terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Começa hoje era de equilíbrio entre os três poderes. Jogo será legalizado pelo Congresso

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 2 DE FEVEREIRO DE 2021 – O primeiro ato de Arthur Lira (PP/AL), eleito ontem em primeiro turno presidente da Câmara com 302 votos, foi anular decisão de Rodrigo Maia (DEM/RJ), o ex, que tratou, nos estertores do poder que ele gozou durante quatro anos, de alojar na futura mesa diretora o bloco de seu candidato, Baleia Rossi (MDB/SP). 

Rossi já tinha missão determinada em caso de vitória: dar um chute na bunda do presidente Jair Bolsonaro, aceitando um dos pedidos de impeachment fajutos que pipocam na Câmara. Só não se sabe o resultado de um pedido de impeachment aceito, já que Bolsonaro sobreviveu até a uma peixeirada capaz de fazer picadinho dos seus intestinos. 

Lira anulou a votação para os demais cargos da mesa diretora porque o registro foi feito fora do prazo, mas mesmo assim aceito por Maia, que já antecipava uma derrota do seu candidato, uma vez que até o partido de Maia, o DEM, estava apoiando Lira. Sobre Maia, Lira disse que “a história irá julgar” o legado do jacaré. 

Maia chorou na despedida, lágrimas de crocodilo. O ex passou quatro anos sabotando Jair Bolsonaro e gozando as mordomias da presidência da Câmara, que são principescas. Sai isolado, até pelo seu próprio partido, o DEM. ACM Neto, presidente nacional do DEM e que enxerga à distância, já viu que não pode contar com o rechonchudo deputado chileno-carioca. 

Lira afirmou que procurará com urgência o também recém-eleito presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), para articular uma pauta emergencial, já que tanto na Câmara quanto no Senado, com o ex Davi Alcolumbre (DEM/AP), as votações eram travadas, inclusive pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesses dois anos, Alcolumbre deu pistas de que o Supremo lhe infundia pânico.

Ontem, Alcolumbre, com seu jeito de garotão, demonstrava alívio em deixar a presidência da casa e nas mãos do seu candidato, Rodrigo Pacheco, para cuidar, agora, do seu curral no Amapá, onde sua família é uma das mais poderosas. 

Livre da ingerência do Supremo, que tinha apoio de Alcolumbre, e da ameaça de que um dos pedidos fajutos de impeachment na Câmara fosse aceito por Maia e vingasse, o presidente Jair Bolsonaro, que, sem roubar e sem deixar roubar vem pondo o Brasil na cabeceira da pista, pronto para levantar voo, poderá, finalmente, governar, juntamente com o Congresso Nacional, sem ansiedade extra. 

Mas como gato escaldado tem medo de água fria, seu setor de segurança pessoal e inteligência estão atentos para se anteciparem às tentativas de eliminarem-no, que continuarão. Esclareça-se: as tentativas de eliminarem-no são políticas, e partem da sua oposição mais raivosa, pois entre hienas e urubus só o que importa é carne, e com a presa viva, melhor ainda. 

Assim, este será um ano de intensos trabalhos no Congresso, especialmente quanto às reformas tributária e administrativa. 

Outra questão que poderá ser resolvida é a legalização dos jogos no Brasil. Rodrigo Maia engavetou essa pauta durante toda a sua gestão. A diretoria do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) esteve com Arthur Lira e Rodrigo Pacheco e constatou que ambos querem a legalização do jogo. Arthur Lira é filho do ex-senador Benedito de Lira, que foi relator favorável do PLS 186/14, que trata da legalização do jogo, na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania do Senado. 

Com 74 anos na clandestinidade, o Brasil é um dos países onde mais se joga no mundo, movimentando cerca de 5 bilhões de dólares por ano, sem fiscalização e sem pagar nenhum centavo de imposto, nem gerar emprego formal, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome do moralismo. Só o jogo do bicho movimenta 10 bilhões de reais por ano. 

Estudo do IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de faturar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. E geraria mais de 658 mil empregos diretos e 619 mil empregos indiretos. 

O jogo de azar é praticado em muitos países, como, por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Itália, Suíça, Grécia, Portugal, Áustria, Holanda, Mônaco, Uruguai etc. A Região Administrativa Especial de Macau, na China, é hoje o principal centro de jogos do mundo, desbancando Las Vegas, nos Estados Unidos, como capital mundial dos cassinos e faturando, com apenas 35 cassinos, 38 bilhões de dólares por ano. 

Os mais de 100 cassinos de Las Vegas faturam 8 bilhões de dólares por ano e só uma de suas maiores redes conta com 50 mil empregados. 

Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. 

