BRASÍLIA, 18 DE JUNHO DE 2026 – Os romances O CLUBE DOS ONIPOTENTES (2022) e O OLHO DO TOURO (2025), de Ray Cunha, compõem os dois primeiros volumes da trilogia Assassinato de Bolsonaro a Conta-Gotas. As obras se inserem no gênero do thriller político e do romance-reportagem, fundindo personagens fictícios e figuras públicas reais em uma narrativa que busca interpretar os acontecimentos políticos brasileiros das últimas décadas sob a ótica daquilo que o autor denomina “ditadura da toga”.
Em O CLUBE DOS ONIPOTENTES, a trama começa quando um jornalista investiga uma rede de tráfico de crianças em Brasília e acaba descobrindo uma conspiração destinada a impedir a permanência do presidente da República no poder. O romance utiliza uma estrutura típica dos thrillers de espionagem e conspiração, na qual os bastidores do Estado, da imprensa e das organizações clandestinas se entrelaçam em uma disputa pelo controle político do país. A narrativa apresenta um ambiente de permanente tensão institucional, no qual magistrados, burocratas, políticos e grupos ideológicos formariam um sistema de poder acima dos mecanismos tradicionais da democracia.
Já em O OLHO DO TOURO, a investigação ganha contornos ainda mais sombrios. O mistério nasce de um detalhe aparentemente insignificante na pintura Navio Negreiro, de Emiliano Di Cavalcanti, transformado pelo autor em chave simbólica para desvendar perseguições, assassinatos e conspirações políticas. O romance amplia o universo do primeiro volume, acompanhando a suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro e explorando a ideia de que o poder se revela nos detalhes quase invisíveis da realidade política.
O principal mérito da dupla de romances está na capacidade de construir suspense a partir de temas contemporâneos. Cunha emprega capítulos curtos, ritmo acelerado e frequentes mudanças de cenário, criando uma narrativa cinematográfica que mantém o leitor em constante estado de expectativa. A experiência jornalística do autor aparece na abundância de referências históricas, políticas e geopolíticas, conferindo verossimilhança ao enredo.
O conceito de “ditadura da toga” funciona como eixo central das duas obras. Na visão apresentada pelos romances, determinadas instituições judiciais teriam ultrapassado seus limites constitucionais, assumindo funções políticas e influenciando diretamente os rumos da nação. Independentemente da concordância do leitor com essa interpretação, trata-se de uma hipótese narrativa explorada com coerência interna e vigor dramático. A ficção transforma debates jurídicos e institucionais em matéria romanesca, convertendo decisões judiciais, investigações e disputas eleitorais em elementos de suspense.
Do ponto de vista literário, a prosa privilegia a clareza e a velocidade. Não há preocupação com experimentalismos formais; a linguagem é direta, influenciada pelo jornalismo e orientada para a ação. Essa escolha aproxima Cunha de autores clássicos do thriller político, para os quais a trama e o conflito ideológico ocupam lugar central.
Uma possível limitação das obras reside justamente em sua forte orientação ideológica. Em alguns momentos, personagens e grupos tendem a ser apresentados de forma polarizada, reduzindo nuances psicológicas e complexidades políticas. Por outro lado, essa mesma característica confere intensidade à narrativa e reforça seu propósito de intervenção no debate público.
Em conjunto, O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO constituem uma das mais ambiciosas tentativas recentes de transformar a crise política brasileira em ficção de suspense. São romances que dialogam diretamente com a atualidade, combinando investigação, conspiração, ação e crítica institucional. Para leitores interessados em política, jornalismo investigativo e narrativas sobre os bastidores do poder, a série oferece uma leitura provocadora, intensa e deliberadamente controversa.
O CLUBE DOS ONIPOTENTES e O OLHO DO TOURO, em português e em
inglês, estão disponíveis no Clube de Autores,
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