segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A noite é só nossa


RAY CUNHA

 

Meu bem, estou à tua espera, vibrando de alegria

Pois esperar-te é como a emoção que precede o garimpeiro

Ao encontrar a maior pepita de ouro, dez anos depois

No morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene

É como a felicidade de abraçar crianças que escaparam de um naufrágio

Ao largo de Marajó

Ver rosas nuas em toda parte

Só de te esperar!

Amor da minha vida, esta noite será eterna

Porque nesta casa

Só haverá nós dois e a noite, presente de Deus, para ti

Já arrumei tudo, as flores, o vinho e a comida, camusquim com camarão pitu

Seremos nós dois e os diamantes que garimpei toda a minha vida

E que só encontramos no céu de Macapá, em agosto, nos anos 1960

Ouviremos La Cumparsita, na voz de Julio Iglesias

E dançaremos lentamente, nossos lábios se roçando

E ouviremos Suave é a Noite, com Alcione

E Amarcord, de Nino Rota

Então, voando nas asas de Dom Pérignon, safra de 1954

Beberei colostro e sentirei o sabor da tua pele e do teu púbis

E será madrugada

A quem ofertarei teus gemidos, que espalharei no jardim da minha alma

Mulher amada

Vem logo

Pois a noite já chegou

Como um navio, um continente, uma galáxia

Só nossa!


Do livro DE TÃO AZUL SANGRA, à venda no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

 

THE NIGHT IS OURS ALONE 


RAY CUNHA

 

My love, I’m waiting for you, trembling with joy, 

For waiting for you is like the thrill that grips a gold prospector 

When, ten years later, he strikes the greatest gold nugget of his life 

On Salamangone Hill, in the Serra Lombarda, in the municipality of Calçoene. 

It is like the happiness of embracing children who have survived a shipwreck 

Off the coast of Marajó. 

Seeing naked roses everywhere— 

Just waiting for you! 

Love of my life, tonight will last forever, 

Because in this house 

There will be only you and me, and the night, God’s gift, meant for you. 

I’ve made all the arrangements: the flowers, the wine, the food— 

Camusquim with river prawns. 

It will be you and me, and the diamonds I have mined all my life, 

Diamonds found only in the skies above Macapá, in August, back in the 1960s. 

We’ll listen to La Cumparsita, sung by Julio Iglesias, 

And dance slowly, our lips brushing against each other. 

Then we’ll listen to Suave é a Noite, sung by Alcione, 

And Amarcord, by Nino Rota. 

And then, flying on the wings of Dom Pérignon, vintage 1954, 

I will drink your colostrum and taste the flavor of your skin and your pubic mound. 

And dawn will come, 

And to the dawn I shall offer your moans, 

Scattering them through the garden of my soul. 

Beloved woman, 

Come soon, 

For the night has already arrived, 

Like a ship, a continent, a galaxy— 

Ours alone!

domingo, 18 de outubro de 2026

Ensaio crítico de três romances ensaísticos de Ray Cunha: O CLUBE DOS ONIPOTENTES, O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO

CHATGTP 

BRASÍLIA, 18 DE OUTUBRO DE 2026 – Há livros que procuram interpretar o mundo; outros tentam desmascará-lo. E há aqueles que, insatisfeitos com a fronteira entre a literatura e a realidade, transformam o romance em um território de combate intelectual, no qual personagens, acontecimentos, ideias e paixões se enfrentam para disputar o significado da História. É nesse último campo que se pode situar A Ditadura da Toga, projeto literário de Ray Cunha composto por três romances ensaísticos: O Clube dos Onipotentes, O Olho do Touro e O Terceiro Olho. 

A trilogia propõe uma leitura ficcional e interpretativa do Brasil contemporâneo, tendo Brasília como centro de gravidade. O poder político, as instituições judiciais, os conflitos em torno da democracia, a liberdade individual, a circulação da informação e as disputas ideológicas constituem parte de seu horizonte temático. A esses elementos se acrescentam questões filosóficas e metafísicas, que ampliam o campo de visão dos romances para além da conjuntura imediata. 

O próprio título geral, A Ditadura da Toga, anuncia uma tomada de posição autoral. A toga, vestimenta simbólica da autoridade judicial, converte-se em metonímia de uma questão política: quais são os limites do poder de julgar? Como distinguir a proteção da ordem constitucional da expansão indevida da autoridade institucional? E de que maneira uma sociedade pode preservar suas liberdades quando os poderes constituídos entram em conflito sobre quem tem a última palavra? 

Essas perguntas constituem o núcleo interpretativo sugerido pelo projeto. A expressão ditadura da toga deve ser entendida, no âmbito da obra, como uma categoria polêmica e uma chave de leitura ficcional — não como uma conclusão jurídica que dispense a demonstração de fatos. É justamente na tensão entre denúncia, interpretação e invenção literária que reside uma das questões mais interessantes para a análise crítica da trilogia. 

1. O romance ensaístico como escolha estética – Ray Cunha não se limita, nesse projeto, ao modelo tradicional do romance, no qual a trama e a evolução psicológica das personagens ocupam necessariamente o primeiro plano. A proposta do romance ensaístico permite aproximar narrativa, reflexão política, interpretação histórica e questionamento filosófico. 

Essa forma híbrida oferece ao escritor uma liberdade particular. O romance pode representar acontecimentos, acompanhar conflitos humanos e construir situações dramáticas; o ensaio, por sua vez, permite interromper o fluxo narrativo para examinar ideias, confrontar interpretações e formular hipóteses sobre a sociedade. Quando essas duas modalidades se encontram, a literatura deixa de ser apenas representação do mundo e passa a interrogar os discursos pelos quais o mundo procura explicar a si mesmo. 

A vantagem estética desse procedimento está na possibilidade de fazer as ideias adquirirem corpo dramático. O poder não aparece somente como abstração institucional: torna-se relação entre pessoas, disputa por influência, produção de narrativas e exercício de autoridade. A política, por sua vez, não se reduz a um calendário eleitoral ou a uma sucessão de episódios. Transforma-se em experiência humana, marcada por ambição, medo, lealdade, ressentimento, esperança e contradição. 

