segunda-feira, 29 de março de 2021

Macapá e Cachoeiro de Itapemirim festejam o gênio do pincel Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia. Roberto Carlos pontifica na parada

Tuiuiú Crucificado: salvem a baía da Guanabara da ameaça de virar esgoto

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 29 DE MARÇO DE 2021 – Em uma manhã de 31 de março de 1952, dia do nascimento de Olivar Cunha, seu pai, João Raimundo Cunha, plantou uma seringueira (Hevea brasiliensis) no quintal da casa onde a família morava, uma casa amarela, remanescente do antigo aeroporto da cidade, ao lado do Colégio Amapaense, na esquina das ruas Iracema Carvão Nunes e Eliezer Levy, na então pequena cidade ribeirinha de Macapá.

É fácil ver Macapá no mapa. A antiga aldeia dos índios tucujus fica na esquina da Linha Imaginária do Equador com o maior rio do mundo, o Amazonas. A cidade se debruça na margem esquerda do colosso, a cerca de 250 quilômetros do Atlântico, no setentrião brasileiro, a Amazônia Caribenha.

Anos depois, foi construído um muro delimitando o terreno do Colégio Amapaense, correndo exatamente pelo local onde a seringueira crescia, a oeste, na Rua Eliezer Levy. Então fizeram um gracioso desvio no muro para conservar a árvore ali. Mas, em 1983, ela apresentava uma grande lesão no tronco. Debilitada, foi atacada por fungos e insetos. Mas escapou de ser decepada graças à intervenção do engenheiro florestal Luiz Guilherme Dias Façanha, nascido em 18 de julho de 1952, e amigo de infância de Olivar Cunha.

Luiz Façanha trabalhava como especialista em seringueira na extinta Superintendência da Borracha (Sudhevea), um dos órgãos federais absorvidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo ele, estudantes fizeram forte pressão junto à Prefeitura de Macapá e ao Governo do Estado do Amapá para que autorizassem abater a árvore, alegando risco de vida para quem por ali transitava.

Foi então que o repórter da Rede Globo, Antônio de Pádua, solicitou a Luiz Façanha que fizesse uma gravação no local, para dar sua opinião sobre o caso. Após minuciosa inspeção, Façanha verificou que a árvore estava se recuperando do ferimento, embora muito lentamente, e em razão disso posicionou-se contrário ao abate. “É claro que pesou na minha decisão todo o histórico da nossa infância brincando em volta daquela árvore: Olivar, João, Chico e eu.” O fato é que a Rede Globo e Luiz Façanha salvaram a seringueira.

Trata-se da mesma que aparece na capa da edição da amazon.com.br do meu romance A Casa Amarela, uma recriação da casa onde Olivar Cunha nasceu. Aos 15 anos, em 1967, o pintor expôs pela primeira vez, em Macapá. Uma madrugada, um marchand francês acordou todo mundo na Casa Amarela porque teria que viajar para a França naquela manhã e queria porque queria levar alguns quadros do Olivar Cunha, e levou o que estava disponível.

Nas décadas de 1970/1980, o artista mudou-se para Belém do Pará, quando produziu algumas dezenas de telas que o colocam como um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos: seus mendigos do Guamá, subúrbio da Cidade das Mangueiras, são tão chocantes quanto a colonização do Inferno Verde, que explode na ignorância e na fome, como pedrada na cara.

Depois de morar no Rio de Janeiro, onde estudou no Parque Lage e foi aluno de Charles Watson, nos anos 1990, consolidou sua posição como um dos grandes expressionistas contemporâneos com a série de animais agonizando no esgoto das grandes cidades, como na impressionante tela Tuiuiú Crucificado, uma ave da Amazônia e do Pantanal crucificada sobre o esgoto em que teima se transformar a baía da Guanabara.

