quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Pare de sofrer. Viva a vida!


RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE FEVEREIRO DE 2026 – Não existe ontem nem amanhã. O erro de ontem, seja lá o que for, é sabedoria de hoje, e o que é esperado, amanhã, é ilusão, não existe. Assim, tudo o que temos que fazer para viver em paz e com harmonia é curtir a vida, não importa como se apresente, pois a eternidade é agora. É sobre isto que trata o livro PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa (Clube de Autores/amazon.com.br/Amazon, 2026, 176 páginas), deste que vos escreve. 

PARE DE SOFRER procura orientar o leitor a chegar à serenidade, à paz de espírito. A interpretação do que é dito neste livro será sempre de cada um que o ler, mas a verdade é uma só, e a verdade só pode ser desvendada no caminho. A matéria é impermanente, mas não há problema insolúvel. Nosso corpo é uma máquina com inteligência artificial magnífica e foi projetado para se auto-curar. Só temos que nos submeter às leis do Universo, que muitos chamam de Deus. 

Para chegar a este PARE DE SOFRER o caminho percorrido foi de mais de uma década. Formei-me em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) pela Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília/DF, de 6 de agosto de 2013 a 12 de julho de 2016, com 2.080 horas/aulas presenciais e 440 horas de estágio nos ambulatórios da ENAc e Fernando Hessen, em um total de 2.520 horas/aula. O curso então oferecido pela ENAc era técnico, com carga horária de curso tecnológico, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). A carga horária de curso tecnólogo varia de 1.600 a 2.600 horas, com duração média de 2 a 3 anos, uma formação superior mais curta e focada no mercado de trabalho. 

Minha certificação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, de 1 de abril de 2019, Página 18. 

Como jornalista que sou, desde o início do curso comecei logo a pensar e a escrever sobre a prática da MTC. Também sou escritor. Assim, apresentei como trabalho de conclusão de curso o romance FOGO NO CORAÇÃO, sob a orientação do professor Ricardo Antunes. 

Agora, após mais de uma década de prática, especialmente em trabalho voluntário no Ambulatório Fernando Hessen e no Centro Espírita André Luiz, onde já atendi mais de mil pacientes, de ambos os sexos, de todas as idades e acometidos das mais diversas síndromes, o resultado é este PARE DE SOFRER – VIVA A VIDA – Vivências na Medicina Tradicional Chinesa. 

Em 2013, ao mesmo tempo em que comecei o curso de Medicina Chinesa, comecei também a pesquisar a existência do espírito, os corpos vibracionais, a energia e a matéria. Em 2016, aprofundei-me em Medicina Vibracional, codificada pelo médico norte-americano Richard Gerber, e dei início a uma linha de trabalho que chamo de “acupuntura nos corpos sutis”. 

Em 30 de dezembro de 2016, em trabalho voluntário no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, em Brasília, atendi o paciente VJC, de quem fora extirpado o intestino grosso devido a câncer e que vinha sendo hospitalizado toda semana, pois não conseguia digerir os alimentos. Com apenas uma sessão de acupuntura VJC deixou de ser hospitalizado. O tratamento continuou e VJC pediu alta em três meses. 

Meu procedimento foi o seguinte: com acupuntura, tirei as dores e incômodos agudos que estavam atingindo o corpo físico do paciente, e, considerando o corpo etéreo, sutil, tratei o intestino grosso de VJC, pois o corpo físico é um duplo do corpo etéreo, que se encontra na aura e faz a ligação da mente com o corpo físico. Se um órgão, ou membro, é extirpado do corpo físico, ele continua incólume no corpo etéreo. Com isso, cheguei à conclusão de que a vida se passa na mente; o corpo físico apenas reflete o que se passa na mente; é, tão-somente, um instrumento da mente para que ela, a mente, tenha existência no estado condensado da matéria. 

Tanto que a causa das doenças está localizada sempre na mente, no corpo astral, ou das emoções. O corpo físico reage às emoções por meio do sistema endocrinológico. Por exemplo: uma pessoa que sente medo o tempo todo vive 24 horas por dia com excesso de adrenalina no sangue. Adrenalina é o hormônio que decuplica a força física; é produzido em situações de enfrentamento ou fuga. Se for constantemente produzida a pessoa em questão entrará em colapso. A solução: essa pessoa precisa identificar o objeto do medo e enfrentá-lo. Só assim serenará. 

