domingo, 21 de março de 2021

Os comunistas mordem no outono

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 21 DE MARÇO DE 2021 – O outono está lá fora. As noites são frias e os dias nublados, e não há estudantes nas ruas; sumiram, quando a morte veio da China. Além do vírus fatal há sombras rondando os lares; miasma do comunismo.

Ando pelo apartamento, aliso a lombada dos livros na estante, olho pela janela e vejo na pracinha defronte ao meu bloco alguém de máscara e conduzindo dois cachorros, daqueles que parecem tapurus, e logo desaparecem. A manhã volta ao silêncio e à solidão. O mundo deixou de ser colorido e ruidoso. 

Os viciados em bacanais na teta da burra fazem tudo para manietar o presidente e o comerem vivo. As hienas e os urubus rasgam o ventre da democracia e puxam as vísceras, enquanto a presa estrebucha. 

A democracia é como um animal herbívoro, que, em vez de dentes afiados e garras, contam com cascos. As hienas e os urubus estão sempre com fome; as bactérias que vivem neles devoram rapidamente tudo o que lhes cai no papo; mordem os herbívoros com fúria, rasgando-os do ânus ao umbigo, engolindo instantaneamente seus intestinos. 

As hienas e os urubus são comunistas. Quando o bando come não fica sequer ossos. Aos líderes das hienas e dos urubus cabe ficar com os trilhões de reais roubados; aos demais é atirado pão com mortadela. 

A quarentena já se estende por mais de um ano, e durará muito, ainda. Com o povo preso em casa fica ainda mais fácil assaltar a verba da Saúde. Assim, ao dar o bote, os jacarés e as sucuris não erram a bocada, como em Cuba, onde prostituíram tudo, e na Venezuela, onde se mata na rua, de dia, à vontade. 

De modo que vírus e o comunismo vão prosperando, até, como na União Soviética, explodirem Deus, e, na China, a indústria de órgãos dos prisioneiros crescer pelo menos 10% ao ano. Há tanto horror nisso tudo que me pergunto por quanto tempo as hienas e os urubus terão que vagar no umbral e reencarnar.

Não sabem que há luz nas rosas nem perfume nos jasmineiros, e que o riso das crianças levam diretamente a Deus. Isso, os comunistas não podem tirar de mim, por mais que me mordam durante todo o outono.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Confraria Cabanagem investiga potencial assassinato de candidato ao governo do Pará

Um dos maiores portais jornalísticos do Pará, o VER-O-FATO, passa, a partir desta sexta-feira 19 de março, a publicar o thriller policial A CONFRARIA CABANAGEM, de Ray Cunha, em 14 capítulos, todas as sextas-feiras. A capital do estado do Pará, Belém, está imersa em corrupção, e para a misteriosa Confraria Cabanagem só o senador Fonteles, candidato ao governo, é capaz de acabar com a sangria, mas descobre um complô para assassiná-lo em um crime perfeito.

Assim, contrata o único homem capaz de impedir que eliminem o senador Fonteles: o detetive Apolo Brito, ex-delegado da Polícia Civil do Pará, e que atualmente mora em Brasília.

Nada a ver com o Pará real. Trata-se de um trabalho de ficção, no qual personalidades de carne e osso, como o jornalista Lúcio Flávio Pinto, transitam com personagens de ficção. "Fique com esta obra muito bem escrita e de alta sensibilidade ficcional" – diz Carlos Mendes, editor do VER-O-FATO.

O caminho do meio

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 19 DE MARÇO DE 2021 – A palavra Buda é do sânscrito desperto. São os que despertaram para a compreensão de que todos os fenômenos, ou a vida material, são impermanentes. O Buda mais conhecido no Ocidente é Siddhartha (aquele que atinge seus objetivos) Gautama (condutor de gado), também conhecido como Sakyamuni, sábio do clã dos Shakyas, fundador do budismo, e que viveu por volta de 563 a.C. a 483 a.C. Sidarta nasceu príncipe no reino de Kapilavastu, em Lumbinī, território atualmente dividido entre Nepal e Índia; era filho do rei Suddhodana Gautama, líder do clã Shakya, e da rainha Maha Maya. 

Sidarta foi educado pela irmã mais nova de sua mãe, Maha Pajapati, que, a mando do rei, o fez acreditar que todo mundo vivia no mesmo fausto do palácio. Aos 16 anos de idade, seu pai o casou com uma prima da mesma idade, Yashodhara, que deu à luz um filho, Rahula. Ao todo, Sidarta viveu 29 anos como príncipe dentro das muralhas de Kapilavastu, em contato com o bom e melhor da vida. 

Apesar do esforço do seu pai para que nunca visse doentes, moribundos, nem sofrimento algum, um dia Sidarta viu um homem velho e pobre. Quando um cocheiro do reino, Chandaka, amigo de Sidarta, explicou a ele que era natural envelhecer, o príncipe arranjou um jeito de sair das muralhas para ver o mundo fora delas. Não deu outra, viu um homem doente, um corpo em decomposição e um asceta. Isso o deprimiu. Como superar a doença, a velhice e a morte? Por meio do ascetismo? 

