domingo, 23 de agosto de 2026

Canção de amor pelo Amapá. Dr. Furlan, a redenção do Estado. Jornalista Adriana Garcia

Dr. Furlan concluirá a BR-156 e ligará o Amapá ao país

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 23 DE AGOSTO DE 2026 – O Estado do Amapá, banhado pela Amazônia Azul, no setentrião do Brasil, é o mais emblemático deste país indígena, europeu e africano. O mais alegórico de um Brasil paradoxal: paraíso inalcançável; e miserável em plena riqueza. Um Brasil escravocrata e colonialista. O Amapá é exatamente isso. Senão, vejamos. 

O maior símbolo brasileiro da corrupção, gastança e ineficiência é a única rodovia federal do Amapá, a BR-156. A estrada liga Macapá, localizada ao sul, no cruzamento da Linha Imaginária do Equador com o maior rio do mundo, o Amazonas, a Oiapoque, ao norte, a cidade mais próxima da Margem Equatorial, um lençol de petróleo que sinaliza a redenção dos amapaenses. Começou a ser construída em julho de 1932, sob a liderança do marechal Cândido Rondon, e jamais foi concluída. 

Já consumiu centenas de milhões de reais e encheu o bolso de meio mundo, mas, no inverno amazônico, seis meses de chuvas fortes, grandes trechos seus viram atoleiro, e, no verão, período de estiagem, vira um inferno de poeira e buracos. Políticos do Amapá e de Brasília, nas eleições, vivem garantindo a conclusão da estrada, além de picanha e cerveja. 

A BR-156 é estratégica para o Amapá. Provavelmente, por isso, políticos amapaenses cuidam para que não seja concluída, pois faturam votos com a pobreza e ignorância do povo, que, por bolsa-miséria e cesta básica, santificam os donos do Amapá, como porcos, que ficam felicíssimos com a lavagem que lhes é servida e ignoram o cepo. 

A rodovia é o escoadouro natural para o comércio com a Guiana Francesa, via ponte internacional sobre o Rio Oiapoque, ligando, assim, Macapá à Caiene, a capital da província francesa encravada na América do Sul. 

Outro absurdo amapaense é a ponte sobre o Rio Jari. O Amapá é o único Estado isolado do resto do país por terra. É como uma ilha, pois, ao norte, fica a Cordilheira do Tumucumaque e a oeste, o Rio Jari, um dos gigantes da Amazônia. A sul, limita-se com o Rio Amazonas e a leste com o Oceano Atlântico. É impossível construir uma ponte sobre o Canal do Norte, mas é possível sobre o Rio Jari, ligando o Amapá ao Pará, que é ligado por rodovia ao resto do país. 

Políticos, que se julgam donos do Amapá, vêm prometendo a ponte, mas somente em ano eleitoral. Os 406 metros de fundação já foram iniciados, em 2001, conectando a cidade de Laranjal do Jari, no Amapá, à cidade de Monte Dourado, no Pará. Mas a ponte ficou somente nas fundações. O que já foi feito terá que ser refeito e milhões de reais foram parar, novamente, nos bolsos dos jacarés. 

Outro absurdo do Amapá: o Porto de Santana, na região metropolitana de Macapá, é um dos mais estratégicos da Amazônia, pois é o porto brasileiro mais próximo, simultaneamente, dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia, neste caso, via Canal do Panamá. Mas o porto é administrado pela Prefeitura de Santana, em vez de ser administrado pelo Estado, com maior poder de fiscalização. Assim, o porto se torna estratégico, mas para o narcotráfico internacional. A Polícia Federal que o diga. 

Agora, os amapaenses têm a Margem Equatorial, que pode tornar o Amapá um dos Estados mais ricos do país, mas terão que fazer as escolhas certas. Até hoje, os políticos do Amapá falharam redondamente. E depois, jamais vi um político com um plano de trabalho visando o desenvolvimento do Setentrião. São grandes administradores de sua própria prosperidade, engenheiros talentosos de cabides de emprego e verdadeiros diplomatas do jabá, que é a propina distribuída a jornalistas famintos pelo tilintar do vil metal. 

Agora, os amapaenses têm a oportunidade de mudar seu destino, tirando o Amapá da miséria e da ignorância. O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), provou, na sua administração, que é trabalhador, honesto e talentoso. Candidato ao governo do Amapá, é do tipo que promete e cumpre. Pois bem, prometeu concluir a BR-156, construir a ponte sobre o Rio Jari e preparar o Estado para se desenvolver juntamente com a Margem Equatorial. 

Agora, é, também, a oportunidade de mandar de volta para Garanhuns/PE o líder de Lula da Silva no Senado, Randolfe Rodrigues (PT/AP), comunista amicíssimo da hiena da Venezuela, Nicolás Maduro, e pertencente à elite do Foro de São Paulo. Defende Lula da Silva, que já enfiou o Brasil no fundo do poço, com unhas, dentes e gritinhos. 

