segunda-feira, 19 de abril de 2021

Roberto Carlos canta para Santa Rita de Cássia a música suave que vem do éter azul das estrelas

Roberto Carlos e Ray Cunha em Manaus - junho de 1976

Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia, em Conduru/ES

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 19 DE ABRIL DE 2021 – No dia 22 de maio, a Casa de Cultura Roberto Carlos, na Rua João de Deus Madureira, bairro do Recanto, na cidade natal de ícone da música popular brasileira, Cachoeiro do Itapemirim, sul do Espírito Santo, receberá uma acrílica sobre tela imortalizando Roberto e a padroeira do distrito cachoeirense de Conduru, Santa Rita de Cássia, em espátula e pincel de um dos grandes expressionistas do país e restaurador de obras sacras do Espírito Santo, Olivar Cunha, que mantém ateliê em Conduru.

É uma homenagem ao maior cantor e compositor pop do Brasil, que hoje completa 80 anos. A Casa de Cultura Roberto Carlos é onde Roberto nasceu e viveu até os 13 anos, com seus pais e os irmãos. Adquirida pela prefeitura de Cachoeiro, tornou-se museu, com documentos, fotos, discos, quadros, instrumentos musicais, como o piano em que Roberto tinha aulas quando criança, e um aparelho no qual a família ouvia a Rádio Cachoeiro, onde o músico cantou pela primeira vez, em um programa infantil, aos 9 anos. 

No pavimento superior, foi criado o Cantinho do Artesão, sede da Associação dos Artesãos de Cachoeiro de Itapemirim, onde se pode comprar produtos artesanais em pedra, contas, madeira e tecido, além de doces, pães e compotas. O museu, que ajuda a resgatar a história do mais conhecido artista pop do Brasil, é frequentado por milhares de fãs, turistas e curiosos, o ano inteiro. 

Em 2013, foi inaugurado o Corredor Cultural Roberto Carlos, que consistiu na revitalização da ladeira onde Roberto brincava de carrinho de rolimã em frente à casa. As calçadas foram reformadas em granito avermelhado, um dos maiores produtos de exportação de Cachoeiro. E em 2015, a praça Pedro Cuevas Júnior, que integra o Corredor Cultural Roberto Carlos, recebeu uma estátua do cantor, em mármore branco, esculpida pela artista plástica Angela Borelli. 

Em 2009, Roberto visitou a casa durante uma turnê em celebração aos seus 50 anos de carreira. Disse, então, que pensava ampliar o acervo com objetos que marcaram a história da Jovem Guarda. Comenta-se, em Cachoeiro, que aqui e ali Roberto sai do Rio de Janeiro e vai até Cachoeiro, anonimamente. Sobrevoa a cidade de helicóptero e percorre-a de automóvel. Acredita-se que ainda este ano, ou em 2022, ele doará ao museu um grande acervo. 

Três dos nomes mais ilustres de Cachoeiro são Roberto Carlos; o maior cronista brasileiro, Rubem Braga; e Santa Rita de Cássia, que nasceu em Margherita Lotti, Roccaporena, Itália, em 1381, e morreu em Cássia, Úmbria, Itália, em 22 de maio de 1457. Freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália, foi beatificada em 1627 e canonizada em 1900 pela Igreja Católica. É a Santa da Rosa, a advogada das causas perdidas, a santa do impossível e protetora das mães e esposas que sofrem maus-tratos dos maridos. Seu corpo, incorrupto, é venerado hoje no santuário de Cássia. 

Rubem Braga é o Sabiá da Crônica e Roberto, o quarto e último filho do relojoeiro Robertino Braga (1896-1980) e da costureira Laura Moreira Braga (1914-2010), conhecido, quando criança, como Zunga. Aos 6 anos, no dia da Festa de São Pedro, padroeiro de Cachoeiro, brincando sobre a linha férrea, Roberto foi acidentado por uma locomotiva e sofreu fratura em sua perna direita. Foi levado ao Rio, onde sofreu a amputação da perna, um pouco abaixo do joelho. Até hoje usa prótese. 

Começou a tocar violão e piano ainda criança, ensinado por sua mãe e depois no Conservatório Musical de Cachoeiro de Itapemirim. Sonhava, então, ser arquiteto (hoje, é dono de construtora), caminhoneiro (há muitos em Cachoeiro, principalmente transportando mármore e granito), aviador ou médico, mas sua genialidade (criatividade e timbre de voz) estava na música. 

Incentivado pela mãe, Roberto cantou pela primeira vez em um programa infantil na Rádio Cachoeiro, aos 9 anos, o bolero Amor y más amor. Primeiro lugar. O prêmio foram balas. “Eu estava muito nervoso, mas muito contente de cantar no rádio. Ganhei um punhado de balas, que era como o programa premiava as crianças que lá se apresentavam. Foi um dia lindo” – recorda-se. A partir daí, todos os domingos, lá estava Roberto na rádio. 

Em meados dos anos 1950, Roberto se muda para o Rio, onde começa a escutar rock and roll: Elvis Presley, Bill Haley, Little Richard, Gene Vincent, Chuck Berry. Em 1957, seu colega de escola Arlênio Lívio Gomes levou Roberto para conhecer um grupo de amigos que se reunia na Rua do Matoso e no Bar Divino, na Rua Haddock Lobo, na Tijuca. A Turma do Matoso era integrada por Sebastião Maia, que depois se tornaria famoso como Tim Maia, Edson Trindade, José Roberto China e Wellington Oliveira. Não deu outra. Roberto formou com eles seu primeiro conjunto musical, The Sputniks. Em 1958, Roberto conheceu Erasmo Carlos. 

Depois de muito pelejar, os Sputniks conseguiram uma apresentação no programa Clube do Rock, na TV Tupi, apresentado por Carlos Imperial. Após a apresentação, Roberto conseguiu falar com Imperial e agendar uma participação solo no programa. Sebastião Maia descobriu e achou que aquilo era uma traição, discutiu com Roberto e Roberto caiu fora dos Sputniks; foi procurar outro foguete. O grupo não aguentou sem Roberto e se desfez. Edson Trindade, Arlênio, China e Erasmo Carlos formaram The Snakes. 

Roberto continuou a se apresentar no Clube do Rock, onde Imperial o apresentava como o Elvis Presley brasileiro e Tim Maia como o Little Richard brasileiro, e começou a cantar na boate do Hotel Plaza, em Copacabana, samba-canção e bossa nova, acompanhado pelos Snakes, que também acompanhavam Tim Maia. 

Em 1959, Roberto conseguiu gravar João e Maria e Fora do Tom, um compacto simples no qual imitava João Gilberto, e, em 1961, lançava seu primeiro álbum, Louco Por Você, com a maioria das canções composta por Carlos Imperial. Em novembro de 1963, lançou seu segundo álbum, Splish Splash, versão de Roberto e Erasmo Carlos para gravação de Bobby Darin. Mas o disco já trazia canções como Parei na Contramão. Em 1964, Roberto explodia com o álbum É Proibido Fumar. 

Em 1968, Roberto primeiro venceu o Festival de San Remo, Itália, com Canzone Per Te, de Sergio Endrigo e Sergio Bardotti. De 1961 a 1998, Roberto lançou um disco inédito por ano e estrelou três filmes: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa (1970) e Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora (1971). É o artista com mais álbuns vendidos na história da música popular brasileira: mais de 140 milhões de cópias, em todo o mundo, e é chamado por Rei. 

Estive com Roberto uma única vez, em junho de 1976, em Manaus. Roberto é 14 anos mais velho do que eu. Na época, eu estava com 21 anos e Roberto com 35. Assinava a coluna No Mundo da Arte no jornal A Notícia e fui entrevistá-lo no Hotel Amazonas, no centro de Manaus. O Rei fora fazer um show de aniversário de quatro anos da TV Baré, no Olímpico Clube, no dia 4 de junho. 

No fim da entrevista, Roberto posou comigo para uma foto. Ele é mais alto do que eu; mede 1,70 metro e eu, 1,64. É um cara com quem entabulamos conversa muito facilmente. Suas repostas fluem naturalmente. Já entrevistei artistas de respostas labirínticas e o tempo todo drogados. Roberto é natural, e, pelo que leio e vejo na mídia, creio que 45 anos depois ele continua como naquele dia. 

Uma coisa é certa, ele continua compondo e gravando, por uma razão simples: os gênios só param quando morrem. E quando falo morrer, quero dizer desencarnar, porque a vida continua em outro plano; neste, Roberto já mergulhou no éter e sente o cheiro do azul, entrou naquele momento da sua vida cármica em que só há paz, a música suave que vem das estrelas. 

Com a Wikipédia

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Establishment começa a sangrar Jair Bolsonaro em luta fatal à navalha. Voltaremos a tirar as máscaras e sentir o perfume dos jasmineiros?

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 16 DE ABRIL DE 2021 – Astrólogos, videntes, sensitivos, tarólogos, analistas, são unânimes e ficam à vontade em afirmar duas coisas: 2020 e 2021 são anos do capeta e o presidente Jair Messias Bolsonaro que se cuide, porque o establishment o quer desmoralizado, preso e morto. 