Este livro foi revisado pela psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, especialista em cuidados paliativos de pacientes oncológicos e coautora do livro Um dia de cada vez (Editora AJA, 203 páginas, 2023), um guia de suporte emocional da mulher com câncer, escrito por 10 psicólogas oncológicas e 10 pacientes oncológicas de todo o Brasil e organizado por Tatiane Lima. É também palestrante e articulista, preletora e supervisora da Seicho-No-Ie Regional DF-Brasília. 

Este livro não poderia ter sido escrito se não fosse a existência de algumas pessoas. Assim, sou grato: aos meus pais, João Raimundo Cunha e Marina Pereira Silva Cunha; à minha esposa, Josiane Souza Moreira Cunha; aos meus anjinhos, Juraci Gomes Cunha e Josafá Moreira Cunha; e à minha filha, Iasmim Moreira Cunha Morya – que me ensinaram a amar. 

Aos mestres Imperador Amarelo, Giovanni Maciocia, Jorge Bessa, Ricardo Augusto Comelli Antunes e aos professores da Escola Nacional de Acupuntura (ENAc), em Brasília/DF – que me ensinaram a dar os primeiros passos na ciência da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). 

A Ricardo André, coordenador do voluntariado em MTC do Ambulatório Fernando Hessen, aos sábados, no Centro Comunitário da Candangolândia, Brasília/DF; a José Marcelo, coordenador do voluntariado em MTC, nas manhã de domingo, no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, Brasília/DF; aos meus colegas de voluntariado e, principalmente, aos meus pacientes, pela oportunidade de aprendizagem que me proporcionam. 

À minha cidade natal, Macapá/AP, na Amazônia Caribenha, e que viceja na confluência da Linha Imaginária do Equador e a margem esquerda do Canal do Norte do maior rio do planeta, o Amazonas, que despeja no Oceano Atlântico, a 140 quilômetros de Macapá, 200 mil metros cúbicos de água por segundo. 

Ao Taoismo, que me ensina o Caminho do Meio. 

Ao Éter, ou Campo (como disse Albert Einstein), ou Lei, ou Deus, como queiram.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

AJOIA Brasil alerta para o julgamento de generais acusados de um golpe que não houve e a responsabilidade histórica das Forças Armadas

A Associação Brasileiras de Jornaislitas Independentes e Afiliados (AJOIA Brasil) alertou, ontem, em nota pública, sobre o julgamento pelo Superior Tribunal Militar (STM) do presidente Jair Messias Bolsonaro e de generais de quatro estrelas, que estão presos, acusados de um golpe de Estado fantasioso, inventado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Se a justiça militar continuar com essa encenação tragicômica, fortalecerá a ditadura da toga e perpetuará Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) no poder, transformando o Brasil em um país tão miserável quando Cuba, ou a Venezuela.

O JULGAMENTO NO STM E A RESPONSABILIDADE HISTÓRICA DA FARDA BRASILEIRA

À imprensa independente do Brasil,

à sociedade civil organizada

e à opinião pública nacional,

O Brasil vive um momento de ruptura silenciosa de seus fundamentos republicanos. Instituições que deveriam zelar pela Constituição têm extrapolado limites, relativizado garantias legais e transformado exceções em regra. O resultado é um ambiente de insegurança jurídica, descrédito institucional e profunda indignação social.

Nesse cenário, o julgamento que será conduzido pelo Superior Tribunal Militar - STM, envolvendo a possível perda de patente de militares que serviram ao país, assume dimensão histórica. Não se trata de um processo ordinário. Trata-se de um teste definitivo sobre a autonomia, a altivez e a independência da Justiça Militar brasileira.

É imperativo afirmar, com clareza e sem ambiguidades:

O STM não pode, não deve e não aceitará ser influenciado por pressões externas, sejam elas oriundas do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal ou do Governo Federal. A Justiça Militar não é instância auxiliar de projetos políticos, nem extensão de julgamentos já contaminados por narrativas pré-fabricadas.

A farda brasileira carrega uma história forjada na defesa da soberania, da legalidade e da integridade nacional. Essa história não pertence a governos de ocasião, nem a tribunais que legislam em causa própria. Ela pertence ao povo brasileiro.

O que a sociedade espera dos dez oficiais generais e cinco civis que compõem o Superior Tribunal Militar é coragem institucional, fidelidade aos fatos, respeito absoluto ao regimento interno e compromisso inegociável com a verdade material. O povo espera que este julgamento não seja um apêndice, nem uma continuidade automática do que se viu em outros tribunais, onde a exceção virou método e a condenação precede a prova.