Em 1946, dona Santinha, Carmela Leite Dutra, esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, era beata e exercia forte influência sobre o marido. Para ela, jogo era coisa do capeta. Dutra cedeu e de um momento para o outro arrasou uma das indústrias que mais faziam o país prosperar, jogando no desemprego dezenas de milhares de pais de família. 

Para o presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, professor do curso de pós-graduação em Comunicação Empresarial da Universidade Candido Mendes (Ucam/RJ), editor do BNLData e jornalista especializado em loterias e apostas Magno José Santos de Sousa o Brasil se submete a uma das legislações mais atrasadas do mundo para o setor. “Mas a clandestinidade não anula a prática” – adverte.

É claro que muita gente vê o diabo em toda parte, quando, na verdade, ele está dentro de cada um de nós e só sai quando é convocado.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Adeus, adoradores de Lula, FHC, Che, família Castro, Hugo Chávez Maduro, Foro de São Paulo

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 31 DE JANEIRO DE 2021 – Meus amigos partiram. Adoradores de Lula Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Che Guevara, família Castro, Hugo Chávez Maduro, Foro de São Paulo, Karl Marx. Adeus fabianos, bolivarianos. Houve, inclusive, um, que, depois de ler artigo meu referindo-me à prisão de Lula, pôs fim a uma estupenda amizade. Alguns, foram para o mundo espiritual; outros, os da juventude, permanecem fiéis a Karl Marx. E há os que simplesmente perdi nas dobras do tempo.

Mas restou uma grande quantidade de amigos, que encontro na minha estante. Estou certo de que ainda vou topar com alguns deles. Quem sabe Ernest Hemingway, Antoine de Saint-Exupéry, Gabriel García Márquez e Masaharu Taniguchi. E há os amigos novos, como Laércio Fonseca e Jorge Bessa, que estão me levando para conhecer a Via Láctea.

Além da família, da estante e dos amigos que vivem no meu coração, tenho as madrugadas, jasmineiros e rosas, que são eternas, o mar, o azul e o Sudoeste. Às vezes, Mozart toca ao piano o som da Terra girando no espaço. E quando escrevo um poema, o terremoto do primeiro beijo se instala em mim durante vários dias.

O amigo com quem eu conversava durante horas sobre livros e escritores partiu para a Venezuela, onde espera fruir da companhia de Nicolás Maduro. Mas não fiquei sozinho, porque converso com vivos e mortos no meu escritório, nas livrarias, nos cafés.

O século 20 ficou realmente para trás. Com a invenção da web os políticos não conseguem mais se concentrar nas tetas da burra e matar bebês nas maternidades nem crianças nas escolas, em escala industrial, pois a banda boa dos jornalistas é a própria população. É por isso que na China e na Coreia do Norte a web é proibida.

Desde 1 de janeiro de 2019, assassinos, ladrões, assaltantes, estupradores, traficantes, escravocratas, corruptos em geral, estão cada vez mais furiosos, esperneando nos seus palácios, dentro dos seus automóveis de vidraças negras, nas suas amplas casas e apartamentos.

Ficaram para trás honoráveis bandidos, carcomidos pelas larvas da corrupção, os beiços macilentos grudados nas tetas das verbas federais, das mordomias, das diárias, dos cabides de emprego. Os novos tempos vieram para ficar. Em 2018, enjaularam a hiena velha. Em 2019, ano do resgate das nossas esperanças, a boca do abismo se escancarou para engolir as cinzas dos fabianos, lobos em pele de ovelha.

A ciência começa a descobrir que somos seres espirituais, que o corpo é somente uma experiência material necessária para evoluirmos e ascendermos, e que a matéria não existe de fato, pois tudo muda, de um momento para outro. Nascemos, tornamo-nos criaturas magníficas, perdemos energia, ficamos igual maracujá de gaveta e desaparecemos fisicamente.

O passado não existe, nem o futuro. Somos eternos agora, fortes como as rosas de nióbio, intensos como o perfume dos jasmineiros de Macapá, em julho, serenos como o porto seguro que é a mulher amada, como o som do apartamento de madrugada, uma xícara de café Três Corações, gourmet, às 5 horas da manhã, buraco negro explodindo azul quântico.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Regulamentação da profissão de acupunturista só depende agora do Senado. Relator na Comissão de Assuntos Sociais é Eduardo Girão

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 24 DE JANEIRO DE 2021 – Se as entidades que reúnem os cerca de 100 mil acupunturistas que exercem a profissão no Brasil se mobilizarem pode ser que a regulamentação da categoria saia agora em 2021. A Câmara já aprovou o Projeto de Lei 1549/2003, que trata da regulamentação dos profissionais da acupuntura, de autoria do deputado Celso Russomanno (Republicanos/SP), e, agora, só depende do Senado. 