Tuiuiú Crucificado é, talvez, o berro mais fovista, o grito mais expressionista de Olivar Cunha. Ele a pintou em três meses, em 1992, em Jacaraípe/ES. Trata-se de uma acrílica sobre tela, em espátula e pincel, de 120 cm por 100 cm. Pertence à fase que o pintor chama de Habitat Transform, desenvolvida no Rio de Janeiro/RJ e em Jacaraípe/ES, após pesquisa sobre a devastação da flora e da fauna do Pará, do Amapá e do Pantanal.

A Amazônia é recriada na espátula do pintor à base de espilantol, o princípio ativo do jambu, indicador de que o gênio pinta, na verdade, a alma das suas criaturas, sejam elas pessoas ou paisagens. Assim, as telas de Olivar Cunha gritam como o coração das trevas, mas também pulsam no rio da tarde, prenhes do perfume dos jasmineiros noturnos.

O artista dá à luz à Amazônia eternamente viva, à Hileia que só os cabocos entendem – os apreciadores de merengue, de tacacá, de mapará assado na brasa servido com pirão de açaí, os que se emocionam com o trotar da mulher amazônida no calor equatorial, o mergulho no rio que deságua na tarde, os segredos que se encerram em Macapá, Belém, Mosqueiro, Salinas, Caiena...

As passarelas nos subúrbios das cidades amazônicas, as naturezas mortas, detalhes da Fortaleza de São José de Macapá, as Lavadeiras do Sol, o rio, pulsam na paleta, nas telas, nas ruas, no trópico de Olivar Cunha.

Hoje, o artista vive no paradisíaco balneário de Jacaraípe, distrito atlântico no município de Serra, na grande Vitória, onde se consolida também como restaurador, recuperando obras sacras de igrejas da região, pois, no Rio, ainda, Olivar Cunha fez curso de restauração no Museu Nacional de Belas Artes.

Cidadão de Cachoeiro de Itapemirim/ES, Olivar Cunha mantém um ateliê em Conduru, distrito de Cachoeiro. Entre as imagens de santo que vem restaurando, recuperou o acervo de Santa Rita de Cássia, cultuada em Cachoeiro. Assim, a Casa de Cultura Roberto Carlos, em Cachoeiro, terá uma surpresa em 22 de maio, quando a cidade se engalana para homenagear a santa.

quinta-feira, 25 de março de 2021

O perfume da virgem ruiva que o escritor deflora a cada madrugada é o seu ringue e a sua lucidez

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DE 2021 – É recorrente jornalistas perguntarem a escritores por que escrevem. As respostas são infinitas. Algumas, tão elaboradas que se tornam incompreensíveis, objeto de análise psicológica. Contudo, o modo como os escritores se comportam no processo de trabalho é previsível. Costumam se levantar em torno das 5 horas e a dedicar boa parte da manhã trabalhando, geralmente sem que ninguém os paguem por isso. 

Alguns chegam a levantar-se em um horário em que quase todos os demais jamais cogitaram em deixar a cama: às 3 horas. E em boa parte do dia, ou da noite, recarregam as baterias da criação praticando esporte, bebendo, ou, simplesmente, vagabundando. Outros, trabalham para pôr comida na mesa. 

Os escritores iniciantes, ou pobres, ou que ainda não conseguiram ganhar nada com sua produção literária, fazem qualquer trabalho para pôr comida na mesa da família e manter a rotina de levantar de madrugada para escrever. São como viciados que mergulham em um vício apenas tolerado pela família. 

É claro, há os casos dos escritores que se tornam grandes vendedores de livros, vendem milhões, ficam ricos e com eles a família, que, assim, passa a estimular o escritor, a quem antes desestimulavam, a se profissionalizar. 

Já dá para notar uma coisa: escritores são incansáveis. Há aqueles que trabalham como jornalistas, passam o dia escrevendo matérias ou copidescando nas redações dos jornais, e ainda encontram substância, à noite, para a criação. Outros, além de escrever e fugir dos cobradores, são ainda matadores compulsivos de mulheres. 

