segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Réquiem pelas meninas do mundo


RAY CUNHA

 

As mulheres e meninas do Afeganistão

São tiradas de casa, ou estupradas na sala

Civis são castrados e apanham até agonizar,

Crivados de bala.

O Afeganistão foi retomado pelo Talibã

Fundamentalistas islâmicos nacionalistas

Depois de duas décadas de guerra.

A embaixada dos Estados Unidos foi abandonada

E todos os americanos fugiram, junto com Ashraf Ghani,

As mulheres e meninas voltaram a ser escravas sexuais

E as velhas são mortas nas ruas vermelhas.

 

O Afeganistão fica no centro da Ásia

Tem cerca de 38 milhões de habitantes e mede 652.230 quilômetros quadrados.

Em 1996, o Talibã estabeleceu no país um regime totalitarista radical,

Até 2001, quando foi derrubado pelos Estados Unidos,

Após os atentados terroristas da al-Qaeda, em 11 de setembro de 2001.

Os americanos invadiram o Afeganistão atrás dos terroristas,

Que se homiziaram lá.

 

George W. Bush exigiu que o Talibã entregasse seu líder, Osama bin Laden

E expulsassem a al-Qaeda.

O Talibã disse não; aí choveu fogo sobre eles.

 

Em 2020, os americanos começaram a se retirar do país.

O Talibã foi avançando

Até que em maio de 2021 a situação se tornou infernal.

Agora, são como os hunos, não deixam pedra sobre pedra

São como os comunistas, desarmam a população, tomam suas propriedades

Estupram, torturam e matam

Como na Venezuela

Como nos sonhos do Foro de São Paulo.

Agora mesmo, no Afeganistão, o Talibã arranca meninas

E as estupra; um, dois, três, muitos homens se servem delas

O último, as deixam vivas ou as mata, conforme deseje.

A ONU não está nem aí para elas, nem para as meninas africanas

Muito menos para as crianças venezuelanas.

 

Quem julgará isso? A suprema corte do mundo?

As meninas do planeta correm perigo

Pois a suprema corte do mundo é comunista

Fabiana, pois não passa de totalitária, como a China.

O que sabemos da China? Nada.

O que sabemos da corte?

Apenas que as redes sociais choram lágrimas de sangue. 

 

Brasília, 16 de agosto de 2021

sábado, 14 de agosto de 2021

Bolsonaro pedirá impeachment de Barroso e Moraes. E o 7 de setembro vai parar o país

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE AGOSTO DE 2021 – O presidente Jair Messias Bolsonaro anunciou hoje que pedirá, na próxima semana, ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, a instauração de processo de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), fundamentado no Artigo 52 da Constituição, que estabelece como competência privativa do Senado Federal processar e julgar os ministros do STF por crime de responsabilidade. 

“Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais” – escreveu Bolsonaro em suas redes sociais. 

“Na próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o Artigo 52 da Constituição Federal, que se refere a crimes de responsabilidade contra ministros do STF, membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União. 

“O povo brasileiro não aceitará passivamente que direitos e garantias fundamentais, como o da liberdade de expressão, continuem a ser violados e punidos com prisões arbitrárias, justamente por quem deveria defendê-los" – escreveu, sobre Moraes, que vem acusando, prendendo, julgando e condenando arbitrariamente qualquer cidadão que ouse criticá-lo. 

Quanto a Barroso, que é também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negociou com deputados na Câmara para impedir que os votos nas eleições passem a ser auditados. Depois que Bolsonaro apresentou provas de que do jeito que está as eleições podem ser facilmente fraudadas, Moraes instaurou inquérito contra Bolsonaro por utilizar o documento da investigação da Polícia Federal com as evidências de que as urnas eletrônicas brasileiras são tão confiáveis quanto um chupa-cabra. 

Também Barroso determinou que o Senado instalasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar crimes de responsabilidades de Bolsonaro com relação à pandemia do vírus chinês. Pacheco se ajoelhou diante de Barroso. Ora, todos sabem que se não fosse Bolsonaro o país teria afundado com a pandemia. Assim, a CPI, que virou um circo, não conseguiu apurar nada, pois se recusou a investigar a farra que governadores e prefeitos fizeram com o dinheiro que Bolsonaro enviou para estados e municípios combaterem a pandemia, a mando do Supremo. 

A CPI, que ainda estertora, tem como presidente e vice os notórios Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e como relator o famigerado Renan Calheiros (MDB-AL). Conclusão: vão acusar Bolsonaro de curandeirismo! É du ca... 

