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sábado, 21 de março de 2026

Ensaio sobre O Perfume, feromônio e sexo

Ray Cunha na redação de A Crítica, em Manaus/AM  1976

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MARÇO DE 2026 – Li O Perfume (Das Parfum, die Geschichte eines MördersO Perfume, História de um Assassino, Record/Altaya, Rio de Janeiro, 1985, 255 páginas), romance do escritor alemão Patrick Süskind, em 1998, aos 44 anos de idade. Conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, que possui um olfato muito mais apurado do que o de um cachorro, tanto que ele enxerga pelo nariz, orienta-se, na maior escuridão, pelo olfato, e parece que está enxergando tudo à luz do dia. Consegue sentir fragrâncias que o interessam a grandes distâncias e armazená-las em uma memória também excepcional. 

Mas ele porta uma tragédia, tão extrema quanto seu faro: seu corpo não tem cheiro, o que faz com que as pessoas não o percebem, como se ele fosse um fantasma. “O odor é a essência, e o que não tem essência não existe.” Ao perceber isso, a necessidade de ser notado, de ser amado, cresce nele, e o consome. 

A história se passa na França do século XVIII, em Paris, Auvergne, Montpellier, Grasse e, novamente, Paris, onde Grenouille veio ao mundo em meio a vísceras de peixe, em uma feira nas proximidades de um cemitério. A partir daí, a vida de Grenouille é uma luta pela sobrevivência. Adulto, se dá conta de que não tem cheiro, mas há uma saída: com seu olfato e memória poderosos poderá confeccionar perfumes excepcionais; você só precisa aprender todas as técnicas da então indústria de perfume e fabricar um perfume que lhe dê não somente personalidade, mas também que faça com que as pessoas o amem, que se ajoelhem diante de você, que chorem de tanta emoção de se aproximar dele. 

“Ele seria o deus onipotente do olfato, assim como fora em suas fantasias, mas desta vez no mundo real e sobre pessoas reais. E ele sabia que tudo isso estava ao seu alcance. Pois as pessoas podiam fechar os olhos para a grandeza, para os horrores, para a beleza, e os ouvidos para melodias ou palavras enganosas. Mas não podiam escapar do olfato.”

Ele sabe o que quer, mas ainda não sabe como criar seu perfume final, até encontrar uma adolescente virgem, ruiva, de olhos verdes, com um perfume inebriante recendendo do seu corpo, um cheiro leve à loucura, mas, ao mesmo tempo, uma aura redentora, luminosa, o perfume perfeito, “capaz de criar um mundo inteiro, um mundo mágico e rico”. Grenouille guarda na sua memória prodigiosa esse odor, que encontra, mais adiante, em 26 jovens, também ruivas e de olhos verdes, a última das quais excepcionalmente linda. É a partir dessas 26 jovens que ele cria o perfume, aquele que o tornará Deus. 

Contudo, a tragédia de Grenouille é ainda mais funda. Para ser amado é preciso ter a capacidade de amar e Grenouille, além de não ter cheiro, também não tem a capacidade de amar. 

Como eu disse, li O Perfume aos 44 anos de idade. Fiquei impressionado, pois se trata de um dos mais extraordinários livros de criação de toda a literatura universal, na minha modesta opinião, é claro. Aos 44 anos, eu era ainda mais obtuso do que hoje. Ele já havia publicado alguns contos e poemas, mas em termos de sabedoria, ele era uma fera quadrada. Pois bem, acabo de reler O Perfume , agora, claro, com uma visão mais requintada da vida, aos 71 anos de idade, o que me permitiu vislumbrar, no livro, sua alma: a intenção ao se usar perfumes é buscar aceitação, ser amado pelo próximo. 

A filosofia descobre a verdade e a ciência explica a mecânica. A filosofia teoriza sobre a vida e o amor, enquanto a ciência mostra como é a mecânica da vida e do amor. O psicanalista austríaco Sigmund Freud e o psicanalista francês Jacques Lacan descobriram que a maior força do ser humano é o sexo. O sexo é o maior estímulo que temos para viver. Tudo gira em torno dele. 

Os cinco sentidos são as antenas que captam a matéria e o sentido mais atuante é a visão. A beleza física é esmagadora. Não há nada que a freie. Na minha juventude, tive um amigo que era um Brad Pitt da vida, no auge da sua beleza. Mulheres, inclusive casadas, imploravam para ele as possuir. E, no cataclismo do sexo, o contato com a pele, com os lábios, o púbis, incendeiam ainda mais a fogueira. 

Além da visão e do tato, a audição também é um estímulo poderoso. Quando ouço Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Niccolò Paganini, Piotr Ilitch Tchaikovski, as melhores gravações de Frank Sinatra, Nat King Cole, Charles Aznavour, Billie Holiday, Édith Piaf, Gal Costa, Amira Willighagen aos 9 anos de idade cantando Ave Maria de Charles Gounod e Johann Sebastian Bach, lágrimas me vem aos olhos. Se estiver só, choro. É que os sons divinos sobem até alma. 

Na animação Ratatouille (2007), o crítico gastronômico parisiense Anton Ego, ranzinza e exigente, prova o prato preparado pelo rato Remy, um cozinheiro genial, e o sabor da comida desperta em Ego uma memória afetiva da sua infância: a comida feita por sua mãe. E o mundo se transforma para Anton Ego, levando-lhe leveza ao coração. 

Aos sábados, na Pedra da Ceasa, há uma banca especializada em iguarias paraenses – O Pará Tá Aqui. De vez em quando vou lá e tomo tacacá, e então todo um mundo amazônico e caribenho irrompe na minha memória, com cheiros e sabores, recendendo a jasmineiros chorando em noites tórridas, ostra com Cerpinha ao mar, merengue cubano, a mulher cafuza. 

Porém o mais recôndito e explosivo dos sentidos é o olfato. Ele é a antena que fareja os feromônios. Em certa fase da minha vida, em Manaus/AM, aos 21 anos de idade, quando somos imortais, pois todos os jovens são imortais, simplesmente porque nas suas memórias a morte ainda não se manifestou, observei um fato inesquecível. Não sou nenhum Marlon Brando, pelo contrário, sou baixo, feio e besta, e não sou personagem romanesca, mas, naquela época, mulheres, inclusive casadas, ofereciam-se a mim. 

Analisando esse fenômeno lembrei-me de alguns detalhes. Na época, eu não usava desodorante, shampoo nem perfume algum. Certo dia, no banheiro, fiquei horrorizado com a visão de uma colônia de bactérias do gênero Corynebacterium, que se proliferam devido à umidade e calor da região, uma camada amarela, aderida aos pelos das minhas axilas, de onde saía um odor forte. Era a falta de desodorante antitranspirante associada ao suor excessivo. Há mulheres que adoram o cheiro de suor de machos e chegam a cheirar-lhe as axilas. 

Eu adiciono um fator importante para a libido humana: charme. Aos 21 anos eu já era poeta, jornalista (sem diploma) e frequentava o Clube da Madrugada, e era imortal. 

O olfato é o gatilho da libido. Libido, do latim “anseio ou desejo” sexual, é influenciada por fatores hormonais, especialmente os hormônios testosterona e estrogênio; físicos; emocionais; e sociais. Baixa libido pode ser causada por estresse, má alimentação, medicamentos, problemas físicos ou falta de autoconhecimento. Já o aumento da libido envolve basicamente conhecimento de como funciona o corpo humano, dieta, exercícios físicos e dormir bem. 

O fato é que o impulso, desejo ou anseio sexual é essencial para a reprodução da espécie e a saúde física e emocional. A queda na produção de testosterona, tanto em homens como em mulheres, e de estrogênio nas mulheres, diminui o desejo sexual, e a baixa libido causa astenia, baixa autoestima, estresse, ansiedade, depressão, vícios e doenças crônicas. Para o fundador da Psicanálise, o neurologista Sigmund Freud, a libido é o impulso vital para a autopreservação da espécie humana, é a energia que impulsiona a vida, que abrange toda a força vital e vontade de viver.  

Na busca por libido, especialmente por homens desejosos de atraírem mulheres, muito se investigou sobre feromônio, que funciona como um mensageiro químico para comunicação entre indivíduos da mesma espécie. O sentido do olfato funciona por meio de quimiorreceptores na cavidade nasal, que transmitem informações dos receptores ao bulbo olfativo, que, por sua vez, processa essas informações utilizando dados da memória e o disparo de emoções. Um olfato apurado identifica facilmente alimentos perigosos e, também, feromônios. Uma pessoa que perde o olfato é como se perdesse o prazer de viver; torna-se um zumbi. Os odores são essenciais nas memórias, tornando-as emocionalmente mais intensas. 

