sexta-feira, 23 de julho de 2021

Mulher caminhando com a correia do sapato solta

RAY CUNHA 

Uma das trilhas mais aprazíveis em Brasília, para quem gosta de ruas movimentadas, é atravessar os setores Hoteleiro, Comercial e de Diversões Sul (Conic), em determinados dias e horários. Naquele dia, de manhã, mergulhei nas estreitas vias da região, circundada por shoppings, hotéis, cafés, restaurantes, pontos de ônibus e estações de metrô. É onde a cidade pulsa durante o dia, até certa hora da noite.

Nem bem comecei a travessia quando a vi. Caminhava como bailarina, equilibrando-se, elegantemente, sobre dois saltos incríveis. Os sapatos me chamaram de pronto a atenção porque um deles, o esquerdo, estava com a correia, que deveria abarcar o lindo tornozelo, solta. Acompanhei o desenho das pernas, longilíneas e intermináveis, até encerrarem-se em saia generosa. No conjunto, ela fazia justiça a um Boeing 747-400 aterrissando. Era linda, e até as mulheres se voltavam para apreciá-la mais um pouquinho.

Em certo momento andei mais depressa só para me voltar e ver seu rosto. Também era linda de rosto – ovalado e de traços marcantes, grandes olhos castanhos e sobrancelhas cerradas –, emoldurado por longos cabelos da cor dos olhos, entrelaçados em duas grossas tranças. Ia devagar, etérea, embora medisse (nisso, tenho olho clínico) 1,70 metro e pesasse 70 quilos, magnificamente distribuídos, pois sua barriga era uma tábua e os quadris e o busto, protuberâncias esculpidas por talentoso artista.

Atravessamos todo o Setor Comercial Sul e o Conic, ela, como uma princesa no seu passeio matinal; eu, o coração aos saltos. Ela era daquelas mulheres que se degusta durante horas com o olfato e o paladar antes de mergulhar nos seus abismos. De repente, no semáforo da Rodoviária do Plano Piloto, paramos juntos, lado a lado; eu não aguentei mais e a avisei, candidamente, que a correia do seu sapato estava solta. Ela me olhou e me deu o sorriso mais encantador do mundo. Murmurou algo, que de tão encantado não entendi, e continuou seu trote, agora conversando ao telefone com sua mãe, o que ouvi nitidamente.

Acordei com o despertador do meu telefone celular, às 5 horas. Levantei-me e depois de fazer a higiene fui preparar uma garrafa de café Três Corações, gourmet. Sempre que sonho com mulheres muito lindas dá tudo certo; o dia transcorre que é uma beleza.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

A vida é um tesão, como o cheiro de mulher nua

RAY CUNHA 

Ernest Hemingway e meu pai, João Raimundo Cunha, tinham 61 anos quando partiram para o éter. Sei como as coisas são nessa idade. Nós três nos encontramos no Quartinho da Casa Amarela, portal onde vivos e mortos confabulam numa festa sem fim. Hemingway gosta do balcão do bar; papai prefere o quintal. E eu curto intensamente tudo o que tenho. 

Aos 21 anos, perdi-me, durante décadas, em um emaranhado de labirintos, até descobrir que estivera andando em círculos. Hoje, caminho melhor nesse mergulho, guiado pela experiência da longa caminhada. Meus sentidos, inclusive o sexto, estão encharcados de espilantol, meu corpo denso começa a desaparecer e já me sinto flutuando no éter. 

Tantas coisas me proporcionam prazer intenso: ver as pessoas que amo, ouvir o som da Terra no espaço, a madrugada, riso de crianças, Mozart, gemidos de prazer da mulher amada, ler, dormir, meditar, andar à toa, especialmente em grandes livrarias, tomar tacacá, montar a luz, sentir cheiro de mulher nua. O tempo vai deixando de existir, dilui-se, o passado são cinzas atiradas ao mar, e não há amanhã, só há o agora se eternizando. 

Criar com palavras, tem sido isso que me sustenta, e que me faz enxergar a nudez das rosas e o mistério que as mulheres exalam, nunca desvendado, porque eterno. Sou dono de tesouros imensos, de valor inestimável, pois desenvolvi a capacidade de sentir o voo da luz, o cheiro do mar e o choro dos jasmineiros, nas tórridas noites do mundo, em agosto, e em todos os meses. Tenho telas de Olivar Cunha e sinto a presença das rosas que Isnard Brandão Lima Filho ofertou para a madrugada. E sou capaz, como um mágico, de aliviar dores com agulhas. 

Não desejo mais descobrir ouro no morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene, no estado do Amapá, nem escalar o Pico da Neblina, nem pilotar um Boeing 777, nem praticar kendo, nem saltar de paraquedas, nem de mergulhar na Amazônia. Basta-me a companhia de Hemingway, ou de Gabriel García Márquez, ou de Vargas Llosa, ou de Machado de Assis, ou de Rubem Fonseca, para viajar por mundos insuspeitos. Se não posso mais beber Cerpinha enevoada no quarto de um hotel, no sétimo andar, sei que na hora de ser enforcado sou salvo e durmo com a princesa.

Tudo o que quero agora é comparecer ao encontro marcado com a mulher amada, criar universos, sentir a noite, como um navio iluminado, embriagar-me com o perfume das virgens ruivas, ouvir o som da madrugada, sentir a presença do mar, do trópico, do sol das oito no rosto, diluir-me no acme e reaparecer no azul.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Uma ou duas orientações a uma jovem repórter

RAY CUNHA 

Cara Polyana. O mais importante de tudo é o velho prazer que sentes ao realizar teu trabalho, prazer que cresce quando tens a sensação de que és lida e de que tuas matérias lançam luz, de alguma forma, aos teus leitores. A isso, podemos chamar de talento. 

Fundamental, Polyana, para nossa profissão, é a retidão. Jamais, coisa alguma deverá subverter a missão do jornalista. Se subvertê-la, por menor que seja a subversão e por mais que o jornalista procure ignorar isso, terá se transformado em bandido. Em linguagem explícita, nunca recebas nenhum presente, muito menos dinheiro, para mentir; a verdade é teu objetivo único. 

Anotas tudo, observas teus interlocutores nos olhos, ouves todas as partes, checas tudo, datas tudo, e guardas teu caderno de anotações, à medida que eles forem se esgotando, pois são bancos de dados e também diários, e poderão render, um dia, até um livro. 

Mergulhas na tua língua natal como nos braços do teu amado, apreendes até seus murmúrios e fruis suas palavras e as nuanças das palavras como música. É preciso que escrevas como amas, porque o amor é sempre perfeito. 

Lê grandes articulistas e os gigantes da literatura do nosso país, como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, Jorge Amado, pois eles resumem o trópico brasileiro. Lê também, e se possível nas suas línguas nativas, Ernest Hemingway, Norman Mailer, Joseph Conrad, Kurzio Malaparte, Tomasi Di Lampedusa e Gabriel García Márquez, para começar.

 É porque, Polyana, os grandes livros contêm toda a dimensão humana, e nos livram, todos nós, de preconceito e de intolerância. 

És muito jovem e tens tanto para viver. Por isso, aprendas idiomas, curtas o trabalho dos grandes artistas, viajas, batas longos papos com os que tu amas e, principalmente, ouça-os. Isso, além de nos enriquecer, tira, às vezes, da fossa, até suicidas inconscientes. 

A missão do jornalista é muito importante, Polyana, pois na busca da verdade e da justiça lança luz sobre o pântano das trevas, e onde há luz é impossível haver treva. Os salários baixos, as incontáveis horas de trabalho, as dificuldades inerentes à profissão, pessoas arrogantes de quem dependemos ou a quem temos que nos submeter, nada disso é maior do que a consciência do dever do repórter, e depois, que dinheiro pode ser mais valioso do que o dever cumprido? Haverá alguma coisa superior à paz de espírito? 

Eu te desejo todo o sucesso, Polyana, e que a tua luz ilumine o riso das crianças.

Brasília, 9 de novembro de 2009

sexta-feira, 16 de julho de 2021

2022 será decisivo para Lula: ou sairá do limbo ou retornará às trevas. Bolsonaro sobreviverá?

Lula e Fidel Castro planejando a criação da URSS tropical

RAY CUNHA

Tudo sobre comunismo
BRASÍLIA, 16 DE JULHO DE 2021 – A panela de pressão que cozinha há 62 anos o povo cubano deu sinais, domingo 11, de que vai explodir. Para o morto-vivo Lula Rousseff foi apenas uma manifestaçãozinha de desocupados, emitindo gritinhos contra a exemplar democracia castrista. 