Os anos do demônio ficam por conta do vírus chinês, que já lascou a economia brasileira. O lockendown imposto por governadores e prefeitos comunistas contra a população mata em casa, de covid-19 e fome. Quanto a Bolsonaro, quando viram que ele ia ganhar as eleições o estriparam. Isso é sintomático. Mas ele escapou, por milagre; contudo, pelo que tudo indica, não deverá escapar agora. 

Muita gente fica revoltada contra o Supremo Tribunal Federal (STF), achando que é traidor da pátria. Supremas cortes, em todo o planeta, são apenas tribunais máximos a serviço do establishment. Simples assim. Seu poder vem do que já está estabelecido. Pensar que são guardiões de constituições é ingenuidade. E no Brasil não querem Jair Bolsonaro. 

E com que pode contar Bolsonaro? Com as Forças Armadas? Não! Hugo Chávez Maduro conta com as forças armadas venezuelanas, mas tem praticamente o mundo contra ele. Uma hora vão pegá-lo pelo rabo e estripá-lo como quem limpa peixe. Bolsonaro conta com o povo. É quem pode salvá-lo. Mas terá que ser um movimento gigantesco, quase uma guerra civil. E guerra é guerra; é sempre como se o inferno desabasse. 

O establishment brasileiro tem mil príncipes, nos três poderes e na iniciativa privada, e sempre se roubou muito no país, especialmente na era PT/Lula Rousseff. Bolsonaro não rouba e não deixa roubar. A abstinência está enlouquecendo as hienas. Assim, gente da pesada está atrás de Bolsonaro e família, e só ficarão tranquilos quando não sobrar mais nada dos Bolsonaro. Eis o inferno astral do presidente. 

O STF acaba de instalar no Senado uma CPI para investigar Bolsonaro, a pedido do senador que vive dando chilique, Randolfe Rodrigues, da Rede de Marina Silva, sob a acusação de que foi Bolsonaro quem matou todos os mortos pelo vírus chinês. Só que a CPI pode ser mais um tiro no pé, pois foi ampliada para investigar também governadores e prefeitos que guardaram para si o dinheiro enviado por Bolsonaro para combater o vírus. 

Para se ter uma ideia do poder da Suprema Corte, os ministros não precisam gastar nem um centavo do seu salário vitalício principesco (39,2 mil reais mensais fora penduricalhos), pois contam com verba para moradia (11 mil reais por mês cada um), alimentação (90 mil reais por mês), auxílio-funeral e de natalidade, 222 funcionários para cada ministro e três caminhões (?) a serviço do Supremo. E legislam, acusam, prendem, julgam e executam. 

Além disso, líderes comunistas internacionais, incluindo o Papa, que é argentino, se uniram contra Bolsonaro. Deblateram que é pela Amazônia. Mentira. Não querem o bem da Amazônia; querem seus bens. 

O presidente dos Estados Unidos, Joy Biden, convidou Bolsonaro e outros 39 líderes mundiais para uma cúpula virtual sobre o clima, dias 22 e 23. Estarão presentes a chanceler Angela Merkel, da Alemanha, e o presidente francês Emmanuel Macron, que querem ver o fígado de Bolsonaro degustado por urubus. 

A cúpula é uma preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP26, prevista para 1 a 12 de novembro, em Glasgow, Escócia. A meta é não deixar que a temperatura do planeta aumente mais de 1,5º C. Todos botam a culpa, seja lá do que for, em Bolsonaro. Assim, o aquecimento global é coisa dele também. Ainda na campanha para presidente, ano passado, Biden criticou o desmatamento na Amazônia e ameaçou o Brasil com sanções econômicas. Os comunistas brasileiros foram às nuvens. 

As emissões globais de CO2 atingiram 36 bilhões de toneladas em 2017. A China emitiu 9,7 bilhões de toneladas; os EUA, 5,3 bilhões; e a Índia, 2,4 bilhões. Somando os três, dá quase a metade dos 36 bilhões. 

Há chance para Bolsonaro, e para o planeta? As nações desenvolvidas ampliam suas indústrias, principalmente a armamentista, e o consumo de combustíveis fósseis. O risco de morrer prematuramente não é só de Bolsonaro, mas da Humanidade toda. Vejam o exemplo do vírus chinês, que está matando adoidado, e, mesmo assim, muito aproveitam para roubar. 

Quando os americanos resgataram no Pacífico os três astronautas que estrearam na Lua estavam morrendo de medo de uma invasão de micróbios alienígenas mortais. E quando fizeram o primeiro teste da bomba atômica havia a probabilidade de a atmosfera da Terra pegar fogo e destruir toda a vida no planeta. Hoje, as bombas atômicas dos Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra, França, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel têm o poder de explodir a Terra 100 vezes. 

Só que os ETs, que são também espíritos, não deixam isso acontecer. Diz uma das maiores autoridades brasileiras em ETs, Ademar José Gevaerd, editor da Revista UFO, publicação do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores: “Se hoje os extraterrestres chegassem à Terra provocariam uma mudança radical em tudo que sabemos e acreditamos, na nossa ciência e nas nossas religiões. Eles sabem que isso é um perigo, um risco, e, portanto, devem agir com a máxima cautela para impedir a ruptura de uma sociedade”. 

Mas ainda não é a hora: “Eles pensam que não é a hora de contato franco e direto conosco. Somos um planeta com muitas mazelas que nós mesmos temos que consertar. Fome, guerra... Essas coisas têm que ser consertadas, o ser humano tem que ter um convívio mais pacífico consigo mesmo no planeta para que a gente possa receber essas outras espécies muito mais avançadas tecnologicamente, espiritualmente e moralmente”. 

Ao contrário do que muita, muita gente pensa, o livre arbítrio não é tão livre assim. O establishment também; pode até ser comparado à máfia, mas diferentemente da cosa nostra as famílias do establishment são muitas, e o povo é a família mais poderosa e incendiária, tão incendiária que até hoje a Revolução Francesa causa arrepio. 

Voltando a Bolsonaro, receberá ajuda novamente? Desconfia-se que quando foi estripado em Juiz de Fora alguma coisa interferiu para que ele não se fosse. Estará fazendo valer a pena? Contudo, de uma forma ou de outra, os profetas são unânimes em vislumbrar mudanças de paradigmas neste 2021, fim da pandemia em 2022, com o povo tirando as máscaras e os estudantes espargindo luz nas ruas do mundo, e 2023 tão azul que sangra buganvílias, rosas vermelhas colombianas e perfume dos jasmineiros.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Tomei café com Nelson Rodrigues e Ruy Castro em uma manhã de agosto em Copacabana

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE ABRIL DE 2021 – Eu chorei ao terminar de ler, ontem, a biografia de Nelson Rodrigues, O Anjo Pornográfico (Companhia das Letras, 1992, São Paulo, 457 páginas), de Ruy Castro. Ruy encerrou-a com uma curta e definitiva crônica de Natal que Nelson escreveu para O Globo, intitulada A vigília dos pastores. “Como se orasse pelo momento de subir ao céu, o anjo pornográfico dizia”: 

Escrevo à noite. Vem da aragem noturna um cheiro de estrelas. E, súbito, eu descubro que estou fazendo a vigília dos pastores. Aí está o grande mistério. A vida do homem é essa vigília e nós somos eternamente os pastores. Não importa que o mundo esteja adormecido. O sonho faz quarto ao sono. E esse diáfano velório é toda a nossa vida. O homem vive e sobrevive porque espera o Messias. Neste momento, por toda parte, onde quer que exista uma noite, lá estarão os pastores – na vigília docemente infinita. Uma noite, Ele virá. Com suas sandálias de silêncio entrará no quarto da nossa agonia. Entenderá nossa última lágrima de vida. 

A vontade que me deu foi de que naquela manhã de 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade, Nelson não houvesse morrido ainda. Quando morei no Rio, em 1972, se eu soubesse o que sei hoje sobre Nelson teria ido atrás dele, teria feito vigília até ele me receber, só para pedir a ele que conversasse um pouco comigo, de vez em quando, para saber mais sobre as sendas, às vezes noturnas e sem estrelas, do ato de escrever. 

A vida de Nelson Rodrigues é inacreditável. Nas mãos de Ruy Castro, então, se tornou um romance espetacular. Imagino uma cinebiografia de Nelson, nas mãos de um Francis Ford Coppola, ou de um Steven Spielberg, com Rodrigo Santoro fazendo o papel de Nelson! 

O biografado pode ser quem for, até um Ernest Hemingway, se o biógrafo for um burocrata a biografia ficará igual o diário de uma beata, mesmo que a beata resolva contar o que ela faz com o padre. Também pode acontecer de o biografado ser um artista genial, mas ter levado a vida de dono de casa, como marido obediente de mulher mandona, mas o biógrafo é extraordinário e faz da biografia um romance intimista de arrepiar os cabelos. 

No caso de Nelson, o biografado era um gênio, um desses brasileiros gigantes, e o biógrafo é um desses jornalistas que de tão bons logo viram ensaísta e daí para ficcionista é um passo. E no caso dos dois, ambos são jornalistas de primeira categoria e cariocas. 