Matadores no bom sentido. Diz-se que Honoré de Balzac tanto escrevia compulsivamente quanto fornicava. Não podia passar sem escrever e fornicar. Escrevia como um condenado e recarregava a bateria da criação fornicando.   

Mas os escritores, estou certo disso, pouco estão querendo saber se contarão ou não com comida no almoço e mulher no jantar. Precisam escrever! E não escrevem com o estômago, embora um naco de carne quente seja sempre bem-vindo. William Faulkner disse que o escritor é aquele sujeito que não tem medo de saber o quanto aguenta sem comer. 

O escritor é aquele que, entre o conforto e o sacerdócio da escrita, renuncia ao luxo e se entrega à criação como o padre se entrega à missa. O escritor é um escravo voluntário. Um viciado que não faz mal a ninguém. Apenas incomoda a quem possa entrevê-lo na sua solidão. O escritor é feio ou belo, doente ou tímido. Isso nada significa para ele. 

O verdadeiro escritor, quando é pobre e tem que sustentar a família realizando qualquer trabalho, o faz sem perda de tempo, e não deixa escapar também qualquer oportunidade de escrever, mesmo que seja no intervalo entre uma pedreira e outra. Não perde tempo com coisa alguma. Apenas o que escreve é realmente importante, porque extrai luz da criação. 

Se o que escreve não tem luz, ou se o escritor é mais importante do que o que escreve, então se trata de um impostor. O falso escritor nunca tem tempo para escrever. Tem tempo para tudo, menos para escrever. O falso escritor não gosta de escrever, detesta escrever, não quer enfrentar o papel em branco, não sabe escrever. Intitula-se escritor, ou se obriga a escrever algum chavão aqui, outro ali, porque o status de escritor lhe deu alguma vantagem, ou lhe proporciona prazer. 

Os falsos escritores lutam para ser tratados como verdadeiros escritores, se locupletando com elogios que fariam corar o verdadeiro escritor. 

E por que se escreve, então? Por que gastar o tempo com algo que geralmente não proporciona nem feijão com arroz, durante anos, ou décadas, ou a vida inteira? Os escritores sentem uma vontade insuportável de criar, de inventar histórias, de costurar personagens e lhes conceder vida. 

Faulkner achava que o escritor classe A era conduzido por demônios. Hemingway pelejava laboriosamente sobre o papel em branco. É que mesmo conduzidos pelo diabo, ou pela angústia, seguiam um odor. Este odor, creio, é o perfume das virgens ruivas.

Os escritores, no ato da criação, seguem o odor do cio, irresistível como o perfume das virgens ruivas. Criar é como a queda no abismo do gozo, uma queda longa, interminável, sempre interrompida e reiniciada a cada poema, conto, romance, crônica, ensaio, verso, frase. Assim, o ato de criar é o perfume da virgem ruiva que ele deflora a cada madrugada. É o seu ringue e a sua luz.

A Medicina Tradicional Chinesa mostra que uma das causas da fibromialgia é beber pouca água

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 25 DE MARÇO DO 2021 – Como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, atendo, em média, cinco pacientes por semana, entre idosos e jovens, homens e mulheres. A queixa mais comum é dor, às vezes no corpo todo, o que é chamado de fibromialgia. Quando o paciente está sentindo muita dor, trato logo de tirá-la, ou com acupuntura sistêmica ou com eletro-acupuntura. 

Fora isso, sempre começo com anamnese, aquela conversa coloquial e íntima que temos com o paciente, voltada para perscrutar sua alma, e sentir com ele as dores que o acometem. As doenças, e mesmo os acidentes e acontecimentos nefastos, começam com emoções ruins, e as emoções ocorrem no corpo astral, ou perispírito, geralmente causadas por encostos, ou influência de espíritos sintonizados. 

Do corpo astral, as vibrações ruins, ou larvas astrais, minam o corpo etéreo, ou duplo sutil do corpo físico. É aí que entra a pulsologia, quando, por meio dos pulsos do paciente, auscultamos todos os seus órgãos, e também sua alma. A língua complementa esse exame, pois revela, de forma clara, como vai o sistema fisiológico do paciente. 