A eventual cassação de patente de militares que serviram ao país com autonomia, altivez e respeito à Constituição não pode ser tratada como um gesto simbólico ou político. Trata-se de uma decisão que marcará para sempre a relação entre as Forças Armadas e a sociedade brasileira.

A imprensa independente e os jornalistas que a compõem não se furtarão ao seu dever: acompanhar de perto, questionar, registrar e cobrar. O povo brasileiro está atento. A história está atenta. E o mundo observa se o Superior Tribunal Militar honrará sua missão constitucional ou se permitirá que sua independência seja arrastada para o mesmo lamaçal que hoje compromete outras instituições da República.

Não se joga a história das Forças Armadas na lata do lixo sem consequências.

Não se rasga a Constituição sem deixar marcas profundas.

Não se humilha a farda sem ferir a própria Nação.

O revanchismo pós-1964/1985 não pode pautar uma decisão soberana da Suprema Corte Militar. Não podemos admitir que o STM tenha sido aparelhado para o ato final dessa desforra.

Este momento não exige apenas memória. Exige posicionamento. Exige firmeza. Exige que cada instituição cumpra, sem vacilar, o papel que lhe foi confiado pela Constituição Federal de 1988, nossa Carta Magna.

A AJOIA Brasil reafirma seu compromisso com a democracia, com o Estado de Direito e com o escrutínio público como instrumentos de proteção contra os desvios autoritários. Defender a independência da Justiça Militar, neste caso, é também defender o direito da sociedade de conhecer a verdade sem filtros, distorções ou intimidações.

Que esta seja uma página escrita com responsabilidade - e não um capítulo de omissão que a história se encarregará de condenar.

Porque o silêncio das instituições, quando a Constituição é posta à prova, é também uma forma de ruptura.

O Brasil espera.

O povo observa.

A história julgará.

Belo Horizonte, 5 de fevereiro de 2026

Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados - AJOIA Brasil

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

À beira do abismo do iceberg

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 4 DE FEVEREIRO DE 2026 – Certa vez, perguntei ao poeta Max Martins se literatura tinha alguma utilidade prática. Ele me respondeu que não. Disse que, no máximo, a leitura de um poema, um conto ou um romance pode gerar emoções. Que um poema não tem, por exemplo, a utilidade de um quilo de feijão. O filósofo Olavo de Carvalho comentou que a literatura é a máxima manifestação da raça humana. Entendi o que ele quis dizer: que a vida humana flui por meio das emoções e da mente criativa. 

Com efeito, acredito que haja dois tipos de homens: os que não leem e os que leem. Os que não leem são mecânicos, robóticos, matemáticos; os que leem são emocionais e criativos, detentores de imaginação. Levando em consideração este ponto de vista, a literatura é, assim, o próprio exercício da vida humana. 

Por volta de 1976, em Manaus, o escritor Antísthenes Pinto recebeu seu colega Jorge Amado. Antístithenes avisou ao jornalista Juscelino Taketomi e a mim que ele e Jorge passariam a tantas horas em determinando banho. Banho, em Manaus, é igarapé, onde as pessoas se reúnem para se divertir. Taketomi, que tem a mesma idade que eu (na época, tínhamos 22 anos), já era de Esquerda; eu não dava a mínima para política. 

Deu tudo certo. Taketomi viu de perto seu ídolo do Partidão e eu fiquei intimidado com a presença do gigante baiano. Na época, eu não passara de uma participação adolescente em um livro coletivo de poemas e escrevera alguns contos inéditos, contudo, era leitor compulsivo e andava lendo Ernest Hemingway. Estava tão obcecado pelo trabalho de Hemingway que minha única participação ao ver o monstro sagrado foi lhe perguntar, despropositadamente, o que ele achava de Hemingway. 

– É um grande contista – Jorge Amado me respondeu. 

Não me lembro de outros detalhes desse encontro, ocorrido há 49 anos. Mas, durante todo esse tempo, a resposta de Jorge Amado reverbera na minha mente. Hoje, ao terminar de ler o terceiro volume dos Contos (Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 415 páginas) de Ernest Hemingway compreendi, finalmente, o que Amado quis dizer. 