No Senado, o projeto está com o relator Eduardo Girão, na Comissão de Assuntos Sociais. Girão, do Pode do Ceará, é empresário ligado às áreas de hotelaria, transporte de valores e segurança privada, e espírita. Fundou, em 2004, a Associação Estação da Luz, entidade sem fins lucrativos que atua na área social, responsável por produções audiovisuais do Cinema brasileiro. 

Dentre as suas propostas, destaca-se a de redução do número de deputados federais, de 513 para 300, com o objetivo de aliviar a carga tributária dos contribuintes. Girão pode não conseguir isso, mas trabalhando pela regulamentação dos acupunturistas aliviará muita gente da dor, e muito mais barato do que na medicina alopática. 

O texto aprovado na Câmara é o substitutivo do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Giovani Cherini (PL/RS), ao projeto de lei do deputado Celso Russomanno. A proposta define acupuntura como “o conjunto de técnicas e terapias que consiste na estimulação de pontos específicos do corpo humano mediante o uso de agulhas apropriadas, além de outros procedimentos próprios, com a finalidade de manter ou restabelecer o equilíbrio das funções físicas e mentais do corpo humano”. 

O exercício da profissão poderá ser realizado pelos seguintes agentes: portador de diploma de graduação em nível superior em Acupuntura, expedido por instituição de ensino devidamente reconhecida; portador de diploma de graduação em curso superior similar ou equivalente no exterior, após a devida validação e registro do diploma nos órgãos competentes; profissionais de saúde de nível superior portadores de título de especialista em Acupuntura, reconhecidos pelos respectivos conselhos federais; portador de diploma de curso técnico em Acupuntura, expedido por instituição de ensino reconhecida pelo governo; não diplomados que venham exercendo as atividades de acupuntura comprovada e ininterruptamente há pelo menos cinco anos. 

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC), ou acupuntura, como é conhecida no Brasil, tem uma história de cerca de 5 mil anos e já é praticada em todo o Primeiro Mundo com resultados extraordinários em prol da saúde coletiva e individual. 

Enquanto a medicina alopática cuida de órgãos e de partes específicas do corpo, utilizando drogas produzidas em laboratório e intervenções cirúrgicas, a acupuntura, que faz parte das terapias da Medicina Vibracional, utiliza as energias Yin e Yang, que, equilibradas, geram o Tao, e considera o ser humano na sua integralidade: corpo, mente e espírito.

Espírito! Talvez, aqui, esteja a diferença básica, e inquestionável, entre as medicinas alopática e tradicional chinesa: enquanto, a rigor, aquela não acredita na existência do espírito, esta convive com ele.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Bancada da legalização do jogo poderá definir presidentes da Câmara e do Senado

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 20 DE JANEIRO DE 2021 – Contratada pelo portal BNLData/Instituto Brasileiro Jogo Legal, a Paraná Pesquisas consultou, em maio do ano passado, 238 parlamentares federais, com a pergunta: “O Sr.(a) é a favor ou contra a legalização de todos os jogos de azar no Brasil, ou seja, a legalização de cassinos, jogo do bicho, casas de bingo, vídeo-jogo e jogo online?” Resultado: 52,1% responderam favoravelmente à legalização dos cassinos, jogo do bicho, bingos, vídeo-jogo e jogo online; 40,8% foram contrários; e 7,1% não responderam. 

O candidato às presidências da Câmara e do Senado que manifestar apoio à legalização do jogo terá o voto desses parlamentares. No Senado, há um projeto de legalização do jogo de azar/cassinos pronto para ser votado em plenário. 

Calcula-se que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online. Estudo do Instituto Brasileiro Jogo Legal – IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos. 

Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. 

Em todos os países civilizados do mundo o jogo é legal. Há um argumento da oposição ao jogo inacreditável. A turma do moralismo acha que a liberação dos jogos de azar pode agravar problemas na saúde, com alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição e piorar a segurança pública, e prejudicaria ações de combate à corrupção, aumentando também lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas. 

Tudo isso está acontecendo é com o jogo na clandestinidade, que alimenta a corrupção, propina e chantagem política, o que torna a legalização do jogo inadiável e irreversível, pois um dos países onde mais se joga hoje no mundo é o Brasil, movimentando cerca de 20 bilhões de reais por ano, clandestinamente, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome de um moralismo que esconde sabe-se lá o que. Pois bem, a próxima legislatura do Senado poderá mudar esse cenário, e rapidamente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Macron quer que os europeus plantem mais soja e menos uva. Obsedado pela Amazônia, estará pensando em ampliar a Guiana Francesa?

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 13 DE JANEIRO DE 2021 – O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a atacar o Brasil. Afirmou que agricultores brasileiros estão desmatando a Amazônia para plantar soja e defendeu que os países da Europa plantem soja para não ter que comprar a oleaginosa brasileira. No Twitter, afirmou: “Continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia. Somos consistentes com as nossas ambições ecológicas, lutamos para produzir soja na Europa!” 

