreve é realmente importante, porque extrai luz da criação. 

Se o que escreve não tem luz, ou se o escritor é mais importante do que o que escreve, então se trata de um impostor. O falso escritor nunca tem tempo para escrever. Tem tempo para tudo, menos para escrever. O falso escritor não gosta de escrever, detesta escrever, não quer enfrentar o papel em branco, não sabe escrever. Intitula-se escritor, ou se obriga a escrever algum chavão aqui, outro ali, porque o status de escritor lhe deu alguma vantagem, ou lhe proporciona prazer. 

Os falsos escritores lutam para ser tratados como verdadeiros escritores, se locupletando com elogios que fariam corar o verdadeiro escritor. 

E por que se escreve, então? Por que gastar o tempo com algo que geralmente não proporciona nem feijão com arroz, durante anos, ou décadas, ou a vida inteira? Os escritores sentem uma vontade insuportável de criar, de inventar histórias, de costurar personagens e lhes conceder vida. 

Faulkner achava que o escritor classe A era conduzido por demônios. Hemingway pelejava laboriosamente sobre o papel em branco. É que mesmo conduzidos pelo diabo, ou pela angústia, seguiam um odor. Este odor, creio, é o perfume das virgens ruivas.

Os escritores, no ato da criação, seguem o odor do cio, irresistível como o perfume das virgens ruivas. Criar é como a queda no abismo do gozo, uma queda longa, interminável, sempre interrompida e reiniciada a cada poema, conto, romance, crônica, ensaio, verso, frase. Assim, o ato de criar é o perfume da virgem ruiva que ele deflora a cada madrugada. É o seu ringue e a sua luz.

A Medicina Tradicional Chinesa mostra que uma das causas da fibromialgia é beber pouca água

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DO 2021 – Como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, atendo, em média, cinco pacientes por semana, entre idosos e jovens, homens e mulheres. A queixa mais comum é dor, às vezes no corpo todo, o que é chamado de fibromialgia. Quando o paciente está sentindo muita dor, trato logo de tirá-la, ou com acupuntura sistêmica ou com eletro-acupuntura. 

Fora isso, sempre começo com anamnese, aquela conversa coloquial e íntima que temos com o paciente, voltada para perscrutar sua alma, e sentir com ele as dores que o acometem. As doenças, e mesmo os acidentes e acontecimentos nefastos, começam com emoções ruins, e as emoções ocorrem no corpo astral, ou perispírito, geralmente causadas por encostos, ou influência de espíritos sintonizados. 

Do corpo astral, as vibrações ruins, ou larvas astrais, minam o corpo etéreo, ou duplo sutil do corpo físico. É aí que entra a pulsologia, quando, por meio dos pulsos do paciente, auscultamos todos os seus órgãos, e também sua alma. A língua complementa esse exame, pois revela, de forma clara, como vai o sistema fisiológico do paciente. 

Também o olhar do paciente, sua voz, a expressão do seu rosto, até seu andar, tudo isso revela, aos gritos, a dor que lhe vai na alma, e, por reflexo, no corpo físico. Então, nós dois enfrentamos a dor. 

Muitas vezes, é uma dor que se consolida simplesmente porque o paciente não bebe água suficiente. Pelo menos 70% do nosso corpo são água. Uma pessoa adulta deve beber pelo menos dois litros de água por dia, pois o equivalente a isso é perdido todos os dias. Assim, a mesma quantidade deve ser reposta para evitar a desidratação. 

Se não for assim, o corpo irá travando, enrijecendo, surgirão dores dos pés à cabeça, a pele ficará feia, surgirá a insônia, pedras nos rins e na bexiga, o mal humor se revelará, a raiva emergirá, as fezes serão caprinas, a vida perderá a graça e tudo imergirá naquele vale de sombras, de anoitecer, mesmo que a vida esteja pulsando ao redor. E quando não se bebe nenhuma água, o indivíduo morre em no máximo quatro dias. 

Bilhões de pessoas, em todo o mundo, levantam-se a cada manhã preocupadas em como conseguir água. Povos lutam entre si pela água. Não é o caso do Brasil. Aqui, temos cerca de um quinto da água doce de superfície do planeta, e há até quem varra o quintal com água tratada, o que daria cadeia na Europa. 

Aqui, temos água à vontade, essa substância química inodora, insípida e transparente, formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, e que pode se apresentar em estado líquido, constituindo três quartos da superfície do planeta, e em forma de gelo, nas calotas polares, e de vapor na atmosfera terrestre. 

A água é fundamental para todos os seres vivos devido à sua capacidade de mediar reações bioquímicas tanto no interior quanto entre as células. A fotossíntese depende das moléculas de água para sua ocorrência; por meio da hidrólise, as moléculas são quebradas por ação da luz solar e se recombinam com o gás carbônico para formar a glicose, rica em energia, necessária à sobrevivência da planta. Eis a base da cadeia alimentar. Animais herbívoros comem vegetais e são comidos pelos predadores, com o homem no topo.

O corpo carnal é energia densa, e a água é o melhor lubrificante para essa energia se mover e se equilibrar, e dar continuidade à vida cármica.

quarta-feira, 24 de março de 2021

São os sudestinos (sic) e sulistas melhores do que os nortistas? Caso Celso Sabino

Deputado Celso Sabino (sem partido/PA), ex tucano aliado de Bolsonaro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 24 DE MARÇO DE 2021 – Entrevista que o deputado Celso Sabino (sem partido/PA) deu ao programa Linha de Tiro, do portal Ver-O-Fato, quinta-feira 18, trouxe à tona uma das práticas mais escrotas, estúpidas e cínicas da maioria da Humanidade, só que no Congresso Nacional: a discriminação étnica. Quanto à raça, esclareça-se, só há uma: a humana. 

Celso Sabino explicava no programa por que a direção nacional do PSDB lhe cerceou a liderança da maioria na Câmara e o expulsou da agremiação quando se referiu a uma realidade nacional: a divisão do país entre Sul, de Brasília para baixo, e Norte, de Brasília para cima. As bancadas das regiões Sudeste e Sul, principalmente a de São Paulo, não toleram que um nortista se destaque no Congresso Nacional. Para o Sul, os nortistas são paraíbas. Os do Centro-Oeste aceitam melhor os nortistas. Mas como começou essa idiotice?

Começa em 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral chega a Porto Seguro, na Bahia. Nas décadas seguintes, a Coroa Portuguesa tratou de garantir a posse das terras no Novo Mundo, distribuindo capitanias hereditárias a membros da nobreza. Mas somente as capitanias de Pernambuco e de São Vicente (São Paulo) prosperaram. Em 1549, Portugal cria o Estado do Brasil, com um governo-geral sediado em Salvador, e, a partir de 1763, no Rio de Janeiro. 

