terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Quando chego a Macapá sinto um terremoto

Linda e Mel, duas das minhas irmãs; ao fundo, as obras do
Colégio Amapaense, no quintal da casa da minha infância

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE JANEIRO DE 2022 – Meu caso com Macapá/AP é antigo, remonta a 7 de agosto de 1954, data do meu nascimento. Sete mais oito, quinze, noves fora, seis, mais um, sete, mais cinco, doze, noves fora, três, mais quatro, sete. Sete é meu número, que na numerologia representa a perfeição, ou a perfeita integração entre os planos físico e espiritual. 

A propósito, meu nome, Raimundo, é do gótico, o alemão antigo, “protetor, sábio e poderoso”. Em 1971, Isnard Brandão Lima Filho, pai da minha geração perdida, de poetas cachaceiros, sugeriu que eu me tornasse Ray Cunha, pois se fosse vertido para o inglês seria mais palatável para o ambicionado mercado de leitores anglófilos. O poeta tinha razão. 

Sou um autêntico sete, já que gosto de ambientes bem arrumados, tanto que, de manhã, deixo minha cama impecável; aliás, arrumo até cama de hotel. Fujo de barulho, isolando-me para ouvir Mozart e Frank Sinatra. E sou absolutamente artista; não saberia viver sem ser artista, sem criar. Eu crio personagens e converso com elas. 

Se há uma coisa que me faz sofrer é injustiça, especialmente quando não posso corrigi-la. Porque somos introspectivos e às vezes nos isolamos podemos ser vistos como tímidos ou arrogante, o que me faz sofrer também. 

Estamos nos dias da semana, nas fases da Lua, no ciclo menstrual feminino, nas cores do arco-íris e nas notas musicais. Outra coisa comum entre os sete é que somos como os gatos: vivemos com um pé na Terra e outro no plano astral. 

O sete é o número da reflexão, da sabedoria, do conhecimento, da busca pela compreensão da vida. Mas somos, os do clube dos sete, inflexíveis muitas vezes, irritadiços, silenciosos, arrogantes, contudo, ao fim e ao cabo, místicos. Sinto-me, quase sempre, como o apanhador no campo de centeio. Observo as crianças brincando e se a bola cai muito distante vou apanhá-la e a devolvo às crianças. Zelo para que nada lhes aconteça. 

Sei também que nós, sete, temos a capacidade de influenciar as pessoas, pois nossa intuição é aguçada e assim entendemos com facilidade os sentimentos alheios. Procuramos levar felicidade às pessoas, pois os sete não sentem vazio existencial; há sempre luz nos guiando. 

E é assim, como um sete, que eu amo Macapá, onde vivi meus primeiros 17 anos, de 1954 a 1971. Aprendi a ler aos cinco anos, e então meu universo entrou em um big-bang igual ao do próprio Universo denso. Aos 14 anos, escrevia versos para a Alcinéa, batia papo com Isnard Brandão Lima Filho, embebedava-me com Joy Edson e conversava sobre pintura com os visitantes da exposição do Olivar Cunha. 

Meu mundo era Macapá, até o dia em que fui a Belém, a capital da Amazônia na época em que os colonos portugueses dividiram o Brasil em dois: a Amazônia e o Brasil mesmo, o Sudeste. Em Belém, comecei a descobrir que havia outra cidade além de Macapá. Foi o começo da traição. 

Confesso que, desde então, traio Macapá, mas isso se passa apenas na minha cabeça, porque as cidades são como as mulheres; pensamos que podemos ser donos delas, o que é impossível. As cidades, como as mulheres, são poesia no veio. Poemas são apenas pedras preciosas, gotas do azul, que garimpamos no veio da poesia. As mulheres são como esses veios, como minas, como labirintos de luz. E ninguém pode ser dono da luz. 

E como as mulheres, as cidades são sempre agora. A cada encontro meu com Macapá, sinto, ao pisar no seu solo, um terremoto de sensações, como foi a sensação do primeiro beijo, da primeira mulher que me guiou na sua própria eternidade, como rosas vermelhas, colombianas, nuas, ao sol. 

