quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Silvia Waiãpi: a extração de petróleo na foz do Amazonas é inevitável. O país está num atoleiro

Para Silvia Waiãpi o petróleo amapaense pode ser a saída do atoleiro
em que o país foi enfiado (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 5 DE OUTUBRO DE 2023 – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse na Câmara dos Deputados que o veto do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) à extração de petróleo na foz do rio Amazonas, no litoral do Amapá, é técnico. 

A deputada Silvia Waiãpi (PL/AP), estudiosa do assunto, me disse ontem que o veto vai cair, porque o governo Lula cavou um atoleiro. Para ela, a liberação da extração de petróleo na foz do rio amazonas é inevitável. Quanto à Marina Silva, até dezembro Lula bolará uma retirada honrada da deputada acriana, mas eleita pelos paulistas, pela Rede. 

Em sete meses de governo, o presidente Lula e o gênio da economia o ministro Fernando Haddad já atolaram o país em um rombo de 100 bilhões de reais. Rombo nas contas públicas acontece quando o governo gasta mais do que arrecada. E Lula gasta com fúria, principalmente no jogo fisiológico com o Congresso Nacional. Porém o atoleiro é mais fundo. Chama-se inflação. 

O presidente Jair Messias Bolsonaro deixou um superávit de 58 bilhões de reais, embora tenha extinguido vários impostos. 

Só no primeiro semestre deste ano, 427.934 empresas fecharam as portas e os investidores estrangeiros estão ressabiados com a insegurança política no Brasil. Lula se alinhou com a China, Venezuela, Cuba e outras ditaduras, e partiu para o confronto ideológico com os Estados Unidos. 

A Margem Equatorial, a 60 quilômetros da costa do Amapá, contém cerca de 30 bilhões de barris de petróleo e a Petrobrás tem expertise em águas profundas. Enquanto isso, a vizinha Guiana, também nadando em petróleo, já está explorando seu quintal atlântico, de mais de 11 bilhões de barris. 

Quanto ao Amapá, é uma das unidades mais pobres da federação. Isolado do restante do país pelo maior rio do mundo, o Amazonas, ao sul, e pela Hileia e as Montanhas do Tumucumaque, a oeste, faz fronteira com a Guiana Francesa e com o Suriname ao norte. Além da carestia de produtos importados de outros estados, devido ao transporte, os amapaenses vivem assombrados por apagões. 

Macapá, a capital, é banhada pelo rio Amazonas, que despeja em média no Atlântico 200 mil metros cúbicos de água por segundo, mas é comum abrir-se a torneira e sair lama. Nos apagões, os prejuízos são incontáveis. A cidade também não conta com esgotamento sanitário. Inchada e violenta, tem escritório de todas as facções brasileiras cobrando pedágios caríssimos, como a vida.

De modo que boa parte dos tucujus (macapaenses) vê com esperança os royalties do petróleo.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

O poderoso Prizzi e o comunismo meia-boca

Kathleen Turner é uma esposa meiga e louca por dinheiro

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 29 DE SETEMBRO DE 2023 – Não há comunismo sem revolução, sem sangue em escala e sem apoio das forças armadas do país. É por isso que, mesmo com o Brasil fazendo mesuras para o Partido Comunista Chinês, os Estados Unidos ainda não deram uma resposta avassaladora a nós. A China é uma potência nuclear capaz de fazer frente a qualquer nação do planeta, menos aos Estados Unidos. Já se sabe, por uma informação aqui, outra ali, que antes que a China consiga jogar uma bomba de hidrogênio sobre os Estados Unidos poderá ser varrida do mapa. Aí, nesse caso, a Terra virará um inferno. 

Mas tem uma hora que o capeta consegue dar uma cutucada com terçado nos ovos do dragão; não o chinês, mas o americano, mesmo, a águia. Mas são só negócios. Como no filme A Honra do Poderoso Prizzi. 