De 2003 a 2016, Lula sustentou o esplendor de Fidel Castro, o zumbi que comanda Cuba desde 1959, mandando para lá inclusive dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em detrimento da falta de água no Nordeste, falta de saneamento básico e de infraestrutura em todo o Brasil, e sistemas de saúde pública mortal e de segurança zero. 

O petismo levou o país à recessão, Lula foi preso, condenado em segunda instância, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) o soltou. Agora, a banda-carniça da imprensa vem fazendo loas a Lula, divulgando pesquisas misteriosas que o dão como praticamente eleito presidente em 2022, enquanto o Superior Tribunal Eleitoral (STE), um negócio que só existe no Brasil, não quer eleições auditáveis, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Comissão Parlamentar de Inquérito do vírus chinês quer desmoralizar a prender o presidente conservador Jair Messias Bolsonaro.

Ainda candidato, Bolsonaro levou uma peixeirada que quase o transfixou. Escapou por milagre, e agora mesmo está hospitalizado mais uma vez por conta dessa facada. A OAB impediu, de certa forma, que se descobrisse o mandante; quanto ao criminoso, Adélio Bispo, ex PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), de extrema esquerda, está protegido em um manicômio. 

De modo que está tudo preparado para a volta de Lula. Mas quem é Lula? O perfil mais profundo da personalidade dessa personagem que quase mergulha o país nas trevas do comunismo foi traçado por Jorge Bessa, no ensaio Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos (Thesaurus Editora/Tagore Editora, Brasília, 2020, 444 páginas). 

Bessa, 66 anos, belenense, é escritor, psicanalista, acupunturista formado em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Nacional de Acupuntura (Enac), graduado em Economia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), especialista em assuntos relacionados à atividade de inteligência e de planejamento estratégico, chefiou os Departamentos de Contra-Espionagem e de Contra-Terrorismo da antiga Secretaria de Inteligência da Presidência da República, atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin), serviu na Embaixada do Brasil em Moscou durante a Guerra Fria, é pesquisador de assuntos metafísicos e espiritualistas, tentando estabelecer pontes entre ciência e espiritualidade, autor de mais de 20 livros, alguns relacionados à atividade de inteligência de estado e outros ligados às áreas de saúde mental. 

Após longa e intensa pesquisa, Bessa traçou um dos mais cirúrgicos mergulhos no ventre da besta, Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos. Das 444 páginas desse livro emergem duas comprovações: os regimes comunistas são compostos de duas castas – o Estado, a elite, armada até os dentes, e o povo, desarmado e escravizado. 

A outra verdade é Lula. A análise de Bessa, baseada em fatos, revela um agente dos magos negros, que são espíritos do mal, que influenciaram monstros como Hitler, Raspútin, Stalin, Fidel Castro etc. Só isso justifica como uma pessoa semialfabetizada, ignorante, sem a menor predisposição à política, completamente imoral, capaz de qualquer coisa para alcançar a teta da burra, pôde influenciar tanta gente a ponto de se tornar presidente da República. 

Para começo de conversa, Lula foi forjado pelo próprio regime militar, pois se tornou dedo-duro dos seus companheiros sindicalistas; depois, Fidel Castro e Fernando Henrique Cardoso entraram na parada, por meio do Foro de São Paulo, até 2002, quando Lula, com um discurso melado, foi eleito presidente da República e começou uma escalada de corrupção tão avassaladora que deixou até seus companheiros mais próximos boquiabertos. 

Segundo Bessa, o Foro de São Paulo é uma “organização que pretende realizar na América Latina aquilo que fracassou no Leste Europeu: o comunismo transvestido em socialismo do século XXI, socialismo bolivariano, socialismo moreno, neocomunismo ou simplesmente socialismo petista”. 

Bessa: “A exemplo da fênix grega, que ressurgia das próprias cinzas, ou da conhecida besta do apocalipse, que teve sua cabeça decepada e logo restaurada, o comunismo – que muito de seus defensores envergonhadamente preferem chamar simplesmente de socialismo, para se confundirem com os setores do socialismo não comunista revolucionário conhecido como Socialismo Fabiano – não morreu, como muitos pensam”. 

Travestiu-se: “Fincou suas garras em vários países, principalmente na América do Sul, onde seus adeptos modificam conceitos e ocultam intenções pouco democráticas para enganar os desavisados, utilizando-se, para isso, das armas que conhecem muito bem: a mentira, a hipocrisia, a subversão cultural, a distorção da realidade, tudo isso ampliado pelo poder hipnótico do marketing político, o ilusionismo que, sabiamente utilizado pelo magos da mentira, transformam mitômanos contumazes em gênios políticos, intoxicando o pensamento da nação e conquistando multidões de fanáticos. 

“Muitos intelectuais, ou pseudointelectuais, a quem denomino de intelectoides, em seus sonhos e devaneios, alguns até movidos por bons e sinceros desejos de melhoria para a sociedade, estão sempre dispostos a seguir líderes espertalhões, egoístas e sedentos de poder, que prometem que finalmente vão executar suas velhas, surradas e já derrotadas utopias, pois a coisa mais fácil é manipular gente sonhadora, mas sem os pés fincados na realidade, e a quem o líder comunista Vladimir Lenin chamava de Idiotas Úteis.” A universidade está cheia deles. 

“A grande massa da sociedade não sabe como é fácil empregar a hipnose coletiva, que hoje é realizada através da televisão e das redes sociais, e por meio dela conseguir dominá-la. Hitler fez isso com facilidade na Alemanha e levou seu país e seus compatriotas à destruição. Não sabe, também, como é fácil corromper a consciência e a alma dos políticos: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro José Dirceu fizeram isso com grande maestria. 

“Os esquerdistas de hoje têm vergonha de assumir que defendem o regime que mais matou na história da humanidade e o fazem ou por conveniência política, por falta de caráter, ou por serem avessos aos estudos, a exemplo de Lula, que reiteradamente declara ser avesso a qualquer estudo. 

“Em um arroubo de franqueza, em 1981, um ano depois de ter criado o PT e quando participava de uma entrevista no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, respondendo a uma provocação do teatrólogo Flávio Rangel, que lhe perguntou: – Você não está estudando nada? Você sente necessidade de estudar? Lula respondeu: – Primeiro, eu acho que eu sou muito preguiçoso. Até pra (sic) ler eu sou preguiçoso. Eu não gosto de ler, eu tenho preguiça de ler. Pelo hábito, isso é questão de hábito. Tem companheiro que passa um dia lendo um livro. Eu não consigo.” 

A propósito, os jovens de hoje não leem mais nada. Livros escolares são ouvidos ao telefone celular, ou computador, e a garotada prefere ler postagens de seus amiguinhos e gurus nas redes sociais, que está cheia de clubes de gente trevosa e de suicidas. 

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, distrito do município de Garanhuns/PE até 1964, sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, lavradores iletrados. Antes de Lula nascer, seu pai migrou para Santos e começou a trabalhar como estivador. Levou consigo Valdomira Ferreira de Góis, prima de Eurídice, sua esposa, com quem gerou mais 10 filhos. Com os 12 que teve com Eurídice – quatro mortos ainda bebês –, Aristides gerou 22 filhos conhecidos. 

Em dezembro de 1952, quando Lula tinha apenas 7 anos de idade, Eurídice também foi para São Paulo, Guarujá, distrito de Vicente de Carvalho, então Itapema, juntando-se à nova família de Aristides. Eurídice não aguentou o convívio e se mudou, e, em 1954, migrou para a cidade de São Paulo. 

Lula e seu irmão José Ferreira de Melo, o Frei Chico, ainda ficaram no Guarujá, mas também foram para São Paulo, em 1956. Aristides morreu em 1978 e foi enterrado como indigente. 

Lula foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias. Aos 7 anos, vendia laranjas no cais, andava quilômetros para buscar água de poço para Valdomira e aos domingos tinha que ir ao mangue para retirar lenha, marisco e caranguejo. Aos 12 anos, já em São Paulo, trabalhou em uma tinturaria e como engraxate e auxiliar de escritório. Aos 14, trabalhou nos Armazéns Gerais Colúmbia por seis meses. 

Em 1961, começou o curso de tornearia mecânica na escola Conde José Vicente de Azevedo, do Senai, no Ipiranga, mas se viu obrigado a deixar a escola e foi trabalhar em uma siderúrgica que produzia parafusos, onde, em 1964, esmagou o dedo mínimo da mão esquerda em um torno mecânico, tendo que esperar horas até o dono da fábrica o levar ao médico, que cortou o resto do dedo. Lula foi indenizado em 350 mil cruzeiros e comprou vários móveis para sua mãe e um terreno. 