Ajudado por Chandaka, Gautama pegou seu cavalo, Kanthaka, e abandonou o palácio. Levaria a vida de mendicante, atrás das respostas que o afligiam. Seguiu para Rajagaha, onde sobreviveu pedindo esmola. 

Foi longa a peregrinação de Sidarta, até encontrar um grupo de cinco yogues, liderados por Kaundinya, que tentavam encontrar a iluminação por meio da privação de bens materiais, incluindo a alimentação, e praticando a auto mortificação. Um dia, ao banhar-se na beira do rio Neranjana, morto de fome, Gautama desmaiou e quase se afogou. Nesse momento, se lembrou da infância, observando seu pai a arar o campo; concentrado nesse pensamento feliz, entrou em um estado meditativo que até então não conseguira atingir. 

Gautama percebeu que tanto o luxo em que vivera quanto o ascetismo extremo em que estava vivendo é que levavam à morte; precisava seguir o caminho do meio, o caminho da moderação, igualmente afastado dos extremos, da autoindulgência e auto mortificação. Diz a lenda que sentou-se, ali perto do rio Neranjana, sob uma Ficus religiosa, figueira, e jurou não se levantar dali enquanto não houvesse encontrado a verdade. Após 49 dias de meditação, alcançou a iluminação, ou seja, a paz espiritual. 

Tinha 35 anos de idade. Desde então, Gautama ficou conhecido por seus seguidores como o Buda, ou Shakyamuni Buda, o Iluminado da tribo dos Shakya, até morrer, aos 80 anos de idade, na cidade de Kushinagar, atual estado de Uttar Pradesh, Índia. 

A iluminação de Sidarta consiste em que ele compreendeu quais são as causas do sofrimento e como eliminá-lo, as Quatro Nobres Verdades, a essência do budismo. Compreendido isso surge um estado de paz interior, liberdade da ignorância, inveja, orgulho, ódio e outros sentimentos que levam à angústia. 

A Primeira Nobre Verdade é a causa do sofrimento, ou sentimentos ruins, como tristeza, insatisfação, aflição, desilusão, desespero, tédio. A causa de tudo isso é o apego material, pois, como a matéria é impermanente, apegar-se a ela será sempre insatisfatório. A Segunda Nobre Verdade é a constatação da Primeira Nobre Verdade. A Terceira Nobre Verdade revela que há um caminho que leva ao fim da Primeira Nobre Verdade, e a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho, fazendo cessar todo o sofrimento. 

Trocando em miúdos, a Primeira Nobre Verdade é a constatação do sofrimento: nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero, a união com aquilo que não causa prazer, a separação daquilo que é prazeroso, não obter o que se deseja, o apego, a matéria, tudo isso é sofrimento. 

Sofremos porque não temos algo, porque conseguimos algo e quando o conseguimos temos medo de perdê-lo, porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim, porque temos algo de que queremos nos livrar e não conseguimos, porque a matéria, as ideias, os conceitos, os pensamentos, são impermanentes. 

A Segunda Nobre Verdade é o conhecimento da origem do sofrimento, que é a busca pelos prazeres sensoriais. A Terceira Nobre Verdade mostra o caminho que prescinde desses prazeres, fazendo-os cessarem, desapareceram. E a Quarta Nobre Verdade detalha esse caminho. Logo, a Nobre Verdade é o caminho que conduz à cessação do sofrimento, o Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

É essa a grande disciplina. A melhor vacina contra qualquer virose, pois o medo da morte, as trevas, desaparecem, dando lugar à luz do amor, que é a energia, a sintonia fina da vida.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Memórias do Rio de Janeiro

Elenco de Morte e Vida Severina pela Escola de Teatro de Comédia da Guanabara, encenada no antigo Teatro de Arena, no Largo da Carioca,
Rio de Janeiro, 1972. Na foto, Ray Cunha é o da extremidade à direita

RAY CUNHA

Ray Cunha, aos 18 anos de idade
BRASÍLIA, 15 DE MARÇO DE 2021 – Amamos uma cidade por diversas razões. Cheguei ao Rio de Janeiro em um dia de semana, sem lenço e sem documento, em 1972. Tinha 17 anos e não portava sequer carteira de identidade, e contava apenas com o terceiro ano do antigo curso ginasial, hoje, ensino fundamental. Nasci em Macapá, então capital do Território Federal do Amapá, no setentrião da costa brasileira, mais voltada paras as Guianas, o Caribe e a França. Calculo que Macapá era, então, menos de um terço do que é hoje, uma cidadela acossada pelo maior rio do mundo, o Amazonas, e a selva, e seccionada pela Linha Imaginária do Equador.