Ainda, os amapaenses podem contribuir para a derrubada de um dos brasileiros que mais destroem o Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), que defende, com unhas, dentes e seu gordo traseiro, a Ditadura da Toga. Votando para o Senado em Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD), os amapaenses reforçarão um Senado de Direita, que impedirá a recondução de Alcolumbre à presidência da casa e o levará à Comissão de Ética, que poderá expulsá-lo da câmara alta, pois o mal que vem fazendo, sentando-se em cima das dezenas de pedidos de impeachment de colarinhos brancos, não tem perdão. 

Já que falei em jornalistas, o Amapá conta com uma das mais atuantes jornalistas investigativas do Brasil: Adriana Garcia, membro da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (AJOIA Brasil). 

Quanto à classe intelectual e artística do Amapá, está amoitada, igualzinho no resto do país. A Lei Rouanet e os bilhões de reais despejados na imprensa amestrada são uma tentação para quem não consegue vislumbrar um Brasil próspero e hegemônico.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A obrigatoriedade do diploma de jornalista extinguirá a propina nas redações? Assegurará o anonimato da fonte? Melhorará as faculdades?

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE AGOSTO DE 2026 – O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a obrigatoriedade da formação superior para exercer a profissão de jornalista, em 2009. A corte entendeu que o Decreto-Lei 972, de 1969, criado, portanto, durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição de 1988. Assim, para a corte, a exigência de diploma feria a liberdade de expressão e de imprensa. Ontem, o tema voltou ao debate na corte. Agora, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino entendem que está havendo excesso na liberdade de expressão pelos chamados blogueiros e influenciadores. 

– A liberdade de imprensa é um dos pilares fundamentais da democracia. Se nós deixarmos que a imprensa seja contaminada por pessoas que não são da imprensa, não são jornalistas e não lutam pela informação, nós estaremos desgastando um dos grandes pilares da democracia – disse Moraes. 

E quem vai nos defender da velha imprensa, controlada pelo jabá (propina)? Quem vai nos defender quando não temos mais direito nem de assegurar o anonimato das nossas fontes? 

A discussão na corte ocorreu após Moraes determinar uma operação da Polícia Federal de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de governo do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário de Urbanismo e Habitação de São Luís. Segundo a Polícia Federal, ambos teriam atuado como fontes do jornalista Luís Pablo, autor de denúncia de que Dino teria usado carro oficial para ir à praia com a família. 

O diploma não é obrigatório, mas Luís Pablo é jornalista e o direito a omitir a fonte está na Constituição. É direito pétreo. Qualquer pessoa que se sentir atingida por meio da imprensa ou redes sociais tem um cipoal de leis para usar. Jornalistas comprometidos com a verdade dos fatos não se prostituem. Então, a discussão é outra. 

Lembro-me que quando o Supremo desqualificou o diploma de jornalistas ouviu-se choro e ranger de dentes. O fato é que cursos superiores de jornalismo dão no meio da canela; online, então! Durante décadas copidesquei textos de jornalistas. Vi caso, antes do computador, de copidescar textos e pedir ao repórter que o passasse a limpo e o texto retornou ainda com erros. De um modo geral, o ensino superior no Brasil está tão arrombado que pessoas graduadas não sabem escrever e não leem, mas têm diploma. 

Na profissão de jornalista há três elementos fundamentais: ética, a verdade dos fatos e domínio do idioma utilizado. Isso é diferente do jornalista que faz marketing, em vez de jornalismo, ou se vende, como se a profissão fosse um rendez vous. Com ou sem diploma.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Meu amigo carioca

Elenco de Morte e Vida Severina pela Escola de Teatro de
Comédia da Guanabara, encenada no antigo Teatro de Arena,
no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro, 1972. Na foto,
Luiz Loyola é o segundo, à esquerda, agachado, e Ray Cunha
é o de cabelo black-power, na extremidade, à direita

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 17 DE AGOSTO DE 2026 – Meu amigo carioca partiu para o azul cobalto de Copacabana, naquele momento da tarde em que o céu deságua no mar. Ele tinha a idade de quando somos imortais, 21 anos, e eu, 18, quando o conheci. Luiz Antonio Loiola de Matos, Luiz Loyola. Quero dizer à sua amada, Angela Loyola, à sua princesa, Clara, e ao seu herdeiro, Gabriel, que a vida, aqui na Terra, é mesmo rápida; o bom, mesmo, começa na quinta dimensão. A coisa é tão rápida que conheci Loyola em 1972, e parece que foi ontem. 

Na época, o compositor amapaense Luiz Tadeu Tavares Magalhães trabalhava na White Martins, filial de Jacaré, bairro da Zona Norte do Rio, e conseguiu para mim uma vaga de contínuo; logo depois, fui promovido a auxiliar de venda. Às sextas-feiras, principalmente na primeira sexta do mês, Tadeu e eu saíamos para beber. Às vezes, íamos para a casa do nosso colega de White Martins, Frank Loiola Matos, em Padre Miguel, quando conheci o irmão dele, Luiz Loyola, Lula, e fizemos o Curso de Interpretação Teatral no antigo Teatro de Comédia do Estado da Guanabara (Teco), na turma do professor e ator Jorge Paulo. 