Depois, trabalhou na Fris-moldu-car, como aprendiz do Senai, por seis meses, sendo demitido por se recusar a trabalhar aos sábados. Em 1966, foi admitido nas Indústrias Villares, metalúrgica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. 

Em 1968, filiou-se ao Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, convencido por Frei Chico, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, e, em 1969, é eleito para a diretoria do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. 

Em 1972, elege-se primeiro secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e assume a Diretoria de Previdência Social e FGTS, parando de trabalhar como operário, e, em 1975, é eleito presidente do sindicato. Em 1977, ganha projeção nacional ao liderar a reivindicação de reposição salarial referente ao índice de inflação de 1973, mas não consegue nada. Reeleito em 1978, lidera as negociações e as greves de metalúrgicos de sua base. 

Por liderar as greves dos metalúrgicos da Região do ABC. no fim dos anos 1970 e início da década de 1980, Lula foi preso, cassado como dirigente sindical e processado com base na Lei de Segurança Nacional. Em 1980, Lula foi detido por 31 dias nas instalações do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) paulista, condenado por desordem pela Justiça Militar a três anos e meio de prisão, mas foi absolvido no ano seguinte. 

Então, com apoio de sindicalistas, intelectuais e representantes dos movimentos sociais e católicos da Teologia da Libertação, cria o Partido dos Trabalhadores (PT), do qual se tornou dono. 

Em 1982, tenta o governo de São Paulo, mas perde. Contudo, em 1986, é eleito deputado federal por São Paulo e participa da elaboração da Constituição Federal de 1988, trabalhando pela limitação do direito de propriedade privada, pelo aborto amplo e irrestrito e pela estatização do sistema financeiro e criação de um fundo de apoio à reforma agrária. 

Em 1989, candidata-se a presidente da República e fica em segundo lugar, derrotado por Fernando Collor de Mello. Na época, o jornalista Paulo Francis profetizou que se Lula chegasse ao poder o país viraria uma “grande bosta”. Não ganhou a presidência, mas ganhou prestígio internacional. 

Em 1990, Lula, Fernando Henrique Cardoso e Fidel Castro fundam o Foro de São Paulo, um clube de líderes esquerdistas latino-americanos com o objetivo de criarem uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas tropical. O primeiro encontro, de 1 a 4 de julho de 1990, ocorreu no extinto Hotel Danúbio, em São Paulo, com o nome de Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe. 

Em 1994, Lula voltou a candidatar-se à presidência e foi novamente derrotado, por Fernando Henrique Cardoso, para quem perdeu de novo em 1998. Em 2002, com um discurso açucarado e tendo como vice-presidente o senador mineiro e empresário têxtil José Alencar, e principalmente com o empenho de FHC, em detrimento do seu próprio partido, o PSDB, Lula chega ao Palácio do Planalto, derrotando o senador paulista e também Fabiano, o tucano José Serra. 

No seu discurso de diplomação, disse Lula: “E eu, que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu país”. Sua infância miserável, em vez de fortalecer seu espírito acendeu nele ódio e sede de vingança, e o diploma que acabara de ganhar o credenciava a ir diretamente à teta da burra, onde ele se agarrou com dentes e nove unhas afiadas. Antes, é claro, começou um plano diabólico: o aparelhamento e a destruição do Estado. 

Foi uma sucessão de infâmias. No fim do seu primeiro mandato estourou o Mensalão, esquema de pagamento mensal a deputados para aprovação de matérias de interesse de Lula. Mesmo assim ele se reelegeu. No segundo mandato, Lula assaltou principalmente a Petrobras, que quase foi à falência. E com nosso dinheirinho Lula começou a sustentar ditadores mundo afora, e até terroristas. Seus filhos, do nada, se tornaram bilionários. 

A derrocada do jacaré começa, ironicamente, com o arranjo feito por Lula, que elegeu para sucedê-lo a ex guerrilheira, assaltante de banco e assassina Dilma Rousseff, que não consegue concluir sequer uma frase. Ela esquentaria a cadeira de presidente até Lula retornar em 1 de janeiro de 2015. Só que Dilma tomou gosto pelo poder e disse não, e como sabia muito Lula se calou, contentando-se em sucedê-la quatro anos depois. Não deu certo. Dilma é tão incompetente que em 31 de agosto de 2016 foi cassada. 

Com a posse de Bolsonaro, em 1 de janeiro de 1919, o desvio de verbas públicas, que chegaram, segundo cálculos incluindo superfaturamento, propina e paralisação de obras, ao espantoso trilhão por ano, cessou. Bolsonaro não deixa roubar, e, com o dinheiro, que agora sobra, o país voltou a crescer, apesar do vírus chinês. 

O jejum da roubalheira está levando muita gente fina à loucura, daí a vida de Bolsonaro correr perigo. Se não conseguiram matá-lo até agora, vão continuar tentando, ou pelo menos desmoralizá-lo e enjaulá-lo, e à família de Bolsonaro também. Aí, seria o fim do Brasil, que, potencialmente, pode ser até a saída para a Humanidade, pois é um celeiro de comida, água e sol, tanto que em um dos cenários de uma guerra atômica no Hemisfério Norte o Brasil seria um dos raros pontos do planeta capaz de abrigar o que sobrasse da Humanidade. 

Assim, 2022 será decisivo para Lula Rousseff: ou ele volta a jogar sua bunda gorda de tanto comer mel na poltrona presidencial ou falhará com seus mentores nas trevas. Aí será entre Lula e os magos negros.

Quanto a Bolsonaro, conta com os patriotas em massa nas ruas, o Artigo 142 da Constituição e as Forças Armadas.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

O regime totalitário cubano resistirá até 2023?

Sem aguentar mais o totalitarismo castrense milhares de
cubanos foram às ruas domingo 11 para pedir o fim do inferno
que já dura 62 anos de fome, prostituição e tortura (AFP)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE JULHO DE 2021 – Quando os comunistas brasileiros tentaram chegar ao poder por meios heterodoxos, em 1964, eu tinha 10 anos de idade. Aí a população foi para as ruas pedir intervenção das Forças Armadas, a qual durou 21 anos. Nessas duas décadas, os comunistas aparelharam os meios culturais e nos anos 1990 os esquerdistas da Ibero-América se uniram no Foro de São Paulo para criar a União Soviética do trópico, a partir de Cuba. O resultado foi crudelíssimo, e, claro, trágico. 

Quase toda a minha geração, em Macapá/AP, e no Brasil afora, foi hipnotizada pelas promessas açucaradas dos comunistas e, ainda hoje, continua hipnotizada pelos assassinos e ladrões como Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chávez Maduro e Lula Rousseff, que trabalham, seja como espíritos do mal encarnados, ou como mortos-vivos, para destruir a família e o Estado. Muitos dos meus amigos de juventude continuam embevecidos pela conversa diabólica dos comunistas, mesmo vendo que a liberdade cubana é levar porrada e mandioca da polícia de Fidel. 

As universidades, por exemplo, estão cheias de comunistas, especialmente nos departamentos culturais, dando inclusive impressão de que tudo o que é de direita é ignorante, burro, alienado e capitalista. Pois é, o aparelhamento marxista nos meios acadêmicos e culturais é proposital, como parte de um plano maquiavélico do italiano Antonio Gramsci, morto em 1937, um dos maiores pensadores marxistas da história.  

Gramsci se especializou na doutrina marxista. Após a Primeira Guerra Mundial, fundou o jornal A Nova Ordem, que serviu como instrumento para a fundação do Partido Comunista Italiano. Mas quando ele viu o que era, de fato, o marxismo real, sanguinário, praticado na recém-criada URSS pelo ditador Vladimir Lenin e ampliado pelo seu sucessor Josef Stalin, desiludiu-se. 

Stalin esmagava tudo o que reagisse contra o comunismo; queria impô-lo em toda a Europa e Ásia, e depois nas Américas. Para isso, buscou criar uma máquina militar imbatível. Todos os que se opuseram a Stalin foram assinados, pelo menos 20 milhões de pessoas, principalmente compatriotas de Stalin. 

Gramsci caiu fora da Rússia e regressou à Itália, então fascista, onde foi preso. Na prisão, escreveu um protocolo sobre como chegar à plenitude de um governo marxista sem matar ninguém. Por meio da cultura.  Em Cadernos do Cárcere, Gramsci propõe a “Revolução Cultural”, na qual a população está pronta para receber passivamente um governo comunista. Para conseguir isso só aparelhando todas as instituições do Estado – governamentais, midiáticas, religiosas, educacionais, culturais e jurídicas. 

Em primeiro lugar, os líderes comunistas devem se aproximar dos intelectuais, que dão credibilidade ao projeto de poder, já que qualquer idiotice que um intelectual fale, por maior absurdo que seja, será mesmo assim absorvido pela massa dos idiotas úteis, como verdade absoluta. 

