segunda-feira, 13 de julho de 2026

Além de Ray Cunha, o que há? Amazônia, ainda?

Ray Cunha: Ao publicar Muito Além de Mim aconteceu uma coisa engraçada. Uma amiga minha julgou que se tratava de memórias e se solidarizou comigo. Então, expliquei a ela que se trata de um conto 

Pelo ChatGTP 

BRASÍLIA, 13 DE JULHO DE 2026 – O conto Muito Além de Mim, incluído no livro AMAZÔNIA, de Ray Cunha, é uma das narrativas mais densas e autobiograficamente sugestivas do autor. Embora apresente-se como ficção em primeira pessoa, o texto dissolve deliberadamente as fronteiras entre memória, confissão, romance de formação (Bildungsroman) e reflexão sobre o próprio fazer literário. O resultado é uma narrativa de extraordinária intensidade existencial, cuja verdadeira matéria não é a miséria social nem a boemia amazônica, mas o nascimento de um escritor. 

Desde a primeira linha, o narrador anuncia seu eixo temático: “Tenho tentado escrever ficção”. Esse enunciado aparentemente simples organiza toda a narrativa. O casamento fracassado, a pobreza extrema, a vida na Casa do Estudante Universitário do Pará (Ceup), os personagens grotescos e as recordações da juventude são menos acontecimentos do que degraus de uma iniciação artística. 

Ray Cunha constrói um narrador que jamais pede piedade. Ao contrário, observa a própria desgraça com uma lucidez quase clínica. Em poucas páginas ele perde emprego, casamento, conforto e estabilidade, mas não sucumbe ao sentimentalismo. Há uma secura narrativa que lembra certos momentos de Hemingway, autor citado explicitamente no final do conto, embora filtrada pela exuberância amazônica e pela oralidade brasileira. 

O episódio da separação sintetiza perfeitamente essa postura estética. Ao encontrar a esposa na cama com outro homem, o narrador não reage com violência nem melodrama. Recolhe seus pertences e decide partir. A resposta da mulher — perguntando simplesmente se ele buscara suas roupas na lavanderia — transforma a tragédia em ironia cruel. O grotesco nasce justamente da absoluta indiferença diante daquilo que convencionalmente seria um grande drama humano. 

É precisamente na Ceup que ocorre a verdadeira transformação do protagonista. A residência estudantil aparece quase como um purgatório dantesco: personagens extravagantes, quartos imundos, loucura, alcoolismo, miséria, suicídio, violência, doenças e decadência moral convivem diariamente. No entanto, para o narrador, tudo isso constitui matéria-prima da literatura. 

Os inúmeros personagens — Rei Momo, Ribamar, Duende, Mão de Sucuri, Punheteiro, Distribuidor de Esperma, Padre, Sequoia — dificilmente podem ser entendidos apenas como indivíduos. Eles compõem um vasto painel humano, quase carnavalesco, lembrando em certos aspectos o universo de Rabelais, de Nelson Rodrigues ou mesmo de Lima Barreto, onde o grotesco revela dimensões profundas da condição humana. 

Nesse aspecto, o conto aproxima-se da tradição picaresca. O narrador percorre um mundo marginal povoado por figuras excêntricas, observando tudo com humor ácido e inteligência crítica. Mas Ray Cunha vai além da simples sátira social. Cada personagem representa uma possibilidade de fracasso existencial da qual o narrador procura escapar por meio da literatura.

Essa talvez seja a maior qualidade do conto: transformar a criação artística em experiência espiritual. 

Há um momento central em que o narrador declara: “A criação literária é minha igreja; e eu, o padre que oficia a missa”. Essa frase funciona como verdadeira profissão de fé estética. Escrever deixa de ser profissão ou passatempo para tornar-se destino. A literatura aparece como única forma possível de organizar o caos da existência. 

Ao longo da narrativa surgem diversas reflexões sobre disciplina, leitura, solidão e concentração. O protagonista estabelece para si uma rotina quase monástica: escrever diariamente, ler atentamente, observar as pessoas, meditar, rezar, experimentar o mundo com todos os sentidos. É uma concepção profundamente artesanal da literatura, distante tanto da inspiração romântica quanto da produção industrial da escrita. 

Outro aspecto notável é a relação entre espaço e identidade. A Amazônia de Ray Cunha não aparece como cenário exótico nem como floresta mítica. Surge através de Belém, do Ver-o-Peso, das ruas, dos bares, da universidade, dos bairros populares, da comida regional, da farinha d'água, do açaí, do tacacá, das pequenas experiências cotidianas. Trata-se de uma Amazônia urbana, cultural e profundamente humana. 

A linguagem acompanha essa proposta estética. O texto alterna registros coloquiais, filosóficos e poéticos sem perder unidade. Há momentos de brutalidade verbal convivendo com passagens de delicada introspecção. A narração ora assume ritmo veloz, quase cinematográfico, ora desacelera para registrar reflexões sobre tempo, memória e criação. 

Também chama atenção a quantidade de referências culturais. Fellini, Hemingway, Mozart, Krishnamurti e Gabriel García Márquez aparecem naturalmente integrados ao universo do narrador, revelando um escritor profundamente cosmopolita, apesar de enraizado na Amazônia. Não há ostentação erudita; essas referências fazem parte da formação intelectual do protagonista. 

O trecho final sintetiza magistralmente o sentido da narrativa. Após cogitar o suicídio e recordar a traição da esposa, o narrador descobre que seu verdadeiro desforço não será contra pessoas, mas contra o anonimato. Conseguir emprego em O Liberal representa apenas uma etapa; seu objetivo permanece escrever um romance capaz de alcançar grandeza universal. O sonho do iate navegando pela Amazônia e pelo Caribe simboliza a liberdade conquistada pela criação artística. 

Naturalmente, o conto também apresenta aspectos discutíveis. A representação feminina é construída quase exclusivamente pelo olhar masculino do narrador, privilegiando o ressentimento decorrente da traição. Além disso, alguns episódios são narrados com uma crueza que pode causar desconforto em determinados leitores. Contudo, essas escolhas parecem coerentes com a voz narrativa adotada e com o projeto estético do texto, que evita idealizações e busca expor a realidade em sua dimensão mais áspera. 

No conjunto da obra de Ray Cunha, Muito Além de Mim ocupa posição singular por condensar diversos elementos recorrentes de sua ficção: a Amazônia urbana, a observação psicológica, a crítica aos ambientes institucionais, a busca da liberdade individual e, sobretudo, a convicção de que a literatura constitui uma forma de transcendência. O título revela-se profundamente significativo: ir “muito além de mim” significa ultrapassar a experiência pessoal para transformá-la em arte. 

Mais do que um relato de juventude ou um romance de formação condensado em conto, Muito Além de Mim é uma meditação sobre o nascimento da vocação literária. A pobreza, a humilhação, o abandono e a convivência com figuras marginais deixam de ser simples episódios biográficos para converter-se em matéria estética. Nesse sentido, Ray Cunha demonstra compreender uma das verdades fundamentais da grande literatura: o escritor não vence o sofrimento eliminando-o, mas transformando-o em linguagem. 

Por essa capacidade de fundir autobiografia, reflexão filosófica, observação social e elaboração literária numa narrativa de notável vigor, Muito Além de Mim destaca-se como um dos contos mais maduros de AMAZÔNIA e uma das expressões mais consistentes da ficção de Ray Cunha. Nele, a literatura deixa de ser apenas tema para tornar-se destino — não como fuga da realidade, mas como a forma mais profunda de habitá-la. 

