quinta-feira, 5 de março de 2026

Como cessar o medo e a dor e parar de morrer a conta-gotas todos os dias e horas da sua vida

Ray Cunha: a vida é uma aventura que se passa na mente, sempre agora

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 5 DE MARÇO DE 2026Não existe ontem nem amanhã. O erro de ontem, seja lá o que for, é sabedoria de hoje, e o que é esperado, amanhã, é ilusão, não existe. Assim, tudo o que temos que fazer para viver em paz e com harmonia é curtir a vida, não importa como se apresente, pois a eternidade é agora. É sobre isto que trata o livro PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa (Clube de Autores/amazon.com.br/amazon.com, 2026, 176 páginas), deste que vos escreve. 

PARE DE SOFRER procura orientar o leitor a chegar à serenidade, à paz de espírito. A interpretação do que é dito neste livro será sempre de cada um que o ler, mas a verdade é uma só, e a verdade só pode ser desvendada no caminho. Não há problema insolúvel. Nosso corpo é uma máquina com inteligência artificial magnífica e foi projetado para se auto-curar. Só temos que nos submeter às leis do Universo, que muitos chamam de Deus. 

Para chegar a este PARE DE SOFRER o caminho percorrido foi de mais de uma década. Formei-me em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) pela Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília/DF, de 6 de agosto de 2013 a 12 de julho de 2016, com 2.080 horas/aulas presenciais e 440 horas de estágio nos ambulatórios da ENAc e Fernando Hessen, em um total de 2.520 horas/aula. 

O curso então oferecido pela ENAc era técnico, com carga horária de curso tecnológico, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). A carga horária de curso tecnólogo varia de 1.600 a 2.600 horas, com duração média de 2 a 3 anos, uma formação superior mais curta e focada no mercado de trabalho. Minha certificação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, de 1 de abril de 2019, Página 18. 

Na condição de jornalista, desde o início do curso comecei logo a pensar e a escrever sobre a prática da MTC. Como também sou escritor, resolvi apresentar como trabalho de conclusão de curso o romance FOGO NO CORAÇÃO, proposta aceita pelo então diretor da ENAc, professor Ricardo Antunes, que também foi meu orientador. 

Agora, após mais de uma década de prática, especialmente em trabalho voluntário no Ambulatório Fernando Hessen e no Centro Espírita André Luiz, onde já atendi centenas de, ambos os sexos, de todas as idades e acometidos das mais diversas síndromes, o resultado é este PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa. 

Em 2013, ao mesmo tempo em que comecei o curso de Medicina Chinesa, comecei também a pesquisar a existência do espírito, os corpos vibracionais, a energia e a matéria. Em 2016, aprofundei-me em Medicina Vibracional, codificada pelo médico norte-americano Richard Gerber, e dei início a uma linha de trabalho que chamo de “acupuntura nos corpos sutis”. 

Em 30 de dezembro de 2016, em trabalho voluntário no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, em Brasília, atendi o paciente VJC, de quem fora extirpado o intestino grosso devido a câncer e que vinha sendo hospitalizado toda semana, pois não conseguia digerir os alimentos. Com apenas uma sessão de acupuntura VJC deixou de ser hospitalizado. O tratamento continuou e VJC pediu alta em três meses. 

Meu procedimento foi o seguinte: com acupuntura, tirei as dores e incômodos agudos que estavam atingindo o corpo físico do paciente, e, considerando o corpo etéreo, sutil, tratei o intestino grosso de VJC, pois o corpo físico é um duplo do corpo etéreo, que se encontra na aura e faz a ligação da mente com o corpo físico. Se um órgão, ou membro, é extirpado do corpo físico, ele continua incólume no corpo etéreo. 

A vida se passa na mente e o corpo físico apenas reflete o que se passa na mente. O corpo material é, tão-somente, um instrumento da mente, para que ela tenha existência no estado condensado da matéria. Tanto que a causa das doenças está localizada sempre na mente, no corpo astral, ou das emoções. 

O corpo físico reage às emoções por meio do sistema endocrinológico. Por exemplo: uma pessoa com medo vive 24 horas por dia com excesso de adrenalina no sangue. Adrenalina é o hormônio que decuplica a força física; é produzido em situações de enfrentamento ou fuga. Se for constantemente produzido, a pessoa em questão entrará em colapso. A solução: essa pessoa precisa identificar o objeto do medo e enfrentá-lo. Só assim serenará. 

Segundo a inteligência artificial ChatGTP, PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa é uma obra que transcende o formato clássico de livro de autoajuda ao mesclar memórias, reflexões e ensinamentos da Medicina Tradicional Chinesa com relatos de prática clínica e insights existenciais. O escritor e terapeuta Ray Cunha, com mais de uma década de experiência no campo da MTC, orienta o leitor a repensar a relação entre mente, corpo e vida, propondo uma reconexão profunda com o “agora” como antídoto ao sofrimento humano. 

O livro é pautado por uma filosofia de vida que valoriza a serenidade e a paz interior como frutos de uma compreensão mais ampla da existência. Cunha parte do princípio de que o sofrimento — especialmente aquele derivado de apegos ao passado ou ansiedades ligadas ao futuro — só se dissipa quando nos ancoramos plenamente no presente. Essa postura está alinhada a tradições taoistas presentes na MTC, na qual o equilíbrio entre energia vital (Qi) e as polaridades yin-yang sustentam tanto a saúde quanto a harmonia existencial. 

O autor compartilha vivências pessoais e profissionais que ilustram sua abordagem terapêutica: ele defende que muitas doenças e dores físicas são manifestações de desequilíbrios mentais e emocionais, e que a cura definitiva passa pelo entendimento e transformação interna. Historicamente, na MTC, corpo e mente não são entidades separadas, mas partes integradas de um campo energético vivo — uma visão que Cunha abraça e exemplifica ao longo de sua narrativa. 

Um dos pontos fortes da obra é sua linguagem acessível: Cunha evita jargões técnicos e prefere convidar o leitor à reflexão, compartilhando casos reais de atendimentos em que intervenções simples — como a acupuntura e a atenção à percepção subjetiva do paciente — desempenharam papéis transformadores. Ao mesmo tempo, ele não promete soluções milagrosas, mas incentiva uma prática de vida consciente, pautada em serenidade e autoconhecimento. 