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu logo: a soja produzida no bioma amazônico do Brasil é livre de desmatamento desde 2008, graças à Moratória da Soja, pacto ambiental entre as entidades representativas dos produtores de soja no Brasil, ongs ambientais e o governo, prevendo a adoção de medidas contra o desmatamento na Amazônia, que proíbem a compra de soja proveniente de áreas recém desmatadas na região. Em maio de 2016 a Moratória foi renovada indefinidamente. 

A Moratória, reconhecida internacionalmente, monitora, identifica e bloqueia a aquisição da soja produzida em área desmatada na Amazônia, impedindo a exportação de soja de área desmatada para mercados externos. Para a Abiove, Macron está apenas querendo puxar a brasa para sua sardinha: “A Abiove lamenta que o presidente da França, Emmanuel Macron, busque justificar sua decisão de subsidiar os agricultores franceses atacando a soja brasileira” – disparou. 

Hoje, o vice-presidente Hamilton Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia, um dos generais brasileiros que mais conhecem a Amazônia, rebateu Macron. Explicou que a produção agrícola da Região Amazônica é “ínfima” e que o presidente francês “externou interesses protecionistas dos agricultores franceses”. Com efeito, bem que os amazônidas poderiam plantar mais. Parte dos produtos agrícolas que abastecem os supermercados e verdurões das grandes cidades da Amazônia segue de São Paulo.

Talvez para manter o clima francês da reclamação de Macron, Mourão começou a falar em francês. “Monsieur Macron? Monsieur Macron ne pas bien. Monsieur Macron desconhece a produção de soja no Brasil. Nossa produção de soja é feita no cerrado ou no sul do país. A produção agrícola na Amazônia é ínfima”. 

Mourão voltou a informar que os agricultores brasileiros utilizam menos de 8% do território brasileiro, enquanto a França utiliza mais de 60%. Para Mourão, a França não tem a menor condição de competir com o Brasil na agricultura: “Neste aspecto, na questão da produção agrícola, damos de 10 a zero neles, franceses”. 

Com efeito, francês entende muito de uva, mas agora até o Nordeste está produzindo uva em escala e vinho, inclusive champanhe. O Sul já tem expertise. 

Ainda Mourão: “Nada mais, nada menos, Macron externou interesses protecionistas dos agricultores franceses; faz parte do jogo político”. Para o vice-presidente, Macron não deverá influenciar outros líderes mundiais: “Acho que foi discurso interno”. 

O fato é que Macron não quer que a União Europeia faça acordo com o Mercosul, e aí martela a tecla do desmatamento. Mas não sei como a Europa, que não tem mais o que desmatar, vai produzir soja. Só no ano passado a França comprou do Brasil 27,1 milhões de dólares de soja 544 milhões de dólares de farelo, total de 1,983 bilhão de dólares. Fora a soja brasileira que a França pega em portos da Espanha e dos Países Baixos. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, cerca de 20% das exportações para a União Europeia são de soja e farelo do Brasil. 

Mas por que será que Macron não planta soja na Guiana Francesa, a última colônia europeia na Amazônia? 

Após o histórico discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 24 de setembro de 2019, esclarecendo que a Amazônia não está à venda e que o Brasil não é a casa da mãe Joana, Macron, com aquele seu jeitinho de garoto perdido da mãe, citou a Amazônia como cavalo de uma “batalha essencial para reduzir a emissão de carbono”, ignorando solenemente que os europeus arrasaram suas florestas e que mais da metade do território francês é usado para a agricultura, enquanto que o Brasil só utiliza para isso menos de 8% do seu território e que a maior parte da Hileia está conservada. 

Macron se especializou em acusar os brasileiros de tocar fogo na floresta, insinuando que deveria haver uma intervenção dos países hegemônicos na região. 

Bolsonaro afirmou que “é uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a Amazônia, a nossa floresta, é o pulmão do mundo; valendo-se dessas falácias um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa e com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa soberania”. 

Macron, que dispõe da bomba atômica e de colônia na Amazônia, a Guiana Francesa, esperneia. 

Sente-se, nas entrelinhas do que diz Macron, para a mídia que come nas mãos dos comunistas, a arrogância do colonizador. A França é um dos países que mais sofrimento infringiu, e continua infringindo, nas suas colônias, especialmente na África. Na América do Sul, sua colônia é cinicamente chamada de departamento ultramarino, mas é refém das políticas da União Europeia em um continente estranho à Europa. 

