sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Um dos maiores destinos turísticos da Amazônia, a ilha do Marajó só precisa de uma hidrovia e uma base de lançamento de foguete

Nem só de búfalos vive o Marajó. Que tal uma
base de 
lançamento de foguetes, ministro 
da
Infraestrutura, 
Tarcísio Gomes de Freitas? 

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 5 DE FEVEREIRO DE 2021 O arquipélago do Marajó, no estado do Pará, Amazônia Oriental, derrama-se abaixo da Linha Imaginária do Equador, emergindo das águas do maior rio do mundo, o Amazonas, a norte e oeste; do rio Pará, ao sul; e do oceano Atlântico, a leste. É impossível dizer com precisão quantas ilhas o integram, pois há sempre novas ilhas nascendo ou sucumbindo na ditadura das águas. Contudo, registram-se 1.200 ilhas, a maior delas, Marajó, do tamanho da Suíça, a maior ilha na costa do Brasil e do planeta em águas salobras. 

No Mapa Múndi, Marajó se destaca maior do que a Jamaica, Porto Rico ou Trinidad e Tobago, no Caribe, ou do que a Córsega, na França mediterrânea, ou a ilha de Creta, no mesmo mar europeu-africano. O arquipélago é rico. Suas praias atlânticas são deslumbrantes; seus açaizais, imensos; seu rebanho bubalino, o maior do Brasil; sua cerâmica, exportada para o mundo inteiro, via Icoaraci, ou Vila Sorriso, bairro de Belém; sua produção de pescados faz do Pará o maior produtor de peixes do país; e o genial romancista Dalcídio Jurandir nasceu no município marajoara de Ponta de Pedras. 

Mas neste arquipélago paradisíaco curumins morrem devorados por verme, ameba, giárdia, malária; crianças são estupradas dentro de carros enquanto balsas cruzam os rios, e no interior de embarcações, silenciadas no seu sofrimento, por comida; ratos d’água atacam casas de ribeirinhos, roubam e estupram as mulheres; e contrabandistas pilham sítios arqueológicos e traficam para a Europa a cerâmica mais famosa do Brasil. 

Quando as embarcações se aproximam, meninas partem em grupo em canoas e remam em direção a balsas, barcos e navios. É lançada uma corda para ajudar as “balseiras”, como são chamadas, a subir às embarcações, onde tentam vender produtos agrícolas. Mas os homens geralmente estão interessados em outra coisa, e as estupram a troco de pacotes de biscoito, leite em pó ou condensado, ou óleo diesel. Disso, todo mundo sabe, inclusive pesquisadores acadêmicos e, é claro, o Estado. 

Em declaração ao jornal Beira Rio, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a pesquisadora Monique Loma explicou que as famílias não veem isso como exploração sexual, mas como “uma oportunidade para eles; além de gerar renda, os pais olham para a prática como uma chance de as meninas se casarem com algum marinheiro e terem uma chance melhor na cidade”. E revela: “Quando contamos à família o que está acontecendo, o que essa atitude gera, percebemos que eles não tinham noção sobre a legislação ou sobre os Direitos da Criança e do Adolescente. Jamais poderiam fazer uma ocorrência, pelo simples fato de aquilo ser o cotidiano deles, não um crime”.

Então, o choque: “Foi uma surpresa ver que, para elas, aquilo era brincadeira. Algumas afirmaram estar procurando o príncipe encantado. A naturalidade com que elas falavam de tudo foi um choque. Como eu poderia falar de violência sexual, de exploração, se elas nunca tinham ouvido esses termos?” 

Os governos federal e do Pará estiveram, sempre, de costas para o paraíso. Para se desenvolver, o Marajó precisa de energia elétrica firme e da Hidrovia do Marajó. Há uma terceira linha de desenvolvimento, esta, mais arrojada, porém absolutamente viável: uma base de lançamento de foguete no cabo Maguari, município de Soure. 

O cabo Maguari talvez seja o melhor ponto do planeta para o lançamento de foguetes, pois está situado praticamente na Linha Imaginária do Equador, ponto de rotação mais veloz da Terra, o que impulsiona o lançamento de foguetes, e defronte para o oceano Atlântico, área de escape por excelência em caso de acidente, além de afastado de aglomerações humanas, diferentemente das duas bases brasileiras de lançamento de foguetes: o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal/RN, e o Centro de Lançamento de Alcântara/MA, ambos na Região Nordeste. 

Tanto um quanto o outro vem sendo estrangulado, o do Rio Grande do Norte por especulação imobiliária e o do Maranhão por questões fundiárias, referentes a demarcações de terras quilombolas. 

A cidade de Soure fica a 80 quilômetros de Belém, a capital do Pará, este, o estado mais emblemático da Amazônia, pois encerra amostras de todo o Trópico Úmido. Componentes, e até foguetes, mesmo, e satélites, poderiam ser fabricados no Distrito Industrial de Barcarena, com energia hidroelétrica da usina de Tucuruí, e serem transportados de balsa, do Porto de Vila do Conde, o maior do Pará, para Soure, e, de lá, para o cabo Maguari. 

Atualmente, o PIB francês é ampliado por três foguetes lançados na base espacial em Kourou, no meio da selva, no Departamento Ultramarino francês, a Guiana Francesa: Ariane, Soyuz e Vega. O maior deles, o Ariane 5, foi criado em 1996, levando para o espaço alguns dos maiores satélites de telecomunicações e meteorologia do planeta. O projeto do Ariane 6, foguete de 62 metros de altura, desenvolvido para lançar espaçonaves ainda maiores do que as transportadas pelo Ariane 5, tem orçamento de 2,4 bilhões de euros, dinheiro dos países da Agência Espacial Europeia (ESA), mais barato e eficiente do que o Ariane 5. Cada lançamento do Ariane custa em torno de 100 milhões de dólares. 