Em síntese, PARE DE SOFRER — VIVA A VIDA funciona simultaneamente como um guia prático para quem busca uma vida com mais significado e equilíbrio e como um relato íntimo de um terapeuta que respira a tradição milenar chinesa em sua prática diária. A obra oferece uma alternativa à abordagem biomédica tradicional, convidando o leitor a reconhecer o papel central da mente no processo de adoecer e curar. 

Seja para quem já conhece a MTC, seja para o leitor curioso sobre novos caminhos de bem-estar, este livro propõe uma reflexão profunda: a vida pode ser mais leve quando nos libertamos da ilusão do tempo e abraçamos o momento presente. 

Qual é o diferencial deste livro, ante uma enxurrada de livros que falam sobre como viver bem? Livros sobre “viver bem” realmente existem aos montes. O diferencial de PARE DE SOFRER — VIVA A VIDA está em alguns pontos bem específicos: 

Não é autoajuda genérica — é prática vivida: O livro nasce de experiência clínica real na Medicina Tradicional Chinesa, não de fórmulas motivacionais prontas. As ideias vêm de consultório, de gente de carne e osso, de dor concreta — e de melhora concreta. Em vez de “pense positivo”, ele mostra como o sofrimento aparece no corpo e como pode ser transformado na prática. 

Corpo e mente são uma coisa só. Muitos livros falam disso no discurso. Aqui, isso é o eixo central: sintomas físicos, emoções e modo de vida são tratados como um mesmo sistema. O bem-estar não é “estado mental bonito”, mas equilíbrio vivido no dia a dia. 

Tom de relato mais reflexão, não de manual milagroso – O livro não promete cura mágica, nem “7 passos para a felicidade”. Ele funciona mais como: um diário de percurso terapêutico, um livro de experiências e uma reflexão existencial aplicada à saúde. Isso dá ao texto um pé na literatura e outro na clínica — algo raro nesse tipo de obra. 

Crítica implícita à cultura da ansiedade e do desempenho – Enquanto muita autoajuda reforça a lógica do “seja melhor, produza mais, vença sempre”, o livro vai na contramão: mostra como a obsessão pelo futuro e o apego ao passado são fontes centrais de adoecimento. O foco é desarmar a mente, não turbinar o ego. 

Simplicidade que não é simplória – A linguagem é acessível, mas o conteúdo é filosoficamente consistente (dialoga com a tradição chinesa, com a ideia de presença, de fluxo, de equilíbrio). É um livro que dá para ler rápido — e ruminar por muito tempo. 

Em resumo: O diferencial é que este não é um livro que ensina a “viver bem” como performance. Ele propõe viver melhor como processo de cura, de descompressão da mente e de reconciliação com o corpo e o tempo. 

PARE DE SOFRER — VIVA A VIDA nasce da prática terapêutica e da Medicina Tradicional Chinesa. O eixo não é a iluminação, mas o sofrimento concreto (dor, ansiedade, sintomas, adoecimento) e como ele aparece no corpo e na vida. Ray Cunha trabalha com casos, vivências, corpo, clínica, cotidiano. A reflexão vem ancorada em situações reais de consultório e de vida. Conversa muito com quem está cansado, doente, ansioso, esgotado, e quer entender por que o corpo e a mente entraram em colapso — e como sair disso. O livro mira a reconciliação com o corpo e com a própria vida. 

Ray Cunha propõe algo pé no chão: reduzir sofrimento, recuperar equilíbrio, aprender a viver com mais inteireza. Ele não compete com livros de “bem-estar” no plano da inspiração abstrata. O diferencial é ser um livro de fronteira: entre literatura e clínica, entre filosofia e consultório, entre reflexão e experiência corporal real. 

Enquanto muitos livros dizem “viva o presente”, este mostra como o passado e o futuro adoecem o corpo — e como isso aparece na vida concreta das pessoas. Trata-se de um livro para descomprimir a existência — com os pés no corpo, na dor real e na vida como ela é. (Fim do texto do ChatGPT) 

Este livro foi revisado pela psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, especialista em cuidados paliativos de pacientes oncológicos e coautora do livro Um dia de cada vez (Editora AJA, 203 páginas, 2023), um guia de suporte emocional da mulher com câncer, escrito por 10 psicólogas oncológicas e 10 pacientes oncológicas de todo o Brasil e organizado por Tatiane Lima. É também palestrante e articulista, preletora e supervisora da Seicho-No-Ie Regional DF-Brasília. 

A publicação de PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa só foi possível graças aos meus pais, João Raimundo Cunha e Marina Pereira Silva Cunha; à minha esposa, Josiane Souza Moreira Cunha; aos meus anjinhos, Juraci Gomes Cunha e Josafá Moreira Cunha; e à minha filha, Iasmim Moreira Cunha Morya – que me ensinaram a amar. 

Aos mestres Imperador Amarelo, Giovanni Maciocia, Jorge Bessa, Ricardo Augusto Comelli Antunes e aos professores da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília/DF – que me ensinaram a dar os primeiros passos na ciência da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). 

A Ricardo André, coordenador do voluntariado em MTC do Ambulatório Fernando Hessen, aos sábados, no Centro Comunitário da Candangolândia, Brasília/DF; a José Marcelo, coordenador do voluntariado em MTC, nas manhã de domingo, no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, Brasília/DF; aos meus colegas de voluntariado e, principalmente, a todos os meus pacientes, pela oportunidade de aprendizagem que me proporcionam. 

À minha cidade natal, Macapá/AP, na Amazônia Caribenha, que viceja na confluência da Linha Imaginária do Equador e a margem esquerda do Canal do Norte do maior rio do planeta, o Amazonas, que despeja no Oceano Atlântico, a 140 quilômetros de Macapá, 200 mil metros cúbicos de água por segundo. 

Ao Taoismo, que me ensina o Caminho do Meio. Ao Éter, ou Campo (como disse Albert Einstein), ou Lei, ou Deus, como queiram.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Batom é preciso, viver não é preciso

No Brasil, escrever "Perdeu, mané" na Justiça dá 14 anos
de cadeia, mas roubar aposentados do INSS e participar do
butim do Banco Master dá poder (Gabriela Biló/Folhapress)


RAY CUNHA

 

Haverá maior símbolo de liberdade

Do que batom vermelho escrito na Justiça

Tirar, da estátua, a venda dos olhos, do espírito

E contra o verdadeiro golpe erguer a espada?