Também o olhar do paciente, sua voz, a expressão do seu rosto, até seu andar, tudo isso revela, aos gritos, a dor que lhe vai na alma, e, por reflexo, no corpo físico. Então, nós dois enfrentamos a dor. 

Muitas vezes, é uma dor que se consolida simplesmente porque o paciente não bebe água suficiente. Pelo menos 70% do nosso corpo são água. Uma pessoa adulta deve beber pelo menos dois litros de água por dia, pois o equivalente a isso é perdido todos os dias. Assim, a mesma quantidade deve ser reposta para evitar a desidratação. 

Se não for assim, o corpo irá travando, enrijecendo, surgirão dores dos pés à cabeça, a pele ficará feia, surgirá a insônia, pedras nos rins e na bexiga, o mal humor se revelará, a raiva emergirá, as fezes serão caprinas, a vida perderá a graça e tudo imergirá naquele vale de sombras, de anoitecer, mesmo que a vida esteja pulsando ao redor. E quando não se bebe nenhuma água, o indivíduo morre em no máximo quatro dias. 

Bilhões de pessoas, em todo o mundo, levantam-se a cada manhã preocupadas em como conseguir água. Povos lutam entre si pela água. Não é o caso do Brasil. Aqui, temos cerca de um quinto da água doce de superfície do planeta, e há até quem varra o quintal com água tratada, o que daria cadeia na Europa. 

Aqui, temos água à vontade, essa substância química inodora, insípida e transparente, formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, e que pode se apresentar em estado líquido, constituindo três quartos da superfície do planeta, e em forma de gelo, nas calotas polares, e de vapor na atmosfera terrestre. 

A água é fundamental para todos os seres vivos devido à sua capacidade de mediar reações bioquímicas tanto no interior quanto entre as células. A fotossíntese depende das moléculas de água para sua ocorrência; por meio da hidrólise, as moléculas são quebradas por ação da luz solar e se recombinam com o gás carbônico para formar a glicose, rica em energia, necessária à sobrevivência da planta. Eis a base da cadeia alimentar. Animais herbívoros comem vegetais e são comidos pelos predadores, com o homem no topo.

O corpo carnal é energia densa, e a água é o melhor lubrificante para essa energia se mover e se equilibrar, e dar continuidade à vida cármica.

quarta-feira, 24 de março de 2021

São os sudestinos (sic) e sulistas melhores do que os nortistas? Caso Celso Sabino

Deputado Celso Sabino (sem partido/PA), ex tucano aliado de Bolsonaro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 24 DE MARÇO DE 2021 – Entrevista que o deputado Celso Sabino (sem partido/PA) deu ao programa Linha de Tiro, do portal Ver-O-Fato, quinta-feira 18, trouxe à tona uma das práticas mais escrotas, estúpidas e cínicas da maioria da Humanidade, só que no Congresso Nacional: a discriminação étnica. Quanto à raça, esclareça-se, só há uma: a humana. 

Celso Sabino explicava no programa por que a direção nacional do PSDB lhe cerceou a liderança da maioria na Câmara e o expulsou da agremiação quando se referiu a uma realidade nacional: a divisão do país entre Sul, de Brasília para baixo, e Norte, de Brasília para cima. As bancadas das regiões Sudeste e Sul, principalmente a de São Paulo, não toleram que um nortista se destaque no Congresso Nacional. Para o Sul, os nortistas são paraíbas. Os do Centro-Oeste aceitam melhor os nortistas. Mas como começou essa idiotice?

Começa em 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral chega a Porto Seguro, na Bahia. Nas décadas seguintes, a Coroa Portuguesa tratou de garantir a posse das terras no Novo Mundo, distribuindo capitanias hereditárias a membros da nobreza. Mas somente as capitanias de Pernambuco e de São Vicente (São Paulo) prosperaram. Em 1549, Portugal cria o Estado do Brasil, com um governo-geral sediado em Salvador, e, a partir de 1763, no Rio de Janeiro. 