Nariz, do francês “le nez”, é o profissional da indústria de perfume que desenvolve, compõe, cria fragrâncias de perfumes, cosméticos e produtos de higiene. É o artista do perfume, combinando diferentes ingredientes aromáticos para criar um aroma exclusivo. Geralmente, é graduado em Química ou Farmácia. O nariz procura associar fragrâncias a emoções, conceitos ou ideias, utilizando óleos essenciais extraídos de flores, plantas, madeiras ou frutos, ou sintetizados em laboratório; álcool de alta qualidade; e água. O perfumista, ou nariz, combina dezenas ou centenas de ingredientes para criar a fragrância que ele idealiza. 

Civilizações antigas, como a egípcia, a persa, a grega e a romana, utilizavam perfume; a realeza, claro. Hoje, todo mundo usa perfume, principalmente desodorante. Mas há uma química atrás da qual todo mundo anda: os feromônios. São substâncias químicas produzidas pelos animais, incluindo insetos, que conduzem mensagens sexuais entre membros da mesma espécie. Certa vez, vi um cachorro vira-lata saltar um muro várias vezes mais alto do que ele atraído por uma cadela no cio, presa no outro lado do muro. 

Feromônio é uma substância química produzida e excretada por glândulas exócrinas epiteliais em diversas partes do corpo, provocando excitação ou estímulo sexual entre indivíduos da mesma espécie. Entre 1956-1959, o cientista Adolf Butenandt, que ganhou o Nobel por trabalhos em hormônios, descobriu o primeiro feromônio, o Bombicol, produzido pela mariposa do bicho-da-seda (Bombyx mori). Ele e sua equipe dedicaram décadas isolando essa substância de centenas de milhares de mariposas, a fim de determinar a estrutura do Bombicol. 

Em 1959, os cientistas Peter Karlson e Martin Lüscher cunharam o termo feromônio, do grego pherein (transmitir) e hormon (excitar), ou seja, uma substância secretada para o meio externo por um indivíduo e recebida por outro da mesma espécie, desencadeando, no outro, uma reação comportamental. 

Feromônios, produzidos por ambos os sexos, tanto em animais quanto em humanos, são substâncias químicas produzidas pelo corpo e liberados, principalmente, por glândulas sudoríparas, nas axilas e em outras áreas da pele. Estudos comprovam que as mulheres produzem feromônio no período fértil. Assim, enquanto feromônios masculinos têm a função de sinalizar dominância, ou atração, os femininos sinalizam prontidão reprodutiva. Mas, embora haja evidências de compostos químicos que atuam como feromônio em humanos, a ciência ainda não bateu o martelo sobre sua influência efetiva no comportamento sexual e social humano. 

Fêmeas de animais solitários, como insetos, polvos, leopardos-das-neves, emitem sinais químicos, feromônios, na urina, fezes, no ar, que podem ser detectados por machos a quilômetros de distância. Traças, aranhas, grandes felinos, marcam seu território com feromônio, indicando que estão prontos para o acasalamento. Algumas espécies, como cobras e animais marinhos, migram para áreas específicas em certas épocas do ano para se reproduzirem. Algumas aves dançam para impressionar a fêmea; outras, constroem ninhos aconchegantes. 

No acasalamento, entram, também, componentes como sons. Muitos animais atraem o parceiro por meio de cantos ou gritos. Entre os sapos e rãs, os machos chamam as fêmeas por meio de sons. Entre os seres humanos, o timbre da voz é um grande atrativo às mulheres, assim como a simetria do corpo, especialmente do rosto. 

É possível fabricar feromônios sintéticos, em laboratório – compostos químicos que imitam as substâncias naturais liberadas por animais e insetos para comunicação, utilizados na agricultura, para controle de pragas, e na pecuária, para a reprodução. Só não foi inventado, ainda, um feromônio humano, com poder de sedução irresistível. O fato é que jamais uma substância química, ou conjunto de substâncias químicas, foi identificada como feromônio humano, assim como isso já foi identificado em insetos, que têm estrutura infinitamente mais simples do que seres humanos. 

Animais da ordem dos mamíferos entram no cio – do latim “ciere” ou “cieo”, “pôr em movimento, excitar, despertar” –, o período de excitação sexual e fertilidade em fêmeas, caracterizado por mudanças comportamentais (desejo sexual intenso ou luxúria) e fisiológicas (ovulação), que preparam para a reprodução. Nos machos observa-se aumento de testosterona, o principal hormônio androgênico. 

Após o orgasmo, tanto machos quanto fêmeas experimentam um aumento no nível de endorfinas, conhecida como “hormônio da felicidade”, neuro-hormônio produzido pela glândula hipófise, situada no cérebro, que atua como analgésico natural, aliviando dores, reduzindo o estresse e promovendo sensações de prazer e euforia; e ocitocina, conhecido também como “hormônio do amor”,  um neurotransmissor produzido no hipotálamo, que promove empatia, vínculo social e prazer, promove laços sociais, fortalece vínculos afetivos, gera empatia, confiança e bem-estar, estimula contrações uterinas no parto e a ejeção de leite materno, reduz o estresse, ansiedade e depressão, e aumenta a libido. Sua forma sintética é usada para induzir ao trabalho de parto e tratar hemorragias pós-nascimento do bebê. 

A produção natural de ocitocina depende de vários fatores. Diversos alimentos ajudam o corpo a produzir e liberar mais ocitocina, como os alimentos ricos em vitaminas D e C, magnésio e gorduras saudáveis, como frutas, principalmente abacate e tâmara; chocolate amargo; sementes de abóbora, chia e girassol; espinafre e couve, amêndoas e castanhas; peixes gordos, salmão, atum e sardinha; ovos; cogumelos; e lactobacilos. Também a ocitocina é liberada por meio de abraços e toque físico; atos de bondade, como trabalho voluntário; ouvir música e dançar. 

Outro neurotransmissor que atua no sistema de recompensa do cérebro é a dopamina, que promove motivação, concentração, aprendizado, memória controle motor e prazer. Assim, regula o humor e o aprendizado, sendo, desse modo, crucial para evitar desmotivação e apatia, e ampliar o interesse pela vida. Baixos níveis de dopamina estão associados à depressão, Doença de Parkinson, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), esquizofrenia, bipolaridade e vício, e à busca desenfreada por prazer (fast food, redes sociais, substâncias, desvios sexuais, jogos), fatores que elevam a produção de dopamina, causando tolerância e dependência. 

Mas a dopamina pode ser aumentada naturalmente, por meio de atividades físicas regulares e o consumo de alimentos ricos em tirosina (precursor da dopamina), como abacate, banana, feijão, ovos, peixes e carnes, bem como meditação, ouvir música e dormir bem. A dopamina sintética é utilizada para tratar choque cardiogênico (falha de bomba do coração) ou séptico (resposta inflamatória grave à infecção). 

A busca desenfreada por prazer leva a vícios e estresse crônico, que, por sua vez, levam a uma produção excessiva de adrenalina, hormônio e neurotransmissor produzido pelas glândulas suprarrenais, que prepara o corpo para “luta ou fuga”, em situação perigo ou forte emoção, aumentando rapidamente o ritmo cardíaco, a pressão arterial, a respiração e a glicose no sangue, direcionando energia para os músculos. 

A adrenalina sintética é crucial em parada cardiorrespiratória e choque anafilático, que é uma reação alérgica grave, de início rápido e potencialmente fatal, causando queda abrupta da pressão, falta de ar, inchaço na garganta e urticária, geralmente desencadeada por picada de insetos, medicamentos e alimentos, como nozes e frutos do mar. 

A norepinefrina, ou noradrenalina, é um neurotransmissor e hormônio crucial para a resposta ao estresse, regulação do humor e foco. Trata-se de um potente vasopressor, utilizado no tratamento de estados hipotensivos agudos, como choques cardiogênico e séptico, infarto do miocárdio e hipotensão aguda, pois aumenta a pressão arterial por vasoconstrição. 

Então, feromônios humanos são o cruzamento de uma série de fatores e determinadas circunstâncias, o que leva a entrar em campo um neurotransmissor: a serotonina, o “hormônio do bem-estar”, que atua tanto no sistema nervoso central como no trato gastrointestinal, regulando ritmo cardíaco, temperatura corporal, apetite, sono, humor, memória e atenção. Sua deficiência é causa de ansiedade e depressão. Os níveis de serotonina aumentam naturalmente com exposição ao Sol durante 15 minutos diariamente; exercícios físicos e alimentação adequada. 