Mas, em 1621, durante o domínio espanhol, Filipe II de Portugal (Filipe III da Espanha) dividiu a colônia portuguesa em duas: o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco até a atual Santa Catarina; e o Estado do Maranhão, do atual Ceará até a Amazônia, com a capital em São Luís, e, a partir de 1737, em Belém, quando o Estado do Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Naquela época, era mais fácil navegar de Belém para Lisboa, vice-versa, do que de Belém para Salvador, ou Rio de Janeiro, vice-versa, devido aos ventos. 

Em 1823, Dom Pedro I anexa o Grão-Pará e Maranhão ao Império do Brasil. Ou seja, a Amazônia Clássica passa a ser colônia do Brasil, o que dura até hoje. Trocando em miúdos: o Estado do Grão-Pará reportava-se diretamente à Lisboa. Quando o Estado do Brasil proclamou a independência, Dom Pedro I anexou a Amazônia ao Império do Brasil, e pôs no limbo a elite paraense, que se reportava diretamente à Lisboa. 

Abandonada, já que agora não contava mais com Portugal, a população paraense começou a passar necessidade. Então revoltou-se contra o Brasil, numa tentativa de se unir novamente a Portugal, e, em 1835, explode uma revolução em Belém, a Cabanagem, estendendo-se, até 1840, para toda a Amazônia. A resposta do Império do Brasil foi de uma ferocidade que até hoje causa ressentimento. 

Influenciada pela Revolução Francesa, a Cabanagem eclodiu devido à pobreza, fome e doenças na Amazônia, principalmente entre índios e mestiços que viviam em cabanas à beira dos rios, verdadeiros escravos da elite branca. Liderados por integrantes da classe média alijada pelo Rio de Janeiro desde a Independência, tomaram o poder em 6 de janeiro de 1835. 

Mas, sem planejamento, os cabanos permaneceram no poder apenas dez meses, quando Belém foi bombardeada sem dó nem piedade; segundo os historiadores, as tropas do Império do Brasil reduziram a população belenense, de 100 mil habitantes, quase pela metade. 

Mais recentemente, no século XX, começou uma grande migração de nordestinos para o Rio de Janeiro e São Paulo. Para cariocas e paulistanos tudo o que se mexe de Brasília para cima é do Norte, e é assim que, na cabeça deles, não há nenhuma diferença entre as culturas da Amazônia e do Nordeste. Para eles, todo mundo é da Paraíba, um dos estados do Nordeste com grande leva de retirantes. 

O retirante foge da miséria e da ignorância; assim, para sudestinos (sic) e sulistas todo nortista é miserável e ignorante. Já vi mineiro chamar um colega jornalista paraibano de papa-calangro. No Rio, é comum vermos cariocas tratar porteiros por paraíba. Mas, na Câmara? 

Pois é, Celso Sabino, que está em primeiro mandato, comentou que ao chegar à casa foi chamado de paraíba, e quando chegaria à liderança da maioria os bicudos enlouqueceram, atiçados por João Doria, governador de São Paulo, e o chileno-carioca Rodrigo Maia, do Democratas (RJ), mas chegado a uma pluma. 

Tanto a Região Nordeste quanto a Amazônia, ou Região Norte, conta com grandes escritores, artistas, intelectuais, folclore rico, culinária impagável, grandes cidades e políticos com potencial para se tornarem líderes. O Pará é uma síntese da Amazônia, em potencial biológico, mineral e de inteligências, mas também o é como sub continente colonizado, que se agacha ante o colono e as multinacionais, que levam tudo. 

De modo que quando os paraenses elegem um Celso Sabino da vida, estão apostando em melhores dias. Mesmo em primeiro mandato em Brasília, Sabino foi um dos responsáveis pela eleição de Arthur Lira (PP/AL) à presidência da Câmara. Foi isso que deixou João Doria rasgando as calças, pois a bancada de Dória queria eleger Baleia Rossi (MDB/SP), que estava preparado para aceitar qualquer um desses pedidos imbecis de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. 

Resultado: Sabino foi indicado por 11 partidos para ser líder da maioria na Câmara, mas, por meio de nota, o PSDB se manifestou contra, alegando que o cargo é relacionado ao governo federal: “Todos os membros que votaram pelo encaminhamento ao Conselho de Ética alegaram que o PSDB não faz parte do governo Bolsonaro e que não é pertinente, portanto, que um de seus membros assuma a liderança do bloco de maioria governista”. 

Para o ex-presidente do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), que não quer ver Doria nem de terno inglês, o partido promove uma “caça às bruxas”. Disse ele: “Defendo que o PSDB se mantenha independente em relação ao governo, votando a agenda econômica onde temos identidade e sem participar de indicações de cargos no governo. Ao mesmo tempo sou contrário à caça às bruxas dentro do partido”. 

Dá para notar que a verdadeira guerra ocorre entre Aécio Neves e o governador João Doria, que sonha em se tornar governador não só dos paulistas, mas também dos brasileiros. Assim, Doria articula a expulsão também de Aécio. Como Sabino é peixe miúdo, até agora só sobrou para ele, pois para Doria pegar um tubarão como Aécio terá que comer muito macarrão. 

Nem Celso Sabino, nem o Pará, estão ligando muito para a suruba no ninho tucano nacional, porque, no ano da reforma tributária, o Brasil, e também o Grão-Pará, precisam de tributaristas como Celso Sabino. Visionário e homem de ação, jovem, com todo o gás, preparo intelectual e vontade, Celso Sabino é um dos jovens políticos capazes de tornar não só o Pará um dos mais prósperos estados do país, mas também contribuir muito para com toda a Amazônia e com o próprio país, pois é especialista em direito tributário, principalmente no que diz respeito à exploração de jazidas de minérios, além da questão de transportes no Trópico Úmido. 

Celso Sabino é graduado em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama) e em Direito pelo Centro Universitário do Pará (Cesupa), aprovado no exame da Ordem dos Advogados (OAB); pós-graduado em Controladoria, Auditoria e Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão Pública Tributária pela Escola de Administração Fazendária (Esaf); e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (Umsa). Aos 22 anos, foi aprovado no concurso para Auditor Fiscal na Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa).

Em 2010, elegeu-se suplente de deputado estadual, assumindo como deputado em 2011. Em 2012, ocupou o cargo de Secretário Estadual na Secretaria de Trabalho Emprego e Renda do Pará (Seter), quando participou da criação da Feira do Artesanato Mundial (FAM) e da implantação do projeto Seter nos Bairros. Em 2013, reelegeu-se Deputado Estadual, exercendo mandato entre 2014 e 2018. No mesmo período, assumiu a presidência do Instituto de Metrologia do Pará (ImetroPará). Em 2018, é eleito deputado federal.