Na verdade, nunca traí Macapá, porque ela não está nem aí para mim; eu é que a amo, eu é que carrego na memória da minha alma seu cheiro de jasmineiros chorando nas madrugadas ardentes, seus sons do Caribe e dos Beatles, a voz da Linda, bate-papo com Fernando Canto, cheiro de mar.

Não sei como será desta vez, pois quando passamos tempo demais sem ver uma mulher ela nos esquece. Mesmo assim aqui estou eu, pois a mim não importa o esquecimento; tudo o que importa é o terremoto das emoções, eterno. De modo que basta eu chegar para que a intensidade seja quase insuportável.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O abismo da vida

Ray Cunha e Josiane no réveillon 2021/2022, no Pontão,
Lago Sul, Brasília/DF: amor, paz, harmonia, prosperidade!

RAY CUNHA 

A vida é como chuva, como água minando, formando filetes, avolumando-se, fluindo em rios, até outro rio, ou o mar. É como luz no espaço-tempo. E hoje, como sempre, é um ano alado, pois ouço o som da Terra no espaço e o mundo se abrindo como rosa ao sol.

Este é um ano mágico, como todos os anos da minha vida, pois as mulheres são, todas elas, princesas, lindas como rosas nuas, e livres como o mar. É ilusão pensar que as possuímos; não se pode ser dono do azul. Mas elas nos deixam sentir seu cheiro, e até nos perder nos seus labirintos, desde que montados na luz.

Sinto-me como os pardais, que não se preocupam com coisa alguma; podem comer quase tudo, e só precisam de um pequeno espaço para passar a noite. E se tenho alimento, se conto com um lar, para me abrigar das intempéries, e se a mulher amada sorri para mim, sei de pronto que meu Pai, inesgotável na Sua riqueza, perfuma minhas manhãs com Chanel 5.

Tenho tudo o que preciso: uma estante abarrotada de livros, as músicas que não me canso de ouvir, telas de Olivar Cunha, internet, os alimentos mais saborosos do mundo, o anoitecer e a madrugada, e mil possibilidades.

E assim vão-se os anos, todos eles prenhes de aventura, porque a vida é mágica, veios de pedras preciosas garimpados com o coração, pois só encontramos rubis azuis quando amamos. De modo que este ano, como todos os outros, é movido pelo cataclismo do primeiro beijo, o namoro desesperado a uma rosa.

E à medida que meus sentidos começam a perder o apuro dos 21 anos, ouço, em toda parte aonde ando, a música de Wolfgang Amadeus Mozart, sinto o cheiro do mar cada vez mais intensamente, e mergulho no abismo da vida em voo vertiginoso como a luz, redentor como prece, lúcido como acme.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

O azul do acme

Viver não é preciso; viver hoje é preciso, porque os dias são feitos de azul

RAY CUNHA

O momento do dia que mais me causa prazer ocorre às 5 horas, quando os sons do amanhecer pulsam como música de Mozart, até o sol iluminar as rosas. Levanto-me antes das 5 e preparo café Três Corações, gourmet, e bebo duas xícaras médias com tapioquinha amanteigada. Então vou ao encontro das personagens de ficção com quem eu convivo.

Hoje, minha rotina foi mais azul, pois, entre os sons do acme, arranquei da madrugada, com minhas mãos de poeta, gemidos. Os sons do acme são combustível poderoso, que nos remete à dimensão dos abismos de rosas, em voos inacreditáveis como o da luz, como gigantesco jato pousando. O acme é tão redentor quanto o sorriso misterioso da mulher amada, na entrega total, naquele momento em que ela se torna a princesa que nunca deixou de ser.

Hoje, o jardim do apartamento é um cataclismo de rosas. Há tantas que inundam a madrugada. Ouço Pérez Prado e leio sobre leões na praia, ao amanhecer. Tudo isso, hoje. Sinto sabor de tacacá e sensações de Macapá e do Caribe. E assim avança o último dia do ano, um rio azul como os poemas da Alcinéa Maria Cavalcante, filha do poeta Alcyr Araújo e afilhada do mago prestidigitador de palavras Isnard Brandão Lima Filho.