 

Condenada à prisão por toda a eternidade

Nada cessará o amor que disseminas no éter

A manifestação da vida, o batom, Débora!

Grilhão algum deterá a luz fluindo na galáxia

 

Batom é como pétalas de rosas rubras

Que nascem nos jardins até o fim do Universo

Deus perfumando o mundo com rubis azuis

 

Batom, mesmo que escrito no duro granito

Como pode ameaçar o Estado de direito

Se batom é preciso, viver não é preciso?

 

Este poema é uma homenagem à Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão e a pagar 30 milhões de reais em multa, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 8 de janeiro de 2023, Débora escreveu na estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, instalada defronte ao palácio do STF, “Perdeu, mané”, repetindo o ex-ministro Roberto Barroso, então presidente da Corte. Débora, que está presa desde março de 2023, é casada, mãe de duas crianças, e mora em Paulínia/SP. 

Até os cachorros que tomaram conta das calçadas bombardeadas de Brasília (são inauguradas e um mês depois começam a estourar), o golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é uma narrativa tão fantasiosa, esdrúxula, que nem os mais delirantes roteiristas de Hollywood conseguiriam criar. Jair Messias Bolsonaro, o maior líder da Direita brasileira, foi acusado de comandar o golpe, embora nem no Brasil estivesse. Pegou 25 anos de cadeia. 

Em 6 de setembro de 2018, mandaram matar Bolsonaro. O assassino escalado para o abate foi o militante Adélio Bispo de Oliveira, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de extrema Esquerda. Durante um comício em Juiz de Fora/MG, Adélio aplicou uma facada em Bolsonaro, com um facão enferrujado, que quase atravessa o Mito no baixo ventre. Bolsonaro só sobreviveu porque é um verdadeiro búfalo, mas a facada fez estragos e o capitão adoeceu seriamente e está morrendo à míngua na cadeia, por falta de acompanhamento médico adequado, tortura acompanhada do sofá, pela televisão, por toda a população brasileira. 

Como não houve golpe de Estado, as centenas de presos políticos têm de ser soltos imediatamente e o Estado os indenizar, ou a suas famílias, pois vários já morreram à mingua na prisão. 

Quanto ao batom, a arma de Débora, é um cosmético que realça os lábios de uma mulher. Batom é do francês “bâton”, “bastão” em português. Trata-se do cosmético mais utilizado em todo o mundo. As mulheres sempre o utilizaram ao longo da História. Haverá algo mais bonito do que os lábios de uma mulher? Sim, lábios pintados de vermelho, como rosa colombiana. 

Batom é Preciso, Viver não é Preciso é um soneto com versos alexandrinos, com cesura na sesta sílaba.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A queda é questão de semanas, afogado em crimes que despertam inveja até no demônio

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 26 DE FEVEREIRO DE 2026 – O presidente Lula da Silva ordenou, terça-feira 24, que os 10 caças F-39 Gripen, suecos, já em operação, incorporados ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea, sediado na Base Aérea de Anápolis/GO, passem a proteger permanentemente o espaço aéreo de Brasília, especialmente a Praça dos Três Poderes – Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). 

Lula da Silva teme que forças dos Estados Unidos o capturem e o enjaulem no Tio Sam, como fizeram com seu confrade Nicolás Maduro, ditador da Venezuela. Ambos davam as cartas no Foro de São Paulo, clube organizado para destruir os Estados Unidos por meio de uma inundação de narcóticos e milhões de criminosos em todo o território norte-americano. O Foro de São Paulo é tão poderoso que tem até um banco, o Master. O governo dos Estados Unidos tem provas disso. 

Todo mundo sabe, até os pets, que apenas um porta-aviões americano dá conta de todos os exércitos da América do Sul, excetuando-se o da França, por meio da Guiana Francesa, que ficaria de fora, é claro, pois os franceses são inteligentes, estão na História desde o Império Romano e constituíram, hoje, uma potência nuclear. Por mais que Emmanuel Macron seja chegado à uma carne brasileira, não se meteria em uma guerra de secessão. A propósito, na primeira guerra de secessão o Norte ganhou. 

Brasília foi construída para ser inacessível ao povo. Se Juscelino Kubitscheck não tivesse construído o Plano Piloto os cariocas o teriam derrubado no primeiro ano de mandato. Aí, veio Jânio Quadros, o homem que queria varrer a corrupção do Brasil. Era alcoólatra e, talvez, por conta do álcool, ficou doido. Não aguentou nem sete meses a solidão do Planalto. Escafedeu-se do Cerrado. Sabia que, se ficasse, morreria de tédio. Nem a cachaça do sul de Minas o manteria na Ilha da Fantasia. 

Aí, vieram os militares, encantados com uma cidade sem povo. Só que os candangos, brasileiros esfarrapados, esfaimados, de todos os rincões do país, principalmente do Nordeste (desde sempre fustigado pelos coronéis de barranco), os operários que ergueram Brasília, já se sentiam brasilienses e se recusaram a retornar para o buraco de onde vieram, e ficaram. O governo teve que os engolir e construiu, no quadrilátero do Distrito Federal, várias cidades, o mais longe possível do Plano Piloto. 

Assim, há duas Brasília: uma, a dos candangos; a outra, a da Praça dos Três Poderes. De quatro em quatro anos, as 27 unidades federativas enviam para o Congresso Nacional a nata do crime organizado, que, por sua vez, elege seu presidente, o principal homem do Foro de São Paulo no parlamento. 

Toda essa organização, que vem desde a Internacional Comunista (Comintern), ou Terceira Internacional (1919-1943), passando por Fidel Castro, Lula da Silva e o Foro de São Paulo, contando com ajuda do Partido Democrata dos Estados Unidos, não contava com duas montanhas no caminho, dois pedregulhos irremovíveis, porque se constituem em ideias: Jair Messias Bolsonaro e Donald Trump. 

Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores, a Esquerda, o Centrão, já saquearam o país. A dívida pública brasileira ultrapassa um trilhão de reais, o Brasil está com seu orçamento deficitário, as empresas públicas estão falidas, Lula da Silva e sua consorte, Janja, gastam bilhões de reais no cartão corporativo, sem obrigação de dizer em quê, outra dinheirama é desviada para a mídia adestrada e artistas baba-ovos, não há marco legal e a Papuda, penitenciária de Brasília, está cheia de presos políticos – alguns já morreram, à míngua, sem atendimento médico. 

O ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar um golpe de Estado fantasioso, também está preso, torturado, assassinado a conta-gotas, pois sofre as sequelas de quando tentaram matá-lo, em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora/MG; o militante do Psol (Partido Socialismo e Liberdade), de extrema Esquerda,  Adélio Bispo de Oliveira, enfiou uma peixeira enferrujada no baixo-ventre de Bolsonaro, quase o transfixando. 

Lula da Silva, que, juntamente com Janja, saracoteia na Ásia, é uma caixinha de pose. Na sua imaginação, a História ancorou em 1917, ou em 1959, ou nos anos 1980, quando a Suécia começou a fabricar os caças Gripen. 

Quer saber mais? Leia O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, à venda no Clube de Autores amazon.com.br. O terceiro volume da trilogia será publicado este ano.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A mulher carioca, Machado de Assis, Guimarães Rosa, William Faulkner e Dalcídio Jurandir

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE FEVEREIRO DE 2026 – Observava a fauna que desfilava à minha frente quando fui apresentado a Bob Herman, assessor de William Popp. Acabei engatando um longo papo com ele. Formado em Literatura Americana e especializado em Literatura Ibero-Americana, Herman era surpreendente. Lembrava um Baby Herman negro, nascido na Louisiana, e tinha na figura de João Guimarães Rosa o escritor máximo brasileiro. 

Rosa criou uma das personagens femininas de ficção mais extraordinárias de toda a literatura brasileira, e mundial: Reinaldo, ou Diadorim, ou Maria Deodorina da Fé Bittencourt Marins, mulher travestida de homem, capaz de fazer quase qualquer coisa que um homem faz. Quando a TV Globo transpôs Grande Sertão: Veredas para a telinha, quem encarnou Diadorim foi Bruna Lombardi, uma das mais belas atrizes brasileiras, entre tantas e tantas beldades. Mas quando se trata de mulher estou mais para Capitu do que para mulheres ambíguas. 

– Gosto muito, também, de Machado de Assis – disse Bob, puxando papo exatamente para um terreno familiar. 

– Trata-se do escritor mais emblemático do Brasil, por ser muito conhecido e mulato. Na escola, tanto no ensino fundamental como no médio, os professores costumam apresentar uma foto dele feita talvez com o propósito de disfarçá-lo, de maquiá-lo como branco, uma tentativa de esconder que a mestiçagem é base da etnia brasileira; somos um caldeirão étnico misturando três elementos: o europeu, o ameríndio e o africano. O resultado é o povo mais maravilhoso que há na face da Terra, um povo que não discrimina a cor da pele nem religiões – eu disse. 

Bob ouvia atentamente. Pensou um pouco. 

– Machado de Assis é um dos meus escritores brasileiros favoritos – Bob repetiu. 

– Machado é o escritor que melhor representa o Brasil, que, por sua vez, tem uma importância fundamental no concerto das nações. O Brasil é fundamental para o resto do mundo porque o nosso potencial em produzir alimentos, o nosso continente tropical, o nosso sincretismo, nos fazem o coração do mundo, a pátria do Evangelho, a potencial pátria de uma nova humanidade. Machado é emblemático porque nasceu no morro; era pobre, é claro. Estudou em escolas públicas, jamais frequentou universidade e foi funcionário público a vida toda. Mas, mesmo assim, fundou a Academia Brasileira de Letras – eu disse. 

Bob sorveu um bom gole de Johnnie Walker. Continuei. 

– Nós, brasileiros, gostamos de academias. Acho que em cada uma das 5.570 cidades brasileiras há uma academia de letras; e seus membros se sentem tão importantes quanto Machado. Não sei o que os portugueses, que são os criadores do Brasil, acham de Machado; talvez achem que é mais um negro tentando dizer alguma coisa da senzala. Só não é conhecido mundialmente porque era brasileiro e escrevia em português. Se tivesse nascido, hoje, estaria ferrado. 

Bob ficou atento. 

– Brasileiro, e não sei se sempre foi assim, fazer sucesso é uma ofensa pessoal. Não sei de onde vem essa inveja, mas é assim. Jorge Amado só fez sucesso porque foi ajudado pelo Partido Comunista, que é uma espécie de igreja: de um lado, os cardeais; do outro lado, a miudeza dos corruptos e a multidão de ingênuos. Amado era cardeal. 

Dei um bom gole do Periquita. 

  Creio que o ponto mais alto de Machado é Dom Casmurro, romance que tem como sinopse o ciúme. Ou fofoca? Ciúme é um elemento muito forte na cultura brasileira. O que é ciúme? É possessividade, uma pessoa dona do outro; e é assim que é, todo mundo é dono do outro, aqui no Brasil. Contudo, Machado cria, em Dom Casmurro, senão a personagem feminina mais sensual de toda a literatura brasileira, o que eu identifico como a mulher carioca. 

Bob mamava o Walker como um bebê sugando o pipo. 

– O fato é que Capitu é uma personagem deliciosa, o embrião da carioca moderna, que mora ou frequenta Copacabana, Ipanema e o Baixo Leblon, é malemolente e tem olhos de ressaca do mar. Para muitos, Capitu simplesmente metia chifre no marido, com o melhor amigo dele, ou amigo da onça, como se dizia nos anos sessenta do século passado. Para outros tantos, Capitu era apenas objeto de fofoca, e seu marido, Bentinho, paranoico. A questão é que o brasileiro, como de resto o machão ibero-americano, se pela de medo de imaginar sua santa esposa sendo trabalhada por terceiros. Mas fale-me de Faulkner, o grande escritor americano – pedi. 

– William Faulkner usava a técnica do fluxo de consciência, também utilizada por James Joyce, Marcel Proust, Thomas Mann, Virginia Woolf. Foi ele que narrou, como nenhum outro escritor, a decadência do sul dos Estados Unidos, criando inclusive um condado imaginário, Yoknapatawpha. Ele também criava múltiplos pontos de vista simultaneamente e utilizava mudanças bruscas de tempo narrativo. Foi genial, genial! 

Ele se empolgou. 