Nelson Rodrigues nasceu no Recife, em uma das famílias pernambucanas mais geniais, naquele estado de gênios, e foi para o Rio de Janeiro aos 4 anos de idade, quando nasceu de novo, agora, carioca. Quanto a Ruy Castro, é da República de Minas Gerais, e, como tantos outros mineiros, como Carlos Drummond de Andrade, fez do Rio sua primeira cidade. Nelson era um dos cariocas que mais entendem de Rio de Janeiro e Ruy Castro, no vigor dos 73 anos, é um dos grandes conhecedores da alma carioca. 

O Anjo Pornográfico é uma múltipla biografia. Conta um pouco a história recente da intelectualidade pernambucana, a história da modernização da imprensa carioca, incluindo a TV Globo, revolução que saiu da cabeça e das mãos dos Rodrigues, a história do futebol brasileiro e a história do moderno teatro brasileiro, já que Nelson Rodrigues foi o maior dramaturgo destas terras. 

A vida do pai de Nelson, Mário Rodrigues, um dos criadores do jornalismo moderno brasileiro, a vida de Mário Filho, que dá nome ao Maracanã, os irmãos de Nelson, inesgotáveis jornalistas e escritores, e a inacreditável vida de Nelson, criam, no leitor de O Anjo Pornográfico, dois sentimentos antagônicos, que sufocam e obrigam a que se leia o livro como em curtos rounds. 

Não queremos largar o livro, mas somos obrigados a largá-lo, para respirar e pensar um pouco, tomar água, ir à sacada, para voltar ao combate, porque é como um combate, que nos deixa sem fôlego, mas querendo mais, como, pode-se até comparar, se estivéssemos trabalhando uma dessas mulheres que são só ação, suor e cheiros! 

E há vários outros contrapontos, como a intrigante vida sexual de Nelson com gatinhas da nata carioca, apesar de que ele se vestia mal, era um matuto carioca e tuberculoso, mas mesmo velho e acabado atraía mariposas que podiam ser suas netas. 

Além disso, como disse, Ruy Castro conhece o Rio como todos seus grandes cronistas, pois sem a sensibilidade dos grandes artistas jamais se pode conhecer de fato uma cidade, porque as cidades são como as mulheres, e os segredos das mulheres são infinitos. Devemos nos dar por felizes se podemos ofertar rosas para a madrugada e elas, as rosas, se abrirem como as manhãs ensolaradas de agosto em Copacabana.

Ruy desnuda o Rio de Nelson Rodrigues como o sátiro a ninfeta, e assim, quando Nelson está batendo papo com seus amigos em um café, sentimos o cheiro do café, os sons da rua, a sensualidade do mar.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O Brasil caminha para uma guerra civil? As hienas preferem comer as presas ainda vivas, começando pelo ânus e genitália

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 12 DE ABRIL DE 2021 – Nesse domingo 11, centenas de milhares de patriotas foram às ruas protestando contra o terror imposto por alguns governadores e prefeitos impedindo o ir e vir dos cidadãos e que se abra o comércio, além do terror dos comunistas, que querem instalar no Brasil uma ditadura tipo a da Venezuela. O presidente conservador Jair Bolsonaro vem gritando, nos seus discursos e falas com a população, que a tentativa de desmoralizá-lo e prendê-lo é mais clara do que os dias ensolarados em Brasília. 

Aliás, ele era sabedor disso ainda candidato, quando meteram uma peixeira nele que quase o varou, rebentando suas tripas; até hoje não se compreende como ele não foi desta para melhor. Pegaram o autor, mas não pegaram o mandante. No fim das contas a Justiça chegou à conclusão de que o autor, Adélio Bispo, é louco, enjaulou-o em um hospício e bateu o martelo: caso encerrado. 

O terrorismo praticado em alguns municípios por prefeitos e governadores comunistas em nome do combate à pandemia e a guerra nas altas esferas do país e na imprensa entre bolsonaristas e comunistas, que lutam pela instalação no Brasil de um regime como o da Venezuela e de Cuba, está ateando fogo em Brasília, e o incêndio já bem maior do que a queimada sazonal na Amazônia. 

Em Cuba, as famílias jogam suas meninas na prostituição para não morrerem todos de fome e na Venezuela ainda estão na fase de limpeza, matando os que são contra o regime de fome e na bala. Na outra ponta, as famílias Castro e Maduro transferiram o PIB dos dois países para paraísos fiscais, e os generais que garantem o regime ficam com o controle do narcotráfico. 

Havia a esperança de os Estados Unidos apearem Hugo Chávez Maduro, mas isso foi transferido mais para a frente. No Brasil, Lula Rousseff aparelhou fundo o Estado e o pessoal que mamou trilhões na burra, incluindo aí os balcões de negócios midiáticos, está enlouquecido com o jejum da propina. 

Embora o Muro de Berlim tenha desabado há 30 anos e a quadrilha dos Castro seja atualmente apenas um exército esfarrapado, os comunistas tomam conta de um país por meio de ações altamente insidiosas, como o aparelhamento do Estado, a desmoralização do ensino e da religião, a implosão da família, o desarmamento da população e a contrainformação, com a mídia adestrada repetindo mentiras ad nauseam e usando os idiotas úteis, os alienados. 

Porém o Artigo 142 pode ser o remédio constitucional para a tentativa de ditadura de qualquer um dos três poderes, e as Forças Armadas têm experiência suficiente para saber que o comunismo é nada mais, nada menos, do que uma máfia internacional organizadíssima; uma nuvem, mas não de gafanhotos, com milhões de hienas prontas para comer até a alma dos incautos. Só que as Forças Armadas não são incautas. 

Mas por que gente considerada intelectual, jornalistas, artistas, até pensadores, caem de boca na mandioca dos líderes comunistas? As razões são muitas. A primeira delas é grana. Em um estado controlado por comunistas, o assalto é geral, por meio do furto mesmo, cabide de empregos, criação de estatais inúteis, mas que enche os bolsos da quadrilha, enfim, um assalto permanente. 

Outra razão é que em uma ditadura totalitária os psicopatas têm grandes possibilidades de chegaram a cargos importantes e ali perpetrarem todo tipo de abominação. Também há os inocentes úteis, pessoas mal informadas, a nata da estupidez, que beijam os pés dos algozes. 

O fato é que uma guerra intestina se desenrola neste momento na Praça dos Três Poderes e o Brasil começa a sentir abalos. Muitos já partiram mortos pela fome mesmo, outros se mataram, um sem número foi assassinado, inclusive pelos milhares de bandidos soltos recentemente, alguns deles líderes de máfias poderosas, que espalham terror, traficando e abastecendo o país com toneladas e toneladas de drogas, prostituindo, corrompendo e matando. 

Contudo, até os pombos da Praça dos Três Poderes sabem que uma hora terá que acontecer o Dia D. Ou os bolsonaristas põem ordem no país ou os patriotas serão devorados inicialmente pelo ânus e genitália, que é por onde as hienas geralmente começam a comer suas presas, vivas, pois o sangue lhes sabe mais saboroso. 

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Napoleão Bonaparte, Emmanuel Macron e o risco de o Brasil se tornar uma imensa Venezuela

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 8 DE ABRIL DE 2021 – Até os anos 1990, a história do Brasil era contada no sistema de ensino do Ministério da Educação (MEC) sob ideias preconcebidas. Novos historiadores e jornalistas vêm reescrevendo essa história, agora sob a luz da pesquisa de campo e análise, e, sobretudo, sem preconceito. Hoje, as livrarias estão cheias de títulos que passam a limpo uma história mal contada. Também está se formando uma geração de professores, professores mesmo, e não burocratas, que já perceberam que a história é outra.

Nessa enxurrada de livros preciosos, que lançam luzes sobre nosso passado e explicam por que o Brasil é o que é, se destaca 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil (Planeta, São Paulo, 2007, 367 páginas), do jornalista Laurentino Gomes, ex editor de Veja, quando era a mais importante revista semanal de língua portuguesa do planeta.

1808 já vendeu mais de um milhão de exemplares, inclusive em Portugal, e ganhou, em 2008, o Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, em duas categorias: de melhor livro-reportagem e de Livro do Ano de não ficção, além do prêmio da Academia Brasileira de Letras de Melhor Ensaio, Crítica ou História Literária de 2008.

Para escrevê-lo, Laurentino Gomes passou uma década pesquisando, investigando e analisando a fuga de João VI de Portugal para o Brasil, na manhã de 29 de novembro de 1807, acossado por Napoleão Bonaparte. O resultado é um painel impressionante, que ajuda a entender o Brasil de hoje.

O perfil de João VI que sai das páginas de 1808 é o de um homem medroso, pusilânime, apagado, sem foz ativa, mal-informado, que sofria de apatia, vertigens e hemorroidas, comilão, baixo, gordo, flácido, feio e, como não poderia deixar de ser para um monarca absoluto, governava com a crueldade de um Fernandinho Beira-Mar.