Mas já surgiu uma nova geração, como a da SpaceX, Space Exploration Technologies, do bilionário Elon Musk, que pode fazer a mesma coisa que o Ariane 5 dezenas de milhões de dólares mais barato. Os dois primeiros foguetes da empresa são os Falcon 1 e Falcon 9, homenagem à Millennium Falcon, de Star Wars, e sua primeira nave espacial é a Dragon, em homenagem ao filme Puff the Magic Dragon, tudo isso concretizado em apenas sete anos. Em setembro de 2008, o Falcon 1 fez história: tornou-se o primeiro foguete privado a colocar um satélite na órbita terrestre, e, em 25 de maio de 2012, a Dragon ancorou na Estação Espacial Internacional, tornando-se a primeira empresa privada a fazer isso. Mas este artigo é sobre a Hidrovia do Marajó. 

Se a região conta com beleza estonteante, vista em profundidade mergulha no ventre da besta. Daí porque a Hidrovia do Marajó é fundamental para o desenvolvimento do arquipélago e do vizinho estado do Amapá, já que encurtará pela metade a distância entre Belém, a mais importante cidade da Amazônia, considerando a história da região e o aspecto geográfico, e Macapá, capital do Amapá, que mantém intenso comércio com os belenenses. 

Tem um porém! Em 1998, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública embargando a obra, apesar de ser, então, considerada como a única possibilidade de reverter o secular isolamento e empobrecimento da região, e apesar de a obra ser tão simples: abrir um canal ligando os rios Atuá e Anajás. Acontece que encontraram um sítio arqueológico durante a elaboração do relatório de meio ambiente da hidrovia. 

Segundo o Departamento de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi, os primeiros grupos ceramistas chegaram ao Marajó há 3 mil anos antes de Cristo, vindos do Caribe e da Colômbia, descendo a costa paraense até o rio Gurupi, que divide o Pará do Maranhão. Na ilha, construíram, habitaram e utilizaram, como cemitério, tesos (aterros) e sambaquis (aterros de conchas), e produziram peças de cerâmica e utensílios de pedra, osso e concha. 

Foram identificadas cinco ocupações sucessivas no Marajó. A primeira, conhecida como Ananatuba, habitou a costa norte, entre 1100 e 200 antes de Cristo; a segunda, Mangueiras, conquistou e assimilou a anterior, entre 1000 antes de Cristo e 100 depois de Cristo, convergindo para o centro da ilha; a terceira, Formiga, que habitou a região do lago Arari, viveu de 100 a 400 - sua cerâmica era inferior a dos grupos anteriores; e a cultura Marajoara ocupou a ilha de 400 até 1350, também na região do lago Arari; seguiu-se a cultura Aruã, único grupo existente no Marajó quando da chegada dos portugueses, que, a partir de 1500, dizimaram o gentio. 

No século XVIII, descobriu-se a cerâmica marajoara, da mais complexa das culturas que habitaram a grande ilha. Os pesquisadores Mário F. Simões e Fernanda Araújo-Costa identificaram 45 sítios arqueológicos na ilha do Marajó. O mais famoso, visitado e explorado continuamente há mais de um século, é o sítio-cemitério Pacoval, da fase Marajoara, situado na praia leste do lago Arari, acima da boca do igarapé das Almas. 

O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, possui um acervo de cerâmica marajoara inigualável. Em Icoaraci, subúrbio de Belém, produz-se imitação de cerâmica marajoara em escala. Turistas de todo o mundo aparecem por lá para comprar e ver como se faz a cerâmica. Há vasos de todos os tamanhos e preços; alguns, belíssimos. 

Um sítio arqueológico! E daí? O rio Anajás vem sendo poluído por óleo e graxa de embarcações que trafegam na área e há devastação da floresta e dos açaizais para a extração de palmito na região. A hidrovia acabaria com esses problemas, pois facilitaria a fiscalização das embarcações e das atividades madeireiras e de coletores de palmito. A facilidade de acesso que a hidrovia proporcionaria permitiria também a implementação ininterrupta das campanhas de saúde junto às comunidades na parte central do arquipélago, varrido pela malária. Mas há o sítio arqueológico! 

Em entrevista a este repórter, em 2008, o deputado federal Nilson Pinto (PSDB/PA), doutor em geofísica, ex-reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou: “A Hidrovia do Marajó é uma obra de infraestrutura fundamental para o estado do Pará, promovendo a ligação mais eficiente entre Belém e Macapá, passando pelo centro da ilha do Marajó e economizando horas de viagem. Essa obra, que é simplíssima, enfrenta percalços por falta de conhecimento, pelo excesso de zelo gerado pelo desconhecimento de algumas autoridades. O Ministério Público entende que a obra criaria problemas ambientais e tem procurado impedir de todas as formas que seja realizada, e tem conseguido isso, até agora. Há excesso de zelo de um lado e desconhecimento de causa por outro lado. Tem-se apenas de construir um canal de 32 quilômetros, numa região plana, desabitada, sem, absolutamente, nenhum tipo de problema que possa surgir com a construção do canal. A obra se resume, praticamente, na construção do canal. 

“Para quem acha que isso é algo portentoso e agressivo ao meio ambiente, eu recomendo que faça uma visita, in loco, ou pela internet, ao canal Reno-Danúbio, na Alemanha, concluído há várias décadas e que liga a bacia do rio Reno à bacia do rio Danúbio. O Reno deságua no Mar do Norte. O rio Danúbio deságua no Mar Negro. Assim, os alemães ligaram o Mar do Norte ao Mar Negro. Trata-se de um canal de 171 quilômetros de extensão, com 66 eclusas, com desníveis fantásticos, tudo em plena operação, no coração da Alemanha, avançando por terras que têm toda uma história pretérita, que vem do tempo do Império Romano, passando por preciosidades arqueológicas e pelo coração de um país que tem um amor pela questão ambiental fantástico. A obra foi feita no meio da Alemanha e não gerou absolutamente nenhuma reclamação, no país que mais cuida do meio ambiente no mundo. 