Prizzi's Honor é o penúltimo filme de John Huston, de 1985 (o derradeiro é Os vivos e os mortos, de 1988, adaptado de um conto de James Joyce). Lembro quando o vi na estreia no Brasil, em Belém do Pará. Baseado em um romance de Richard Condon, o roteiro, de Condon e Janet Roach, é impecável; a fotografia, de Andrzej Bartkowiak, é belíssima, e por aí vai. No elenco, um dos maiores atores de todos os tempos, Jack Nicholson, contracena com a deslumbrante Kathleen Turner e com uma Anjelica Huston no auge. 

Não deu outra: oito indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (Jack Nicholson), Ator Coadjuvante (William Hickey), Atriz Coadjuvante (Anjelica Huston), Roteiro Adaptado, Montagem e Figurino. Anjelica Huston levou o Oscar de Atriz Coadjuvante. O filme ganhou também quatro Golden Globe: Melhor Comédia/Musical, Diretor, Ator Comédia/Musical (Jack Nicholson) e Atriz Comédia/Musical (Kathleen Turner). 

Prizzi é um filme de máfia e uma comédia de humor negro. Nicholson encarna Charley Partanna, assassino profissional, afilhado do poderoso Don Corrado Prizzi (William Hickey), chefão de uma poderosa família mafiosa dos Estados Unidos, e separado da neta de Don Corrado, Maerose (Anjelica Huston). 

Durante uma festa de casamento, Partanna conhece e se apaixona instantaneamente pela deslumbrante Irene Walker (Kathleen Turner), que está em Nova York a trabalho e corresponde à paixão avassaladora de Partanna. Começa, aí, um desses relacionamentos tórridos, de horas e horas dedicadas ao esporte sexual. Mas o problema lateja o tempo todo: Irene é também assassina profissional. E em curto espaço de tempo um acaba sendo contratado para matar o outro. 

Enquanto isso, Don Corrado Prizzi, um velhinho encarquilhado, encurvado, fumante inveterado, manipula a todos com maestria, movido pela máxima: são só negócios. E o negócio dele é apenas um: dinheiro. 

Isso parece um roteiro hodierno, envolvendo marionetistas exímios, velhos bichados, predadoras, assassinatos misteriosos e tentativas de homicídio. O problema, neste caso, é que há vários capo di tutti capi e todos os mafiosos estão com seus cofres secos, e a burra também está seca. Assim, é preciso tomar dos outros tudo o que é comercialmente valioso e vender o fruto do assalto no mercado negro. Como fazem os mafiosos. 

As máfias do mundo inteiro agem como um estado dentro do estado, para o que aparelham as instituições do estado legal, especialmente a polícia. Quando conseguem seduzir as forças armadas, aí se instalam como carrapatos; é o que chamamos de ditadura totalitária, como na China, Cuba, Venezuela etc. A Rússia continua ditadura meia-boca, pois Vladimir Putin, o capo di tutti capi russo, ainda não conseguiu restaurar inteiramente o czarismo, ou comunismo. 

Segundo a Espiritualidade, o Brasil é o coração do mundo, a pátria do Evangelho. Este paraíso tropical, com 8.515.759 quilômetros quadrados e 214 milhões de habitantes, abriga todas as religiões do planeta e todas as etnias. Aqui, europeu procria com índio, africano, asiático, e todos procriam com todos, gerando mulatos, mamelucos e cafuzos. É um povo amoroso e alegre.

É verdade que boa parte do povo brasileiro é alienada, ao que os comunistas chamam de idiota útil, mas gafanhotos não se dão bem com o nosso sol e com a vibração de amor emanado do povo, mesmo que as máfias brasileiras, chamadas de facções, estejam aparelhadas pelos magos negros. O resultado é que o poder do capo di tutti capi é o de um pato manco, de andador.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Crianças não estão à venda. São filhos de Deus

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 25 DE SETEMBRO DE 2023 – A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) é uma gaúcha de 74 anos, nascida em Porto Alegre, em 2 de outubro de 1948. Tem um casal de filhos. Sexta-feira 22, ela votou pela descriminalização do aborto até 12 semanas de gestação, praticamente três meses. Adiante, talvez passe para seis meses. Se essa monstruosidade passar no Supremo significa que a mãe que quiser matar seu feto de três meses está autorizada a mandar bala. A menos que o Congresso Nacional impeça a matança. 