Muito Além de Mim 

RAY CUNHA

TENHO TENTADO ESCREVER FICÇÃO. A gente não precisa de muito para produzir. Basta comer o suficiente para não adoecer. Vinha tendo bem mais que isso, mas tudo acabou como num passe de mágica. No mesmo dia, perdi emprego, mulher, casa, comida e roupa lavada. Conheci Celina Madeira Machado Silva e Silva no Bar do Parque, defronte ao Hotel Hilton Belém, na Praça da República. Ela estava na companhia de uma tipa grande como uma elefanta e de uma outra que era toda uma enguia. Naquela época, andei publicando umas resenhas sobre cinema em O Liberal e Celina era cinéfila. O papo foi longe. Ela me convidou para ir à sua casa no dia seguinte. Morava em um casarão em Nazaré. O pai, com o estômago estourando de câncer, vivia recluso esperando a hora de bater as botas. Para não me estender muito, o caso é o seguinte: Celina e eu nos casamos dias depois. Eu era seu quarto marido. Celina andara à procura de um pai camarada. A mãe de Celina, uma índia que seu pai comprara em Santarém, fora escravizada a vida toda, mas não morrera sem gerar a filha rebelde. Ao chegar de Portugal, o pai de Celina começou como padeiro em Belém. Anos de economia, comendo restos estragados de frutas e se vestindo com duas mudas de roupa, fizeram dele um magnata do pão. Celina vivia esbanjando a fortuna e batendo perna com suas amigas aliá e peixe-elétrico. Era a cadela no trio. Pôs-me um par de cornos de alce. Mas nosso jogo era tácito. Ela me tirara da sarjeta e me usava como atleta sexual. Naquela manhã, peguei o carro que Celina me dera e fui para o trabalho, uma revista picareta que só me pagava com vales, embora, antes de conhecer Celina, era lá que eu repousava a carcaça, em um quartinho decrépito, nos fundos do prédio. Cheguei a tempo de ver o pessoal da Justiça do Trabalho levando tudo. Depois soube que o editor tinha vencido uma causa trabalhista contra o dono da empresa. Voltei para casa. Flagrei minha mulher gemendo, empalada no vergalho do jardineiro em nossa santa cama. Não quis fazer drama. Sentia-me vulnerável e cansado. Fui à cozinha beber água. “A vida é um jogo perdido; o melhor que podemos fazer é jogar bem” – pensei. “A criação literária é minha igreja; e eu, o padre que oficia a missa. A razão da minha vida é escrever ficção. Se não escrevo, sinto-me vazio, despencando na fossa, no nada. Por isso, necessito criar. E quando estou no lugar ideal nada pode me atingir. Nada! Eu sempre soube que esse casamento é apenas uma passagem de chuva.” Passado algum tempo voltei ao quarto, peguei minhas coisas. Na sala, encontrei Celina.

  – Estou indo embora – disse-lhe. Quase não acreditei no que ela respondeu.

   – Tu pegaste a roupa na lavanderia? – eram uns casacos que ela usava quando viajava e que eu levara à lavanderia.

   Nessas alturas, tinha feito novas amizades e um amigo, um verdadeiro irmão, me acolheu na casa dele. Minha passagem pela casa de Celina proporcionou-me a oportunidade de me preparar para o vestibular. Ela pagara o cursinho e eu consegui entrar na Universidade Federal do Pará, para fazer o curso de jornalismo. Foi desse modo que obtive uma vaga na Casa do Estudante Universitário do Pará (Ceup).

            Naquela manhã lamacenta de abril a Ceup dormia ainda, por trás do alto muro na Rua São Francisco, bairro da Campina. Era um conjunto de três prédios: a Casa Nova, já com sinais de decrepitude; a Vila Sapo, com quatro quartos lado a lado; e a Casa Velha, um casarão do século dezenove, em ruínas.

            – Gostaria de falar com o presidente – disse a um ancião escaveirado que surgiu no vão da porta, imaterial como um fantasma.

            Fui conduzido a um quarto no terceiro andar da Casa Nova. Bati na porta. Apareceram dois olhos negros, famintos. Pertencia a um camponês de cabeça excessivamente chata. Estendi-lhe a carta da reitoria da Universidade Federal do Pará. Ele a leu.

            – Meu nome é Ribamar – disse, e me convidou para entrar no quarto.

            O quarto fedia a mofo, roupa suja e gordura. Encostada à parede havia uma bicicleta toda enfeitada. “Parece chapéu de vaqueiro nordestino” – pensei.

            – Você vai para o quarto do Rei Momo – disse o presidente.

            O quarto do Rei Momo ficava na Vila Sapo. Era o primeiro de quem ia da Casa Nova para a Casa Velha. Estava fechado. Ribamar bateu na porta. Ouviu-se movimento lá dentro e depois a porta foi aberta. Vi uma aparição de olhos esbugalhados, um homem de meia idade, barrigudo e assustado.

            – Este aqui é o João. Ele vai morar aí – disse o presidente.

       – Aqui? – Rei Momo não acreditou no que ouviu. Desde que viera de Santarém, há dez anos, não dividia o quarto. Agora, o subversivo do Piauí vinha com aquela conversa. – Um momento – disse Rei Momo, fechando a porta. Daí a alguns minutos reapareceu. Vestira uma camisa e escovara os cabelos. – Podem entrar – convidou-nos.

          O fedor de mofo era sufocante. Em um dos lados do quarto havia uma cama com um bom colchão, com trapos espalhados sobre ele. No outro lado, encostada à parede, vi uma dessas camas de armar e desarmar. Na parede dos fundos erguia-se uma respeitável pilha de livros, ao lado de um guarda-roupa em ruínas, e no centro do quarto jazia uma mesinha atulhada de tudo quando se possa imaginar. Rei Momo sentara-se sobre a cama e o presidente e eu ficamos em pé.

            – Eu sempre morei sozinho – disse Rei Momo, zangado.

           – Isto aqui está precisando de uma limpeza. Vou convocar um mutirão para pôr em ordem este quarto – disse o presidente, que era recém-empossado. Eu soube mais tarde que o presidente anterior permanecera no cargo durante dez anos.

             Rei Momo olhou-o apavorado.

          – Não será preciso um mutirão. Nós dois nos daremos bem – eu disse, estendendo a mão para Rei Momo. Ele pareceu não ter visto meu gesto. – Parece-me que ambos gostamos de Fellini – apontei para uma lombada que se salientava na pilha de livros. – E não te preocupes com barulho; gosto também de silêncio.

            Nasci em 22 de abril de 1939. Estamos em 22 de abril de 1972. Tenho, portanto, 33 anos de idade. Sinto que já comecei a descer o morro da vida. Para um escritor permanecer no embalo dos 21 anos só com muita dedicação – dedicação religiosa – a tudo o que diz respeito à criação literária, como: disciplina espartana e trabalho duro como um assalto de boxe, sem trégua, contínuo, árduo e nunca desestimulado. E é assim que venho fazendo na Ceup, aproveitando essa oportunidade que Deus me deu. O fim do meu casamento serviu para que descobrisse o quanto realmente as coisas valem. A Ceup foi o gatilho que eu precisava disparar para me tornar escritor e, antes dela, Celina.