Quanto a João Doria, dispõe de uma bancada inteira de arianos sudestinos (sic) emplumados.

domingo, 21 de março de 2021

Os comunistas mordem no outono

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MARÇO DE 2021 – O outono está lá fora. As noites são frias e os dias nublados, e não há estudantes nas ruas; sumiram, quando a morte veio da China. Além do vírus fatal há sombras rondando os lares; miasma do comunismo.

Ando pelo apartamento, aliso a lombada dos livros na estante, olho pela janela e vejo na pracinha defronte ao meu bloco alguém de máscara e conduzindo dois cachorros, daqueles que parecem tapurus, e logo desaparecem. A manhã volta ao silêncio e à solidão. O mundo deixou de ser colorido e ruidoso. 

Os viciados em bacanais na teta da burra fazem tudo para manietar o presidente e o comerem vivo. As hienas e os urubus rasgam o ventre da democracia e puxam as vísceras, enquanto a presa estrebucha. 

A democracia é como um animal herbívoro, que, em vez de dentes afiados e garras, contam com cascos. As hienas e os urubus estão sempre com fome; as bactérias que vivem neles devoram rapidamente tudo o que lhes cai no papo; mordem os herbívoros com fúria, rasgando-os do ânus ao umbigo, engolindo instantaneamente seus intestinos. 

As hienas e os urubus são comunistas. Quando o bando come não fica sequer ossos. Aos líderes das hienas e dos urubus cabe ficar com os trilhões de reais roubados; aos demais é atirado pão com mortadela. 

A quarentena já se estende por mais de um ano, e durará muito, ainda. Com o povo preso em casa fica ainda mais fácil assaltar a verba da Saúde. Assim, ao dar o bote, os jacarés e as sucuris não erram a bocada, como em Cuba, onde prostituíram tudo, e na Venezuela, onde se mata na rua, de dia, à vontade. 

De modo que vírus e o comunismo vão prosperando, até, como na União Soviética, explodirem Deus, e, na China, a indústria de órgãos dos prisioneiros crescer pelo menos 10% ao ano. Há tanto horror nisso tudo que me pergunto por quanto tempo as hienas e os urubus terão que vagar no umbral e reencarnar.

Não sabem que há luz nas rosas nem perfume nos jasmineiros, e que o riso das crianças levam diretamente a Deus. Isso, os comunistas não podem tirar de mim, por mais que me mordam durante todo o outono.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Confraria Cabanagem investiga potencial assassinato de candidato ao governo do Pará

Um dos maiores portais jornalísticos do Pará, o VER-O-FATO, passa, a partir desta sexta-feira 19 de março, a publicar o thriller policial A CONFRARIA CABANAGEM, de Ray Cunha, em 14 capítulos, todas as sextas-feiras. A capital do estado do Pará, Belém, está imersa em corrupção, e para a misteriosa Confraria Cabanagem só o senador Fonteles, candidato ao governo, é capaz de acabar com a sangria, mas descobre um complô para assassiná-lo em um crime perfeito.

Assim, contrata o único homem capaz de impedir que eliminem o senador Fonteles: o detetive Apolo Brito, ex-delegado da Polícia Civil do Pará, e que atualmente mora em Brasília.

Nada a ver com o Pará real. Trata-se de um trabalho de ficção, no qual personalidades de carne e osso, como o jornalista Lúcio Flávio Pinto, transitam com personagens de ficção. "Fique com esta obra muito bem escrita e de alta sensibilidade ficcional" – diz Carlos Mendes, editor do VER-O-FATO.

O caminho do meio

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE MARÇO DE 2021 – A palavra Buda é do sânscrito desperto. São os que despertaram para a compreensão de que todos os fenômenos, ou a vida material, são impermanentes. O Buda mais conhecido no Ocidente é Siddhartha (aquele que atinge seus objetivos) Gautama (condutor de gado), também conhecido como Sakyamuni, sábio do clã dos Shakyas, fundador do budismo, e que viveu por volta de 563 a.C. a 483 a.C. Sidarta nasceu príncipe no reino de Kapilavastu, em Lumbinī, território atualmente dividido entre Nepal e Índia; era filho do rei Suddhodana Gautama, líder do clã Shakya, e da rainha Maha Maya. 

Sidarta foi educado pela irmã mais nova de sua mãe, Maha Pajapati, que, a mando do rei, o fez acreditar que todo mundo vivia no mesmo fausto do palácio. Aos 16 anos de idade, seu pai o casou com uma prima da mesma idade, Yashodhara, que deu à luz um filho, Rahula. Ao todo, Sidarta viveu 29 anos como príncipe dentro das muralhas de Kapilavastu, em contato com o bom e melhor da vida. 

Apesar do esforço do seu pai para que nunca visse doentes, moribundos, nem sofrimento algum, um dia Sidarta viu um homem velho e pobre. Quando um cocheiro do reino, Chandaka, amigo de Sidarta, explicou a ele que era natural envelhecer, o príncipe arranjou um jeito de sair das muralhas para ver o mundo fora delas. Não deu outra, viu um homem doente, um corpo em decomposição e um asceta. Isso o deprimiu. Como superar a doença, a velhice e a morte? Por meio do ascetismo? 

Ajudado por Chandaka, Gautama pegou seu cavalo, Kanthaka, e abandonou o palácio. Levaria a vida de mendicante, atrás das respostas que o afligiam. Seguiu para Rajagaha, onde sobreviveu pedindo esmola. 

Foi longa a peregrinação de Sidarta, até encontrar um grupo de cinco yogues, liderados por Kaundinya, que tentavam encontrar a iluminação por meio da privação de bens materiais, incluindo a alimentação, e praticando a auto mortificação. Um dia, ao banhar-se na beira do rio Neranjana, morto de fome, Gautama desmaiou e quase se afogou. Nesse momento, se lembrou da infância, observando seu pai a arar o campo; concentrado nesse pensamento feliz, entrou em um estado meditativo que até então não conseguira atingir. 

Gautama percebeu que tanto o luxo em que vivera quanto o ascetismo extremo em que estava vivendo é que levavam à morte; precisava seguir o caminho do meio, o caminho da moderação, igualmente afastado dos extremos, da autoindulgência e auto mortificação. Diz a lenda que sentou-se, ali perto do rio Neranjana, sob uma Ficus religiosa, figueira, e jurou não se levantar dali enquanto não houvesse encontrado a verdade. Após 49 dias de meditação, alcançou a iluminação, ou seja, a paz espiritual. 