A ministra argumenta que não há consenso sobre o início da vida humana. A ciência e a espiritualidade já confirmaram: a vida física começa na concepção. Biologicamente, se há concepção há nova vida, e se há nova vida é porque o plano espiritual já planejou tudo. Ela fala também em Estado de Direito. Não vou entrar no mérito. 

Na mesma sexta-feira 22, Rosa Weber participou do seminário comemorativo dos quatro anos do Pacto Nacional pela Primeira Infância, no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No discurso de abertura, a presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmou que o pleno desenvolvimento das crianças deve ser compartilhado entre família, sociedade e Estado, lembrando Nelson Mandela ao dizer que cuidar das crianças de um país com justiça e carinho é a maior expressão da alma de uma nação. 

A vida das crianças nunca foi moleza. Em momento algum da história da humanidade. Muitos dos que não são assassinados no ventre da mãe são escravizados. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), todos os anos, 1,2 milhão de crianças desaparecem no mundo. No Brasil, 50 mil crianças são sequestradas por ano – 137 por dia. 

Som da Liberdade, do roteirista e diretor Alejandro Monteverde, em cartaz nos cinemas, foi concluído em 2018. No ano seguinte, quando deveria ser lançado, a Disney comprou a produtora do filme e o guardou na geladeira, até que os produtores o compraram e só agora fizeram o lançamento mundial. O longa dramatiza os relatos reais de um ex-agente do governo dos Estados Unidos, Tim Ballard, vivido por Jim Caviezel, que trabalhou no resgate de crianças, “filhos de Deus que não estão à venda”, das garras de traficantes sexuais. 

O tema é tão diabólico que nem Jim Caviezel bota o filme a perder. Caviezel é canastrão; tem o olhar de um poste. E o enredo é simplório demais. Não se aprofunda na carniça que é a pornografia infantil. 

Fui ver o filme porque já pesquisei o tema, para meu romance O CLUBE DOS ONIPOTENTES. Mas antes do CLUBE, a Editora Cejup, de Belém do Pará, publicou, em 1996, meu conto A CAÇA, que voltou a ser publicado em 2008, no livro O CASULO EXPOSTO, pela LGE Editora, hoje, Libri Editorial, de Brasília. No volume da Editora Cejup, o sociólogo, ensaísta e contista Fernando Canto escreveu na orelha do livro o seguinte: 

“A obstinação de um professor em busca da filha sequestrada por traficantes de crianças move, com muita velocidade, esta novela de Ray Cunha. A CAÇA flui em linguagem direta, enxuta, que, aliás, é o estilo deste autor inquieto e que manda às favas os adjetivos inúteis, preferindo a ação aos conceitos, com o objetivo de produzir uma narrativa rica e movimentada. 

“Como toda boa história, A CAÇA carrega no seu bojo a condição maniqueísta de homens gastos pelas agruras do cotidiano, em que os mais diversos sentimentos tomam conta dos personagens e permite que se observe a condição humana a partir de gestos que exprimem a traição e o ciúme, a luta pelo poder e pelo dinheiro, além da clara tensão para ver resolvidos seus problemas e obsessões. 

“Ray Cunha sustenta sua casa trabalhando como jornalista, e talvez por conhecer tão bem a redação de um jornal faz conduzir esta história a partir da construção de um personagem-narrador, também jornalista – Reinaldo –, que ressurge após protagonizar A GRANDE FARRA, primeira novela do autor. 

“A CAÇA é uma história bem articulada e de uma ambientação e temática pouco explorada na literatura brasileira, talvez por ser atual e refletir os problemas que afligem as pobres sociedades latino-americanas. É um livro para ser bebido como um bom scotch, a fim de que o leitor possa saboreá-lo”. 