A prova final do curso foi a encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, com músicas de Chico Buarque de Holanda, no extinto Teatro de Arena, no Largo da Carioca. Loyola fez um dos coveiros; o outro, era eu. 

O quarto do Loyola era chamado de BOE (Boite Onda Estudantil), onde, nas palavras do próprio Loyola, “aconteciam reuniões com muita música, teatro, poesia, happenings, num clima underground e ambiente psicodélico, cheio de posters de vanguarda, caricaturas, painel com capas de LP, objetos antigos, como um armário centenário com um enorme espelho de cristal na frente da porta, que encantava os narcisistas, uma luminária em formato de chapéu mexicano vermelho, iluminada por uma tênue luz azul opaca, lembrando cabarés da Avenida Prado Júnior, no Leme; no chão, havia um espelho retrovisor redondo, de aproximadamente um metro de diâmetro, do serviço de trânsito do Rio, apelidado de “poço” pelo companheiro de trabalho Paulo Cesar Americano do Brasil, da Remington Rand, onde trabalhei com Luiz Tadeu no início da década de 70. 

“Num desses eventos, em uma noite festiva, tive o prazer de receber o amigo Ray Cunha, sutilmente trajando calça jeans do Lixo (boutique cult de Copa), camisa mangas compridas com gola rolê cor roxa e sapatos bicolores vermelhos e amarelos. A figura tinha cabelos ruivos black-power no melhor estilo saltimbanco do ator do filme musical Gospell... em sua companhia chegaram Luiz Tadeu e Iara Picanço, depois de uma viagem de trem da Central do Brasil, direto do subúrbio do Lins de Vasconcelos” – recorda Loyola. 

Os sapatos bicolores foram presente do artista plástico amapaense Abenor Pena Amanajas, que então morava no Rio, e a Iara Picanço foi a primeira esposa do Luiz Tadeu, mãe da minha querida amiga Luciana, afilhada do Luiz Loyola. 

Na mesma época do curso de teatro, começamos a leitura e laboratório da peça Miolo de Pão, do Loyola, “a realidade conflitante, festiva e utópica de uma família do subúrbio carioca” – segundo o próprio Loyola. Nós nos reuníamos na casa do Jamil Viana, na Pavuna; na casa da belíssima Beth Bello, na Ilha do Governador; e na Vila Valqueire. 

Certo dia, ensaiamos no casarão em Vila Valqueire. Insistiram para que eu fumasse maconha e resolvi experimentar. Foi a primeira e única vez. Comecei a me sentir do jeito que imaginamos um astronauta na lua e minha pressão baixou. Era uma tarde ensolarada e resolvi sair. Ninguém se importou com isso e saí sozinho. Lembro-me de que eu andava como um astronauta, com sapatas pesadas para não flutuar. Resolvi ir para a casa do Loyola, em padre Miguel. Peguei um trem errado, retornei à Central do Brasil e consegui chegar em Padre Miguel lá pelas 22 horas. 

Jamais esquecerei aquela noite. Eu estava faminto. O Loyola me convidou para irmos à cozinha e saboreamos bolo, pães e cuscuz com café, preparados por dona Maria Amélia, mãe do meu amigo carioca. Lembro-me que comecei a degustar uma banana declamando versos de Xarda Misturada, “dando um toque tropicalista romântico àquela noite de inverno tímido” – registrou Loyola. XARDA MISTURADA é um livro de poemas de Joy Edson, José Montoril e eu, publicado em 1971, em Macapá/AP, minha cidade natal. 

Eu morava na Rua República do Peru 210/204, entre as ruas Tonelero e Barata Ribeiro, em Copacabana, mesmo endereço do Itabaraci Nunes Batista, irmão do músico amapaense Aimorezinho, que aparecia lá de vez em quando. Na White Martins, comecei a fazer um house organ da filial, o que me granjeou muito prestígio. Além disso, eu pagava mensalmente uma empresa que fornecia entradas a pelo menos quatro peças teatrais por mês. O gerente da filial, dr. Arlindo, também era cliente da mesma empresa e andamos nos encontrando nos teatros. Ele morava em Ipanema e passou a me dar carona para Copacabana quando saíamos juntos. O jornalzinho e o interesse comum por teatro entre o gerente da filial e eu, além da companhia do Luiz Tadeu, tornavam o ambiente pesado de multinacional um convívio bastante agradável. 

Um dia, Loyola foi me visitar. Ele mesmo escreveu: “Numa única visita à casa de Ray Cunha, na Rua República do Peru, em Copacabana, na década de 1970, o poeta me recebeu em seu quarto (vaga), onde havia uma cama beliche e o seu estado de saúde era gripal e febril; driblamos aquele quadro e resolvemos sair pra respirarmos uma brisa do mar caminhando pelo calçadão, depois paramos numa lanchonete e tomamos um delicioso café e suco de laranja com sanduíche, e, serpenteando pelas ruas sombrias do bairro, o poeta fez uma citação irreverente dizendo que Copacabana era uma enorme cama...” – Luiz Loyola mergulha mais naqueles anos dourados, referindo-se ao poema Essa Copacabana Triste Mulher, publicado no livro DE TÃO AZUL SANGRA. 