Embora autor de um romance que mudou o modo de escrever de meio mundo de escritores, O Sol Também se Levanta, e de Adeus às Armas e Por Quem os Sinos Dobram, Hemingway ganhou o Pulitzer com um conto, O Velho e o Mar, que também foi decisivo na conquista do Nobel. 

A técnica do iceberg, ou teoria da omissão, utilizada por Hemingway, perpassa os Contos – Volume 3, como toda a sua obra, especialmente as histórias curtas, no que ele é mestre. Hemingway acreditava que a força de uma história reside no que não é dito, nas entrelinhas, situadas abaixo da superfície do texto. Os fatos visíveis são apenas a ponta do iceberg. Assim, o significado mais profundo, o gerador das emoções, está submerso, invisível, mas é sentido. 

Os contos The Short Happy Life of Francis Macomber (A Curta Feliz Vida de Francis Macomber) e The Old Man and the Sea (O Velho e o Mar) são exemplos da teoria do iceberg. A ação psicológica, emocional, está naquilo que não é verbalizado; é invisível. É como se a ponta do iceberg fossem os olhos e a parte submersa, o coração. A realidade, aquela que não enxergamos com os olhos, está no coração. 

Nos romances e contos de Hemingway há muita ação, mas a intensidade das histórias está concentrada abaixo da superfície, prestes a explodir. Daí que os personagens de Hemingway estão sempre à beira do abismo. São homens e mulheres que cumprem o dever genético de sobreviver, mas, se têm que viver, que seja à sua maneira. Se tiverem que explodir, como uma granada, que seja. Hemingway, mesmo, se matou. 

Outra característica do grande escritor americano é o diálogo. Ele utiliza longos diálogos. Aparentemente, é uma conversa superficial, mas subjacente a ela é que a trama se desenrola, às vezes, como uma granada. 

Eu disse que há dois tipos de homens: os que não leem e os que leem. As mulheres, quando podem escolher, escolhem homens que leem, porque encontra, neles, imaginação, e as mulheres apenas suportam homens sem imaginação, pois não podem levá-las à loucura, não no sentido poético. Levam-nas à loucura porque agem com a mesmice das máquinas. 

Quando vivi em Manaus, dos 21 aos 23 anos de idade, eu era um deus, porque todo jovem é um deus. E, mesmo nessa idade, eu bebia com o pessoal do Clube da Madrugada, homens mais velhos do que eu, experientes e cultos, como Jorge Tufic e Antísthenes Pinto, e trabalhei no Jornal do Commercio, em A Notícia e em A Crítica, e pelejava com meus primeiros contos. 

Eu morava sozinho em uma casa que eu chamava de Finca Vigia, em homenagem a Hemingway, no bairro de São Francisco. A casa pertencia ao artista plástico Álvaro Pascoa, que, além de alguns trabalhos seus, guardava também, na Finca Vigia, muitas telas de Hahnemann Bacelar. Conheci Álvaro Páscoa por meio do meu inesquecível amigo, e mestre, o cineasta José Gaspar. Anos depois, Gaspar se casaria com a cantora lírica paraense Marina Monarcha e gerariam a famosa cantora lírica Carmen Monarcha. 

Naquela época, geralmente, jantava um ovo coberto (é como era chamado; era como se fosse uma coxinha, só que com um ovo cozido dentro da massa) ou um cachorro quente com salsicha e pão de tamanho médio, ou não jantava, quando estava sem grana, mas jamais faltava a Antarctica enevoada do Bar Nathalia, paga pelo Tufic ou pelo Aluízio Sampaio, então presidente do Clube da Madrugada. Não faltavam, também, mulheres. Elas iam para a Finca Vigia e, lá, eu contava histórias para elas, e viajávamos, juntos, em um mergulho poético, no iceberg.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O Tesouro dos Jesuítas do Morro do Castelo existe? Esta é uma pergunta incômoda, mas atualíssima, segundo a inteligência artificial

Ray Cunha e A IDENTIDADE CARIOCA: se o Tesouro existe, onde está?

ChatGPT 

A IDENTIDADE CARIOCA, de Ray Cunha, é justamente um desses romances que usam uma cidade como espelho de um país inteiro, conta ao mesmo tempo a história do Rio de Janeiro e a do Brasil. O Rio como “personagem histórico” – No romance, o Rio de Janeiro não é só cenário: ele funciona como personagem central. Ray Cunha atravessa diferentes momentos da cidade — da herança colonial ao Brasil urbano, desigual e espetacularizado — e mostra como cada fase deixa marcas na “alma carioca”. 