A verdade é que a Guiana Francesa é governada pela França em regime colonialista linha-dura, obrigada a exportar 70% de seus recursos naturais – especialmente minérios – para a França e importar 90% de todos os bens de consumo da metrópole, segundo o secretário de relações internacionais da União dos Trabalhadores da Guiana Francesa, Jean-Michel Aupoint, que luta pela independência da Guiana Francesa. Rafael Pindard, do Movimento de Descolonização e Emancipação Social da Guiana Francesa, afirma que os guianenses não têm o direito de utilizar os recursos naturais e a terra sem pedir autorização ao governo francês. 

A França mantém várias colônias mundo afora, mas a Guiana Francesa é estratégica, por três motivos: é lá que a França mantém uma das maiores bases de lançamento de foguetes da União Europeia; a França mantém na região um aparato militar capaz de rápida e eficiente intervenção na Amazônia; e tem acesso a recursos naturais inimagináveis, muito dos quais ainda intocados. O que os guianenses recebem em troca disso é quase nada. 

A França governa a Guiana Francesa com mão de ferro, com total controle político e militar. Não interessa à França munir a colônia com infraestrutura, nem desenvolvimento; interessa manter sua população em casa, com bastante enlatados para comer e euro para comprar cachaça. Esqueçam saúde e educação. Segundo Aupoint, o interior da colônia está abandonado. 

Mas ninguém é besta de sair falando por aí sobre a situação dos guianenses. A repressão francesa é famosa. Basta um rápido olhar sobre a Argélia, por exemplo. Assim, o estado francês desestimula qualquer movimento de independência da última colônia europeia na América do Sul. 

A Guiana Francesa é colônia, ou casa da mãe Joana da França, há mais de 400 anos. Ocupada originalmente por índios aruaques, a região já foi explorada por ingleses, holandeses, espanhóis e portugueses, até ser reivindicada para a França por Daniel de La Touche, o mesmo que fundou São Luís do Maranhão. De 1852 até 1938, foi um dos presídios mais degradantes do mundo; os franceses enviaram para lá, para morrer, cerca de 80 mil presos. 

Durante muito tempo, a França ambicionou o atual estado do Amapá, chegando, inclusive, a invadir o território, então pertencente ao atual estado do Pará. 

A maior parte da população é descendente de escravos e indígenas. A taxa de desemprego é de 22% e a expectativa de vida é de 58 anos. Cerca de 40% das crianças vivem abaixo da linha de pobreza. A violência também é explosiva. Uma rápida pesquisa em sites de instituições internacionais confirmam esses dados. 

A ONU é cheia de falácias: “Todos os povos têm o direito inalienável à liberdade absoluta, ao exercício de sua soberania e à integridade de seu território nacional. Proclama-se solenemente a necessidade de pôr fim rápido e incondicional ao colonialismo em todas as suas formas e manifestações” – diz trecho da Carta de Concessão à Independência aos Países e Povos Coloniais da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1960.

Hoje, mais de 61 países ainda são colônias: 16 da França, 15 da Grã-Bretanha, 14 dos Estados Unidos, seis da Austrália, três da Nova Zelândia, três da Noruega, dois da Dinamarca e dois da Holanda. A China, por exemplo, tem outras tantas colônias. Mas é mais negócio para muitas dessas colônias continuarem comendo nas mãos dos colonizadores porque suas economias não têm potencial para prosperar. Será esse o caso da Guiana Francesa?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O rio da minha cidade

Rio Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 28 DE DEZEMBRO DE 2020  Em junho de 2007, uma expedição integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Geográfico Militar do Peru, determinou o local exato da nascente do rio Amazonas, localizada no rio Apurimac, na cordilheira dos Andes, ao sul do Peru. 

Desde o início da década de 1990, uma equipe do Inpe, chefiada pelo geólogo Paulo Roberto Martini, da Divisão de Sensoriamento Remoto, estudava os rios Amazonas e Nilo, na África, por meio de sensoriamento remoto e geoprocessamento, tecnologias utilizadas no Programa Espacial Brasileiro, além de imagens dos satélites Landsat, da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, calculando, assim, minuciosamente, a extensão de ambos os rios, da nascente à foz. 

Em julho de 2008, bateu o martelo: o Amazonas configurava-se como o maior rio do planeta. 

Conforme o Atlas Geográfico Mundial, o Amazonas media 6.515 quilômetros. Com a nova medição, passou a ter 6.992,06, portanto 139,91 quilômetros mais longo do que o Nilo, que, também segundo o Atlas Geográfico Mundial, media 6.695 quilômetros, nascendo no rio Kagera, próximo à fronteira entre o Burundi e Ruanda, e correndo até o mar Mediterrâneo. A nova medição dele o amplia para 6.852,15 quilômetros. 