Poderia ter derrotado as tropas maltrapilhas que Napoleão enviou para Portugal, mas preferiu fugir, deixando o povo português à deriva e praticamente entregando Portugal à Inglaterra, o que depois se refletiria na economia brasileira. Chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, com sua corte falida, esfarrapada, e o Rio, capital da colônia, era uma cidade pestilenta de tão imunda, mas o principal entreposto de um comércio que enoda Portugal e o Brasil: o de escravos.

O Brasil recebeu debaixo de chicote pelo menos 3,6 milhões de africanos dos cerca de 10 milhões vendidos nas Américas, 65% dos quais morreram supliciados. Foi nessa época que a corrupção generalizada tomou conta do Brasil, até hoje, a ponto de tentarem matar um candidato a presidente que prometeu acabar com a corrupção no Executivo.

No Rio de então, qualquer comerciante de escravos, qualquer ladrão rico, podia receber de João VI título de nobreza em troca de dinheiro. O título de nobreza significava salvo conduto para mais safadeza. Como certos títulos nos dias de hoje. 

Para se ter uma ideia do umbral que era o Brasil-Colônia, livros e jornais eram proibidos naquela época. O Brasil era aparelhado para o saque, de tudo o que se pudesse levar para Portugal e Inglaterra, especialmente ouro e diamante, e o combustível para mover isso eram os negros, tratados como se fossem inferiores a animais de carga, pois os castigos impostos a eles chegavam a uma crueldade a que nem a Inquisição chegou. E olha que a Inquisição fez coisas que até o diabo não acredita.

Mas depois que João VI desembarcou no Brasil, foi forçado, para sua própria sobrevivência, a duas atitudes, com consequências importantíssimas para o país que estava nascendo: a abertura dos portos para as nações amigas, diga-se, a Inglaterra, com quem já havia combinado isso antes da fuga; e a abertura intelectual, com o advento da imprensa nacional e a vinda da biblioteca real de Lisboa para o Rio de Janeiro. Estava lançada a centelha da independência e, a seguir, da república.

Durante muitos anos investiguei as razões que determinaram a unidade política do Brasil, no porquê de não termos virado uma América do Sul hispânica, fragmentada em republicas de banana. 1808, pelo jeito, resolveu a questão para mim. Além de lançar a semente da libertação do Brasil das garras implacáveis e famintas de Portugal, talvez a maior importância para os brasileiros, do pavor que Napoleão infundiu em João VI, tenha sido o que faz do Brasil, hoje, sério candidato a potência mundial – ao que só não chegamos ainda devido à sabotagem dos traidores da pátria, os bolivarianos do Foro de São Paulo.

Pois bem, ao chegar ao Rio de Janeiro disposto a sediar o império português a partir do trópico, João VI combateu ferozmente qualquer iniciativa de independência de Portugal e se empenhou em unir o continente brasileiro. “Esse Brasil dividido em pedaços autônomos nem de longe teria o poder e a influência que o país exerce hoje sobre a América Latina. Na ausência de um Brasil grande e integrado, o papel provavelmente caberia à Argentina, que seria, então, o maior país do continente” – observa Laurentino Gomes.

Com efeito, seríamos uma colcha de retalhos portugueses. “As diferenças regionais teriam se acentuado. É possível que, a esta altura, as regiões mais ricas desse mosaico geográfico estariam discutindo medidas de controle da imigração dos vizinhos mais pobres, como fazem hoje os americanos em relação aos mexicanos. Nordestinos seriam impedidos de migrar para São Paulo. Em contrapartida, ao viajar de férias para as paradisíacas praias da Bahia ou do Ceará, os paulistas teriam de providenciar passaportes e, eventualmente, pedir visto de entrada” – imagina o jornalista.

Bom, se a questão é imaginar, então vamos lá: o Nordeste poderia ser uma potência holandesa; o Sul, um estado autônomo muito ligado à Alemanha; o Centro-Oeste já teria sido comprado pela China e o Sudeste, bem, o Sudeste ainda seria português, dividido em três países: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. E a Amazônia? Seria um estado americano nos moldes do que é a Guiana Francesa para a França e Emmanuel Macron estaria rindo para as paredes.

Também poderíamos ser uma imensa Cuba, onde as famílias jogam suas filhas na prostituição para não morrerem todos de fome. O PIB, a família Castro raspou da burra, assim como ajudou Hugo Chávez Maduro a raspar a burra da Venezuela. O risco de fragmentarem o país, com São Paulo, por exemplo, se separando do resto, é muito, muito remoto, mas a ameaça de nos tornarmos uma Venezuela está na nossa cara. Lula Rousseff aparelhou bem o staff, digo, o estado.

terça-feira, 6 de abril de 2021

As agulhas de acupuntura atuam no corpo etéreo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 6 DE ABRIL DE 2021 – De ampla cobertura e eficácia terapêutica, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e foi incluída na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, durante a V Sessão do Comitê Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 17 de novembro de 2010. No Ocidente, é considerada medicina alternativa, ou complementar à medicina ocidental, ou alopática. 

O médium e astrofísico brasileiro Laércio Fonseca observa que no início da civilização humana, quando os primeiros espíritos foram transportados para a Terra, hordas encarnadas na China detinham os conhecimentos da Medicina Chinesa. A base da MTC é o Taoismo, tradição filosófica e religiosa chinesa que busca o Tao, o caminho, o fluir da vida, e tem no Tao Te Ching, O Livro do Caminho e da Virtude, de Lao Tzi (velho mestre), escrito há pelo menos 250 a.C., seu fundamento, da mesma forma que o budismo chan e sua versão japonesa, o zen. 

O Tao é a combinação do yang, a luz, o céu, e o yin, a escuridão, a terra. A vida se move entre esses dois extremos, que se complementam. O caminho do meio é o Tao. O taoista busca a serenidade, a não ação, a moderação dos desejos, a simplicidade, a espontaneidade, a compaixão. É um modo de viver em harmonia entre o céu e a terra, entre o mundo espiritual e a matéria. 

A MTC é um conjunto de terapias praticadas na China ao longo da história do país. No Brasil, é mais conhecida como acupuntura, do latim acus, agulha, e punctura, colocação, que né apenas uma das terapias da MTC. Consiste na inserção de finas agulhas nos meridianos do paciente, deslocando a energia Qi e equilibrando-a. Para a Medicina Chinesa, a energia vital da vida, ou Qi, anima o corpo circulando nele por meio de canais conectados aos órgãos, chamados também de meridianos. 

Além dos sistemas cardiovascular e linfático, há uma teia de meridianos corporais, ou de acupontos, um delgado sistema tubular, nos quais circula a energia vital.  Para a ciência, os meridianos da acupuntura são imaginários. Com efeito, os meridianos da acupuntura localizam-se no corpo etéreo, que é um corpo sutil, ou seja, a luz passa através dele. 

Mas por que os meridianos não são visíveis quanto o sistema vascular, ou o sistema linfático? Segundo Richard Gerber, autor de Medicina Vibracional, ou o espírito Joseph Gleber, em Medicina da Alma, os canais de acupuntura localizam-se no duplo etéreo, o corpo vibracional sutil, que, por meio do Qi, anima o corpo físico. 

Porém, nos anos de 1960, o cientista coreano Kim Bong Han injetou isótopo de fósforo em um acuponto e observou a absorção da substância pelo organismo, por meio de microrradiografia. Resultado: o isótopo percorreu o clássico traçado daquele meridiano. 

Experiências semelhantes foram realizadas por outros cientistas, como os franceses Jean-Claude Darras e Pierre de Vernejoul, e os norte-americanos James Hurtak e Roberto Becker. O resultado foi o mesmo obtido por Kim Bong Han. 

Como assim, se os meridianos ficam no corpo etéreo? Porque a substância injetada caminhou sobre o éter, um estado da matéria que Albert Einstein chamou de campo. 

Na China, Índia, Japão e Tibete, por exemplo, sabe-se que os canais energéticos, meridianos ou nadis, é por onde a energia vital flui, e que a saúde gira em torno do equilíbrio dessa energia vital. O corpo físico é um fenômeno bioelétrico, animado por energia, que o faz funcionar: respira, come, se move, pensa e sente – um escafandro para o espírito viver na atmosfera terrestre.

O corpo físico é, portanto, apenas uma roupa que o espírito utiliza na experiência material, nesta jornada cármica necessária a espíritos que precisam evoluir moralmente para ascender nos infinitos planos de Deus.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Zona franca, base de lançamento de foguete, hidrovia Belém-Macapá, tudo no Marajó

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE ABRIL DE 2021 – A bancada de São Paulo no Congresso Nacional só não jogou ainda uma bomba atômica na Zona Franca de Manaus porque isso nem a ditadura necrófaga permitiria. Já a bancada do Amazonas no Congresso não quer nem ouvir falar em uma Zona Franca de Manaus no Pará, no Marajó, para ser mais exato. Mas o presidente Jair Messias Bolsonaro quer, e o Pará também. 

Em 3 de março, o governo federal lançou o Programa Abrace o Marajó, com o objetivo de reduzir o abismo social dos mais de 500 mil habitantes da maior ilha marítimo-fluvial do planeta, do tamanho da Suíça, banhada ao norte pelo maior rio do mundo, o Amazonas. Também o maior arquipélago flúvio-marítimo do planeta, formado por cerca de 2.500 ilhas. 