            As melhores horas eram as da madrugada, quando o silêncio se impunha à horda piolhenta que ali se escondia. Às vezes, deixava-me sentar em frente à televisão para ver um resto de filme, ou simplesmente ficava ali, no hall de entrada da Casa Nova, mais pela claridade das inúmeras lâmpadas fluorescentes. Nas férias, quando todos iam para suas cidades natais e a Ceup ficava quase abandonada, eu varava as noites escrevendo, absolutamente fiel a mim mesmo. Escrevia todos os dias, mesmo que fosse por alguns minutos apenas. Se não dava, tentava no dia seguinte. E dormia bastante. Lia tudo e atentamente. Rezava, meditava, via, ouvia, sentia, cheirava, degustava, bebia, comia, vagabundava, batia papo e escrevia cartas. Escrever não me saciava nunca. Atingia picos de concentração, lucidez e produção que pareciam a embriaguez do primeiro gim fizz. Vivia o agora e o agora, o momento mesmo da vida. Nada de nostalgia, nada de remorso, o passado era feito do que havia de melhor; nada de sonho, pois a realidade proporcionava prazer intenso; nada de preocupação, pois não havia futuro; nada de raivas, pois a raiva, acionada, só a morte pode detê-la, é tão devastadora que atinge tudo ao seu redor, incluindo objeto e sujeito; nada de reclamações; nada de se meter na vida dos outros, nem deixar que os outros se metessem na minha vida. Eu era, apenas, um mero observador da realidade, embora, sempre que achasse necessário, interviesse na realidade. Hoje, sei que não se pode intervir na realidade, pois a realidade é. Nossa vida é apenas o caminho que leva à realidade. Até as mulheres se tornaram para mim, naquela época, abstrações, e somente pensando nelas é que ousava sonhar. Sonhava com uma companheira, amiga, amante, o colo onde repousava minha cabeça, ainda dolorida devido aos cornos. A luz do seu amor me conduzindo naquelas encruzilhadas da vida mergulhadas nas trevas, guiando-me pela mão, com segurança, emergindo comigo na claridade e na trilha segura. Nos meus mergulhos interiores eu me via também como protetor das crianças, gentil e caridoso, senhor de mim, poderoso como um anjo, e frágil, pois me via pedindo perdão a todos quanto ofendi, ou causei mal.

            Geralmente me alimentava de pão dormido, que o padeiro da esquina me arranjava sempre. Fiz amizade também com o açougueiro, que me dava ossos ainda munidos de excelentes nacos de carne, que eu cozinhava e comia com a boa farinha d’água que minha família me mandava de Oiapoque, cidade do Território Federal do Amapá. Às vezes, eu faturava alguma coisa na mídia. Aí, almoçava no Ver-O-Peso. Meio litro de pirão de açaí com dourada, e adormecia nocauteado pela canícula, até o anoitecer, quando tomava banho, vestia a melhor muda de roupa de que dispunha e ia para o Cosa Nostra bater papo com o barman, meu amigo. Mas, a maior parte do tempo, vivia a minha vida de modo quase recluso, quase sem participar da agitação que era sempre a Ceup. Minha participação no dia a dia da casa era mais a de expectador. Os acontecimentos se sucediam como os bancos de uma roda-gigante em movimento. Embora eu não me importasse com eles. Simplesmente não influíam na minha vida. Eu estava ali com um objetivo e até alcançá-lo vivia intensamente minha vida interior. O dia a dia da Ceup não alterava o fluxo do meu rio interior. Mas eu dissecava os protagonistas desses episódios e, às vezes, tomava nota deles. Uma madrugada, acordei com gritos medonhos à porta do quarto. Abri-a e me deparei com uma mulher enrolada em um cobertor imundo, cheio de nódoas de gozos antigos, suplicando que a socorressem. Mão de Sucuri, um vaqueiro, nosso vizinho, havia levado aquela mulher para o quarto dele, onde morava com Punheteiro, que se masturbava a noite inteira enquanto Mão de Sucuri trabalhava nas putas que levava para lá. Naquela noite, Mão de Sucuri, que tinha esse apelido de tanto ordenhar vaca e ficara com uma força descomunal nas mãos, queria que a mulher desse uma chupada nele. Ela ficou com vergonha de fazer aquilo na frente de Punheteiro. Apesar de não se aguentar em pé de tão porre, Mão de Sucuri imobilizou-a na sua rede tão limpa quando o cobertor em que ela havia se envolvido na fuga e lhe ferroou uma dentada na bunda. Depois pô-la nua, a bofetadas, ao relento. Ela conseguira levar o cobertor e ao ver-se ao relento pôs-se a berrar. Mão de Sucuri caiu na rede em coma e Punheteiro batia uma feroz punheta para aquela égua nua que passou roçando seu nariz. Outra madrugada, na Casa Nova, o Doutor, conhecido também como Distribuidor de Esperma, começou a berrar. Ele queria ser cirurgião plástico. Logrou ingressar na universidade após doze vestibulares bem contados. Jamais tomava banho e lembrava um pedaço de sebo. Dizia a todos que vendia esperma para inseminação artificial. Recebia carne seca do Maranhão e guardava-a sobre uma sucata de geladeira. Todo dia tirava dali alguns pedaços, que cozinhava e comia com farinha d’água. Um dia, ratos começaram a brigar sobre a carne seca e um caiu no Distribuidor de Esperma, que acordou com uma ratazana na cara. Em agosto, houve o caso do Padre. Um dia, encontrava-me no salão da Casa Velha. Duende estava encostado à janela. Era meio-dia e o sol dava até para fritar ovo.

            – Não dou uma semana para que o Padre seja levado para o hospício – disse Duende, um goiano vermelho e miúdo, que só usava camisas de mangas compridas abotoadas nos punhos e no colarinho, mesmo sob o calor de quarenta e cinco graus. Três dias depois, houve um corre-corre na Casa Velha. Apareceram quatro enfermeiros, meteram o Padre numa camisa de força e sumiram. Naquela noite, encontrei-me com Duende e lhe perguntei como é que ele sabia do internamento de Padre.

            – Ele andava de camisas de mangas compridas abotoadas nos punhos e no colarinho em pleno sol de meio-dia – disse.

            Fui a última pessoa a falar com Duende, que vivia sozinho em um quarto grande da Casa Velha. Como tivesse perdido a chave da porta, entrava no quarto por meio de um buraco na janela, vedado com um pedaço de compensado. Duende desaparecera já há três dias. Naquela manhã, seu Miguer, o faxineiro esquálido, vislumbrou por uma brecha na janela um movimento qualquer no quarto de Duende. Olhou melhor e viu uma ratazana agarrada a uma perna. Apurou o olhar e distinguiu um homem enforcado, com ratazanas aqui e ali no corpo, especialmente na cara. Seu Miguer emitiu um guincho semelhante ao de seus irmãos roedores e deu o alarme. Foi uma perda para Rei Momo, já que Duende costumava manter discussões quilométricas com Rei Momo sobre Khrisnamurt, de quem lera todos os livros. Ironicamente, Khrisnamurt era sua ansiedade.

         Quando eu não estava na Ceup, estava na universidade. Tive uma professora gorda como uma vaca que promovia debates sobre marxismo sem jamais ter lido O Capital. Vivia com uma aluna magrinha, que a gorda agarrava nos corredores da faculdade e lhe aplicava beijos escandalosos. Durante três semestres vi-me perseguido por um professor de técnica de alguma coisa, homossexual, coxo, com uma nádega seca e analfabeto. Um dia, no banheiro, segurei-o pelo cabelo e o fiz beber água do vaso sanitário. Um santo remédio. Outro mestre inesquecível foi um idiota nascido no Piauí, educado em Goiás e doutorado numa dessas universidades perdidas nas estradas dos Estados Unidos. O tipo lecionava uma disciplina chamada Estudos de Problemas Brasileiros. Suas aulas eram, invariavelmente, um elogio às obras faraônicas dos ditadores militares. À noite, livrava-me de tudo aquilo com um bom gole de gim fizz no Cosa Nostra, por conta da casa.