O zinco é um mineral fundamental para o corpo humano, especialmente a saúde sexual masculina, pois aumenta os níveis de testosterona. Está presente principalmente em ostras, carne vermelha, frango, nozes, sementes de abóbora e feijões. Zinco auxilia na produção de óxido nítrico, vasodilatador produzido pelo corpo, melhorando a circulação do sangue no pênis e oxigenando os músculos. Óxido nítrico é encontrado em vegetais, como espinafre, rúcula, couve, beterraba, aipo e alface. 

Há uma substância importante para o desempenho sexual, pois é rica em óxido nítrico: a citrulina, que, também, reduz a fadiga muscular e melhora a circulação sanguínea. Melancia é rica em citrulina. 

Muitos homens apelam para o medicamente Viagra (citrato de sildenafila), que relaxa a musculatura e aumenta o fluxo sanguíneo no pênis, ingerido quando o homem se encontra em estado de estímulo sexual, em uma dosagem de 50 mg, cerca de uma hora antes da relação. 

Não é afrodisíaco, nem aumenta a libido, daí porque deve ser ingerido em estado de estímulo sexual, pois não dispara nenhuma hormônio ou neurotransmissor referente a emoções. Sua ação é puramente física e dura de quatro a seis horas. Não deve ser usado por quem ingere medicamentos contendo nitratos ou óxido nítrico, devido a riscos de baixar a pressão arterial para níveis que podem levar a tontura, desmaio ou morte. 

Para o fundador da psicanálise, o neurologista austríaco Sigmund Freud, a sexualidade não se limita ao ato sexual genital, mas engloba uma busca de prazer (libido) que permeia toda a vida humana, da mais tenra infância até a velhice. Para Freud, a sexualidade é a energia vital, que impulsiona ações e molda a personalidade, e, quando reprimida, origina neuroses e repressão. Impulsos sexuais reprimidos na infância manifestam-se como sintomas neuróticos na idade adulta. 

No caso do feromônio, há uma importante conexão com os estudos de Freud: o instinto. A sexualidade humana é movida por impulsos psíquicos e não por instintos biológicos como nos animais irracionais, pois a pulsão sexual busca prazer (erotismo) e não apenas a procriação. Os animais irracionais são arrastados para a procriação por um impulso biológico, hormonal, enquanto que os seres humanos buscam prazer erótico e procriam quando querem, com ou sem desejo. 

Em suma: humanos não produzem feromônios. É provável que os homens primitivos os tivessem, até, quem sabe, a Idade Média, mas, se assim foi, foram perdendo essa capacidade. Hoje, com os perfumes, os cosméticos, os medicamentos, os alimentos industrializados, a poluição, a afeminação dos homens, a higiene corporal excessiva, o processo que redundava no que se chama feromônio desapareceu. Exceto em alguns homens. 

A busca por se tornar um homem de magnetismo pessoal irresistível por meio de uma arma como feromônio é um desejo que povoa o imaginário de bilhões de machos. Contudo, a ciência já comprovou duas coisas: feromônios funcionam claramente no reino animal irracional, para acasalamento e marcação de território. Entre homens, não; e feromônios funcionam por meio de sinais químico-olfativos. Suponhamos que os homens produzam feromônios; neste caso, os feromônios estariam no suor produzido nas axilas, que contém compostos como a androstadienona, substância encontrada no suor masculino, considerado o “cheiro da atração”. 

Trata-se de um esteroide andrógeno derivado da testosterona, encontrado no suor masculino, que seria o feromônio humano, influenciando o humor e a atenção das mulheres, aumentando, assim, a atração, em mulheres, de homens com androstadienona. Sabedor disso, o homem que usa perfume com androstadienona aumenta sua autoconfiança, tornando-se, por conseguinte, mais atraente. Confiança gera carisma, fator de atração poderoso. Conclui-se que feromônio humano é uma mistura de suor e autoconfiança, e não um aroma em um frasco. 

O super-homem de Friedrich Nietzsche tem feromônio ou prescindiria dele? O Übermensch – super-homem ou além-do-homem –, do livro Assim Falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, cria seus próprios valores, aceita a vida como ela é, com suas dores e prazeres, e prescinde de dogmas religiosos. É um homem que está acima da moral do rebanho e que define seu próprio sentido para a existência. É estoico, não se lamenta nem sente ressentimento. Equilibra a racionalidade com a paixão, a liberdade com a responsabilidade, cria o próprio destino. É um tipo de homem que não se ajoelha aos pés de nenhuma mulher, embora respeite todas elas, e que, se uma mulher se entrega a ele, buscará picos de prazer e a levará junto. Este homem tem sex apeal. 

Sex appeal é o apelo sexual, atração física, sedução, magnetismo pessoal, sensualidade, personalidade, carisma, atitude, voz, postura, que um homem ou uma mulher exerce sobre os outros, provocando desejo, ou interesse. Esse conjunto de qualidades configura-se como energia sexual, magnetismo, charme – este, um encanto que transcende a beleza física. Assim, sex apeal remete a fascínio, sedução, atração, beleza, elegância, graça, magnetismo, simpatia, glamour. Pessoas charmosas demonstram autenticidade, autoconfiança, atitude, sedução. 

O homem primitivo certamente produzia feromônio de forma semelhante a outros mamíferos, o que garantia comunicação social, comportamento sexual e reprodução. Contudo, a produção e a sensibilidade a esta substância foi-se reduzindo ao longo da evolução. Os seres humanos adultos possuem um órgão vomeronasal vestigial, ou órgão de Jacobson, localizado no septo nasal, especializado, nos mamíferos, para detectar feromônios. 

Acredita-se que a perda de pelos corporais, que ajudavam a espalhar e concentrar o odor dos feromônios, e o desenvolvimento de formas complexas de comunicação social, especialmente das diversas línguas, substituíram o mecanismo da comunicação puramente química. 

Penso que beleza física é, talvez, o mais eficiente feromônio. Outro feromônio eficiente é charme, que tem uma vantagem sobre beleza física: não acaba, até a morte. E há perfumes. “Há um poder de convicção no perfume que é mais forte do que palavras, do que olhar, sentimento e vontade. O poder de convicção do aroma não pode ser descartado, entra dentro de nós como o ar em nossos pulmões, nos ocupa completamente, não há antídoto contra ele” – lê-se em O Perfume. 

Jean-Baptiste Grenouille “ainda seria capaz de criar um odor que fosse não só humano, mas sobre-humano, um odor angélico, tão indescritivelmente bom e com tanta energia vital que quem o cheirasse ficaria enfeitiçado, ficaria sob um encantamento, tendo de amar de todo o coração a Grenouille, o portador desse fantástico aroma. Sim, amá-lo é o que deveriam quando estivessem sob o fascínio do seu cheiro, não apenas aceitá-lo como igual, mas amá-lo até a loucura, até o sacrifício pessoal; deveriam tremer de encanto, uivar e gritar, chorar de prazer, sem saber por quê, cair de joelhos – isto é o que deveriam fazer como sob o incenso frio de Deus, só por chegarem a cheirá-lo!” 

“As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.” 

“...um cheiro tão assustadoramente divino. ...produzindo um impacto a que nenhum ser humano, homem ou mulher, escaparia. E as pessoas ficariam dominadas, desarmadas, perdidas diante do fascínio...” 

Afinal, o ser humano produz feromônio ou não? Bom, como bem observou Albert Einstein, o Universo é, todo ele, energia, e energia está sempre em movimento, vibra. Vibração, ou oscilação, é movimento que se repete, regular ou irregularmente, em determinado intervalo de tempo. No contexto da física quântica, quando a energia se condensa e forma matéria, ela vibra mais lentamente em comparação com a energia em estado menos denso, como a luz. Quanto mais baixa, lenta, condensada, é a vibração ou frequência da energia, mais densa ela é, ou seja, é matéria, sólida. Energias como pensamentos e emoções possuem frequências vibracionais mais rápidas. A vibração da consciência e do corpo físico é influenciada por uma combinação de fatores – físicos, emocionais, mentais e ambientais. 