Gestado no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (de sigla impronunciável: MMFDH), o projeto visa a melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios da região, ampliando o acesso dos marajoaras aos direitos humanos. Um negócio ainda muito vago, mas lançado. 

Até porque a ilha inclui o município com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil: Melgaço. Outros sete dos 16 municípios que compõem a mesorregião estão na lista dos 50 piores IDHs do país: Chaves, Bagre, Portel, Anajás, Afuá, Curralinho e Breves. Como se vê, a desgraça é muita numa ilha paradisíaca, mas onde só os muito fortes conseguem sobreviver à infância; geralmente são derrotados por vermes, giárdia, ameba, malária, toda sorte de microrganismo fatais, fome e feras, incluindo aí o homem. 

Há outro problema também, este, escabroso: muitos das crianças, adolescentes e mulheres viram escravos sexuais. “Será o nosso primeiro momento de basta de tanto sofrimento, de tantas agruras e de tantas violações de direitos, especialmente da exploração sexual de crianças e a violência doméstica” – disse a ministra do MMFDH, Damares Alves. “Por quanto tempo o povo do Marajó tem permanecido esquecido e negligenciado? Chegou a hora de darmos um basta nisso, de olharmos para os marajoaras e enxergá-los! Vamos todos juntos abraçar o Marajó, abraçar suas necessidades e vencê-las por meio de estratégias e políticas públicas direcionadas.” 

De lá para cá, já foram realizados atendimentos médicos, audiências públicas para acolhimento de reivindicações e palestras sobre violência doméstica contra a mulher e exploração sexual infantil. A segunda fase do projeto pretende melhorar a presença do estado na ilha, principalmente na educação, saúde, segurança e renda. 

O projeto envolve empresas públicas e privadas do Pará e das prefeituras dos municípios da região, além de 15 ministérios do governo federal: Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Cidadania; Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; Defesa; Desenvolvimento Regional; Economia; Educação; Infraestrutura; Justiça e Segurança Pública; Meio Ambiente; Minas e Energia; Saúde; Turismo; Controladoria-Geral da União; e MMFDH. 

Todos os 16 municípios que formam o arquipélago serão contemplados pelo programa: Afuá, Anajás, Bagre, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure. 

Pois bem, no lançamento, Bolsonaro disse que pediria ao ministro da Economia, Paulo Guedes, estudos para a concessão de incentivos fiscais à Ilha de Marajó: “Vou tomar providências junto ao nosso ministro da Economia para ver o que podemos fazer no que for possível para isentar essa região. Seria algo parecido com a Zona Franca (de Manaus). Zona Franca aí do Marajó. Tenho certeza de que alguma coisa sairá. Afinal de contas, temos de integrar todo o Brasil”. 

A Amazônia é um continente. A Zona Franca de Manaus fica na Amazônia Ocidental e a do Marajó ficaria na Amazônia Atlântica. Isso nem sequer arranhará o parque industrial de São Paulo, que é o maior do Hemisfério Sul. 

Estou certo de que a crença de que São Paulo queira bombardear (no sentido ideológico) Manaus vem do sentimento dos paulistanos de que todos os demais estados do país são colônias suas, com exceção do Rio de Janeiro, pois os cariocas acabam fazendo galhofa da sede de trabalho dos paulistanos, e nisso somos todos gratos aos paulistas, que fazem do Brasil um dos países mais ricos do mundo. 

O deputado Celso Sabino (sem partido/PA) disse a este repórter que a ideia da zona franca do Marajó vem sendo costurada desde que Bolsonaro, de quem é aliado, deu a ideia. Além do turismo, o Marajó é grande exportador de açaí, palmito, pescados, búfalo e derivados, urucu e cerâmica, e poderá agregar valor a essas commodities e vários outros produtos, que tirarão do Marajó da Idade Média e o alçarão à corrida espacial. Querem ver? 

A ideia, agora, é ousada: uma base de lançamento de foguete no Marajó, no cabo Maguari, município de Soure, a 80 quilômetros de Belém. O cabo Maguari talvez seja o melhor ponto do planeta para o lançamento de foguetes, pois está situado praticamente na Linha Imaginária do Equador, ponto de rotação mais veloz da Terra, o que impulsiona o lançamento de foguetes, e defronte para o oceano Atlântico, área de escape por excelência em caso de acidente, além de afastado de aglomerações humanas. 

As duas bases brasileiras de lançamento de foguetes, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal/RN, e o Centro de Lançamento de Alcântara/MA, ambos na Região Nordeste, tanto um quanto o outro vem sendo estrangulado, o do Rio Grande do Norte por especulação imobiliária e o do Maranhão por questões fundiárias, referentes a demarcações de terras quilombolas. 

Componentes, e até foguetes, mesmo, e satélites, poderiam ser fabricados no Distrito Industrial de Barcarena, com energia hidroelétrica da usina de Tucuruí, e serem transportados de balsa do Porto de Vila do Conde para Soure, e, de lá, para o cabo Maguari. 

Mas há uma questão prática, que pode ser resolvida já: o projeto da Hidrovia do Marajó, fruto de convênio celebrado entre os governos estadual e federal, mas que nunca saiu do papel. Segundo relatório da Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (Ahimor), “já foram realizados todos os estudos técnicos e ambientais (EIA/Rima) para a dragagem de 32 quilômetros do canal destinado a perenizar a interligação das bacias dos rios Atuá e Anajás, interligação já existente pela própria natureza, mas durante somente seis meses de cheia”. 

A construção da hidrovia consiste na dragagem de 9 milhões de metros cúbicos entre os rios Atuá e Anajás, a fim de garantir a navegação, na época da seca, de comboios com até 2.800 toneladas de capacidade de carga em quatro chatas, de Belém a Macapá, vice-versa. Segundo o projeto, a hidrovia atravessará pelo meio o arquipélago no sentido sudeste-noroeste, levando novas oportunidades de emprego e de renda para a população local e facilitando o escoamento da produção de todo o Marajó. 

Assim, os 580 quilômetros que hoje separam Belém de Macapá/AP, porque a ilha do Marajó tem de ser contornada, diminuirão para 432 quilômetros pelo meio da ilha. Haverá uma redução de 148 quilômetros entre a capital do Pará e a capital do Amapá. Uma das grandes vantagens do Marajó e de Macapá é sua localização geográfica privilegiada, próxima de mercados como os Estados Unidos, a Europa e a Ásia (via Canal do Panamá). 

“Além disso, a obra vai permitir acesso aos diversos recursos naturais da região marajoara, modernização do seu parque agropecuário e suprimento dos mercados consumidores de Belém e Macapá, viabilizando a criação de bacias leiteiras e estimulando a piscicultura” – observa o relatório da Ahimor, alinhando ainda, entre os impactos sócio-econômicos, o desenvolvimento do turismo flúvio-ecológico e a integração nacional do Marajó e do Amapá por meio da Hidrovia Araguaia-Tocantins, outra obra da maior importância para a Amazônia. 

Como já foi dito, a Secretaria Executiva de Transportes do Pará e a Ahimor cumpriram todas as exigências legais, tais como elaboração de EIA/Rima e realização de audiências públicas, e em setembro de 1998, a Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente do Pará concedeu a licença ambiental para instalação da obra, que foi renovada anualmente, até 2002. 

Acontece que, por força da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, até hoje o projeto da hidrovia não conseguiu sair do papel e a consequência disso é que a população do Marajó sofre os efeitos devastadores de doenças infectocontagiosas, principalmente malária, de erradicação remota diante da dificuldade de acesso para a implementação de ações necessárias para debelar a doença. 

O governo do estado e o Ministério dos Transportes chegaram a tomar todas as providências para o início das obras, inclusive a avaliação das terras localizadas nos municípios de Anajás e Muaná, feita por técnicos do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Procuradores do estado foram ao encontro dos comunitários para fazer o pagamento das indenizações no próprio local. Um convênio para distribuição do material lenhoso também foi celebrado com as prefeituras de Anajás e Muaná. 

Além disso, um plano de saúde foi elaborado para atender a área de influência da futura hidrovia. O plano envolve a construção de ambulatórios, proteção aos operários que trabalharão na obra e imunização contra doenças endêmicas. O fato é que está tudo pronto para que a obra seja realizada. Mas depende do Ministério Público Federal.

A Hidrovia do Marajó só sairá do papel se os governos federal, do Pará e do Amapá se unirem para valer por essa causa, levando-a ao Supremo Tribunal Federal (STF). Também os parlamentares do Pará e do Amapá no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas dos dois estados, comprometidos com o desenvolvimento da região, podem sair a campo e coletar assinaturas para entrarem no Congresso com um projeto popular que crie exceção em prol do desenvolvimento da Amazônia. No Congresso Nacional, quando uma bancada se une em torno de um projeto, pode qualquer coisa.