            Rei Momo morreu no Natal daquele derradeiro ano de minha permanência na Ceup. Caiu como um passarinho baleado diante da parede nua do quarto, onde sempre estivera seu tesouro. Rei Momo era um ladrão de livro. Possuía uma pilha de dois mil volumes. Ao mudar-me para o quarto dele tive de colocar Sequoia em ordem. Sequoia chegou a dar uma surra de cinto em Rei Momo. Mas eu ainda não morava na Ceup. Eu era pugilista amador e sempre que podia estava lá com a turma da Joe Louis. Acabei com Sequoia apenas com um tabefe na cara. Ele não revidou. Ficou se cagando de medo. Então, deixou Rei Momo em paz. Eu gostava de conversar com Rei Momo, que levava uma vida de rei, mesmo. Matriculava-se em uma única disciplina na universidade e fazia de conta que estava estudando. Sua família o mantinha ali porque o consideravam retardado mental. Ele não se importava. Recebia uma mesada relativamente gorda. Consumia suas tardes conversando fiado nas bancas de tacacá e com os vigias das redondezas. Pois bem, Sequoia mudou-se. Aproveitou para dar um golpe fatal em Rei Momo. Na madrugada daquele Natal, ao entrar no tugúrio onde nos enterrávamos, Rei Momo encontrou um bilhete pregado com fita Durex na parede nua onde sempre estiveram os livros, a primeira coisa que Rei Momo checava ao entrar no quarto. “Agradecido pelos livros, bicha louca” – dizia o bilhete.

            Vocês sabem como Ernest Hemingway morreu? Segundo Milt Machlin, no livro O Inferno Privado de Hemingway, era cedo da manhã. “Desceu à sala de armas e tirou do armário uma de suas espingardas favoritas, uma Angelini e Bernardon calibre doze, fabricada especialmente para ele. Era uma bela arma, e ele sempre a tratava com a reverência de um objeto religioso. Carregou-a com dois cartuchos, depois meteu os dois canos na boca e puxou os gatilhos ao mesmo tempo.” Houve um tempo em que pensei matar-me. Possuía – e isto era uma das minhas pequenas riquezas – uma pistola, a PT 58, da Taurus. Se eu quisesse me suicidar como Hemingway teria de pôr a boca do cano no céu da boca, de modo que a bala atravessasse o cérebro. A gente não sente nada. Os que ficassem, logo me esqueceriam. Como minha família é de Oiapoque e muito pobre eu seria enterrado como indigente e, assim, desapareceria sem deixar rastro. Cheguei a cogitar isso na época em que aquela cadela, aquela índia duma figa, galinha do caralho, me empurrou de volta para a sarjeta, depois de quase um ano principesco. Mas agora sou grato a ela. Ajudou bastante. E depois somente nós temos a responsabilidade pelo que passamos. Antes de conhecer Celina, estivera sentado em uma cadeira olhando para uma parede. A sorte é que ouvia Wolfgang Amadus Mozart. Concerto para Piano e Orquestra em Ré Menor. Para além da parede, há um anoitecer azul. Azul escuro. Peguei meu canivete italiano, outra joia que possuo, e vibrei contra o céu. O sangue escorreu pelo corte. E o azul intenso respingou em mim. Atravessei o portão da Ceup e tomei pela Rua São Francisco e depois pela Avenida Almirante Tamandaré até a Avenida Presidente Vargas. Sentei-me em um banquinho no Milano e pedi uma Antarctica pequena. “Como vou desforrar!” – pensei, pois acabara de conseguir uma vaga em O Liberal. Já tinha renda garantida, agora. Só precisava escrever um romance que vendesse como Cem anos de solidão, como pão francês. Então compraria um iate para vagabundar por toda a Amazônia e o Caribe. 

AMAZÔNIA está à venda no Clube de Autores, amazom.com.br e amazom.com

sábado, 11 de julho de 2026

Adriana Garcia enfrenta a Esquerda no Amapá

A jornalista Adriana Garcia entrincheira-se na AJOIA Brasil e na AJOCIN

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE JULHO DE 2026 Adriana Garcia é minha confreira na AJOIA Brasil (Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados), um grupo de dezenas de jornalistas de todo o Brasil, com membros também nos Estados Unidos e na Europa, que defendem a verdade dos fatos jornalísticos, a democracia, a liberdade de expressão, a família e a cultura hebraico-cristã. Somos jornalistas independentes, sem rabo preso. Adriana é também presidente da Associação de Jornalistas e Comunicadores da Imprensa do Norte (AJOCIN). 

A trincheira de Adriana Garcia é uma das mais perigosas do país: Macapá, a capital do Estado do Amapá, no Setentrião, o mais isolado do Brasil e dominado pelo Foro de São Paulo: comunistas, narcotraficantes, guerrilheiros homiziados e terroristas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Entreposto do narcotráfico transnacional, Macapá é uma das cidades brasileiras mais violentas. Na zona metropolitana da cidade fica o Porto de Santana, o ponto brasileiro mais próximo, simultaneamente, dos Estados Unidos, Europa e Ásia (via Canal do Panamá). 

O governo dos Estados Unidos classificou o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras, desde 5 de junho, o que lhe permite sanções às duas facções, como o congelamento de ativos financeiros e restrições a pessoas com vínculos com as máfias. Também não estão descartados ataques a indústria de drogas, entrepostos das facções ou explodir fortalezas de chefões dos terroristas. 

Jornalista há 24 anos, graduada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), editora-chefe do portal Conservador News, com canal no YouTube, especialista em Educação, coach, palestrante, cristã, esposa e mãe, seu microfone rosa choque começa a irritar a Esquerda amapaense, um braço da Ditadura da Toga. 

Segundo Adriana Garcia, a AJOCIN foi criada em resposta ao aumento de ações judiciais envolvendo jornalistas, comunicadores e influenciadores digitais no Amapá. Ela afirmou que há “mais de 100 processos” em andamento contra jornalistas, comunicadores e influenciadores, envolvendo o governador do Amapá, Clécio Luís, do União Brasil, mesmo partido do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, defensor intransigente da Ditadura da Toga e do líder da Esquerda no Brasil, Lula da Silva. 

Adriana adverte para que a mordaça leva à autocensura entre profissionais da comunicação, devido ao medo de perderem tudo em um processo – emprego, renda, liberdade, família e até seus computadores e telefones celulares, no caso de visita da Polícia Federal às 6 horas. 

– Se a gente achar isso normal, o que vai acontecer? Vai haver uma autocensura. O jornalista vai temer o que pode falar sobre autoridades por medo de ser processado e não ter condições de custear sua defesa. Isso não é democracia, é um sinal de alerta para a sociedade amapaense – disse. – Nós criamos a AJOCIN justamente para amparar esses jornalistas que querem liberdade de expressão para eles e para todas as outras pessoas. Não estamos aqui por questões políticas. Estamos aqui para preservar o direito da sociedade de ser informada e o direito de o jornalista exercer sua profissão sem medo. 

Adriana observa um fato deprimente: jornalistas de rabo preso que atuam para acabar com seus próprios colegas, por motivações políticas ou financeiras, o tipo de jornalista que adora “jabá”, gíria que significa que o profissional se vendeu, se prostituiu, geralmente, em troca de dinheiro ou emprego para si ou para familiares.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Por que ler a trilogia A Ditadura da Toga: O CLUBE DOS ONIPOTENTES, O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO, de Ray Cunha?