“Para fazer uma obra cinco vezes menor, de impacto ambiental mil vezes menor, na ilha do Marajó, nós temos um problema terrível com o Ministério Público. Eu não acredito que seja por conhecimento de causa, o que mostraria que essa obra não causará praticamente nenhum impacto ambiental. Acredito, sim, que é desconhecimento de quem acha que vai preservar a Amazônia impedindo que as pessoas que nela moram de ter melhores condições de sobrevivência. É um enorme equívoco do Ministério Público, que não tem competência técnica para opinar e está exorbitando da sua função. Deveriam se basear nos trabalhos dos órgãos técnicos competentes nessa área e não emitir pareceres apenas para defender uma posição aparentemente de defesa da Amazônia, do meio ambiente, mas que, na verdade, é uma posição absolutamente retrógrada, que nada tem a ver com desenvolvimento sustentável.

“O Ministério Público se arvora o direito de defender uma causa que não é de ninguém, mas causa de um ou outro visionário que resolveu fazer de uma questão pequena algo grandioso, não sei com que finalidade. O caso está na Justiça, que tem de se basear naquilo que é correto do ponto de vista do aproveitamento das nossas hidrovias, dos rios, que são as vias naturais que temos para deslocamento na Amazônia; tem que se basear na verdade extraída da competência técnica das instituições amazônicas, para poder dar a decisão. Não podemos ficar com uma visão unilateral emperrando o desenvolvimento da região, a melhoria da qualidade de vida da população. O Ministério Público precisa se reciclar. A minha sugestão é que o pessoal do Ministério Público estude mais. Não basta trabalhar com a visão ideológica. Aliás, o Ministério Público não existe para trabalhar com visão ideológica. Ele tem de trabalhar pelo interesse da sociedade, dentro da visão legal. 

“Há um claro exagero por parte dos ambientalistas. É necessário para qualquer obra importante, em qualquer lugar e, principalmente, na Amazônia, que se tomem os cuidados para se evitar impactos ambientais de porte. Isso é necessário e existe conhecimento técnico em várias instâncias, neste país, para assessorar a realização de uma obra sempre que isso é necessário. O que nós não podemos aceitar é a visão da redoma. Somos frontalmente contra a visão preservacionista que vê apenas a floresta e esquece as pessoas que moram na floresta, uma posição absolutamente atrasada” – argumentou Nilson Pinto. 

Segundo o marajoara ex-senador Mário Couto (PSDB/PA), candidato a prefeito de Belém, em declaração feita ainda no governo tucano de Simão Jatene (2003-2006), “o Ministério Público Federal já recebeu mais de 50 quilos de documentos da parte do governo do Pará, mostrando que os impactos ambientais da hidrovia serão mínimos, comparados aos impactos positivos que ela proporcionará; as medidas mitigadoras e ações compensatórias, já detalhadas em farta documentação, superam qualquer dano que a obra possa causar”. 

O projeto da Hidrovia do Marajó é fruto de convênio celebrado entre os governos estadual e federal, com contrapartida de 50%. Segundo relatório da Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (Ahimor), “já foram realizados todos os estudos técnicos e ambientais (EIA/Rima) para a dragagem de 32 quilômetros do canal destinado a perenizar a interligação das bacias dos rios Atuá e Anajás, interligação já existente pela própria natureza, mas durante somente seis meses de cheia”. 

A construção da hidrovia consiste na dragagem de 9 milhões de metros cúbicos entre os rios Atuá e Anajás, a fim de garantir a navegação na época da seca, de comboios com até 2.800 toneladas de capacidade de carga em quatro chatas, de Belém a Macapá, vice-versa. Segundo o projeto, a hidrovia atravessará pelo meio o arquipélago no sentido sudeste-noroeste, levando novas oportunidades de emprego e de renda para a população local e facilitando o escoamento da produção de todo o Marajó. Os 580 quilômetros que hoje separam Belém de Macapá, porque a ilha do Marajó tem de ser contornada, diminuirão para 432 quilômetros pelo meio da ilha. Haverá uma redução de 148 quilômetros entre a capital do Pará e a capital do Amapá. 

A proximidade da hidrovia com o porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá, possibilitará que produtos paraenses, como, por exemplo, açaí, piramutaba, cerâmica de Icoaraci e minérios cheguem aos Estados Unidos, Europa e Japão com redução de custo. 

“Além disso, a obra vai permitir acesso aos diversos recursos naturais da região marajoara, modernização do seu parque agropecuário e suprimento dos mercados consumidores de Belém e Macapá, viabilizando a criação de bacias leiteiras e estimulando a piscicultura” – observa ainda o relatório da Ahimor, alinhando ainda, entre os impactos sócio-econômicos, o desenvolvimento do turismo flúvio-ecológico e a integração nacional do Marajó e do Amapá por meio da Hidrovia Araguaia-Tocantins, outra obra da maior importância para a Amazônia. 

Como já foi dito, a Secretaria Executiva de Transportes do Pará e a Ahimor cumpriram todas as exigências legais, tais como elaboração de EIA/Rima e realização de audiências públicas. Em setembro de 1998, a Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente do Pará concedeu a licença ambiental para instalação da obra, que foi renovada anualmente, até 2002. Acontece que, por força da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, até hoje o projeto da hidrovia não conseguiu sair do papel e a consequência disso é que a população do Marajó sofre os efeitos devastadores de doenças infecto-contagiosas, principalmente malária, de erradicação remota diante da dificuldade de acesso para a implementação de ações necessárias para debelar a doença. 

O governo do estado e o Ministério dos Transportes chegaram a tomar todas as providências para o início das obras, inclusive a avaliação das terras localizadas nos municípios de Anajás e Muaná, feita por técnicos do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Procuradores do estado foram ao encontro dos comunitários para fazer o pagamento das indenizações no próprio local. Um convênio para distribuição do material lenhoso também foi celebrado com as prefeituras de Anajás e Muaná. Além disso, um plano de saúde foi elaborado para atender a área de influência da futura hidrovia. O plano envolve a construção de ambulatórios, proteção aos operários que trabalharão na obra e imunização contra doenças endêmicas. O fato é que está tudo pronto para que a obra seja realizada. Só depende do Ministério Público Federal.