Mas, em 1621, durante o domínio espanhol, Filipe II de Portugal (Filipe III da Espanha) dividiu a colônia portuguesa em duas: o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco até a atual Santa Catarina; e o Estado do Maranhão, do atual Ceará até a Amazônia, com a capital em São Luís, e, a partir de 1737, em Belém, quando o Estado do Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Naquela época, era mais fácil navegar de Belém para Lisboa, vice-versa, do que de Belém para Salvador, ou Rio de Janeiro, vice-versa, devido aos ventos. 

Em 1823, Dom Pedro I anexa o Grão-Pará e Maranhão ao Império do Brasil. Ou seja, a Amazônia Clássica passa a ser colônia do Brasil, o que dura até hoje. Trocando em miúdos: o Estado do Grão-Pará reportava-se diretamente à Lisboa. Quando o Estado do Brasil proclamou a independência, Dom Pedro I anexou a Amazônia ao Império do Brasil, e pôs no limbo a elite paraense, que se reportava diretamente à Lisboa. 

Abandonada, já que agora não contava mais com Portugal, a população paraense começou a passar necessidade. Então revoltou-se contra o Brasil, numa tentativa de se unir novamente a Portugal, e, em 1835, explode uma revolução em Belém, a Cabanagem, estendendo-se, até 1840, para toda a Amazônia. A resposta do Império do Brasil foi de uma ferocidade que até hoje causa ressentimento. 

Influenciada pela Revolução Francesa, a Cabanagem eclodiu devido à pobreza, fome e doenças na Amazônia, principalmente entre índios e mestiços que viviam em cabanas à beira dos rios, verdadeiros escravos da elite branca. Liderados por integrantes da classe média alijada pelo Rio de Janeiro desde a Independência, tomaram o poder em 6 de janeiro de 1835. 

Mas, sem planejamento, os cabanos permaneceram no poder apenas dez meses, quando Belém foi bombardeada sem dó nem piedade; segundo os historiadores, as tropas do Império do Brasil reduziram a população belenense, de 100 mil habitantes, quase pela metade. 

Mais recentemente, no século XX, começou uma grande migração de nordestinos para o Rio de Janeiro e São Paulo. Para cariocas e paulistanos tudo o que se mexe de Brasília para cima é do Norte, e é assim que, na cabeça deles, não há nenhuma diferença entre as culturas da Amazônia e do Nordeste. Para eles, todo mundo é da Paraíba, um dos estados do Nordeste com grande leva de retirantes. 

O retirante foge da miséria e da ignorância; assim, para sudestinos (sic) e sulistas todo nortista é miserável e ignorante. Já vi mineiro chamar um colega jornalista paraibano de papa-calangro. No Rio, é comum vermos cariocas tratar porteiros por paraíba. Mas, na Câmara? 

Pois é, Celso Sabino, que está em primeiro mandato, comentou que ao chegar à casa foi chamado de paraíba, e quando chegaria à liderança da maioria os bicudos enlouqueceram, atiçados por João Doria, governador de São Paulo, e o chileno-carioca Rodrigo Maia, do Democratas (RJ), mas chegado a uma pluma. 

Tanto a Região Nordeste quanto a Amazônia, ou Região Norte, conta com grandes escritores, artistas, intelectuais, folclore rico, culinária impagável, grandes cidades e políticos com potencial para se tornarem líderes. O Pará é uma síntese da Amazônia, em potencial biológico, mineral e de inteligências, mas também o é como sub continente colonizado, que se agacha ante o colono e as multinacionais, que levam tudo. 

De modo que quando os paraenses elegem um Celso Sabino da vida, estão apostando em melhores dias. Mesmo em primeiro mandato em Brasília, Sabino foi um dos responsáveis pela eleição de Arthur Lira (PP/AL) à presidência da Câmara. Foi isso que deixou João Doria rasgando as calças, pois a bancada de Dória queria eleger Baleia Rossi (MDB/SP), que estava preparado para aceitar qualquer um desses pedidos imbecis de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. 

