
Atenção, Douglas Ruas: aqui vão dicas para você tirar o Rio do inferno
RAY CUNHA
BRASÍLIA, 9 DE OUTUBRO DE 2026 – O litoral do Estado do Rio de Janeiro é a região mais bela do planeta. O mar é verde esmeralda, com nuanças que vão até o azul cobalto, e costuma ser calmo como uma piscina, cheio de ilhas, rios se encontrando com o mar, manguezais, areia fina e branca, iates, mulheres estonteantes, pesca ao marlim-azul. Já a cidade do Rio de Janeiro, mesmo maltratada, como está, continua maravilhosa, esfuziante, linda, linda!
Mas o Rio tem sido governado por bandidos, braços da grande quadrilha do Partido dos Trabalhadores (PT), que, juntamente com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), tomaram de assalto o Estado e a cidade. Contudo, aconteceu algo inesperado. O famigerado Eduardo Paes perdeu no primeiro turno as eleições para governador.
Eduardo Paes estava no quarto mandato (2009-2017/2021-2026) como prefeito do Rio, quando se desincompatibilizou. Ele é do Partido Social Democrático (PSD), presidido por Gilberto Kassab, que comanda o Centrão, um aglomerado de partidos fisiológicos que fazem qualquer negócio com qualquer ditador por cargos e verbas.
O Rio se tornou a Meca do banditismo, que se homizia na Zona Sul e nas cidades da costa. A cidade do Rio está um lixo. O comércio no Centro cerrou as portas e as ruas estão tomadas por moradores de rua e drogados. Até a Zona Sul, principalmente Copacabana, fervilha de morador de rua, igual piolho.
O Rio de Janeiro é a cidade mais importante do Brasil; jamais deixou de ser a capital, ou uma das capitais. Brasília é capital de direito, administrativa. O Rio é onde as coisas são decididas. Bem como em São Paulo. Boa parte dos representantes do establishment tem domicílio no Rio ou em São Paulo. O Rio tem mais funcionários federais do que Brasília, várias estatais têm sede no Rio e o Estado abriga grande efetivo das Forças Armadas, além de que conta com as duas únicas usinas nucleares brasileiras. Também o Estado conta com indústria naval e centros de pesquisa importantes.
Em contrapartida, é lá que todo chefão de máfia, ou facção, quer morar, para usufruir de um litoral de tirar o fôlego e da cidade mais bonita do mundo. O Estado do Rio está tomado pelo crime organizado. Assim, os chefões elegem políticos, formam advogados e lavam dinheiro em grandes empreendimentos. Para isso, controlam imensos currais eleitorais, especialmente nas favelas. Além da violência estratosférica que assola o Rio, o Estado e a cidade vêm sendo pilhados há décadas. Vários governadores cariocas foram presos por corrupção.
Todo mundo que morou no Rio o ama. Somos, todos, cariocas. Quanto a mim, além de ter morado no Rio e voltar lá sempre que posso, sou um estudioso da geopolítica da Cidade Maravilhosa, que ambienta meu romance A IDENTIDADE CARIOCA e os dois últimos volumes de A Ditadura da Toga: O OLHO DO TOURO e O TERCEIRO OLHO. O primeiro volume se passa em Brasília: O CLUBE DOS ONIPOTENTES. Esses livros podem ser adquiridos no Clube de Autores, amazon.com.br ou amazon.com
É por isso que aqui vão umas dicas para Douglas Ruas. Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL), o mesmo de Flávio Bolsonaro (que ganhou o primeiro turno para Presidente), e que tomará posse em 1 de janeiro de 2027. São quesitos importantes. Alguns, podem parecer exagero, mas é bom lembrar que Juscelino Kubitscheck realizou uma missão impossível: Brasília. Seguem as dicas:
1 – Em primeiríssimo lugar: um centro de inteligência com especialistas e tecnologia de ponta capaz de direcionar as polícias Civil e Militar do Estado, e a Polícia Federal, no combate à bandidagem, sob o lema “tolerância zero”.
2 – Ampliação do fornecimento de água encanada, energia elétrica e esgoto nas cidades em geral. O carioca vive às voltas com falta de água, embora rios não faltem no município. Na cidade do Rio, a Baía de Guanabara e os rios que deságuam nela precisam passar por uma despoluição completa.
Com relação à ampliação da geração de energia elétrica, deve-se concluir a usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis. Para isso, Douglas Ruas deverá contar com Flávio Bolsonaro.
3 – A construção da Terceira Linha do Metrô, Rio-Niterói, mas sob a Baía de Guanabara, da mesma forma que Paris é ligada a Londres por trem. O túnel por baixo da Baía de Guanabara, da Praça XV, no Rio, à Praça Arariboia, em Niterói, beneficiaria, diariamente, em torno de 750 mil passageiros. Sua construção não teria que desapropriar terrenos. De modo que se houver vontade política para estancar a roubalheira e melhorar o transporte viário Rio-Niterói haverá dinheiro de sobra. Com a despoluição da Baía de Guanabara e metrô por debaixo dela o Rio-Niterói, que já é a cidade do Hemisfério Sul que mais cintila, ficará ainda mais maravilhosa.
4 – Despoluição completa da Baía de Guanabara e rios que deságuam nela.