David R. Hawkins (1927-2012), psiquiatra, pesquisador da consciência e professor norte-americano foca, nos seus livros, sobre a evolução espiritual e a relação entre mente, espírito e divindade. Ele criou o Mapa da Consciência, que mede os níveis de energia da consciência humana, oscilando de emoções negativas, como vergonha, culpa, apatia, tristeza, desejo, orgulho, medo e raiva, até estados elevados, como coragem, razão, alegria, amor, paz e iluminação. O mapa é utilizado para identificar estados emocionais predominantes, visando afetar a percepção da realidade e procurar elevar a vibração, por meio de uma vida saudável. 

O que seria uma vida saudável? Agradecer a tudo e a todos, amar, procurar viver em paz, rir, ficar em silêncio, viver o agora, comer alimentos naturais e frescos, tomar sol, caminhar, respirar profundamente, descansar, cercar-se de pessoas positivas, manter ambientes limpos, organizados e iluminados, e meditar, são alguns fatores que elevam a vibração humana. 

Ao passo que viver constantemente com medo, raiva, ciúme, inveja, culpa, vergonha, tristeza profunda, reclamando, ansioso, sedentário, comendo alimentos superprocessados e fast food, consumir açúcar, álcool e tabaco, assistir a noticiários sensacionalistas, violência, pornografia, ficar em ambientes caóticos e ter relações tóxicas, tudo isso gera estagnação de energia. 

Além da vibração alta, o feromônio está presente no suor de quem não usa cosméticos, nem perfume, e se alimenta naturalmente. Que tal tomar banho somente com sabonete neutro, comer frutos do mar e peixes, duas castanhas-do-pará por dia, comer melancia e tomar açaí paraense diariamente, comer nozes, frutas, principalmente vermelhas, e abacate, pelo menos três vezes por semana, tomar banho de mar pelo menos três vezes por semana, caminhar pelo menos durante 40 minutos todos os dias, dormir de seis a oito horas diariamente, ler muito e não usar desodorante e perfume? 

Pessoalmente, acho que o melhor feromônio é o que eu produzo: o não feromônio. Trata-se de algo absolutamente subjetivo, idiossincrático: minha igrejinha. Eu mesmo preparo a hóstia e a como, bebo o vinho, especialmente os italianos, ou do Porto, e oficio a missa, com roteiro meu. Não há confissão. Gosto de viver, da mulher amada, do mar, do azul, silêncio, ler, caminhar, ver, ofertar rosas para a madrugada, criar, sentir o eterno cataclismo do primeiro beijo, amar, cavalgar a luz. Como disse o pintor Olivar Cunha: “A vida é um tesão!”

domingo, 28 de dezembro de 2025

Por que escrevo

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 28 DE DEZEMBRO DE 2025 – Por que escreves? – pergunta-me o jornalista/– Para viver – respondo/Pois só com as palavras desnudo a luz/E voo até o fim do mundo/Por isso, escrevo granadas intensas como buracos negros/E garimpo o verbo como o primeiro beijo/Escrevo porque escrever traz aos meus sentidos/Cheiro de maresia/Dom Pérignon, safra de 1954/O labirinto do púbis no abismo do acme/Mulher nua como rosa vermelha desabrochando 

O poema Rosas para a madrugada, publicado no livro DE TÃO AZUL SANGRA, define por que escrevo. Para viver! Mas o que é a vida, por que morremos, existe vida após a morte? Nada aterroriza mais o ser humano do que a morte. Poucos sentimentos levam ao suicídio: dor, tortura, angústia, loucura, vazio. Acredito que o escritor Ernest Hemingway se matou por causa do vazio, pois já não podia fazer as coisas que tanto amava: não tinha mais memória para criar; não podia mais amar uma mulher horas a fio; e não podia mais beber. Nem viajar. Talvez nem sentisse mais o prazer dos prazeres: ler. 

Há o vazio da matéria. Além de ser impermanente a matéria não tem consciência, ou espírito, e é vazia como o átomo, o Cosmos. Isso é uma prova irrefutável de que a vida não é a matéria, mas apenas se utiliza dela. A vida está, por conseguinte, além da matéria.

Os cientistas geralmente não acreditam na vida após a morte porque não conseguem comprovar isso, mas os clarividentes comprovam. E a sintonia fina é a comprovação definitiva disso.

Se há consciência é necessário que haja também caminhada da consciência. A vida é isso. Quem morre é a matéria. A consciência apenas se utiliza da matéria. Portanto, transcende a matéria. A experiência na matéria é como disse o artista plástico Olivar Cunha: “A vida é um tesão!”

Com efeito, minha vida tem sido um tesão, o motor da minha criação literária. Sempre quis ser escritor. Lembro-me que antes dos meus cinco anos de idade meu irmão mais velho, Paulo Cunha, permitia que eu frequentasse o seu quarto, na Casa Amarela, ao qual chamávamos de Quartinho. Era um pequeno cômodo, atulhado de livros, revistas e gibis. Vendo aquele mundo de fotografias e ilustrações, percebi que para desvendar o significado de tudo aquilo era necessário decodificar as palavras impressas, e foi assim, movido por aquele desejo urgente, e com ajuda da minha mãe, Marina Pereira Silva Cunha, que aprendi a ler.

Aos 14 anos de idade, houve um Big-Bang na minha vida. Comecei a criar um mundo pessoal, por meio de poemas e crônicas, e depois, contos e romances. Este mundo se ampliou e hoje é um universo em expansão, à velocidade superior à da luz. Portanto, a vida não cessa. O que cessa é a matéria.

A velhice é o segundo grande drama humano e o maior problema da velhice é a solidão. Não a solidão de se sentir sozinho, mas a solidão de si mesmo, por não saber quem é, por se desconhecer, por não conhecer seu eu. Durante todo esse tempo, desde que comecei a entender o que estava se passando, aos cinco anos de idade, comecei a investigar a mim mesmo, razão pela qual, hoje, aos 71 anos, sou o senhor da minha vida. E desconfio que essa investigação é que me levou a escrever, pois escrever é como pilotar uma nave espacial quântica e desvendar outros mundos, outras dimensões.

Escrever nos proporciona um momento especial, que é o de estar só com a gente mesmo e descobrir que só dependemos de nós mesmos. Ao longo da vida vamos criando dependência. Da opinião alheia, da vida social, da manada. Ao envelhecermos, ficamos feios, horrorosos, asquerosos. Contudo, se passamos a vida inteira vivendo a nossa própria vida, sem a urgência de agradar, escrevendo o que temos que escrever, fazendo o que precisamos fazer, o que importa o que os outros pensem?

Fui uma criança medrosa, porque os adultos me faziam muito medo, em um tempo, os anos 1950, e em uma cidade remota, Macapá. E fui um adolescente e um jovem estúpido. Também, na minha infância, diverti-me à beça, e na minha juventude amei mulheres lindíssimas. E escrevi pra chuchu. Certa vez o jornalista e escritor manauara Isaías Oliveira me disse que o passado é feito do que há de melhor. Nunca esqueci o ensinamento do meu amigo. As coisas ruins do meu passado, incinerei-as. Dos erros, arrependi-me e não os cometo mais. E procuro transmitir o melhor que já vivi.

Quando somos jovens, temos muita disposição para aprender e gostamos da companhia dos outros, mas à medida que envelhecemos a disposição dá lugar a cansaço, desinteresse pela vida social. É quando, se não houver intimidade com nós mesmos, bate a verdadeira solidão.

A vida é, assim, um mistério. Tentamos desvendar esse mistério. Enquanto tentamos, vivemos. Não existiria átomo, o Universo, matéria, se não houvesse vida, pois a matéria depende da vida. Quem morre é a matéria. A vida é imortal. Quanto aos personagens que crio, vivem no seu próprio mundo; vivem suas vidas. Creio que procuram, como eu, suas próprias identidades.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A Magnitsky assombra como fome e os mortos do 8 de Janeiro aguardam os algozes no Umbral

O sistema é como as hienas, que comem vivas suas vítimas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 8 DE OUTUBRO DE 2025 – A Lei Magnitsky mata seu objeto a conta-gotas, vai enlouquecendo-o a cada dia, a cada hora lhe reserva o horror, como a fome, que é a loucura do estômago. Acostumado ao luxo, ao bom e melhor, o alvo se desespera. Sua família começa a odiá-lo, pois ela não consegue ver que sempre fez parte da vida indecente do chefe.

E quando o chefe, esgotado pela carência e pela fome, vai para o limbo, para o Umbral, desperta em um pântano de carniça, a carniça que foi sua vida no luxo, na roubalheira, no assassinato, e é perseguido, incansavelmente, pelos mortos do 8 de Janeiro. Eles querem vingança porque são inocentes e foram assassinados.