Na educação, o objetivo é emburrecer a garotada, tornando-a politicamente correta, pois quanto mais ignorante a sociedade mais fácil montar nela. Na imprensa, o objetivo é manipular a manada e desacreditar as instituições tradicionais. O resultado disso é que moralidade, valores religiosos e da família, a cultura milenar e as virtudes do passado devem ser ridicularizadas sempre. Os heróis da nação são convertidos em degenerados, racistas e sexistas, e são substituídos por pseudointelectuais, gente conhecida, estrelas da música, celebridades do cinema e da televisão etc. 

Mas o mundo evolui e Gramsci nem imaginava o que estava por vir: a internet. Hoje, qualquer pessoa se conecta com o mundo e tem acesso a todo tipo de informação. Foi assim que muita gente começou a descobrir o que é, realmente, o marxismo. 

Assim, tornou-se fácil identificar um esquerdista. Defendem a liberação das drogas, o desarmamento, o aborto, a desmilitarização da Polícia Militar, a ideologia de gênero, o ódio. Também já deu para ver que nos regimes comunistas, como em Cuba e Venezuela, o povo, quando não morre de fome ou sem tratamento médico, tomba crivado de chumbo quente. 

A Revolução Cubana culminou, no dia 1 de janeiro de 1959, com a queda do ditador Fulgencio Batista pelo Movimento 26 de Julho e ascensão de outro ditador, Fidel Castro, logo apoiado pela URSS, que queria uma base próxima aos Estados Unidos. 

Em 1962, espiões americanos descobriram a presença de mísseis nucleares em Cuba. Imediatamente os Estados Unidos bloquearam a costa cubana. Durante 13 dias quase estoura uma guerra nuclear. Mas os russos pensaram duas vezes e retiraram os mísseis do solo cubano. Os Estados Unidos bloquearam totalmente a ilha e, um ano depois, impuseram um embargo ao comércio com Cuba, restrição utilizada por Fidel e camarilha como justificativa pelas dificuldades econômicas que o país vem enfrentando, e que se deve, na verdade, ao fato de que Fidel e família roubaram tudo o que puderam da economia cubana. 

Mas Fidel não tinha com que se preocupar, pois a URSS enviava para ele 6 bilhões de dólares anuais. Até a queda do Muro de Berlim, quando, após 70 anos de desgraças impostas aos povos russo e dos países invadidos pelos comunistas, a peste marxista chegou ao fim na URSS. Foi a debacle de Cuba. 

Sessenta anos depois, a situação é tão desesperadora que famílias jogam suas filhas na prostituição para não morrerem de fome. Agora, com a pandemia do vírus chinês, com pessoas morrendo sufocadas nos corredores dos matadouros hospitalares, ninguém está aguentando mais. Domingo 11, o povo foi às ruas protestar contra o regime e não faltou porrada na população e prisões, inclusive de jornalistas estrangeiros. 

Em Cuba falta comida, medicamentos, energia elétrica e água. Alguns conseguem chegar à Flórida, enfrentando 144 quilômetros de mar. Quem não consegue fugir vai morrendo todos os dias, e não dura muito tempo. De acordo com a Guarda Costeira dos Estados Unidos, só este ano cerca de 500 cubanos foram resgatados no mar tentando chegar à Flórida. 

Segundo a Universidade Johns Hopkins, Cuba registrou 238.491 casos e 1.537 mortes por Covid-19. Só domingo 11 foram relatados 6.923 infecções e 47 mortes. O vírus, que, por ironia, é comunista, derrubará o regime totalitário da ilha? 

Além do vírus, que pode ser a gota d’água, Cuba perdeu o apoio de Lula. Durante o assalto do PT ao Brasil, foram transferidos bilhões de dólares para Cuba, inclusive do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essa teta secou, tampada pelo presidente conservador Jair Messias Bolsonaro, a quem os comunistas quase assassinaram a facadas. Também a Venezuela, que já está tão anêmica que não funciona mais, quase já deixou completamente de mandar petróleo de graça para Cuba. 

Basta fazer uma leitura atenta de tudo o que está ocorrendo no mundo para nos perguntarmos: o regime diabólico de Cuba se sustentará até 2023? Por que 2023? É o seguinte: 2022 ainda será um ano conturbado em todo o planeta. O vírus chinês só deverá ser controlado em 2022, com o avanço das vacinas e melhor compreensão de como o microrganismo opera, e também já se saberá mais sobre a origem dele, com as investigações dos serviços secretos das nações hegemônicas. 

No Brasil, Bolsonaro – o maior líder no combate ao comunismo ibero-americano depois dos Estados Unidos, onde os serviços secretos e as Forças Armadas não dão trégua ao marxismo – tem tudo para ser reeleito em 2022, em eleições auditáveis, pois goza de legitimidade e proteção constitucional e apoio popular e das Forças Armadas.

A derrocada da Venezuela, a explosão do vírus chinês em Cuba e o fortalecimento de Bolsonaro, que pôs o Brasil novamente alinhado com os Estados Unidos, levará a uma pressão insuportável ao inferno castrista e talvez neste ano mesmo o regime de Fidel caia como fruta muito maduro. E se passar deste ano aguentará até 2023?

quinta-feira, 24 de junho de 2021

A vida, ou consciência, não se originou na matéria. Ela já existia antes do Big Bang

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 24 DE JUNHO DE 2021 – Na cosmologia moderna, o Universo começou com uma grande explosão, o Big Bang, há 14 bilhões de anos, e desde então se expande. Nos anos de 1930, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble confirmou que o Universo está se expandindo. Também o astrofísico George Lemaitre, baseado nas equações de Albert Einstein, reconheceu isso.

Mas o que explodiu? E se expande para onde? E antes do Big Bang, o que havia? E quem detonou a explosão? 

A teoria inflacionária, proposta por Alan Guth e Andrei Linde, nos anos 1980, supõe que nada existia antes do instante em que o Universo tinha a dimensão de um ponto com densidade infinita, que concentrava toda a matéria, a energia, o espaço e o tempo hoje existentes. 

Mas, e antes disso? Os cientistas afirmam que só havia o que chamam de matéria escura, equivalente a, hoje, todo o espaço vazio, e a qual Einstein chamou de campo e Massaharu Taniguchi, filósofo japonês, de Deus. 

Matéria é tudo que ocupa espaço e possui massa, sempre feita de átomos. Na passagem do século XIX para o século XX descobriu-se o elétron e o núcleo atômico, o que definiu matéria como átomos, compostos por elétrons, prótons e nêutrons. Os prótons e nêutrons são divididos em quarks, enquanto os elétrons são compostos por léptons. 

A matéria é muito rara no Universo. Os cientistas acham que 95% do Universo são matéria escura. Ora, o Universo é a própria matéria escura. Tanto que uma galáxia jamais se chocará a outra. Mas quem fez essa matéria escura, ou campo? Para que uma força tenha produzido o Universo ela teria que existir antes do Universo, o que a torna sem momento para começar a existir, ou seja, eterna. 

Já que a questão, nesse ponto, não pode ser levada adiante, pelo menos do ponto de vista científico, vamos nos concentrar no nosso planeta, a Terra. Como ele foi feito? Como surgiu a vida, ou consciência, na Terra? A explicação dos cientistas é ridícula, a de que tudo surgiu por acaso, a partir de uma combinação química fortuita. 

Não! O Absoluto, ou seja, Deus, age por meio de agentes. No caso da Terra, arquitetada e produzida por engenheiros siderais, o que chamamos natureza está sob controle de espíritos ascensionados. Os seres humanos são espíritos encarnados, isto é, estão vivendo uma consciência no estado da matéria, que é energia condensada. Nosso corpo é apenas uma vestimenta para o espírito suportar a vibração da matéria, e evoluir neste mundo de provações. 

À medida que despertamos, ou seja, voltamo-nos para nossa origem divina, nos desapegamos da matéria, e retornamos, numa viagem eternamente sublime, para o antes do Big Bang, e só então entendemos tudo. Assim, a matéria nada mais é que ilusão. E se a matéria é ilusão, as doenças também são ilusão.

Como assim, se há pessoas morrendo a todo instante, inclusive de covid-19, o vírus chinês? É verdade! Mas tudo isso se passa como em um pesadelo, no Umbral, porque a matéria tem estas características: é limitada, desgasta-se, muda e morre, de modo que só o espírito, a centelha gerada no antes do Big Bang, é infinito.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

A vida pode se passar em uma tela de Olivar Cunha ou em uma crônica de Fernando Canto

Olivar Cunha recriou Fernando Canto como apóstolo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2021 – No primeiro volume dos 40 livros fundamentais da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi desenvolve uma teoria interessante: em uma década e meia todas as células do corpo humano são renovadas, de modo, que, a rigor, tem-se um novo corpo em relação há 15 anos. Mas continuamos sentindo as mesmas coisas. Logo, entre A e B, existe algo que subsiste, algo essencial, presente. 