Demorei apenas dois anos no Rio e voltei para a estrada. Foi minha fase on the road. Durou até 1982. Foi mais ou menos nessa época que recebi, em Belém, onde estava morando, uma visita do Loyola e a Angela. Estavam visitando a Amazônia e tinham ido à ilha de Marajó. Recebi-os em casa. Foi estranho e eu nunca tive a oportunidade de explicar a estranheza ao Loyola, pois sempre quis fazer isso pessoalmente. Eu estava me separando da minha primeira esposa e acho que o Loyola e a Angela perceberam que algo ia errado. E ia mesmo. Acho que eu andava dopado. 

Logo depois disso voltei ao Rio. O Loyola comemorou o aniversário dele em Pedra de Guaratiba e o Luiz Tadeu e eu pintamos, lá. Foi uma imensa bebedeira, com a famosa batida do Primo, de Olinda, mais ao norte de Padre Miguel, vinho, cerveja, happenings e a bela voz do Luiz Tadeu, cantor maravilhoso. Dessa vez, minha estadia no Rio durou pouco tempo. Retornei para Belém e concluí o curso de jornalismo. 

Nos anos 1990, fui novamente ao Rio, quando o pintor Olivar Cunha expôs em um espaço em Botafogo, defronte ao Shopping Rio Sul. Ao coquetel de abertura estavam presentes Luiz Tadeu e Luciana, e Luiz Loyola. 

Em 1992, fui ao Rio para lançar o livro de contos A GRANDE FARRA. Foi uma estadia etílica. Encontrei-me, é claro, com meu amigo carioca. 

Em 2000, participei da Bienal do Livro, com TRÓPICO ÚMIDO – TRÊS CONTOS AMAZÔNICOS. Naquele ano, em uma manhã de domingo, eu acabara de sair da praia de Ipanema, com Luciana, quando houve o primeiro arrastão televisionado – cenas aterrorizantes. Eu vivia mergulhado em um sonho etílico. Encontrei-me com Loyola, mas não me lembro de nada. 

No dia 2 de fevereiro de 2024, um sábado, autografei o romance-reportagem JAMBU no restaurante Belém Belém Amazônia, templo da cozinha paraense no Rio de Janeiro, na Avenida Rainha Elisabeth da Bélgica 122, Loja A. Essa via liga as avenidas Atlântica, em Copacabana, na altura do Posto 6, à Vieira Souto, em Ipanema. Loyola não foi, porque estava em São Paulo, nem o Luiz Tadeu, que estava em Macapá. Mas Luciana foi. 

Desde que comecei a frequentar o Facebook revia meu amigo carioca, de vez em quando, e até trocávamos um alô. Ele me chamava de poeta. Loyola era um doce, um querido amigo. Meu amigo carioca. Imagino-o saltando da Pedra da Gávea, ou do Cristo Redentor, ou do Pão de Açúcar, de asa delta, rumo ao azul.

Os livros citados podem ser encontrados no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Comemoração no Senado Federal dos 69 anos da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo se torna um grito pelo fim da ditadura da toga

Cláudio Magnavita, do Conselho Nacional do Turismo (CNT),
ex-presidente da Abrajet; Miriam Petrone, presidente da
Abrajet São Paulo; senadora Damares Alves, presidente da
sessão; Luiz Pires, presidente da Abrajet Nacional; Antônio
Claret Guerra, do Conselho Nacional do Turismo e presidente
da Abrajet Minas Gerais; e Gustavo Lopes, secretário municipal
de Turismo de São Paulo (Ton Molina/Agência Senado)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE AGOSTO DE 2026 – Em discurso na cerimônia pelos 69 anos da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet), no plenário do Senado Federal, na tarde de hoje, o ex-presidente da Abrajet, membro do Conselho Nacional do Turismo e publisher do Correio da Manhã, Cláudio Magnavita, alertou para a ditadura instalada no país e que vem aterrorizando a imprensa, ao lembrar o caso do jornalista maranhense Luís Pablo – denunciou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que usou carro institucional em passeio com sua família na praia – que teve sua fonte jornalística submetida à operação da Polícia Federal, embora a Constituição garanta o sigilo da fonte. 

Após Luís Pablo publicar reportagem sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares, em março, a Polícia Federal apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos do jornalista. Terça-feira 11, o ministro Alexandre de Moraes, colega de Dino, autorizou uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, apontado como fonte de Luís Pablo. 

A Agência Senado só publicou vídeo com o início da fala de Cláudio Magnavita e não a parte em que ele denuncia o estado de excessão que o país vive. 

A celebração no Senado foi uma iniciativa do senador Eduardo Gomes (PL/TO), vice-presidente da casa. Gomes não pode comparecer à sessão por motivo de força maior e foi substituído na presidência dos trabalhos pela senadora Damares Alves (Republicanos/DF). 

Fundada em 29 de janeiro de 1957, no Rio de Janeiro, a Abrajet tem sucursais em 20 Estados e no Distrito Federal, com filiação de mais de 200 profissionais que trabalham em 140 veículos de comunicação, incluindo jornais, revistas, rádios, emissoras de TV e portais digitais. 