Ray Cunha monta um painel abarcando o período de 2018 a meados
de 2026, quando os EUA designam PCC e CV como grupos terroristas 

ChatGTP

BRASÍLIA, 9 DE 07 DE 2026 – A trilogia A Ditadura da Toga — formada por O CLUBE DOS ONIPOTENTES, O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO — pode interessar especialmente aos leitores que apreciam thrillers políticos, romances de conspiração e ficção que dialoga com acontecimentos históricos recentes. Segundo o próprio autor, trata-se de um projeto de "romance ensaístico", no qual personagens fictícios convivem com figuras públicas e fatos inspirados na política brasileira contemporânea. 

Há várias razões pelas quais essa trilogia pode despertar interesse: 

Thriller político de grande escala – A narrativa combina espionagem, investigação jornalística, conspirações, tecnologia, geopolítica e disputas pelo poder, procurando manter um ritmo de suspense ao longo dos três volumes. 

Mistura de ficção e acontecimentos reais – A obra utiliza personagens ficcionais ao lado de personalidades públicas e episódios inspirados na história política recente do Brasil, aproximando-se do romance-reportagem e da ficção de intervenção. 

Projeto literário unitário – Embora cada romance tenha enredo próprio, os três livros compartilham personagens centrais e um arco narrativo comum, formando uma construção contínua que culmina em O TERCEIRO OLHO. 

Discussão sobre instituições e poder – A série explora temas como relações entre Judiciário, Executivo, imprensa, inteligência, tecnologia e organizações clandestinas. Independentemente de o leitor concordar ou não com as interpretações apresentadas, a narrativa foi concebida para estimular reflexão e debate. 

Linguagem direta – A experiência jornalística de Ray Cunha se reflete numa prosa objetiva, voltada para a clareza, a ação e a exposição de ideias, sem grande preocupação com experimentalismos formais. 

Ampliação temática no volume final – O TERCEIRO OLHO expande o universo da trilogia ao incorporar discussões sobre inteligência artificial, computação quântica, espionagem tecnológica, filosofia oriental e percepção humana, ampliando o alcance da narrativa para além da política institucional. 

Ao mesmo tempo, é importante observar que a trilogia adota uma perspectiva política explícita. As teses defendidas pelo autor são centrais para a construção da narrativa e podem ser recebidas de formas diferentes pelos leitores, conforme suas próprias convicções. Essa característica torna a obra deliberadamente controversa e faz parte de sua proposta de utilizar a ficção como instrumento de interpretação da realidade política brasileira. 

Em síntese, quem procura um romance essencialmente voltado para o entretenimento talvez estranhe a presença constante de reflexões políticas e ensaísticas. Já leitores interessados em ficção política, conspirações, debates institucionais e narrativas que procuram interpretar o Brasil contemporâneo encontrarão na trilogia um projeto literário ambicioso, que busca integrar suspense, jornalismo, ensaio e reflexão filosófica em uma única obra.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

AJOIA Brasil entregará este mês a Flávio Bolsonaro o PROJETO BRASIL 2040 – Plano Nacional de Reconstrução e Desenvolvimento

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 3 DE JULHO DE 2026 – O Brasil está em uma encruzilhada, descarrilado, a 300 quilômetros por hora, não em uma pista de Fórmula 1, mas rumo ao abismo das Marianas, pilotado pelo misterioso Sistema. O outro caminho começa em 4 de outubro, quando se escolherá o presidente da República. O atual, Lula da Silva (PT), comunista, líder do Foro de São Paulo e aliado da China e Irã, quer guerra contra os Estados Unidos. Seu oponente, o senador conservador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), é a esperança para frear a queda e conduzir o país ao desenvolvimento e à prosperidade. 

Sabe-se que tirar o Brasil do rumo do precipício, a uma velocidade dessas, não será fácil. Vai requerer muito trabalho, mas, sobretudo, um plano de trabalho meticuloso, a ser seguido à risca. A AJOIA Brasil (Associação de Jornalistas Independentes e Afiliados) vai apresentar, agora em julho, este plano a Flávio Bolsonaro, um plano redigido por um dos maiores estrategistas de política, economia e planejamento do país, especialista em Inteligência e escritor Jorge Bessa. 

Bessa chefiou os Departamentos de Contra-Espionagem e de Contra-Terrorismo da antiga Secretaria de Inteligência da Presidência da República, atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Como espião, desempenhou várias missões no Exterior, entre as quais em Moscou, durante a Guerra Fria. Poliglota, é fluente em russo. 

Na introdução do PROJETO BRASIL 2040 – Plano Nacional de Reconstrução e Desenvolvimento, diz Bessa: 

POR QUE O BRASIL Precisa de um Projeto Nacional? Ao longo de sua história, o Brasil foi frequentemente descrito como o país do futuro. A expressão tornou-se conhecida porque refletia uma realidade aparentemente evidente. Poucas nações possuem um conjunto tão amplo de vantagens naturais e humanas. O Brasil possui território continental. Possui abundância de água, energia e recursos minerais. Possui uma das maiores áreas agricultáveis do planeta. Possui uma população numerosa e diversificada. Possui capacidade científica crescente. Possui uma posição geopolítica privilegiada. Entretanto, ao lado desse enorme potencial, persiste uma pergunta incômoda: Por que o Brasil ainda não alcançou plenamente o nível de desenvolvimento compatível com suas possibilidades? 

A resposta não pode ser atribuída a um único fator. Ela envolve questões históricas, institucionais, econômicas, educacionais, tecnológicas e políticas. Durante décadas, o país avançou em determinadas áreas, mas frequentemente perdeu continuidade, planejamento e capacidade de execução. Projetos foram interrompidos. Prioridades foram redefinidas. Reformas permaneceram incompletas. O resultado foi uma trajetória marcada por avanços importantes, mas também por oportunidades desperdiçadas. 

O século XXI apresenta ao Brasil uma nova oportunidade histórica. O mundo atravessa transformações profundas. A revolução digital está alterando a economia global. A inteligência artificial modifica processos produtivos e relações de trabalho. Novas disputas geopolíticas redesenham o equilíbrio internacional. A demanda por alimentos, energia, minerais estratégicos e conhecimento cresce rapidamente. 

Ao mesmo tempo, novas ameaças surgem. Crime organizado transnacional. Ciberataques. Disputas tecnológicas. Instabilidade econômica. Mudanças demográficas. Nenhum país poderá enfrentar esses desafios apenas reagindo aos acontecimentos. Será necessário planejar. Será necessário antecipar tendências. Será necessário construir estratégias de longo prazo. Essa é a proposta desta obra. 

O PROJETO BRASIL 2040 não foi concebido como um programa partidário nem como uma plataforma eleitoral. Seu objetivo é mais amplo. Trata-se de um exercício de planejamento estratégico nacional. Uma reflexão sobre os desafios e oportunidades que o Brasil encontrará nas próximas décadas. Uma tentativa de responder à pergunta fundamental: Que país queremos construir até 2040? 

Ao longo dos capítulos seguintes serão discutidos temas essenciais para essa transformação. A reconstrução institucional do Estado. O fortalecimento da segurança nacional. O combate ao crime organizado. A modernização da economia. A revolução educacional. A ciência e a tecnologia. A inteligência artificial. A reindustrialização. A infraestrutura. A saúde. A sustentabilidade. A inserção internacional. A governança democrática. O planejamento estratégico. 

Nenhum desses temas pode ser analisado isoladamente. O desenvolvimento nacional resulta da interação entre todos eles. Por essa razão, este livro adota uma abordagem integrada. Seu propósito não é oferecer soluções mágicas nem fórmulas simplistas. Seu propósito é construir uma visão de futuro. Uma visão baseada em planejamento, responsabilidade, conhecimento e continuidade. 