Deus é o próprio azul. Também o Pai criou os jardins prenhes de rosas vermelhas colombianas, ao som do riso de crianças e perfume de Chanel número 5.

Todos os dias, como hoje, são pedras preciosas que nascem no meu coração, e que presenteio a todos que eu amo. Peço a Deus que o azul dos dias invada os corações dos que precisam me perdoar, para que se livrem de qualquer resíduo de mágoa que respinguei na luz das primaveras e lhes devolva a liberdade. Viver não é preciso; viver hoje é preciso, porque os dias são feitos de azul. Hoje, são todos os dias, é a própria vida.

Os sons do acme, misturados aos sons da madrugada, que ouvi hoje, são feitos de uma substância que só encontramos no primeiro beijo, no nascimento dos nossos filhos, na criação de personagens de ficção, na oração, no riso da mulher amada, na luz. São sons que só ouvimos com os tímpanos dos nervos, às 5 horas, que é a hora em que Deus, que nunca dorme, acorda.

Amanhã, começa novo ano. Mas não existe amanhã. Só existe hoje. O ano novo já começou, em nuanças do azul. O azul é um estado de consciência, uma viagem sem começo e que não acaba nunca.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Romance A CASA AMARELA, do amapaense Ray Cunha, vai além do realismo fantástico

BRASÍLIA, 20 DE DEZEMBRO DE 2021 – O romance A CASA AMARELA, de Ray Cunha, é da mesma linha do realismo fantástico de Pedro Páramo, de Ruan Rulfo, e Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, mas vai além, pois ambienta em um mesmo lugar personagens que vivem no mundo material, tal qual o conhecemos, e pessoas que já morreram fisicamente e vivem no plano espiritual, que a ciência desconhece.

No romance, que se passa em Macapá, cidade localizada na margem esquerda do estuário do maior rio do mundo, o Amazonas, e seccionada pela Linha Imaginária do Equador, a Casa Amarela é viva, e uma seringueira sente emoções humanas e pode mover seus galhos sem vento algum.

Um dos quartos da casa é um portal para um mundo povoado de espíritos, e frequentado por nada menos que Ernest Hamingway e Antoine de Saint-Exupéry.

Ray Cunha, o autor, nasceu em Macapá e trabalhou nos principais jornais da Amazônia.

Adquira A CASA AMARELA no Clube de Autores ou na amazon.com.br

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Eu, velho

Ray Cunha por ele mesmo, da janela do seu quarto no Sudoeste (2021)

RAY CUNHA 

Aos 21 anos, eu não era nenhum Brad Pitt em Lendas da Paixão, aos 30 anos, mas tinha meu charme. Já publicara um livro de poemas, Xarda Misturada, juntamente com Joy Edson (José Edson dos Santos) e José Montoril, em Macapá, minha cidade natal; assinava uma coluna semanal, No Mundo da Arte, no jornal A Notícia, e frequentava o Clube da Madrugada, em Manaus.

Media 1,64 metro e pesava em torno de 60 quilos. Como rachei lenha quando criança, eu era seco e musculoso. Mais tarde, joguei boxe, o que desenvolveu ainda mais o tônus; testa larga, olhar atento e entusiasmo pela vida são traços que se acentuaram ao passar dos anos.

Naquela época, confesso que até mulher casada se ajoelhou aos meus pés; mulheres lindas entregaram-se, inteiras, a mim, deixando-me voar nos seus labirintos de mistérios. Eu podia ingerir comida estragada, beber sozinho uma garrafa de Pitú ao longo de um bate-papo, caçava, pescava, mergulhava noites inteiras nos insondáveis abismos das ninfas, e nada disso me abalava. Era o império do corpo. Hoje, já começo a vislumbrar a chave com a qual abrirei, finalmente, a porta mágica da luz.