Em 1968, aos 14 anos, me meti no meio de um grupo de artistas e desde então nunca mais saí da dimensão azul. Em 1971, publiquei, com Joy Edson e José Montoril um livrinho de poemas, Xarda Misturada, e, com ele, no ano seguinte, peguei o rio e a estrada e fui parar no Rio de Janeiro. Fui de barco para Belém e de lá peguei a estrada e viajei de carona para Brasília, de onde tomei um ônibus para o Rio de Janeiro, levando comigo alguns exemplares de Xarda Misturada. Cheguei no meio da tarde em um dia de semana e da rodoviária tomei um ônibus para o coração do Rio de Janeiro, o cruzamento das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco.

Levava comigo o endereço de trabalho de uma amiga do pintor e poeta Manoel Bispo, de Macapá, e a confiança inabalável de um garoto ribeirinho de que a amiga do Manoel Bispo me receberia de braços abertos. Localizei-a já à saída do trabalho; ela me olhou e me disse que eu não poderia ficar na casa dela, desejou-me boa sorte e sumiu na multidão.

A sorte é que eu levava também comigo o endereço de um amigo que conheci no Colégio Amapaense, Sílvio, paulistano que fora para Macapá com o pai, um americano que trabalhava na Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (Icomi), que, juntamente com a Bethlehem Steel, transportou do município de Serra do Navio, para os Estados Unidos, a jazida do melhor manganês do planeta, a preços vis, e deixou uma imensa cratera no Amapá.

Na época, o Sílvio morava com os tios na Alameda São Boaventura 208, Fonseca, Niterói. Cheguei lá à noite. O Sílvio, sua tia e seus primos me receberam muito bem. No dia seguinte, peguei um ônibus, a barca e outro ônibus e fui a Copacabana; desci no Posto 6 e me dirigi para o mar, onde mergulhei naquela mistura de sal, água, sol e azul. Acho que foi nessa química que comecei a amar o Rio de Janeiro, a partir de Copacabana.

Em novembro daquele ano apresentei-me na Primeira Região Militar do Exército. Eu meço 1,64 metro de altura, e creio que pesasse, naquela época, 50 quilos (hoje, peso 64 quilos), e a mudança de clima e a poluição da grande cidade causaram uma coceira no meu corpo todo, de modo que fui dispensado do serviço militar, e vi meu propósito de morar no quartel esfarinhar-se.

O tio do Sílvio era um oficial da Aeronáutica, negro, coisa rara na Ditadura dos Generais (1964-1985). Acho que o episódio que aconteceu naquela noite foi reflexo daqueles anos de chumbo. O tio do Sílvio chegou mais cedo. Eu estava arranhando um violão na sala. O tio do Sílvio ordenou que fôssemos todos dormir. Eu dormia em um sofá, na varanda. Continuei com o violão. Então o tio do Sílvio veio do quarto dele e ordenou que eu pegasse minhas coisas e fosse embora.

Juntei meus pertences – algumas roupas e exemplares de Xarda Misturada – e fui para a rodoviária central de Niterói. Foi uma longa noite. Só senti mais frio na estação aeroviária de Buenos Aires, em certa noite que lá passei, e da qual surgiu o poema Noite Horrível, publicado no livro Sob o Céu nas Nuvens (edição do autor, Belém, 1982). Só quem passa uma noite dessas é que sente o quanto o sol do alvorecer é vivificante. Nem bem o dia amanheceu, lavei o rosto, tomei café com leite com pão com manteiga e me mandei para a representação do governo do Território Federal do Amapá, no centro do Rio de Janeiro.

O representante, Couto, era conhecido por ajudar amapaenses. Conversamos. Ele me perguntou se eu conhecia o Itabaraci, que é de uma geração ligeiramente antes da minha, de Macapá (onde hoje vive); contudo, seu pai, Aimore (em tupi, não leva acento agudo na última sílaba) Nunes Batista, era padrinho da minha irmã caçula, Rosa Maria. Disse ao Couto que sim, conhecia o Itabaraci, e ele me deu um conselho.

– Vai procurar o Itabaraci; ele mora num apartamento em Copacabana, onde a senhoria, dona Maria Antônia, aluga vagas – disse-me ele, e me deu o endereço: Rua República do Peru 210, Apartamento 204, entre as ruas Tonelero e Barata Ribeiro, Copacabana. Vivi dois anos, lá.

Dona Maria Antônia, paraense, funcionária dos Correios, há muito radicada no Rio, foi uma das mulheres mais bacanas que encontrei. Ela simplesmente me acolheu, e só passei a pagar vaga depois que ela mesma conseguiu emprego para mim, como faz-tudo em uma empresa de conserto e venda de peças de eletrodomésticos, primeiramente numa loja em Ipanema e depois em Copacabana.

Quanto ao Itabaraci, e seu irmão, o violonista e pianista Aimorezinho, que nessa época tocava na banda do Raul Seixas, trataram-me como a um príncipe. Por isso sou eternamente grato a eles.

Logo depois, o compositor amapaense Luiz Tadeu Tavares Magalhães, que estava morando no Rio e trabalhava na White Martins, conseguiu para mim uma vaga como contínuo na filial de Jacaré, na Zona Norte. O Tadeu era músico e radialista em Macapá, e me entrevistara várias vezes, na condição de escritor.

