segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Carta aberta aos eleitores e candidatos ao governo do estado do Amapá e parlamentares

JAMBU se passa em Macapá, cortada pela Linha Imaginária do Equador

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 8 DE AGOSTO DE 2022 – O estado do Amapá, no setentrião do litoral brasileiro, a nordeste da Região Norte, no Platô das Guianas; é banhado pela foz do maior rio do mundo, o Amazonas, a leste, e pelo Oceano Atlântico a nordeste; faz divisa com o estado do Pará, a oeste e sul, e fronteira com a Guiana Francesa, ao norte, e com o Suriname, a noroeste, tem mais de 877 mil habitantes e 142.828,521 quilômetros quadrados de território. 

Desmembrado do estado do Pará, em 1943, como Território Federal do Amapá, e tendo como capital Macapá, tornou-se estado em 1988. É uma das unidades da Federação mais pobres e violentas, vítima da corrupção de colarinho branco e de traficantes e contrabandistas, embora potencialmente rica, como todos os estados da Amazônia. 

A Fortaleza de São José de Macapá, o maior forte colonial do Brasil, é o maior cartão postal de Macapá e o mais emblemático. No meu romance JAMBU, que se passa em Macapá, lê-se: 

“Construída para resistir a uma força semelhante à da marinha inglesa do século XIX, nunca foi atacada, exceto por um dos flagelos da Amazônia, a malária, também conhecida como paludismo, impaludismo ou maleita, doença infecciosa transmitida pela fêmea infectada do mosquito Anopheles e provocada por protozoários do gênero Plasmodium, que, no sistema circulatório do hospedeiro, vai parar no fígado, onde se reproduzem, provocando febre, dor de cabeça e nas articulações, vômito, anemia, icterícia, hemoglobina na urina, lesão na retina e convulsões, em ataques paroxísticos, com sensação súbita de frio intenso, seguida por calafrios, febre e sudação, paralisia do olhar, opistótono, convulsão, que pode progredir para coma ou morte. Tradicionalmente, os casos graves são tratados com quinino administrado por via intravenosa ou intramuscular. Não existe vacina contra a malária. As complicações a quem resiste à doença são estresse respiratório e desconforto psicológico. 

“Assim, a Fortaleza, maior ícone dos macapaenses, é a tradução perfeita de Macapá. Construída por escravos, negros e índios, sob o obsessivo domínio português, foi o cadinho no qual se forjou a etnia macapaense. Os portugueses cruzaram com os africanos e geraram mulatos, e fornicaram com os índios, formando uma população de mamelucos; os africanos fundaram o distrito de Curiaú e o bairro do Laguinho, misturaram-se com os índios e legaram cafuzos; e mulatos, cafuzos e mamelucos misturaram-se, fechando o círculo, numa diversidade étnica viva nas ruas de Macapá, nas nuanças de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela”. 

O colonizador contina ativíssimo, assim como os colonizados, que baixam a cabeça e dizem amém. O colonizador atual são os políticos corruptos e o colonizado é o curral eleitoral. Um exemplo, também emblemático, é o de Jeca Sarney, que caiu de paraquedas em Macapá, encantou os tupiniquins por ser ex-presidente da República e com a história da zona franca de Macapá, tornou-se senador vitalício e anexou o Amapá ao Maranhão. Hoje, a ameaça que paira sobre o Amapá é o comunismo, que prega a ditadura, se alia ao narcotráfico internacional, estatiza empresas, imóveis e propriedades rurais e torna o ensino público uma depravação só. 

De modo que recomendo aos eleitores amapaenses escolherem com cuidado seus candidatos, pois as sugestões que vou fazer a seguir jamais serão realizadas por comunistas, mas apenas por candidatos conservadores e com histórico de que nunca se corromperam. 