Em O CLUBE DOS ONIPOTENTES, há um levantamento sobre a indústria da escravidão de crianças: “Em 2010, uma de cada quatro pessoas traficadas no mundo era criança. Em algumas regiões, porém, o número de crianças supera o de adultos; por exemplo, em países da África, dos Andes, dos Bálcãs e do Sudeste Asiático. As crianças são usadas como escravas sexuais, para transportar drogas, para extração de órgãos, para trabalho estafante e até como soldados. Segundo a ONU, entre janeiro de 2012 e agosto de 2013, na República Democrática do Congo, África, foram registrados cerca de mil casos de crianças recrutadas por grupos armados congoleses. 

“Relatório do Departamento de Estado americano dá conta de que na Papua Nova Guiné, Ásia, crianças com até cinco anos são entregues à exploração sexual ou trabalho forçado por seus próprios parentes, e líderes tribais chegam a trocar crianças e mulheres por vantagens políticas e armas. Na China, a política de filho único levou ao infanticídio de meninas e à consequente falta de noivas. Aí, o tráfico de meninas foi intensificado no vizinho Mianmar rumo à China. Segundo relatório da ONU, somente em 2010 foram registrados 122 desses casos. No Laos e Camboja, Ásia, escravos são levados para alto-mar, onde trabalham até 20 horas por dia, sete dias por semana. Os doentes ou muito fracos são mortos e atirados no mar”. 

Essas crianças conseguiram nascer, mas, em um descuido dos seus pais, ou a confiança deles na conversa de hienas, elas são levadas, desaparecem, e seus destinos são crudelíssimos. Não dá nem para pensar nisso.

Já que começamos essa história falando em aborto, sabiam que os fetos choram, gritam, berram, quando o cirurgião está cutucando-os, cortando-os, até conseguir extrair os pedaços? Ou quando são envenenados pela própria mãe. Mas ninguém os ouve, pois gritam aqueles gritos mudos, de pesadelo.

sábado, 9 de setembro de 2023

Nordestinos são duplamente castigados: abandonados pelo pai dos pobres, são acusados nas redes sociais de terem levado Lula à vitória

Janja, de vermelho, posa fazendo o L, ao lado do pai dos pobres

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 9 DE SETEMBRO DE 2023 – Trabalhei em redações de jornais impressos e de portais durante mais de 40 anos; a partir de um certo momento percebi que a maior parte do que era publicado era baseada em meias verdades e mentira em estado bruto. Hoje, a grande mídia é propaganda pura. Assim, leio e ouço alguns jornalistas em quem confio e as redes sociais. 

O presidente Jair Messias Bolsonaro foi revolucionário em vários aspectos. Por exemplo: foi o primeiro presidente a tratar com realismo e seriedade o Nordeste, assim como a Amazônia. Com relação ao Nordeste, Bolsonaro levou água e quando começou a tirar o povo da miséria foi nocauteado. 

Os nordestinos foram abandonados pelo presidente Lula da Silva. Estão entregues à própria sorte, tanto que já houve até greve de prefeitos nordestinos. Nas eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro perdeu no Nordeste. Assim, muita gente posta nas redes sociais desabafos contra os nordestinos. Porém “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia” – como disse William Shakespeare. 

Segundo as urnas eletrônicas, no segundo turno, Lula ganhou em 13 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. 

Bolsonaro ganhou em 14 estados: Acre, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. 

Mesmo assim Bolsonaro perdeu. O estranho é que desde candidato, em 2018, onde quer que Bolsonaro apareça é ovacionado por multidões, enquanto que Lula é apupado. Hoje, Lula só vive em palácio e hotéis seis estrelas. A CPMI de 8 de Janeiro já esclareceu o que houve naquela data. 

Quanto a Bolsonaro, eviscerado, em 2018, sabe que se for preso pelo sistema não haverá Santa Casa de Misericórdia que o salve.