Em 1971, antes de publicar Xarda Misturada, participei de um jornalzinho colegial anarquista, A Rosa – Bonitinha mas ordinária, de modo que eu tinha ideia de como fazer um house organ, e foi o que eu fiz, o jornalzinho da filial da White Martins.

Além disso, eu pagava mensalmente uma empresa que fornecia entradas a pelo menos quatro peças teatrais por mês. O gerente da filial, dr. Arlindo, também era cliente da mesma empresa e andamos nos encontrando nos teatros. Ele morava em Ipanema e passou a me dar carona para Copacabana quando saíamos juntos. O jornalzinho e o interesse comum por teatro entre o gerente da filial e eu, além da companhia do Luiz Tadeu, tornavam o ambiente pesado de multinacional um convívio bastante agradável.

Às sextas-feiras, principalmente na primeira do mês, eu saía com o Luiz Tadeu. Às vezes, íamos para a casa do nosso colega de White Martins, Frank Loiola Matos, em Padre Miguel. Mas bebíamos muito sempre. Também foi nessa época que conheci o Luiz Loyola, Lula, irmão do Frank, no Curso de Interpretação Teatral no antigo Teatro de Comedia do Estado da Guanabara (Teco), na turma do professor e ator Jorge Paulo.

A prova final do curso foi a encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, com músicas de Chico Buarque de Holanda, no extinto Teatro de Arena no Largo da Carioca. Fiz um dos coveiros. Nessa mesma época, começamos leituras e laboratório da peça Miolo de Pão, texto de Luiz Loyola e que expressava “a realidade conflitante, festiva e utópica de uma família do subúrbio carioca” – como diz o próprio Loyola. Nós nos reuníamos na casa do Jamil Viana, na Pavuna; na casa da belíssima Beth Bello, na Ilha do Governador; e na Vila Valqueire.

No quarto do Loiola, BOE (Boite Onda Estudantil), na casa em Padre Miguel, “aconteciam reuniões com muita música, teatro, poesia, happenings, num clima underground e ambiente psicodélico, cheio de posters de vanguarda, caricaturas, painel com capas de LP, objetos antigos, como um armário centenário com um enorme espelho de cristal na frente da porta, que encantava os narcisistas, uma luminária em formato de chapéu mexicano vermelho, iluminada por uma tênue luz azul opaca, lembrando cabarés da Avenida Prado Júnior, no Leme; no chão, havia um espelho retrovisor redondo, de aproximadamente um metro de diâmetro, do serviço de trânsito do Rio, apelidado de “poço” pelo companheiro de trabalho Paulo Cesar Americano do Brasil, da Remington Rand, onde trabalhei com Luiz Tadeu no inicio da década de 70” – lembra Luiz Loyola.

“Num desses eventos, em uma noite festiva, tive o prazer de receber o amigo Ray Cunha, sutilmente trajando calça jeans do Lixo (boutique cult de Copa), camisa mangas compridas com gola rolé cor roxa e sapatos bicolor vermelho e amarelo (presente do artista plástico amapaense Abenor Pena Amanajas, que então morava no Rio). A figura tinha cabelos ruivos black-power no melhor estilo saltimbanco do ator do filme musical Gospell... em sua companhia chegaram Luiz Tadeu e Iara Picanço, depois de uma viagem de trem da Central do Brasil, direto do subúrbio do Lins de Vasconcelos” – recorda Luiz Loyola.

“Numa única visita à casa de Ray Cunha, na Rua República do Peru, em Copacabana, na década de 1970, o poeta me recebeu em seu quarto (vaga), onde havia uma cama beliche e o seu estado de saúde era gripal e febril; driblamos aquele quadro e resolvemos sair pra respirarmos uma brisa do mar caminhando pelo calçadão, depois paramos numa lanchonete e tomamos um delicioso café e suco de laranja com sanduíche, e, serpenteando pelas ruas sombrias do bairro, o poeta fez uma citação irreverente dizendo que Copacabana era uma enorme cama...” – Luiz Loyola mergulha mais naqueles anos dourados, referindo-se ao poema Essa Copacabana Triste Mulher, publicado no livro De Tão Azul Sangra.

“Não posso deixar de relatar, uma noite, quando eu e o poeta chegamos em minha casa, em Padre Miguel, fomos para a cozinha e nos deliciamos com café com bolo, pães, cuscuz de fubá preparados por minha mãe, dona Maria Amélia (in memorian); foi quando o poeta, degustando uma banana, começou a declamar versos de Xarda Misturada, dando um toque tropicalista romântico àquela noite de inverno tímido” – registra Luiz Loyola.

Nessa mesma época, Manoel Bispo foi fazer um curso de pintura no Parque Lage, e foi vizinho do Luiz Tadeu, no Lins. Havia fins de semana que o Bispo e eu saíamos para bater perna. Parávamos para ver os pintores que expõem nas ruas da Zona Sul, entrávamos nas galerias, íamos a cinema e conversávamos sobre tudo. Eu ia muito a teatro, cinema de arte, circos, como o Moscou, e a grandes shows, como o Santana. Ia muito, também, aos programas de auditório da extinta TV Tupi. Varava o Rio noite adentro. Em 1974, já como balconista da filial da White Martins de Jacaré, pedi demissão e voltei para a estrada.