O turismo, hoje, no Brasil, passa por momentos difíceis. Atualmente, o Brasil está em quadragésimo sexto lugar no ranking mundial de volume de visitantes. Embora um paraíso tropical, O Brasil é um dos países mais violentos do globo. Gangues de narcotraficantes aterrorizam cidades e dominam bairros, cidades e até Estados, como é o caso da Bahia e do Ceará.

Os Estados Unidos criaram o Escudo das Américas e tratam narcotraficantes como terroristas, o que os legitimam a combater quadrilhas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) até dentro do território dos países da América Latina.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Jornalista José Maria Trindade comenta que não precisa Força Delta para pegar Lula: basta Uber

José Maria TrindadeO CLUBE DOS ONIPOTENTES, edição de 2022

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 11 DE AGOSTO DE 2026 – O jornalista José Maria Trindade, comentarista político e diretor da sucursal do grupo Jovem Pan em Brasília, revelou a situação do presidente Lula da Silva e a realidade das Forças Armadas do Brasil em uma ironia: comentou que se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quiser capturar Lula da Silva não precisará da Força Delta, mas apenas de um Uber. 

Recentemente, a Força Delta capturou o ditador da Venezuela, a hiena Nicolás Maduro, chefão do Foro de São Paulo e um dos maiores narcotraficantes e ladrões do mundo. Lula está com medo do mesmo destino porque também comanda o Foro de São Paulo e se opõe ferozmente que os Estados Unidos considerem as máfias de narcotraficantes Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) terroristas. 

Lula já se precaveu. Consultou as Forças Armadas para se certificar de que nem a Força Delta conseguirá capturá-lo e levá-lo para os Estados Unidos. A resposta foi mais ou menos um conselho: é melhor continuarem capinando e pintando meios-fios, pois estão à mingua. 

Em um confronto Brasil versus Estados Unidos bastaria que os americanos desligassem o GPS. Sem GPS, até os pets perderiam o rumo. 

Journalist Says There Is No Need for Delta Force to Get Lula: Uber Will Do 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, AUGUST 11, 2026 – Journalist José Maria Trindade, political commentator and director of the Brasília bureau of the Jovem Pan media group, highlighted the situation of President Luiz Inácio Lula da Silva and the reality of Brazil’s Armed Forces with an ironic remark: he said that if U.S. President Donald Trump wanted to capture Lula da Silva, he would not need Delta Force—just an Uber. 

Recently, Delta Force captured Venezuela’s dictator, the hyena Nicolás Maduro, head of the São Paulo Forum and one of the world’s biggest drug traffickers and thieves. Lula is afraid of suffering the same fate because he also commands the São Paulo Forum and fiercely opposes the United States designating the drug-trafficking gangs Primeiro Comando da Capital (PCC) and Comando Vermelho (CV) as terrorist organizations. 

Lula has already taken precautions. He consulted Brazil’s Armed Forces to make sure that not even Delta Force would be able to capture him and take him to the United States. The answer was more or less a piece of advice: they would be better off continuing to cut grass and paint curbs, because they are barely hanging on. 

In a confrontation between Brazil and the United States, all the Americans would have to do is switch off the GPS. Without GPS, even pets would lose their way.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Por que Donald Trump, Marco Rubio e Daniel Perez devem ler a trilogia A Ditadura da Toga


RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE AGOSTO DE 2026 – Em dezembro de 1823, o presidente americano James Monroe criou a Doutrina Monroe, princípio de política externa dos Estados Unidos resumido pelo lema: “A América para os americanos”, no sentido de que acaba ali a colonização europeia no continente americano. Em 1917, a máfia comunista chegou ao poder na Rússia por meio de uma revolução. Era o começo da invasão de vários países e da doutrina de dominação do planeta. Em 1990, foi criado o Foro de São Paulo, que reúne ditadores, guerrilheiros de Esquerda, terroristas e narcotraficantes visando à dominação da América Latina, especialmente o Brasil, para, então, varrerem os Estados Unidos do mapa. 

Nos Estados Unidos, os comunistas se aninharam no Partido Democrata e usavam dinheiro da Usaid (United States Agency for International Development – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) para instalar ditaduras na América Latina. No Brasil, tiraram o presidente Lula da Silva da cadeia e o colocaram na Presidência, com ajuda do ex-presidente americano Joe Biden, acusaram de golpe de Estado o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, de Direita, e o condenaram a 27 anos de prisão, não sem antes tentarem matá-lo de outra maneira, com uma facão enferrujado que quase transfixou o Mito, como Bolsonaro é conhecido. 

Só que, em 20 de janeiro de 2025, o republicano Donald Trump foi empossado presidente dos Estados Unidos. Aí, tudo mudou. Trump fechou a Usaid e prendeu, em 3 de janeiro deste ano, um dos dois chefões do Foro de São Paulo, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. O outro chefão é Lula. 

Em 7 de março de 2026, Trump cria a coalizão militar Escudo das Américas, com 12 governos latino-americanos alinhados à Direita, para combater os cartéis de drogas e o narcoterrorismo na região, além de conter a influência de potências como China, Rússia e Irã. A China já tem verdadeiros feudos dentro do Brasil, principalmente no Nordeste, além de Lula ter cedido ao Partido Comunista Chinês uma mina de urânio. 

