sábado, 1 de agosto de 2026

A dimensão do eu

Ray Cunha, no Ambulatório Fernando Hessen: Vós sois deuses!

 
RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE AGOSTO DE 2026 – A matéria tem três dimensões espaciais: altura, largura e profundidade – massa, em síntese –, e uma dimensão temporal: o tempo. O que é o tempo? É a massa em movimento. Em termos práticos podemos dar como exemplo o aparente movimento do Sol, o dia e a noite, que pode ser medido por um relógio. Falando cientificamente, o físico Albert Einstein afirma que o tempo é inerente à matéria, ao que chamou de espaço-tempo. Astros muito massivos, como o Sol, deformam o espaço e, por conseguinte, o tempo, gerando a força de gravidade, de modo que o tempo é relativo. 

Para alguém que está no nível do mar, ou seja, sujeito, com maior intensidade, à força de gravidade da Terra, o tempo passa mais devagar do que uma pessoa que está no cume do pico Everest. A velocidade também impacta o tempo. Imaginemos dois gêmeos. Um deles é astronauta e partiu para uma viagem de um ano à uma velocidade próxima à da luz e o outro ficou na Terra. Ao fim de um ano o astronauta retorna à Terra e encontra seu irmão mais velho do que ele. Por quê? 

É que quanto mais nos aproximamos da velocidade da luz, 300 mil quilômetros por segundo, mais o tempo para. A velocidade da luz é o máximo a que uma partícula pode se deslocar. É impossível uma nave se deslocar na velocidade da luz, pois seria necessário combustível infinito para manter essa velocidade. Também, a estrutura atômica começaria a se desintegrar. Trata-se de um limite da matéria e o tempo é inerente à matéria. 

Mas os físicos descobriram que o Universo está se expandindo a uma velocidade superior à da luz. Aí, já não é mais física newtoniana; é uma equação que só os físicos poderão resolver. 

E há o tempo mental. Para uma pessoa ansiosa, o tempo não passa, pois o tempo, para ela, está sempre no futuro; o futuro não existe, ainda não aconteceu, razão pela qual nunca se sabe o que vai acontecer. Pode-se fazer prognósticos, planos, que poderão se concretizar, ou não. Há, ainda, o tempo psicológico, utilizado na arte, especialmente no Cinema, para criar suspense. 

A quinta dimensão é, então, por definição, algo superior às quatro dimensões da matéria, logo, possui uma quinta coordenada. Não a vemos porque está acima das quatro dimensões. Então, o que é? É a matéria, mas em uma vibração tão rápida que a luz a atravessa. A matéria, tal como a conhecemos, é condensada, daí que a luz não consegue atravessá-la. A quinta dimensão é sutil, é o mundo espiritual, onde não há tempo. Se não há matéria condensada não há tempo, pois o tempo é a matéria em movimento. 

O equilíbrio do ser humano, físico, mental e espiritual, vem da quinta dimensão, e é captado por meio de uma antena chamada glândula pineal, do tamanho de um caroço de azeitona, situada no meio do cérebro. Imaginemos nosso corpo como uma grande orquestra. A pineal é o maestro. 

Há quem pense que a pineal pode se atrofiar ou ser tonificada. Não! Ela é, biologicamente, perfeita. Trata-se de uma ferramenta, ou órgão, que está ali, pronta para entrar em ação. Ela sabe reger o mais sofisticado concerto de Mozar e percebe se um instrumento, entre centenas de outros instrumentos, atrasou-se um segundo, ou se o baixo não marcou o compasso absolutamente dentro do ritmo. O problema está na pessoa, não na pineal. 

O problema, a doença, é um processo desencadeado pela própria pessoa, pela pessoa que não conhece a si mesma. 

Realizo trabalho voluntário aos sábados de manhã no Instituto Fernando Hessen, no Centro Comunitário da Candangolândia, juntamente à uma equipe coordenada pelo professor Ricardo André, e, nas manhãs de domingo, no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, também com uma equipe, em trabalho coordenado pelo professor José Marcelo, além dos meus pacientes particulares. Assim, atendo, a cada mês, dezenas de pacientes, de ambos os sexos e de todas as idades, com todo tipo de síndromes. Em geral, a causa dos seus males é a desconexão com a sua essência, a essência espiritual. 

Uma das síndromes mais comuns na minha experiência como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa é um quadro de depressão, ansiedade, trauma psicológico e tristeza. Mas não é, muitas vezes, do que se queixam. Queixam-se de constipação intestinal, refluxo, enxaqueca, infecções, insônia, fibromialgia etc. 

Com anamnese e exame da língua e pulsos chega-se, rapidamente, ao diagnóstico. As causas são, geralmente, um descompasso entre o corpo físico e a essência, o Eu. Daí que é fundamental que todos nós procuremos nos conhecer. Só nos conhecendo é que poderemos encarnar o Deus que somos, todos. Jesus Cristo disse: “Vós sois deuses”. 

Cada um de nós precisa amar não somente o próximo, como a si mesmo. Sabendo quem somos, desenvolveremos habilidades geniais e poderemos, assim, ser útil à Humanidade, à sociedade, à família, ao próximo. Contemplemos mais o céu, pois viemos das estrelas e a pineal é a antena que nos conecta às estrelas. 

O passado não existe mais. O passado é apenas aquele professor, um verdadeiro filósofo, que tivemos a sorte de encontrar. O futuro não aconteceu e ninguém sabe como será. O tempo não existe em quem vive assim, montado na luz. 

É claro que trato com as agulhas, com acupuntura, os males já instalados no corpo, mas sempre lembro meus pacientes: vocês são deuses.

Ray Cunha é autor de PARE DE SOFRER  VIVA A VIDA – VIVÊNCIAS EM MEDICINA TRADICIONAL CHINESA e FOGO NO COARÇÃO

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