A Hidrovia do Marajó só sairá do papel se os governos federal, do Pará e do Amapá se unirem para valer por essa causa, levando-a ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, atualmente, decide tudo no país, e não somente questões constitucionais. E depois os parlamentares do Pará e do Amapá no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas dos dois estados, comprometidos com o desenvolvimento da região, podem sair a campo e coletar assinaturas para entrarem no Congresso com um projeto popular que crie exceção em prol do desenvolvimento da Amazônia. No Congresso Nacional, quando uma bancada se une em torno de um projeto, pode qualquer coisa.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Descoberto rio equivalente ao Amazonas a 4 mil metros de profundidade. Leia em JAMBU, pelo clubedeautores.com.br e amazon.com.br

Edição da amazon.com.br
RAY CUNHA

clubedeautores.com.br
BRASÍLIA, 3 DE FEVEREIRO DE 2021 – A trama do romance ensaístico JAMBU (clubedeautores.com.br e amazon.com.br, 190 páginas), deste jornalista, desenrola-se durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no monumental Hotel Caranã, em Macapá/AP, cidade situada na esquina do rio Amazonas com a Linha Imaginária do Equador, onde se ouve merengue e, nas tórridas noites de julho, o perfume dos jasmineiros inebria até a alma.

Enquanto nos salões do Hotel Caranã são servidos pratos da mais saborosa culinária do planeta, a paraense, o oceanógrafo, arqueólogo, taxidermista e jornalista João do Bailique, editor da revista Trópico Úmido, e sua esposa, a chefe de cozinha e oceanógrafa Danielle Silvestre Castro, dona do Hotel Caranã, estão à caça do traficante de crianças e de grude de gurijuba Jules Adolphe Lunier.

João do Bailique trabalha uma edição especial sobre a Hileia, além de investigar o tráfico de crianças e mulheres para escravidão sexual, enquanto, no mesmo plano de ação, como no cinema, quando se alinha numa sequência o primeiro e o segundo planos, a Amazônia profunda está presente, completamente nua, e a Bacia Amazônia se espraia em vários planos, inclusive o espiritual e o dos extra terrestres e objetos voadores não identificados.

É essa nudez que torna JAMBU um trabalho também ensaístico. Personagens de ficção convivem com pessoas reais, mortas e vivas, como, por exemplo, o filósofo japonês Masaharu Taniguchi; o escritor, astrofísico e médium Laércio Fonseca; o escritor, psicanalista e acupunturista Jorge Bessa; a cantora lírica Marina Monarcha; o compositor belenense Waldemar Henrique; e o pintor genial Olivar Cunha, para citar alguns.

Essas personagens, fictícias ou reais, transitam nas ruas da cidade mais emblemática da Amazônia, onde índios, negros, descendentes de europeus, mulatos, mamelucos e cafuzos se amalgamam em um cadinho étnico, línguístico e culinário.

E como a paisagem do romance é a Amazônia nua, seus mistérios vão se revelando, desde a trágica luta intestina entre colonos e colonizados aos tesouros sem preço que o Trópico Úmido guarda nas suas vísceras, um deles, a água. Um dos veios desse tesouro é o rio Hamza. Segue trecho de JAMBU.

“Santarém é a maior cidade do Baixo Amazonas, no oeste do Pará, à margem direita do rio Tapajós, de águas cristalinas, com mais de 100 quilômetros de praias, e que desemboca no Amazonas na frente da cidade, conhecida também como Pérola do Tapajós, fundada em 22 de junho de 1661. Suas praias são famosas, especialmente na vila de Alter do Chão, a 40 quilômetros do centro de Santarém, e que, segundo o jornal inglês The Guardian, é a praia de água doce mais bonita do mundo, palco de uma manifestação folclórica, a Festa do Sairé, que atrai, em setembro, mais de 100 mil turistas. O termo Santarém é uma homenagem à cidade portuguesa homônima, situada numa região vinícola, e remete a uma espécie de uva, mas pode também derivar de Santa Irene, mártir cristã de Portugal.

“Em 1626, Pedro Teixeira, fundador de Belém, frei Cristóvão, 26 soldados e uma grande quantidade de índios, exploravam o rio Amazonas quando encontraram uma aldeia na foz do rio Tapajós, e atracaram ali. Os espanhóis já haviam feito contato com aqueles índios. De lá, Pedro Teixeira subiu o Tapajós, deixando aos jesuítas a incumbência da fundação de uma aldeia naquele lugar, onde o padre Antônio Vieira esteve, em 1659. Em 22 de junho de 1661, o padre João Felipe Bettendorff deu o nome para a localidade de Aldeia dos Tapajós, e construiu a capela de Nossa Senhora da Conceição.

“Em 1697, os portugueses construíram ali uma fortaleza, e em 14 de março de 1758, a Aldeia dos Tapajós foi elevada, pelo governador da Província do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, à categoria de Vila de Santarém, que, em 24 de outubro de 1848, foi elevada à categoria de cidade. Hoje, o Porto de Santarém possui capacidade de receber navios de até 16 metros de calado. Além de aeroporto, a cidade conta ainda com a rodovia Santarém-Cuiabá, a BR-163, de 1.865 quilômetros.

“Mas a grande riqueza da cidade é o Aquífero Alter do Chão. Localizado sob os estados do Pará, Amapá e Amazonas, é o maior do planeta, com 86,4 trilhões de metros cúbicos, ou 86 mil quilômetros cúbicos de água, contra 45 mil quilômetros cúbicos do Aquífero Guarani, no subsolo do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, medindo 1,2 milhão de quilômetros quadrados.

“E tem o rio Hamza” – pensou Bailique. Esse rio subterrâneo foi descoberto pelo pesquisador Valiya Hamza, após análise de 241 poços de petróleo desativados da Petrobrás, perfurados entre 1970 e 1980, fruto do trabalho de doutorado da pesquisadora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, coordenado por Hamza. O trabalho dá conta de que existe uma grande movimentação de água a 4 mil metros sob a superfície de oeste para leste sob a bacia do rio Solimões-Amazonas e a ilha de Marajó, desaguando no oceano Atlântico, sob a foz do rio Amazonas, com vazão de 3.090 metros cúbicos por segundo, 40 vezes menor que a do Amazonas.