Há 2.500 anos, os budistas já sabiam que a matéria não existe, e, no início do século passado, um cientista, judeu-alemão, Albert Einstein, teorizou esse conhecimento. Hoje, sabe-se, cientificamente, que não existe matéria. O que há são vibrações, que, para fins de estudo, são denominadas prótons, elétrons e nêutrons, e vazios imensos. Essas vibrações formam átomos, que formam moléculas, que formam energia densa, ou seja, matéria. No caso do corpo humano, as células, tijolos da carne, são formadas por átomos, e animadas pela vida. 

Desde Alan Kardec, no século 19, e depois, a partir de 1947, com a aparição cada vez mais comum de discos voadores e ETs, bem como da hoje numerosa literatura psicografada por médiuns, só mesmo cientistas empedernidos, como Stephen Hawking, afirmam que tudo é matéria e que não existe nenhum plano além da matéria, a qual, para eles, surgiu do big-bang, há 14 bilhões de anos. 

Acreditam também que nós, seres humanos, surgimos de um célula que adquiriu vida sabe Deus como, se multiplicou, e, milhões de anos depois, evoluiu até formar o cérebro humano tal como o conhecemos hoje. 

Mas há cientistas que já sabem que nós, seres humanos, somos espíritos, criaturas de outros planos, além da matéria, assim como inúmeras raças que habitam o Universo, e que encarnamos para obter a experiência da matéria e evoluir mais rapidamente, pois neste plano tudo muda a todo instante e somos cercados de limitações, inclusive a da morte carnal. Mas no império da lei, que é a vida, tudo no Universo avança, nada retrocede, e não há passado, nem futuro. A eternidade é agora. 

O espírito é uma expressão da Vida, e, quando encarna, utiliza-se de um corpo ao qual podemos chamar de perispírito, ou corpo astral, ou, para ser acadêmico, psicossoma, que se conecta à glândula pineal e esta ao cérebro, para que o espírito possa utilizar o corpo carnal, uma espécie de escafandro usado para a caminhada sob a força de gravidade da Terra. 

Nessa caminhada só existe o agora. Nostalgia, remorso, sentimento de culpa, ansiedade, angústia, são sentimentos deslocados do presente e que remetem ao medo, que corrói o períspirito e se reflete no corpo carnal em doenças, como câncer. 

Então, devemos viver o agora. Isso é a liberdade do espírito, que, assim, não adoece e que pode ir aonde quiser pela mente. Masaharu Taniguchi prega que podemos atingir esse estado aqui e agora, mesmo no mundo cármico. 

Acontece de turistas ocidentais irem à Índia e observarem monges, cercados de miséria, meditando à margem do poluído rio Ganges. Mas ali, só está o corpo carnal dele. Onde estará seu espírito? Talvez nem na Via Láctea, mas a bordo de uma nave rumo à Hidra-Centauro. 

A vida é um tesão, como disse o pintor Olivar Cunha. E só podemos ter a noção do agora, a alegria de viver, a intensidade, o voo vertiginoso da luz, quando amamos. Amar é quando percebemos o azul, quando avançamos no misterioso labirinto da mulher amada, quando crianças riem na manhã, em meio a zínias e rosas, quando a sensação do primeiro beijo nos transporta para a eternidade. 

E só amamos pelo desapego. Não tenho apego a nada, nem a mim mesmo. 

Antes de escrever o romance A CASA AMARELA, passei anos sonhando, de forma recorrente, o mesmo sonho: planava, mesmo sem ter asas, sobre a casa da minha infância, que era amarela, e sobre jardins imensos de zínias multicoloridas e rosas vermelhas. Então comecei a criar uma história, e quando a concluí nunca mais sonhei com a Casa Amarela.

Na história que criei há um portal, o Quartinho, onde escritores, personagens de ficção e pessoas vivas e mortas se reúnem. Ali, a vida é para sempre, como uma crônica de Fernando Canto, uma tela de Olivar Cunha, um conto de Hemingway, um romance de Fitzgerald, um bate papo com João Raimundo Cunha, meu pai.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Da mão para a boca, até a gerência do prostíbulo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE JUNHO DE 2021 – William Faulkner disse à dupla de entrevistadores da The Paris Review que o melhor emprego que já teve foi o de gerente de prostíbulo. Dava-lhe liberdade econômica, deixando-o livre do medo da fome e de não ter onde dormir. Um bordel é quieto de manhã, o turno de trabalho preferido dos escritores, e, à noite, se gostar de vida social, ele a terá. Dessa forma, um rendez-vous pode proporcionar segurança financeira, a solidão necessária para o ato de criar e diversão. 

Um escritor de primeira categoria não precisa de nada disso, é claro. Escreverá na prisão, na sarjeta ou no Copacabana Palace. Como é de primeira classe, o ambiente não piorará, nem melhorará seu texto. Mas, de certa forma, dirigir um puteiro representa o lugar ideal para o escritor, pois se a segurança financeira não influi no resultado da criação do artista proporciona tranquilidade ao homem. E há a questão do silêncio pela manhã. 

Inúmeros escritores foram artistas da fome na juventude, como o famélico personagem de Knut Hamsun. Viciados, fazem quase qualquer coisa para alimentar o vício, pois todo escritor classe A sabe que se não parir as personagens que o atormentam morrerá prematuramente; muitas vezes, louco. Então escrevem. 

Escritores de primeira categoria só sabem escrever. Se nascem ricos, tanto melhor, do contrário penam durante muito tempo realizando todo tipo de trabalho para não morrer de fome. Gabriel García Márquez, o gigante de Cem Anos de Solidão, chegou a pedir esmola em Paris, onde outro monstro, Ernest Hemingway, chegou a matar pombos, escondido, é claro, para se alimentar, embora depois de O Sol Também se Levanta Papa não tenha precisado mais atacar pombos. 

Para muitos escritores de primeira categoria a briga inicial é manter o estômago aquecido. Outro tipo de tormento são as dívidas, pequenas, mas impagáveis, e, às vezes, grandes, que artistas da fome são obrigados a contrair. A angustiante falta crônica de dinheiro, a eterna corrida atrás de grana, os constantes pedidos de pequenos empréstimos aos amigos, as roupas puídas, os sapatos furados, são outras humilhações pelas quais passam os atormentados artistas da fome. 

Certa vez, convidado a um encontro em um café com o diretor de uma revista na qual deveria assumir como editor, Gabriel García Márquez chegou antes do diretor e saiu depois dele, para que seu salvador não visse que o solado de um dos sapatos de Gabo estava solto, devido à absoluta falta de dinheiro para mandar consertá-lo. 

Paul Auster foi outro que passou também pela falta de dinheiro. Auster é de Nova York. Tornou-se popular com Leviatã (1992). Incursionou pelo cinema. Foi o roteirista de Cortina de fumaça, Sem fôlego e O mistério de Lulu, que também dirigiu. A Companhia das Letras publicou, em 1997, Da mão para a boca – Crônica de um fracasso inicial (Companhia das Letras, 396 páginas, 1997). 

Da mão para a boca reúne 103 páginas de memórias; 49 páginas com três peças teatrais; 9 páginas sobre um jogo de cartas que Auster inventou para ver se ganhava algum dinheiro, mas não ganhou nenhum; e o romance policial A estratégia do sacrifício, com 205 páginas – algo na linha de Dashiell Hammett e Raymond Chandler. Auster o escreveu na tentativa de ganhar algum. Ganhou. A princípio, pouco. Mas o suficiente para sentir o batismo de fogo, como diria o poeta amapaense Isnard Brandão Lima Filho. 

Auster não é Faulkner, nem García Márquez. Num momento em que Faulkner não dava mais conta de sustentar a família com os livros que publicara, escreveu Santuário, um extraordinário romance de gangster que encheu seus bolsos. García Márquez já havia publicado meia dúzia de livros e devia a todo mundo quando escreveu Cem Anos de Solidão, que começou a vender como pão francês. 

Acontece que, para o artista da fome, ter um livro aceito por uma editora representa o mesmo que, para o alcoólatra, uma linha de crédito em um bar – sem fiador, nem cheque pré-datado, nem limite. Um acontecimento único, embora improvável, na vida de um pé inchado. 