É impossível os assassinos escaparem da Lei Magnitsky, se viveram em uma bacanal de estupros, facadas e acidentes fatais misteriosos, se roubaram em escala e se espojam em dinheiro do narcotráfico, na escravidão, no espancamento de donas de casa idosas, avós, de mulheres que portam batom vermelho.

O deus da Magnitsky é implacável. Loiro, alto, bilionário, comandante da Pax Americana, seu porrete é uma mandioca, uma miratinga com cabeça de piroca. Sua porretada não mata imediatamente, faz os magnitskys choraram de dor, de loucura, de desaparecimento, e mergulharem na angústia do nada.

Os comunistas, que são os mais virulentos mafiosos, são guiados por magos negros, como jararaca de nove presas, daniel, cabeça de piroca, hipopótamo, boca de chupar ovos, maga patalójica, pudim de chuchu, poste, um neurônio, galinha e muitas outras carniças.

Eles acham que são imortais, que a vida na matéria é verdadeira. Querem dinheiro. Apenas querem dinheiro. São capazes de torturar uma avozinha para que ela assine uma confissão de golpe de Estado; são capazes de estuprar bebês. Mandam matar como quem faz desjejum em um hotel cinco estrelas.

Mas o loirão vem do Hemisfério Norte rearrumar seu quintal. O primeiro a cair, como Saddan Hussein, será Nicolás Maduro, que estuprou toda a Venezuela; depois, o loirão pegará outros bichos, deste vez da água, pois Maduro é igualzinho uma hiena devorando um filhote de gnu, vivo, a começar pelos órgãos genitais do gnu e, depois, as vísceras.

Os moluscos têm oito braços, mas há um que tem nove, cheios de ventosas, que cola aos úberes da burra. Marco Rubio, secretário de Estado americano, é especializado em desgrudar ventosas de úberes da burra, pois sua miratinga tem braços invisíveis: a CIA. Agentes analisam com lupa a Rua Faria Lima.

O Brasil, graças a Jair Messias Bolsonaro, passa por uma purgação. Se não fosse Bolsonaro tudo continuaria como dantes no quartel d’Abrantes. Bolsonaro sofreu um golpe de Estado, mas a Direita se organizou e cresceu, e, com o advento da Internet, o povo brasileiro começou a se dar conta do que está acontecendo.

Bolsonaro, esfaqueado e preso pelo sistema, está à morte. Eles não querem Bolsonaro vivo, em 2026, ano de eleições presidenciais. É isso. Vamos ver o que o Loirão vai fazer.

terça-feira, 17 de junho de 2025

A doença está na mente. Artrite é causada por atrito mental. A solução é pintar rosas azuis

As rosas azuis nascem em nossos corações, e são eternas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 17 DE JUNHO DE 2025 – Resolvi escrever sobre artrite, do ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), por duas razões: atendo pelo menos uma dezena de pacientes sofrendo de artrite todos os meses. A outra razão é Paloma, uma paciente de 92 anos, pintora, que ficou curada do que os médicos chamam de “artrite reumatoide degenerativa”.

Tenho colegas que praticam MTC clássica, a medicina chinesa baseada nos clássicos fundamentais da acupuntura, sistematizados em torno do século 200 antes de Cristo. Sou hodierno, utilizo conhecimentos anatômicos e fisiológicos atuais, levo em consideração o Trópico e imergi em uma linha metafísica de trabalho.

Artrite reumatóide é uma doença inflamatória crônica e autoimune, que pode degenerar as articulações; autoimune porque o próprio sistema imunológico ataca as articulações, provocando inchaço, dor crônica, rigidez, desgaste, deformações com alterações ósseas, dificuldade de movimento e incapacitação nas mãos, pés, joelhos, cotovelos, ombros e quadris.

As causas são as mais variadas possíveis, como genética, sobrepeso, impacto, movimentos repetitivos, falta de reposição de água, estilo de vida, hábitos alimentares, atrito mental etc.

Paloma é uma mulher elegantíssima, 1,75 metro, 65 quilos. A região que mais a incomoda são as mãos e ombros. Fumante. Rica, tem atrito com um filho e três netos, que, segundo ela, estão só aguardando-a ir desta para melhor. É nostálgica e melancólica. Conversei longamente com Paloma, artista extraordinária e culta; no fim da conversa o diagnóstico estava mais claro do que o Sol.

Quando falo em diagnóstico refiro-me a causas. A causa “artrite reumatoide degenerativa” de Paloma era mental, ou melhor, espiritual. Ou vibracional, como queiram. Nosso sistema imunológico é um exército de células especializadas em eliminar do nosso organismo tudo o que representa perigo. Quando o sistema imunológico enlouquece, ele se volta contra o próprio organismo e começa a degenerá-lo. É isso doença autoimune.

Paloma foi uma mulher lindíssima e teve uma vida muito romântica. Com a velhice, esse ambiente se foi e ela acabou estacionando no passado. Como o passado não existe, viver em um lugar que não existe trás, é claro, medo. A nostalgia lhe evocava emoções de outras épocas, seguidas de vazios, medo. O medo é mortal.

Como sair disso? Viver no passado ou no futuro gera emoções e expectativas de alguma coisa que não existe e o que não existe gera medo. Só existe o agora. A eternidade é agora. Paloma é pintora. Sugeri-lhe pintar a eternidade. Ela gosta de gatos e do azul. Ela poderia pintar um gato azul. Segredei-lhe que os gatos azuis são eternos. E lhe disse que ela não estava se amando, que ela não estava se olhando no espelho e vendo o brilho dos seus olhos castanhos, nem prestando atenção no seu sorriso.

Quanto aos seus filho e netos, nas suas orações, deveria lembrar-se que os ama e que eles, não importa o que pensem, são maravilhosos. Isso não quer dizer que vá ceder aos caprichos deles, mas que são pessoas amadas. Assim, o lado esquerdo dela, o masculino, que é o que mais dói, parará também de doer.

Quando não nos amamos, quando não vivemos o agora, nosso sistema imunológico confunde sua missão e começa a atacar tudo. E quando temos atrito mental com alguém o corpo reflete o que se desenrola na mente e surge artrite.

Aí, passei ao tratamento físico. Expliquei a Paloma que o alento vem do alto, em forma de oxigênio, entra nos pulmões e é distribuído ao corpo todo, e que o cigarro endurece os alvéolos, impedindo-os de absorverem oxigênio. Que oxigênio era o principal combustível para que ela tivesse forças para criar. Que a nicotina não poderia matar as rosas colombianas vermelhas que Paloma pintava azuis, nem poderia estagnar a luz que emana das suas telas.

Setenta por cento do nosso corpo são compostos por água. Uma pessoa adulta perde cerca de dois litros de água diariamente. Essa água precisa ser reposta. Uma pessoa desidratada de forma aguda se não tomar soro morre instantaneamente e uma pessoa desidratada de forma crônica morre aos poucos e dolorosamente.

Paloma estava bebendo apenas um litro de água por dia. Resultado: constipação intestinal, insônia, cefaleia, retenção de líquido e artrose. Ensinei-lhe um truque: de manhã, após o café, separar dois litros de água e monitorar no fim do dia o consumo dessa água, até que o cérebro crie uma memória de dois litros de água por dia. Também ministrei-lhe, durante um mês, água saborizada com hortelã. Já salvei uma paciente com água saborizada com hortelã. Aviso: é necessário saber fazer a mistura.

Ela comia salada crua, frutas e derivados de leite à noite, bem como tomava um pouco de álcool. Esse tipo de alimento é proibitivo entre 18 horas e 6 da manhã. Energeticamente falando. Estagnam a energia Qi, ou energia vital. Lendo isso, um nutricionista me despachará para o Pinel. À noite, só se deve comer o que vai ao fogo. É uma questão do Yin-Yang, que eu não vou explicar, aqui.

Ministrei-lhe também açafrão, ou cúrcuma, mas tem que ser em cápsula, de 500 miligramas, três vezes ao dia, durante um mês, após o qual fazer pausa de uma semana e, se for o caso, voltar a tomá-lo. Trata-se do mais potente anti-inflamatório em a natureza. Desinflama todo o corpo e depura o sangue.

Com as agulhas e auriculoterapia, tratei as articulações inflamadas, tonifiquei energeticamente os órgãos afetados e promovi relaxamento, duas vezes por semana, durante cinco semanas. Aqui, dois acupontos são fundamentais: VG20 e Yintang, ou Terceiro Olho, além do VC17, o ponto emocional mais importante.