Em 1982, em Belém, com o matrimônio fracassado, parti novamente para o Rio de Janeiro. Mas era como se eu estivesse sonhando. Lembro-me que fui com o Luiz Tadeu para Pedra de Guaratiba, onde o Luiz Loyola festejou seu aniversário, com muita batida do Primo, de Olinda, mais ao norte de Padre Miguel, vinho, cerveja, happenings e a bela voz do Luiz Tadeu. Dessa vez, minha estada no Rio durou pouco tempo. Retornei para Belém e concluí o curso de jornalismo.

Nos anos 1990, eu estava novamente no Rio quando o pintor Olivar Cunha expôs em um espaço em Botafogo, defronte ao Shopping Rio Sul. Ao coquetel de abertura estavam presentes Luiz Tadeu e sua filha e minha querida amiga Luciana Magalhães, carioca, e Luiz Loyola.

Em 1992, fui ao Rio para lançar o livro de contos A Grande Farra (edição do autor, Brasília, 1992). Foi uma estada etílica. Em 2000, participei da Bienal do Livro, com Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos. Naquele ano, em uma manhã de domingo, eu acabara de sair da praia de Ipanema, com Luciana Magalhães, quando houve o primeiro arrastão televisionado – cenas aterrorizantes. Eu continuava mergulhado em um sonho etílico.

Em 2010, passei uma semana com a minha gata, a psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, no Rio. Ela fora participar do décimo primeiro Congresso Brasileiro de Psicooncologia e do quarto Encontro Internacional de Cuidados Paliativos em Oncologia, de 22 a 25 de setembro, no Centro de Convenções do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), em Botafogo.

Hospedamo-nos no Hotel Inglês, ao lado do Museu da República, onde Getúlio Vargas se matou, no Flamengo. Jantávamos em um restaurante defronte ao Museu, quase sempre camarão. Todas as comidas, ali, eram deliciosas. Aquela parte do Flamengo, até Botafogo, passando pelo Largo do Machado, é a Europa no trópico, como de resto toda a Zona Sul.

Enquanto a Josiane estava no Colégio Brasileiro de Cirurgiões eu incursionava pela Zona Sul, em um resgate memorialístico redentor. Durante aquela semana eu esquadrinhei a Zona Sul, agora com o olhar maduro do homem de 56 anos de idade e que não mergulhava mais em bebedeiras mortais.

Perambulei por muitas ruas da Zona Sul, observei a arquitetura, a Lagoa Rodrigo de Freitas à noite, bati perna em Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca, Flamengo, Botafogo, centro do Rio, e retornei ao Pão de Açúcar, com minha amada. Lá de cima sabemos de pronto por que o Rio é a Cidade Maravilhosa.

Aonde quer que eu vá estarei sempre em algumas cidades, porque elas, como o Rio de Janeiro, florescem no meu coração. Hoje, escrevo para o DIÁRIO CARIOCA. É como um namoro com a cidade, e que não acaba nunca.

sexta-feira, 12 de março de 2021

O Brasil todo quer saber: por que Edson Fachin limpou a ficha de Lula, jogando a Lava Jato no lixo? Janaina Paschoal desconfia da Vaza Jato

A marca de Lula. Para Fachin, o ex-presidiário está limpo

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 12 DE MARÇO DE 2021 – A jurista, professora, doutora em Direito Penal, advogada e deputada Janaina Paschoal (PSL/SP) refere-se a “algo maior” o motivo pelo qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu livrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de condenação transitada e julgada em segunda instância, o que ele poderia ter feito há cinco anos, mas só agora o fez. Na prática, todo o trabalho da Operação Lava Jato foi mandado para o espaço por Fachin. 

Em entrevista terça-feira 9 ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, Janaina disse que a razão pela qual o ministro livrou Lula é algo que Fachin não gostaria que viesse a público: “Não acho que a decisão tenha sido de natureza política, que o intuito era salvar a Lava Jato, blindar Sergio Moro ou de simpatia com o ex-presidente. Ele teve tantas outras oportunidades e não o fez. É uma decisão tão estranha que, para mim, tem algo maior que ele não gostaria que viesse a público”. 

Ao lembrar dos áudios divulgados pelo The Intercept Brasil, episódio que ficou conhecido como Vaza Jato, a deputada acha que exista material comprometedor que não veio a público: “Nós tivemos acesso a um número muito pequeno de conversas. Apareceu tantas outras e a notícia que se tem é que a quantidade vai muito além do divulgado. Não é medo de que tudo o que tem lá venha à tona? Não consigo acreditar que um ministro se exponha dessa forma. Não acredito que o ministro correria todo esse risco para salvar Sergio Moro. Para mim, tem algo nos diálogos que não se quer que venha a público. Só isso faz sentido”. 