Da mão para a boca narra as peripécias do artista quando jovem. Auster nasceu em uma família de classe média, mas não deu pistas de que queria ser escritor, para não assustar ninguém. Apenas alimentava as baterias da criação e ia comendo o que lhe era servido à mesa, sem reclamar. Fez todo tipo de tarefa para aguentar-se, enquanto imergia no seu bordel particular, para trabalhar na Estratégia do sacrifício. Assim, Da mão para a boca é o dia a dia de um candidato a escritor. 

Os iluminados não estão preocupados em obter carteirinha de escritor, nem com subvenções oficiais, nem em puxar saco de ninguém. Sabem que nada disso é capaz de aumentar seu talento. Sobrevivem aceitando quase qualquer serviço que lhes apareça. Não pedem muito, nem exigem coisa alguma que represente luxo. Só querem ter seu prostíbulo particular, pois sabem que sem poder escrever serão alcoólatras a seco. Sem nem mesmo cachaça de Abaetetuba, uma das mais ordinárias do mundo, pois contém muita soda cáustica e água. 

Neste Da mão para a boca, Auster mostra com precisão o drama de quem nasce com o dom de criar, pois para criar é preciso tempo, tempo que poderá ser precioso para a sobrevivência. A menos que se escreva logo de início algo como O sol também se levanta. Aí, dá até para viver em Paris.

Tudo é válido para o candidato a escritor, no seu esforço de criar; inclusive se expatriar no jornalismo. No caso de um escritor amazônida que sobrevive de jornalismo em Brasília e escreve sobre políticos, ele sabe que o encontro com a solidão, aquela solidão que só os estrangeiros sentem, desnorteante e seca como um soco na boca do estômago, é certa, mas sabe também que não há outro modo de chegar a gerente do puteiro.

domingo, 13 de junho de 2021

O casamento da flor de jasmineiro e o sansei




RAY CUNHA


Os espíritos surgem do nada

Já existiam antes do Big-Bang, sempre existiram

Evoluem no éter, unem-se no fluir da vida, no Tao

Como vibrações azuis materializadas em sílfides

 

Borboletas, fadas, gnomos, voam entre arco-íris de orquídeas

Pois uma flor de jasmineiro se casa

Por isso, todo o Universo, em silêncio, reza, em fervoroso rito

E até as galáxias param e Frank Sinatra se cala

 

Só a flor se move, em um rastro de perfume,

A música de Mozart, como o som da Terra no espaço

Preenche o cosmos, a consciência, a alma, toma conta de tudo

 

O sansei abraça e beija a flor, em novo nascimento do mundo

Como sol nas manhãs de primavera, iluminando o infinito, desde o antes

E o casamento na Seicho-No-Ie se consuma, prenhe de luz em triunfo

terça-feira, 8 de junho de 2021

Adeus, Hemingway

RAY CUNHA 

Um dos tipos mais mentirosos de reportagem é a biografia, seja quando o biografado é o autor, ou apenas objeto jornalístico. Nas biografias, ora o herói é superestimado, ora é subestimado, mas a tendência, geralmente, é a de romantizá-lo. Esvai-se, aí, o homem; fica o mito. Além do mais, a distância no tempo constrói outras realidades, de modo a recriar-se também outra personagem, sem que se dê o resgate do objeto inicial da biografia. 

Quando a biografia é ficção, invenção, mentira literária de primeira categoria, então é literatura genuína, com personagens de carne, osso e alma. Assim, da mesma forma que a ficção, as biografias são um gênero literário que nos proporcionam grande prazer, pois recriam os heróis nos momentos mais emocionantes de suas vidas. 

Peso pesado, viril e belo, o ficcionista Ernest Hemingway foi pugilista, matou búfalos selvagens, rinocerontes, elefantes e leões, capturou tubarões e grandes espadartes, esteve no front de três guerras e obteve favores sexuais das mais belas e famosas fêmeas de sua época, entre as quais a atriz Ava Gardner, o então mais belo animal do mundo. 

Acima de tudo, revolucionou a prosa com O Sol Também se Levanta, em 1926, quando tinha apenas 27 anos de idade. Na juventude, já escrevia coisas como Lá em Michigan. Adeus às Armas o fez milionário aos 30 anos. Aos 40, ao publicar Por Quem os Sinos Dobram, era já uma celebridade mundial, que agitava a mídia à sua passagem. Em 1952, publicou O Velho e o Mar, poesia em prosa da mais alta categoria. 

Em 1954, recebeu o Nobel. Por tudo isso, Hemingway foi uma das celebridades do século vinte sobre quem mais se escreveu, produção que continuou incólume depois que o gênio americano se matou aos 62 anos, em 22 de julho de 1961. 

É sempre um prazer ler Hemingway e sobre Hemingway, porque, além de viver intensamente, ele é daqueles escritores que fazem a gente sentir o cheiro da bebida que seus personagens bebem, personagens tão vivos que até dá vontade de a gente telefonar para eles. Já pensou, então, Hemingway envolvido numa trama policial? 

Pois é isso que faz o escritor cubano Leonardo Padura Fuentes. Convidado a participar da série Literatura ou Morte, da Companhia das Letras, Fuentes nos presenteou, a todos nós, hemingwayanos, com o romance Adeus, Hemingway. 

Fuentes era criança e estava com o avô quando viu Hemingway uma única vez. O escritor americano viveu metade de sua vida em Cuba. Morava numa bela chácara, chamada Vigia, nos arredores de Havana. A visão que teve de Hemingway, já velho e alquebrado, após dois recentes desastres aéreos e barris de álcool, nunca saiu da memória de Fuentes, que depois se tornaria um dos escritores cubanos de sucesso no exterior. 

Além de ler tudo sobre o autor de A curta e feliz vida de Francis Macomber, Fuentes é natural do país que o criador de Um lugar quente e bem iluminado escolheu para morar por três décadas, e conheceu alguns dos amigos e personagens do inventor de Os assassinos. 

Uma caveira com dois furos de bala é encontrada na chácara Vigia e Fuentes põe seu personagem, o detetive Mario Conde, para investigar o assassinato. Quem matou aquele homem? Hemingway? Hemingway tinha um arsenal em casa e durante algum tempo se viu perseguido por agentes do FBI, sob a acusação de ser comuna. Aí, duas coisas acontecem: além de nos deliciarmos com o enredo policial, Fuentes constrói o dia a dia do grande escritor – momentos mais para a miséria da velhice do que da glória da juventude. 

O gigante americano surge, então, vivo, e podemos compartilhar com ele de uma garrafa de vinho italiano, andar a esmo pela mansão da finca Vigia e ver Ava Gardner tirar o soutien e a calcinha para depois atirar-se na piscina, onde já se encontrava o criador de As neves do Kilimanjaro. 

No meio das muitas biografias de Hemingway, as mais pungentes foram escritas com as vísceras, e só por quem o conheceu nos seus momentos de grandeza e de miséria. Por quem o viu rir e chorar. Por quem o amou. Papa, de Gregory Hemingway, filho do escritor, é uma dessas reportagens escritas com o coração. Assim também é Adeus, Hemingway, que, embora ficção, foi também criado com a verdade imprescindível a todo bom livro de invenção.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Criação do novo estado do Tapajós na Amazônia é inevitável. O Brasil inteiro quer se dividir



RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MAIO DE 2021 – Quase 100% dos 2 milhões de moradores dos 23 municípios que integram o futuro estado do Tapajós, no Pará, tem a esperança de que a vigésima oitava unidade da federação seja criada até o fim de 2022. O povo tapajônico vem se empenhando na criação do estado do Tapajós há 197 anos, desde a promulgação da primeira Constituição do Brasil, em 1824, quando foi feito o primeiro registro da criação de uma província na região, abrangendo, então, os municípios de Santarém e Óbidos, no Pará, e Parintins, no Amazonas. 

Em 11 de dezembro de 2011, foi realizado um plebiscito em todo o Pará para decidir a divisão do estado em três. A maioria dos eleitores decidiu pela não emancipação das regiões sudeste, novo estado de Carajás, e oeste, novo estado do Tapajós. Porém 96%, mais de 1,2 milhão tapajônicos votaram pela criação do estado do Tapajós. Aí é que está o nó da questão. A Constituição prevê que, nesse caso, a região pode se emancipar, sim. 

Ação no Supremo Tribunal Federal (STF), de autoria do constitucionalista e tributarista Marcos Pereira Pimenta Rocha, pleiteia justamente isso, com base em cláusula pétrea da Constituição, que, no seu Artigo 18, diz: “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição”. Inciso Terceiro: “Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar”. 

