segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Carta aberta aos eleitores e candidatos ao governo do estado do Amapá e parlamentares

JAMBU se passa em Macapá, cortada pela Linha Imaginária do Equador

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 8 DE AGOSTO DE 2022 – O estado do Amapá, no setentrião do litoral brasileiro, a nordeste da Região Norte, no Platô das Guianas; é banhado pela foz do maior rio do mundo, o Amazonas, a leste, e pelo Oceano Atlântico a nordeste; faz divisa com o estado do Pará, a oeste e sul, e fronteira com a Guiana Francesa, ao norte, e com o Suriname, a noroeste, tem mais de 877 mil habitantes e 142.828,521 quilômetros quadrados de território. 

Desmembrado do estado do Pará, em 1943, como Território Federal do Amapá, e tendo como capital Macapá, tornou-se estado em 1988. É uma das unidades da Federação mais pobres e violentas, vítima da corrupção de colarinho branco e de traficantes e contrabandistas, embora potencialmente rica, como todos os estados da Amazônia. 

A Fortaleza de São José de Macapá, o maior forte colonial do Brasil, é o maior cartão postal de Macapá e o mais emblemático. No meu romance JAMBU, que se passa em Macapá, lê-se: 

“Construída para resistir a uma força semelhante à da marinha inglesa do século XIX, nunca foi atacada, exceto por um dos flagelos da Amazônia, a malária, também conhecida como paludismo, impaludismo ou maleita, doença infecciosa transmitida pela fêmea infectada do mosquito Anopheles e provocada por protozoários do gênero Plasmodium, que, no sistema circulatório do hospedeiro, vai parar no fígado, onde se reproduzem, provocando febre, dor de cabeça e nas articulações, vômito, anemia, icterícia, hemoglobina na urina, lesão na retina e convulsões, em ataques paroxísticos, com sensação súbita de frio intenso, seguida por calafrios, febre e sudação, paralisia do olhar, opistótono, convulsão, que pode progredir para coma ou morte. Tradicionalmente, os casos graves são tratados com quinino administrado por via intravenosa ou intramuscular. Não existe vacina contra a malária. As complicações a quem resiste à doença são estresse respiratório e desconforto psicológico. 

“Assim, a Fortaleza, maior ícone dos macapaenses, é a tradução perfeita de Macapá. Construída por escravos, negros e índios, sob o obsessivo domínio português, foi o cadinho no qual se forjou a etnia macapaense. Os portugueses cruzaram com os africanos e geraram mulatos, e fornicaram com os índios, formando uma população de mamelucos; os africanos fundaram o distrito de Curiaú e o bairro do Laguinho, misturaram-se com os índios e legaram cafuzos; e mulatos, cafuzos e mamelucos misturaram-se, fechando o círculo, numa diversidade étnica viva nas ruas de Macapá, nas nuanças de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela”. 

O colonizador contina ativíssimo, assim como os colonizados, que baixam a cabeça e dizem amém. O colonizador atual são os políticos corruptos e o colonizado é o curral eleitoral. Um exemplo, também emblemático, é o de Jeca Sarney, que caiu de paraquedas em Macapá, encantou os tupiniquins por ser ex-presidente da República e com a história da zona franca de Macapá, tornou-se senador vitalício e anexou o Amapá ao Maranhão. Hoje, a ameaça que paira sobre o Amapá é o comunismo, que prega a ditadura, se alia ao narcotráfico internacional, estatiza empresas, imóveis e propriedades rurais e torna o ensino público uma depravação só. 

De modo que recomendo aos eleitores amapaenses escolherem com cuidado seus candidatos, pois as sugestões que vou fazer a seguir jamais serão realizadas por comunistas, mas apenas por candidatos conservadores e com histórico de que nunca se corromperam. 

EDUCAÇÃO E CULTURA – A criação, na Universidade do Estado do Amapá (Uepa), dos cursos de engenharia naval, florestal e agrícola, e de oceanografia. A costa do Amapá é uma das regiões mais piscosas do planeta e vive cheia de piratas com navios que fazem arrastão, levando tudo. 

Também a criação das cadeiras de História da Amazônia e de Literatura do Amapá, pois conhecer a história do nosso subcontinente e a literatura produzida no estado nos faz compreender o presente e planejar o futuro, e sentir amor cívico. 

A aquisição pública de cinco exemplares de cada livro publicado por autores amapaenses, seja edição do autor ou editora, incluindo aí o Clube de Autores e a Amazon, para a Biblioteca Elcy Lacerda e outras. 

A criação de uma feira do livro anual, como a Pan-Amazônia, em Belém. 

Tirar o prédio do Marco Zero do Equador da condição de banheiro público, e sucateado, para a de local de eventos culturais, especialmente exposições de artes plásticas, com agenda diária, o ano todo. E como os turistas procuram muito o monumento, a Academia Amapaense de Letras, em convênio com o governo do estado, poderá criar e administrar uma livraria com livros de escritores amapaenses e da Amazônia. Há espaço para tudo isso. 

ENERGIA ELÉTRICA – Os governadores que passam pelo Amapá fazem vista grossa para um dos setores mais estratégicos visando ao desenvolvimento: energia elétrica. A produção do estado mal dá para iluminar as casas, quanto mais indústrias. É necessário que apareça algum herói para garantir, junto ao governo federal, o Linhão de Tucuruí. 

ÁGUA E SANEAMENTO BÁSICO – Macapá é banhada pelo maior rio do mundo, que despeja no Atlântico, em média, 200 mil metros cúbicos de água por segundo, mas é comum os moradores abrirem a torneira é cair um líquido amarelo. Às vezes, nem isso. Macapá precisa de estação de captação e tratamento de água. 