Brasília está em chamas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 1 DE ABRIL DE 2021 – A Lava Jato foi enterrada com cal pelo Supremo (STF), embora um sainete cinematográfico possa surpreender a todos. Jair Bolsonaro revela-se excelente enxadrista político. Seus 28 anos de Câmara dos Deputados e seu serviço pessoal de inteligência são o que o mantêm no Palácio do Planalto. Até os cachorros sabem que o plano é desmoralizá-lo e prendê-lo, e pôr de volta ao palácio um antigo inquilino, a quem já deram asas novas, para que nasça a Ibero-América sino-cubano-bolivariana.

Aqui em Brasília é outono. De madrugada, faz frio. Levanto-me às 4. O tempo é um rio de planície. Às madrugadas ofertamos rosas. As manhãs são luminosas, e, embora nas ruas circulem pessoas de máscara, a brisa perpassa as alamedas do Sudoeste como revoada de pequenos pássaros e a alegria insinua-se no ar.

Os carcarás continuam nos ninhos. Logo teremos uma nova geração dessas majestosas aves, que andam aos bandos no Sudoeste, no Parque da Cidade e no Cruzeiro. A inflação está ascendente, pois os empresários estão impedidos de abrirem as portas e os trabalhadores de trabalhar. Muitos morrem de fome. Furtaram bilhões de reais destinados à infraestrutura contra o vírus chinês. O lockdown é como um campo de concentração.

Os estudantes sumiram das ruas, as repartições públicas dos três poderes estão desertas. Há ditadura no ar. Já tentaram matar o presidente antes mesmo de ele ser presidente; quase o transfixam com uma peixeira. Prenderam em flagrante quem tentou matá-lo, mas a Polícia Federal não descobriu quem foi o mandante e a Justiça bateu o martelo: quem tentou matar Bolsonaro agiu por conta própria e é doido.

Estou só comigo mesmo. Gosto da minha companhia. De manhã, costumo caminhar no Parque da Cidade. No resto do tempo conto com dezenas de livros para ler. Estão na fila. Escrevo e leio. Antes da pandemia, batia perna. Livrarias, cafés, bate-papo, cinema. Agora, muitos dos meus amigos estão ocupadíssimos festejando a absolvição de Lula e em defender a democracia hienídea em Cuba e na Venezuela. Quase não saio do meu escritório, onde escrevo, e do meu quarto, onde leio.

Bolsonaro que se cuide. Brasília é um três por quatro do país. Está em chamas.

terça-feira, 30 de março de 2021

DIÁRIO CARIOCA e VER-O-FATO publicam dois romances de Ray Cunha em capítulos

Ray Cunha em foto recente e a tela Tuiuiú Crucificado, de Olivar Cunha

Edição da amazon.com.br

BRASÍLIA, 30 DE MARÇO DE 2021 – O DIÁRIO CARIOCA, portal jornalístico sediado na cidade do Rio de Janeiro, e o VER-O-FATO, um dos portais de notícias mais lidos de Belém do Pará, publicam dois thrillers policiais em capítulos do escritor, jornalista e terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa (acupunturista) Ray Cunha. 

O DIÁRIO CARIOCA começa a publicar o romance FOGO NO CORAÇÃO a partir desta sexta-feira, 2 de abril, em sete capítulos. A história se passa no Rio de Janeiro e em Brasília/DF. 

O delegado de Repressão a Homicídios da Polícia Civil do Distrito Federal, Ricardo Larroyed, também formado em Medicina Tradicional Chinesa, investiga o suicídio e o assassinado de três modelos de moda, em Brasília, todas pacientes em acupuntura, sendo que duas delas foram atendidas no Instituto Holístico, onde trabalha o principal suspeito, o professor, mestre em artes marciais e poeta carioca Emanoel Vorcaro, que atende uma quarta modelo, a estonteante ruiva Rosa Nolasco. 

Edição do clubedeautores.com.br

FOGO NO CORAÇÃO é um mergulho no dia a dia de quem trabalha, leciona ou estuda a milenar terapia taoísta, razão pela qual Ray Cunha adverte: “Todas as personagens e ambientações deste thriller foram inventadas”. 

O VER-O-FATO já vem publicando o romance A CONFRARIA CABANAGEM, também toda sexta-feira, em 14 capítulos. O primeiro capítulo foi publicado em 19 de março, e, o segundo, em 26 de março. 

A capital do estado do Pará, Belém, está imersa em corrupção, e, para a misteriosa Confraria Cabanagem, só o senador Fonteles, candidato ao governo, é capaz de acabar com a sangria, mas descobre um complô para assassiná-lo em um crime perfeito. 

Assim, contrata o único homem capaz de impedir que eliminem o senador Fonteles: o detetive Apolo Brito, ex delegado da Polícia Civil do Pará, e que atualmente mora em Brasília. Nada a ver com o Pará real. Trata-se de um trabalho de invenção de Ray Cunha, mas no qual personalidades de carne e osso, como, por exemplo, o jornalista Lúcio Flávio Pinto, transitam com personagens de ficção. 

Tanto FOGO NO CORAÇÃO quanto A CONFRARIA CABANAGEM estão à venda nas editoras clubedeautores.com.br e amazon.com.br. 

Ray Cunha é natural de Macapá/AP, cidade situada na margem esquerda do maior rio do mundo, o Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador, na Amazônia Caribenha, e mora em Brasília/DF.

Além de FOGO NO CORAÇÃO e A CONFRARIA CABANAGEM, Ray cunha é autor dos romances A CASA AMARELA, JAMBU e HIENA; dos livros de contos NA BOCA DO JACARÉ, A CAÇA O CASULO EXPOSTO; e do livro de poemas DE TÃO AZUL SANGRA.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Macapá e Cachoeiro de Itapemirim festejam o gênio do pincel Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia. Roberto Carlos pontifica na parada

Tuiuiú Crucificado: salvem a baía da Guanabara da ameaça de virar esgoto

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 29 DE MARÇO DE 2021 – Em uma manhã de 31 de março de 1952, dia do nascimento de Olivar Cunha, seu pai, João Raimundo Cunha, plantou uma seringueira (Hevea brasiliensis) no quintal da casa onde a família morava, uma casa amarela, remanescente do antigo aeroporto da cidade, ao lado do Colégio Amapaense, na esquina das ruas Iracema Carvão Nunes e Eliezer Levy, na então pequena cidade ribeirinha de Macapá.

É fácil ver Macapá no mapa. A antiga aldeia dos índios tucujus fica na esquina da Linha Imaginária do Equador com o maior rio do mundo, o Amazonas. A cidade se debruça na margem esquerda do colosso, a cerca de 250 quilômetros do Atlântico, no setentrião brasileiro, a Amazônia Caribenha.

Anos depois, foi construído um muro delimitando o terreno do Colégio Amapaense, correndo exatamente pelo local onde a seringueira crescia, a oeste, na Rua Eliezer Levy. Então fizeram um gracioso desvio no muro para conservar a árvore ali. Mas, em 1983, ela apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Mas escapou de ser decepada graças à intervenção do engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952, e amigo de infância de Olivar Cunha.

Luiz Façanha trabalhava como especialista em seringueira na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo ele, estudantes fizeram forte pressão junto à Prefeitura de Macapá e ao Governo do Estado do Amapá para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem por ali transitava.

Foi então que o repórter da Rede Globo, Antônio de Pádua, solicitou a Luiz Façanha que fizesse uma gravação no local, para dar sua opinião sobre o caso. Após minuciosa inspeção, Façanha verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu.” O fato é que a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a seringueira.

Trata-se da mesma que aparece na capa da edição da amazon.com.br do meu romance A Casa Amarela, uma recriação da casa onde Olivar Cunha nasceu. Aos 15 anos, em 1967, o pintor expôs pela primeira vez, em Macapá. Uma madrugada, um marchand francês acordou todo mundo na Casa Amarela porque teria que viajar para a França naquela manhã e queria porque queria levar alguns quadros do Olivar Cunha, e levou o que estava disponível.

Nas décadas de 1970/1980, o artista mudou-se para Belém do Pará, quando produziu algumas dezenas de telas que o colocam como um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos: seus mendigos do Guamá, subúrbio da Cidade das Mangueiras, são tão chocantes quanto a colonização do Inferno Verde, que explode na ignorância e na fome, como pedrada na cara.

Depois de morar no Rio de Janeiro, onde estudou no Parque Lage e foi aluno de Charles Watson, nos anos 1990, consolidou sua posição como um dos grandes expressionistas contemporâneos com a série de animais agonizando no esgoto das grandes cidades, como na impressionante tela Tuiuiú Crucificado, uma ave da Amazônia e do Pantanal crucificada sobre o esgoto em que teima se transformar a baía da Guanabara.

Tuiuiú Crucificado é, talvez, o berro mais fovista, o grito mais expressionista de Olivar Cunha. Ele a pintou em três meses, em 1992, em Jacaraípe/ES. Trata-se de uma acrílica sobre tela, em espátula e pincel, de 120 cm por 100 cm. Pertence à fase que o pintor chama de Habitat Transform, desenvolvida no Rio de Janeiro/RJ e em Jacaraípe/ES, após pesquisa sobre a devastação da flora e da fauna do Pará, do Amapá e do Pantanal.