Para completar, em 5 de agosto, o presidente do Supremo, Luiz Fux, cancelou reunião agendada com o presidente Jair Bolsonaro porque ficou ofendido com a apresentação das provas do Mito sobre as extraordinárias urnas eleitorais brasileira. E o negócio foi institucional. Fux leu uma nota no final da sessão plenária do tribunal rompendo as relações entre o Supremo e o Poder Executivo. 

Diz a nota: “Como presidente do Supremo Tribunal Federal, alertei o presidente da República, em reunião realizada nesta corte, durante as férias coletivas de julho, sobre os limites do exercício do direito da liberdade de expressão, bem como sobre o necessário e inegociável respeito entre os poderes para a harmonia institucional do país. 

“Contudo, como tem noticiado a imprensa brasileira nos últimos dias, o presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, sendo certo que quando se atinge um dos integrantes se atinge a corte por inteiro. 

“Além disso, sua excelência mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro. Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os chefes de poder, entre eles o presidente da República. 

“O pressuposto do diálogo entre os poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes. Como afirmei em pronunciamento por ocasião da abertura das atividades judiciais deste semestre, diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras o que infelizmente não temos visto no cenário atual. 

“O STF, de forma coesa, segue ao lado da população brasileira em defesa do estado democrático de direito e das instituições republicanas e se manterá firme em sua missão de julgar com independência e imparcialidade sempre observando as leis e a Constituição”. 

No dia 13 de agosto, Moraes mandou prender o presidente do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro, além de determinar o bloqueio de conteúdo postado por Bob Jefferson nas redes sociais, a apreensão de armas e munições, computadores, tablets e celulares. 

Bob Jefferson vinha convocando a população brasileira para a partir de 7 de agosto parar tudo no Brasil até que haja a reforma da Suprema Corte e as próximas eleições já sejam auditáveis. Com a prisão de Bob, o movimento explodiu. Caminheiros garantem que vão parar o país inteiro e ocupar Brasília exigindo uma intervenção militar contra a ditadura da toga. 

Alerta o jurista Evaldo Campos: “O que nós temos assistido nos últimos tempos é a implantação de um único poder, o da ditadura da toga. Um ministro sozinho afasta do cargo, decreta a prisão, e isso significa colocar os demais poderes de joelhos, humilhados, considerando-os de segunda classe, segunda categoria”. 

Outro jurista, Ruy Barbosa, disse: “A pior de todas as ditaduras é a ditadura da toga”. 

Mas por que tudo isso? Não era para Bolsonaro tomar posse como presidente da República, tanto que, ainda candidato, Adélio Bispo de Oliveira, que fora filiado ao PSOL, meteu uma peixeira nos intestinos de Bolsonaro que só escapou com vida por milagre. Desde que Bolsonaro tomou posse, em 1 de janeiro de 2019, não deixou ninguém roubar, e roubavam-se bilhões de reais por mês, ano após ano. Como não conseguiram matá-lo, o plano agora é desmoralizá-lo e prender a ele e familiares seus. 

Mas não combinaram com os russos. Ignoraram que estamos em 2021, em plena era da internet, que as mentiras propaladas pela grande mídia de rabo preso não colam mais e que o papo doce dos comunistas azedou.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Mulher no chuveiro

Sentado no vaso, eu a observava através do vidro molhado que a isolava de mim, à distância de um metro, sob a ducha. Seus gestos eram langorosos. Lavou os cabelos com xampu, longamente, e depois se pôs a deslizar espuma de sabonete na sua pele. Abaixou-se e os quadris ficaram ainda mais bonitos. Levantou-se, os olhos fechados, talvez sonhando que corria, nua, sob a chuva, no meio do roseiral e das zínias, numa paleta de Van Gog. 

Ela era tão jovem, e eu já então um sátiro, quando percorri pela primeira vez a relva do seu corpo, caminhos ensolarados, segredos que serão eternamente só nossos. Porém não maculei jamais o santuário que se abriu para os meus sentidos, e continuo me purificando sempre antes de recomeçar esta viagem, porque sei que o corpo é apenas a porta da alma. 

Sozinha, imersa nos seus pensamentos de mulher feliz, ela sorriu. Agora, a água deslizava pelo seu dorso de jambo, e parou subitamente. Ela escorreu os cabelos, apanhou a toalha e começou a se enxugar sem pressa, esfregando-a levemente na sua alva pele de mulher negra. 