EDUCAÇÃO E CULTURA – A criação, na Universidade do Estado do Amapá (Uepa), dos cursos de engenharia naval, florestal e agrícola, e de oceanografia. A costa do Amapá é uma das regiões mais piscosas do planeta e vive cheia de piratas com navios que fazem arrastão, levando tudo. 

Também a criação das cadeiras de História da Amazônia e de Literatura do Amapá, pois conhecer a história do nosso subcontinente e a literatura produzida no estado nos faz compreender o presente e planejar o futuro, e sentir amor cívico. 

A aquisição pública de cinco exemplares de cada livro publicado por autores amapaenses, seja edição do autor ou editora, incluindo aí o Clube de Autores e a Amazon, para a Biblioteca Elcy Lacerda e outras. 

A criação de uma feira do livro anual, como a Pan-Amazônia, em Belém. 

Tirar o prédio do Marco Zero do Equador da condição de banheiro público, e sucateado, para a de local de eventos culturais, especialmente exposições de artes plásticas, com agenda diária, o ano todo. E como os turistas procuram muito o monumento, a Academia Amapaense de Letras, em convênio com o governo do estado, poderá criar e administrar uma livraria com livros de escritores amapaenses e da Amazônia. Há espaço para tudo isso. 

ENERGIA ELÉTRICA – Os governadores que passam pelo Amapá fazem vista grossa para um dos setores mais estratégicos visando ao desenvolvimento: energia elétrica. A produção do estado mal dá para iluminar as casas, quanto mais indústrias. É necessário que apareça algum herói para garantir, junto ao governo federal, o Linhão de Tucuruí. 

ÁGUA E SANEAMENTO BÁSICO – Macapá é banhada pelo maior rio do mundo, que despeja no Atlântico, em média, 200 mil metros cúbicos de água por segundo, mas é comum os moradores abrirem a torneira é cair um líquido amarelo. Às vezes, nem isso. Macapá precisa de estação de captação e tratamento de água. 

Com mais de 512 mil habitantes, Macapá não tem rede de esgoto. As fossas são sépticas. O lençol freático da cidade é contaminado o tempo todo. Também os rios são os lixões da região. Macapá precisa de esgotamento sanitário e galerias de águas pluviais. Os políticos sentem horror a esse tipo de obra. Até que dá para superfaturar, mas não rende voto. 

ESTALEIROS – O governo estadual precisa criar, desenvolver e estimular um polo naval. 

PORTO DE SANTANA – Trata-se do porto mais estratégico da Amazônia. Administrado pelo município de Santana, na Zona Metropolitana de Macapá, é utilizado para o embarque e desembarque de passageiros e alguns produtos da região. Construído inicialmente para embarcar manganês de Serra do Navio/AP para os Estados Unidos, sua profundidade é adequada a qualquer cargueiro transoceânico e é o porto brasileiro mais próximo, simultaneamente, dos mercados dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia via Canal do Panamá. Pode receber todas as commodities da Amazônia por hidrovias. Commodities destinadas à América Central podem ser armazenadas no porto e de lá seguirem pela BR-156 até Caiena e toda a América Central. Precisa passar para o estado. 

BR-156 – Rodovia federal que corta longitudinalmente o estado, ligando Macapá à Caiena. Vem sendo construída há mais de 80 anos. Começou a ser pensada em 1932. Até 1945, somente nove quilômetros foram construídos. Os governadores nunca se empenharam junto ao governo federal para concluir uma obra que é vital para o Amapá. No inverno amazônico, a parte inacabada da rodovia se transforma em atoleiro; no verão, em um inferno de poeira. O Exército vem trabalho dia e noite nela. Quem sabe o presidente Jair Bolsonaro a inaugure ainda este ano.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

A partir de agora forças ocultas tentarão eliminar Bolsonaro de qualquer maneira. Inclusive já o esfaquearam quase até a morte

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 3 DE AGOSTO DE 2022 – Eram 21h59 quando o celular de Alex tocou. 