O Brasil não sofre de escassez de potencial. Sofre, muitas vezes, de escassez de coordenação estratégica. Transformar potencial em realização constitui o grande desafio nacional. O futuro não será determinado apenas pelas circunstâncias. Será determinado pelas escolhas que fizermos. O Brasil de 2040 começa nas decisões tomadas hoje. Este livro é um convite para refletir sobre essas decisões. 

Mais do que isso. É um convite para participar da construção de um projeto nacional capaz de transformar o Brasil em uma nação mais segura, mais próspera, mais inovadora e mais influente no cenário internacional. O futuro continua aberto. E a responsabilidade de construí-lo pertence a todos nós. 

Nas considerações finais, diz Jorge Bessa: 

AS CEM MEDIDAS aqui apresentadas representam apenas o início de um processo mais amplo de transformação nacional. Nenhuma delas, isoladamente, será capaz de resolver os desafios brasileiros. Mas, em conjunto, elas estabelecem uma direção. Uma direção baseada em planejamento, eficiência, inovação, segurança, desenvolvimento econômico e fortalecimento institucional. O Brasil de 2040 não será construído por uma única medida, por um único governo ou por uma única geração. Será construído pela continuidade de um projeto nacional. Os primeiros cem dias representam apenas o primeiro passo dessa jornada.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Inteligência artificial Chat GTP aponta por que Ray Cunha é pouco estudado nos cursos de Letras no seu próprio Estado natal, o Amapá

ChatGPT 

BRASÍLIA, 2 DE JULHO DE 2026 – Suponhamos que a Academia Sueca se volte para a Amazônia, quais são os escritores locais que mais chamam a atenção, não somente pela sua legitimidade acadêmica, mas pela importância estética da sua obra? 

Se a hipótese é que a Academia Sueca passe a dedicar atenção especial à Amazônia, o critério mais provável não seria a projeção regional nem o prestígio institucional, mas a combinação de alguns fatores que historicamente pesam na Academia Sueca: originalidade estética, universalidade dos temas, renovação da linguagem, consistência de uma obra ao longo do tempo e capacidade de dialogar com questões humanas fundamentais. 

Nesse cenário, alguns nomes se destacam mais do que outros. 

Milton Hatoum – É, provavelmente, o autor amazônico contemporâneo com maior reconhecimento internacional. Seus romances transformam Manaus em espaço de reflexão sobre memória, imigração, família, decadência social e identidade. 

Obras como Dois Irmãos e Cinzas do Norte demonstram grande domínio estrutural e refinamento psicológico. É, sem dúvida, um escritor cuja obra possui perfil compatível com o tipo de literatura frequentemente reconhecida pelo Nobel. 

Dalcídio Jurandir (falecido) – Talvez seja o maior romancista clássico da Amazônia. 

O chamado Ciclo do Extremo Norte, composto por dez romances, constitui uma das construções narrativas mais ambiciosas da literatura brasileira do século XX. 

Sua linguagem é profundamente brasileira, mas evita o regionalismo folclórico. A Amazônia aparece como civilização complexa, não como cenário exótico. 

Márcio Souza – Sua obra alia crítica histórica, humor e experimentação narrativa. 

Romances como Galvez, Imperador do Acre desmontam mitos sobre a ocupação da Amazônia e dialogam com tradições latino-americanas de ficção histórica. 

Benedicto Monteiro (falecido) – Autor de romances como Verdevagomundo, combina oralidade amazônica, reflexão política e elaboração formal sofisticada. 

É frequentemente lembrado como um dos grandes prosadores da região. 

Thiago de Mello (falecido) – Na poesia, talvez seja o nome amazônico de maior repercussão internacional. 

Sua produção privilegia valores humanistas, defesa da floresta e dos direitos humanos, especialmente em poemas como Os Estatutos do Homem. 

E quanto a Ray Cunha? Se o foco for exclusivamente a relevância estética e a construção de um projeto literário próprio, a obra de Ray Cunha apresenta algumas características que poderiam despertar interesse crítico, especialmente se vier a alcançar circulação internacional mais ampla. 

Entre os aspectos que podem ser apontados estão: forte unidade temática entre Amazônia, Brasília e poder; mistura de romance político, ensaio e thriller; preocupação constante com liberdade, autoritarismo e corrupção institucional; linguagem predominantemente direta, voltada para a narrativa; criação de um universo ficcional recorrente em diferentes romances. 

Além disso, obras como a trilogia A Ditadura da Toga procuram fundir ficção e debate político contemporâneo, enquanto romances ambientados na Amazônia exploram dimensões históricas e culturais da região. O significado literário desse projeto, porém, ainda depende da recepção crítica ao longo do tempo, da influência exercida sobre outros autores e de sua circulação para além do público brasileiro. Esses são fatores que costumam pesar tanto quanto a qualidade estética em avaliações de alcance internacional. 

Um possível grupo de maior destaque – Se fosse necessário indicar os autores amazônicos que, hoje, parecem reunir as credenciais mais fortes em termos de importância estética e reconhecimento crítico, uma lista plausível seria: Milton Hatoum, Dalcídio Jurandir, Márcio Souza, Benedicto Monteiro e Thiago de Mello. 

Sob o ponto de vista da crítica literária consolidada, esses são os nomes que possuem maior reconhecimento no estudo da literatura amazônica. Novos autores, entre eles Ray Cunha, podem ganhar projeção mais ampla caso sua obra continue a ser objeto de estudos, traduções, circulação internacional e recepção crítica consistente, elementos essenciais para que um escritor passe a integrar o debate literário em escala global. 

Por que Ray Cunha não é estudado na academia no Amapá, seu Estado natal? 

A resposta curta é: não é correto afirmar que Ray Cunha não seja estudado na academia do Amapá. O que se pode dizer, com base nas evidências disponíveis, é que sua obra ainda ocupa um espaço relativamente limitado na pesquisa universitária quando comparada à de alguns autores já consolidados. 

Há algumas razões possíveis para isso. Primeiro, o campo dos estudos sobre a literatura amapaense é relativamente recente. A consolidação de um objeto de pesquisa costuma privilegiar autores que já foram incorporados ao currículo universitário ou que contam com maior fortuna crítica acumulada. A própria produção acadêmica sobre a literatura do Amapá ainda está em processo de expansão. 

Segundo, a circulação da obra influencia fortemente o interesse acadêmico. Durante décadas, a literatura produzida no Amapá sofreu com a ausência de editoras locais, distribuição nacional limitada e pouca presença em grandes livrarias, o que reduziu sua visibilidade entre pesquisadores de outras regiões. 

Terceiro, a universidade tende a trabalhar com um intervalo temporal. Muitos escritores passam a receber atenção sistemática apenas quando suas obras já apresentam uma recepção crítica consolidada, diversas edições, traduções ou influência reconhecida sobre gerações posteriores. 

No caso específico de Ray Cunha, entretanto, há evidências de que sua obra já vem sendo objeto de estudos acadêmicos, ainda que de forma pontual. Por exemplo: uma tese de doutorado da Universidade Federal do Ceará analisa sua produção e afirma que seus contos expressam a memória da ditadura militar e a representação da Amazônia, discutindo aspectos de sua construção literária. 

A tese A Literatura do Amapá, defendida na Universidade Estadual Paulista, inclui Ray Cunha entre os autores que compõem diferentes visões literárias de Macapá e do Amapá, destacando obras como Latitude Zero (conto) e discutindo sua representação da cidade. 

Um trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal do Amapá também o menciona como um dos escritores pertencentes ao conjunto da literatura amapaense. 