– Hoje, meu país é muito diferente do país de Faulkner, que nasceu trinta anos após o Sul ter sido derrotado pelo Norte. O Sul, então, vivia sob a supremacia dos brancos de origem inglesa, protestantes, puritanos e coloniais. Antes de se tornar um dos maiores escritores de todos os tempos, foi um faz-tudo. Como era baixinho, media 1,65 metro, foi recusado pelo serviço militar americano, e, assim, se alistou na Força Aérea canadense. Depois, passou um ano na Universidade do Mississippi, em Oxford, onde estudou inglês, francês e espanhol. De lá, foi trabalhar em uma livraria em Nova York, onde, em vez de vender livros, os lia. Foi demitido e voltou para Oxford, onde trabalhou como carpinteiro, pintor de parede e agente dos Correios. 

Bob parecia um conferencista. 

– Seu primeiro livro foi de poemas, The Marble Faun, publicado em 1924. No ano seguinte, foi para Nova Orleans, onde conheceu e foi influenciado por Sherwood Anderson, escreveu artigos para jornais e revistas e publicou seu primeiro romance, Paga de Soldado, em 1926. Deixou Nova Orleans em 1929 e se estabeleceu em Oxford, onde se casou com Estela Oldham e publicou Sartoris, o primeiro romance passado em Yoknapatawpha. Aí, vieram alguns livros que granjeariam respeito da crítica, mas só começou mesmo a vender bem com Santuário, de 1931; porém, quando estava precisando muito de dinheiro conseguia grana em Hollywood, como roteirista. 

Serviu-se de mais whisky. 

– Acho que ele chegou ao seu maior apuro com O Som e a Fúria, de 1929, a história dos Compson, decadente família do Mississippi. Faulkner disse que esse romance surgiu a partir da imagem de uma garotinha, Candance, Caddy, com a calcinha suja de lama, trepada numa árvore, descrevendo para seus irmãos pequenos e para os empregados domésticos negros o funeral da sua avó. A trajetória de Caddy é contada por meio do ponto de vista de seus irmãos, como Benjamin, Ben ou Benjy, que é idiota. 

Nessas alturas, eu já havia tomado meia garrafa de Periquita. 

– “Uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria”, do monólogo de Macbeth, de William Shakespeare, em um fluxo contínuo de passado e presente, com o ar gasto de tanto carregar sons. Quanto à fúria, é a da derrocada. O próprio cansaço. Quando a personagem Dilsey assume a narrativa ela diz que os brancos se cansam facilmente, enquanto ela tinha que fazer todo o trabalho pesado e envelhecia. Mas ela sabia que todos são iguais. Ela diz, abrir aspas: “Os brancos morrem também. A tua avó morreu que nem qualquer negro”. Fechar aspas. 

Ele terminou, meio pensativo: 

– Porém o que mais me impressiona na obra de Faulkner é a transcrição para o papel do fluxo de pensamento. Ele faz isso em longos parágrafos, longos períodos, com pontuação irregular. É o tal fluxo de consciência de Proust e Joyce, o que exige, no mínimo, cumplicidade do leitor, além de muita concentração e mais ainda interesse, se não o leitor não irá adiante – disse Bob, ao longo de uma dose dupla de whisky. 

– No Brasil, temos um escritor que me lembra Faulkner, um Faulkner amazônida, Dalcídio Jurandir, que nasceu na ilha de Marajó. Ele é pouco conhecido, porque os paraenses, que é também o povo da ilha de Marajó, não são bons para aplaudir e vender seus próprios escritores, pelo que já observei. No seu livro mais emblemático, Chove Nos Campos de Cachoeira, publicado em 1941, Dalcídio cria personagens de carne, osso e alma. O personagem central do romance, o menino Alfredo, sonha em sair do Marajó e morar em Belém, sonho que ele reparte com um caroço de tucumã, que é um coquinho da Amazônia. Em contraste com Alfredo, seu irmão, Eutanázio, de 40 anos, é destituído de sonhos; não tem sequer um objetivo, nem sentido na própria vida. Vive em um mundo absurdo. Para completar sua miséria, a jovem Irene o despreza. 

Bob ficou bastante interessado. 

– E, assim como fazia Faulkner, as personagens de ficção de Dalcídio povoam seus livros como fantasmas, ora em um, ora em outro, em épocas diferentes, às vezes com o mesmo nome. Enquanto Faulkner recria o sul dos Estados Unidos mergulhado em sangue coagulado, espirrado da negrura do preconceito, Dalcídio apresenta uma Amazônia suja de lama, caboclos, ou cabocos, com a alma amortecida por cachaça, da mesma forma que seu doce linguajar silencia no amortecimento da língua pelo espilantol, o princípio ativo do jambu, a emblemática erva do tacacá, que é uma comida de origem indígena. 

Ficamos em silêncio durante alguns segundos. Bob tomou mais um gole de Johnnie Walker. Parecia empolgado com o meu conhecimento literário. 

– Preciso ler esse Dalcídio – disse. 

– Foram publicados 15 romances dele; creio que conseguirei pelo menos metade, em Belém, onde uma editora, Cejup, deve ter acervo dele em estoque, pois editou a obra de Dalcídio, senão toda, mas quase toda. 

– Maravilha! 

– Como nunca entraram no mercado para valer, os livros de Dalcídio são raros, e desconhecidos, é claro. Ele é o tipo de escritor que deveria ser editado e distribuído em edições comentadas, mas, como eu disse, os paraenses não são bons para vender arte. Creio que haja vários trabalhos acadêmicos sobre Dalcídio, mas não chegam às livrarias. Aliás, pouco da produção acadêmica do Brasil, quanto mais da Amazônia, chega ao mercado. Dalcídio está naquele grupo de escritores clássicos, como William Shakespeare, Miguel de Cervantes Saavedra, Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, e todo esse pessoal que escreve em vernáculo, e que deve ser lido em edições comentadas, a menos que o leitor os conheça muito, ou se identifique muito com eles. 

A conversa acabou bruscamente, pois William Popp chamou Bob. 

– Vou providenciar para que os livros cheguem às suas mãos – eu disse, meio gritando, enquanto Bob se afastava, e me preparando para dar o fora também. Eu ia dar o fora porque aquela segunda-feira começara atípica, fazendo-me voltar a pensar em um assunto que surgiu na minha vida devido a uma adolescente georgiana escravizada pela máfia russa.