Assim, o Inciso Terceiro do Artigo 18 da Constituição Federal reza que somente as “populações diretamente interessadas” decidam sobre a criação do seu Estado, o que, no caso do Tapajós, já foi realizado um plebiscito, com quase 100% da “população diretamente interessada” pleiteando a criação do novo estado, pois se sente prejudicada pela ausência do governo do atual estado do Pará, que adora receber impostos dos tapajônicos, mas vira as costas para eles, tão distantes da capital, em um estado maior, territorialmente, do que muitos países. 

É cristalino como as águas do rio Tapajós: a Constituição reza que apenas a população da região desmembrada é a diretamente interessada, pois é ela, e somente ela, quem pleiteia poderes derivados-decorrentes da Constituição Federal para constituir uma nova unidade federativa. “O ente remanescente não, pois ele, em vez de seu desmembramento, pleiteia pelo malogro (o que parece evidente, pois os Estados, de regra, não querem sofrer qualquer perda territorial)” – esclarece Marcos Pereira Pimenta Rocha. 

Os tapajônicos sentem-se como os amapaenses antes de 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá, desmembrado do Pará. Os moradores da região seriam hoje tribos meio brasileiras, meio francesas, pois procurariam trabalho na colônia francesa da Guiana, e Macapá, a capital, seria provavelmente uma cidade ribeirinha como as do vizinho arquipélago do Marajó, uma das regiões mais atrasadas (e belas) do Pará, no quintal de Belém. 

De iminente criação, o Tapajós terá mais da metade da área do atual estado do Pará, 728 mil quilômetros quadrados, 23 municípios, sendo o município-sede Santarém, e cerca de 2 milhões de habitantes, com Produto Interno Bruto (PIB) de 18 bilhões de reais. O novo estado terá 8 deputados federais e 24 estaduais, além de 3 senadores. 

Além da ação que tramita no Supremo, o Instituto Cidadão Pró-Estado do Tapajós (Icpet), criado em 2004 e atualmente presidido por Jean Carlos Leitão, trabalha em três projetos de emenda constitucional pela criação do Tapajós, levando em consideração a vontade de quase 100% dos tapajônicos de constituírem o novo estado. 

Os 23 municípios que comporão o Tapajós são: Alenquer, Almeirim, Aveiro, Belterra, Brasil Novo, Curuá, Faro, Itaituba, Jacareacanga, Juruti, Medicilândia, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Novo Progresso, Óbidos, Oriximiná, Placas, Prainha, Rurópolis, Santarém, Terra Santa, Uruará e Trairão.

 Os colonos portugueses dividiram o Brasil em dois: o Brasil, abarcando as regiões Sudeste, Nordeste menos o Maranhão, Sul e Centro-Oeste; e Grão Pará, abrangendo a Amazônia Clássica e o Maranhão. O Grão Pará, por sua vez, foi dividido em Pará, Amazonas e Maranhão, e o Pará, em Pará e Território Federal do Amapá, hoje, estado do Amapá. É sua vocação ser dividido, porque é muito grande, e Belém está se lixando para o desenvolvimento das regiões mais distantes da capital. 

O governador do Pará não dá conta nem do quintal dele, quanto mais de uma área de 1.247.689,515 quilômetros quadrados, maior do que Angola, dividido em 144 municípios, entre os quais Altamira, com 159.695,938 quilômetros quadrados, o maior município do Brasil e o segundo do mundo, menor apenas do que o gelado Qaasuitsup, município gronelandês, ou seja, da ilha dinamarquesa da Groelândia, na América do Norte, criado em 1 de janeiro de 2009. 

Se Altamira fosse um país, seria o nonagésimo primeiro mais extenso do mundo, maior do que a Grécia ou o Nepal. Se fosse um estado brasileiro, seria o décimo sexto, maior do que o Acre ou o Ceará. E em Altamira vige a lei da bala. 

Para o governo do Pará a divisão territorial do estado não é negócio, é claro, pois do jeito que está dispõem de um mundo de matérias-primas para exportar e mais impostos. Os caboclos, os ribeirinhos e os índios aculturados que se explodam. Imagino se os governadores do Pará fossem obrigados por lei a viver pelo menos um mês na região mais inóspita do estado, antes de tomar posse, assim como se o governador do Distrito Federal fosse obrigado a andar de ônibus em toda a cidade-estado durante também um mês e o presidente da República a passar uma semana em cada uma das quatro regiões mais miseráveis do país, entre as quais o interior do Pará, campeão em escravidão. 

Argumenta-se, em contrário à divisão do Pará, que os dois novos estados, do Tapajós e de Carajás, consumiriam, na sua criação, dezenas de bilhões de reais. Sobre esse quesito, analiso a questão com o mesmo ponto de vista que tenho sobre a Copa do Mundo de 2014. O dinheiro que se investiu, e desviou, naquele Mundial, poderia, por exemplo, pôr a saúde pública nos trilhos. Na verdade, dinheiro não é problema. O Brasil tem condições de fazer uma Copa do Mundo por ano. 

O problema é a recente sangria pela qual o país passou, com desvio de trilhões de reais, principalmente da Petrobras, a maior empresa do país, e que quase faliu, e até do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para se ter uma ideia, durante o governo petista uma vaga, digamos, de tirador de cópias xerox, podia ser ocupada por dezenas de pessoas, com salário de 12 mil reais. O presidente Jair Bolsonaro já podou centenas de milhares de vagas desse cabide ainda viçoso, mas com raízes em um pântano bem aparelhado. 

Voltando ao plebiscito em 11 de dezembro de 2011, sobre a divisão do Pará em três – Pará, Tapajós e Carajás –, o Pará seria reduzido em mais de cinco vezes seu território. O estado de Carajás é a região mais rica em minérios, e Tapajós, a parte mais rica em matéria-prima biotecnológica e água potável. Quando foi aprovado o plebiscito, surgiu a dúvida se seria realizado somente nas regiões de Carajás e Tapajós ou em todo o Pará, devido a questionamento sobre a constitucionalidade da Lei 9.709, de 1998. O Supremo acabou enveredando por um caminho inconstitucional: definiu que todos os eleitores do estado deveriam votar no plebiscito. 

Resultado: na capital, Belém, o não à criação do estado do Tapajós chegou a 93,88% dos votos e o não à criação do estado de Carajás foi de 94,87%. Já nas possíveis capitais dos novos estados, Santarém e Marabá, o apoio à divisão do Pará foi maciço. Em Santarém, 97,78% dos eleitores que compareceram às urnas votaram a favor da criação de Carajás e 98,63% a favor da criação do Tapajós. Em Marabá, 93,26% dos votos foram favoráveis à criação de Carajás e 92,93% a favor da criação do Tapajós. 

Tapajós será o terceiro maior estado brasileiro em área territorial, superado apenas por Amazonas e Mato Grosso. Nasce com cerca de 2 milhões de habitantes, 20% da população do atual estado do Pará. A região recebe energia elétrica firme da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e da Hidrelétrica Curuá-Una. Sua capital, Santarém, tem cerca de 306.480 habitantes e seu Produto Interno Bruto (PIB) é de 4,8 bilhões de reais. 

Fundada em 22 de junho de 1661 pelo padre João Felipe Bettendorff, sob o nome de Aldeia dos Tapajós, foi elevada à categoria de vila em 14 de março de 1758, e de cidade, em 24 de outubro de 1848, recebendo então o nome de Santarém, homenagem dos colonizadores lusos à cidade portuguesa homônima. Também é uma espécie de uva; ainda, deriva de Santa Irene, mártir cristã de Portugal Visigodo. 

Situada no Baixo Amazonas, na margem direita do rio Tapajós, que deságua no rio Amazonas na frente da cidade, Santarém fica a meio caminho de Belém e de Manaus/AM. Sua área territorial tem 22.887,080 quilômetros quadrados, 97 quilômetros quadrados dos quais em perímetro urbano. Conta com 12 instituições de ensino superior, a maior delas a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). 

É linda. Os poetas a chamam de Pérola do Tapajós. O rio Tapajós, que a banha, tem águas cristalinas e seus mais de 100 quilômetros de praias lembram o mar, caso de Alter do Chão, conhecido como Caribe Brasileiro, escolhido pelo jornal inglês The Guardian como uma das praias mais bonitas do Brasil e a praia de água doce mais bonita do mundo. Ocorre lá uma das maiores manifestações folclóricas da região, o Çairé, que atrai turistas de todo o mundo. 

Seu Aeroporto Internacional Maestro Wilson Fonseca é o quinto mais movimentado da Amazônia, recebendo anualmente 400 mil passageiros. A Rodovia Santarém-Cuiabá, a BR-163, tem 1,7 mil quilômetros, constituindo-se na principal rota da soja, milho e algodão produzidos no Centro-Oeste e exportados via Porto de Santarém. Conta ainda com seis estradas estaduais, em um total de 253 quilômetros. O Porto de Santarém movimenta mais de 517 milhões de dólares em transações internacionais por ano. É um dos principais da Amazônia em embarque de grãos. 