Leio desde os cinco anos de idade, quando os gibis e a biblioteca do meu irmão mais velho, Paulo Cunha, me seduziram para sempre. Aos 14 anos, já lera Ernest Hemingway, Francis Scott Fitzgerald, Graciliano Ramos, Fiódor Dostoiévski, Jorge Luís Borges, livros de história e de geografia, enciclopédias, dicionários, bulas de remédio e tudo o que me caísse às mãos. E frequentava a casa do poeta Isnard Brandão Lima Filho.

Lia da mesma forma que comia, bebia e amava, como um leão, que tudo podia rasgar com as garras. Maduro, ao reler alguns livros da minha juventude, fiquei atônito. Descobri, neles, cheiros insuspeitos, ruas ainda não percorridas, personagens que, agora, puseram-se a contar coisas para mim.

Quanto fui iniciado nos segredos das criaturas mais deliciosas e enigmáticas do Universo, as mulheres, eu as tinha como quem mastigasse feijão com arroz. Hoje, depois que comecei a descer o morro da vida, navego a mulher amada com a sensação de um cataclismo de rosas colombianas vermelhas.

Atingi a sofisticação de capturar a dança delirante de mulheres caminhando em vestido justo, de seda, e fazer uma mulher sorrir, produzindo, nela, o mesmo efeito do sol da primavera, sua feminilidade explodindo em estrelas e ela se sentindo, e se tornando, a mulher mais bonita do mundo. 

Descobri que tempo e espaço são uma ilusão, que só há o agora e o agora, o momento mesmo da vida, que eu existo desde antes do princípio e existirei até depois do fim. A vida é uma eterna caminhada rumo ao Éter, à Luz, a Deus. Nesse trilhar, já quase não sou mais arrogante, procuro ser gentil e atencioso com todos, e cuido para que a mulher amada se sinta como a mais bela flor de um jardim esplendoroso.

Já não faço questão de receber presentes, mas de distribuir as pedras preciosas que garimpei nos momentos mais perigosos da trilha, como os rubis azuis que depositei no relicário do meu coração. Não ambiciono nada além de uma rosa bem vermelha e o riso de uma criança.

Também peço que o Universo me perdoe pelas ofensas que cometi, porque sei, na minha esperança, que basta um raio de luz para extinguir a treva. E não há nada que eu queira mais do que ouvir o riso da mulher amada.

Sinto a velhice como um mergulho infindável no abismo da poesia, uma caminhada permanente na primavera que se espraia no telhado da casa da minha infância, as zínias, as rosas, o jasmineiro embriagando o ar nas noites tórridas, a mangueira, o cajueiro, a seringueira, as paredes de tijolos deitados da Casa Amarela, sólida como um navio.

Ouço os sabiás com redobrada atenção. Amam intensamente, de agosto até o início do ano seguinte. São os imperadores do verão, quando os galhos das mangueiras se curvam ao peso de mangas inchadas e doces como seios de mulher grávida.

Levanto antes que os sabiás comecem o seu canto, às 3 horas, faço a ablução e preparo café, Três Corações, gourmet, que bebo com tapioquinha amanteigada, cuscuz ou pão integral com passas. Curto a alvorada certo de que Brasília está sempre à minha disposição, oferecendo-me mil possibilidades.

Às vezes, sou favorecido com a sorte de atravessar o Setor Comercial Sul no momento mais redentor, em torno das 7 horas, ao meio de mulheres perfumadas, algumas com os cabelos ainda molhados, e há sempre uma com o perfume das virgens ruivas, cheiro de mar.

Então, Aquele “que se revela na harmonia de tudo o que existe” (filósofo holandês Baruch Spinoza) inunda a alma. E quando ouço o Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor (número 20, K 466), de Wolfgang Amadeus Mozart, sinto a Terra roçar o espaço, da mesma forma quando me desfaço ao acme e me transformo em leão de asas.

Hoje, não sinto mais a gana de quando tinha 21 anos. Naquela época, eu amava como leão e bebia como Hemingway, e me internava na noite, esta grande amante, armado apenas da beleza suprema da juventude. Agora, desarmado, arranco gemidos ainda mais altos da mulher amada, porque nas minhas mãos há luz.