A jurista questionou também se Fachin tomou a absurda decisão sem consultar seus colegas de toga: “Não acredito que o ministro toma uma decisão dessa natureza sem consultar os demais. Só vejo como lógico que tem algo ali que não querem que a gente conheça”. 

Para Janaina, a decisão de Fachin é, simplesmente, errada: “Qualquer pessoa que conhece a área penal sabe que embargos de declaração não têm efeitos infringentes. Isso significa que esse recurso decidido ontem não tem poder de modificar decisão de mérito. O papel dos embargos de declaração é esclarecer dúvidas, corrigir omissão, contradição, ambiguidade. A lei é clara nesse sentido”. 

A jurista explicou que Edson Fachin não apenas mudou uma decisão ou mérito, mas anulou quatro processos inteiros, que já haviam, inclusive, transitado no Supremo: “É como se fosse uma confissão da incapacidade do ministro e do próprio Supremo. Isso é muito grave, não é só um retrocesso. Coloca em xeque a capacidade do STF e tira qualquer segurança jurídica do país. O impacto internacional é terrível”. 

A Operação Lava Jato foi a mais ampla investigação criminal já realizada no país, pela Polícia Federal, ao apurar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 8 trilhões de reais em propina, crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa, obstrução da Justiça, operação fraudulenta de câmbio e recebimento de vantagem indevida. Começou em 17 de março de 2014, comandada pelo então juiz Sergio Moro, e condenou e prendeu mais de cem pessoas, até 1 de fevereiro deste ano. 

As investigações e delações premiadas apontaram o envolvimento em corrupção de membros administrativos da Petrobras, presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, governadores de estado e empresários de grandes empresas brasileiras. Muito aristocrata foi preso. Em abril de 2018, foi a vez do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em 10 de dezembro de 2010, a Polícia Federal investigou repasses suspeitos de mais de 132 milhões de reais realizados pelo grupo Oi/Telemar para empresas do grupo Gamecorp/Gol, controlado por Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente, e, em 26 de dezembro, a PF indicia Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo recebimento de 4 milhões de reais da Odebrecht ao Instituto Lula. 

Em janeiro de 2016, o Ministério Público de São Paulo denunciou Lula pelo crime de lavagem de dinheiro. A construtora OAS, investigada na Operação Lava Jato, teria reservado para a família do petista um apartamento triplex no Guarujá e pagado 777 mil reais por uma reforma no imóvel. 

Em fevereiro do mesmo ano, Sérgio Moro autorizou a Polícia Federal a investigar o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, usado por Lula e família, e que teria sido reformado por 500 mil reais pela OAS e pela Odebrecht como compensação por contratos com o governo. 

O relator das ações da Lava Jato no Supremo era o ministro Teori Zavascki, desde o início da operação, em 2014, até morrer em acidente aéreo, em 2 de fevereiro de 2017, quando foi substituído por Edson Fachin. 

Em 5 de abril de 2018, o então juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula, condenado a 12 anos e um mês de cadeia. Lula fugiu durante dois dias, mas acabou se entregando e preso, por apenas 580 dias, pois foi solto em 8 de novembro de 2019, pelo Supremo, que considerou prisão em segunda instância inconstitucional, e deixando o país de queixo caído. 

Deblaterou o ex-presidiário: “Eu quero dizer para vocês que, se pegar o Dallagnol, se pegar o Moro, se pegar alguns delegados que fizeram inquérito, enfiar um dentro do outro e bater no liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento nesse país”.

Em 8 de março de 2021, Fachin anulou todas as condenações contra Lula em relação à Lava Jato, feitas pela Justiça Federal do Paraná, vinculada ao Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Os processos judiciais contra Lula foram encaminhados para Justiça Federal do Distrito Federal, vinculada ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região, onde deverão prescrever.

E Edson Fachin? O advogado e professor gaúcho foi posto no Supremo, em 16 de junho de 2015, por Dilma Rousseff, impichada. O atual relator da Operação Lava Jato no Supremo trabalhou como advogado de 1980 a 2015. Em 2003, assinou um manifesto, juntamente com o então deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh e o jurista Fábio Konder Comparato, pela desapropriação, para fins de reforma agrária, de imóveis rurais que descumpram a função social da propriedade. 

Indicado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrou a Comissão da Verdade do Paraná. Em 2010, assinou um manifesto em defesa do direito do então presidente Lula de opinar sobre as eleições e, em 29 de outubro do mesmo ano, participou de um vídeo de campanha lendo um manifesto com declaração de apoio a Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República.

Sergio Moro, de herói virou bandido e, se Lula foi liberado, todo mundo que está no mesmo barco já começou a rir para as paredes. Agora, Lula poderá até se candidatar novamente a presidente da República e fundar a democracia com que ele tanto sonha: a Venezuela cubana. Fica a pergunta: por que Edson Fachin fez uma... cometeu algo tão absurdo?

quarta-feira, 10 de março de 2021

Jornalista investiga traficante de crianças e a presença de Ovnis e ETs na Amazônia durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE MARÇO DE 2021 – Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no monumental Hotel Caranã, bairro do Pacoval, em Macapá/AP, a cidade mais emblemática da Amazônia. A Fortaleza de São José de Macapá, o maior forte colonial português, é também o maior ícone dos macapaenses, a tradução perfeita de Macapá. Construída por escravos, negros e índios, sob o domínio português, foi o cadinho no qual se forjou a etnia macapaense. 