Ver a mulher amada tomar banho, perceber seu quase imperceptível sorriso de felicidade, é uma fonte de prazer tão intenso quanto o acme dos sentidos. O sorriso de uma mulher feliz é um sinal de Deus.

Ela pôs um pé para fora do boxe, secou-o, e pôs o outro... só então percebeu minha presença, inclinou-se, num gesto gracioso, que somente às mulheres é possível, me beijou levemente na boca e saiu do banheiro. Levantei-me do vaso e fui fazer a barba. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Bob Jefferson anuncia o possível dia em que o diabo irá beber água: 7 de setembro, em Brasília

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 11 DE AGOSTO DE 2021 – O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, ontem, por 229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção, a proposta de emenda constitucional (PEC) 135/2019, que tornaria obrigatório o voto impresso nas eleições do próximo ano. Para a aprovação da matéria seriam necessários pelo menos 308 votos em dois turnos de votação. 

Em 15 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações ao ex-presidente Lula, que estava preso, liberando-o para participar das eleições para a presidência da República no próximo ano. Imediatamente, começaram a surgir pesquisas de opinião, divulgadas pela mídia adestrada, dando vitória a Lula em todos os cenários, no primeiro turno, enquanto o presidente Bolsonaro dificilmente se elegeria vereador no Rio de Janeiro, segundo as pesquisas dão a entender. 

Embora nessas pesquisas Lula já esteja eleito, milhões de pessoas começaram a ir às ruas em apoio a Bolsonaro, enquanto Lula permanece amoitado; já experimentou vir a público, mas foi desestimulado pelo tom ameaçador da população. 

Só o Brasil utiliza urnas eletrônicas sem registro impresso do voto, as quais até cachorro, se devidamente preparado, consegue invadir. As demais democracias mundiais não as utilizam. Por que será que no Brasil algo tão estúpido é tão defendido pelo establishment? 

Bom, o que é claro como uma explosão nuclear é que da criação do Brasil até 2019 o establishment vivia com a ventosa no úbere da burra, mamando centenas de bilhões de reais por ano. Bolsonaro mudou isso. Desde 1 de janeiro de 2019 que muita gente boa está em jejum monetário e começou a se desesperar. Hoje, o establishment são os comunistas, e a ordem é desmoralizar e prender Bolsonaro e sua família. 

Um dos homens que mais conhecem os bastidores dos três poderes, o presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, conhecido também como Bob Jefferson, garantiu, em vídeo gravado e tornado público, que as eleições no próximo ano só ocorrerão se foram limpas. 

“Se não houver voto impresso e contagem pública de votos não haverá eleição ano que vem. Barroso pode até se zangar, bater o pezinho, mas se não tiver voto impresso e contagem pública não terá eleição ano que vem” – Bob enfatizou. “Nós não vamos mais permitir que a esquerda, cavalgando na corcunda do Tribunal Superior Eleitoral, defraude a eleição.” 

Ao presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, Bob Jefferson fez uma advertência: “Barroso, eu duvido que você vai enfrentar essa posição. Não adianta chilique, porque será assim!” 

Luís Roberto Barroso, 63 anos, fluminense, é professor, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2013, indicado pela presidente impeachada Dilma Rousseff. Foi advogado do terrorista Cesare Battisti, hoje enjaulado na Itália; e concedeu perdão a José Dirceu, eminência parda de Lula. 

Bob Jefferson afirmou que a partir de 7 de setembro milhões de pessoas tomarão as ruas e acamparão nas praças até que o voto impresso seja obrigatório – como, não se sabe ainda – e em defesa do presidente Jair Bolsonaro, que já tentaram matar quando ainda era candidato, com uma facada tão brutal que ao chegar à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora/MG já tinha perdido metade do seu sangue. Um novo atentado poderá ser fatal. 

Em entrevista segunda-feira 26 ao programa Direto ao Ponto, na rádio Jovem Pan, Bob Jefferson disparou sua MP5: “A Justiça Eleitoral só existe no Brasil, é um cabide de empregos. Na última vez que fui lá fiquei escandalizado de ver o prédio. O gabinete do presidente do TSE é maior do que a sede do PTB inteira. É uma coisa de burocrata e vem da Constituinte. O Aécio não denunciou a Dilma em 2014 – ele ganhou a eleição – porque o PSDB se beneficiava disso. Eles sempre viveram com a cumplicidade do PT, sempre por fraude, e não podiam acusar um ou outro. Aí veio o Bolsonaro correndo por fora e explode esses pactos velhos e constata claramente a fraude do TSE. Eles não querem admitir isso”. 