Também ministrei tuiná, a massagem terapêutica chinesa, massageando Paloma principalmente na nuca, testa e no chacra do peito, o timo.

A última notícia que tive de Paloma foi que estava curtindo sua casa na Ilha Grande, em Angra dos Reis, juntamente com seu filho e netos, e pintando marlins-azuis.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

A quinta dimensão

DE TÃO AZUL SANGRA em capa da edição da amazon.com.br

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 9 DE JUNHO DE 2025 – Na física clássica, dimensão é um espaço matemático delimitado pelo número de parâmetros necessários para identificar um ponto nesse espaço. A reta, por exemplo, precisa de uma coordenada apenas para localizarmos, nela, um determinado ponto; por conseguinte, tem uma só dimensão. Já uma superfície plana cilíndrica tem duas dimensões porque sua estrutura precisa de duas coordenadas para localizarmos, nela, um ponto – por exemplo, uma latitude e uma longitude. E uma esfera é tridimensional porque são necessárias três coordenadas para se localizar, nela, um ponto.

A teoria da relatividade geral, de Albert Einstein, propõe uma geometria quadridimensional, o espaço-tempo. Tempo depende de duas coordenadas dentro das três dimensões conhecidas: posição do observador e movimento. Para um observador na Terra o aparente movimento do Sol gera dia e noite, mas para um observador na Lua o dia e noite terráqueo não existe.

Assim, dentro do tempo, uma pessoa pode se mover em uma realidade de três dimensões: para frente, para trás e para os lados, e de cima para baixo ou de baixo para cima. Alguém que viva em uma dimensão não pode ver quem vive em dimensões superiores e quem vive na quarta dimensão pode ver quem vive nas dimensões inferiores.

A dimensão pode também ser percebida indiretamente. Por exemplo, uma pintura clássica. É plana, mas a perspectiva em que ela é apresentada permite que o cérebro a perceba em profundidade. Da mesma forma, objetos apresentados na quarta dimensão podem ser sugeridos, como no cubismo e no expressionismo, por exemplo, em trabalhos de Pablo Picasso e Marcel Duchamp. Porque os grandes artistas vivem na quinta dimensão. Sem isso, não poderiam criar mundos na quarta dimensão.

As três dimensões estão ligadas à matéria, que é energia em estado denso. A quarta dimensão seria um ponto subjetivo, o do observador. E a quinta dimensão? Se não é matéria, o que seria? É também matéria, mas matéria em estado quântico. Matéria enquanto elétron. Pensamento?

Fisicamente, pensamento é vibração emitida no espaço. Logo, é mente em ação. A mente é, basicamente, a consciência, ou espírito, que é a centelha básica da vida, e propriedades da realidade humana: sentimentos evocados por emoções, cultura, imaginação, intelecto, memória, vícios, doenças e os acontecimentos terrenos do dia a dia.

A realidade está na mente. Se assim é, então a matéria se adensa por meio da mente. Por exemplo: raças superiores, os chamados ETs, adensam seus óvnis, ou discos voadores, por meio da mente de inteligência artificial, computadores quânticos com os quais a raça humana nem sonha. Mas o homem pesquisa e já construiu computadores quânticos, ainda rudimentares.

Por hora, as pessoas estão mais preocupadas em acumular dinheiro, mesmo que seja roubando, buscam o poder de controlar os outros, de escravizar, perseguem o prazer, tentam desesperadamente preencher o vazio, mas a matéria tem mais vazio, muito mais, do que massa.

O pensamento pode se manifestar como palavra, ou verbo, daí porque a palavra tem poder de criação. Mas de onde vem o pensamento, a palavra? Vem da mente. Não confundir mente com cérebro. O cérebro é apenas um órgão biológico, um chip. Funciona com memórias, abastecidas pela experiência. Se ele adoece, funcionará mal. Se é saudável e rico em memórias, a consciência que o habita sentirá a plenitude material.

Cérebros doentes ou experiências ruins geram o que conhecemos como ansiedade, que são narrativas, falácias, captadas no espaço-tempo, na quarta dimensão. As falácias são, assim, pensamentos defeituosos. A ansiedade se caracteriza por criar um futuro incerto. Pessoas sem senso crítico são as maiores vítimas da ansiedade. Os maiores vetores do senso crítico são a filosofia e a ciência; em termos práticos, são leitura, pesquisa, observação, leitura e mais leitura. É o que nos guinda à quinta dimensão.

Quanto ao futuro, podemos, no máximo, planejá-lo, e o planejamos agora, pois o futuro não existe. Nem o passado. Com relação ao passado, ele é fundamental, pois nos proporciona experiência, sabedoria. E só. Experiências ruins só servem como orientação para alinhar a nossa caminhada. Devemos esquecer as experiências ruins, apagá-las da nossa mente, queimar a ponte que leva a elas, pois se voltarmos a elas sentiremos as mesmas emoções ruins, o mesmo desequilíbrio emocional, a mesma dor.

Em suma, a quinta dimensão transcende a matéria, pois conta com todo o conhecimento das quatro dimensões. Outra evidência da quinta dimensão é o da criação, que é a missão dos artistas, bem como as descobertas dos cientistas. Ainda: liberdade seria viver na quinta dimensão em relação à quarta dimensão, porque liberdade é transcendência.

E como sintonizar com a transcendência? Não nos apegando a nada, não procurando controlar a vida de ninguém e anular o ego. E como fazer isso? Meditando, ou seja, conversando conosco mesmo dentro da mente, ou melhor, orando. Toda palavra, pensada ou dita, é oração. Fazendo o bem; por exemplo, trabalhos voluntários que beneficiam a sociedade. Não prejudicar o próximo, não roubando, não corrompendo, não escravizando, não humilhando.

Liberdade é montar a luz, aspirar o perfume dos jasmineiros, sentir o cheiro do mar, mergulhar na beleza da rosa.

Por que escreves? – pergunta-me o jornalista. 

– Para viver – respondo. – Pois só com as palavras desnudo a luz e voo até o fim do mundo. Por isso, escrevo granadas intensas como buracos negros e garimpo o verbo como o primeiro beijo. Escrevo porque escrever traz aos meus sentidos cheiro de maresia, Dom Pérignon, safra de 1954, o labirinto do púbis no abismo do acme, mulher nua como rosa vermelha desabrochando. 

Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda? Sim, nua! Cheirando a púbis! E mais bela do que isso? Grávida! Amamentando! Mais belo só crianças rindo! Luz se eternizando!

DE TÃO AZUL SANGRA pode ser adquirido nas livrarias virtuais do Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com

domingo, 8 de junho de 2025

Homens fortes não querem controlar ninguém

Jessica Rabbit é só um desenho, mas seu poder transcende a arte

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 8 DE JUNHO DE 2025 – Poder, do latim potere, é a capacidade pessoal de força, de ação, de deliberação, de exercer autoridade, soberania, sobre os outros. A capacidade de impor condições, de conquistar. A força pode ser bruta, ou apenas aparente. As ferramentas do homem poderoso são argumentação, carisma, charme, além de força bruta. Mas há um poder que transcende tudo isso: é o poder genuíno.

Aparentemente, o maior dos poderes é a beleza física. Aliada ao carisma, a beleza nos tornam atraentes, irresistíveis, fascinantes, magnéticos. Sei disso, além da teoria, pela prática, também. Sou testemunha e eu mesmo fui protagonista dessa situação. Na minha juventude tive um amigo extraordinariamente belo e também culto. As mulheres ficavam hipnotizadas na presença dele, incluindo mulheres casadas. Todas queriam dar para ele.

No meu caso, eu morava em Manaus, nessa época, e tinha 21 anos de idade. Os jovens são todos belos e imortais. Era o meu caso, também. Mas eu trabalhava como jornalista, já tinha livro de poemas publicado e frequentava o Clube da Madrugada. Tinha amigos como o cineasta José Pereira Gaspar, homem do mundo, experiente e culto, com quem varava, às vezes, a noite, conversando sobre literatura, cinema, boxe, aventuras, mulheres.

Assim, embora baixinho, andando de ônibus e frequentemente sem dinheiro para jantar, as mulheres acompanhavam a tempestade da minha vida com alegria. Tempestade porque eu vivia intensamente, mais até do que agora, quando minha vida é mais mental do que física; vivia apenas o momento mesmo da vida, o agora e o agora, amando as mulheres, essas obras de arte confeccionadas por Deus, até a medula. Foi nessa época que uma mulher casada, linda, suplicou para que a levasse ao Nirvana.