A cidade aparece como capital simbólica do Brasil (mesmo depois de deixar de ser capital política), como vitrine do país para o mundo e como espaço onde convivem glória, miséria, violência, invenção cultural e decadência. Ao contar a transformação do Rio, o romance está contando a formação histórica do Brasil urbano e moderno. 

A “identidade” como conflito, não como essência, não procura uma identidade fixa, folclórica ou turística. O livro mostra a identidade como algo em disputa: Entre elite e povo; Entre memória e esquecimento; Entre projeto de país e improviso histórico; Entre Brasil oficial e Brasil real. 

Isso reflete diretamente a história brasileira: desde a Colônia, passando pelo Império, pela República, pelas ditaduras e pela democracia frágil, o Brasil nunca resolveu plenamente quem é nem para quem é. O carioca, no romance, vira uma metáfora do brasileiro: criativo, irônico, sobrevivente, mas também marcado por desigualdades estruturais e por promessas nunca cumpridas. 

Do passado colonial ao Brasil contemporâneo, Ray Cunha costura referências históricas e sociais que fazem o Rio funcionar como uma linha do tempo do país: A herança colonial e escravocrata aparece nas hierarquias sociais persistentes; A modernização “de fachada” surge nas reformas urbanas, nos projetos grandiosos e nas exclusões; A República e o Brasil moderno entram como promessa de progresso que convive com miséria e violência; O presente urbano aparece como síntese trágica: espetáculo, turismo, mídia, desigualdade, corrupção, sobrevivência cotidiana. Ou seja: ao narrar o Rio, o livro está narrando o fracasso recorrente das elites brasileiras em construir um país menos desigual. 

Personagens como tipos históricos do Brasil – Os personagens não são apenas indivíduos: eles funcionam como tipos sociais e históricos. Cada um encarna posições dentro da sociedade carioca/brasileira: Os que mandam e lucram com a desordem; Os que se adaptam e sobrevivem; Os que são esmagados pela máquina social; Os que sonham com um Brasil que nunca chega. Esse recurso faz o romance sair do plano local e ganhar dimensão nacional: o que acontece no Rio do livro poderia acontecer — com variações — em qualquer grande cidade brasileira. 

O Rio como síntese do Brasil – No fundo, A IDENTIDADE CARIOCA propõe uma tese literária forte: Entender o Rio é entender o Brasil — porque o Rio concentra, de forma exacerbada, as contradições do país. A cidade vira: palco do espetáculo da brasilidade, laboratório das desigualdades históricas e vitrine de um país que oscila entre encanto e desastre. Assim, o romance conta a história do Rio como sintoma e a história do Brasil como estrutura. 

Em uma frase – A IDENTIDADE CARIOCA narra o Rio de Janeiro para revelar o Brasil: mostra como a formação histórica, as desigualdades, os projetos fracassados de nação e a criatividade de sobrevivência moldaram tanto a cidade quanto o país — fazendo da identidade carioca uma metáfora viva da identidade brasileira. 

A cidade como espelho da nação: o Rio de Janeiro e o Brasil em A IDENTIDADE CARIOCA 

Em A IDENTIDADE CARIOCA, Ray Cunha realiza uma operação literária ambiciosa: transforma o Rio de Janeiro em chave de leitura do Brasil. Não se trata apenas de narrar uma cidade, mas de usar a cidade como síntese histórica, social e simbólica de um país marcado por contradições estruturais. O romance propõe que a “identidade carioca” não é uma essência folclórica ou turística, mas um campo de conflitos, onde se cruzam heranças coloniais, projetos de modernidade, desigualdades persistentes e estratégias cotidianas de sobrevivência. 

Desde o título, o livro anuncia seu gesto crítico: falar de identidade não como algo dado, mas como algo em disputa. A identidade carioca, assim como a brasileira, aparece como construção instável, atravessada por forças históricas que raramente se resolvem em síntese harmoniosa. O Rio surge menos como cartão-postal e mais como arquivo vivo de impasses nacionais. 

O Rio como personagem histórico – No romance, o Rio de Janeiro não funciona apenas como cenário, mas como personagem coletivo. Sua paisagem, suas divisões sociais, suas promessas e ruínas carregam marcas de processos históricos que ultrapassam o âmbito local. Capital colonial, imperial e republicana, cidade-vitrine e cidade-fratura, o Rio condensa camadas sucessivas da história brasileira. 