Tinha 35 anos de idade. Desde então, Gautama ficou conhecido por seus seguidores como o Buda, ou Shakyamuni Buda, o Iluminado da tribo dos Shakya, até morrer, aos 80 anos de idade, na cidade de Kushinagar, atual estado de Uttar Pradesh, Índia. 

A iluminação de Sidarta consiste em que ele compreendeu quais são as causas do sofrimento e como eliminá-lo, as Quatro Nobres Verdades, a essência do budismo. Compreendido isso surge um estado de paz interior, liberdade da ignorância, inveja, orgulho, ódio e outros sentimentos que levam à angústia. 

A Primeira Nobre Verdade é a causa do sofrimento, ou sentimentos ruins, como tristeza, insatisfação, aflição, desilusão, desespero, tédio. A causa de tudo isso é o apego material, pois, como a matéria é impermanente, apegar-se a ela será sempre insatisfatório. A Segunda Nobre Verdade é a constatação da Primeira Nobre Verdade. A Terceira Nobre Verdade revela que há um caminho que leva ao fim da Primeira Nobre Verdade, e a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho, fazendo cessar todo o sofrimento. 

Trocando em miúdos, a Primeira Nobre Verdade é a constatação do sofrimento: nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero, a união com aquilo que não causa prazer, a separação daquilo que é prazeroso, não obter o que se deseja, o apego, a matéria, tudo isso é sofrimento. 

Sofremos porque não temos algo, porque conseguimos algo e quando o conseguimos temos medo de perdê-lo, porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim, porque temos algo de que queremos nos livrar e não conseguimos, porque a matéria, as ideias, os conceitos, os pensamentos, são impermanentes. 

A Segunda Nobre Verdade é o conhecimento da origem do sofrimento, que é a busca pelos prazeres sensoriais. A Terceira Nobre Verdade mostra o caminho que prescinde desses prazeres, fazendo-os cessarem, desapareceram. E a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho. Logo, a Nobre Verdade é o caminho que conduz à cessação do sofrimento, o Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

É essa a grande disciplina. A melhor vacina contra qualquer virose, pois o medo da morte, as trevas, desaparecem, dando lugar à luz do amor, que é a energia, a sintonia fina da vida.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Memórias do Rio de Janeiro

Elenco de Morte e Vida Severina pela Escola de Teatro de Comédia da Guanabara, encenada no antigo Teatro de Arena, no Largo da Carioca,
Rio de Janeiro, 1972. Ray Cunha é o da extremidade direita da foto

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 15 DE MARÇO DE 2021 – Amamos uma cidade por diversas razões. Cheguei ao Rio de Janeiro em um dia de semana, sem lenço e sem documento, em 1972. Tinha 17 anos e não portava sequer carteira de identidade, e contava apenas com o terceiro ano do antigo curso ginasial, hoje, ensino fundamental. Nasci em Macapá, então capital do Território Federal do Amapá, no setentrião da costa brasileira, mais voltada paras as Guianas, o Caribe e a França. Calculo que Macapá era, então, menos de um terço do que é hoje, uma cidadela acossada pelo maior rio do mundo, o Amazonas, e a selva, e seccionada pela Linha Imaginária do Equador.

Em 1968, aos 14 anos, me meti no meio de um grupo de artistas e desde então nunca mais saí da dimensão azul. Em 1971, publiquei, com Joy Edson e José Montoril um livrinho de poemas, Xarda Misturada, e, com ele, no ano seguinte, peguei o rio e a estrada e fui parar no Rio de Janeiro. Fui de barco para Belém e de lá peguei a estrada e viajei de carona para Brasília, de onde tomei um ônibus para o Rio de Janeiro, levando comigo alguns exemplares de Xarda Misturada. Cheguei no meio da tarde em um dia de semana e da rodoviária tomei um ônibus para o coração do Rio de Janeiro, o cruzamento das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco.

Levava comigo o endereço de trabalho de uma amiga do pintor e poeta Manoel Bispo, de Macapá, e a confiança inabalável de um garoto ribeirinho de que a amiga do Manoel Bispo me receberia de braços abertos. Localizei-a já à saída do trabalho; ela me olhou e me disse que eu não poderia ficar na casa dela, desejou-me boa sorte e sumiu na multidão.

A sorte é que eu levava também comigo o endereço de um amigo que conheci no Colégio Amapaense, Sílvio, paulistano que fora para Macapá com o pai, um americano que trabalhava na Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (Icomi), que, juntamente com a Bethlehem Steel, transportou do município de Serra do Navio, para os Estados Unidos, a jazida do melhor manganês do planeta, a preços vis, e deixou uma imensa cratera no Amapá.

Na época, o Sílvio morava com os tios na Alameda São Boaventura 208, Fonseca, Niterói. Cheguei lá à noite. O Sílvio, sua tia e seus primos me receberam muito bem. No dia seguinte, peguei um ônibus, a barca e outro ônibus e fui a Copacabana; desci no Posto 6 e me dirigi para o mar, onde mergulhei naquela mistura de sal, água, sol e azul. Acho que foi nessa química que comecei a amar o Rio de Janeiro, a partir de Copacabana.

Em novembro daquele ano apresentei-me na Primeira Região Militar do Exército. Eu meço 1,64 metro de altura, e creio que pesasse, naquela época, 50 quilos (hoje, peso 64 quilos), e a mudança de clima e a poluição da grande cidade causaram uma coceira no meu corpo todo, de modo que fui dispensado do serviço militar, e vi meu propósito de morar no quartel esfarinhar-se.

O tio do Sílvio era um oficial da Aeronáutica, negro, coisa rara na Ditadura dos Generais (1964-1985). Acho que o episódio que aconteceu naquela noite foi reflexo daqueles anos de chumbo. O tio do Sílvio chegou mais cedo. Eu estava arranhando um violão na sala. O tio do Sílvio ordenou que fôssemos todos dormir. Eu dormia em um sofá, na varanda. Continuei com o violão. Então o tio do Sílvio veio do quarto dele e ordenou que eu pegasse minhas coisas e fosse embora.

Juntei meus pertences – algumas roupas e exemplares de Xarda Misturada – e fui para a rodoviária central de Niterói. Foi uma longa noite. Só senti mais frio na estação aeroviária de Buenos Aires, em certa noite que lá passei, e da qual surgiu o poema Noite Horrível, publicado no livro Sob o Céu nas Nuvens (edição do autor, Belém, 1982). Só quem passa uma noite dessas é que sente o quanto o sol do alvorecer é vivificante. Nem bem o dia amanheceu, lavei o rosto, tomei café com leite com pão com manteiga e me mandei para a representação do governo do Território Federal do Amapá, no centro do Rio de Janeiro.