“O aquífero ainda é um mistério, mas os pesquisadores afirmam que sua nascente fica no estado do Acre e percorre 6 mil quilômetros até o Atlântico, com a distância entre uma margem e outra de 200 a 400 quilômetros. Foi constatada uma grande movimentação de água a 4 mil metros abaixo da superfície de oeste para leste sob as bacias do rio Solimões/Amazonas e a ilha de Marajó, desaguando nas profundezas do oceano Atlântico, sob a foz do rio Amazonas.

“Para alguns pesquisadores, o Hamza, que começou a ser formado no Cretáceo, há 135 milhões de anos, é um aquífero; mas não para Valiya Hamza. “Não é um aquífero, que é uma reserva de água sem movimentação. Nós percebemos movimentação de água, ainda que lenta, pelos sedimentos. A velocidade de curso do Hamza é menor também, porque o fluxo de água tem que vencer as rochas existentes há 4 mil metros de profundidade. Enquanto o Amazonas corre a 2 metros por segundo, a velocidade do fluxo subterrâneo é de 100 metros por ano. Contudo, ainda vamos determinar a velocidade exata do curso da água” – afirmou ao jornal O Globo.

“Alimentado pela infiltração das águas dos rios da bacia amazônica e das chuvas, suas águas correm por via subterrânea a uma velocidade de 10 a 100 metros por ano. Apesar de ser um rio subterrâneo, sua vazão é maior que a do rio São Francisco, no Sudeste e Nordeste. Enquanto o Hamza tem vazão de 3,1 mil metros cúbicos por segundo, a do rio São Francisco é 2,7 mil metros cúbicos por segundo. Estima-se que o Hamza contenha pelo menos 160 trilhões de metros cúbicos de água, 3,5 vezes maior que o Aquífero Guarani, ou mais de 80% de toda a água da Amazônia. Já a água dos rios amazônicos representa apenas 8% do sistema hidrológico da região, o mesmo percentual das águas atmosféricas da Hileia.”

Para adquirir JAMBU, tanto em edição impressa quanto em ebook, escreva Ray Cunha no campo de busca dos sites: clubedeautores.com.br e amazon.com.br

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Começa hoje era de equilíbrio entre os três poderes. Jogo será legalizado pelo Congresso

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 2 DE FEVEREIRO DE 2021 – O primeiro ato de Arthur Lira (PP/AL), eleito ontem em primeiro turno presidente da Câmara com 302 votos, foi anular decisão de Rodrigo Maia (DEM/RJ), o ex, que tratou, nos estertores do poder que ele gozou durante quatro anos, de alojar na futura mesa diretora o bloco de seu candidato, Baleia Rossi (MDB/SP). 

Rossi já tinha missão determinada em caso de vitória: dar um chute na bunda do presidente Jair Bolsonaro, aceitando um dos pedidos de impeachment fajutos que pipocam na Câmara. Só não se sabe o resultado de um pedido de impeachment aceito, já que Bolsonaro sobreviveu até a uma peixeirada capaz de fazer picadinho dos seus intestinos. 

Lira anulou a votação para os demais cargos da mesa diretora porque o registro foi feito fora do prazo, mas mesmo assim aceito por Maia, que já antecipava uma derrota do seu candidato, uma vez que até o partido de Maia, o DEM, estava apoiando Lira. Sobre Maia, Lira disse que “a história irá julgar” o legado do jacaré. 

Maia chorou na despedida, lágrimas de crocodilo. O ex passou quatro anos sabotando Jair Bolsonaro e gozando as mordomias da presidência da Câmara, que são principescas. Sai isolado, até pelo seu próprio partido, o DEM. ACM Neto, presidente nacional do DEM e que enxerga à distância, já viu que não pode contar com o rechonchudo deputado chileno-carioca. 

Lira afirmou que procurará com urgência o também recém-eleito presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), para articular uma pauta emergencial, já que tanto na Câmara quanto no Senado, com o ex Davi Alcolumbre (DEM/AP), as votações eram travadas, inclusive pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesses dois anos, Alcolumbre deu pistas de que o Supremo lhe infundia pânico.

Ontem, Alcolumbre, com seu jeito de garotão, demonstrava alívio em deixar a presidência da casa e nas mãos do seu candidato, Rodrigo Pacheco, para cuidar, agora, do seu curral no Amapá, onde sua família é uma das mais poderosas. 

Livre da ingerência do Supremo, que tinha apoio de Alcolumbre, e da ameaça de que um dos pedidos fajutos de impeachment na Câmara fosse aceito por Maia e vingasse, o presidente Jair Bolsonaro, que, sem roubar e sem deixar roubar vem pondo o Brasil na cabeceira da pista, pronto para levantar voo, poderá, finalmente, governar, juntamente com o Congresso Nacional, sem ansiedade extra. 

Mas como gato escaldado tem medo de água fria, seu setor de segurança pessoal e inteligência estão atentos para se anteciparem às tentativas de eliminarem-no, que continuarão. Esclareça-se: as tentativas de eliminarem-no são políticas, e partem da sua oposição mais raivosa, pois entre hienas e urubus só o que importa é carne, e com a presa viva, melhor ainda. 

Assim, este será um ano de intensos trabalhos no Congresso, especialmente quanto às reformas tributária e administrativa. 

Outra questão que poderá ser resolvida é a legalização dos jogos no Brasil. Rodrigo Maia engavetou essa pauta durante toda a sua gestão. A diretoria do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) esteve com Arthur Lira e Rodrigo Pacheco e constatou que ambos querem a legalização do jogo. Arthur Lira é filho do ex-senador Benedito de Lira, que foi relator favorável do PLS 186/14, que trata da legalização do jogo, na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania do Senado. 

Com 74 anos na clandestinidade, o Brasil é um dos países onde mais se joga no mundo, movimentando cerca de 5 bilhões de dólares por ano, sem fiscalização e sem pagar nenhum centavo de imposto, nem gerar emprego formal, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome do moralismo. Só o jogo do bicho movimenta 10 bilhões de reais por ano. 