Também não mais dilacero a carne, embora minhas mãos tenham se transformado em tenazes de nióbio, que, porém, roçam a pele da mulher amada com a leveza de uma pétala. Não sinto mais o fluir da vida no tempo, mas como o grande rio, que escorre, ininterruptamente, para o Atlântico.

Ouço murmúrios na tarde, ao encontro da noite, imensa como um navio todo iluminado. Uma negra em vestido de seda passa por mim e deixa um rastro de Chanel 5, o perfume embriagador das lágrimas dos jasmineiros imersos na canícula, sabor de Don Pérignon, safra de 1954, leite da mulher amada, e o cheiro redentor do mar. Algumas mulheres são o próprio mar, e, por isso, são inacessíveis.

Guardo, na memória do meu coração, um combustível eterno. Cada uma das mulheres que amei, e que, às vezes, fiz chorar (perdão!), cada jasmineiro que perfumou as ruas noturnas por onde vaguei, com seu choro ao calor das madrugadas, cada verso que escrevi, cada cidade que descobri, todos os voos que alcei, disso é minha têmpera.

Hoje, levo uma vida estranhamente social, pois reúno-me também com meus antepassados, especialmente meu pai, João Raimundo Cunha, belo, majestoso, destemido, amado, e minha mãe, Marina Pereira Silva Cunha, a mais bonita, forte, corajosa e querida entre as mulheres. Às vezes, simplesmente os ouço, na prece.

Meus cabelos começaram a ficar grisalhos, cada vez mais ralos; a pele, aos poucos, exibe o resultado das intempéries, e as pessoas já me olham desconfiadas. Não bebo mais, depois de 43 anos mergulhado no álcool, como uma poça que se avolumou e começa a secar.

Ouço, agora, o silêncio da madrugada, emociono-me ao ver crianças, rosas, uma estrela. Não sinto apego a mais nada. Minha riqueza é imensa, pois à minha passagem os jardins florescem, as crianças riem e a luz triunfa.

Câmara votará a legalização dos cassinos em fevereiro de 2022. A regulamentação do jogo é inadiável. Maioria absoluta é favorável

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 17 DE DEZEMBRO DE 2022 – O Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, Projeto de Lei 442/91, será votado na primeira semana de fevereiro de 2022, garantiu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL), após aprovação em plenário, ontem à noite, do requerimento de urgência para a votação do projeto, por 293 votos favoráveis, 138 contrários e 11 abstenções. Com a aprovação do requerimento a tramitação queima algumas etapas e exige apenas maioria simples. 

“Eu fui eleito com um compromisso único de ouvir e pautar interesses diversos da Casa. Essa questão da legalização dos jogos no Brasil tem de ser feita às claras, com muito debate, com todas as convergências e divergências” – disse Lira. 

A legalização de cassinos, jogo do bicho, bingo e caça-níqueis gerará uma arrecadação em torno de 50 bilhões de reais por ano para os cofres públicos, dinheiro suficiente para bancar, por exemplo, o Auxílio Emergencial e o Bolsa Família. O senador Angelo Coronel (PSD/BA) declarou à Agência Senado que “a geração de recursos da tributação de jogos poderia ampliar o alcance do Bolsa Família de 14 milhões de famílias para 22 milhões”. 

A clandestinidade do jogo no Brasil é uma idiotice que já passou dos limites. Joga-se no planeta desde o início da História, há cerca de cinco mil anos, entre povos como os sumérios e os egípcios. No Império Romano, os dados rolavam o tempo todo; foram os romanos que introduziram os jogos de azar na Europa toda, via Terceira Cruzada. Na China, já havia carteado no século 9 e na Europa cinco séculos depois. 

Quanto às loterias, também os primeiros registros são da China, na Dinastia Han, entre 205 e 187 aC. Na Europa, as primeiras loterias começaram no Império Romano. Pôquer e roleta são mais recentes, do século 19. 