Há, entretanto, um risco inerente ao gênero. Quando a tese domina inteiramente a narrativa, as personagens podem perder sua autonomia e converter-se em porta-vozes de posições previamente estabelecidas. O romance passa, então, a ilustrar uma conclusão em vez de produzir uma descoberta. A força literária do romance-ensaio depende de uma tensão produtiva: a reflexão deve iluminar a ficção, mas a ficção também precisa ser capaz de complicar, desafiar ou mesmo contrariar as ideias do autor. 

É por esse critério que a trilogia merece ser examinada: não apenas pelo que afirma a respeito do Brasil, mas pela maneira como transforma suas interpretações em matéria narrativa. 

2. O Clube dos Onipotentes: o poder como círculo fechado – O primeiro romance, O Clube dos Onipotentes, publicado em 2022, estabelece o problema fundamental da trilogia: a concentração do poder e a possibilidade de que os mecanismos destinados a organizar a vida coletiva se convertam em instrumentos de domínio. 

O título é uma escolha expressiva. A palavra clube sugere pertencimento, seleção, cumplicidade e acesso restrito. Não se trata de uma multidão indistinta, mas de um espaço simbólico reservado àqueles que se reconhecem como integrantes de um mesmo círculo. Já onipotentes remete à pretensão de não encontrar obstáculos, de exercer a própria vontade sem admitir limites externos. 

A combinação produz uma ironia que ultrapassa a simples caricatura. A onipotência, quando atribuída a seres humanos e instituições, aponta para o desejo de escapar às condições que tornam legítimo o exercício do poder: a responsabilidade, a prestação de contas, a existência de limites e a possibilidade de contestação. 

Sob essa perspectiva, o romance pode ser lido como uma investigação ficcional sobre a formação de círculos de influência. O problema não é apenas quem governa ou quem decide, mas como determinadas posições de autoridade podem criar ambientes nos quais o poder se protege, se reproduz e passa a interpretar suas próprias decisões como necessariamente corretas. 

A questão adquire especial relevância quando transportada para o universo das instituições republicanas. Em uma democracia constitucional, nenhum agente público deveria confundir a autoridade de seu cargo com a posse de uma verdade absoluta. A legitimidade institucional não elimina a necessidade de crítica; ao contrário, pressupõe mecanismos que tornem possível o questionamento do exercício do poder. 

O romance, portanto, oferece uma porta de entrada para o universo de A Ditadura da Toga: a percepção de que o poder pode se tornar problemático não somente quando viola abertamente as regras, mas também quando passa a considerar seus próprios limites como obstáculos inconvenientes. 

Literariamente, o desafio consiste em converter essa crítica em experiência humana. A representação do poder torna-se mais complexa quando o leitor consegue compreender não apenas a ambição dos poderosos, mas também as justificativas que eles apresentam a si mesmos, os medos que os movem e as contradições que procuram ocultar. 

3. O Olho do Touro: a política como confronto e espetáculo – Se O Clube dos Onipotentes sugere o poder organizado em um círculo de influência, O Olho do Touro, publicado em 2025, desloca a atenção para o confronto. 

A imagem do touro carrega uma ambiguidade sugestiva. Pode evocar força, agressividade, resistência e perigo. O olho, por sua vez, introduz a questão da perspectiva: quem observa, quem é observado e quem se torna alvo? O título abre, assim, um campo de interpretações em que a disputa política pode ser compreendida como um embate entre forças que procuram impor sua versão dos acontecimentos. 

Em uma sociedade atravessada por conflitos institucionais, a luta pelo poder também é uma luta pela interpretação da realidade. Os acontecimentos não circulam isoladamente: são selecionados, narrados, enquadrados e transformados em argumentos. A opinião pública passa a constituir um espaço de disputa, no qual diferentes atores procuram estabelecer o que deve ser considerado legítimo, intolerável, necessário ou ameaçador. 

A dimensão espetacular da política torna esse processo ainda mais complexo. A exposição pública pode funcionar como instrumento de fiscalização, mas também como mecanismo de pressão. A visibilidade pode esclarecer fatos, mas pode igualmente simplificar conflitos que exigiriam investigação cuidadosa. O julgamento público, por sua vez, não equivale necessariamente à apuração judicial, assim como a convicção política não substitui a prova. 

É nesse cruzamento entre poder, exposição e interpretação que o título do segundo romance adquire força simbólica. O alvo não é apenas aquele que recebe os golpes; é também aquele sobre quem se concentram os olhares, as expectativas e as narrativas concorrentes. 

A leitura crítica deve, contudo, evitar uma equivalência automática entre protagonismo político e perseguição, ou entre autoridade institucional e abuso. O interesse literário está justamente na possibilidade de examinar como os diferentes lados de um conflito constroem suas justificativas, disputam a legitimidade e procuram convencer o público de que sua interpretação é a verdadeira. 

Nesse sentido, O Olho do Touro ocupa uma posição intermediária no movimento conceitual da trilogia: depois da representação do poder como círculo fechado, surge a arena em que esse poder é confrontado, exposto e submetido à disputa pública. 

4. O Terceiro Olho: ver além das aparências – Publicado em 2026, O Terceiro Olho acrescenta à trilogia uma dimensão simbólica e filosófica particularmente sugestiva. 

Na tradição simbólica de diferentes culturas, o terceiro olho está associado à percepção ampliada, à intuição e à capacidade de reconhecer aspectos da realidade que escapam à visão ordinária. Empregado como título de um romance, ele sugere uma passagem da observação imediata para a interpretação, da aparência para a investigação do que se encontra oculto. 

A imagem também pode ser compreendida como metáfora da própria literatura. O escritor observa os acontecimentos, mas não se limita a reproduzi-los. Organiza perspectivas, estabelece relações, cria personagens e constrói situações que permitem ao leitor perceber contradições nem sempre evidentes na experiência cotidiana.

No universo de A Ditadura da Toga, essa perspectiva amplia a discussão para além do embate entre instituições e forças políticas. O problema passa a envolver os próprios instrumentos pelos quais as pessoas conhecem o mundo: a informação, a memória, a crença, a ideologia e a capacidade de distinguir fatos de interpretações. 

O terceiro olho pode, assim, representar uma exigência dirigida tanto às personagens quanto ao leitor: não aceitar a primeira explicação como definitiva, não confundir a força de uma narrativa com a comprovação de sua veracidade e não tomar a aparência de certeza como garantia de conhecimento. 