Estudo do IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de faturar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. E geraria mais de 658 mil empregos diretos e 619 mil empregos indiretos. 

O jogo de azar é praticado em muitos países, como, por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Itália, Suíça, Grécia, Portugal, Áustria, Holanda, Mônaco, Uruguai etc. A Região Administrativa Especial de Macau, na China, é hoje o principal centro de jogos do mundo, desbancando Las Vegas, nos Estados Unidos, como capital mundial dos cassinos e faturando, com apenas 35 cassinos, 38 bilhões de dólares por ano. 

Os mais de 100 cassinos de Las Vegas faturam 8 bilhões de dólares por ano e só uma de suas maiores redes conta com 50 mil empregados. 

Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. 

Em 1946, dona Santinha, Carmela Leite Dutra, esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, era beata e exercia forte influência sobre o marido. Para ela, jogo era coisa do capeta. Dutra cedeu e de um momento para o outro arrasou uma das indústrias que mais faziam o país prosperar, jogando no desemprego dezenas de milhares de pais de família. 

Para o presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, professor do curso de pós-graduação em Comunicação Empresarial da Universidade Candido Mendes (Ucam/RJ), editor do BNLData e jornalista especializado em loterias e apostas Magno José Santos de Sousa o Brasil se submete a uma das legislações mais atrasadas do mundo para o setor. “Mas a clandestinidade não anula a prática” – adverte.

É claro que muita gente vê o diabo em toda parte, quando, na verdade, ele está dentro de cada um de nós e só sai quando é convocado.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Adeus, adoradores de Lula, FHC, Che, família Castro, Hugo Chávez Maduro, Foro de São Paulo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 31 DE JANEIRO DE 2021 – Meus amigos partiram. Adoradores de Lula Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Che Guevara, família Castro, Hugo Chávez Maduro, Foro de São Paulo, Karl Marx. Adeus fabianos, bolivarianos. Houve, inclusive, um, que, depois de ler artigo meu referindo-me à prisão de Lula, pôs fim a uma estupenda amizade. Alguns, foram para o mundo espiritual; outros, os da juventude, permanecem fiéis a Karl Marx. E há os que simplesmente perdi nas dobras do tempo.

Mas restou uma grande quantidade de amigos, que encontro na minha estante. Estou certo de que ainda vou topar com alguns deles. Quem sabe Ernest Hemingway, Antoine de Saint-Exupéry, Gabriel García Márquez e Masaharu Taniguchi. E há os amigos novos, como Laércio Fonseca e Jorge Bessa, que estão me levando para conhecer a Via Láctea.

Além da família, da estante e dos amigos que vivem no meu coração, tenho as madrugadas, jasmineiros e rosas, que são eternas, o mar, o azul e o Sudoeste. Às vezes, Mozart toca ao piano o som da Terra girando no espaço. E quando escrevo um poema, o terremoto do primeiro beijo se instala em mim durante vários dias.

O amigo com quem eu conversava durante horas sobre livros e escritores partiu para a Venezuela, onde espera fruir da companhia de Nicolás Maduro. Mas não fiquei sozinho, porque converso com vivos e mortos no meu escritório, nas livrarias, nos cafés.

O século 20 ficou realmente para trás. Com a invenção da web os políticos não conseguem mais se concentrar nas tetas da burra e matar bebês nas maternidades nem crianças nas escolas, em escala industrial, pois a banda boa dos jornalistas é a própria população. É por isso que na China e na Coreia do Norte a web é proibida.

Desde 1 de janeiro de 2019, assassinos, ladrões, assaltantes, estupradores, traficantes, escravocratas, corruptos em geral, estão cada vez mais furiosos, esperneando nos seus palácios, dentro dos seus automóveis de vidraças negras, nas suas amplas casas e apartamentos.

Ficaram para trás honoráveis bandidos, carcomidos pelas larvas da corrupção, os beiços macilentos grudados nas tetas das verbas federais, das mordomias, das diárias, dos cabides de emprego. Os novos tempos vieram para ficar. Em 2018, enjaularam a hiena velha. Em 2019, ano do resgate das nossas esperanças, a boca do abismo se escancarou para engolir as cinzas dos fabianos, lobos em pele de ovelha.

A ciência começa a descobrir que somos seres espirituais, que o corpo é somente uma experiência material necessária para evoluirmos e ascendermos, e que a matéria não existe de fato, pois tudo muda, de um momento para outro. Nascemos, tornamo-nos criaturas magníficas, perdemos energia, ficamos igual maracujá de gaveta e desaparecemos fisicamente.

O passado não existe, nem o futuro. Somos eternos agora, fortes como as rosas de nióbio, intensos como o perfume dos jasmineiros de Macapá, em julho, serenos como o porto seguro que é a mulher amada, como o som do apartamento de madrugada, uma xícara de café Três Corações, gourmet, às 5 horas da manhã, buraco negro explodindo azul quântico.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Regulamentação da profissão de acupunturista só depende agora do Senado. Relator na Comissão de Assuntos Sociais é Eduardo Girão

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2021 – Se as entidades que reúnem os cerca de 100 mil acupunturistas que exercem a profissão no Brasil se mobilizarem pode ser que a regulamentação da categoria saia agora em 2021. A Câmara já aprovou o Projeto de Lei 1549/2003, que trata da regulamentação dos profissionais da acupuntura, de autoria do deputado Celso Russomanno (Republicanos/SP), e, agora, só depende do Senado. 

No Senado, o projeto está com o relator Eduardo Girão, na Comissão de Assuntos Sociais. Girão, do Pode do Ceará, é empresário ligado às áreas de hotelaria, transporte de valores e segurança privada, e espírita. Fundou, em 2004, a Associação Estação da Luz, entidade sem fins lucrativos que atua na área social, responsável por produções audiovisuais do Cinema brasileiro. 

Dentre as suas propostas, destaca-se a de redução do número de deputados federais, de 513 para 300, com o objetivo de aliviar a carga tributária dos contribuintes. Girão pode não conseguir isso, mas trabalhando pela regulamentação dos acupunturistas aliviará muita gente da dor, e muito mais barato do que na medicina alopática. 