Resultado: Sabino foi indicado por 11 partidos para ser líder da maioria na Câmara, mas, por meio de nota, o PSDB se manifestou contra, alegando que o cargo é relacionado ao governo federal: “Todos os membros que votaram pelo encaminhamento ao Conselho de Ética alegaram que o PSDB não faz parte do governo Bolsonaro e que não é pertinente, portanto, que um de seus membros assuma a liderança do bloco de maioria governista”. 

Para o ex-presidente do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), que não quer ver Doria nem de terno inglês, o partido promove uma “caça às bruxas”. Disse ele: “Defendo que o PSDB se mantenha independente em relação ao governo, votando a agenda econômica onde temos identidade e sem participar de indicações de cargos no governo. Ao mesmo tempo sou contrário à caça às bruxas dentro do partido”. 

Dá para notar que a verdadeira guerra ocorre entre Aécio Neves e o governador João Doria, que sonha em se tornar governador não só dos paulistas, mas também dos brasileiros. Assim, Doria articula a expulsão também de Aécio. Como Sabino é peixe miúdo, até agora só sobrou para ele, pois para Doria pegar um tubarão como Aécio terá que comer muito macarrão. 

Nem Celso Sabino, nem o Pará, estão ligando muito para a suruba no ninho tucano nacional, porque, no ano da reforma tributária, o Brasil, e também o Grão-Pará, precisam de tributaristas como Celso Sabino. Visionário e homem de ação, jovem, com todo o gás, preparo intelectual e vontade, Celso Sabino é um dos jovens políticos capazes de tornar não só o Pará um dos mais prósperos estados do país, mas também contribuir muito para com toda a Amazônia e com o próprio país, pois é especialista em direito tributário, principalmente no que diz respeito à exploração de jazidas de minérios, além da questão de transportes no Trópico Úmido. 

Celso Sabino é graduado em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama) e em Direito pelo Centro Universitário do Pará (Cesupa), aprovado no exame da Ordem dos Advogados (OAB); pós-graduado em Controladoria, Auditoria e Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão Pública Tributária pela Escola de Administração Fazendária (Esaf); e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (Umsa). Aos 22 anos, foi aprovado no concurso para Auditor Fiscal na Secretaria da Fazenda do Pará (Sefa).

Em 2010, elegeu-se suplente de deputado estadual, assumindo como deputado em 2011. Em 2012, ocupou o cargo de Secretário Estadual na Secretaria de Trabalho Emprego e Renda do Pará (Seter), quando participou da criação da Feira do Artesanato Mundial (FAM) e da implantação do projeto Seter nos Bairros. Em 2013, reelegeu-se Deputado Estadual, exercendo mandato entre 2014 e 2018. No mesmo período, assumiu a presidência do Instituto de Metrologia do Pará (ImetroPará). Em 2018, é eleito deputado federal.

Quanto a João Doria, dispõe de uma bancada inteira de arianos sudestinos (sic) emplumados.

domingo, 21 de março de 2021

Os comunistas mordem no outono

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MARÇO DE 2021 – O outono está lá fora. As noites são frias e os dias nublados, e não há estudantes nas ruas; sumiram, quando a morte veio da China. Além do vírus fatal há sombras rondando os lares; miasma do comunismo.

Ando pelo apartamento, aliso a lombada dos livros na estante, olho pela janela e vejo na pracinha defronte ao meu bloco alguém de máscara e conduzindo dois cachorros, daqueles que parecem tapurus, e logo desaparecem. A manhã volta ao silêncio e à solidão. O mundo deixou de ser colorido e ruidoso. 

Os viciados em bacanais na teta da burra fazem tudo para manietar o presidente e o comerem vivo. As hienas e os urubus rasgam o ventre da democracia e puxam as vísceras, enquanto a presa estrebucha. 