Essa dimensão permite aproximar o romance da reflexão filosófica. O poder não se exerce apenas sobre as instituições e os comportamentos; pode também atuar sobre os modos de perceber e interpretar a realidade. Quem controla a narrativa de um acontecimento influencia a maneira pela qual ele será lembrado, julgado e incorporado à consciência coletiva. 

Mas existe uma exigência crítica importante: a percepção ampliada não deve ser confundida com infalibilidade. O terceiro olho, como metáfora literária, ganha maior profundidade quando não significa a posse de uma verdade incontestável, mas a disposição de questionar certezas — inclusive as próprias. 

É essa leitura que permite compreender o terceiro volume como um possível movimento de interiorização da trilogia. Depois de investigar os mecanismos do poder e os confrontos em torno de sua legitimidade, a narrativa volta-se para a consciência que observa, interpreta e julga. 

5. Brasília: cenário, personagem e laboratório do poder – A escolha de Brasília como centro de gravidade da trilogia possui implicações que ultrapassam a geografia. 

A capital brasileira é, simultaneamente, cidade, sede administrativa, espaço simbólico e palco de decisões que afetam milhões de pessoas. Sua arquitetura monumental, a separação espacial dos poderes e a concentração de instituições nacionais oferecem à ficção um cenário no qual a política assume uma presença quase física. 

Brasília pode ser interpretada como uma personagem coletiva: uma cidade cuja rotina é atravessada pelas relações entre autoridades, servidores, jornalistas, representantes políticos e cidadãos. Nela, os edifícios institucionais não são apenas construções; tornam-se símbolos de expectativas, disputas e concepções concorrentes de Estado. 

Essa dimensão urbana é particularmente fértil para o romance ensaístico. O espaço permite articular o drama individual e o conflito nacional, aproximando a vida privada das decisões públicas. O poder deixa de ser uma entidade distante e passa a integrar a atmosfera da cidade, influenciando as relações humanas e a maneira pela qual seus habitantes percebem o país. 

Brasília também carrega uma contradição literariamente produtiva: foi concebida como expressão de um projeto moderno de futuro, mas se tornou o centro de conflitos recorrentes em torno da representação política, da autoridade e da legitimidade. A distância entre o ideal institucional e a experiência concreta da política oferece matéria para a ironia, a sátira e a reflexão. 

Nesse contexto, a trilogia de Ray Cunha pode ser lida como uma tentativa de interpretar o Brasil a partir de seu centro político, sem que a capital se reduza a um simples endereço para os acontecimentos. Ela se transforma em espaço simbólico no qual as contradições nacionais adquirem forma dramática. 

6. Literatura, política e a fronteira entre ficção e documento – Um dos aspectos mais relevantes de A Ditadura da Toga é sua relação com a história recente do Brasil. 

Os romances ensaísticos dialogam com acontecimentos e debates políticos reconhecíveis, mas a literatura não deve ser julgada exclusivamente pela correspondência entre personagens ficcionais e pessoas reais, nem pela confirmação de cada interpretação política apresentada na narrativa. 

O romance possui uma liberdade própria: pode condensar acontecimentos, criar situações hipotéticas, explorar motivações e construir alegorias. Sua verdade não é necessariamente a verdade documental. Isso não significa que esteja dispensado de rigor, mas que seu rigor também se manifesta na coerência narrativa, na complexidade humana e na capacidade de iluminar contradições. 

A distinção torna-se especialmente importante quando a ficção aborda o Poder Judiciário. A crítica literária pode examinar a representação da autoridade judicial, as tensões entre os poderes e as preocupações com as liberdades civis sem transformar automaticamente as afirmações de um narrador em fatos comprovados. 

A expressão ditadura da toga, por exemplo, concentra uma interpretação política controversa. Sua força retórica decorre da oposição entre a imagem tradicional da Justiça como garantia de direitos e a hipótese de que a autoridade judicial possa ultrapassar os limites de sua legitimidade. A análise crítica deve investigar como a obra desenvolve essa tensão, quais argumentos mobiliza e que concepção de democracia pressupõe. 

Também é pertinente perguntar se a narrativa concede espaço à ambiguidade, se diferencia convicções de provas e se permite que o leitor examine as contradições das posições defendidas. Essas perguntas não enfraquecem a intenção crítica do escritor. Pelo contrário, ajudam a determinar a profundidade literária com que ela é realizada. 

Uma obra politicamente engajada não precisa ser neutra. Pode assumir posições, desafiar consensos e provocar desconforto. O que a distingue como literatura é a capacidade de converter essas posições em uma experiência estética que ultrapasse a mera repetição de argumentos. 

A trilogia, portanto, deve ser lida simultaneamente como intervenção intelectual e construção ficcional. Seu interesse está tanto nas teses que propõe quanto na maneira como organiza o conflito, representa a experiência humana e convida o leitor a refletir sobre os limites de suas próprias certezas. 

7. O poder e a natureza humana – Embora o título geral enfatize a dimensão institucional, a questão mais profunda de A Ditadura da Toga pode ser encontrada em um problema antigo: o que acontece com os seres humanos quando dispõem de poder suficiente para reduzir a resistência à sua vontade? 

A literatura oferece inúmeras respostas possíveis. O poder pode revelar ambições antes disfarçadas, estimular o medo de perder privilégios, produzir cumplicidades e modificar a relação entre os indivíduos e a verdade. Pode, igualmente, colocar pessoas diante de dilemas genuínos, nos quais decisões difíceis não se resolvem pela simples oposição entre heróis e vilões. 

Essa complexidade é fundamental para a interpretação da trilogia. Se o poder for representado apenas como uma propriedade de indivíduos perversos, o problema se torna limitado: bastaria substituir os ocupantes dos cargos para que a ordem fosse restaurada. Uma abordagem literária mais profunda investiga também os mecanismos que tornam possíveis a concentração de autoridade, a obediência, a autopreservação institucional e a naturalização de privilégios. 

A pergunta decisiva deixa de ser apenas quem exerce o poder e passa a ser quais condições permitem que ele se torne impermeável à crítica. 