O texto aprovado na Câmara é o substitutivo do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Giovani Cherini (PL/RS), ao projeto de lei do deputado Celso Russomanno. A proposta define acupuntura como “o conjunto de técnicas e terapias que consiste na estimulação de pontos específicos do corpo humano mediante o uso de agulhas apropriadas, além de outros procedimentos próprios, com a finalidade de manter ou restabelecer o equilíbrio das funções físicas e mentais do corpo humano”. 

O exercício da profissão poderá ser realizado pelos seguintes agentes: portador de diploma de graduação em nível superior em Acupuntura, expedido por instituição de ensino devidamente reconhecida; portador de diploma de graduação em curso superior similar ou equivalente no exterior, após a devida validação e registro do diploma nos órgãos competentes; profissionais de saúde de nível superior portadores de título de especialista em Acupuntura, reconhecidos pelos respectivos conselhos federais; portador de diploma de curso técnico em Acupuntura, expedido por instituição de ensino reconhecida pelo governo; não diplomados que venham exercendo as atividades de acupuntura comprovada e ininterruptamente há pelo menos cinco anos. 

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ou acupuntura, como é conhecida no Brasil, tem uma história de cerca de 5 mil anos e já é praticada em todo o Primeiro Mundo com resultados extraordinários em prol da saúde coletiva e individual. 

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos e de partes específicas do corpo, utilizando drogas produzidas em laboratório e intervenções cirúrgicas, a acupuntura, que faz parte das terapias da Medicina Vibracional, utiliza as energias Yin e Yang, que, equilibradas, geram o Tao, e considera o ser humano na sua integralidade: corpo, mente e espírito.

Espírito! Talvez, aqui, esteja a diferença básica, e inquestionável, entre as medicinas alopática e tradicional chinesa: enquanto, a rigor, aquela não acredita na existência do espírito, esta convive com ele.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Bancada da legalização do jogo poderá definir presidentes da Câmara e do Senado

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 20 DE JANEIRO DE 2021 – Contratada pelo portal BNLData/Instituto Brasileiro Jogo Legal, a Paraná Pesquisas consultou, em maio do ano passado, 238 parlamentares federais, com a pergunta: “O Sr.(a) é a favor ou contra a legalização de todos os jogos de azar no Brasil, ou seja, a legalização de cassinos, jogo do bicho, casas de bingo, vídeo-jogo e jogo online?” Resultado: 52,1% responderam favoravelmente à legalização dos cassinos, jogo do bicho, bingos, vídeo-jogo e jogo online; 40,8% foram contrários; e 7,1% não responderam. 

O candidato às presidências da Câmara e do Senado que manifestar apoio à legalização do jogo terá o voto desses parlamentares. No Senado, há um projeto de legalização do jogo de azar/cassinos pronto para ser votado em plenário. 

Calcula-se que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online. Estudo do Instituto Brasileiro Jogo Legal – IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos. 

Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. 

Em todos os países civilizados do mundo o jogo é legal. Há um argumento da oposição ao jogo inacreditável. A turma do moralismo acha que a liberação dos jogos de azar pode agravar problemas na saúde, com alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição e piorar a segurança pública, e prejudicaria ações de combate à corrupção, aumentando também lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas. 

Tudo isso está acontecendo é com o jogo na clandestinidade, que alimenta a corrupção, propina e chantagem política, o que torna a legalização do jogo inadiável e irreversível, pois um dos países onde mais se joga hoje no mundo é o Brasil, movimentando cerca de 20 bilhões de reais por ano, clandestinamente, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome de um moralismo que esconde sabe-se lá o que. Pois bem, a próxima legislatura do Senado poderá mudar esse cenário, e rapidamente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Macron quer que os europeus plantem mais soja e menos uva. Obsedado pela Amazônia, estará pensando em ampliar a Guiana Francesa?

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 13 DE JANEIRO DE 2021 – O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a atacar o Brasil. Afirmou que agricultores brasileiros estão desmatando a Amazônia para plantar soja e defendeu que os países da Europa plantem soja para não ter que comprar a oleaginosa brasileira. No Twitter, afirmou: “Continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia. Somos consistentes com as nossas ambições ecológicas, lutamos para produzir soja na Europa!” 

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu logo: a soja produzida no bioma amazônico do Brasil é livre de desmatamento desde 2008, graças à Moratória da Soja, pacto ambiental entre as entidades representativas dos produtores de soja no Brasil, ongs ambientais e o governo, prevendo a adoção de medidas contra o desmatamento na Amazônia, que proíbem a compra de soja proveniente de áreas recém desmatadas na região. Em maio de 2016 a Moratória foi renovada indefinidamente. 

A Moratória, reconhecida internacionalmente, monitora, identifica e bloqueia a aquisição da soja produzida em área desmatada na Amazônia, impedindo a exportação de soja de área desmatada para mercados externos. Para a Abiove, Macron está apenas querendo puxar a brasa para sua sardinha: “A Abiove lamenta que o presidente da França, Emmanuel Macron, busque justificar sua decisão de subsidiar os agricultores franceses atacando a soja brasileira” – disparou. 

Hoje, o vice-presidente Hamilton Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia, um dos generais brasileiros que mais conhecem a Amazônia, rebateu Macron. Explicou que a produção agrícola da Região Amazônica é “ínfima” e que o presidente francês “externou interesses protecionistas dos agricultores franceses”. Com efeito, bem que os amazônidas poderiam plantar mais. Parte dos produtos agrícolas que abastecem os supermercados e verdurões das grandes cidades da Amazônia segue de São Paulo.

Talvez para manter o clima francês da reclamação de Macron, Mourão começou a falar em francês. “Monsieur Macron? Monsieur Macron ne pas bien. Monsieur Macron desconhece a produção de soja no Brasil. Nossa produção de soja é feita no cerrado ou no sul do país. A produção agrícola na Amazônia é ínfima”. 