Para combater o Foro de São Paulo, que está por trás do narcoterrorismo na Ibero-América, Lula escalou Marco Rubio, secretário de Estados norte-americano. Rubio entende a fundo a geopolítica latino-americana e é um estrategista. E como homem no Brasil, Trump escalou novo embaixador, Daniel Perez, outro conhecedor da geopolítica da América Latina. Só que Lula não deu as credenciais para o novo embaixador e vem trabalhando para uma ruptura com os Estados Unidos. 

Na cabeça do batráquio, Trump não mandaria capturá-lo como fez com Maduro. No fundo da sua demência ele acha que o Brasil tem poder de dissuasão contra a Pax Americana. 

Acredito que Marco Rubio e Daniel Perez deveriam ler a trilogia A Ditadura da Toga – O CLUBE DOS ONIPOTENTES, O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO –, deste jornalista, já publicada em inglês na amazon.com. 

A Ditadura da Toga abarca um período da História desde a derrocada do czarismo até o Escudo das Américas. São três romances ensaísticos, ou jornalísticos, com trama ficcional e fundo real, com foco na história política recente do Brasil. Pode ser que a trilogia esclareça alguns pontos ainda obscuros a eles. Trump está também convidado à leitura da trilogia. 

Why Donald Trump, Marco Rubio, and Daniel Perez Should Read The Robe Dictatorship Trilogy 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, AUGUST 10, 2026 — In December 1823, President James Monroe articulated what became known as the Monroe Doctrine, a cornerstone of U.S. foreign policy summarized by the phrase “America for Americans.” Its underlying message was clear: European colonial expansion in the Americas had reached its limits. 

In 1917, the communist mafia seized power in Russia through revolution. It marked the beginning of a broader project of expansion, the subjugation of nations, and ultimately the ambition to dominate the world. 

In 1990, the São Paulo Forum was established. It brought together dictators, left-wing guerrillas, terrorists, and drug traffickers pursuing what I regard as a common objective: the political domination of Latin America, particularly Brazil, followed by the weakening and eventual removal of American influence from the Western Hemisphere. 

In the United States, communists found allies within the Democratic Party and, according to this view, used USAID — the United States Agency for International Development — as an instrument for political intervention and the establishment of authoritarian regimes in Latin America. 

In Brazil, Lula da Silva was released from prison and returned to the presidency with the assistance of the administration of former President Joe Biden. Former President Jair Messias Bolsonaro, a right-wing leader, was accused of attempting a coup and sentenced to 27 years in prison. Before that, he survived an attack involving a rusty machete that nearly pierced his body — one of the reasons his supporters call him “the Myth.” 

But on January 20, 2025, everything changed. Republican Donald Trump was sworn in as President of the United States. 

Trump shut down USAID and, on January 3 of this year, captured one of the two alleged leaders of the São Paulo Forum: Venezuelan dictator Nicolás Maduro. The other, in my view, is Lula. 

On March 7, 2026, Trump established the Escudo das Américas military coalition, bringing together 12 Latin American governments aligned with the political Right. Its stated objectives include fighting drug cartels and narco-terrorism while countering the influence of powers such as China, Russia, and Iran. 

China has already established what amount to strategic fiefdoms inside Brazil, particularly in the Northeast. Lula has also granted the Chinese Communist Party access to a uranium mine. 

It is against this geopolitical backdrop that Lula has placed Marco Rubio, the U.S. Secretary of State, at the center of the American response to the São Paulo Forum and narco-terrorism in Ibero-America. 

Rubio understands Latin American geopolitics deeply. He is a strategist. And as President Trump’s man in Brazil, Washington appointed Daniel Perez as its new ambassador, another diplomat with a strong understanding of the region. 

Yet Lula has refused to grant the new ambassador his diplomatic credentials and, in my assessment, has been moving Brazil toward a rupture with the United States. 

In the mind of this political toad, Trump would never send someone to capture him as he did Maduro. Deep in his delusion, he appears to believe that Brazil possesses sufficient deterrent power to stand against the Pax Americana. 

This is precisely why I believe Marco Rubio and Daniel Perez should read my trilogy, The Robe Dictatorship — The Club of the Omnipotents, The Eye of the Bull, and The Third Eye — already available in English through Amazon.com. 

The Robe Dictatorship covers a historical arc stretching from the collapse of czarism to the emergence of the Escudo das Américas. The three books are hybrid works: part political novel, part essay, part journalistic investigation. Their fictional plots unfold against a real historical backdrop, with particular emphasis on Brazil’s recent political history. 

The trilogy offers a fictional lens through which to examine the forces shaping contemporary Brazil — and, by extension, the geopolitical struggle for the future of the Western Hemisphere. 

Perhaps these books can illuminate some of the questions that remain unanswered for Rubio and Perez. 