– Vão matar o presidente e eu sei quem é o mandante – disseram, numa voz metálica. – Se você quiser saber detalhes, poderemos conversar, hoje, à meia-noite. 

– Com quem falo? – respondeu. 

– Só posso lhe dizer e dar os detalhes pessoalmente. 

– E por que você não informa o presidente? 

– Ele não vai acreditar. Talvez nem você acredite. O presidente será assassinado juntamente com o vice. 

– Então ambos estarão juntos quando forem assassinados? E você não acha que as Forças Armadas assumirão o comando? 

– Eles serão assassinados separadamente, mas na mesma hora, e as Forças Armadas farão o que o Supremo e o Congresso Nacional mandar; está tudo aparelhado. 

– Onde o presidente será assassinado? 

– O plano é muito cheio de detalhes e precisamos conversar sobre isso para você publicar no jornal da sua família. 

– Por que eu? Poderia ser no jornal do senador Patarrão, que também tem muita visibilidade. 

– Sabemos que você está investigando isso. 

– Quem mais sabe do plano? 

– É o que posso lhe dizer, agora. 

– Só tem um detalhe: eu não estou investigando nada. 

– Nada, mesmo? 

– Estou investigando o senador Patarrão. É ele o mandante? 

O outro demorou um pouco para responder. 

– Sei quem é o senador Patarrão. Não é ele. A ordem saiu do clube dos 11 dedos. 

– Um dedo a mais ou de menos? Que clube é esse? 

– Eles podem tudo. E olhe, o negócio vai acontecer logo. Não temos mais muito tempo. 

– Onde? 

– Entrando pelo Chifrudo, na BR-040, siga passando pela cachoeira Saia Velha. A cerca de um quilômetro da cachoeira você vai encontrar uma estradinha de chão em direção a Valparaíso. Tem uma placa logo na entrada da estradinha com a palavra “paraíso”. Entre nela. Mais ou menos a um quilômetro você vai encontrar uma casa. Me aguarde lá dentro. 

– Quando? 

– Hoje. Vá sozinho. 

– Você gosta da meia-noite! 

– É uma boa hora para se resolver certos assuntos. 

– Combinado! Estarei lá, à meia-noite! 

– Ok! 

A ligação foi interrompida. 

O texto acima é um recorte do penúltimo capítulo de O CLUBE DOS ONIPOTENTES (Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com, 2022, 278 páginas), meu último romance, no estilo de AGOSTO, de Rubem Fonseca, com personagens de ficção e reais, vivas e mortas. 

Pouco antes da Revolução Russa de 1917, o príncipe Félix Yussupov participa do plano para matar Grigori Yefimovich Raspútin, o Mago Negro da Rússia, aquele que aparelhou a casa dos Romanov, abrindo as portas para o Comunismo, a peste que, desde 1917, alçou máfias no mundo inteiro ao status de agremiações políticas. Era a chegada definitiva do crime organizado ao poder em todo o planeta, especialmente o narcotráfico. No Brasil, chegaram ao poder pelo Foro de São Paulo. 

O príncipe Félix Yussupov reencarna no Brasil como o jornalista Alex, que agora vai combater aquele que aparelhou o país para a segunda Revolução Russa, neste 2022. A missão do novo mago negro, agora com nove cabeças e nove ventosas, é transformar a Pátria do Evangelho na União das Repúblicas Socialistas da Ibero-América, que, mancomunada com a China, porá fim ao império americano e tornará o Trópico o paraíso da bacanal.