Mourão voltou a informar que os agricultores brasileiros utilizam menos de 8% do território brasileiro, enquanto a França utiliza mais de 60%. Para Mourão, a França não tem a menor condição de competir com o Brasil na agricultura: “Neste aspecto, na questão da produção agrícola, damos de 10 a zero neles, franceses”. 

Com efeito, francês entende muito de uva, mas agora até o Nordeste está produzindo uva em escala e vinho, inclusive champanhe. O Sul já tem expertise. 

Ainda Mourão: “Nada mais, nada menos, Macron externou interesses protecionistas dos agricultores franceses; faz parte do jogo político”. Para o vice-presidente, Macron não deverá influenciar outros líderes mundiais: “Acho que foi discurso interno”. 

O fato é que Macron não quer que a União Europeia faça acordo com o Mercosul, e aí martela a tecla do desmatamento. Mas não sei como a Europa, que não tem mais o que desmatar, vai produzir soja. Só no ano passado a França comprou do Brasil 27,1 milhões de dólares de soja 544 milhões de dólares de farelo, total de 1,983 bilhão de dólares. Fora a soja brasileira que a França pega em portos da Espanha e dos Países Baixos. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, cerca de 20% das exportações para a União Europeia são de soja e farelo do Brasil. 

Mas por que será que Macron não planta soja na Guiana Francesa, a última colônia europeia na Amazônia? 

Após o histórico discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 24 de setembro de 2019, esclarecendo que a Amazônia não está à venda e que o Brasil não é a casa da mãe Joana, Macron, com aquele seu jeitinho de garoto perdido da mãe, citou a Amazônia como cavalo de uma “batalha essencial para reduzir a emissão de carbono”, ignorando solenemente que os europeus arrasaram suas florestas e que mais da metade do território francês é usado para a agricultura, enquanto que o Brasil só utiliza para isso menos de 8% do seu território e que a maior parte da Hileia está conservada. 

Macron se especializou em acusar os brasileiros de tocar fogo na floresta, insinuando que deveria haver uma intervenção dos países hegemônicos na região. 

Bolsonaro afirmou que “é uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a Amazônia, a nossa floresta, é o pulmão do mundo; valendo-se dessas falácias um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa e com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa soberania”. 

Macron, que dispõe da bomba atômica e de colônia na Amazônia, a Guiana Francesa, esperneia. 

Sente-se, nas entrelinhas do que diz Macron, para a mídia que come nas mãos dos comunistas, a arrogância do colonizador. A França é um dos países que mais sofrimento infringiu, e continua infringindo, nas suas colônias, especialmente na África. Na América do Sul, sua colônia é cinicamente chamada de departamento ultramarino, mas é refém das políticas da União Europeia em um continente estranho à Europa. 

A verdade é que a Guiana Francesa é governada pela França em regime colonialista linha-dura, obrigada a exportar 70% de seus recursos naturais – especialmente minérios – para a França e importar 90% de todos os bens de consumo da metrópole, segundo o secretário de relações internacionais da União dos Trabalhadores da Guiana Francesa, Jean-Michel Aupoint, que luta pela independência da Guiana Francesa. Rafael Pindard, do Movimento de Descolonização e Emancipação Social da Guiana Francesa, afirma que os guianenses não têm o direito de utilizar os recursos naturais e a terra sem pedir autorização ao governo francês. 

A França mantém várias colônias mundo afora, mas a Guiana Francesa é estratégica, por três motivos: é lá que a França mantém uma das maiores bases de lançamento de foguetes da União Europeia; a França mantém na região um aparato militar capaz de rápida e eficiente intervenção na Amazônia; e tem acesso a recursos naturais inimagináveis, muito dos quais ainda intocados. O que os guianenses recebem em troca disso é quase nada. 

A França governa a Guiana Francesa com mão de ferro, com total controle político e militar. Não interessa à França munir a colônia com infraestrutura, nem desenvolvimento; interessa manter sua população em casa, com bastante enlatados para comer e euro para comprar cachaça. Esqueçam saúde e educação. Segundo Aupoint, o interior da colônia está abandonado. 

Mas ninguém é besta de sair falando por aí sobre a situação dos guianenses. A repressão francesa é famosa. Basta um rápido olhar sobre a Argélia, por exemplo. Assim, o estado francês desestimula qualquer movimento de independência da última colônia europeia na América do Sul. 

A Guiana Francesa é colônia, ou casa da mãe Joana da França, há mais de 400 anos. Ocupada originalmente por índios aruaques, a região já foi explorada por ingleses, holandeses, espanhóis e portugueses, até ser reivindicada para a França por Daniel de La Touche, o mesmo que fundou São Luís do Maranhão. De 1852 até 1938, foi um dos presídios mais degradantes do mundo; os franceses enviaram para lá, para morrer, cerca de 80 mil presos. 

Durante muito tempo, a França ambicionou o atual estado do Amapá, chegando, inclusive, a invadir o território, então pertencente ao atual estado do Pará. 

A maior parte da população é descendente de escravos e indígenas. A taxa de desemprego é de 22% e a expectativa de vida é de 58 anos. Cerca de 40% das crianças vivem abaixo da linha de pobreza. A violência também é explosiva. Uma rápida pesquisa em sites de instituições internacionais confirmam esses dados. 

A ONU é cheia de falácias: “Todos os povos têm o direito inalienável à liberdade absoluta, ao exercício de sua soberania e à integridade de seu território nacional. Proclama-se solenemente a necessidade de pôr fim rápido e incondicional ao colonialismo em todas as suas formas e manifestações” – diz trecho da Carta de Concessão à Independência aos Países e Povos Coloniais da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1960.

Hoje, mais de 61 países ainda são colônias: 16 da França, 15 da Grã-Bretanha, 14 dos Estados Unidos, seis da Austrália, três da Nova Zelândia, três da Noruega, dois da Dinamarca e dois da Holanda. A China, por exemplo, tem outras tantas colônias. Mas é mais negócio para muitas dessas colônias continuarem comendo nas mãos dos colonizadores porque suas economias não têm potencial para prosperar. Será esse o caso da Guiana Francesa?