Em maio de 2008, o vice-presidente da Sociedade Geográfica de Lima, professor Zaniel Novoa, após 12 anos de investigação, confirmava a versão do explorador polonês Jacek Palkiewicz, que, em 1996, localizou a nascente do Amazonas e afirmou que o rio sul-americano era mesmo o maior do mundo. 

Desde que o Amazonas foi batizado, em 1500, foram identificadas nascentes em vários pontos do Peru, até a atual, a 5.179 metros de altitude, próximo ao monte Quehuisha, na região sul de Arequipa, Peru, e não nas cabeceiras do rio Marañon, como se pensava. 

Paulo Roberto Martini comentou que as medições anteriores foram feitas sem o uso de metodologias científicas: “Esse resultado mostra que, às vezes, as verdades mais bem estabelecidas têm de ser revistas porque podem simplesmente não ser verdade. Pelo menos desta vez não temos “acho”. Temos metodologia científica, e, por essa leitura, por essa interpretação, você pode colocar nos livros que o Amazonas é maior do que o Nilo”.

Mas em 2009, surgiu uma novidade: estudos mostravam que a nascente do Nilo apontava para o rio Rukarara, o que dava ao gigante africano o comprimento de 7.088 quilômetros, 95,94 quilômetros maior do que o Amazonas. E agora? 

Agora só tenho a dizer que o Amazonas é o rio da minha cidade, o que faz dele, entre todos os rios do mundo, o mais especial. Inclusive, numa tarde de maré cheia, quase morro afogado nele. É porque o Amazonas é como o mar. 

A bacia amazônica é um realismo fantástico, uma fronteira misteriosa, pouco conhecida e desprezada pelos governos federais e, pasmem, pelos próprios governos da Amazônia Clássica, apesar de se constituir na mais espantosa província biológica e mineral do planeta. 

Em 1500, o navegador espanhol Vicente Yañez Pizón batizou-o de Rio Santa María del Mar Dulce; 42 anos depois, o também espanhol Francisco Orellana mudou-o para Amazonas. 

O colosso marrom, que no estado do Amazonas recebe o nome de Solimões e nos estados do Pará e Amapá, de Amazonas, tem mais de mil afluentes, constituindo-se na espinha dorsal da maior bacia hidrográfica da Terra, formada por 7 mil rios, 25 mil quilômetros navegáveis, abrangendo uma área, segundo a Agência Nacional de Águas, de 6,110 milhões de quilômetros quadrados, 40% da América do Sul, banhando Bolívia (11%), Brasil (63%), Colômbia (5,8%), Equador (2,2%), Guiana (0,2%), Peru (17%) e Venezuela (0,7%). 

Da nascente até 1.900 quilômetros, o Amazonas desce 5.119 metros; desse ponto até o Atlântico, a queda é de apenas 60 metros. Suas águas correm a uma velocidade média de 2,5 quilômetros por hora, chegando a 8 quilômetros, em Óbidos, cidade paraense a mil quilômetros do mar e ponto da garganta mais estreita do Amazonas, com 1,8 quilômetro de largura e 50 metros de profundidade. 

Fora do estuário, a parte mais larga situa-se próximo à boca do rio Xingu, à margem direita, no Pará, com 20 quilômetros de largura, mas nas grandes cheias chega a mais de 50 quilômetros de largo, quando as águas sobem ao nível de até 16 metros. 

O Amazonas é navegável por navios de alto-mar da embocadura à cidade de Iquitos, no Peru, ao longo de 3.700 quilômetros. Seu talvegue, nesse curso, é sempre superior a 20 metros, e chega a meio quilômetro de profundidade próximo à foz. 

Segundo Admilson Moreira Torres, do Centro de Pesquisas Aquáticas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), e Maâmar El-Robrini, do Grupo de Estudos Marinhos e Costeiros (GEMC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); do Laboratório de Modelagem de Oceano e Estuários Amazônicos (Modelaz); e do Centro de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPa), a descarga hídrica do rio Amazonas é tão gigantesca que reduz a salinidade superficial do mar no oceano Atlântico tropical. 

A descarga média é de 180 mil metros cúbicos de água por segundo, um quinto, ou 16% da água doce despejada nos oceanos do mundo. Em maio, sobe para 220 mil metros cúbicos por segundo e, em novembro, cai para 100 mil metros cúbicos por segundo; 65% do fluxo vaza pelo Canal do Norte, que despeja até 160 mil metros cúbicos de água por segundo. Só a bacia do rio Negro, afluente da margem esquerda do Amazonas, contém mais água doce do que a Europa. 

Trata-se do único rio no planeta a apresentar estuário e delta. Com cerca de 60 vezes mais vazão do que o Nilo, calcula-se que o tributo do Amazonas ao mar é suficiente para encher 8,6 baías de Guanabara em um dia. 