O jogo de azar é praticado em todos os países civilizados do planeta, como, por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Itália, Suíça, Grécia, Portugal, Áustria, Holanda, Mônaco, Uruguai etc. A Região Administrativa Especial de Macau, na China, é hoje o principal centro de jogos do mundo, desbancando Las Vegas, nos Estados Unidos, como capital mundial dos cassinos e faturando, com apenas 35 cassinos, 38 bilhões de dólares por ano. Os mais de 100 cassinos de Las Vegas faturam 8 bilhões de dólares por ano e só uma de suas maiores redes conta com 50 mil empregados. 

No Brasil, os cassinos surgiram após a independência, em 1822, até 1917, no governo Venceslau Brás. Getúlio Vargas voltou a legalizá-los em 1934, até 1946, então proibidos pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, até hoje. 

Dona Santinha, Carmela Leite Dutra, esposa do presidente Gaspar Dutra, era beata e exercia forte influência sobre o marido. Para ela, jogo era coisa do capeta. Dutra cedeu e de um momento para o outro arrasou uma das indústrias que mais faziam o país prosperar, jogando no desemprego mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva, em 70 cassinos espalhados pelo país. 

“Ninguém acredita em mim quando eu digo que cassinos são proibidos no Brasil ou pensam que estou brincando! Investidores em todo o mundo acompanham ansiosamente a legalização e regulamentação dos jogos no Brasil – disse, em entrevista à Tribuna da Imprensa Livre, a executiva da Clarion Events, Liliana Costa. “Com exceção dos países muçulmanos, praticamente todos os países do mundo possuem os jogos de sorte e azar presenciais legalizados.” 

Mas o Brasil é um dos países onde mais se joga no mundo, dia e noite, funcionando como uma gigantesca lavanderia, porque o jogo é clandestino. Quando o jogo foi criminalizado, as máfias riram para as paredes. Calcula-se que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares por ano. Só o jogo do bicho movimenta 10 bilhões de reais por ano, sem pagar nenhum centavo de imposto e sem gerar empregos formais. 

Estudo do IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Calcula-se que a legalização do jogo gerará mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil indiretos. 

O argumento da oposição ao jogo é inacreditável. Os donos da moralidade acham que a liberação dos jogos de azar pode agravar problemas na saúde, com alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição, piorar a segurança pública, prejudicar ações de combate à corrupção e ampliar a lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas.

Seria cômico se não fosse sério. Tudo isso está acontecendo com o jogo na clandestinidade! É a clandestinidade do jogo que alimenta a corrupção, propina e chantagem política. Por isso é que a legalização do jogo é inadiável e irreversível.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Pollo Carvajal afirma que tem provas de que Lula foi financiado pelo narcotráfico. Ex-chefe da inteligência no Brasil, Jorge Bessa, confirma

Aos poucos a carniça que acompanha Lula vem à tona

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 7 DE DEZEMBRO DE 2021 – O general e chefe dos serviços de inteligência da Venezuela no governo de Hugo Chávez (1999-2013), Hugo Carvajal, El Pollo, o Franco, preso em setembro deste ano, em operação conjunta entre agentes americanos e espanhóis, na Espanha, de onde deverá ser extraditado para os Estados Unidos, afirmou à Record TV que tem provas de que a ditadura venezuelana financiou políticos e governos de esquerda no mundo todo, incluindo o ex-presidente Lula e o PT. 

Frango, que está enjaulado na penitenciária de segurança máxima Estremera, está disposto a colaborar com o governo americano e vomitar informações sigilosas. Homem de confiança do ditador Hugo Chávez, que morreu de câncer em Cuba, Frango fugiu para a Espanha porque se desentendeu com o atual ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. 

Frango divulgou uma lista de beneficiados do dinheiro venezuelano: Lula; Néstor Kirchner, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; Fernando Lugo, no Paraguai; Zelaya, em Honduras; Gustavo Petro, na Colômbia; Movimiento Cinco Estrellas, na Itália; e Podemos, na Espanha. 

Da Espanha, Frango fugiu para Portugal em setembro de 2019, quando o governo espanhol autorizou sua extradição para os Estados Unidos, a pedido do Drug Enforcement Administration (DEA, órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos), acusado de tráfico de drogas em sociedade com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), uma quadrilha que tocava o terror na Colômbia. 