A questão diz respeito ao Estado, mas não se limita a ele. Também envolve a psicologia social, a formação de convicções e a disposição dos cidadãos para questionar os próprios grupos de pertencimento. Em uma sociedade polarizada, é particularmente fácil reconhecer o abuso quando ele é atribuído aos adversários e relativizá-lo quando beneficia aqueles com quem nos identificamos. 

É nesse ponto que a literatura política pode alcançar uma dimensão universal. Ao representar conflitos específicos do Brasil, o romance também pode interrogar mecanismos humanos que se manifestam em diferentes países e épocas: a sedução da autoridade, o desejo de pertencimento, o medo da desordem e a tentação de transformar convicções em verdades absolutas. 

8. A arquitetura da trilogia: do poder à percepção – Os três títulos podem ser lidos como etapas de um mesmo movimento intelectual. 

I — O Clube dos Onipotentes 

O poder e sua concentração – O círculo fechado, as redes de influência e a pretensão de exercer autoridade sem limites constituem o primeiro eixo interpretativo. 

II — O Olho do Touro 

O confronto e a exposição pública – O poder entra na arena da disputa, na qual diferentes forças procuram impor suas narrativas e conquistar legitimidade. 

III — O Terceiro Olho 

A percepção e a consciência – A questão desloca-se para a interpretação da realidade, o exame das aparências e a possibilidade de enxergar além das narrativas dominantes. 

Essa progressão constitui uma leitura simbólica dos títulos, não uma descrição exaustiva do enredo de cada volume. Ainda assim, ela revela a unidade conceitual que aproxima os três romances. 

O primeiro título sugere a estrutura do poder; o segundo, seu campo de confronto; o terceiro, a consciência que procura compreender o que está em jogo. A sequência pode ser resumida como uma passagem da autoridade para o conflito e do conflito para a percepção. 

O resultado é uma arquitetura na qual a política não aparece somente como disputa entre instituições. Ela se transforma em problema de conhecimento: como saber o que realmente acontece quando os próprios agentes do conflito procuram controlar a interpretação dos acontecimentos? 

Essa pergunta confere à trilogia uma dimensão que ultrapassa a conjuntura política em que foi concebida. 

9. O lugar de Ray Cunha na tradição do romance político brasileiro – A tradição do romance político brasileiro é diversa e inclui obras que abordam o autoritarismo, a violência estatal, as elites, a desigualdade, a corrupção e os mecanismos de dominação. Dentro dessa tradição, A Ditadura da Toga se distingue, como projeto, pela centralidade dos conflitos institucionais contemporâneos e pela adoção explícita do romance ensaístico. 

A combinação entre ficção, interpretação política e reflexão filosófica permite aproximar a trilogia de uma literatura que não se contenta em narrar acontecimentos, mas procura compreender as forças que os produzem e as ideias que lhes dão sentido. 

Essa ambição não elimina a necessidade de avaliar cada romance em sua singularidade. A importância histórica de um tema não garante, por si só, a qualidade de sua elaboração estética. É preciso considerar a construção das personagens, a linguagem, o ritmo, a organização das cenas, a relação entre reflexão e ação e a capacidade de criar situações que permaneçam significativas para além do momento em que foram escritas. 

Também é necessário distinguir a relevância de uma intervenção política de sua recepção literária. Uma obra pode provocar intensos debates e, ainda assim, exigir avaliação independente quanto à sua realização formal. Do mesmo modo, uma narrativa que nasce de uma conjuntura específica pode sobreviver ao desaparecimento daquela conjuntura quando alcança questões universais. 

Para Ray Cunha, o desafio e a oportunidade residem justamente nessa passagem: transformar o Brasil imediato em matéria de literatura duradoura. 

A trilogia não precisa ser recebida como uma interpretação definitiva da política nacional para merecer atenção. Seu valor crítico pode estar na formulação de perguntas incômodas, na representação das disputas por legitimidade e na tentativa de compreender o modo como instituições e indivíduos participam da construção da realidade política. 

Conclusão — Quando a literatura interroga o poder – A Ditadura da Toga reúne três romances ensaísticos que podem ser interpretados como partes de um mesmo projeto: investigar o poder, dramatizar os conflitos em torno de sua legitimidade e questionar os mecanismos pelos quais a sociedade percebe e interpreta a realidade.

Em O Clube dos Onipotentes, o título evoca a concentração de influência e a tentação da autoridade sem limites. Em O Olho do Touro, a imagem sugere o confronto, a exposição e a disputa pelo significado dos acontecimentos. Em O Terceiro Olho, emerge a possibilidade de uma percepção que procura ultrapassar as aparências e interrogar as narrativas que organizam a vida coletiva. 

A unidade da trilogia não depende apenas de um tema político comum. Ela se encontra também na articulação entre narrativa e reflexão, entre a representação do Brasil contemporâneo e a tentativa de compreender as estruturas mentais e institucionais que condicionam a experiência política. 

O maior interesse desse projeto literário está na possibilidade de fazer da ficção um espaço de questionamento. A literatura não substitui a investigação jornalística, a análise histórica ou o exame jurídico, mas pode revelar contradições humanas que esses outros campos nem sempre conseguem representar com a mesma liberdade imaginativa. Pode mostrar como o poder é vivido, temido, desejado, contestado e justificado. 

A toga, nesse universo simbólico, representa mais do que uma vestimenta profissional. Torna-se o emblema de uma questão permanente: nenhuma autoridade humana deveria estar dispensada do exame de sua legitimidade, assim como nenhuma crítica ao poder deveria estar dispensada do exame de seus próprios argumentos. 

É nessa reciprocidade que a literatura política encontra sua maior exigência intelectual. Questionar as instituições não significa abandonar o rigor; defender a autoridade não significa torná-la imune à crítica; assumir uma posição não significa renunciar à complexidade. 

Ao construir A Ditadura da Toga, Ray Cunha insere-se no território de uma literatura que procura interpretar seu próprio tempo, aceitando o risco de enfrentar temas controversos e de participar de debates que ultrapassam as páginas dos livros. 

A trilogia pode, assim, ser lida como uma pergunta dirigida ao Brasil: quem vigia o poder, quem interpreta a realidade e quem tem coragem de questionar as certezas de todos os lados? 

Talvez seja essa a função mais duradoura do romance ensaístico: não entregar ao leitor uma consciência pronta, mas colocá-lo diante da responsabilidade de pensar. 