Ray Cunha explora justamente essa sobreposição de tempos: o passado colonial e escravocrata não é um capítulo encerrado, mas um fantasma estrutural que continua organizando hierarquias sociais e espaciais. A modernização urbana, por sua vez, aparece frequentemente como projeto excludente, mais preocupado com a aparência do progresso do que com a transformação efetiva das condições de vida. O resultado é uma cidade onde convivem, em tensão permanente, o espetáculo e a precariedade, a promessa e o fracasso, a invenção cultural e a violência cotidiana. Ao narrar essa cidade, o romance está, na verdade, narrando a formação do Brasil urbano e moderno, com suas continuidades perversas e suas rupturas incompletas. 

Identidade como conflito – Um dos movimentos centrais do livro é recusar qualquer definição essencialista do “ser carioca”. A identidade não é apresentada como traço fixo, mas como processo histórico conflituoso. Ela se constrói no embate entre classes, na disputa por memória, na fricção entre projetos de país e a realidade social. 

Essa concepção dialoga diretamente com a experiência brasileira mais ampla. Desde a Colônia, o Brasil vive sob o signo de uma modernidade prometida e sempre adiada. Em A IDENTIDADE CARIOCA, o carioca funciona como figura metonímica do brasileiro: inventivo, irônico, resiliente, mas também aprisionado em estruturas de desigualdade que se reproduzem com impressionante eficiência. A identidade, portanto, não é celebração; é problema histórico. E é nesse sentido que o romance ganha densidade crítica: ao invés de reafirmar mitos da brasilidade, ele expõe suas fissuras. 

Personagens e tipos sociais – Os personagens do romance operam menos como indivíduos isolados e mais como tipos sociais e históricos. Cada trajetória encarna posições possíveis dentro da engrenagem urbana: os que se beneficiam da desordem, os que aprendem a negociar com ela, os que são esmagados por suas regras invisíveis e os que insistem em sonhar com um país diferente. 

Esse procedimento amplia o alcance do livro. O Rio de Janeiro, embora específico, torna-se modelo condensado de uma experiência nacional. O que se passa ali poderia, com variações, ocorrer em São Paulo, Belém, Recife ou qualquer outra grande cidade brasileira: a mesma combinação de modernização desigual, promessas institucionais frágeis e sobrevivência inventiva. 

A história do Brasil como estrutura do romance – Por baixo da narrativa urbana corre uma leitura da história brasileira, marcada por continuidades incômodas. A herança colonial não aparece como passado superado, mas como estrutura persistente; a República e a democracia surgem mais como projetos incompletos do que como realizações consolidadas; o presente urbano aparece como síntese tensa entre espetáculo midiático e exclusão social. 

Nesse sentido, A IDENTIDADE CARIOCA pode ser lido como um romance sobre o fracasso recorrente das elites brasileiras em construir uma nação menos desigual — e, ao mesmo tempo, sobre a capacidade popular de reinventar a vida mesmo em contextos adversos. A cidade é o palco onde esse drama histórico se encena diariamente. 

O Rio como metáfora do Brasil – A tese implícita do romance é poderosa: entender o Rio é entender o Brasil, porque o Rio concentra, de forma exacerbada, as contradições nacionais. Ele é, simultaneamente, vitrine e ferida aberta, promessa e ruína, mito fundador e prova de um projeto inacabado. 

Ao fazer da identidade carioca uma questão literária, Ray Cunha está, na verdade, propondo uma reflexão sobre a identidade brasileira: fragmentada, disputada, atravessada por desigualdades históricas e por uma criatividade social que convive com o desastre. 

Conclusão: A IDENTIDADE CARIOCA não é apenas um romance sobre uma cidade; é um romance sobre um país visto através de sua cidade mais simbólica. Ao transformar o Rio de Janeiro em espelho crítico do Brasil, Ray Cunha constrói uma narrativa que recusa simplificações e expõe a identidade como processo histórico conflituoso, marcado por permanências coloniais, modernizações excludentes e reinvenções cotidianas da vida social. 

Nesse gesto, o livro se inscreve numa tradição do romance brasileiro que usa o espaço urbano para pensar a nação — mas o faz com um olhar agudamente contemporâneo, consciente de que, no Brasil, a identidade é menos uma resposta do que uma pergunta aberta e incômoda.

Você pode adquirir A IDENTIDADE CARIOCA nas livrarias virtuais Clube de Autores, amazon.com.br e Amazon

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