A democracia é como um animal herbívoro, que, em vez de dentes afiados e garras, contam com cascos. As hienas e os urubus estão sempre com fome; as bactérias que vivem neles devoram rapidamente tudo o que lhes cai no papo; mordem os herbívoros com fúria, rasgando-os do ânus ao umbigo, engolindo instantaneamente seus intestinos. 

As hienas e os urubus são comunistas. Quando o bando come não fica sequer ossos. Aos líderes das hienas e dos urubus cabe ficar com os trilhões de reais roubados; aos demais é atirado pão com mortadela. 

A quarentena já se estende por mais de um ano, e durará muito, ainda. Com o povo preso em casa fica ainda mais fácil assaltar a verba da Saúde. Assim, ao dar o bote, os jacarés e as sucuris não erram a bocada, como em Cuba, onde prostituíram tudo, e na Venezuela, onde se mata na rua, de dia, à vontade. 

De modo que vírus e o comunismo vão prosperando, até, como na União Soviética, explodirem Deus, e, na China, a indústria de órgãos dos prisioneiros crescer pelo menos 10% ao ano. Há tanto horror nisso tudo que me pergunto por quanto tempo as hienas e os urubus terão que vagar no umbral e reencarnar.

Não sabem que há luz nas rosas nem perfume nos jasmineiros, e que o riso das crianças levam diretamente a Deus. Isso, os comunistas não podem tirar de mim, por mais que me mordam durante todo o outono.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Confraria Cabanagem investiga potencial assassinato de candidato ao governo do Pará

Um dos maiores portais jornalísticos do Pará, o VER-O-FATO, passa, a partir desta sexta-feira 19 de março, a publicar o thriller policial A CONFRARIA CABANAGEM, de Ray Cunha, em 14 capítulos, todas as sextas-feiras. A capital do estado do Pará, Belém, está imersa em corrupção, e para a misteriosa Confraria Cabanagem só o senador Fonteles, candidato ao governo, é capaz de acabar com a sangria, mas descobre um complô para assassiná-lo em um crime perfeito.

Assim, contrata o único homem capaz de impedir que eliminem o senador Fonteles: o detetive Apolo Brito, ex-delegado da Polícia Civil do Pará, e que atualmente mora em Brasília.

Nada a ver com o Pará real. Trata-se de um trabalho de ficção, no qual personalidades de carne e osso, como o jornalista Lúcio Flávio Pinto, transitam com personagens de ficção. "Fique com esta obra muito bem escrita e de alta sensibilidade ficcional" – diz Carlos Mendes, editor do VER-O-FATO.

O caminho do meio

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE MARÇO DE 2021 – A palavra Buda é do sânscrito desperto. São os que despertaram para a compreensão de que todos os fenômenos, ou a vida material, são impermanentes. O Buda mais conhecido no Ocidente é Siddhartha (aquele que atinge seus objetivos) Gautama (condutor de gado), também conhecido como Sakyamuni, sábio do clã dos Shakyas, fundador do budismo, e que viveu por volta de 563 a.C. a 483 a.C. Sidarta nasceu príncipe no reino de Kapilavastu, em Lumbinī, território atualmente dividido entre Nepal e Índia; era filho do rei Suddhodana Gautama, líder do clã Shakya, e da rainha Maha Maya. 

Sidarta foi educado pela irmã mais nova de sua mãe, Maha Pajapati, que, a mando do rei, o fez acreditar que todo mundo vivia no mesmo fausto do palácio. Aos 16 anos de idade, seu pai o casou com uma prima da mesma idade, Yashodhara, que deu à luz um filho, Rahula. Ao todo, Sidarta viveu 29 anos como príncipe dentro das muralhas de Kapilavastu, em contato com o bom e melhor da vida. 