Nesse 7 de Setembro, Lula e sua esposa, Janja, que estava de vermelho e fazendo o L, desfilaram em carro aberto, na Esplanada, para ninguém. Foi um funeral. A seguir, em vez de irem ao Rio Grande do Sul, assolado por temporais com dezenas de mortos, seguiram para um hotel de luxo na Índia.

Leia O CLUBE DOS ONIPOTENTES e saiba o que está por trás disso tudo.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

A geração perdida. A vida secreta de Fidel

Fidel Castro e Che Guevara: heróis da esquerda tiete caviar

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 30 DE AGOSTO DE 2023 – A escritora Gertrude Stein dizia que a tribo de seu colega Ernest Hemingway era uma “geração perdida”, e o próprio Hemingway utilizou a frase como epígrafe no seu romance O Sol Também se Levanta. Stein referia-se à geração nascida entre 1883 e 1900, que teve sua adolescência ou vida adulta permeada pela Primeira Guerra Mundial, os anos 1920 e a Grande Depressão. Muita gente, nessa época, sentia-se perdida e vivia em busca de um norte, procurando se encontrar a si mesmo em um mundo em rápida transformação. 

Alguns escritores, conhecidos de Hemingway, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald e James Joyce, refletiram nos seus livros o espírito da época, permeada de efervescência cultural, insatisfações sociais, incertezas políticas, mudanças tecnológicas e falta de perspectivas. 

A geração nascida nas décadas de 1950 e 1960 é também uma geração perdida. Teve Fidel Castro e Che Guevara como seus heróis. Mas tudo isso foi desmitificado. Quem lê, sabe. Fidel Castro não passou de um playboy inteligentíssimo, e assassino também. Mais assassino do que ele foi Che; psicopata mesmo. Na avalanche de livros que dissecam a vida desses dois répteis, falarei um pouco sobre A Vida Secreta de Fidel, do seu guarda-costas Juan Reinaldo Sánchez, em depoimento ao jornalista francês Axel Gyldén. Comprei meu volume no Sebo do Ed (corredor central da Quadra 2 do Setor Comercial Sul, Brasília/DF), da Editora Paralela, São Paulo, 2014, 232 páginas. 

Sánchez (Havana, 1949-Miami, 2015) foi guarda-costas de Fidel por 17 anos, de 1977 a 1994, quando resolveu se aposentar. Mas guarda-costas de ditador não se aposenta. Foi, então, preso. Tentou fugir dez vezes. Conseguiu, em 2008. 

O livro todo mostra um Fidel mergulhado no luxo, escondido sob uma máscara de austeridade, enquanto o povo cubano morria de fome. Era um “homem dominado pela febre do poder absoluto e pelo desprezo ao povo cubano; mais que sua ingratidão sem limites com os que o serviram, reprovo sua traição, porque traiu a esperança de milhões de cubanos” – escreve Sánchez. “Por que os heróis (das revoluções) se transformam sistematicamente em tiranos piores do que os ditadores que combateram?” – pergunta-se. 

Segundo ele, Fidel mantinha 20 residências privadas na ilha, uma marina com quatro iates e um barco de pesca, o Aquarama II, e uma ilha secreta com restaurante flutuante e um aquário de golfinhos, Cayo Piedra. Mais de cem homens cuidavam da sua segurança e a administração da sua vida, do seu harém e filhos. A revista Forbes dizia que Fidel tinha 900 milhões de dólares, mas o governo de Cuba afirmava que não, que o ditador vivia de seu salário, 36 dólares por mês. 

Quanto à descrição que Sánchez faz de Fidel está de acordo com as biografias sérias que circulam por aí: carismático, inteligente, manipulador, egocêntrico e de sangue frio, igual tubarão. 

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em Birán, em 13 de agosto de 1926, e virou zumbi em Havana, em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos de idade. Foi ditador de Cuba a partir de 1959, transformando a ilha em uma favela. Filho de fazendeiro rico, estudou Direito na Universidade de Havana. Em 1953, planejou derrubar o ditador cubano Fulgencio Batista, lançando um ataque ao Quartel Moncada. Não deu certo. 