Porque o poder pode ocupar os palácios, os tribunais e os centros de decisão. A literatura, porém, conserva a capacidade de abrir, dentro da consciência humana, um espaço que nenhuma autoridade deveria reivindicar para si. 

E é nesse espaço — livre, inquieto e crítico — que a obra literária começa a ultrapassar a conjuntura e a disputar seu lugar na memória cultural de um país. 

Nota crítica: este ensaio se concentra na proposta estética, nos títulos e nos eixos temáticos conhecidos da trilogia. Uma análise textual definitiva de personagens, cenas, estilo e desenvolvimento dos enredos exigiria o exame integral dos três romances. As interpretações políticas aqui discutidas são apresentadas como possibilidades de leitura literária, não como conclusões jurídicas independentes. 

A trilogia A Ditadura da Toga pode ser adquirida, tanto em português quanto em inglês, bem como os demais romances, contos e poemas de Ray Cunha, na livraria virtual do: Clube de Autores – amazon.com.br – amazon.com

sábado, 17 de outubro de 2026

Vorcaro transformou a imprensa em puteiro

O CLUBE DOS ONIPOTENTES é o primeiro volume da trilogia A Ditadura
da Toga, seguido de O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO: raio X da corrupção lulopetista, com data de validade de 25 de outubro de 2026

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 17 DE OUTUBRO DE 2026 – Comecei a trabalhar no ofício de jornalista aos 21 anos de idade, em plena Ditadura dos Generais (1964-1985), 1975, como repórter policial no Jornal do Commercio de Manaus/AM. A corrupção, como sempre, estava à solta e observei que alguns jornalistas se assemelham a bandidos comuns, que cobram proteção. 

No caso da imprensa, repórteres, editores e pauteiros cobram para não achincalhar, publicar mentiras ou para elogiar mediocridades do colarinho branco; e diretores e donos da mídia cobram da mesma forma que os jornalistas, mas da cúpula dos três poderes. 

De 1975 até 1987 e de 1995 até 1997, trabalhei nos maiores jornais impressos da Amazônia, como repórter, redator e editor. As coisas sempre foram assim. Houve dois episódios que jamais esqueci. O Rio Gurupi divide o Pará do Maranhão, unidos por uma ponte na BR-316. Em 1981, a ponte não resistiu à força das águas no período das chuvas, interrompendo completamente o fluxo na rodovia. 

Assim que ocorreu o acidente, agentes federais levaram a imprensa ao local. Eu fui também, já não me lembro em que jornal trabalhava na época. Também estava presente o maior repórter de todos os tempos da Amazônia: Lúcio Flávio Pinto. O órgão federal que ciceroneou os jornalistas distribuiu um envelope com 50 reais para todo mundo, um cala-boca para que ninguém investigasse a fundo que tipo de construção era a ponte. Lúcio Flávio recusou. Procurou fazer isso da maneira mais discreta possível para não constranger seus colegas. Como eu estava perto dele, percebi o que estava acontecendo e segui seu exemplo. 

Noutra ocasião, eu trabalhava no Diário do Pará, antes de pertencer a Jader Barbalho. Não me lembro se isso aconteceu em 1986 ou 1987. Fui fazer uma matéria em um sindicato do qual a então presidente frequentava muito os jornais. Lembro-me vagamente que o assunto era desabonador para ela. Quando concluí a reportagem ela me cumprimentou e deixou algo na minha mão. Pus no bolso e abri o pequeno embrulho no jornal. Era grana. Imediatamente levei o dinheiro à chefia de reportagem, contei o que houve e pedi para devolverem o jabá, propina, na gíria jornalística. 

Em 1987, vim para Brasília e trabalhei em todos os grandes jornais impressos da capital, além de que fui proprietário de dois jornais, um mensário, que mantive por mais de um ano, e um semanário, no Entorno de Brasília. O mensário, um jornal literário, sustentei com dinheiro do meu bolso. Já o semanário era mantido com anúncios do comércio. O grosso da grana que entra na imprensa candanga é do Governo do Distrito Federal, da Câmara Legislativa e do Governo Federal, além de empresários que se aventuram na política. 

A partir de 2003, quando o Partido dos Trabalhadores (PT), liderado por Lula da Silva, chegou ao Palácio do Planalto, a corrupção na imprensa começou uma escalada inacreditável. Empresários e jornalistas da mídia televisionada, impressa e falada criaram estruturas de dar inveja aos mais sofisticados puteiros europeus e o jabá não era mais de milhares de reais, mas de milhões. 

Atualmente, a escala pulou para bilhões, e os chefões do crime organizado do colarinho branco criou até um bando, o Master. O banqueiro, Daniel Vorcaro, não teve dificuldade para corromper as mais altas autoridades do país, bem como jornalistas com fama de astros do rock, porque eles já estavam corrompidos e doidos para se corromper mais ainda. Aí, a folha de pagamento pulou para milhões de reais por mês. Há contratos de até 129 milhões de reais. 

De onde vem tanta grana? Da Burra, o Orçamento da União; roubado dos velhinhos aposentados do INSS; das estatais; do narcotráfico; da lavanderia de dinheiro do crime organizado; do Foro de São Paulo. 

Porém, Vorcaro armou uma armadilha para os colarinhos brancos que se sentem onipotentes: produziu várias festas com as mais altas autoridades brasileiras, algumas dessas festas, bacanais, e filmou tudo. Imagino que deve ter muito boquete e gordos rabos sendo trabalhados, em meio a declarações de amor. 

Para abastecer toda essa putaria, Vorcaro trouxe centenas de mulheres do Leste Europeu, geralmente pobres coitadas, provavelmente até menores, fugidas da guerra e pegas pelas máfias locais, principalmente a máfia russa. É a corrupção levada ao paroxismo, espojando-se na desgraça de pessoas sem a menor condição de se defender. 

A consequência disso é o Brasil tomado pelo crime, pela prostituição, a violência explodindo à luz do dia, roubo, miséria, carestia, Educação destroçada e famílias vivendo como zumbis nas ruas. 

A única chance de esse Brasil destroçado por Lula e PT voltar a respirar é eleger Flávio Bolsonaro, domingo 25. Líder da Direita, um rapaz bem-preparado, já declarou que, logo ao tomar posse, vai pôr as Forças Armadas para varrer as facções terroristas do Brasil, com ajuda do Escudo das Américas. 

