quarta-feira, 26 de agosto de 2026

As rosas de agosto choram batom vermelho


RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 26 DE AGOSTO DE 2026

 

As rosas de agosto sangram batom vermelho no granito de Petrópolis

Ferido no golpe de Estado dos que que juraram defender a Constituição

E defecaram sobre as leis como hienas estuprando meninas impúberes a dentadas

Ouvindo berros de dor da pátria, apedrejada na cara, a língua arrancada

 

A pátria agoniza ao ataque dos gafanhotos marxistas

Não dispensam nem os aposentados e pensionistas

Limpam os cofres das estatais com fúria homicida

E lavam o roubo dos trilhões do narcotráfico

 

As rosas, que existem para espalhar risos e perfume,

Choram lágrimas de batom vermelho no céu azul estupendo

Os ladrões estão em toda parte atacando anciãos mais mortos do que vivos

Nas ruas atulhadas de moradores sem rumo defronte aos comércios fechados

 

Não há mais Constituição. Os presos políticos são açoitados, cegados

As línguas arrancadas, as gônadas esmagadas e as mulheres estupradas

Na eternidade do terror da longa noite das togas

E a bacanal dos banqueiros serve meninas e meninos

 

O Brasil morre nas garras do saque, da depravação, da escravidão, da China

Os chefões do Foro de São Paulo comemoram na Zona Sul

No baixo Leblon, em Ipanema, na Barra da Tijuca e, claro, em Copacabana

Máquinas de contar dinheiro trabalham céleres para a Avenida Brigadeiro Faria Lima

 

O PCC e o CV comemoram em Brasília e nas cortes das penitenciárias

O roubo do PIB da décima economia do mundo

E os chefões do Foro de São Paulo bebem cachaça 51 para comemorar a vitória

Após o aparelhamento dos jardins de infância até a Praça dos Três Poderes

 

Logo será baixado o decreto: entreguem seus filhos, suas casas, sua poupança e sigam

Para os campos de concentração na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga, nos Pampas

Onde serão escravizados, doarão órgãos e aprenderão a adorar o capo di tutti i capi

Mas, se o Inferno triunfasse, não haveria Donald Trump a caminho


The Roses of August Weep Red Lipstick

RAY CUNHA

BRASÍLIA, AUGUST 26, 2026


The roses of August bleed red lipstick onto the granite of Petrópolis

Wounded by the coup d’état of those who swore to defend the Constitution

And defecated upon the laws like hyenas tearing prepubescent girls apart with their teeth

Hearing the screams of a nation in pain, pelted in the face with stones, its tongue ripped out


The nation lies dying beneath the attack of Marxist locusts

They spare neither retirees nor pensioners

They gut the coffers of state-owned companies with murderous fury

And wash away the theft of trillions from the drug trade


The roses, which exist to spread laughter and perfume,

Weep tears of red lipstick beneath the stupendous blue sky

Thieves are everywhere, attacking old men more dead than alive

In streets clogged with lost souls before shuttered shops


There is no Constitution anymore. Political prisoners are whipped, blinded

Their tongues ripped out, their gonads crushed, and women raped

In the eternity of terror during the long night of the robes

And the bankers’ bacchanal serves girls and boys


Brazil dies in the claws of plunder, depravity, slavery, and China

The kingpins of the São Paulo Forum celebrate in the South Zone

In Lower Leblon, in Ipanema, in Barra da Tijuca and, of course, in Copacabana

Money-counting machines work at feverish speed toward Brigadeiro Faria Lima Avenue


The PCC and the CV celebrate in Brasília and in the courts of the prisons

The looting of the GDP of the world’s tenth-largest economy

And the kingpins of the São Paulo Forum drink Cachaça 51 to celebrate victory

After the takeover of everything from kindergartens to Three Powers Square


Soon the decree will be issued: surrender your children, your homes, your savings, and go

To the concentration camps in the Amazon, the Cerrado, the Caatinga, the Pampas

Where you will be enslaved, donate your organs, and learn to worship the capo di tutti i capi

But if Hell were to triumph, there would be no Donald Trump on his way

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