O representante, Couto, era conhecido por ajudar amapaenses. Conversamos. Ele me perguntou se eu conhecia o Itabaraci, que é de uma geração ligeiramente antes da minha, de Macapá (onde hoje vive); contudo, seu pai, Aimore (em tupi, não leva acento agudo na última sílaba) Nunes Batista, era padrinho da minha irmã caçula, Rosa Maria. Disse ao Couto que sim, conhecia o Itabaraci, e ele me deu um conselho.

– Vai procurar o Itabaraci; ele mora num apartamento em Copacabana, onde a senhoria, dona Maria Antônia, aluga vagas – disse-me ele, e me deu o endereço: Rua República do Peru 210, Apartamento 204, entre as ruas Tonelero e Barata Ribeiro, Copacabana. Vivi dois anos, lá.

Dona Maria Antônia, paraense, funcionária dos Correios, há muito radicada no Rio, foi uma das mulheres mais bacanas que encontrei. Ela simplesmente me acolheu, e só passei a pagar vaga depois que ela mesma conseguiu emprego para mim, como faz-tudo em uma empresa de conserto e venda de peças de eletrodomésticos, primeiramente numa loja em Ipanema e depois em Copacabana.

Quanto ao Itabaraci, e seu irmão, o violonista e pianista Aimorezinho, que nessa época tocava na banda do Raul Seixas, trataram-me como a um príncipe. Por isso sou eternamente grato a eles.

Logo depois, o compositor amapaense Luiz Tadeu Tavares Magalhães, que estava morando no Rio e trabalhava na White Martins, conseguiu para mim uma vaga como contínuo na filial de Jacaré, na Zona Norte. O Tadeu era músico e radialista em Macapá, e me entrevistara várias vezes, na condição de escritor.

Em 1971, antes de publicar Xarda Misturada, participei de um jornalzinho colegial anarquista, A Rosa – Bonitinha mas ordinária, de modo que eu tinha ideia de como fazer um house organ, e foi o que eu fiz, o jornalzinho da filial da White Martins.

Além disso, eu pagava mensalmente uma empresa que fornecia entradas a pelo menos quatro peças teatrais por mês. O gerente da filial, dr. Arlindo, também era cliente da mesma empresa e andamos nos encontrando nos teatros. Ele morava em Ipanema e passou a me dar carona para Copacabana quando saíamos juntos. O jornalzinho e o interesse comum por teatro entre o gerente da filial e eu, além da companhia do Luiz Tadeu, tornavam o ambiente pesado de multinacional um convívio bastante agradável.

Às sextas-feiras, principalmente na primeira do mês, eu saía com o Luiz Tadeu. Às vezes, íamos para a casa do nosso colega de White Martins, Frank Loiola Matos, em Padre Miguel. Mas bebíamos muito sempre. Também foi nessa época que conheci o Luiz Loyola, Lula, irmão do Frank, no Curso de Interpretação Teatral no antigo Teatro de Comedia do Estado da Guanabara (Teco), na turma do professor e ator Jorge Paulo.

A prova final do curso foi a encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, com músicas de Chico Buarque de Holanda, no extinto Teatro de Arena no Largo da Carioca. Fiz um dos coveiros. Nessa mesma época, começamos leituras e laboratório da peça Miolo de Pão, texto de Luiz Loyola e que expressava “a realidade conflitante, festiva e utópica de uma família do subúrbio carioca” – como diz o próprio Loyola. Nós nos reuníamos na casa do Jamil Viana, na Pavuna; na casa da belíssima Beth Bello, na Ilha do Governador; e na Vila Valqueire.

No quarto do Loiola, BOE (Boite Onda Estudantil), na casa em Padre Miguel, “aconteciam reuniões com muita música, teatro, poesia, happenings, num clima underground e ambiente psicodélico, cheio de posters de vanguarda, caricaturas, painel com capas de LP, objetos antigos, como um armário centenário com um enorme espelho de cristal na frente da porta, que encantava os narcisistas, uma luminária em formato de chapéu mexicano vermelho, iluminada por uma tênue luz azul opaca, lembrando cabarés da Avenida Prado Júnior, no Leme; no chão, havia um espelho retrovisor redondo, de aproximadamente um metro de diâmetro, do serviço de trânsito do Rio, apelidado de “poço” pelo companheiro de trabalho Paulo Cesar Americano do Brasil, da Remington Rand, onde trabalhei com Luiz Tadeu no inicio da década de 70” – lembra Luiz Loyola.

“Num desses eventos, em uma noite festiva, tive o prazer de receber o amigo Ray Cunha, sutilmente trajando calça jeans do Lixo (boutique cult de Copa), camisa mangas compridas com gola rolé cor roxa e sapatos bicolor vermelho e amarelo... a figura tinha cabelos ruivos black-power no melhor estilo saltimbanco do ator do filme musical Gospell... em sua companhia chegaram Luiz Tadeu e Iara Picanço, depois de uma viagem de trem da Central do Brasil, direto do subúrbio do Lins de Vasconcelos” – recorda Luiz Loyola.

“Numa única visita à casa de Ray Cunha, na Rua República do Peru, em Copacabana, na década de 1970, o poeta me recebeu em seu quarto (vaga), onde havia uma cama beliche e o seu estado de saúde era gripal e febril; driblamos aquele quadro e resolvemos sair pra respirarmos uma brisa do mar caminhando pelo calçadão, depois paramos numa lanchonete e tomamos um delicioso café e suco de laranja com sanduíche, e, serpenteando pelas ruas sombrias do bairro, o poeta fez uma citação irreverente dizendo que Copacabana era uma enorme cama...” – Luiz Loyola mergulha mais naqueles anos dourados, referindo-se ao poema Essa Copacabana Triste Mulher, publicado no livro De Tão Azul Sangra.

“Não posso deixar de relatar, uma noite, quando eu e o poeta chegamos em minha casa, em Padre Miguel, fomos para a cozinha e nos deliciamos com café com bolo, pães, cuscuz de fubá preparados por minha mãe, dona Maria Amélia (in memorian); foi quando o poeta, degustando uma banana, começou a declamar versos de Xarda Misturada, dando um toque tropicalista romântico àquela noite de inverno tímido” – registra Luiz Loyola.

Nessa mesma época, Manoel Bispo foi fazer um curso de pintura no Parque Lage, e foi vizinho do Luiz Tadeu, no Lins. Havia fins de semana que o Bispo e eu saíamos para bater perna. Parávamos para ver os pintores que expõem nas ruas da Zona Sul, entrávamos nas galerias, íamos a cinema e conversávamos sobre tudo. Eu ia muito a teatro, cinema de arte, circos, como o Moscou, e a grandes shows, como o Santana. Ia muito, também, aos programas de auditório da extinta TV Tupi. Varava o Rio noite adentro. Em 1974, já como balconista da filial da White Martins de Jacaré, pedi demissão e voltei para a estrada.