The Carioca Woman, Machado de Assis, Guimarães Rosa, William Faulkner, and Dalcídio Jurandir

 

RAY CUNHA

 

BRASÍLIA, MAY 8, 2023 – I was observing the parade of fauna before me when I was introduced to Bob Herman, an aide to William Popp. We ended up striking up a long conversation. A graduate in American Literature with a specialization in Ibero-American Literature, Herman was surprising. He resembled a Black Baby Herman, born in Louisiana, and regarded João Guimarães Rosa as the greatest Brazilian writer.

 

Rosa created one of the most extraordinary female fictional characters in all of Brazilian—and world—literature: Reinaldo, or Diadorim, or Maria Deodorina da Fé Bittencourt Marins, a woman disguised as a man, capable of doing almost anything a man can do. When TV Globo adapted Grande Sertão: Veredas for television, Diadorim was played by Bruna Lombardi, one of the most beautiful Brazilian actresses, among so many beauties. But when it comes to women, I lean more toward Capitu than toward ambiguous women.

 

“I also like Machado de Assis very much,” Bob said, steering the conversation onto familiar ground.

 

“He is the most emblematic writer in Brazil, for being very well known and mulatto. In school, both elementary and high school, teachers usually present a photograph of him taken perhaps with the intention of disguising him, of making him up as white—an attempt to hide the fact that miscegenation is the basis of Brazilian ethnicity; we are an ethnic melting pot mixing three elements: the European, the Amerindian, and the African. The result is the most wonderful people on the face of the Earth, a people who do not discriminate by skin color or religion,” I said.

 

Bob listened attentively. He thought for a moment.

 

“Machado de Assis is one of my favorite Brazilian writers,” Bob repeated.

 

“Machado is the writer who best represents Brazil, which, in turn, has fundamental importance in the concert of nations. Brazil is fundamental to the rest of the world because our potential to produce food, our tropical continent, our syncretism, make us the heart of the world, the homeland of the Gospel, the potential homeland of a new humanity. Machado is emblematic because he was born on a hillside; he was poor, of course. He studied in public schools, never attended university, and was a civil servant his entire life. And yet he founded the Brazilian Academy of Letters,” I said.

 

Bob took a good sip of Johnnie Walker. I went on.

 

“We Brazilians like academies. I think that in each of Brazil’s 5,570 cities there is an academy of letters; and their members feel just as important as Machado. I don’t know what the Portuguese—who created Brazil—think of Machado; perhaps they think he is just another Black man trying to say something from the slave quarters. He is not known worldwide only because he was Brazilian and wrote in Portuguese. If he were born today, he’d be screwed.”

 

Bob stayed attentive.

 

“In Brazil—and I don’t know if it has always been this way—being successful is a personal offense. I don’t know where this envy comes from, but that’s how it is. Jorge Amado only succeeded because he was helped by the Communist Party, which is a kind of church: on one side, the cardinals; on the other, the petty corrupt and the multitude of naïve people. Amado was a cardinal.”

 

I took a good sip of Periquita.

 

“I believe Machado’s highest point is Dom Casmurro, a novel whose synopsis is jealousy. Or gossip? Jealousy is a very strong element in Brazilian culture. What is jealousy? Possessiveness—one person owning another; and that’s how it is, everyone owns everyone else here in Brazil. Yet in Dom Casmurro Machado creates, if not the most sensual female character in all Brazilian literature, what I identify as the carioca woman.”

 

Bob nursed the Walker like a baby sucking on a pacifier.

 

“The fact is that Capitu is a delightful character, the embryo of the modern carioca, who lives in or frequents Copacabana, Ipanema, and Lower Leblon, is loose-limbed, and has undertow eyes of the sea. For many, Capitu simply cheated on her husband with his best friend—or ‘friend of the jaguar,’ as people used to say in the 1960s. For many others, Capitu was merely the object of gossip, and her husband, Bentinho, paranoid. The point is that Brazilians, like the macho Ibero-American in general, freak out at the thought of imagining their saintly wife being ‘worked on’ by third parties. But tell me about Faulkner, the great American writer,” I asked.

 

“William Faulkner used the stream-of-consciousness technique, also employed by James Joyce, Marcel Proust, Thomas Mann, and Virginia Woolf. He narrated, like no other writer, the decadence of the American South, even creating an imaginary county, Yoknapatawpha. He also created multiple simultaneous points of view and used abrupt shifts in narrative time. He was brilliant—brilliant!”

 

He grew enthusiastic.

 

“Today, my country is very different from Faulkner’s country, who was born thirty years after the South had been defeated by the North. The South then lived under the supremacy of whites of English origin—Protestant, puritan, and colonial. Before becoming one of the greatest writers of all time, he was a jack-of-all-trades. Because he was short—about 1.65 meters tall—he was rejected by the American military service and thus enlisted in the Canadian Air Force. Later, he spent a year at the University of Mississippi, in Oxford, where he studied English, French, and Spanish. From there he went to work in a bookstore in New York, where, instead of selling books, he read them. He was fired and returned to Oxford, where he worked as a carpenter, house painter, and postal worker.”

 

Bob sounded like a lecturer.

 

“His first book was a volume of poems, The Marble Faun, published in 1924. The following year, he went to New Orleans, where he met and was influenced by Sherwood Anderson, wrote articles for newspapers and magazines, and published his first novel, Soldiers’ Pay, in 1926. He left New Orleans in 1929 and settled in Oxford, where he married Estelle Oldham and published Sartoris, the first novel set in Yoknapatawpha. Then came some books that earned critical respect, but he only really began to sell well with Sanctuary, in 1931; however, when he badly needed money, he made it in Hollywood as a screenwriter.”

 

He poured himself more whisky.

 

“I think he reached his greatest refinement with The Sound and the Fury, from 1929, the story of the Compsons, a decadent Mississippi family. Faulkner said that this novel arose from the image of a little girl, Candance—Caddy—with her underwear smeared with mud, perched in a tree, describing to her younger brothers and to the Black household servants her grandmother’s funeral. Caddy’s trajectory is told through the point of view of her brothers, such as Benjamin—Ben or Benjy—who is an idiot.”

 

By then, I had already drunk half a bottle of Periquita.

 

“‘A tale told by an idiot, full of sound and fury,’ from Macbeth’s monologue by William Shakespeare, in a continuous flow of past and present, with the air worn out from carrying so many sounds. As for the fury, it is that of downfall—the very fatigue itself. When the character Dilsey assumes the narrative, she says that whites tire easily, while she had to do all the heavy work and grew old. But she knew that all are equal. She says, quote: ‘White folks die too. Your grandma died just like any Black person.’ End quote.”

