RAY CUNHA
BRASÍLIA, 23 DE OUTUBRO DE 2026 – Caro Dr. Furlan, governador eleito do Amapá.
Sou caboco de Macapá/AP. Jornalista, trabalhei como repórter, redator e editor nos maiores jornais impressos da Amazônia durante uma década e meia, o que me permitiu viajar amplamente pelo Trópico Úmido, inclusive a selva ínvia, além das cidades mais importantes, o que me deu lentes especiais para enxergar a Hileia, lentes que foram alçadas ao requinte por meio de uma das minhas paixões: a leitura científica e literária da produção de cientistas que se debruçam sobre a região e a literatura da região, no caso do Amapá, especialmente um dos escritores que melhor compreenderam o Setentrião: Fernando Canto.
Antes de me tornar jornalista eu já era ficcionista, de modo
que a Amazônia, e o Amapá, em especial, se tornaram, naturalmente, ambientação
para alguns dos meus romances, como A CASA AMARELA, JAMBU e A CONFRARIA CABANAGEM.
A convite de Fernando Canto, tornei-me o primeiro correspondente da Academia
Amapaense de Letras (AAL), aprovado por unanimidade, em Brasília/DF, onde moro.
JAMBU pode ser livro na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda ou na Biblioteca da Universidade Federal do Amapá (Unifap), ou adquirido no Clube de Autores, amazon.com.br e amazon.com.
Assim, tornei-me um analista da geopolítica do Amapá, estudando sua geografia e sua história. O Amapá é o Estado mais isolado do país e uma das maiores vítimas do coronelismo, atualmente, nas mãos da família Alcolumbre, que manda e desmanda no destino dos amapaenses, cada vez mais acossados pela violência e falta de perspectivas econômicas, imprensa amordaçada ou vendida e corrupção generalizada.
Venho observando seu trabalho e sua vida pregressa já de algum tempo. Sua ficha é boa. E o senhor tem a oportunidade história de reverter a situação do Amapá, desobstruindo os gargalos que drenam o desenvolvimento do Setentrião.
Seguem, aqui, alguns itens observados por mim, que, se já não foram previstos pela sua equipe, podem ser levados em consideração:
Para sua governança:
1 – A criação de uma central de inteligência integrando as Polícias Civil e Militar do Estado, a Polícia Federal e as Forças Armadas, e o Escudo das Américas. Inteligência de Estado significa o senhor receber diariamente boletins sobre a realidade política, econômica, geopolítica e social, respaldando planos de governo, correções e medidas a serem tomadas.
2 – Um núcleo competente de assessoramento junto à Assembleia Legislativa.
3 – Uma representação em Brasília com nível diplomático e de trânsito nos três poderes.
Para o desenvolvimento do Estado:
1 – O Amapá recebe energia firme do Linhão de Tucuruí e, mesmo assim, sofre com apagões. Por quê? Não conta com subestações locais suficientes para transformar e distribuir a eletricidade. Simples assim. Basta a instalação de subestações suficientes para que o Estado não sofre mais apagões. Além do Linhão também tem que estar com um sistema de produção de energia elétrica próprio. Sem isso, continuará comendo poeira.
2 – Conclusão da BR-156, rodovia que liga Macapá, no sul do Estado, a Oiapoque, ao Norte, e, por ponte sobre o Rio Oiapoque, a Caiena, a capital da Guiana Francesa. Por meio dessa estrada o Amapá poderá escoar produtos armazenados no Porto de Santana para as Guianas, bem como receber turistas da Europa e da Guiana Francesa, além de que essa rodovia liga praticamente todas as cidades do Amapá.
3 – Estatizar o Porto de Santana, que é administrado pelo município de Santana, sem condições de fiscalização e ampliação do porto, o que o torna interessantíssimo para o narcotráfico transnacional. O Porto de Santana é o mais estratégico da Amazônia, pois tem calado para transatlânticos e é o porto brasileiro mais próximo dos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia (neste caso, via Canal do Panamá). De modo que pode receber commodity de toda a Amazônia e do Centro-Oeste e despachá-lo para todo o planeta.
4 – Criar infraestrutura para a futura produção de petróleo na costa do Amapá.
5 – Criação de uma polícia marítima para vigiar, juntamente com a Marinha de Guerra, a costa setentrional, paraíso da pesca pirata predatória internacional.
6 – Criação de cursos superiores de oceanografia e engenharia naval, de pesca, florestal e agronômica.
7 – Ligação rodoviária com o resto do país via ponte sobre o Rio Jari.
8 – Estímulo à criação de escolas técnicas e escolas militares. Recuperação dos prédios ou instalações de bibliotecas públicas, compra de livros novos, jogar fora livros bolorentos e recuperar obras com valor histórico.
9 – Doação de prédio para sede da Academia Amapaense de Letras (AAL), principal instituição cultural do Estado.
Para Macapá e demais cidades do Estado:
1 – Instalação de redes de esgotamento sanitário e de águas
pluviais e garantia do fornecimento de energia elétrica e de água tratada.

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