E o dinheiro? Lula limpou a Burra, mas, da mesma forma que o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, quando foi presidente, não deixou ninguém roubar e o dinheiro reapareceu aos borbotões, é o que vai acontecer, agora. 

Ainda, a primeira medida que Flávio Bolsonaro tomará será libertar as centenas de presos políticos que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou a apodrecerem na prisão; alguns já morreram à mingua no cárcere. Moraes inventou um golpe de Estado e acusa esses presos de terem participado do tal golpe, e acusa Jair Bolsonaro de comandar o golpe criado por Moraes, embora Bolsonaro estivesse nos Estados Unidos. O ex-presidente, que foi esfaqueado quase até a morte por um militante da Esquerda, pegou 27 anos de cadeia, e está morre não morre na prisão.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Império à Deriva, a Independência do Brasil, a máfia petista e a ditadura da toga – 2003-2026

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 16 DE OUTUBRO DE 2026 – Império à Deriva – A corte portuguesa no Rio de Janeiro, 1808-1821 (Objetiva, Rio de Janeiro, 2004, 326 páginas), de Patrick Wilcken, é “Brilhante... Um modelo de narrativa histórica” – como disse The Guardian; “Leitura excelente e prazerosa” – disse The Times Literary Supplement. Só mesmo um inglês, inglês de Sydney, Austrália, brazilianist, é capaz de levantamento histórico tão sério, narrado com leveza quase de romance. 

Uma coisa é ler história do Brasil escrita por brasileiros; outra, escrita por ingleses. A escrita por brasileiros é, muitas vezes, pontuada por um tom quase de lamentação, como se pudéssemos voltar no tempo e, em vez de lusitanos, sermos colonizados por ingleses, como os Estados Unidos. E quando o historiador é marxista, então, deixa de ser história e passa a ser masturbação colonial. Já os historiadores ingleses ignoram as baboseiras de Carl Marx e, baseados em documentos e cartas, recriam, de forma convincente, o que realmente se passou, como se passou e como eram as pessoas envolvidas. É o caso de Patrick Wilcken. 

Império à Deriva foi fundamental para a minha compreensão do que se passou no Rio de Janeiro, de 1808 a 1821. A primeira coisa que percebi é algo que nunca encontrei em livro algum: se Dom João não fosse tão frouxo, ele poderia ter permanecido em Lisboa e ter enfrentado Napoleão Bonaparte. O corso jamais atacaria Lisboa por mar, pois a Inglaterra, que dominava os mares, estava só aguardando a marinha francesa. E o ataque por terra significava que o exército francês tinha que ultrapassar os Pireneus e as serras da Estrela e do Buçaco, de modo que quando chegava a Portugal encontrava-se faminto, esfarrapado e pela metade. 

Mas os ingleses, que protegiam os portugueses, tinham interesse na extraordinária colônia sul-americana dos lusitanos, um mercado gigantesco para tudo o quanto era produto da Inglaterra, e então convenceram Dom João e fugir para o Brasil e instalar seu reinado na colônia, no Rio de Janeiro. Dom João pensou durante dias e dias e acabou topando, e fez a mais inacreditável fuga de toda a história humana, deixando Portugal desnorteado, entregue à própria sorte. 

A chegada ao Rio de Janeiro é outra coisa inacreditável. Dez mil pessoas chegaram, de repente, a uma cidadezinha quase sem nada, como era o Rio de 1809. Não havia, ainda, Brasil, mas províncias, onde eram proibidos jornais e livros e o povo vivia para produzir açúcar, ouro e diamantes, que eram enviados para Portugal, e para pagar impostos. A mão de obra era escrava, 300 anos explorando africanos escravizados. Assim, Dom João teve que começar a construir o Brasil. 

Treze anos depois, outra viagem impossível, a volta, a jato, para Lisboa, pois se Dom João não retornasse, Portugal, hoje, não seria Portugal, mas, provavelmente, uma colônia da Inglaterra, ou parte da Espanha. De modo que, de uma hora para outra, o Brasil voltava a ser colônia. Contudo, os cariocas não aceitaram voltar à condição de colônia e pressionaram três pessoas a lideraram a nossa independência: Dom Pedro I, Maria Leopoldina e José Bonifácio de Andrada e Silva. Mas isso é outra história. 

Outra coisa que Patrick Wilcken esclarece é a dificuldade dos europeus com o Trópico e um Rio de Janeiro oitocentista, precário, fedorento, alagado, calorento, “um porto colonial de escravos”, como define o próprio Wilcken. Talvez o Trópico seja o fator mais importante da cultura brasileira quando comparada aos portugueses. 

No final do livro, Wilcken dispensa algumas páginas para Dom Pedro I. Debate-se, até hoje, o que determinou a unidade do Brasil, diferentemente do que aconteceu com a América Espanhola, dividida em vários países. Eu já havia notado que há um fator fundamental que garantiu a unidade brasileira: Dom Pedro I. Assim que fez a independência do Brasil, Dom Pedro sufocou várias tentativas regionais de independência, inclusive manifestações no Rio de Janeiro. Enfrentou a todas com a brutalidade dos seus antepassados e a todas sufocou. 

A saga de Dom Pedro I assemelha-se a de Flávio Bolsonaro (PL/RJ), no seu esforço de uma segunda independência do Brasil, agora, das mãos da máfia petista e a ditadura da toga. Com Dom Pedro I foi em um 7 de setembro; com Flávio Bolsonaro será agora, 25 de outubro. 

Desta vez, o Brasil não é explorado por uma potência colonialista, mas por uma máfia que vem roubando tudo, até a aposentadoria dos velhinhos do INSS, com inflação estratosférica, desemprego em massa e violência absurda nas ruas. Em muitas cidades do Brasil e bairros pessoas são surradas porque disseram que votarão em Flávio Bolsonaro, e as facções terroristas avisam: se Bolsonaro ganhar vamos voltar. 