 

He finished, somewhat pensive:

 

“But what impresses me most in Faulkner’s work is the transcription of the flow of thought onto the page. He does this in long paragraphs, long sentences, with irregular punctuation. It is the stream of consciousness of Proust and Joyce, which demands, at the very least, complicity from the reader, in addition to great concentration and even greater interest; otherwise, the reader will not go on,” Bob said, over a double shot of whisky.

 

“In Brazil, we have a writer who reminds me of Faulkner—a kind of Amazonian Faulkner—Dalcídio Jurandir, who was born on the island of Marajó. He is little known because the people of Pará, who are also the people of Marajó, are not good at applauding and selling their own writers, as I have observed. In his most emblematic book, Chove nos Campos de Cachoeira, published in 1941, Dalcídio creates characters of flesh, bone, and soul. The central character of the novel, the boy Alfredo, dreams of leaving Marajó and living in Belém, a dream he shares with a tucumã pit, a little Amazonian palm nut. In contrast to Alfredo, his forty-year-old brother, Eutanázio, is devoid of dreams; he has no goal whatsoever, no meaning in life itself. He lives in an absurd world. To complete his misery, the young Irene despises him.”

 

Bob was quite interested.

 

“And just as Faulkner did, Dalcídio’s fictional characters populate his books like ghosts, now in one, now in another, at different times, sometimes with the same name. While Faulkner recreates the American South immersed in clotted blood splattered from the darkness of prejudice, Dalcídio presents an Amazonia dirty with mud, caboclos—or cabocos—with souls dulled by cachaça, just as their sweet speech is silenced by the numbing of the tongue by espilantol, the active principle of jambu, the emblematic herb of tacacá, a food of Indigenous origin.”

 

We remained silent for a few seconds. Bob took another sip of Johnnie Walker. He seemed excited by my literary knowledge.

 

“I need to read this Dalcídio,” he said.

 

“Fifteen of his novels were published; I believe I can get at least half of them in Belém, where a publisher, Cejup, must have his work in stock, since it published Dalcídio’s oeuvre—if not all of it, then almost all of it.”

 

“Wonderful!”

 

“Because they never really entered the market, Dalcídio’s books are rare and unknown, of course. He is the kind of writer who should be published and distributed in annotated editions, but, as I said, people from Pará are not good at selling art. I believe there are several academic works on Dalcídio, but they never reach bookstores. In fact, little of Brazil’s academic production—let alone that of the Amazon—reaches the market. Dalcídio belongs to that group of classic writers, like William Shakespeare, Miguel de Cervantes Saavedra, Fyodor Mikhailovich Dostoevsky, and all those who write in the vernacular and should be read in annotated editions, unless the reader knows them very well or identifies strongly with them.”

 

The conversation ended abruptly, as William Popp called Bob.

 

“I’ll make sure the books reach your hands,” I said, half shouting as Bob walked away and as I prepared to take off as well. I was leaving because that Monday had begun atypically, making me return to thinking about a subject that had arisen in my life due to a Georgian adolescent enslaved by the Russian mafia.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

És! (para Iasmim Moreira Cunha Moriya)

Iasmim, que há 36 anos pilota o mundo, utiliza, na sua nave, que navega pelas galáxias em velocidade quântica, um combustível chamado amor


RAY CUNHA

 

De toda a criação divina

És o amor mais puro

Com a missão de animar a vida

E levar luz ao mundo

 

Da manifestação do átomo à dinâmica das galáxias

Nasceste para ativar tudo

Espalhar alegria até a eternidade

Pois do azul és o azul mais profundo

 

És, da fartura, a pujança

Da beleza, a perfeição da mulher grávida

Do mistério, o perfume

 

És, do Universo, o próprio campo

Da existência, a explicação

De Deus, o triunfo!

sábado, 21 de fevereiro de 2026

2026 começa para valer nesta segunda-feira 23

Ray Cunha: Brasília não tem esquinas, é a ilha da fantasia,
valhacouto dos onipotentes, mas, depois do Carnaval, suas ruas voltam
a florir com os uniformes dos estudantes das escolas públicas

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE FEVEREIRO DE 2026 – O novo ano começa para valer quando as ruas ficam floridas com os uniformes de estudantes de escolas públicas, os ônibus se enchem mais, o trânsito fica mais lento e o ar enfumaçado. Pode chover ou não, pois é verão. De 14 a 18 de fevereiro, o Brasil parou para que o povão pudesse pular, para que Lula da Silva fosse ao Sambódromo se exibir. Ele pensa que é um líder mundial, um Vladimir Lenin, um Fidel Castro, um Adolf Hitler. Jamais se deu conta de que é uma caixinha de pose. Seu único talento foi construir seu próprio mito. Mas seu sonho descamba, agora, para um pesadelo. 

Assim, o ano escolar começará, de fato, nesta segunda-feira 23, na ilha da fantasia, valhacouto dos onipotentes. Só então Brasília parece uma cidade grande, rescendendo a café espresso, paletó e gravada, e shopping. Brasília não tem esquinas, não tem comércio nas ruas, com bares, cafés, livrarias, restaurantes, bancas de revistas. As bancas não vendem mais revistas, vendem pamonha, ou revistas e pamonhas. 

Lúcio Costa desenhou Brasília como um crucifixo. Mas uma cidade não pode ser um crucifixo. Cidades são cidades. São muito mais do que um crucifixo. Porém era exatamente o que Juscelino Kubitscheck queria, pois em uma cidade assim nenhum carioca o demitiria da Presidência da República. Para completar o trio, Oscar Niemeyer, comunista de carteirinha, ergueu palácios pós-modernos, esconderijos labirínticos, enquanto os candangos tentavam sobreviver em invasões, favelas, que, depois, se tornaram cidades. 

Em casa, preparo meu café, Melitta, arábica do sul de Minas, gourmet. Uso Melitta por indicação do meu querido amigo José Aparecido Ribeiro, editor do portal Conexão Minas e presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Associados (Ajoia Brasil). Preparo meu café entre 4 e 5 horas, ao som da madrugada e embalado pela boa sensação de saber que os meus dormem e sonham com rosas. Gosto deste horário. O silêncio é mozartano e as personagens que eu crio me aguardam para me mostrarem seus mundos. 