A Amazônia é recriada na espátula do pintor à base de espilantol, o princípio ativo do jambu, indicador de que o gênio pinta, na verdade, a alma das suas criaturas, sejam elas pessoas ou paisagens. Assim, as telas de Olivar Cunha gritam como o coração das trevas, mas também pulsam no rio da tarde, prenhes do perfume dos jasmineiros noturnos.

O artista dá à luz à Amazônia eternamente viva, à Hileia que só os cabocos entendem – os apreciadores de merengue, de tacacá, de mapará assado na brasa servido com pirão de açaí, os que se emocionam com o trotar da mulher amazônida no calor equatorial, o mergulho no rio que deságua na tarde, os segredos que se encerram em Macapá, Belém, Mosqueiro, Salinas, Caiena...

As passarelas nos subúrbios das cidades amazônicas, as naturezas mortas, detalhes da Fortaleza de São José de Macapá, as Lavadeiras do Sol, o rio, pulsam na paleta, nas telas, nas ruas, no trópico de Olivar Cunha.

Hoje, o artista vive no paradisíaco balneário de Jacaraípe, distrito atlântico no município de Serra, na grande Vitória, onde se consolida também como restaurador, recuperando obras sacras de igrejas da região, pois, no Rio, ainda, Olivar Cunha fez curso de restauração no Museu Nacional de Belas Artes.

Cidadão de Cachoeiro de Itapemirim/ES, Olivar Cunha mantém um ateliê em Conduru, distrito de Cachoeiro. Entre as imagens de santo que vem restaurando, recuperou o acervo de Santa Rita de Cássia, cultuada em Cachoeiro. Assim, a Casa de Cultura Roberto Carlos, em Cachoeiro, terá uma surpresa em 22 de maio, quando a cidade se engalana para homenagear a santa.

quinta-feira, 25 de março de 2021

O perfume da virgem ruiva que o escritor deflora a cada madrugada é o seu ringue e a sua lucidez

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DE 2021 – É recorrente jornalistas perguntarem a escritores por que escrevem. As respostas são infinitas. Algumas, tão elaboradas que se tornam incompreensíveis, objeto de análise psicológica. Contudo, o modo como os escritores se comportam no processo de trabalho é previsível. Costumam se levantar em torno das 5 horas e a dedicar boa parte da manhã trabalhando, geralmente sem que ninguém os paguem por isso. 

Alguns chegam a levantar-se em um horário em que quase todos os demais jamais cogitaram em deixar a cama: às 3 horas. E em boa parte do dia, ou da noite, recarregam as baterias da criação praticando esporte, bebendo, ou, simplesmente, vagabundando. Outros, trabalham para pôr comida na mesa. 

Os escritores iniciantes, ou pobres, ou que ainda não conseguiram ganhar nada com sua produção literária, fazem qualquer trabalho para pôr comida na mesa da família e manter a rotina de levantar de madrugada para escrever. São como viciados que mergulham em um vício apenas tolerado pela família. 

É claro, há os casos dos escritores que se tornam grandes vendedores de livros, vendem milhões, ficam ricos e com eles a família, que, assim, passa a estimular o escritor, a quem antes desestimulavam, a se profissionalizar. 

Já dá para notar uma coisa: escritores são incansáveis. Há aqueles que trabalham como jornalistas, passam o dia escrevendo matérias ou copidescando nas redações dos jornais, e ainda encontram substância, à noite, para a criação. Outros, além de escrever e fugir dos cobradores, são ainda matadores compulsivos de mulheres. 

Matadores no bom sentido. Diz-se que Honoré de Balzac tanto escrevia compulsivamente quanto fornicava. Não podia passar sem escrever e fornicar. Escrevia como um condenado e recarregava a bateria da criação fornicando.   

Mas os escritores, estou certo disso, pouco estão querendo saber se contarão ou não com comida no almoço e mulher no jantar. Precisam escrever! E não escrevem com o estômago, embora um naco de carne quente seja sempre bem-vindo. William Faulkner disse que o escritor é aquele sujeito que não tem medo de saber o quanto aguenta sem comer. 

O escritor é aquele que, entre o conforto e o sacerdócio da escrita, renuncia ao luxo e se entrega à criação como o padre se entrega à missa. O escritor é um escravo voluntário. Um viciado que não faz mal a ninguém. Apenas incomoda a quem possa entrevê-lo na sua solidão. O escritor é feio ou belo, doente ou tímido. Isso nada significa para ele. 

O verdadeiro escritor, quando é pobre e tem que sustentar a família realizando qualquer trabalho, o faz sem perda de tempo, e não deixa escapar também qualquer oportunidade de escrever, mesmo que seja no intervalo entre uma pedreira e outra. Não perde tempo com coisa alguma. Apenas o que escreve é realmente importante, porque extrai luz da criação. 

Se o que escreve não tem luz, ou se o escritor é mais importante do que o que escreve, então se trata de um impostor. O falso escritor nunca tem tempo para escrever. Tem tempo para tudo, menos para escrever. O falso escritor não gosta de escrever, detesta escrever, não quer enfrentar o papel em branco, não sabe escrever. Intitula-se escritor, ou se obriga a escrever algum chavão aqui, outro ali, porque o status de escritor lhe deu alguma vantagem, ou lhe proporciona prazer. 

Os falsos escritores lutam para ser tratados como verdadeiros escritores, se locupletando com elogios que fariam corar o verdadeiro escritor. 

E por que se escreve, então? Por que gastar o tempo com algo que geralmente não proporciona nem feijão com arroz, durante anos, ou décadas, ou a vida inteira? Os escritores sentem uma vontade insuportável de criar, de inventar histórias, de costurar personagens e lhes conceder vida. 

Faulkner achava que o escritor classe A era conduzido por demônios. Hemingway pelejava laboriosamente sobre o papel em branco. É que mesmo conduzidos pelo diabo, ou pela angústia, seguiam um odor. Este odor, creio, é o perfume das virgens ruivas.

Os escritores, no ato da criação, seguem o odor do cio, irresistível como o perfume das virgens ruivas. Criar é como a queda no abismo do gozo, uma queda longa, interminável, sempre interrompida e reiniciada a cada poema, conto, romance, crônica, ensaio, verso, frase. Assim, o ato de criar é o perfume da virgem ruiva que ele deflora a cada madrugada. É o seu ringue e a sua luz.

A Medicina Tradicional Chinesa mostra que uma das causas da fibromialgia é beber pouca água

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DO 2021 – Como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, atendo, em média, cinco pacientes por semana, entre idosos e jovens, homens e mulheres. A queixa mais comum é dor, às vezes no corpo todo, o que é chamado de fibromialgia. Quando o paciente está sentindo muita dor, trato logo de tirá-la, ou com acupuntura sistêmica ou com eletro-acupuntura. 

Fora isso, sempre começo com anamnese, aquela conversa coloquial e íntima que temos com o paciente, voltada para perscrutar sua alma, e sentir com ele as dores que o acometem. As doenças, e mesmo os acidentes e acontecimentos nefastos, começam com emoções ruins, e as emoções ocorrem no corpo astral, ou perispírito, geralmente causadas por encostos, ou influência de espíritos sintonizados. 

Do corpo astral, as vibrações ruins, ou larvas astrais, minam o corpo etéreo, ou duplo sutil do corpo físico. É aí que entra a pulsologia, quando, por meio dos pulsos do paciente, auscultamos todos os seus órgãos, e também sua alma. A língua complementa esse exame, pois revela, de forma clara, como vai o sistema fisiológico do paciente. 

Também o olhar do paciente, sua voz, a expressão do seu rosto, até seu andar, tudo isso revela, aos gritos, a dor que lhe vai na alma, e, por reflexo, no corpo físico. Então, nós dois enfrentamos a dor. 

Muitas vezes, é uma dor que se consolida simplesmente porque o paciente não bebe água suficiente. Pelo menos 70% do nosso corpo são água. Uma pessoa adulta deve beber pelo menos dois litros de água por dia, pois o equivalente a isso é perdido todos os dias. Assim, a mesma quantidade deve ser reposta para evitar a desidratação. 

Se não for assim, o corpo irá travando, enrijecendo, surgirão dores dos pés à cabeça, a pele ficará feia, surgirá a insônia, pedras nos rins e na bexiga, o mal humor se revelará, a raiva emergirá, as fezes serão caprinas, a vida perderá a graça e tudo imergirá naquele vale de sombras, de anoitecer, mesmo que a vida esteja pulsando ao redor. E quando não se bebe nenhuma água, o indivíduo morre em no máximo quatro dias. 

Bilhões de pessoas, em todo o mundo, levantam-se a cada manhã preocupadas em como conseguir água. Povos lutam entre si pela água. Não é o caso do Brasil. Aqui, temos cerca de um quinto da água doce de superfície do planeta, e há até quem varra o quintal com água tratada, o que daria cadeia na Europa. 

Aqui, temos água à vontade, essa substância química inodora, insípida e transparente, formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, e que pode se apresentar em estado líquido, constituindo três quartos da superfície do planeta, e em forma de gelo, nas calotas polares, e de vapor na atmosfera terrestre. 