Assim, o rio fertiliza o mar com sua água túrbida de húmus, além de espantosos 3 milhões de toneladas de sedimento por dia, 1,095 bilhão de toneladas por ano. O resultado disso é que a costa do Amapá está crescendo. 

A boca do rio, escancarando-se do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, mede em torno de 240 quilômetros, e sua água túrgida penetra cerca de 320 quilômetros no mar, atingindo o Caribe nas cheias, e, juntamente com outros gigantes do Pará e Amapá, contribui para que a Amazônia Azul setentrional seja a costa mais rica do planeta em todo tipo de criatura do mar, especialmente a costa amapaense, pois o húmus despejado pelo Mar Doce no Atlântico torna-a uma explosão de vida, no Brasil mais mal guardado pela Marinha de Guerra e menos estudado pela academia. 

Se mais de um terço de todas as espécies do planeta vive na Hileia, a bacia é berço de mais de 2.100 espécies de peixes, 900 a mais do que as dos rios da Europa. Somando-se às 1.200 espécies do Atlântico Norte, a Amazônia Atlântica é um santuário de 3.300 espécies. 

“O que me intriga, não apenas no conteúdo da educação fundamental brasileira, mas também na base de informações científicas e acadêmicas no Brasil, é a pobreza de informações ambientais e biológicas sobre essa região, batizada de Mar Dulce pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, em 1500, mesmo ano em que Cabral achava o Brasil” – comenta o oceanógrafo Frederico Brandini. 

Ele lembra que, no Amapá, as autoridades estão pouco preocupadas com o estudo da Amazônia Atlântica. As costas do Amapá e do Pará são um inacreditável banco de vidas marinhas, coalhado de piratas, que vão lá pegar, de arrastão, pescados, lagostas, camarão e outros frutos do mar. Pescadores paraenses já capturaram na altura da Vila de Sucuriju, no município de Amapá, marlim azul de meia tonelada. Nem Ernest Hemingway conseguia espadarte desse porte no Gulf Strean. 

Em 2011, pesquisadores do Observatório Nacional anunciaram evidências de um rio subterrâneo numa profundidade de 4 quilômetros abaixo do Amazonas, com 6 mil quilômetros de comprimento, batizado de Hamza, em homenagem a um dos pesquisadores, o indiano Valiya Hamza. 

Porém tudo o que escrevi neste artigo é apenas realismo fantástico. A Amazônia é ainda uma fronteira, uma colônia disputada pelas potências hegemônicas de sempre, multinacionais, megaempresários, ONGs e políticos perigosos.

A joia do rio Amazonas é Macapá, a capital do estado do Amapá. A cidade tremeluz na Linha Imaginária do Equador, debruçada na margem esquerda do Canal do Norte, quase na boca do gigante, quando o monstro penetra o azul do Atlântico, e, à noite, os jasmineiros soluçam no ar saturado de espilantol.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A eternidade é agora

Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia, em
Conduru, Cachoeiro de Itapemirim/ES

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 24 DE DEZEMBRO DE 2020 – Logo no início do ano, estive na praia, na Baixada Santista, com minha filha, Iasmim, e seu marido, Eduardo Akio, mais um casal de amigos deles, durante três dias.  Em março, fui à Vitória fazer um curso de analgesia em acupuntura e passar alguns dias com meu irmão, Olivar Cunha. Rodamos todo o litoral do Espírito Santo e paramos em Cachoeiro de Itapemirim, cidade natal de Roberto Carlos e Rubem Braga, e onde Lili, como o chamamos na intimidade, e que é pintor, mantém também casa e ateliê no distrito de Conduru.

Todo ano, em maio, acontece em Conduru a festa em homenagem à Santa Rita de Cássia. Lili, que é também restaurador, já recuperou várias imagens em cidades do Espírito Santo, inclusive a de Santa Rita de Cássia, bem como a pintou. No próximo ano, ele surpreenderá seus amigos de Cachoeiro com uma tela que vai maravilhar a todos, principalmente um cara muito conhecido.

Lili tem duas gatas lindas, gatas mesmo. Quando estive lá, uma delas, a Lindinha, a quem chamava simplesmente de Linda, dormia comigo. A outra, Juli, a quem eu chamava de Julieta, continuou dormindo com o Lili. Ele achou que Linda o abandonara, mas quando retornei a Brasília, Linda voltou a dormir na cama dele.

No fim de março, o vírus chinês já estava tocando o terror, de modo que retornei no início de abril a Brasília e à minha rotina, levantando-me às 4 horas para escrever. A pandemia acabou me inspirando uma história que vai abrir meu próximo livro de contos. E também comecei novo romance. Fora isso, tenho lido bastante e ouvido muita música.