President Trump is invited to read The Robe Dictatorship Trilogy as well.

domingo, 9 de agosto de 2026

Papai faz 100 anos

Sinto o abraço de Marina e João Raimundo Cunha ao fazer a
Meditação Shinsokan. Eles, agora, habitam a dimensão Azul

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 9 DE AGOSTO DE 2026 – Alguns dos meus ídolos – Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry – manifestam duas características em comum: são escritores classe A e foram homens de ação. Um homem de ação é aquele que pensa e age simultaneamente, e não vive quieto, pois está sempre metido em alguma aventura. A própria vida é sua grande aventura, até que, no caminho, é derrotado pela barreira da dimensão física, mas não é vencido, e povoa o universo azul. Meu pai, o maior dos meus ídolos, não era escritor, mas era homem de ação, e me contou histórias eternas. 

Aos 5 anos de idade, quando descobri, no quarto do meu irmão Paulo Cunha, que seria escritor, em meio de uma galáxia de gibis, revistas ilustradas e livros, meu pai tinha, então, 44 anos. Media 1,68, era seco e forte, o rosto oval, olhos castanhos e oblíquos, e usava uma loção à base de pinho após raspar, com navalha, o rosto, deixando apenas o bigode. Foi o homem mais corajoso que já encontrei; nada o intimidava. Internava-se na selva dias seguidos, sozinho, e era capaz de meter uma bala no buraco de outra, a mais de 100 metros de distância. Ele não era escritor, mas escreveu poemas, que se perderam no tempo. 

Lá pelos 14 anos, quando comecei minha carreira de escritor, trabalhando em um poema, que também se perdeu, dedicado à poeta Alcinéa Maria Cavalcante, uma ninfeta completamente linda, peguei os originais do papai e li alguns dos poemas na Rádio Educadora, não me lembro mais se em um programa do João Lázaro, ou do Luiz Tadeu Magalhães. Papai soube e me passou uma reprimenda. Mas senti, ali, naquele momento, que, de alguma forma, ele não se importou muito que eu tivesse lido publicamente seus poemas, e isso me deixou feliz, pois agradar o ídolo é para o fã o sonho mais ousado. 

Papai não era escritor, mas foi um extraordinário contador de histórias. Leu Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, e contava a história para nós, meus irmãos e eu, como se Tarzan fosse real. Porém, o que mais me fascinava eram as aventuras do próprio papai, especialmente quando se internou na selva profunda e foi atraído por uma sucuri. Tonto, quase desmaiando, foi salvo pelo seu anjo da guarda; conseguiu avistar a cabeça da sucuri, apoiou o rifle em uma forquilha e estourou a cabeça da serpente, uma cabeçorra do tamanho de uma lata de leite Ninho. 

Papai chefiava todo o trabalho pesado dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul no Aeroporto de Macapá. Começava sinalizando à chegada dos Douglas DC-3, abastecia os aviões e os despachava. A primeira vez que o vi fazendo isso fiquei deslumbrado, e quando fui autorizado a entrar no avião foi como se houvesse entrado em uma nave espacial. Meu pai conversava com os pilotos da nave e entrava no avião como se estivesse em casa, e serviram-me sanduíches e biscoitos inimagináveis. 

Apenas uma vez o vi fraquejar. Foi quando a tragédia invadiu a Casa Amarela, a casa da minha infância, na esquina da Avenida Iracema Carvão Nunes com a Rua Eliézer Levy, onde, hoje, uma seringueira plantada por meu pai no ano de nascimento do meu irmão, o gênio do pincel Olivar Cunha, intercepta o muro do Colégio Amapaense. Vi-o fraquejar quando anunciaram a morte do meu irmão Francisco Pereira Cunha. Era 22 de novembro de 1965. 

Francisco tinha 18 anos e era belo como Zeus, e imortal como todo jovem. Meu pai foi atingindo por um raio. Caiu numa cadeira, mole, sem tônus, os olhos, sempre tão interessados pela vida, gritavam de dor. E logo depois veio o segundo choque: o corpo chegando. Não compreendi bem aquilo, apesar de ter 11 anos. Para mim, a matéria era para sempre, e só fui entender o que se passara quando, no Cemitério São José de Macapá, vi todos se sacudindo em choro, como chuva que não passa nunca. 

Meu pai tinha 57 anos e eu, 17, em 1972, quando peguei um barco para Belém e de lá, de carona pela Belém-Brasília, em construção, fui até Brasília, de onde parti para o Rio de Janeiro, onde vivi durante dois anos em Copacabana. Retornei à Macapá e, ainda inquieto, tomei a estrada novamente, até Buenos Aires, onde permaneci durante um mês, trabalhando como carregador de fardos de trapo, utilizado em pequenas oficinas, para um judeu-argentino, Roberto Nasielsky, que fora comando israelense e que me viu na rua, no dia em que cheguei a Buenos Aires, identificou-me imediatamente como brasileiro, não me largou mais, pois adorava bater papo comigo sobre o Brasil, e sobre tudo. 