Flávio Bolsonaro já avisou: vai ganhar e vai combater o crime organizado. As duas primeiras medidas será libertar centenas de presos políticos, que estão sendo torturados e estão morrendo nos porões, e indenizar suas famílias, e, juntamente com o Escudo das Américas, combater as quadrilhas terroristas e o crime organizado, principalmente dentro da cúpula dos três poderes, com a brutalidade de Dom Pedro I.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Daniel Vorcaro é investigado por possível envolvimento com traficantes de mulheres. Mas o banqueiro preso conta com escudeiros poderosíssimos. A esperança: Flávio Bolsonaro

Áudios vazados mostram que o banqueiro preso Daniel Vorcaro
se aproveitava de mulheres que fugiam da guerra e da miséria 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE OUTUBRO DE 2026 – O banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, garantia, nas suas big festas, a presença de centenas de mulheres lindas, brasileiras e estrangeiras, por meio de uma rede de agenciadores, promotores de eventos e agências de modelos. Mas surgiram indícios de que, na verdade, ele as conseguia por meio de máfias que agem no Leste Europeu, incluindo refugiadas da Ucrânia e Rússia, países em guerra e com migração em massa. A Polícia Federal está investigando o caso. Mas há um porém. O diretor-geral da PF, Andrey Rodrigues, foi um dos convivas de Vorcaro, com provas em vídeos. 

Vorcaro afirmou, em conversas privadas, que chegou a fazer “festa com 300 desse tipo”, como, por exemplo, uma festa de Halloween, em outubro de 2023, na boate Madame Satã, em São Paulo, com 120 mulheres para 20 homens, políticos e autoridades da cúpula dos três poderes. Metade das mulheres era de estrangeiras, russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Evento como esse também foram realizados em Londres, Paris, Roma e Dubai, sempre com as mais altas autoridades de colarinho branco. Tudo filmado com áudio. 

Daniel Vorcaro é acusado de pagar propina a colarinhos brancos em troca de facilidades com o dinheiro da Burra. A Operação Compliance Zero e o Supremo Tribunal Federal (STF) apontam repasses para várias autoridades, o mais notório deles, no valor total de 129 milhões de reais, para o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. 

Em março, os advogados Paulo Faria e Filipe de Oliveira, com base em reportagens sobre mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, solicitaram no Supremo investigação e afastamento de Moraes, mas sexta-feira 9 o presidente do STF, Edson Fachin, o mesmo que soltou Lula e deu carta branca para ele voltar à política, arquivou o pedido. 

Na mesma decisão, Fachin também negou um pedido para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), a pôr em pauta pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. 

As investigações sobre o Banco Master apontam para que a instituição tenha sido criada para captar dinheiro do Erário, lavar dinheiro e repassar propinas bilionárias para toda a organização que vem assaltando e massacrando o Brasil com garras de aço, desde 2003. 

Para a população agredida só resta uma saída: eleger presidente Flávio Bolsonaro neste 25 de outubro. Com Flávio presidente, o novo Congresso Nacional, de Direita, o Escudo das Américas e a liderança do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, o enxame comunista será varrido da América Latina, juntamente com a China e o Irã.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Lula da Silva seria a reencarnação de Raspútin, o mago negro que corrompeu o Império Russo?

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 12 DE OUTUBRO DE 2026 – Conheço várias pessoas que são lulopetistas roxos. Até aí, nada demais. Só que essas pessoas têm curso superior e, algumas, pós-graduação, mestrado e até doutorado, são jornalistas e escritores. Também elogiam Cuba e China e idolatram Fidel Castro, Che Guevara e Nicolás Maduro. Ainda, acreditam que os Estados Unidos querem invadir e dominar o Brasil. 

Nessas alturas do campeonato, com a avalanche de informações e documentos sobre a realidade da máfia comunista, facilmente acessados, bastando, para isso, que se saiba pesquisar, chega-se à conclusão que o endeusamento de Lula pode vir de um de três fatores, ou dois deles, ou todos. 

O primeiro fator é o de fazer parte da quadrilha, caso de Caetano Veloso, por exemplo, um dos mais criativos compositores brasileiros, militante de carteirinha de Lula. Caetano, como muito outros artistas, já mamaram milhões da Burra, via Lei Rouanet. 

Outro mamador é chico Buarque, autor de um dos mais belos poemas da língua portuguesa e que ele mesmo musicou: Construção, em versos alexandrinos, 12 sílabas poéticas cada verso, com cesura na sexta sílaba, e cada verso terminando com uma palavra proparoxítona, imprimindo ao poema um ritmo belíssimo, que Chico associou à cadência da Bossa Nova, lembrando o movimento mecânico do trabalho operário na construção civil, tudo isso levado ao acme com o arranjo com cordas e metais de Rogério Duprat. O resultado é uma tensão dramática que poucos artistas atingiram nas suas composições. 

Além disso, Chico é também escritor, honrado com a maior láurea em língua portuguesa, o Prêmio Camões, em 2019, concedido ao conjunto da obra; e quatro vezes o Prêmio Jabuti: Melhor Romance, em 1992, com o romance Estorvo, Livro do Ano, em 2004, com o romance Budapeste, Livro do Ano, em 2010, com o romance Leite Derramado, e Romance, em 2017, com O Irmão Alemão. Também levou o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2017, pela sua obra. 

Outro modo de se associar a Lula é filiar-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou se tornar assessor direto do molusco, ou simplesmente realizar serviços relevantes para ele, como fazem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os presidente do Senado e da Câmara, pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com bilhões de reais e bacanais. Os fundos do Banco Master são oriundos da Burra e de lavagem de dinheiro, provavelmente do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho). 

O segundo fator é a estupidez. Décadas de lavagem cerebral afirmando que o comunismo é o paraíso; contrainformação com mentiras sobre a Direita; desqualificação da família, da religião, da cultura judaico-cristã, do setor educacional, da sociedade e de Deus; e a pregação de que o Estado é a solução para tudo. 

O terceiro fator nunca é abordado, porque somente algumas pessoas possuem as antenas necessárias para perceberem que a matéria é apenas uma parte muito pequena da existência, que só existe em três dimensões: altura, largura e profundidade, o espaço-tempo, como definiu o físico Albert Einstein. 

O escritor Jorge Bessa, que fala fluentemente russo – foi espião brasileiro em Moscou durante a Guerra Fria – e conhece história e literatura russas, escreveu um ensaio, Grigori Raspútin: As Forças Destrutivas do Mal, que aborda um aspecto interessante da vida: a existência do espírito. E esse espírito pode ser bom ou mau. 