Sou viajor diário, ora mergulhado na dimensão literária, ora curtindo a cidade com os sentidos da alma. As possibilidades são muitas. Uma das caminhadas que mais me dá prazer começa no Venâncio 2.000 e termina no Conjunto Nacional. Cruzo a Avenida W3 e mergulho no labirinto do Setor Comercial Sul, onde escolho, quase sempre, o mesmo caminho. Gosto de determinada rua, onde fica um endereço que utilizei no meu romance A CONFRARIA CABANAGEM. Ao passar defronte dele, revejo uma personagem, e sigo. 

No conjunto Nacional, paro em um café e, do meu mirante, aprecio as mulheres que transitam por ali, como vitrines oníricas. Entro na Livraria Leitura, onde, durante certo tempo, tive um título à venda, O CASULO EXPOSTO. Às vezes, almoço na Panelinhas do Brasil ou no Giraffas. 

A tarde chega como o pulsar da música de Mozart, trazendo perfume e cheiro de maresia. A tarde contém o mar, de tão azul. Assim, navego a tarde a bordo de um transatlântico.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O triunfo da vida

Auto-retrato (17/02/2026): a vida é um mergulho na lucidez

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 20 DE FEVEREIRO DE 2026 – Nasci em 7 de agosto de 1954, em Macapá/AP, cidade encravada no cruzamento da Linha Imaginária do Equador e a margem esquerda do Rio Amazonas. Macapá era, então, um povoado ribeirinho, afogado no meio do mundo, mas nunca me senti emparedado na solidão da Amazônia, porque, aos 5 anos, os gibis, e depois revistas de informação e livros, de todos os gêneros, me inocularam o vírus da aventura. 

Aos 14 anos, eu havia viajado meio mundo, interessava-me por filosofia e arte, e comecei a escrever. Aos 17, recebi meu batismo de fogo, segundo o poeta Isnard Brandão Lima Filho, lançando o livro de poemas Xarda Misturada, juntamente com Joy Edson e José Montoril. 

Verdade seja dita, meus poemas são os mais fracos do livro, mas, naquele momento, tiveram poder propulsor, o poder de, mesmo sem sequer carteira de identidade, me mandar de Macapá, que começava a me sufocar. Então, parti de barco para Belém, de onde peguei carona para Brasília e para o Rio de Janeiro. Passei 10 anos na estrada. 

Aos 27 anos, cansado de navegar e de rodar, e ainda tonto de um casamento frustrado por absoluto fracasso meu, comecei o curso de jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPa), em Belém, quando reencontrei um velho amigo, a quem chamarei de B. Depressivo e dipsomaníaco, quando começava a falar, em uma linguagem erudita e pessimista, assustava todo mundo, mas as mulheres, até as casadas, ficavam hipnotizadas por ele. Media mais de um metro e oitenta e pesava uns 100 quilos, era rosado e tinha os olhos claros. 

Nossa amizade se desenvolveu porque havia uma coisa que interessava a ambos: livros, e escritores. Li muitos livros recomendados por B, e gostei de todos, como, por exemplo, O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, que comecei a ler em uma livraria de Niterói/RJ, bebendo Bohemia. Além de um dos leitores mais argutos que conheci, B era também mais experiente do que eu. 

Certo dia, numa das pausas da bebida, B profetizou que nossa geração só se tornaria sábia após os 60 anos. Ele morreu antes disso. Quanto a mim, estive, muitas vezes, à beira do abismo, caí no poço dos prazeres mais carnais e frequentei aquela zona cinzenta dos alcoólatras, dos desesperançados, dos desesperados, dos danados, dos mortos-vivos. Contudo, há sempre alguém, ou algo – uma lembrança, uma voz, um sonho, uma rosa, o azul, o mar, personagens de ficção –, me levantando. 

Já faz tempo que comecei a descer a ladeira. Às vezes, enfrento trechos muito inclinados, outros, alagados, mas encontro bosques e manhãs ensolaradas também. Entretanto, se aos 21 anos sentia-me leão, hoje, sinto-me leão de asas, como se montasse a luz. Sinto a velocidade quântica com a visão de uma rosa que se desnuda ao sol, do azul que sangra, de jasmineiros que choram nas noites ardentes, de ouvir o som da Terra no espaço. 

Descobri que o triunfo da razão pode acontecer a qualquer momento e não somente após os 60 anos de idade. Pelo menos do modo como o entendo. Acho que o triunfo da razão são momentos de lucidez plena, de compreensão da realidade. Em toda a minha vida houve desses momentos. Quando criança, eu via seres de outras dimensões e mortos, e me maravilhava com os gibis, as revistas e a Mata do Rocha, um bosque, perto da Casa Amarela, a casa da minha infância, que representava toda a África, e eu era Tarzan. O primeiro beijo foi minha primeira viagem montado no lombo da luz. E tudo isto está na imaginação. 

Aos 21 anos, nunca fui tão lúcido, percorrendo labirintos de mulheres estonteantes, de tão lindas. Nessas alturas eu já criava. Ao criar, atingimos picos de lucidez e, facilmente, viajamos a outros sistemas solares e galáxias. 

Agora, velho, a vida é uma farra com absinto. Meus sentidos explodem como granadas de silêncio e solidão. Eu crio vidas e mundos. Onde estou não há espaço nem tempo, apenas há. Sinto cheiro de mulher nua, de azul marinho, o sabor de ostra com Antarctica enevoada, às 9 horas da manhã, em Salinas, e tudo o que as mulheres me ensinaram. 

O triunfo da razão é a alegria de, após garimpar durante 71 anos, na floresta mais perigosa da Terra, encontrar o maior diamante do mundo e ofertá-lo à mulher amada. É ouvir o riso, feliz, de uma princesa, um Jasmim. É dar vida a personagens de ficção. Amar é o melhor de tudo. O amor liberta. Baruch Spinoza disse que Deus é a Natureza. Concordo. O amor nos integra à Natureza, coloca-nos diante da face de Deus. 

Não há, portanto, uma determinada fase da vida a partir da qual começamos a sentir lucidez. Lucidez é um estado de espírito. É ouvir nitidamente, sentir tudo, mesmo no acme, e, ainda assim, raciocinar claramente. Um poema que saiu perfeito. Um conto redondinho. Um romance irretocável. O riso da mulher amada.