Em 1982, em Belém, com o matrimônio fracassado, parti novamente para o Rio de Janeiro. Mas era como se eu estivesse sonhando. Lembro-me que fui com o Luiz Tadeu para Pedra de Guaratiba, onde o Luiz Loyola festejou seu aniversário, com muita batida do Primo, de Olinda, mais ao norte de Padre Miguel, vinho, cerveja, happenings e a bela voz do Luiz Tadeu. Dessa vez, minha estada no Rio durou pouco tempo. Retornei para Belém e concluí o curso de jornalismo.

Nos anos 1990, eu estava novamente no Rio quando o pintor Olivar Cunha expôs em um espaço em Botafogo, defronte ao Shopping Rio Sul. Ao coquetel de abertura estavam presentes Luiz Tadeu e sua filha e minha querida amiga Luciana Magalhães, carioca, e Luiz Loyola.

Em 1992, fui ao Rio para lançar o livro de contos A Grande Farra (edição do autor, Brasília, 1992). Foi uma estada etílica. Em 2000, participei da Bienal do Livro, com Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos. Naquele ano, em uma manhã de domingo, eu acabara de sair da praia de Ipanema, com Luciana Magalhães, quando houve o primeiro arrastão televisionado – cenas aterrorizantes. Eu continuava mergulhado em um sonho etílico.

Em 2010, passei uma semana com a minha gata, a psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, no Rio. Ela fora participar do décimo primeiro Congresso Brasileiro de Psicooncologia e do quarto Encontro Internacional de Cuidados Paliativos em Oncologia, de 22 a 25 de setembro, no Centro de Convenções do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), em Botafogo.

Hospedamo-nos no Hotel Inglês, ao lado do Museu da República, onde Getúlio Vargas se matou, no Flamengo. Jantávamos em um restaurante defronte ao Museu, quase sempre camarão. Todas as comidas, ali, eram deliciosas. Aquela parte do Flamengo, até Botafogo, passando pelo Largo do Machado, é a Europa no trópico, como de resto toda a Zona Sul.

Enquanto a Josiane estava no Colégio Brasileiro de Cirurgiões eu incursionava pela Zona Sul, em um resgate memorialístico redentor. Durante aquela semana eu esquadrinhei a Zona Sul, agora com o olhar maduro do homem de 56 anos de idade e que não mergulhava mais em bebedeiras mortais.

Perambulei por muitas ruas da Zona Sul, observei a arquitetura, a Lagoa Rodrigo de Freitas à noite, bati perna em Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca, Flamengo, Botafogo, centro do Rio, e retornei ao Pão de Açúcar, com minha amada. Lá de cima sabemos de pronto por que o Rio é a Cidade Maravilhosa.

Aonde quer que eu vá estarei sempre em algumas cidades, porque elas, como o Rio de Janeiro, florescem no meu coração. Hoje, escrevo para o DIÁRIO CARIOCA. É como um namoro com a cidade, e que não acaba nunca.

sexta-feira, 12 de março de 2021

O Brasil todo quer saber: por que Edson Fachin limpou a ficha de Lula, jogando a Lava Jato no lixo? Janaina Paschoal desconfia da Vaza Jato

A marca de Lula. Para Fachin, o ex-presidiário está limpo

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 12 DE MARÇO DE 2021 – A jurista, professora, doutora em Direito Penal, advogada e deputada Janaina Paschoal (PSL/SP) refere-se a “algo maior” o motivo pelo qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu livrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de condenação transitada e julgada em segunda instância, o que ele poderia ter feito há cinco anos, mas só agora o fez. Na prática, todo o trabalho da Operação Lava Jato foi mandado para o espaço por Fachin. 

Em entrevista terça-feira 9 ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, Janaina disse que a razão pela qual o ministro livrou Lula é algo que Fachin não gostaria que viesse a público: “Não acho que a decisão tenha sido de natureza política, que o intuito era salvar a Lava Jato, blindar Sergio Moro ou de simpatia com o ex-presidente. Ele teve tantas outras oportunidades e não o fez. É uma decisão tão estranha que, para mim, tem algo maior que ele não gostaria que viesse a público”. 

Ao lembrar dos áudios divulgados pelo The Intercept Brasil, episódio que ficou conhecido como Vaza Jato, a deputada acha que exista material comprometedor que não veio a público: “Nós tivemos acesso a um número muito pequeno de conversas. Apareceu tantas outras e a notícia que se tem é que a quantidade vai muito além do divulgado. Não é medo de que tudo o que tem lá venha à tona? Não consigo acreditar que um ministro se exponha dessa forma. Não acredito que o ministro correria todo esse risco para salvar Sergio Moro. Para mim, tem algo nos diálogos que não se quer que venha a público. Só isso faz sentido”. 

A jurista questionou também se Fachin tomou a absurda decisão sem consultar seus colegas de toga: “Não acredito que o ministro toma uma decisão dessa natureza sem consultar os demais. Só vejo como lógico que tem algo ali que não querem que a gente conheça”. 

Para Janaina, a decisão de Fachin é, simplesmente, errada: “Qualquer pessoa que conhece a área penal sabe que embargos de declaração não têm efeitos infringentes. Isso significa que esse recurso decidido ontem não tem poder de modificar decisão de mérito. O papel dos embargos de declaração é esclarecer dúvidas, corrigir omissão, contradição, ambiguidade. A lei é clara nesse sentido”. 

A jurista explicou que Edson Fachin não apenas mudou uma decisão ou mérito, mas anulou quatro processos inteiros, que já haviam, inclusive, transitado no Supremo: “É como se fosse uma confissão da incapacidade do ministro e do próprio Supremo. Isso é muito grave, não é só um retrocesso. Coloca em xeque a capacidade do STF e tira qualquer segurança jurídica do país. O impacto internacional é terrível”. 

A Operação Lava Jato foi a mais ampla investigação criminal já realizada no país, pela Polícia Federal, ao apurar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 8 trilhões de reais em propina, crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa, obstrução da Justiça, operação fraudulenta de câmbio e recebimento de vantagem indevida. Começou em 17 de março de 2014, comandada pelo então juiz Sergio Moro, e condenou e prendeu mais de cem pessoas, até 1 de fevereiro deste ano. 