Desde o ano passado venho aguardando o filme Sem Tempo para Morrer, dirigido por Cary Joji Fukunaga. Trata-se de uma sequência de Spectre, dirigido por Sam Mendes, vigésimo quinto filme e penúltimo da franquia 007.

Em Sem Tempo para Morrer, Daniel Craig encarna James Bond pela quinta e última vez. Para mim, Craig é o melhor 007 de toda a franquia. E teremos novamente Léa Seydoux, uma francesa lindíssima como Jessica Rabbit. O filme seria exibido nos cinemas este ano, mas devido ao vírus chinês ficou para o próximo.

Outro filme que estou aguardando é o quarto da franquia John Wick, com Keanu Reeves, que faz papel de um assassino eficientíssimo, que tenta se aposentar mas não consegue, pois dificilmente se sai de férias sem nenhum efeito colateral em uma profissão dessas. É o máximo do filme de ação. Mas esse parece que só em 2022.

Agora em dezembro, fui, com minha gata, Josiane, a um cinema de arte aqui de Brasília, ver a versão que Francis Ford Coppola queria e o estúdio não deixou para o terceiro O Poderoso Chefão. Extraordinário.

O Sudoeste, bairro de Brasília onde moro, fica ao lado do Parque da Cidade, um dos mais esplêndidos do mundo, e onde caminho quase todos os dias. Às vezes, entediado, pois mesmo as coisas mais esplêndidas do mundo podem nos parecer mesmice, dependendo das nossas circunstâncias, mudo de paisagem, e vou caminhar em outros pontos da cidade. À noite, o Sudoeste já recuperou mais de 50 por cento do seu movimento; é o mais movimentado da cidade, cheio de cafés, restaurantes, padarias e lojas, e conta até com um shopping, o Terraço. Além disso, fica pertinho de tudo.

O trabalho voluntário que realizo, juntamente com uma equipe maravilhosa, no Centro Espírita André Luiz, está suspenso. Aliás, não apareço por lá desde que sofri um infarto, em novembro do ano passado. Mas, agora, no fim de outubro ou início de novembro, voltei a realizar o mesmo trabalho, como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, no Centro Comunitário da Candangolândia, atividade que foi suspensa sábado passado, para as festas de fim de ano, com retorno marcado para janeiro.

Este ano, também, comecei a escrever regularmente para um dos portais mais lidos de Belém, o Ver-O-Fato, dirigido por um dos jornalistas mais competentes do Pará, Carlos Mendes, e participei de uma antologia de contos, Literatura Amapaense – Contos Escolhidos, organizada por Mauro Guilherme.

Assim que surgir uma vacina eficaz para o vírus chinês e voltarmos a sair de casa sem máscara, quero visitar meus irmãos, em Macapá, Belém e Vitória. Aliás, para 2021, já pensei numa infinidade de coisas. Uma delas é publicar fisicamente meu último romance, JAMBU. Outra, voltar a frequentar cinema e livrarias, as poucas que restam em Brasília, e fazer um curso de analgesia em acupuntura, quem sabe no Rio. Preciso ir ao Rio.

Em janeiro, tomarei posse na diretoria da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, seção do Distrito Federal (Abrajet/DF), que será presidida pelo jornalista Luiz Solano. Já temos uma pauta que exigirá toda a nossa atenção: a legalização do jogo de azar, incluindo os cassinos.

Estudos do Instituto Brasileiro Jogo Legal/BNLData indicam que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online, mas tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos.

É um equívoco e uma estupidez o Brasil continuar com o jogo de azar na clandestinidade. Todo o Primeiro Mundo tem jogo de azar funcionando e arrecadando impostos. No senso comum, acredita-se que o jogo financia o crime. É o crime que está enriquecendo mais ainda com o jogo. Está tudo pronto para votarem no Senado a legalização do jogo logo no início de 2021.

Neste 2020, pesquisei muito sobre Medicina Vibracional, e já venho utilizando, em todos os meus pacientes, conhecimentos que obtive nesse mergulho, despertando, cada vez mais, o terceiro olho. Também li e ouvi muito o médium e astrofísico Laércio Fonseca, sobre a vida após a morte.

Ontem, enquanto caminhávamos no Parque da Cidade e conversávamos, minha esposa, Josiane, que é preletora da Seicho-No-Ie e psicóloga, esclareceu algo que eu ainda não entendera completamente: que a matéria não existe. Sim, porque a matéria, tal como a conhecemos aqui no plano físico, só existe na mente. Quando morremos e passamos para o plano astral, o estado da matéria muda, e percebemos que o mundo físico é uma ilusão, não tem existência verdadeira; se tivesse, também no plano astral seria a mesma matéria, e não é.

Assim, tanto faz ser 2020 quanto 2021, o Tao, o caminho, é sempre agora, e o caminho pode ser florido, e nele ouvirmos risos de crianças.