Mas para que isso aconteça um homem terá que ser eliminado. O CLUBE DOS ONIPOTENTES não revela o que virá por aí, ainda este ano, mas, como qualquer acontecimento de natureza profética, faz uma advertência.

terça-feira, 19 de julho de 2022

O dia em que recebi a visita de Roberto Carlos

Roberto Carlos e eu, no Hotel Amazonas, em Manaus, em 1976

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE JULHO DE 2022 - Em agosto de 1994, lancei, em Brasília, o jornal mensal Intelligentsia, tiragem de 3 mil exemplares. Durou até fevereiro do ano seguinte – 7 edições, portanto. Era um tabloide de 16 páginas, parcialmente em cores, diagramado e ilustrado pelo artista plástico André Cerino, com fotografia do repórter fotográfico e ensaísta Ivaldo Cavalcante, e inteiramente redigido por mim. O primeiro número causou polêmica nos meios em que circulou, devido a uma coletânea de poemas eróticos, que intitulei DE TÃO AZUL SANGRA, ilustrados por André Cerino, que carregou no grafite. O trabalho foi um escândalo. 

Em junho de 2018, sonhei com Roberto Carlos. Ele estava todo de branco e na minha casa, na 711 Sul, em Brasília, onde morei durante alguns anos, mas, no sonho, era uma casa enorme e arejada. Eu chegava e o encontrava lá, e alguém me dizia que Roberto queria falar comigo. No instante seguinte, como só nos sonhos acontece, ele e eu estávamos na biblioteca da casa, ampla, bem iluminada e aconchegante. Lembro que Roberto segurava uma folha de papel e me pediu autorização para trocar uma palavra de um poema meu, para ajustá-lo à melodia na qual estava trabalhando. “Sim, é claro, Roberto” – disse-lhe, e acordei. 

Acordei com o livro DE TÃO AZUL SANGRA na cabeça e passei aquele dia e os dias seguintes trabalhando nisso. Reuni os poemas publicados no Intelligentsia, mais os poemas eróticos produzidos até julho de 2018, e publiquei, em dezembro daquele ano DE TÃO AZUL no Clube de Autores e na amazon. 

No início dos anos 70, Roberto Carlos já era uma celebridade internacional, encantando o mundo com a melodia da sua voz, a Música Suave que ecoa na alma dos amantes. Em 1976, eu morava em Manaus e trabalhava no jornal A Notícia, de Andrade Netto, pai da Natacha Fink de Andrade, uma das grandes chefs brasileiras, profunda conhecedora dos sabores da Amazônia, e que deixou sua marca no Rio de Janeiro, onde foi proprietária do Espírito Santa, um dos restaurantes mais badalados da cidade, na Rua Almirante Alexandrino 264, bairro de Santa Teresa. 

Pois bem, naquele ano, 1976, Roberto foi fazer um show em Manaus e a produção do jornal conseguiu entrevista exclusiva com ele, no antigo Hotel Amazonas, centro da cidade, onde Roberto estava hospedado. 

Na época, eu assinava a coluna mensal No Mundo da Arte e era sempre eu que cobria matérias de cultura. O chefe de reportagem instruiu-me a perguntar ao Rei se ele usava, antes dos shows, meia de mulher como touca, para que sua cabeleira ficasse bem bacana. Esse assunto fora objeto de revista de fofoca. A pergunta era bizarra, mas satisfaria o suposto perfil dos leitores do jornal, que tendia ao sensacionalismo. 

Tudo bem! O problema era outro: o único gravador do jornal estava falhando, e isso foi meu terror, porque se chegasse à redação sem a entrevista só me restaria fazer o que fiz tempos depois: demiti-me e fui para A Crítica, levado pelo senador Fábio Lucena, de quem fiquei amigo no Clube da Madrugada, sediado nos bares Caldeira e Nathalia, e que reunia jornalistas, artistas e apreciadores da enevoada Antarctica manauara. 

Saí para fazer a entrevista, marcada para o fim daquela manhã. No hotel, fomos conduzidos, o fotógrafo e eu, ao corredor do apartamento do Rei, onde dois seguranças pediram para aguardamos ali. Roberto não nos recebeu no apartamento; acho que o apartamento era simples demais para as fotos. Ele me recebeu no corredor, e me deu a entrevista ali mesmo. 