Sobre a aproximação de Bolsonaro com o Centrão, Bob Jefferson acha isso necessário, se não Bolsonaro não governa: “Não acho que é traição, se não ele não governa. O Bolsonaro não é refém do Centrão, ele está fazendo uma troca que precisa fazer com o Centrão, se não ele acaba em impeachment”. 

Sobre o STF, disparou: “Hoje, há uma ditadura do Supremo na Justiça. Não tenho medo deles. Incompetentes, lobistas, corruptos e desonestos. É uma organização criminosa para fazer o crime de abuso de autoridade. Pode me processar, eu já estou respondendo a vários processos”. Para Bob, não é necessário fechar o Supremo, mas substituir seus membros por juízes de carreira. 

Sobre Bolsonaro e as eleições de 2022, Bob respondeu: “Quem é cristão, de direita, defensor da família, que hoje sofre com uma ação demolidora da agenda global, fica com Bolsonaro. Será uma grande luta que teremos: o bem contra o mal”. 

Em suma, Bob anunciou o início de uma nova batalha a partir de 7 de setembro, quando haverá um grande ato pelo país pedindo o voto impresso. A partir daí a temperatura deverá subir no concreto da Praça dos Três Poderes. O diabo escolherá o dia da independência do Brasil para beber água? 

Também o povo vem clamando pelo Artigo 142 da Constituição, que poderá ser assinado por Bolsonaro em caso de crimes cometidos contra a Constituição ou contra a pátria brasileira, mobilizando as Forças Armadas para garantir o estado democrático de direito. Será isso necessário?

A questão é que os dragões negros do comunismo são insaciáveis. Devoraram os países da União Soviética durante 72 anos; Cuba, durante 62 anos; estão degustando a Venezuela; escravizaram os povos chinês e norte-coreano; estão experimentando a Argentina; sobrevoam os Estados Unidos; e flertam com a França desde sempre. O Brasil é a cereja do bolo.

sábado, 7 de agosto de 2021

Tempo de amar. Ou 7 de agosto de 1954


Ray Cunha e Josiane
RAY CUNHA

O físico Albert Einstein disse que “a distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão”. Com efeito, percebemos que crianças de colo não têm a menor noção de tempo, bem como adultos portadores de certas doenças neurológicas ou psiquiátricas. Assim, a noção de tempo só existe devido à percepção dos sentidos, especialmente a visão, já que o tempo é influenciado pela luz, pois o tempo é mera sensação de movimento. 

Na escuridão, o tempo não passa; mas, na luz, é vertiginoso, a 300 mil quilômetros por segundo. Ao enxergar estrelas a 10 mil anos-luz de distância vemos o passado. Fotografias, o cinema, retém a luz dos acontecimentos, congela-os, imobiliza-os, anula o tempo. 

Iasmim, Ray Cunha e Eduardo
De formas que o tempo é uma sequência de movimentos, de dias e noites, noites e dias. O dia é dividido em 24 horas, as horas em 60 minutos, os minutos em 60 segundos. A rotação da Terra leva um dia; uma fase da Lua, uma semana; as fases da Lua, um mês; a translação da Terra, um ano. Uma década são 10 anos; um século, 100 anos; um milênio, mil anos.

Na nossa casa o tempo é um, mas na casa dos nossos pais, que fica às vezes em outra cidade, ou em outro país, o tempo é outro. Os ursos sabem quando hibernar; uma árvore explode em flores no momento certo. Há tempo dos ipês roxos, dos amarelos e dos brancos. Há tempo de frio e o da primavera, tempo de vacas magras e de abundância. Bater um pênalti requer percepção do tempo, tanto para o jogador quanto para o goleiro. Mas sempre é tempo de amar. 

Einstein criou a teoria do espaço-tempo. O espaço é referencial necessário para que haja tempo, pois o espaço influencia o tempo, de maneira que, para fora, o tempo é relativo, e, para dentro, é o agora eterno, e à medida que envelheço, desde as 5 horas daquela madrugada de 7 de agosto de 1954, sinto o tempo cada vez mais eterno. 