Os portugueses cruzaram com africanos e geraram mulatos, e fornicaram com os índios, formando uma população de mamelucos; os africanos fundaram o distrito de Curiaú e o bairro do Laguinho, misturaram-se com os índios e legaram cafuzos; e mulatos, cafuzos e mamelucos misturaram-se, fechando o círculo, numa diversidade étnica viva nas ruas de Macapá, nas nuanças de peles que vão do alabastro ao ébano, passando pelo bronze e jambo maduro, unidos pelo sotaque caboco: a fusão do português falado em Lisboa, doces palavras tupis, línguas africanas, patoá das Guianas, tudo triturado em corruptela. 

Nesse cadinho étnico, o jambu é a erva que melhor sintetiza a Amazônia. Os amazônidas, sedados pelo sol equatorial, que, apesar dos 100% de umidade relativa do ar, esturrica tudo, e acossados pela grande floresta, microrganismos, insetos e animais peçonhentos, agem como as papilas gustativas entorpecidas por espilantol, presente no jambu, principalmente na sua flor: anestesiados, baixam a cabeça e se entregam aos seus carrascos, especialmente aos políticos, que, independentemente de serem de fora, ou da própria terra, são sempre inclementes como os antigos ibéricos. 

Os políticos uniram-se a um tipo de empresário escravocrata e que adora dinheiro, e passaram a gerir a senzala sem paredes, ampliando a Fortaleza de São José de Macapá a ventre da besta. A Amazônia está sempre coalhada de colonos e aventureiros: tecnocratas de Brasília; paulistanos que compram 90% das toras de árvores griladas; americanos que nunca desistiram de colonizar o subcontinente; japoneses ávidos em ampliar seu arquipélago; chineses acossados pela própria superpopulação; e os europeus de sempre, além dos políticos, sequiosos em vender – e embolsar o dinheiro – até a última árvore, a última pedra preciosa, e todas as mulheres e crianças que puderem. 

Nesse cenário, do suplício imposto pelos ibéricos, da morte decretada pelos microrganismos e o assalto e o desprezo perpetrado pelos políticos, os macapaenses se tornaram símbolo de um tempo antigo, persistente, de espanhóis e portugueses, colonos e colonizados, o drama que perpassa a Ibero-América, a tragédia da Amazônia, alicerçado pela crença de que os colonos são deuses e os colonizados, seres inferiores, que existem para servir aos sangues-azuis. 

Para os colonos, a Amazônia só serve para três fins: construção de hidrelétricas; extração de madeira e mineral; e reserva de caça, pesca e escravos, especialmente para a triste história de crianças e mulheres, que, diferentemente do mito das amazonas, são criaturas fracas, subjugadas, escravas compradas à base de comida, de uma boneca, de uma balinha. 

É julho, mês de férias de verão na Amazônia. Durante o festival gastronômico, o jornalista João do Bailique, editor da revista Trópico Úmido, trabalha numa edição especial sobre a Hileia, ao mesmo tempo em que investiga o tráfico de crianças e mulheres para escravidão sexual. 

Naquela já distante manhã, na Vila Progresso, Patrícia Valente Melo, 11 anos e seis meses, se levantou da rede e foi ao banheiro, olhou-se ao espelho e apreciou seu rosto, simétrico, olhos imensos, gateados, lábios de rosa vermelha, pele de jambo novo. Era extraordinariamente bonita, e sensual, embora tivesse apenas 11 anos de idade. Tudo aconteceu muito rápido. Um homem peludo entrou na casa, colocou algo no seu nariz e ela acordou num barco, que, soube mais tarde, se chamava Virgem de Nazaré; levava crianças para a boate Senzala, especializada em servir europeus que atravessavam o rio Oiapoque, oriundos de Caiena. 

O carregamento, meninas sequestradas no Amapá e Pará, seria leiloado com lance inicial de mil euros para usufruto de uma semana, após o que seriam transportadas para Paramaribo. 

– Aquele francês louco, mas que paga muito bem, o tal de Humbert Humbert, já reservou a Patrícia. Ele vem exigindo uma menina assim igual a ela faz tempo. Ele vai pagar nada menos do que 6 mil euros para passar uma semana com ela na propriedade dele na Guiana Francesa, aí então a devolverá para o Caixinha de Pose, que é o dono da boate Senzala, em Oiapoque. Aí a pegarei de volta e a levarei para o Kunathi, por mais mil euros – contabilizou Jules Adolphe Lunier a Tota, capitão do barco. 

A manhã imobilizou-se, tensa como tumor maduro. Um raio chicoteou o céu quase noturno, seguido de trovoada. A tempestade desabou com toda a fúria. Cerca de 40 minutos depois passou completamente e o mar voltou a ficar calmo. Giselle e João do Bailique estavam pescando marlim azul na altura do Cabo Caciporé quando avistaram o ponto flutuando. Aproximaram-se e viram uma menina com salva-vidas, agarrada a um grande banco de madeira. Era Patrícia. 