Em 1975, retornei à Macapá e tentei voltar aos estudos, interrompidos no quarto ano ginasial, no Colégio Amapaense. Mas a inquietação não passara e resolvi conhecer a família do meu pai, em Manaus. Na ida, estacionei em Santarém, onde Paulo Cunha morava, e trabalhei na Rádio Difusora de Santarém, como redator e apresentador do jornal falado, durante um mês. Então, parti para Manaus. Assim que cheguei e me hospedei na casa da tia Isabel, procurei saber o endereço do jornal mais central da cidade e fui até lá. O Jornal do Commercio ficava em um prédio neoclássico na Avenida Eduardo Ribeiro, e exibia uma placa na porta: “Precisa-se de repórter policial”. Subi, procurei o diretor de redação, Cidade de Oliveira, e lhe disse que a vaga era minha. No dia seguinte, comecei a trabalhar. 

No dia 6 de março de 1977, recebi um telefonema de Laurindo Banha, compadre do papai. Ele morrera, de colapso cardíaco fulminante, como árvore atingida pelo raio. Naquela época eu morava sozinho em uma casa no bairro de São Francisco, onde o artista plástico português Álvaro Pascoa guardava dezenas de telas do pintor amazonense Hahnemann Bacelar. Só fui me dar conta da morte de meu pai cinco anos depois, em 1982, em Belém, cursando Jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPa.), aos 28 anos. Meu pai morreu com a mesma idade que Ernest Hemingway, aos 61 anos, e, naquela época, eu já conversava com Papa nos bares da mente, quando o desejo de também bater longos papos com papai começou a se avolumar na minha alma. 

Em carta de 8 de novembro de 1991, a mim endereçada, meu irmão caçula, Ricardo Cunha, graduado em História e pesquisador da nossa árvore genealógica, diz, sobre nosso pai: “Nasceu em Sobral, Ceará, e veio criança para a Amazônia. Seu primeiro emprego foi o de trabalhar na lavoura, com a mãe, Rosa Maria Cunha, para sustentar as irmãs, Isabel, Maria e Cunhã, já que seu pai, Manuel Raimundo Cunha, morreu quando ele e seus irmãos tinham tenra idade. Foi capataz de quadreiro (capinador de campo de seringal) e serrador na Companhia Ford Motors, em Belterra/PA. Posteriormente, transferiu-se para a Cruzeiro do Sul SA, primeiramente em Belterra, depois em Santarém/PA e, finalmente, em Macapá, onde chegou em janeiro de 1950, seguido pela já numerosa família, em outubro daquele ano. Aposentou-se em 1975 pela Cruzeiro do Sul SA, com 35 anos de serviço ativo. Era alto, forte, sereno, ao mesmo tempo rude; embora semialfabetizado, era inteligente e intuitivo”. 

Anos depois, recebi e-mail do Ricardo: “Amanhã (16/05), se o nosso pai estivesse vivo, completaria 100 anos de idade. Soldado da borracha, caçador profissional, operário-padrão e um homem absurdamente honesto; um homem que amava as mulheres (desde a juventude até casar-se com nossa mãe), ele sempre representou para mim o arquétipo de macho durão, autossuficiente e mantenedor da entidade familiar”. 

Abro aqui um parêntese para dizer que nossa mãe, Marina Pereira Silva Cunha, era a mulher mais bonita do mundo, e forte como as rosas, que são eternas. 

Ricardo: “Sei que nunca serei cinco por cento que o nosso pai foi, pois, apesar do verniz de civilização que os estudos me proporcionaram, o nosso pai, perante a vida, foi mais homem do que a maioria dos homens que eu já conheci e mais e mais o admiro perante sua postura filosófica perante a vida: foi um homem cético (ele não acreditava que o homem tivesse chegado à Lua, por exemplo), mas extremamente honesto com seus princípios; não proibiu que a mamãe continuasse sendo católica devota e nem aos seus filhos, e também não vendeu seus princípios para agradar quem quer que seja. 

“Amanhã, irei à missa, como faço costumeiramente todos os sábados, e até pensei em mandar rezar uma missa em ação de graças pelo seu centenário, mas depois refleti: aonde quer que o nosso pai esteja, ele esboçaria um sorriso irônico, por não acreditar em sistemas de pensamentos religiosos ou idealistas; daí, resolvi respeitar a crença ou não crença do nosso pai e apenas farei um silêncio obsequioso e uma oração para, onde ele estiver, agradecer a sorte de ter sido meu pai e rogar que nos ajude nessa longa caminhada, em busca de felicidade e paz”. 

Andei por aí como judeu errante, como dizia Paulo Cunha, durante uma década (1972-1982), em busca de mim mesmo, em busca de paz, e a encontrei ao iniciar a caminhada interior, que nunca termina, pois é uma espiral eterna, o caminho do Tao. Hoje, mergulhado na criação literária, portal para a dimensão infinita, e no taoismo, quando mergulho no abismo de silêncio mozartiano da Meditação Shinsokan, no oratório do meu quarto, sinto papai e mamãe me abraçarem e me beijarem. 

Chamávamos para o quarto do meu irmão Paulo Cunha na Casa Amarela de Quartinho; é lá que costumo encontrar-me com papai, Ernest Hemingway, Jack London, Antoine de Saint-Exupéry e todos os mortos que amo, em um bate-papo interminável.