O Rei é um sujeito carismático. Ele me deixou à vontade e eu me senti como se fosse velho amigo dele. Perguntei-lhe sobre o negócio da meia e ele me respondeu numa boa. Nem me lembro mais o que ele disse. Eu estava de olho no gravador, preocupadíssimo com o funcionamento dele, vigiando para ver se o rolo de fita estava girando. Fazia perguntas ao Rei e voltava-me para o gravador, um velho gravador de tamanho médio. Eu costumava fazer entrevistas anotando rapidamente a resposta, mas a orientação que recebera era a de que eu teria que transcrever ipsis litteris as palavras do Roberto. 

Mais tarde, na redação, ao degravar a entrevista, vi o quanto foi burocrática, a pior que fiz como jornalista, e logo com quem, o Rei Roberto Carlos. Mas tudo bem! O jornal publicou a matéria, ninguém reclamou, e ainda restou uma fotografia com o Rei, por insistência do fotógrafo, de quem não lembro mais quem era. 

Fui cobrir também o show do Roberto, e, naquele clima dos grandes shows, senti, na alma, o perfume que exalam muitas das canções do grande artista, algumas delas compostas com Erasmo Carlos. Certas gravações do Roberto nos remetem, em um salto quântico, à eternidade da juventude, quando transitar pelos labirintos de uma mulher é como montar a luz, tão azul que sangra. 

Segue-se o que o contista e ensaísta Fernando Canto escreveu como prefácio da coletânea de 1994. 

VERSOS PROFANOS 

FERNANDO CANTO 

Nem fesceninos ao estilo bocageano, nem pornográfico à moda Boris Vian. Contudo, profanos são os novos versos do poeta Ray Cunha. Não no sentido antirreligioso – assim a poesia teria prosélitos fanáticos –, mas no sentido da irreverência, da violação, da transgressão do texto, em cuja tessitura surge o inopinado, que fragmenta, com certeza, a reação dos ouvidos suscetíveis. 

Estes poemas, De tão azul sangra, evocam, invocam, enfocam a mulher, aliás, o sexo feminino; a afirmação do adolescente, o orgulho do adulto, ou, talvez, o fruto da observância do mundo mundano – experiência edipiana a penetrar em barreiras antes inacessíveis. Poemas que denotam a sensualidade e detonam-se em palavras lúbricas. Sutis, ás vezes, como em Bethania. Impolidas, como em Olhar para a mulher amada – um rasgo narcisista, um produto da consciência machista e desembocadura para o gozo psicológico do autor. 

A apologia de Ray Cunha à mulher é feita, então, sem disfarces. Despojada da roupa ela se torna provedora de sentidos, manancial e matéria-prima ao fabricante de versos. Está ali nua, nuinha na sua forma ímpar de ser apenas mulher, vênus perscrutada pela oportuna fresta que faz a felicidade de um voyeur; deusa mítica em seu mistério, desvendada pelo arguto e fulminante olhar e pelo sensível olfato do poeta. 

Bem poderia chamar-se Essa Copacabana triste mulher o conjunto desta obra. O melhor poema da coletânea traz o melhor do autor, embora o contraste do “triste” trace o “ideal” do jovem solitário, qualquer jovem solitário nas praias deste Brasil afora. Essa irreverência trata da socialização do sexo no entendimento paradoxal de que todos possam ser burgueses em bacanais tropicais regadas a coquetéis afrodisíacos, num tempo hedonista que ficou há muito nos salões dos palacetes romanos. É forma compacta de abarcar o mundo. É válido. É poesia. Nela está o sol, o azul do mar no verão. Pois aí o azul que sangra não é o azul do céu. É o azul açoitado pela relação geográfica e íntima entre o sol e o mar. É o azul afetado pela natureza do gasoso (as nuvens) no espelho sangrado do mar. Mar que sangra, que se esvai, que beija a praia de Copacabana e salga o corpo nu da mulher desejada, da mulher que brilha com a clivagem dos grãos de areia e à noite vai para a cama gemer seu gozo e se sangrar de mar de Copacabana. Enorme, a cama de Copacabana. 