Tia Graça, Ray Cunha e João Pedro

Desde então, o tempo tem sido a sensação de escalar o Pico da Neblina e saltar, lá de cima, de asa delta, em Copacabana; de mergulhar no azul montado na luz; de cair em um abismo para cima, como leão de asas, sentir a mulher amada, ouvir o silêncio da madrugada, como se ouve Mozart, viajar, em velocidade quântica, ao Rio de Janeiro, Hong Kong ou Andrômeda. 

Mas isso só é possível porque meu alicerce está encravado no meu coração, o portão astral, onde só há um tempo, aqui e agora, povoado de lembranças do meu pai contando histórias de aventuras, a sensação do abraço da minha mãe, o azul cobalto do céu nas tardes de agosto, como um rio imenso que deságua em noites de 200 mil metros cúbicos do perfume dos jasmineiros, por segundo, em Macapá, e as mulheres da minha vida, faróis em meio à tempestade, sinalizando-me a segurança do porto. 

O tempo não existe. E não poderia ser diferente, já que sem matéria não há tempo, e a matéria é também uma ilusão, sonho dos espíritos. Sonhamos com primaveras, como a de hoje, com a presença de pessoas queridas, tortas, velas que são acesas, parabéns para você, alegria, a festa permanente da vida. Salud!

domingo, 1 de agosto de 2021

A região dos grandes escritores

RAY CUNHA 

Em matéria – Os novos regionalistas – publicada na revista Veja, o jornalista Jerônimo Teixeira aborda um velho e atualíssimo tema do Brasil literário: “Os escritores não gostam de ser qualificados de regionalistas, mas a própria resistência ao termo prova que ele ainda tem algum sentido”. 

Afinal, o que é regionalismo literário? Além da qualidade do produto, o mercado parece ser o grande responsável pelo sucesso ou fracasso dos escritores, venham de onde vierem. Assim, Lisboa e Paris já foram centros definidores do mercado literário brasileiro. Hoje, Rio de Janeiro e São Paulo monopolizam as vendas e definem que livros deverão ser lidos pelo pequeno, e suscetível, mercado consumidor tupiniquim. 

O que se escreve ou se publica fora do eixo Rio-São Paulo, nas províncias do subcontinente brasileiro, é considerado regionalismo, independentemente daquilo que se escreve, ou da ambientação daquilo que se escreve. 

Nesse viés, peguemos o amazonense Milton Hatoum, autor do romance Dois Irmãos e do livro de contos A Cidade Ilhada, ambos ambientados na Amazônia. Além de viver em São Paulo, os livros de Hatoum são comercializados e divulgados via São Paulo, logo ele não é mais considerado regionalista pelo mercado. 

A rigor, Fiódor Dostoiévisk e Gabriel García Márquez são tão regionalistas como o paraense Dalcídio Jurandir e Machado de Assis; afinal, Machado ambientou seu trabalho em algum lugar, que, por acaso, é o Rio de Janeiro. Rubens Fonseca, carioca de Juiz de Fora, Minas Gerais, criou sua ficção ambientada na Cidade Maravilhosa. 

O que não é aceito pela mídia paulistano-carioca e a idéia de que só é bom o que é divulgado pela mídia de São Paulo e do Rio de Janeiro tem cheiro de colonialismo, o que se dilui quando olhamos para dentro e valorizamos nossas raízes, nossa cultura; então, nos tornamos o centro do mundo. 

Embora o mercado imposto a fórceps pelo marketing peso pesado de São Paulo e do Rio de Janeiro se faça presente em todas as grandes esquinas urbanas do subcontinente, é interessante como a intelligentsia amazônica se volta para sua literatura, sua música, sua culinária, sua pintura, seu folclore. Mas essa arte só é comercializada em escala quando profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro entram na parada. O mesmo ocorre em Porto Alegre, no Recife, em Belo Horizonte etc. 

No caso dos livros mais vendidos, a maioria dos consumidores desse produto sofisticado é fortemente influenciada por seções como a dos mais vendidos de Veja e dos jornais com tiragens diárias em torno de 100 mil exemplares. Jornais do interior são cópias da grande imprensa. Rompi isso quando fui editor da seção de livros do Correio Braziliense, procurei dar ao leitor do jornal, de alcance apenas local, o que os jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro não lhes dava, cansei de publicar resenhas e entrevistas com escritores de Brasília. 

Há outra questão, inclusive abordada por Jerônimo Teixeira: quase ninguém quer ser rotulado de regionalista e nega quando o é. “O curioso é que a classificação que hoje parece pejorativa responde pelas melhores obras da ficção brasileira do século XX – clássicos como Vidas Secas e São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa” – observa o redator de Veja. 