PARÁ – A família Barbalho domina a política do Pará desde o fim dos anos 1970 e o início da década de 1980, quando da ascensão do patriarca, Jader Barbalho, que se elegeu governador pela primeira vez em 1982 e depois em 1990. Jader herdou o jornal Diário do Pará, fundado em 1980, embrião do hoje maior grupo de mídia da Amazônia. Em 2019 e 2022, Jader elegeu governador seu filho, Helder Barbalho, e colocou outros membros da família em postos estratégicos nos âmbitos municipal, estadual e federal.
Aliada a Lula da Silva (PT), comprovadamente o maior gangster que já assombrou este país, a família Barbalho manda e desmanda no Pará, um dos Estados mais violentos do país. A desgraça é tanta que a candidata dos Barbalho a governadora, a atual governadora Hana Ghassan (MDB), belenense, perdeu logo no primeiro turno.
Quem ganhou foi Daniel Barbosa Santos (Podemos), natural de Açailândia/MA, conhecido como Dr. Daniel Santos, médico, ex-prefeito de Ananindeua, cidade conurbada a Belém, e ex-deputado estadual do Pará, tendo presidido a Assembleia Legislativa, de 2019 a 2021. Vamos ver quanto Daniel Santos vai durar, pois Jader domina o Pará com mãos de ferro.
AMAPÁ – O Amapá, meu Estado natal, é o mais isolado do país, o mais violento e o mais pobre. Nele, a corrupção alcança níveis fluminenses, ou brasilienses, ou amazônicos. Para se ter uma ideia, 93% da população do município de Itaubal do Piririm, no Estado, vive de Bolsa-Família.
Desmembrado do Estado do Pará, em 1943, foi criado o Território Federal do Amapá, até 1988, quando foi elevado à condição de Estado e famílias locais começaram a disputar hegemonia política e financeira. Atualmente, o coronelato é da família Alcolumbre, do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil), um dos escudeiros da Ditadura da Toga, atolado até o rabo gordo na patifaria do governo Lula.
A única rodovia federal do Estado é a BR-156, com 823 quilômetros, ligando a capital, Macapá, à Caiena, capital da Guiana Francesa. Começou a ser construída em julho de 1932, sob a liderança do Marechal Cândido Rondon, mas nunca foi concluída. Já encheu o bolso de muito coronel, mas parte dela continua um atoleiro no inverno amazônico e um poeiral no verão.
Símbolo da incompetência amapaense, a BR-156 poderia ser parte da redenção do Amapá como canal de exportação para a Guiana Francesa, ligando o Porto de Santana, um dos mais estratégicos da Amazônia, às Guianas.
O Porto de Santana, localizado na Zona Metropolitana de Macapá, é outro símbolo de incompetência. Situado na margem esquerda do Canal do Norte do Rio Amazonas, com calado para transatlântico, está sob a jurisdição da prefeitura de Santana, que não tem condições de fiscalizá-lo. Assim, tornou-se um entreposto do narcotráfico transnacional, pois é o porto brasileiro para grandes navios mais próximo, simultaneamente, dos Estados Unidos, Europa e Ásia; no caso da Ásia, via Canal do Panamá.
Macapá tem 489.676 habitantes e nenhuma rede de esgoto, é assombrada por apagões e falta de água encanada. E vem garantindo o posto de cidade mais violenta do país, já que virou entreposto do narcotráfico internacional, devido ao Porto de Santana.
Mas, agora, as coisas vão mudar. O ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), que urbanizou parte de Macapá, foi eleito governador no primeiro turno, contra o governador Clécio Luís, do mesmo partido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o União Brasil. Clécio, Alcolumbre e o senador derrotado Randolfe Rodrigues (PT/AP), trio conhecido como “turma do atraso”, são aliados de Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), braço direito de Lula na ditadura da toga.
Além de macapaense da gema e de ter trabalhado durante uma década e meia em todos os grandes jornais diários da Amazônia e de ter viajado amplamente pela Hileia, sou leitor tanto da literatura científica quando de ficção da Amazônia, de modo que consigo fazer uma leitura geopolítica do Trópico Úmido, especialmente do Amapá. Assim, aqui vão algumas dicas cirúrgicas para o Dr. Furlan.
1 – Criação de uma central de inteligência integrando as Polícias Civil e Militar do Estado, a Polícia Federal e as Forças Armadas.
2 – Empenho incansável, nunca desestimulado, urgente, pela instalação de energia firme em todo o Amapá, principalmente com extensão do Linhão de Tucuruí.
3 – Conclusão da BR-156.
4 – Estatizar o Porto de Santana.
5 – Criar infraestrutura para a futura produção de petróleo na costa do Amapá.
6 – Criação de uma polícia marítima para vigiar, juntamente com a Marinha de Guerra, a costa setentrional, paraíso da pesca pirata predatória internacional.
7 – Criação de cursos superiores de oceanografia e engenharia naval, de pesca, florestal e agronômica.
8 – Instalação de saneamento básico em Macapá e demais cidades do Amapá.
9 – Ligação rodoviária com o resto do país via ponte sobre o Rio Jari.
10 – Doação de prédio para sede da Academia Amapaense de Letras (AAL), principal instituição cultural do Estado.
Que Deus, e Tio Sam, nos ajudem.
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