Nostálgico e terrível é romper o laço em Um cheiro de madrugada. Neste poema Ray Cunha instiga um sentido amargo sobre o que se convenciona chamar de amor. É um trabalho sincero, diria, onde o conteúdo está exposto para o leitor atento; onde nada mais se precisa dizer, pois que a lembrança adquire a possibilidade de entrega a outros caminhos, nos quais existem outros remédios para os males da paixão. É simples, realista. 

Ray Cunha ironiza a relação poética entre a morte e a poesia. Morrer na mesa de um bar é produto do inconsciente etilizado. Ser salvo, porém, é dormir com a princesa e metáfora-tônica de um anti-valor, concessão do sono ao acordar de sopetão de um pesadelo borgeano: sensação esquisita, estapafúrdia. Morte e poesia andando juntas, porque o trágico pode ser frenético, fétido e cômico – dura realidade! – exatamente na hora irônica do enforcamento. 

Poemas como Sessenta e nove I e II trazem sobretudo o rústico, o rude, o seco mal lixado. São versos extraídos de uma realidade obstinadamente crua, ausentes de recursos semânticos mais elaborados, e duros como a pretensa e voraz virilidade do poeta. Nem por isso ele peca. 

Se transgredir é a virtude do recurso, doces são as circunscrições colocadas em Ah! Se tu fosses minha e nos dois poemas sem títulos que se entrepõem a ele. Chegam á trazer à tona a ingenuidade do poeta, que verdadeiramente ama sua musa de Parnaso, líricos como uma aquarela a Belle-Époque. 

Não se pode deixar de enfocar o trato poético-erótico-libidinosos dos classificados de Acompanhantes. O autor ousa de várias maneiras. E coopta o leitor a acompanha-lo em aventuras sexomaníacas de pleno envolvimento. Comunicação, mídia impressa, espurcícia? Não. Mistura de elementos cuidadosamente colocados sob a arquitetura da realidade atual, ossatura forte dos arrabaldes das megalópoles. Assim é a estrutura desse poema. Real. Firme e transparente. Enfoque de uma sociedade periférica desprezada pela tradicional e hipócrita sociedade burguesa. É retrato da nova cultura urbana, nascida, infelizmente, ainda da miséria, da perda de status, de poder aquisitivo e que se torna antepasto para qualquer Sade pós-moderno, certamente. Instigante, claro e azul, o poema indica água fervendo, páprica picante, poesia nova, e acima de tudo coragem de inovar pela forma e revolucionar pelo conteúdo da ideia.

Esta é a marca poética de Ray Cunha, que, sob o céu nas nuvens, descobre que o azul sangra como a vagina menstruada de uma nereida de qualquer gangue dos subúrbios brasileiros.

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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Se Lula voltar à Presidência acabará com a propriedade privada, venderá a Amazônia para a China e corromperá as crianças nas escolas

Foro de São Paulo pariu molusco de 9 cabeças e 9 ventosas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 18 DE JULHO DE 2022 – Buda, há 2.500 anos, já alertava: o maior sofrimento da Humanidade é a ignorância, ou trevas, como se dizia então. O poeta frustrado que foi Karl Marx invejava Deus, e para ser Deus procurava matá-Lo por meio dos seus poemas doentios, tentativa que o deixava cada vez mais frustrado. Ao ver que não podia matar Deus, passou a se dedicar a corromper a criação do Pai: o espírito humano. Escreveu, assim, as bases para a escalada da corrupção da Humanidade: O Capital. E as trevas se encarregaram de enviar o agente da derrocada do espírito: Vladimir Lenin, em 1917. 