Apesar do esforço do seu pai para que nunca visse doentes, moribundos, nem sofrimento algum, um dia Sidarta viu um homem velho e pobre. Quando um cocheiro do reino, Chandaka, amigo de Sidarta, explicou a ele que era natural envelhecer, o príncipe arranjou um jeito de sair das muralhas para ver o mundo fora delas. Não deu outra, viu um homem doente, um corpo em decomposição e um asceta. Isso o deprimiu. Como superar a doença, a velhice e a morte? Por meio do ascetismo? 

Ajudado por Chandaka, Gautama pegou seu cavalo, Kanthaka, e abandonou o palácio. Levaria a vida de mendicante, atrás das respostas que o afligiam. Seguiu para Rajagaha, onde sobreviveu pedindo esmola. 

Foi longa a peregrinação de Sidarta, até encontrar um grupo de cinco yogues, liderados por Kaundinya, que tentavam encontrar a iluminação por meio da privação de bens materiais, incluindo a alimentação, e praticando a auto mortificação. Um dia, ao banhar-se na beira do rio Neranjana, morto de fome, Gautama desmaiou e quase se afogou. Nesse momento, se lembrou da infância, observando seu pai a arar o campo; concentrado nesse pensamento feliz, entrou em um estado meditativo que até então não conseguira atingir. 

Gautama percebeu que tanto o luxo em que vivera quanto o ascetismo extremo em que estava vivendo é que levavam à morte; precisava seguir o caminho do meio, o caminho da moderação, igualmente afastado dos extremos, da autoindulgência e auto mortificação. Diz a lenda que sentou-se, ali perto do rio Neranjana, sob uma Ficus religiosa, figueira, e jurou não se levantar dali enquanto não houvesse encontrado a verdade. Após 49 dias de meditação, alcançou a iluminação, ou seja, a paz espiritual. 

Tinha 35 anos de idade. Desde então, Gautama ficou conhecido por seus seguidores como o Buda, ou Shakyamuni Buda, o Iluminado da tribo dos Shakya, até morrer, aos 80 anos de idade, na cidade de Kushinagar, atual estado de Uttar Pradesh, Índia. 

A iluminação de Sidarta consiste em que ele compreendeu quais são as causas do sofrimento e como eliminá-lo, as Quatro Nobres Verdades, a essência do budismo. Compreendido isso surge um estado de paz interior, liberdade da ignorância, inveja, orgulho, ódio e outros sentimentos que levam à angústia. 

A Primeira Nobre Verdade é a causa do sofrimento, ou sentimentos ruins, como tristeza, insatisfação, aflição, desilusão, desespero, tédio. A causa de tudo isso é o apego material, pois, como a matéria é impermanente, apegar-se a ela será sempre insatisfatório. A Segunda Nobre Verdade é a constatação da Primeira Nobre Verdade. A Terceira Nobre Verdade revela que há um caminho que leva ao fim da Primeira Nobre Verdade, e a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho, fazendo cessar todo o sofrimento. 

Trocando em miúdos, a Primeira Nobre Verdade é a constatação do sofrimento: nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero, a união com aquilo que não causa prazer, a separação daquilo que é prazeroso, não obter o que se deseja, o apego, a matéria, tudo isso é sofrimento. 

Sofremos porque não temos algo, porque conseguimos algo e quando o conseguimos temos medo de perdê-lo, porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim, porque temos algo de que queremos nos livrar e não conseguimos, porque a matéria, as ideias, os conceitos, os pensamentos, são impermanentes. 

A Segunda Nobre Verdade é o conhecimento da origem do sofrimento, que é a busca pelos prazeres sensoriais. A Terceira Nobre Verdade mostra o caminho que prescinde desses prazeres, fazendo-os cessarem, desapareceram. E a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho. Logo, a Nobre Verdade é o caminho que conduz à cessação do sofrimento, o Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

É essa a grande disciplina. A melhor vacina contra qualquer virose, pois o medo da morte, as trevas, desaparecem, dando lugar à luz do amor, que é a energia, a sintonia fina da vida.