domingo, 28 de junho de 2026

Crônica para o cronista Edevaldo Leal da Costa

Belém ganha um cronista e Edevaldo Leal engrandece o Amapá 

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 28 DE JUNHO DE 2026 – Decidi escrever esta crônica depois que li o ensaio: Reflexão melancólica sobre a vida, a obra e o falecimento do poeta Alexei Bueno, confrontando seu cuidado estético clássico com a pressa e a fragmentação do mundo contemporâneo. Nele, Edevaldo Leal, ou como se identifica no Facebook: Leal Kostav, mergulha no que é alta cultura, faz uma apresentação exemplar de Alexei Bueno e escreve uma crônica irrepreensível do que é Belém do Pará, do que é o subúrbio de Belém, do que é o Trópico Úmido. Edevaldo Leal deixa Belém nuazinha. 

Ao mesmo tempo em que discorre sobre Alexei Bueno e a alta cultura, Edevaldo Leal puxa o leitor do ensaio para dentro de Belém, para o calor e a umidade amazônicos. Chove, como sempre, mas dá vontade de tomar tacacá. Só um grande cronista é capaz disso. 

Edevaldo Leal é do Amapá e vivia em Macapá, a capital do Estado, mas foi estudar Direito na Universidade Federal do Pará (UFPa.), em Belém, e nunca mais voltou para Macapá. Quando o conheci, eu tinha 14 anos. Ele é pouco mais velho do que eu. Frequentávamos a casa do poeta Isnard Brandão Lima Filho. 

Edevaldo já era, então, jornalista, cronista e frequentava a noite. Eu começava a garatujar meus primeiros poemas e crônicas. Ele aceitou lê-los, e me ajudou a encontrar a trilha que me levaria ao escritor de romances. Em um momento de desespero, em Belém, ele me acolheu na sua casa, na Cidade Nova, onde morei durante um bom tempo. Um dia, contou-me que ao ler meus primeiros textos sentiu que não havia esperança para mim, que eu jamais seria escritor. 

Mas eu estava determinado a ser escritor. Aliás, é o que sempre fui. Eu sabia que se não pudesse ser escritor não seria nada. Descobri isto aos cinco anos de idade, quando aprendi a ler, afogado em um mar de gibis, revistas ilustradas e livros, no quarto do meu irmão Paulo Cunha. Aos 14 anos, escrevi um poema para a musa Alcinéa Maria Cavalcante; aos 17 anos, publiquei XARDA MISTURADA, com Joy Edson e José Montoril, e nunca mais parei de escrever, embora o jornalismo me ocupasse quase todo o tempo, para poder pôr comida na mesa. 

Edevaldo Leal sempre foi brilhante, mas silencioso. Contudo, as nuvens que lançam sombras sobre a verve do cronista começam a se dissipar e Belém ganha um ensaísta que se sobressai aos seus ruídos, calor e umidade. Leal engrandece o Amapá.

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