A partir daí, o marxismo, popular comunismo, chegou ao poder e se transformou no próprio Estado. A corrupção, a devassidão, o assalto, o estupro, o assassinato em massa, a destruição da família e da igreja, e a escravidão do povo, passaram a ser controlados por uma elite de um partido político único. A partir de 1917, a ordem agora era implementar em todo o planeta o vírus da ignorância, principalmente o desconhecimento do mundo espiritual. 

Na Ibero-América, destruíram Cuba e Venezuela e agora começam a arrasar com Argentina, Chile e Colômbia, marchando em direção à joia do planeta: o Brasil. Para isso, foi criado o Foro de São Paulo, para organizar os exércitos de terroristas, narcotraficantes e facções rumo ao Palácio do Planalto. 

O líder desses exércitos é um dos seres humanos mais abjetos que já encarnaram aqui no planeta, um ser de nove cabeças e nove ventosas. Lula é candidato à Presidência da República. Foi presidente duas vezes seguidas e elegeu seu sucessor, e nessa década e meia perpetrou todo tipo de crime, os mais imundos que se possa imaginar, foi condenado à jaula por mais de uma dúzia de juízes e desembargadores, para ser singelamente solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disputar a Presidência da República contra o presidente Jair Messias Bolsonaro, que, ainda candidato, em 2018, recebeu uma facada que mataria até um búfalo. Mas escapou. 

Estima-se que durante a década e meia em que o Partido dos Trabalhadores (PT) esteve no poder desviaram mais de 1,5 trilhão de dólares, dinheiro que poucas nações possuem. Lula chegou a meter a mão até no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), chegando a financiar a construção do porto de Mariel, em Havana, Cuba, e o metrô de Caracas, quando o Brasil precisa tanto de portos e metrôs. Bancos federais, estatais como a Petrobras e os Correios, fundos de pensão, nada escapou ao assalto. 

Paralelamente, Lula aparelhou o país. Exceto as Forças Armadas. Bolsonaro já desmontou alguns galhos do cabide federal de empregos alimentado pelo PT, monstruoso, mas o buraco é muito mais embaixo: assassinatos e mortes misteriosas, que a Polícia Federal não consegue elucidar, e chantagem. 

Pior: a Justiça vem soltando, em ritmo inquietante, cada vez mais bandidos perigosíssimos, e sabotando, na mesma medida, o trabalho da polícia; e cada vez mais sufoca a liberdade de expressão e faz vista grossa para as mentiras da velha mídia, a dos balcões de negociatas. E há políticos e jornalistas presos políticos. 

Uma coisa é certa: se um ladrão e assassino do porte de Lula voltar a pôr suas nove ventosas na teta da burra nem o diabo segurará o posto dele próprio de mandachuva no inferno. 

Aliás, ele já vem dizendo, para quem quiser ouvir, o que fará se conseguir ganhar as eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): prenderá Bolsonaro e família; amordaçará a mídia; acabará com a propriedade privada; liberará aborto até para feto de nove meses; crianças determinarão o sexo com que querem ser educadas; derrubará teto de gastos; o Estado estatizará tudo; venderá a Amazônia para a China; corromperá as crianças nas escolas e viverá de mandioca descascada pronta para estuprar até parturiente anestesiada. O sistema eleitoral brasileiro, totalmente eletrônico, está preparado. 

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domingo, 17 de julho de 2022

A corrupção das crianças pelo sexo

Uma das maneiras de os comunistas destruírem a família e o Estado e gerarem o caos para então instalarem a ditadura é a corrupção por meio da pornografia, conduzindo as crianças nas escolas a práticas abjetas envolvendo uma parte profunda e misteriosa de suas mentes: o sexo.

O livro O CLUBE DOS ONIPOTENTES mergulha sobre essa questão, também! Trata-se de um romance ensaístico profético, que submete o comunismo à dissecação total! Leia, com urgência, O CLUBE DOS ONIPOTENTES e entenda o que está acontecendo politicamente neste momento no Brasil!

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