Está em andamento o Ferrogrão, projeto do governo federal de uma estrada férrea de 933 quilômetros, ligando Sinop, no Mato Grosso, ao Porto de Miritituba, em Itaituba, no rio Tapajós, para exportação de grãos do Centro-Oeste, mas o STF está travando o importante projeto. No dia 15 de março passado, o ministro do STF Alexandre de Moraes atendeu a pedido de liminar do Psol e suspendeu o Ferrogrão, porque a ferrovia deverá passar por uma floresta protegida, o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e por um pedaço de terras indígenas. 

Só que a ferrovia será instalada a poucos metros do traçado da BR-163, ou seja, na faixa de domínio de 50 metros na lateral da estrada, de modo que não há invasão de unidade de conservação federal, já que a área foi desapropriada. 

Voltando à questão da criação de novos estados, não é coisa só da Amazônia. Em outras regiões do país também querem novos ares políticos. No Congresso Nacional tramitam pelo menos 18 propostas de criação de estados e três de territórios federais. O argumento básico é reduzir desigualdades socioeconômicas e favorecer o desenvolvimento das regiões menos assistidas pelo Poder Público, seguindo o exemplo bem sucedido do estado do Tocantins, que antes de sua criação era um cerrado de Goiás. 

Os projetos de novos estados são: Estado do Planalto Central, formado de partes de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal; Estado do Entorno, formado de partes de Goiás e Minas Gerais; Estado do Itiquira, desmembrado de Goiás; Estado do Juruá, desmembrado do Amazonas, abrangendo as cidades amazonenses nos limites com o Acre; Estado de Solimões, desmembrado do Amazonas, abrangendo as áreas fronteiriças ao Peru e Colômbia; Estado do Araguaia, desmembrado do nordeste do Mato Grosso; Estado do Mato Grosso do Norte, desmembrado do Mato Grosso; Estado do Pantanal, desmembrado do Mato Grosso; Estado de São Paulo do Sul, desmembrado de São Paulo; Estado do Iguaçu, desmembrado dos estados do Paraná e Santa Catarina, com o mesmo território do extinto Território Federal do Iguaçu, criado em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas e extinto em 1946; Estado do Rio São Francisco, desmembrado da Bahia; Estado de Gurgueia, desmembrado do Piauí; Estado Maranhão do Sul, desmembrado do Maranhão; e Estado do Triângulo, desmembrado de Minas Gerais.

Os Territórios Federais são os seguintes: Marajó, no Pará; Alto Rio Negro, região conhecida como Cabeça do Cachorro, no noroeste do Amazonas; e Oiapoque, no Amapá.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

O triunfo da luz

A manhã de 20 de maio de 1968, em Macapá, foi excepcional. As flores desabrocharam em questão de segundos ao sol, deixando o ar prenhe de perfume e a Linha Imaginária do Equador girando igual música de Mozart. Eu tinha 14 anos e já recebera o batismo de fogo azul, por isso percebi que a manhã fora arrumada por Deus, pois entre as flores vivificadas pela luz uma recebeu o nome de Josiane Souza Moreira.

Só a conheci 19 anos depois, em Brasília. Cafuza, linda que só ela, parecia um arbusto com sabor de Dom Pérignon, safra de 1954. Começamos a namorar em 15 de maio de 1988, no cinema do Conjunto Nacional, vendo O Último Imperador da China, de Bernardo Bertolucci. Casamo-nos no religioso em 21 de maio de 1989 e, no civil, em 6 de agosto de 2010. Em 22 de fevereiro de 1990, Josiane deu à luz uma princesa com nome de flor: Iasmim.

Quando a conheci, eu tinha 33 anos de idade, 14 mais do que ela, vinha de um casamento fracassado, vivia mergulhado no álcool, trabalhava em um jornal sem futuro (Correio do Brasil) e sou feio. Mas ela me viu leão de asas na dimensão azul e, desde aquela noite de 15 de maio de 1988, namoramos todos os dias, até quando estamos perdidos, pois nos encontramos no coração, onde não existe tempo nem espaço; só há o agora, a eternidade.

Ela entrou na minha vida como raio de sol iluminando minha alma, como o hálito do Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart, como o azul, tão azul que sangra, como o mar. Desde então, deposito nas tuas mãos, Josiane Souza Moreira Cunha, todo o meu tesouro, um abismo de rosas vermelhas, colombianas, risos de crianças, o triunfo da luz.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Como desenvolver a mediunidade na acupuntura

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 6 DE MAIO DE 2021 – A maioria dos pacientes que atendo todos os meses, quase nunca menos de 20, é de pessoas com mais de 60 anos, geralmente mulheres, muitas delas ansiosas, com fibromialgia, insônia, sobrepeso, presas ao passado e com sentimento de culpa pelo que fizeram e não fizeram. 

Em Medicina Tradicional Chinesa são diagnosticadas basicamente com afundamento do Qi do baço e fogo de fígado invadindo coração e pulmões. Isso quer dizer o seguinte: energeticamente, o baço é o órgão que produz e tonifica o sangue, governa e dá tônus aos músculos e nos eleva, inclusive psicologicamente, e Qi é a energia básica da vida. Quando ele afunda no baço é sinal que a morte se aproxima. 

O elemento do fígado é madeira. Quando a madeira pega fogo, devido à raiva em que se tornou a vida do paciente e à quantidade de medicamentos que está ingerindo por dia, e atinge o coração, de elemento fogo, a pessoa entra em colapso nervoso, e quando atinge os pulmões, de elemento metal, e o metal derrete, entra em colapso total. 

O terapeuta, então, por meio da acupuntura, moxa, massagens, fitoterapia e alimentação terapêutica, procura reequilibrar as energias Yin e Yang naquele corpo. É aí que entra a mediunidade, ou sensibilidade, que é considerar os corpos sutis do paciente. 

Procuro explicar, a cada um, o que é a mente e como episódios do passado podem segurar e impedir a evolução. Geralmente, o fogo do fígado é gerado por um poço de ressentimentos. 

Atendi um caso, por exemplo, de uma senhora que parecia um monte de lamentos e gemidos na maca, e que, segundo ela, não nutria atrito mental com ninguém. Conversando com ela, aos poucos ela foi desfiando um rosário de horror, sofrimento imposto pelo seu pai e depois pelo seu marido. 

Instruí-a sobre práticas de perdão e de gratidão, e de amor próprio. Ela compreendeu e já saiu do ambulatório aliviada. Tonifiquei seu baço, fi-la relaxar e abri os poros da sua mente, conectando-a à sua natureza espiritual. 

Todos nós somos médiuns. É claro que sim, pois somos seres espirituais. A percepção do mundo espiritual é algo que adquirimos. É só querer. Principalmente querer fazer o bem, amar o próximo. 

A rigor, mediunidade é uma ponte entre humanos encarnados e espíritos desencarnados; ponte que pode ser percorrida de diversas formas. A mediunidade sempre esteve presente ao longo da História, mas só a partir do século XIX é que começou a ser objeto de investigação científica. 

Há desde sensitivos, como eu – capaz de perceber a vibração de corpos sutis, como os corpos astral, das emoções, e etéreo, dos cinco sentidos –, até médiuns que fazem viagens astrais, como o astrofísico brasileiro Laércio Fonseca. O corpo físico é mera roupa, escafandro para que o espírito possa se materializar na sufocante atmosfera terrestre. 

Como, por exemplo, André Luiz, por meio de Chico Xavier, forneceu informações complexas e corretas sobre a fisiologia da glândula pineal 60 anos antes de a ciência as confirmarem? Chico Xavier tinha baixa escolaridade. 

Pessoas conversando sozinhas estariam sozinhas mesmo? Ou conversam com encostos? A mecânica é simples. No ambiente de prostíbulos, por exemplo, é fácil sentir-se uma atmosfera carregada, pois a vibração de espíritos que vagam no Umbral, loucos por uma gota de álcool e um pouco de sexo, obsedam os convivas. 

Da mesma forma, quando o terapeuta estuda, pesquisa, para servir ao próximo com amor e dedicação, seus mentores espirituais entram em sintonia com ele e a luz de Deus o conduz. 

Lembro de certa vez, no voluntariado do Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, que um médium do centro, ali se tratando em acupuntura, comentou:

– Aqui, hoje, está cheio de homens altos, de dois metros de altura, vestidos com jalecos brancos, orientando vocês.