Em 2011, Frango foi acusado de coordenar, em 2006, o embarque de 5,6 toneladas de cocaína da Venezuela para o México; a droga tinha destino final nos Estados Unidos. Segundo o FBI, Frango fazia parte de uma organização conhecida como Cartel de los Soles, liderado por Hugo Chávez, que morreu de câncer, em 2013, em Cuba. O cartel passou a operar com as Farc a partir de 1999 e Frango seria encarregado da segurança dos carregamentos de drogas da Venezuela para os Estados Unidos. 

Nos Estados Unidos, Frango responderá por lavagem de dinheiro em solo norte-americano e tráfico de drogas, como integrante do Cartel de Los Soles, organização que seria formada por grupos das forças armadas da Venezuela, juntamente com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 

O Jornal da Record entrevistou também a jornalista espanhola Cristina Seguí, que vem investigando o narcotráfico e comunistas fabianos da Ibero-América. 

– O narcotráfico patrocinou partidos de esquerda na Europa e na América Latina – afirmou Cristina Saguí. O PT estaria nessa lista. 

O ex-chefe dos Departamentos de Contra-Espionagem e de Contra-Terrorismo da antiga Secretaria de Inteligência da Presidência da República, atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Jorge Bessa, ratificou a este repórter o que publicou no seu livro Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos (Thesaurus Editora/Tagore Editora, Brasília, 2020, 444 páginas), que também Fidel Castro financiou Lula. 

Bessa, que atuou como espião brasileiro na Rússia durante a Guerra Fria, além de escritor com mais de 20 livros publicados é psicanalista, acupunturista, graduado em Economia pela Universidade Federal do Pará, especialista em assuntos relacionados à atividade de inteligência e de planejamento estratégico. 

No livro Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos, Bessa explica que o comunismo começou a desmoronar juntamente com do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. 

Em 2 de abril de 1989, o líder soviético Mikhail Gorbachev desembarcou em Havana, onde disse para Fidel que a União Soviética não poderia mais pôr no seu bolso os 10 bilhões de dólares anuais que há décadas vinha despejando em Cuba, para manter o enclave soviético nas costas dos Estados Unidos. A União Soviética agonizava, vítima do próprio comunismo. Fidel empalideceu, pois se acostumara a mamar, tornando-se, graças ao comunismo, um dos maiores playboys do mundo. E agora, como sustentar seu vidão, com sua máfia sediada em Cuba, a Disneylândia das esquerdas na América Latina? 

Fidel Castro não demoraria a descobrir: acobertado pela celebridade internacional do seu nome, como o revolucionário que desafiou os Estados Unidos, fez um pacto com traficantes de cocaína da Colômbia para que Cuba se tornasse o principal entreposto comercial da droga rumo aos Estados Unidos. Mas foi desmascarado pela DEA. Vários cubanos detidos confessaram como o esquema operava. As investigações da DEA conduziram ao Cartel de Medellín e ao governo cubano. 

John Jairo Velásquez, o Popeye, homem de confiança tanto de Fidel como de Pablo Escobar no Cartel de Medellín, fez um relato minucioso sobre o envolvimento dos irmãos Castro com a droga de Pablo Escobar à jornalista Astrid Legarda, que escreveu o livro El Verdadero Pablo. Popeye assegura que Raúl Castro, irmão do ditador de Cuba e que o sucederia na chefia da ditadura cubana, era quem recebia os carregamentos de drogas, pois era então o comandante das Forças Armadas. Eram embarcados de 10 a 15 toneladas de droga em cada operação. 

O historiador britânico Richard Gott, em seu livro Cuba – Uma Nova História, confirma a razão que levou Fidel e Raúl Castro a se envolveram no tráfico de cocaína com Pablo Escobar, do Cartel de Medellín. Segundo ele, Cuba estava em crise por causa do afastamento da União Soviética.