As investigações e delações premiadas apontaram o envolvimento em corrupção de membros administrativos da Petrobras, presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, governadores de estado e empresários de grandes empresas brasileiras. Muito aristocrata foi preso. Em abril de 2018, foi a vez do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em 10 de dezembro de 2010, a Polícia Federal investigou repasses suspeitos de mais de 132 milhões de reais realizados pelo grupo Oi/Telemar para empresas do grupo Gamecorp/Gol, controlado por Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente, e, em 26 de dezembro, a PF indicia Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo recebimento de 4 milhões de reais da Odebrecht ao Instituto Lula. 

Em janeiro de 2016, o Ministério Público de São Paulo denunciou Lula pelo crime de lavagem de dinheiro. A construtora OAS, investigada na Operação Lava Jato, teria reservado para a família do petista um apartamento triplex no Guarujá e pagado 777 mil reais por uma reforma no imóvel. 

Em fevereiro do mesmo ano, Sérgio Moro autorizou a Polícia Federal a investigar o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, usado por Lula e família, e que teria sido reformado por 500 mil reais pela OAS e pela Odebrecht como compensação por contratos com o governo. 

O relator das ações da Lava Jato no Supremo era o ministro Teori Zavascki, desde o início da operação, em 2014, até morrer em acidente aéreo, em 2 de fevereiro de 2017, quando foi substituído por Edson Fachin. 

Em 5 de abril de 2018, o então juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula, condenado a 12 anos e um mês de cadeia. Lula fugiu durante dois dias, mas acabou se entregando e preso, por apenas 580 dias, pois foi solto em 8 de novembro de 2019, pelo Supremo, que considerou prisão em segunda instância inconstitucional, e deixando o país de queixo caído. 

Deblaterou o ex-presidiário: “Eu quero dizer para vocês que, se pegar o Dallagnol, se pegar o Moro, se pegar alguns delegados que fizeram inquérito, enfiar um dentro do outro e bater no liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento nesse país”.

Em 8 de março de 2021, Fachin anulou todas as condenações contra Lula em relação à Lava Jato, feitas pela Justiça Federal do Paraná, vinculada ao Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Os processos judiciais contra Lula foram encaminhados para Justiça Federal do Distrito Federal, vinculada ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região, onde deverão prescrever.

E Edson Fachin? O advogado e professor gaúcho foi posto no Supremo, em 16 de junho de 2015, por Dilma Rousseff, impichada. O atual relator da Operação Lava Jato no Supremo trabalhou como advogado de 1980 a 2015. Em 2003, assinou um manifesto, juntamente com o então deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh e o jurista Fábio Konder Comparato, pela desapropriação, para fins de reforma agrária, de imóveis rurais que descumpram a função social da propriedade. 

Indicado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrou a Comissão da Verdade do Paraná. Em 2010, assinou um manifesto em defesa do direito do então presidente Lula de opinar sobre as eleições e, em 29 de outubro do mesmo ano, participou de um vídeo de campanha lendo um manifesto com declaração de apoio a Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República.

Sergio Moro, de herói virou bandido e, se Lula foi liberado, todo mundo que está no mesmo barco já começou a rir para as paredes. Agora, Lula poderá até se candidatar novamente a presidente da República e fundar a democracia com que ele tanto sonha: a Venezuela cubana. Fica a pergunta: por que Edson Fachin fez uma... cometeu algo tão absurdo?

quarta-feira, 10 de março de 2021

Jornalista investiga traficante de crianças e a presença de Ovnis e ETs na Amazônia durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE MARÇO DE 2021 – Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no monumental Hotel Caranã, bairro do Pacoval, em Macapá/AP, a cidade mais emblemática da Amazônia. A Fortaleza de São José de Macapá, o maior forte colonial português, é também o maior ícone dos macapaenses, a tradução perfeita de Macapá. Construída por escravos, negros e índios, sob o domínio português, foi o cadinho no qual se forjou a etnia macapaense. 

Os portugueses cruzaram com africanos e geraram mulatos, e fornicaram com os índios, formando uma população de mamelucos; os africanos fundaram o distrito de Curiaú e o bairro do Laguinho, misturaram-se com os índios e legaram cafuzos; e mulatos, cafuzos e mamelucos misturaram-se, fechando o círculo, numa diversidade étnica viva nas ruas de Macapá, nas nuanças de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela. 

Nesse cadinho étnico, o jambu é a erva que melhor sintetiza a Amazônia. Os amazônidas, sedados pelo sol equatorial, que, apesar dos 100% de umidade relativa do ar, esturrica tudo, e acossados pela grande floresta, microrganismos, insetos e animais peçonhentos, agem como as papilas gustativas entorpecidas por espilantol, presente no jambu, principalmente na sua flor: anestesiados, baixam a cabeça e se entregam aos seus carrascos, especialmente aos políticos, que, independentemente de serem de fora, ou da própria terra, são sempre inclementes como os antigos ibéricos. 

Os políticos uniram-se a um tipo de empresário escravocrata e que adora dinheiro, e passaram a gerir a senzala sem paredes, ampliando a Fortaleza de São José de Macapá a ventre da besta. A Amazônia está sempre coalhada de colonos e aventureiros: tecnocratas de Brasília; paulistanos que compram 90% das toras de árvores griladas; americanos que nunca desistiram de colonizar o subcontinente; japoneses ávidos em ampliar seu arquipélago; chineses acossados pela própria superpopulação; e os europeus de sempre, além dos políticos, sequiosos em vender – e embolsar o dinheiro – até a última árvore, a última pedra preciosa, e todas as mulheres e crianças que puderem. 

Nesse cenário, do suplício imposto pelos ibéricos, da morte decretada pelos microrganismos e o assalto e o desprezo perpetrado pelos políticos, os macapaenses se tornaram símbolo de um tempo antigo, persistente, de espanhóis e portugueses, colonos e colonizados, o drama que perpassa a Ibero-América, a tragédia da Amazônia, alicerçado pela crença de que os colonos são deuses e os colonizados, seres inferiores, que existem para servir aos sangues-azuis. 

Para os colonos, a Amazônia só serve para três fins: construção de hidrelétricas; extração de madeira e mineral; e reserva de caça, pesca e escravos, especialmente para a triste história de crianças e mulheres, que, diferentemente do mito das amazonas, são criaturas fracas, subjugadas, escravas compradas à base de comida, de uma boneca, de uma balinha. 

É julho, mês de férias de verão na Amazônia. Durante o festival gastronômico, o jornalista João do Bailique, editor da revista Trópico Úmido, trabalha numa edição especial sobre a Hileia, ao mesmo tempo em que investiga o tráfico de crianças e mulheres para escravidão sexual. 