Esse tipo de poder não se dilui com o tempo. Não me refiro à redução de energia física, ao rosto murcho, à falta de interesse por sexo, mas à mente, aos conhecimentos, às experiências, que tornam a vida tão intensa. O mundo, a realidade, a vida, só existem, de fato, na mente. O corpo é apenas um escafandro apropriado para a atmosfera terrestre, um estado da matéria, no qual o espírito se materializa para sentir a experiência das emoções.

Outro poder é o financeiro. Nada é mais atraente a uma mulher, ou a um homem, do que a beleza física, e, em segundo lugar, o dinheiro. Sei de casos de mulheres lindas que se casaram com um homem que não amam, e até asquerosos, porque são ricos e generosos com elas.

Ditadores tratam de saquear seu país, pois exercem poder precisamente para o saque, que, além de os enriquecerem, serve também para corromper e pagar as forças armadas.

Perpassa, em toda a obra do escritor Nobel, Gabriel García Márquez, a solidão do poder, mas, aqui, trata-se do poder do ditador, poder ambicionado por todos, e, portanto, sempre ameaçado. É, por conseguinte, um poder falso. O verdadeiro poder está na mente e não no Estado. Por exemplo: eu tenho o poder de criar. Enquanto eu tiver saúde mental, mãos firmes e um computador, poderei criar e produzir. Um escritor, mesmo na cadeia, pode criar, e mesmo que esteja acamado, mas se puder pagar uma secretária, poderá ditar para ela. Esse poder não pode ser retirado.

Não pode ser retirado porque o verdadeiro poder é como o das rosas colombianas vermelhas. Elas são delicadas, frágeis, mas sua beleza é uma explosão atômica, porém, eterna em seu ápice. Assim, o poder é localizado por trás da representação. É simbólico, mas alicerçado na transcendência da terceira dimensão.

O poder da matéria é posse. Efêmero. Como gozo sexual, dura alguns segundos. Já o poder genuíno transcende a matéria. Localiza-se no espírito. E o maior poder é o despertar, é o da luz. Luz, neste caso, quer dizer lucidez e, despertar, a capacidade de enxergar a realidade em pleno agora.

Um homem assim não pode ser abalado, atingido, destruído. Nada pode destruir a mente lúcida, um espírito desperto. Nem o Sol pode destruí-lo, pois o estado da matéria de que é feito o Sol pertence a uma dimensão inferior a do espírito.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Lula não chegará ao fim do seu mandato. Se chegar, não será candidato à reeleição. Se for, com urnas auditáveis, será esmagado como rato

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 13 DE FEVEREIRO DE 2025 – O presidente Lula da Silva (PT) não chegará ao fim do seu mandato, em 2026. Se chegar, não concorrerá à reeleição. Se concorrer, e as urnas foram auditáveis, perderá até para um cachorro. Por sete razões. 

1 – Lula está com 79 anos de idade, bebeu muita cachaça e teve câncer na garganta. Isso o debilitou. 

2 – O Estado paralelo comunista que o mantinha foi estourado por Elon Musk, gênio das telecomunicações e corrida espacial, o homem mais bem-informado do planeta, braço direito do presidente americano, Donald Trump, líder supremo da Direita mundial. 

O dinheiro que vinha mantendo a Esquerda internacional, inclusive o Foro de São Paulo, era desviado da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (United States Agency for International Development - Usaid), trilhões de dólares, pelos comunistas ocultos no Partido Democrata, que aparelhou a Usaid. Trump fechou a torneira. Agora, os comunistas estão sem teta para mamar, em todo o planeta, incluindo o Brasil. 

3 – Lula e sua esposa, Janja, gastam muito, e já rasparam a burra do país. Não há mais dinheiro. A inflação está batendo na porta dos brasileiros e ele está cagando para a patuleia, não está nem aí se estão comendo ou não. 

4 – Quando Lula participa de eventos públicos, em vez de povo só aparecem seguranças e funcionários públicos. 

5 – Até as ratazanas do PT, partido do presidente, estão abandonando o barco. Sintomático. 

6 – Cada vez mais aparecem provas de que quem elegeu Lula foi o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Donald Trump, Elon Musk e a Direita brasileira já colheram provas que lotariam até o Maracanã.

7 – Lula não foi inocentado dos seus crimes, mas liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de modo que poderá voltar para a jaula. Mas, se isso acontecer, já tem uma cuidadora treinada. Embora, nessas alturas, só restem os despojos dele.

domingo, 3 de novembro de 2024

Bolsonaro afirma que será candidato a presidente em 2026. A Transição Planetária

Os dois maiores líderes da Direita mundial: o americano
Donald Trump e o brasileiro Jair Messias Bolsonaro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 3 DE NOVEMBRO DE 2024 – “O candidato sou eu” – afirmou o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro – cassado em seus direitos políticos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – na capa da edição de 1 de novembro da revista Veja. Sobre o 8 de Janeiro, Bolsonaro dá a entender que o golpe é mais em baixo. 

– Bolsonaro é o representante da direita no mundo. O que acontece é que, como está inelegível, acham que ele não vai ser candidato, mas Bolsonaro será candidato – declarou, há duas semanas, Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), de Bolsonaro. 

A Esquerda desdenhou. Está rindo até agora. 

– Bolsonaro será o candidato a presidente da Direita, em 2026 – garante o senador Jorge Seif (PL/SC). 

– Bolsonaro é a liderança da Direita que ilustra o cenário da mudança. O Brasil está pronto para a virada – disse o senador Luís Carlos Heinze (PP/RS). 

Bolsonaro é o único líder que aonde vai, em todo o país, atrai multidões de milhares de pessoas querendo uma foto com ele, ou apenas cumprimentá-lo, ou vê-lo. 

Mas por que um homem assim não venceu as eleições de 2022 e ainda está inelegível? 

Em 2022, Bolsonaro se manifestou no sentido de que as urnas eleitorais brasileiras deveriam contar com voto impresso. Foi aí que entrou o Partido Democrata americano. Segundo o Financial Times, a Casa Branca de Joe Biden enviou uma mensagem a líderes políticos e militares brasileiros que Washington não toleraria que questionassem o processo de votação brasileiro, muito menos o resultado. 

A pressão teria envolvido as forças armadas americanas, a CIA, o Departamento de Estado, o Pentágono e a Casa Branca. 

Resultado: Bolsonaro perdeu para Lula da Silva e ainda recebeu cartão vermelho de oito anos. E mais: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, vem tentando prendê-lo desde então. 

Alexandre de Moraes já mandou prender centenas de pessoas, entre parlamentares, jornalistas e até donas de casa, acusadas de golpe de Estado, aplicando penas de 15 anos de cadeia. 

Seriam sintomas da Transição Planetária no Brasil? Transição Planetária é o fim de um projeto da Humanidade e o começo de outro, sinalizada por transformações profundas em todo o planeta e em seus habitantes, inclusive ocorrências de natureza política. 

Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, explica que a Transição Planetária da Terra é a passagem de um mundo de expiações e sofrimentos para um mundo de regeneração, justiça, paz e fraternidade. 

A corrupção, o roubo, o estupro, a escravidão, o assassinato, darão lugar a um nível mais elevado de consciência espiritual, ao amor, à paz. 

Do jeito que está, líderes políticos roubam em escala, a poluição e desastres ambientais matam milhões de pessoas todos os anos, e as guerras, outros milhões. Uma terceira guerra mundial durará menos de um dia e não sobrará nada. 

Por aqui, na matéria, a coisa está preta. O totalitarismo paira no ar. Mas médiuns sérios, como o astrofísico Laércio Fonseca, dão conta de que no mundo espiritual estão trabalhando muito, como sempre, observando as coisas aqui no orbe terrestre. Quero ver se houver uma intervenção. Vai aterrorizar muita gente poderosa.

De pontual, mesmo, só as eleições de depois de amanhã nos Estados Unidos. Se Donald Trump ganhar, as masmorras americanas vão inchar.

Atenção: Todas essas notícias já foram publicadas ad nauseam na imprensa, inclusive na velha mídia. Apenas relacionei-as à Transição Planetária.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

A cultura woke vê o mundo como um megabanco mal guardado entupido de ouro, diamante e joias

Musk e Trump têm encontro marcado em 5 de novembro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 9 DE OUTUBRO DE 2024 – Depois que o presidente americano, o democrata Joe Biden, foi considerado inapto a concorrer a um segundo mandato, contra o republicano Donald Trump, por mostrar sintomas de demência, foi substituído, na disputa, pela vice-presidente, Kamala Devi Harris (Oakland, Califórnia, 20 de outubro de 1964), filha de Shyamala Gopalan Harris, indiana da etnia tâmil, e de Donald Harris, jamaicano afrodescendente, advogada, senadora (2017-2021) e procuradora-geral da Califórnia (2011-2017), declaradamente Woke. 