Assim, para se livrarem da prisão nos Estados Unidos, os irmãos Castro acusaram o general Arnaldo Ochoa, herói da revolução cubana e um dos militares mais condecorados da história do país, além de ser um dos grandes líderes militares de Cuba, e que temiam ameaçar o controle total dos cubanos, de ser o comandante das operações de narcotráfico com Pablo Escobar e condenado por “alta traição à pátria e à revolução”. 

Os irmãos Castro mataram então dois coelhos com uma só cajadada: livraram-se de uma invasão americana e sua prisão e afastaram Ochoa da sucessão de Fidel. Ochoa foi preso, em 1989, dois meses depois da visita de Gorbachev, sob a acusação de comandar as operações de tráfico de drogas do Cartel de Medellín, e foi fuzilado. 

Mario Riva, ex-tenente-coronel do Exército cubano e que hoje vive em Portugal, afirma que Arnaldo Ochoa foi usado como bode expiatório, que Fidel aproveitou para se livrar dele devido às críticas que vinha fazendo ao regime. Arcou com o narcotráfico autorizado pelo regime possivelmente para salvar a vida de seus familiares. 

Riva disse ao jornal Diário de Notícias, de Portugal, em sua edição de 13 de julho de 2009, que Tony La Guardia, também executado, estava envolvido no tráfico. Tony: “Eu tinha conhecimento dos aviões que aterravam em Cuba vindos da América Central, mas Ochoa não”. 

No livro El Magnífico — 20 Ans au Service Secret de Castro, Juan Vivés, ex-agente do serviço secreto cubano, afirma que Raúl Castro era o chefe do acordo com Pablo Escobar. Vivés revelou, ainda, que Raúl mantinha relações com narcotraficantes das Farc e que os sandinistas da Nicarágua também estavam envolvidos com o tráfico, por meio do capitão cubano Jorge Martínez, subalterno de Ochoa e contato entre Raúl Castro, o ex-presidente nicaraguense Daniel Ortega e Pablo Escobar. 

Assim, Fidel Castro, “um homem dominado pela febre do poder absoluto e pelo desprezo ao povo cubano”, segundo o cubano Juan Reinaldo Sánchez, guarda-costas do ditador por 17 anos, precisava pensar em novo meio de manter sua boa vida. E que tal sua própria União Soviética? 

A solução: o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, também ególatra, narcisista e ávido por poder e fama, e que, se bem trabalhado, tinha potencial para se tornar presidente do Brasil, o celeiro do mundo e maior país da Ibero-América, um continente que poderia se tornar a União Soviética tropical, um grande puteiro das esquerdas. 

Era só criarem um organismo que, a exemplo do Comintern de Lênin, serviria para apoiar movimentos comunistas em todo o continente, para o que só precisariam criar uma base de apoio confiável e com gente confiável: o Brasil de Lula. E assim foi criado o ninho das serpentes: o Foro de São Paulo. Fidel não perdeu tempo e começou a financiar Lula e o PT. 

Tudo começou com o Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe, organizado pelo PT, de 1 a 4 de julho de 1990, no extinto Hotel Danúbio, na cidade de São Paulo, com representantes de 48 partidos e organizações de 14 países latino-americanos e caribenhos, visando debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim e elaborar estratégias face ao embargo dos Estados Unidos a Cuba. Estava criado o ninho das serpentes. 

No ano seguinte, o encontro foi realizado na Cidade do México, com a participação de 68 organizações e partidos políticos de 22 países. Na ocasião, o encontro se tornou conhecido como Foro de São Paulo. Em 1993, já em Havana, o encontro reunia 30 países e várias organizações de esquerda. As reuniões são realizadas a cada um ou dois anos, em diferentes países da América Latina. A Declaração de São Paulo, documento aprovado no fim do primeiro encontro, ressalta que o objetivo do foro é avançar na luta anti-imperialista e popular no após queda do Muro de Berlim.

– O Foro de São Paulo é uma organização que pretende realizar na América Latina aquilo que fracassou no Leste Europeu: o comunismo transvestido em socialismo do século XXI, socialismo bolivariano, socialismo moreno, neocomunismo ou simplesmente socialismo petista – adverte Bessa.