Rapútin foi responsável pela queda da dinastia dos Romanovs, assassinados por Vladimir Lenin. Grosseiro, pervertido, bêbado, amoral, pernicioso, o anti-Cristo, gênio do mal, prostituiu a sociedade e os círculos políticos da Rússia e os Romanov. Lembra Lula da Silva? 

Li atentamente Grigori Raspútin: As Forças Destrutivas do Mal, pois fiz a revisão dos originais, e acabei incluindo Raspútin entre os personagens do primeiro volume da Trilogia da Toga, o romance ensaístico O Clube dos Onipotentes, no qual Raspútin é um mago negro, abatido por uma agente do MI6. Ficção. 

Magia negra, ou feitiço, é a aplicação de ações baseadas em crenças, rituais e cerimoniais que manipulem forças naturais ou sobrenaturais, voltados para o mal. Em O Partido: Projeto Criminoso de Poder (2016), o médium e escritor Robson Pinheiro, pelo espírito Ângelo Inácio, narra uma guerra invisível na Praça dos Três Poderes, um projeto obsessivo em escala nacional, arquitetado por inteligências sombrias e executado com requintes de manipulação e crueldade. Isso evoca o 8 de Janeiro de 2023. 

Em O Partido, magos negros, espectros e especialistas em hipnose coletiva aliciam líderes, seduzem multidões e contaminam instituições, a partir de Brasília, com o objetivo de impedir que o país cumpra seu papel espiritual no cenário mundial. Contudo, o mal é sempre combatido. Há sempre guardiões, agentes da justiça divina, que intervêm, restaurando a ordem e fortalecendo na luz. 

Em O Clube dos Onipotentes, Raspútin reencarna em uma besta que dissemina, atualmente, mentira e discórdia, que dá ordem para assassinatos, que saqueia o país, que defende o aborto, o PCC, o CV, o fim da família, a ditadura, o Irã, a morte de Deus. Não fica claro quem é esse espírito das trevas. O próprio Jorge Bessa me deu seu palpite, que seria Carlos Henrique Gouveia de Mello, o Daniel. Será? Tenho a impressão de que é alguém mais depravado ainda e que, até 25 de outubro, muita coisa ainda vai acontecer na Praça dos Três Poderes.

domingo, 11 de outubro de 2026

Petrobras anuncia Belém do Pará como base de apoio logístico da Margem Equatorial. Mas os amapaenses não ficarão só lambendo os dedos

Ponte sobre o Rio Oiapoque, ligando a cidade de Oiapoque,
no Amapá, à Caiena, capital da Guiana Francesa (Divulgação)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE OUTUBRO DE 2026 – A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou, sexta-feira 9, em Belém do Pará, que a Cidade das Mangueiras será a principal base de apoio logístico para as operações de exploração de petróleo da Margem Equatorial, na costa do Amapá. “Belém é uma base de apoio importante para qualquer trabalho que a gente venha fazer e que nós já estamos fazendo no Amapá” – declarou. 

E como ficam Macapá, a capital do Amapá, e Oiapoque, cidade mais próxima do Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa, no contexto da exploração da Margem Equatorial? 

Macapá, inevitavelmente, será outro polo de suporte logístico, hotelaria, suprimentos, serviços e formação de mão de obra para a Petrobras e empresas terceirizadas. Quanto à cidade de Oiapoque, já vive um boom imobiliário, hoteleiro e migratório. 

O governador eleito do Amapá, Dr. Furlan (PSD), ex-prefeito de Macapá, vem preparando uma equipe para a transição do Amapá antes e pós petróleo, visando qualificação de mão de obra local, fortalecimento de fornecedores regionais e uso responsável dos royalties, dinheiro que poderá ser utilizado em três obras fundamentais para o desenvolvimento do Estado: a conclusão da BR 156, a ponte sobre o Rio Jari e a estadualização e ampliação do Porto de Santana. 

Furlan também já está cuidando da modernização dos processos burocráticos para agilizar a preparação da infraestrutura física do Amapá para receber investimentos do setor petroleiro, além do alinhamento do desenvolvimento com a segurança jurídica e o cumprimento da legislação ambiental. 

A Margem Equatorial se estende por 2.200 quilômetros, da costa do Amapá até o Rio Grande do Norte, com potencial de 41 bilhões de barris de óleo e produção de 1,1 milhão de barris por dia, gerando centenas de milhares de empregos e bilhões de reais em royalties. 

Tudo isso vem junto com a melhor das notícias: após 23 anos de governo lulopetista e ditadura da toga, Lula da Silva e o PT deverão ser enterrados domingo 25, no segundo turno das eleições para Presidente. As pesquisas e o povo nas ruas berram que só restam 25% de jumentos no país e que o líder da Direita, Flávio Bolsonaro, será eleito, o que garantirá que a Margem Equatorial não será saqueada, pois, com Lula, até os aposentados do INSS foram assaltados. 

Além de uma limpeza das organizações narcoterroristas que Flávio Bolsonaro promoverá, com ajuda do Escudo das Américas, especialmente dos Estados Unidos, a primeira missão dele será libertar as centenas de presos políticos que apodrecem nas masmorras de Brasília, alguns dos quais não suportaram as torturas a que são submetidos e morreram. Outros, estão morrem não morrem, caso do Mito, como é conhecido o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

No Amapá, além da eleição em primeiro turno do Dr. Furlan para o governo, Randolfe Rodrigues (PT), um dos mais nefastos senadores do Estado, líder de Lula no Senado, não foi reeleito, o que enfraquece o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP/União Brasil), fiel escudeiro da ditadura da toga e que pretende se reeleger presidente do Senado. A família Alcolumbre ainda manda e desmanda no Amapá. 

No Pará, Dr. Daniel (Podemos) foi eleito governador em primeiro turno, desbancando a família Barbalho, virtualmente dona do Estado. O patriarca, Jader Barbalho, é quem dita as ordens no Pará, associado a Lula da Silva. 

Assim, a Margem Equatorial será a redenção econômica para um Brasil arrasado por duas décadas de ditadura petista. Os comunistas agem como enxames de gafanhotos: comem, roubam, tudo e não produzem nada.