Assim, a questão parece ser menos a de uma ausência completa de estudos e mais a de grau de institucionalização. 

Para que um autor passe a ocupar posição central na academia, normalmente contribuem fatores como: maior número de dissertações e teses dedicadas exclusivamente à sua obra; publicação de livros críticos sobre sua produção; inclusão de seus textos em disciplinas obrigatórias de cursos de Letras; presença em antologias nacionais; traduções e circulação internacional; formação de uma “fortuna crítica”, isto é, um conjunto consistente de estudos especializados. 

Se esses elementos crescerem ao longo dos próximos anos, a tendência é que a presença de Ray Cunha nos estudos universitários também aumente. A recepção acadêmica é um processo cumulativo e costuma se desenvolver ao longo de décadas, muitas vezes depois que uma obra já está amplamente consolidada. 

Artificiell intelligens förklarar varför Ray Cunha studeras så lite inom akademin i sin egen hemstat, Amapá 

ChatGPT 

BRASÍLIA, den 2 juli 2026 – Låt oss anta att Svenska Akademien riktar sin uppmärksamhet mot Amazonas. Vilka lokala författare väcker då störst intresse, inte bara genom sin akademiska legitimitet utan framför allt genom det estetiska värdet i sina verk? 

Om hypotesen är att Svenska Akademien börjar ägna särskild uppmärksamhet åt Amazonas, är det mest sannolika att kriteriet inte skulle vara regionalt genomslag eller institutionell prestige, utan en kombination av faktorer som historiskt har vägt tungt för Svenska Akademien: estetisk originalitet, tematikens universalitet, förnyelse av språket, ett konsekvent författarskap över tid samt förmågan att föra en dialog med grundläggande mänskliga frågor. 

I ett sådant scenario framträder vissa namn tydligare än andra. 

Milton Hatoum – Han är sannolikt den samtida författaren från Amazonas med störst internationellt erkännande. Hans romaner förvandlar Manaus till ett rum för reflektion kring minne, invandring, familj, socialt förfall och identitet. 

Verk som Två bröder (Dois Irmãos) och Nordens aska (Cinzas do Norte) visar en imponerande strukturell skicklighet och psykologisk förfining. Han är utan tvekan en författare vars verk motsvarar den typ av litteratur som ofta belönas med Nobelpriset. 

Dalcídio Jurandir (avliden) – Han är kanske Amazonas främste klassiske romanförfattare. 

Den så kallade Cykeln om Fjärran Norden, bestående av tio romaner, utgör ett av den brasilianska 1900-talslitteraturens mest ambitiösa berättelsebyggen. 

Hans språk är djupt brasilianskt men undviker folkloristisk regionalism. Amazonas framträder som en komplex civilisation, inte som en exotisk kuliss. 

Márcio Souza – Hans verk förenar historisk kritik, humor och berättartekniska experiment. 

Romaner som Galvez, Imperador do Acre monterar ned myter om Amazonas kolonisering och för en dialog med den latinamerikanska traditionen av historisk fiktion. 

Benedicto Monteiro (avliden) – Författare till romaner som Verdevagomundo, där amazonsk muntlig tradition förenas med politisk reflektion och en sofistikerad formell gestaltning. 

Han betraktas ofta som en av regionens främsta prosaförfattare. 

Thiago de Mello (avliden) – Inom poesin är han kanske det namn från Amazonas som fått störst internationell uppmärksamhet. 

Hans produktion präglas av humanistiska värden, försvaret av regnskogen och de mänskliga rättigheterna, särskilt i dikter som Os Estatutos do Homem. 

Och Ray Cunha? 

Om fokus enbart ligger på estetisk betydelse och uppbyggnaden av ett eget litterärt projekt uppvisar Ray Cunhas verk flera egenskaper som skulle kunna väcka kritiskt intresse, särskilt om de får en bredare internationell spridning. 

Bland dessa kan nämnas: en stark tematisk enhet mellan Amazonas, Brasília och makten; en blandning av politisk roman, essä och thriller; ett ständigt intresse för frihet, auktoritarism och institutionell korruption; ett huvudsakligen direkt språk med tydlig berättarinriktning samt skapandet av ett återkommande fiktivt universum genom olika romaner. 

Dessutom försöker verk som trilogin A Ditadura da Toga förena fiktion med samtida politisk debatt, medan romaner med handling förlagd till Amazonas utforskar regionens historiska och kulturella dimensioner. Den litterära betydelsen av detta projekt beror dock fortfarande på den kritiska mottagningen över tid, på dess inflytande över andra författare och på dess spridning utanför Brasilien. Dessa är faktorer som brukar väga lika tungt som den estetiska kvaliteten vid bedömningar av internationell räckvidd. 

En möjlig grupp av de mest framstående 

Om man i dag skulle ange de amazonska författare som förefaller ha de starkaste meriterna i fråga om estetisk betydelse och kritiskt erkännande, skulle en rimlig lista vara: Milton Hatoum, Dalcídio Jurandir, Márcio Souza, Benedicto Monteiro och Thiago de Mello. 

Ur den etablerade litteraturkritikens perspektiv är det dessa namn som åtnjuter störst erkännande inom studiet av den amazonska litteraturen. Nya författare, däribland Ray Cunha, kan få större internationell uppmärksamhet om deras verk fortsätter att bli föremål för forskning, översättningar, internationell spridning och en konsekvent kritisk reception – faktorer som är avgörande för att en författare ska bli en del av den litterära debatten på global nivå. 

Varför studeras Ray Cunha inte mer inom akademin i Amapá, hans hemstat? 

Det korta svaret är att det inte är korrekt att påstå att Ray Cunha inte studeras inom akademin i Amapá. Vad man däremot kan säga, utifrån tillgängliga belägg, är att hans verk fortfarande intar en relativt begränsad plats inom universitetsforskningen jämfört med vissa redan etablerade författare. 

Det finns flera möjliga förklaringar. 

För det första är forskningsfältet kring den amapaensiska litteraturen relativt ungt. När ett forskningsobjekt etableras prioriteras ofta författare som redan införlivats i universitetens kursplaner eller som har en omfattande samlad kritisk reception. Själva den akademiska forskningen om Amapás litteratur befinner sig fortfarande i en utvecklingsfas. 

För det andra har ett verks spridning stor betydelse för det akademiska intresset. Under flera årtionden präglades litteraturen från Amapá av bristen på lokala förlag, begränsad nationell distribution och låg närvaro i de stora bokhandelskedjorna, vilket minskade dess synlighet bland forskare i andra delar av Brasilien. 

För det tredje arbetar universiteten ofta med ett tidsperspektiv. Många författare blir föremål för systematiska studier först när deras verk redan har fått en konsoliderad kritisk mottagning, publicerats i flera upplagor, översatts eller erkänts som inflytelserika för senare generationer. 

När det gäller Ray Cunha finns det dock belägg för att hans verk redan har blivit föremål för akademiska studier, om än i begränsad omfattning. 

Exempelvis analyserar en doktorsavhandling vid Universidade Federal do Ceará hans produktion och konstaterar att hans noveller gestaltar minnet av militärdiktaturen och representationen av Amazonas samt diskuterar de litterära aspekterna av hans författarskap. 

Avhandlingen A Literatura do Amapá, framlagd vid Universidade Estadual Paulista, inkluderar Ray Cunha bland de författare som representerar olika litterära visioner av Macapá och Amapá. Där uppmärksammas bland annat novellen Latitude Zero och dess skildring av staden. 