Gabriel García Márquez fala com amor do povoado onde nasceu, Aracataca, na Colômbia, pois o criador de Cem anos de solidão sabe (ele continua vivo nas suas declarações) que não é o mercado nem as metrópoles que dão vida às personagens de ficção, mas apenas o talento e o trabalho incansável do autor no processo de criação. Talento, essa coisa tão sutil, tão fluida, esse gene imaterial, misterioso, presente em uns poucos iluminados, como Franz Kafka, por exemplo, que não conheceu a popularidade em vida, mas que deixou obra ambientada na região da psique.

Machado de Assis, Rubens Fonseca, João Ubaldo Ribeiro, Dalcídio Jurandir, Benedicto Monteiro, todos, são tão regionalistas quanto Fiódor Dostoiévisk, Gabriel García Márquez, Franz Kafka, pois a região dos grandes escritores é só uma: a alma.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Estou sempre pronto para subir ao ringue

Ray Cunha por ele mesmo, da janela do seu quarto, Brasília/DF, 29/07/2019

RAY CUNHA

A gravidez da Josiane, minha esposa, foi um voo vertiginoso, até dar à luz Iasmim, nossa princesa, quando uma onda azul começou a vibrar no triângulo equilátero que, desde então, formamos. Nossa comunicação física teve início assim que a barriga da Josiane começou a crescer; eu podia sentir a presença da Iasmim, e, quando o ventre ficou realmente grande, bastava que me aproximasse para a pele ficar saliente; era a princesinha tentando tocar minhas mãos, meu rosto, e, quando me deitava de costa para o colo da Josiane, a princesinha me abraçava. Às vezes, Josiane lia para nós, orava, dizia eu te amo e afagava o ventre. 

Quando vi minha princesinha pela primeira vez, seus olhos como duas luzes me abarcando, chorei perfume, como choram os jasmineiros da Amazônia, nas noites de agosto. Começava, aí, nova trilha no caminho. As flores são indestrutíveis na sua eternidade porque Deus arruma as suas manhãs, Pessoalmente, e assim Arrumou o jardim para a princesinha, onde eu lia, para ela, contos eternos de grandes escritores; dia após dia, ofertei-lhe os tesouros mais preciosos do Universo, diamantes rosas e rubis azuis, que eu garimpava na parte imersa do meu iceberg. Também Josiane, por seu turno, dava-lhe todas as riquezas que extraía da sua própria vida. 

Ainda garotinha, Iasmim já revelava personalidade: escolhia suas roupas; apenas a direcionávamos quando, por exemplo, ela optava por um vestido quente no verão, e explicávamos o porquê. E se tornou leitora voraz, escreveu contos, pintou óleos sobre tela e manifestou a vontade de fazer o curso de moda, mas ao concluir o nível médio optou por turismo, apenas para perceber, claramente, que seu negócio é moda, mesmo, e fazer a correção da trilha a seguir. 

Assim é a própria vida. Pessoas são condenadas ao fracasso porque seus pais as querem advogados, médicos ou físicos, quando seu talento é para santo, poeta, palhaço ou acupunturista. Outra maneira de matar os filhos é arrogar-se a viver por eles. Zumbis são isto: mortos vivos, a manada, o rebanho, o rótulo, o apego, a ilusão. 

Masaharu Taniguchi disse que o mundo físico é apenas criação da mente. Para entendermos bem isso basta observarmos um iceberg. Ernest Hemingway, o criador de O Velho e o Mar, observou que o iceberg flutua com tanta elegância porque sete oitavos ficam submersos e somente um oitavo aparece fora d’água, o equivalente ao mundo físico, limitado pelo espaço-tempo. Os sete oitavos dentro da água podem ser identificados como realidades múltiplas, universos multidimensionais, ou qualquer outra coisa que se aproxime do que rotulamos de realidade. E o que é realidade? Matéria? Poesia? Sonho? 

Gosto de pensar que realidade são as trilhas do triângulo equilátero, o éter, o vácuo, o nada, algo que apenas flui. E também gosto de pensar que sou leão de asas. Mergulhando no abismo azul, e tão misterioso quanto mulher nua.

A vida é agora! Sinto no ar o perfume das virgens ruivas e na boca o sabor de Dom Pérignon, safra de 1954. E estou sempre pronto para subir ao ringue.