A água é fundamental para todos os seres vivos devido à sua capacidade de mediar reações bioquímicas tanto no interior quanto entre as células. A fotossíntese depende das moléculas de água para sua ocorrência; por meio da hidrólise, as moléculas são quebradas por ação da luz solar e se recombinam com o gás carbônico para formar a glicose, rica em energia, necessária à sobrevivência da planta. Eis a base da cadeia alimentar. Animais herbívoros comem vegetais e são comidos pelos predadores, com o homem no topo.

O corpo carnal é energia densa, e a água é o melhor lubrificante para essa energia se mover e se equilibrar, e dar continuidade à vida cármica.

quarta-feira, 24 de março de 2021

São os sudestinos (sic) e sulistas melhores do que os nortistas? Caso Celso Sabino

Deputado Celso Sabino (sem partido/PA), ex tucano aliado de Bolsonaro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 24 DE MARÇO DE 2021 – Entrevista que o deputado Celso Sabino (sem partido/PA) deu ao programa Linha de Tiro, do portal Ver-O-Fato, quinta-feira 18, trouxe à tona uma das práticas mais escrotas, estúpidas e cínicas da maioria da Humanidade, só que no Congresso Nacional: a discriminação étnica. Quanto à raça, esclareça-se, só há uma: a humana. 

Celso Sabino explicava no programa por que a direção nacional do PSDB lhe cerceou a liderança da maioria na Câmara e o expulsou da agremiação quando se referiu a uma realidade nacional: a divisão do país entre Sul, de Brasília para baixo, e Norte, de Brasília para cima. As bancadas das regiões Sudeste e Sul, principalmente a de São Paulo, não toleram que um nortista se destaque no Congresso Nacional. Para o Sul, os nortistas são paraíbas. Os do Centro-Oeste aceitam melhor os nortistas. Mas como começou essa idiotice?

Começa em 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral chega a Porto Seguro, na Bahia. Nas décadas seguintes, a Coroa Portuguesa tratou de garantir a posse das terras no Novo Mundo, distribuindo capitanias hereditárias a membros da nobreza. Mas somente as capitanias de Pernambuco e de São Vicente (São Paulo) prosperaram. Em 1549, Portugal cria o Estado do Brasil, com um governo-geral sediado em Salvador, e, a partir de 1763, no Rio de Janeiro. 

Mas, em 1621, durante o domínio espanhol, Filipe II de Portugal (Filipe III da Espanha) dividiu a colônia portuguesa em duas: o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco até a atual Santa Catarina; e o Estado do Maranhão, do atual Ceará até a Amazônia, com a capital em São Luís, e, a partir de 1737, em Belém, quando o Estado do Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Naquela época, era mais fácil navegar de Belém para Lisboa, vice-versa, do que de Belém para Salvador, ou Rio de Janeiro, vice-versa, devido aos ventos. 

Em 1823, Dom Pedro I anexa o Grão-Pará e Maranhão ao Império do Brasil. Ou seja, a Amazônia Clássica passa a ser colônia do Brasil, o que dura até hoje. Trocando em miúdos: o Estado do Grão-Pará reportava-se diretamente à Lisboa. Quando o Estado do Brasil proclamou a independência, Dom Pedro I anexou a Amazônia ao Império do Brasil, e pôs no limbo a elite paraense, que se reportava diretamente à Lisboa. 

Abandonada, já que agora não contava mais com Portugal, a população paraense começou a passar necessidade. Então revoltou-se contra o Brasil, numa tentativa de se unir novamente a Portugal, e, em 1835, explode uma revolução em Belém, a Cabanagem, estendendo-se, até 1840, para toda a Amazônia. A resposta do Império do Brasil foi de uma ferocidade que até hoje causa ressentimento. 

Influenciada pela Revolução Francesa, a Cabanagem eclodiu devido à pobreza, fome e doenças na Amazônia, principalmente entre índios e mestiços que viviam em cabanas à beira dos rios, verdadeiros escravos da elite branca. Liderados por integrantes da classe média alijada pelo Rio de Janeiro desde a Independência, tomaram o poder em 6 de janeiro de 1835. 

Mas, sem planejamento, os cabanos permaneceram no poder apenas dez meses, quando Belém foi bombardeada sem dó nem piedade; segundo os historiadores, as tropas do Império do Brasil reduziram a população belenense, de 100 mil habitantes, quase pela metade. 

Mais recentemente, no século XX, começou uma grande migração de nordestinos para o Rio de Janeiro e São Paulo. Para cariocas e paulistanos tudo o que se mexe de Brasília para cima é do Norte, e é assim que, na cabeça deles, não há nenhuma diferença entre as culturas da Amazônia e do Nordeste. Para eles, todo mundo é da Paraíba, um dos estados do Nordeste com grande leva de retirantes. 

O retirante foge da miséria e da ignorância; assim, para sudestinos (sic) e sulistas todo nortista é miserável e ignorante. Já vi mineiro chamar um colega jornalista paraibano de papa-calangro. No Rio, é comum vermos cariocas tratar porteiros por paraíba. Mas, na Câmara? 

Pois é, Celso Sabino, que está em primeiro mandato, comentou que ao chegar à casa foi chamado de paraíba, e quando chegaria à liderança da maioria os bicudos enlouqueceram, atiçados por João Doria, governador de São Paulo, e o chileno-carioca Rodrigo Maia, do Democratas (RJ), mas chegado a uma pluma. 

Tanto a Região Nordeste quanto a Amazônia, ou Região Norte, conta com grandes escritores, artistas, intelectuais, folclore rico, culinária impagável, grandes cidades e políticos com potencial para se tornarem líderes. O Pará é uma síntese da Amazônia, em potencial biológico, mineral e de inteligências, mas também o é como sub continente colonizado, que se agacha ante o colono e as multinacionais, que levam tudo. 

De modo que quando os paraenses elegem um Celso Sabino da vida, estão apostando em melhores dias. Mesmo em primeiro mandato em Brasília, Sabino foi um dos responsáveis pela eleição de Arthur Lira (PP/AL) à presidência da Câmara. Foi isso que deixou João Doria rasgando as calças, pois a bancada de Dória queria eleger Baleia Rossi (MDB/SP), que estava preparado para aceitar qualquer um desses pedidos imbecis de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. 

Resultado: Sabino foi indicado por 11 partidos para ser líder da maioria na Câmara, mas, por meio de nota, o PSDB se manifestou contra, alegando que o cargo é relacionado ao governo federal: “Todos os membros que votaram pelo encaminhamento ao Conselho de Ética alegaram que o PSDB não faz parte do governo Bolsonaro e que não é pertinente, portanto, que um de seus membros assuma a liderança do bloco de maioria governista”. 

Para o ex-presidente do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), que não quer ver Doria nem de terno inglês, o partido promove uma “caça às bruxas”. Disse ele: “Defendo que o PSDB se mantenha independente em relação ao governo, votando a agenda econômica onde temos identidade e sem participar de indicações de cargos no governo. Ao mesmo tempo sou contrário à caça às bruxas dentro do partido”. 

Dá para notar que a verdadeira guerra ocorre entre Aécio Neves e o governador João Doria, que sonha em se tornar governador não só dos paulistas, mas também dos brasileiros. Assim, Doria articula a expulsão também de Aécio. Como Sabino é peixe miúdo, até agora só sobrou para ele, pois para Doria pegar um tubarão como Aécio terá que comer muito macarrão. 

Nem Celso Sabino, nem o Pará, estão ligando muito para a suruba no ninho tucano nacional, porque, no ano da reforma tributária, o Brasil, e também o Grão-Pará, precisam de tributaristas como Celso Sabino. Visionário e homem de ação, jovem, com todo o gás, preparo intelectual e vontade, Celso Sabino é um dos jovens políticos capazes de tornar não só o Pará um dos mais prósperos estados do país, mas também contribuir muito para com toda a Amazônia e com o próprio país, pois é especialista em direito tributário, principalmente no que diz respeito à exploração de jazidas de minérios, além da questão de transportes no Trópico Úmido. 

Celso Sabino é graduado em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama) e em Direito pelo Centro Universitário do Pará (Cesupa), aprovado no exame da Ordem dos Advogados (OAB); pós-graduado em Controladoria, Auditoria e Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão Pública Tributária pela Escola de Administração Fazendária (Esaf); e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (Umsa). Aos 22 anos, foi aprovado no concurso para Auditor Fiscal na Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa).

Em 2010, elegeu-se suplente de deputado estadual, assumindo como deputado em 2011. Em 2012, ocupou o cargo de Secretário Estadual na Secretaria de Trabalho Emprego e Renda do Pará (Seter), quando participou da criação da Feira do Artesanato Mundial (FAM) e da implantação do projeto Seter nos Bairros. Em 2013, reelegeu-se Deputado Estadual, exercendo mandato entre 2014 e 2018. No mesmo período, assumiu a presidência do Instituto de Metrologia do Pará (ImetroPará). Em 2018, é eleito deputado federal.

Quanto a João Doria, dispõe de uma bancada inteira de arianos sudestinos (sic) emplumados.