Naquela já distante manhã, na Vila Progresso, Patrícia Valente Melo, 11 anos e seis meses, se levantou da rede e foi ao banheiro, olhou-se ao espelho e apreciou seu rosto, simétrico, olhos imensos, gateados, lábios de rosa vermelha, pele de jambo novo. Era extraordinariamente bonita, e sensual, embora tivesse apenas 11 anos de idade. Tudo aconteceu muito rápido. Um homem peludo entrou na casa, colocou algo no seu nariz e ela acordou num barco, que, soube mais tarde, se chamava Virgem de Nazaré; levava crianças para a boate Senzala, especializada em servir europeus que atravessavam o rio Oiapoque, oriundos de Caiena. 

O carregamento, meninas sequestradas no Amapá e Pará, seria leiloado com lance inicial de mil euros para usufruto de uma semana, após o que seriam transportadas para Paramaribo. 

– Aquele francês louco, mas que paga muito bem, o tal de Humbert Humbert, já reservou a Patrícia. Ele vem exigindo uma menina assim igual a ela faz tempo. Ele vai pagar nada menos do que 6 mil euros para passar uma semana com ela na propriedade dele na Guiana Francesa, aí então a devolverá para o Caixinha de Pose, que é o dono da boate Senzala, em Oiapoque. Aí a pegarei de volta e a levarei para o Kunathi, por mais mil euros – contabilizou Jules Adolphe Lunier a Tota, capitão do barco. 

A manhã imobilizou-se, tensa como tumor maduro. Um raio chicoteou o céu quase noturno, seguido de trovoada. A tempestade desabou com toda a fúria. Cerca de 40 minutos depois passou completamente e o mar voltou a ficar calmo. Giselle e João do Bailique estavam pescando marlim azul na altura do Cabo Caciporé quando avistaram o ponto flutuando. Aproximaram-se e viram uma menina com salva-vidas, agarrada a um grande banco de madeira. Era Patrícia. 

Seis anos depois, Patrícia Valente Melo olhou-se ao grande espelho do seu quarto e apreciou o rosto, simétrico, olhos imensos, gateados, lábios de rosa vermelha, colombiana, pele de jambo novo. O corpo estava deformado; em vez dos 60 quilos de peso distribuídos em 1,70 metro de altura, seios e quadris enlouquecedores, pernas longas e bem torneadas, estava pesando bem mais, pois deveria parir por aqueles dias. 

Encontrava-se sozinha. O pai já havia saído para a revista Trópico Úmido e a mãe, para o Hotel Caranã. Juntou algumas mudas de roupa numa valise, apetrechos de higiene íntima, documentos, espargiu Chanel 5, chamou um Uber e se mandou para o Caranã, onde chegou poucos minutos depois. Desviou-se da Nave da Catedral, como era conhecido o amplo hall de entrada, e tomou por um caminho lateral, uma alameda de jasmineiros, rumo à marina. 

Nos salões do Hotel Caranã são servidos pratos da mais saborosa culinária do planeta: a paraense. E personagens de ficção misturam-se com personagens reais, vivas e mortas, como o genial pintor amapaense Olivar Cunha, que decora o cenário do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, o compositor paraense Waldemar Henrique, o médium e astrofísico Laércio Fonseca, o escritor Jorge Bessa, os jornalistas Walmir Botelho e Carlos Mendes, editor do Ver-O-Fato, a cantora lírica Carmen Monarcha etc. etc. etc. 

Em segundo plano, surge uma Amazônia pouco conhecida: a dos Ovnis e ETs, com um resgate da Operação Prato, a maior aparição de Ovnis e ETs já registrada no Brasil, pela Aeronáutica, e que se deu na costa do Pará. O que é que os ETs queriam? De onde vieram? João do Bailique dá as respostas. 

Em terceiro plano, a Amazônia fica nua. Todas as questões que vêm sendo discutidas em torno da grande floresta são dissecadas. No caso de uma terceira guerra mundial, que papel a Amazônia teria? Resistiria a uma hecatombe nuclear? Seria ocupada pelos americanos? Também João do Bailique investiga essa questão, bem como analisa a soberania do Brasil sobre a região.

Essa história se passa no romance Jambu (clubedeautores.com.br e amazon.com.br, 190 páginas), deste repórter. Em Jambu, o leitor conhecerá a Amazônia profunda, aquela capaz de resistir até a um bombardeio atômico, e entenderá o que foi a Operação Prato e a Data-Limite, de Chico Xavier.

terça-feira, 9 de março de 2021

Se a esquerda voltar ao poder matará todos os líderes conservadores, adverte Roberto Jefferson após liberação de Lula Rousseff por Fachin

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 9 DE MARÇO DE 2021 – O presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, advertiu hoje que se a esquerda conseguir emplacar uma ditadura no Brasil matará todos os líderes conservadores, em entrevista à TV Jornal da Cidade Online, ao comentar a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações de Lula Rousseff na Lava Jato, tornando o ex-presidiário ficha limpa. 

“Está na hora do Brasil reagir. Está na hora do presidente (Jair Bolsonaro), como chefe supremo das Forças Armadas, ir lá no Artigo 142 da Constituição e convocar as Forças Armadas para aposentar esses 11 ministros; e se nomeia 11 juízes de carreira, que não tenham compromisso com partido político e nenhum grupo ideológico. Se não, eles (os 11 do Supremo) vão levar o Brasil a uma revolução” – analisou Jafferson. 

Para ele, se não houver uma intervenção imediata, o Supremo vai pavimentar uma ditadura igual à de Maduro na Venezuela, pois já soltou dezenas de milhares de corruptos, chefões do tráfico e bandidos em geral, além de empoderar governadores, que já soaram o toque de recolher, com a desculpa da pandemia, como Ibaneis Rocha, de Brasília, e começam a governar como em uma confederação.

“O Supremo está empoderando governadores e prefeitos e amarrando as mãos do presidente. Já, já, você vai ter movimento separatista. Já, já, a gente perde a Amazônia. É uma violência à segurança nacional e à integridade territorial do Brasil” – afirmou. “Hoje, o Brasil não é mais República Federativa. O Supremo fez no Brasil um estado confederado; é uma ameaça que o Supremo está fazendo à unidade territorial brasileira.” 

Sobre Fachin, disse: “É um homem de esquerda, do Movimento Sem Terra, advogado da causa gay, advogado do PT no Paraná, professor universitário comunista, como todo professor universitário das universidades públicas federais são”.

Roberto Jefferson ficou conhecido nacionalmente por ter denunciado o Mensalão, o maior esquema de cooptação do Legislativo pelo Executivo, no fim do primeiro mandato do ex-presidente Lula. Mesmo assim Lula foi reeleito.