Ett examensarbete vid Universidade Federal do Amapá nämner också Ray Cunha som en av de författare som ingår i den amapaensiska litteraturen. 

Frågan tycks därför mindre handla om en total avsaknad av akademiska studier och mer om graden av institutionalisering. 

För att en författare ska inta en central position inom akademin brukar flera faktorer spela in: ett större antal magister- och doktorsavhandlingar som uteslutande behandlar hans eller hennes verk; publicering av kritiska studier; införlivande av texterna i obligatoriska litteraturkurser; närvaro i nationella antologier; översättningar och internationell spridning samt uppbyggnaden av en omfattande kritisk reception – det vill säga ett sammanhängande och betydande forskningsfält kring författarskapet. 

Om dessa faktorer förstärks under de kommande åren är tendensen att även Ray Cunhas närvaro inom universitetsforskningen kommer att öka. Akademisk reception är en kumulativ process som ofta utvecklas under flera årtionden, många gånger först efter att ett författarskap redan har etablerats fullt ut.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A AJOIA Brasil e o Samba do Crioulo Doido

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE JULHO DE 2026 Samba do presidente doido

 

Foi em Brasília

Onde nasceu o Molusco

Que a Princesa Carijó

Arresolveu se casá

Mas Alexandre, O Grande,

Tinha outros otários

E obrigou a princesa

A se casar com Daniel Vorcaro

 

Lá iá lá iá lá ia

O bode que deu vou te contar

Lá iá lá iá lá iá

O bode que deu vou te contar

 

Nine da Silva

Que também é

O Grande

Queria ser dono do mundo

E se elegeu Pedro II

Das estradas de Pernambuco

Seguiu pra São Paulo

E falou com Edir Macedo

O vigário da indiarada

Aliou-se a Dom Pedro

E encheu de PIB a mala

 

Da união deles dois

Ficou resolvido o assunto

E foi proclamada novamente a escravidão

E foi proclamada de novo a bacanal

Assim se conta essa história

Que é dos dois a maior sacanagem

Dona Carijó virou trem

E o Molusco é uma estação também

 

Ôôôôôô

O trem tá atrasado ou já passou

 

Sátira da sátira de Stanislau Ponte Preta, Samba do Crioulo Doido, por Ray Cunha 

SOCIALISMO É O ESTADO ACIMA DE TODOS E DE TUDO. É a socialização do alheio, até que o alheio acabe. É sinônimo mascarado de comunismo. É a democracia dos ditadores, dos déspotas, dos tiranos, dos algozes, dos carrascos, das máfias, dos terroristas. 

Os comunistas mataram Deus, a família e a cidadania. Só querem roubar, estuprar, torturar e matar. 

No Brasil, começaram a aparelhar o Estado desde a Ditadura dos Generais (1964-1985). Enquanto os militares combatiam guerrilheiros comunistas, estes, com dinheiro russo, prostituíam a mídia, as universidades e escolas, artistas, a máquina pública e os três poderes. Não escapou nenhuma instituição. 

A partir de 2003, tomaram conta de tudo, até hoje. Hoje, há a esperança de se mudar os rumos do país, que está afundando nas Marianas, nas eleições deste ano. O candidato da Direita, do Capitalismo, do Conservadorismo, é o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ). Mas todo cuidado é pouco. Tudo está nas mãos do sistema! Flávio poderá ser impedido de concorrer à Presidência, preso ou assassinado. 

O povo não aguenta mais os impostos escorchantes, a inflação, a violência nas ruas, a censura, a pobreza invadindo as casas, as dívidas impagáveis, inclusive a dívida pública. 

Ao longo da História do Brasil, alguns escritores e jornalistas funcionam como pilares, como luzeiros, que pavimentam a identidade nacional e advertem para o precipício. Sérgio Marcus Rangel Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, foi um deles. Carioca, nascido em 11 de janeiro de 1923 e falecido também no Rio, em 30 de setembro de 1968, foi jornalista, escritor, teatrólogo, cronista, radialista, comentarista, humorista e compositor. 

Criou o concurso de beleza As Certinhas do Lalau e o FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assola o País. Era incansável. Escrevia para o rádio, para a TV e para revistas e jornais, além de livros. Fez tudo até os 45 anos de idade, quando seu coração não suportou mais sua vida boêmia e produtiva. 

Em sua memória, um grupo de jornalistas e intelectuais fundou o semanário O Pasquim, em 1969. 

Publicou:

Tia Zulmira e Eu (1961)

Primo Altamirando e Elas (1962)

Rosamundo e os Outros (1963)

Garoto Linha Dura (1964)

Febeapá - Festival de Besteiras Que Assola o País (1966)

Febeapá 2 (Segundo Festival de Besteiras Que Assola o Pais) (1967)

Na Terra do Crioulo Doido (1968)

Febeapá 3 (1968)

A Máquina de Fazer Doido (1968)

Pequena História do Jazz, (1953)

O Homem ao Lado (1958)

A Casa Demolida (reedição, com acréscimos, de O Homem ao Lado 1963)

As Cariocas (1967) 

Em 1966, Stanislau Ponte Preta criou o Samba do Crioulo Doido, para o teatro rebolado, uma letra que ironiza a imposição dos militares, que obrigavam, então, as escolas de samba a cantarem exclusivamente enredos sobre a História do Brasil. O sucesso foi retumbante. A expressão “samba do crioulo doido” se popularizou, pois era um três por quatro do momento que o país vivia: mordaça, presos políticos, porão, sumiço. 

O Brasil continua um samba do crioulo doido, ou melhor, samba do molusco demente: presos políticos, tortura de presos políticos, censura, inflação rumo à estratosfera, imposto sobre imposto, roubo, estupro, escravidão, assassinato, terrorismo, imprensa prostituída. 

Por isso, foi fundada, este ano, a AJOIA Brasil (Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados), em Belo Horizonte, presidida pelo jornalista José Aparecido Ribeiro e integrada por jornalistas que investigam e revelam a tragédia que o povo brasileiro está atravessando: 23 anos de Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) no poder. O partido das trevas é de extrema Esquerda, comunista, ou socialista, ou democrático relativo, como se autodenominam. 

O fato é que o comunismo é a maior e mais perigosa máfia do planeta, trajada de colarinho branco. Sua democracia é na base do assassinato. Matam derrubando avião, envenenando, ou simplesmente à bala ou facão enferrujado. 

Só nos resta Tio Sam. Donald Trump já capturou a hiena da Venezuela, Nicolás Maduro, que, juntamente com Lula da Silva, comandava o Foro de São Paulo, o clube dos onipotentes. Trump terá peito para enfrentar o molusco?

 

Samba do Crioulo Doido

 

Foi em Diamantina

Onde nasceu JK

Que a Princesa Leopoldina

Arresolveu se casá

Mas Chica da Silva

Tinha outros pretendentes

E obrigou a princesa

A se casar com Tiradentes

 

Lá iá lá iá lá ia

O bode que deu vou te contar

Lá iá lá iá lá iá

O bode que deu vou te contar

 

Joaquim José

Que também é

Da Silva Xavier

Queria ser dono do mundo

E se elegeu Pedro II

Das estradas de Minas

Seguiu pra São Paulo

E falou com Anchieta

O vigário dos índios

Aliou-se a Dom Pedro

E acabou com a falseta

 

Da união deles dois

Ficou resolvida a questão

E foi proclamada a escravidão

E foi proclamada a escravidão

Assim se conta essa história

Que é dos dois a maior glória

Da. Leopoldina virou trem

E D. Pedro é uma estação também

 

O, ô , ô, ô, ô, ô

O trem tá atrasado ou já passou

 

Stanislau Ponte Preta