Com mais de 512 mil habitantes, Macapá não tem rede de esgoto. As fossas são sépticas. O lençol freático da cidade é contaminado o tempo todo. Também os rios são os lixões da região. Macapá precisa de esgotamento sanitário e galerias de águas pluviais. Os políticos sentem horror a esse tipo de obra. Até que dá para superfaturar, mas não rende voto. 

ESTALEIROS – O governo estadual precisa criar, desenvolver e estimular um polo naval. 

PORTO DE SANTANA – Trata-se do porto mais estratégico da Amazônia. Administrado pelo município de Santana, na Zona Metropolitana de Macapá, é utilizado para o embarque e desembarque de passageiros e alguns produtos da região. Construído inicialmente para embarcar manganês de Serra do Navio/AP para os Estados Unidos, sua profundidade é adequada a qualquer cargueiro transoceânico e é o porto brasileiro mais próximo, simultaneamente, dos mercados dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia via Canal do Panamá. Pode receber todas as commodities da Amazônia por hidrovias. Commodities destinadas à América Central podem ser armazenadas no porto e de lá seguirem pela BR-156 até Caiena e toda a América Central. Precisa passar para o estado. 

BR-156 – Rodovia federal que corta longitudinalmente o estado, ligando Macapá à Caiena. Vem sendo construída há mais de 80 anos. Começou a ser pensada em 1932. Até 1945, somente nove quilômetros foram construídos. Os governadores nunca se empenharam junto ao governo federal para concluir uma obra que é vital para o Amapá. No inverno amazônico, a parte inacabada da rodovia se transforma em atoleiro; no verão, em um inferno de poeira. O Exército vem trabalho dia e noite nela. Quem sabe o presidente Jair Bolsonaro a inaugure ainda este ano.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

A partir de agora forças ocultas tentarão eliminar Bolsonaro de qualquer maneira. Inclusive já o esfaquearam quase até a morte

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 3 DE AGOSTO DE 2022 – Eram 21h59 quando o celular de Alex tocou. 

– Vão matar o presidente e eu sei quem é o mandante – disseram, numa voz metálica. – Se você quiser saber detalhes, poderemos conversar, hoje, à meia-noite. 

– Com quem falo? – respondeu. 

– Só posso lhe dizer e dar os detalhes pessoalmente. 

– E por que você não informa o presidente? 

– Ele não vai acreditar. Talvez nem você acredite. O presidente será assassinado juntamente com o vice. 

– Então ambos estarão juntos quando forem assassinados? E você não acha que as Forças Armadas assumirão o comando? 

– Eles serão assassinados separadamente, mas na mesma hora, e as Forças Armadas farão o que o Supremo e o Congresso Nacional mandar; está tudo aparelhado. 

– Onde o presidente será assassinado? 

– O plano é muito cheio de detalhes e precisamos conversar sobre isso para você publicar no jornal da sua família. 

– Por que eu? Poderia ser no jornal do senador Patarrão, que também tem muita visibilidade. 

– Sabemos que você está investigando isso. 

– Quem mais sabe do plano? 

– É o que posso lhe dizer, agora. 

– Só tem um detalhe: eu não estou investigando nada. 

– Nada, mesmo? 

– Estou investigando o senador Patarrão. É ele o mandante? 

O outro demorou um pouco para responder. 

– Sei quem é o senador Patarrão. Não é ele. A ordem saiu do clube dos 11 dedos. 

– Um dedo a mais ou de menos? Que clube é esse? 

– Eles podem tudo. E olhe, o negócio vai acontecer logo. Não temos mais muito tempo. 

– Onde? 

– Entrando pelo Chifrudo, na BR-040, siga passando pela cachoeira Saia Velha. A cerca de um quilômetro da cachoeira você vai encontrar uma estradinha de chão em direção a Valparaíso. Tem uma placa logo na entrada da estradinha com a palavra “paraíso”. Entre nela. Mais ou menos a um quilômetro você vai encontrar uma casa. Me aguarde lá dentro. 

– Quando? 

– Hoje. Vá sozinho. 

– Você gosta da meia-noite! 

– É uma boa hora para se resolver certos assuntos. 

– Combinado! Estarei lá, à meia-noite! 

– Ok! 

A ligação foi interrompida. 

O texto acima é um recorte do penúltimo capítulo de O CLUBE DOS ONIPOTENTES (Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com, 2022, 278 páginas), meu último romance, no estilo de AGOSTO, de Rubem Fonseca, com personagens de ficção e reais, vivas e mortas. 

Pouco antes da Revolução Russa de 1917, o príncipe Félix Yussupov participa do plano para matar Grigori Yefimovich Raspútin, o Mago Negro da Rússia, aquele que aparelhou a casa dos Romanov, abrindo as portas para o Comunismo, a peste que, desde 1917, alçou máfias no mundo inteiro ao status de agremiações políticas. Era a chegada definitiva do crime organizado ao poder em todo o planeta, especialmente o narcotráfico. No Brasil, chegaram ao poder pelo Foro de São Paulo. 

O príncipe Félix Yussupov reencarna no Brasil como o jornalista Alex, que agora vai combater aquele que aparelhou o país para a segunda Revolução Russa, neste 2022. A missão do novo mago negro, agora com nove cabeças e nove ventosas, é transformar a Pátria do Evangelho na União das Repúblicas Socialistas da Ibero-América, que, mancomunada com a China, porá fim ao império americano e tornará o Trópico o paraíso da bacanal.

Mas para que isso aconteça um homem terá que ser eliminado. O CLUBE DOS ONIPOTENTES não revela o que virá por aí, ainda este ano, mas, como qualquer acontecimento de natureza profética, faz uma advertência.