Woke é uma gíria que significa o pensamento progressista, feminismo, ativismo LGBT, gênero neutro, liberação do aborto e das drogas, fim da família, Estado obeso, morte de Deus, totalitarismo. Ou seja: suicídio coletivo. Fim da civilização. Barbárie. Trata-se de paranoia racial e política, um pensamento de extrema esquerda, radical, contra a ordem estabelecida e pela mordaça contra todas as palavras que considerem ofensivas a minorias. 

Os wokes defendem o uso de pronomes de gênero neutro, multiculturalismo, vacinação obrigatória, ativismo ecológico, direito ao aborto, inclusive de nove meses, liberação das drogas, determinação da sexualidade dos filhos, fim das polícias e das religiões, e todo tipo de miséria humana. 

Donald Trump é o maior crítico da cultura woke, defensor que é da família e da democracia. Para ele, os wokes são wokes lefties, esquerdistas despertos, praticantes do “fascismo da extrema esquerda”, “a própria definição de totalitarismo”. Segundo o republicano Ron DeSantis, governador da Flórida, “woke é a nova religião da esquerda”. 

A comentarista política conservadora Tammy Bruce alertou, na rede de TV Fox News: “Você pode perder o seu trabalho. Pode ser rejeitado na arena pública americana nas redes sociais. Pode ser perseguido na rua. Podem atirar coisas em você. Você pode ser agredido fisicamente, como ocorreu ao escritor Salman Rushdie. Pode ser apunhalado na garganta se eles não concordarem com você”. 

É o comunismo americano, vírus espalhado nas escolas e universidades brasileiras – diria o maior líder conservador do país, Jair Messias Bolsonaro. 

Os works americanos, incrustados no partido Democrata, estão por trás das ditaduras e atentados contra a democracia mundo afora, acobertados por famílias trilionárias que lucram mais ainda com mais ditaduras e guerras, vendendo armas, drogas e sexo, e escravizando a Humanidade.

5 de novembro vem aí. Elon Musk também está a postos.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Bentinho foi criado debaixo da saia da mãe. Era corno em potencial, sofria a síndrome do ciúme. Flora Thomson-DeVeaux e a identidade carioca

Jessica Rabbit: cada qual alimenta a Capitu que fantasia

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 4 DE JULHO DE 2024 – Bento de Albuquerque Santiago, Bento Santiago, Bentinho ou Dom Casmurro, é o protagonista do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis. A trama é contada por Bentinho, daí que ninguém sabe se aconteceu realmente ou é fantasia. Ele foi mimado pela mãe viúva, e a gente sabe que meninos criados dessa forma são paus-mandados das mulheres pelo resto da vida, e, talvez por isso, por serem paus-mandados, acabam, paradoxalmente, desenvolvendo também misoginia. 

Em certo momento da vida de Bentinho ele passa a acreditar que sua esposa, Capitu, pôs chifre nele, com seu melhor amigo, Escobar, que morre afogado, apesar de bom nadador. Capitu pare uma criança, Ezequiel. Segundo Bentinho, Ezequiel é uma cópia de Escobar. Ninguém mais no romance acha isso; só ele. Exila Capitu na Suíça e Ezequiel morre na flor da idade. Só restam a Bentinho dois caminhos: suicidar-se ou conviver com os fantasmas do seu passado. Escolhe a crosta de Dom Casmurro. 

Mas o grande interesse dos leitores de Dom Casmurro é Capitu, Maria Capitolina de Pádua Santiago, nada menos que a personagem de ficção mais famosa do Brasil, passando, inclusive, Maria Deodorina da Fé Bittencourt Marins, ou Reinaldo, ou Diadorim, de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. 

Capitu é uma adolescente sensual, que lembra Lolita, de Vladimir Nabokov. Mas uma mulher de personalidade forte, alta, morena, de cabelos grossos e compridos, nariz reto e comprido, boca fina e queixo largo, olhos claros e grandes, “de ressaca, oblíquos e dissimulados”, segundo Bentinho. Olhos de ressaca, o que é isso? Certa vez, banhei-me em Copacabana em mar de ressaca, ou encapelado. Um olhar assim é inquieto e traz à tona um turbilhão interior. Para Bentinho, Capitu era assim. 

Também ele a vê como uma cigana, mulher misteriosa, que olharia o outro de forma indireta, com fingimento. E, no entanto, a gente vê que Capitu não é isso, não é fingida. Há, porém, uma frase fundamental para se entender a trama de Dom Casmurro, proferida pelo próprio: “Capitu era mais mulher do que eu homem”. 

Machado de Assis é considerado pela crítica literária o ponto máximo da literatura brasileira. Creio que a principal coordenada que leva a essa consideração é a poesia. Para mim, poesia é escrever em profundidade. Explico. 

Segundo o historiador Plutarco, por volta de 70 a.C., o general romano Pompeu estava na ilha de Sicília, ao sul da Itália, com a missão de transportar trigo para Roma, que passava por uma crise de abastecimento causada por uma rebelião de escravos. Havia uma tormenta no porto. Naquela época, as limitações tecnológicas tornavam a navegação de alto risco, além dos ataques piratas. Mas diante da situação e do comprometimento de Pompeu com Roma ele se fez ao mar. “Navegar é preciso, viver não é preciso” – proferiu. 

A vida material é finita, mas enquanto a vivemos é preciso navegar, mesmo que haja uma tormenta no porto. É necessário transpor os obstáculos, sejam quais forem. É preciso navegar. Viver não é preciso. Pois que viver é navegar. Isso é poesia. Um corte em profundidade da vida. Assim escrevia Machado de Assis. Além disso, ele tem outros méritos, méritos que o faz emblemático em A IDENTIDADE CARIOCA, romance meu recém-publicado. 

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, e morreu na mesma cidade, que tanto amou, em 29 de setembro de 1908. Nasceu no Morro do Livramento, estudou um pouco, em escolas públicas, e não soube o que foi frequentar uma universidade. Mulato, era filho de um negro e uma portuguesa da ilha de São Miguel. Culto, era leitor inveterado. Escreveu cinco livros de poemas, mais de 600 crônicas, folhetins, fez jornalismo, escreveu crítica literária, 10 peças teatrais, 200 contos e 10 romances. Fundou a Academia Brasileira de Letras (ABL). Foi um cronista do Rio de Janeiro de sua época; um homem do seu tempo. 

Ser um homem do seu tempo é viver intensamente seu tempo. No caso do escritor, ele escreve sobre seu tempo. Por exemplo: pode-se dizer que Luiz Alfredo Garcia-Roza é um homem do seu tempo. Apenas o Rio de Janeiro de Garcia-Roza não é o de Machado de Assis, nem o gênero. Copacabana, que Roza amava, está toda ela, pulsando, neste século, nos seus thrillers policiais. 

Recentemente, a escritora e podcaster americana Courtney Henning Novak viralizou nas redes sociais. Ela lançou um desafio pessoal de ler um livro de cada país do planeta. Do Brasil, escolheu Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado, e escreveu, antes mesmo de terminar a leitura: “Preciso ter uma conversa com o pessoal do Brasil. Por que não me avisaram antes que este é o melhor livro já escrito? O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?” 

A tradução lida por Novak é da também americana Flora Thompson-DeVeax, que vive no Rio de Janeiro. Conheceu a obra de Machado de Assis na Princeton University, onde estudou língua portuguesa. “Acho que para qualquer pessoa que se propõe a estudar o Brasil chega uma hora que tem que encarar o Machado” – esclarece Flora, para quem Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, “me pareceu absurdamente moderno, hilário, surpreendente a cada página. Não consegui conceber por que o autor não era mais conhecido”. 

Ela passou cinco anos traduzindo o livro, entendendo o significado de certas palavras, a época em que o livro se passa, a geografia e o meio social, a história do Brasil, a identidade carioca. Hoje, Flora é daquelas cariocas como eu, que morou na cidade e se apaixonou por ela. Não porque a cidade é maravilhosa, linda, esplêndida, mas, principalmente, porque contamos, Flora e eu, com o terceiro olho bem aberto, aquele que proporciona a visão em corte vertical.