Seis anos depois, Patrícia Valente Melo olhou-se ao grande espelho do seu quarto e apreciou o rosto, simétrico, olhos imensos, gateados, lábios de rosa vermelha, colombiana, pele de jambo novo. O corpo estava deformado; em vez dos 60 quilos de peso distribuídos em 1,70 metro de altura, seios e quadris enlouquecedores, pernas longas e bem torneadas, estava pesando bem mais, pois deveria parir por aqueles dias. 

Encontrava-se sozinha. O pai já havia saído para a revista Trópico Úmido e a mãe, para o Hotel Caranã. Juntou algumas mudas de roupa numa valise, apetrechos de higiene íntima, documentos, espargiu Chanel 5, chamou um Uber e se mandou para o Caranã, onde chegou poucos minutos depois. Desviou-se da Nave da Catedral, como era conhecido o amplo hall de entrada, e tomou por um caminho lateral, uma alameda de jasmineiros, rumo à marina. 

Nos salões do Hotel Caranã são servidos pratos da mais saborosa culinária do planeta: a paraense. E personagens de ficção misturam-se com personagens reais, vivas e mortas, como o genial pintor amapaense Olivar Cunha, que decora o cenário do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, o compositor paraense Waldemar Henrique, o médium e astrofísico Laércio Fonseca, o escritor Jorge Bessa, os jornalistas Walmir Botelho e Carlos Mendes, editor do Ver-O-Fato, a cantora lírica Carmen Monarcha etc. etc. etc. 

Em segundo plano, surge uma Amazônia pouco conhecida: a dos Ovnis e ETs, com um resgate da Operação Prato, a maior aparição de Ovnis e ETs já registrada no Brasil, pela Aeronáutica, e que se deu na costa do Pará. O que é que os ETs queriam? De onde vieram? João do Bailique dá as respostas. 

Em terceiro plano, a Amazônia fica nua. Todas as questões que vêm sendo discutidas em torno da grande floresta são dissecadas. No caso de uma terceira guerra mundial, que papel a Amazônia teria? Resistiria a uma hecatombe nuclear? Seria ocupada pelos americanos? Também João do Bailique investiga essa questão, bem como analisa a soberania do Brasil sobre a região.

Essa história se passa no romance Jambu (clubedeautores.com.br e amazon.com.br, 190 páginas), deste repórter. Em Jambu, o leitor conhecerá a Amazônia profunda, aquela capaz de resistir até a um bombardeio atômico, e entenderá o que foi a Operação Prato e a Data-Limite, de Chico Xavier.

terça-feira, 9 de março de 2021

Se a esquerda voltar ao poder matará todos os líderes conservadores, adverte Roberto Jefferson após liberação de Lula Rousseff por Fachin

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 9 DE MARÇO DE 2021 – O presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, advertiu hoje que se a esquerda conseguir emplacar uma ditadura no Brasil matará todos os líderes conservadores, em entrevista à TV Jornal da Cidade Online, ao comentar a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações de Lula Rousseff na Lava Jato, tornando o ex-presidiário ficha limpa. 

“Está na hora do Brasil reagir. Está na hora do presidente (Jair Bolsonaro), como chefe supremo das Forças Armadas, ir lá no Artigo 142 da Constituição e convocar as Forças Armadas para aposentar esses 11 ministros; e se nomeia 11 juízes de carreira, que não tenham compromisso com partido político e nenhum grupo ideológico. Se não, eles (os 11 do Supremo) vão levar o Brasil a uma revolução” – analisou Jafferson. 

Para ele, se não houver uma intervenção imediata, o Supremo vai pavimentar uma ditadura igual à de Maduro na Venezuela, pois já soltou dezenas de milhares de corruptos, chefões do tráfico e bandidos em geral, além de empoderar governadores, que já soaram o toque de recolher, com a desculpa da pandemia, como Ibaneis Rocha, de Brasília, e começam a governar como em uma confederação.

“O Supremo está empoderando governadores e prefeitos e amarrando as mãos do presidente. Já, já, você vai ter movimento separatista. Já, já, a gente perde a Amazônia. É uma violência à segurança nacional e à integridade territorial do Brasil” – afirmou. “Hoje, o Brasil não é mais República Federativa. O Supremo fez no Brasil um estado confederado; é uma ameaça que o Supremo está fazendo à unidade territorial brasileira.” 

Sobre Fachin, disse: “É um homem de esquerda, do Movimento Sem Terra, advogado da causa gay, advogado do PT no Paraná, professor universitário comunista, como todo professor universitário das universidades públicas federais são”.

Roberto Jefferson ficou conhecido nacionalmente por ter denunciado o Mensalão, o maior esquema de cooptação do Legislativo pelo Executivo, no fim do primeiro mandato do ex-presidente Lula. Mesmo assim Lula foi reeleito.