Um ano depois, no México, criou o Movimento 26 de Julho, juntamente com seu irmão Raúl Castro e o aventureiro argentino Che Guevara. Voltou a Cuba e começou a guerrilha contra as forças de Batista, a partir de Serra Maestra, depondo o ditador, em 1959, e aliando-se à União Soviética. Em 1962, Fidel permitiu que os soviéticos instalassem armas nucleares na ilha. Por um triz não foi desencadeada a terceira, e última, guerra mundial. A União Soviética viu que essa guerra acabaria com a vida no planeta e retirou seus mísseis nucleares de Cuba. 

Mas estava instalado nas Américas o comunismo. Mais tarde, Fidel Castro e Lula da Silva criariam o Foro de São Paulo, com a missão de instalar o comunismo na coroa do bolo, ou melhor, o próprio bolo, o Brasil, e declarar guerra, embora apenas subtendida, aos Estados Unidos. 

Quanto a Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, nasceu em Rosário, na Argentina, em 14 de junho de 1928, e morreu em La Higuera, Bolívia, em 9 de outubro de 1967. Conheceu Fidel Castro na Cidade do México e se juntou ao Movimento 26 de Julho, partindo para Cuba a bordo do iate Granma com a missão de derrubar Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. 

Che se tornou o executor preferido de Fidel. Executava com gosto. Deposto um ditador e posto outro, Che passou a matar prisioneiros políticos e quando não havia mais ninguém amarrado para ele matar andou se metendo na economia de Cuba. Foi um desastre. Igual o que está acontecendo atualmente no Brasil. Aí, ele resolveu matar na África e depois na Bolívia, onde chegou escondido em 3 de novembro de 1966, com o nome de Adolfo Mena González, empresário uruguaio que trabalhava para a Organização dos Estados Americanos. 

Na Bolívia, Che criou o Exército de Libertação Nacional da Bolívia (ELN), para fazer uma revolução comunista. Seu primeiro acampamento foi instalado na remota região de Ñancahuazú. Conseguiu cerca de 50 homens. Che pensava que teria que lutar apenas contra o Exército boliviano, mas os americanos já estavam lá. 

Na manhã de 8 de outubro de 1967, dois batalhões, com 1,8 mil soldados, cercaram o acampamento de Che, que foi ferido, ergueu os braços em sinal de rendição e gritou aos soldados: “Não atire! Eu sou Che Guevara e valho mais para você vivo do que morto”. Então foi amarrado e levado naquela noite para uma escola na aldeia vizinha de La Higuera. 

Na manhã de 9 de outubro, o presidente boliviano, René Barrientos Ortuño, ordenou a morte de Che. O sargento Mario Terán, de 27 anos, se ofereceu para executá-lo. Usou uma carabina M2 de carregamento automático, atingindo Che com nove balaços, nos braços e nas pernas, para não parecer uma execução, e, finalmente, no peito e na garganta. As mãos de Che foram amputadas para identificação de impressões digitais e seu corpo foi enterrado, ou cremado, em local desconhecido. 

No livro O Verdadeiro Che Guevara o cubano Humberto Fontova registra uma frase do argentino: “Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar movida apenas pelo ódio”.  O fato é que já se desmitificou tudo: Che, herói da geração perdida dos anos 1950-1960, não passava de um psicopata. Frio, sem escrúpulo, sanguinário. Seu único propósito era matar. Odiava negros, homossexuais, intelectuais e artistas, e executava prisioneiros com gosto, estourando seus miolos a pouca distância. Era o monstro de que Fidel precisava para chegar à burra cubana.

Atribui-se a Che a frase paradoxal: “É preciso endurecer, mas sem jamais perder a ternura”. Mito. Aliás, Che é, todo ele, uma farsa. Adorado por celebridades, como Carlos Santana, Angelina Jolie, Madonna, Mike Tyson, Al Gore, Sharon Stone, Merly Steep e Christopher Hitchens, Che é o tipo de símbolo que a esquerda tiete caviar e os idiotas úteis adoram. Uma geração enganada.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Culinária paraense, café de açaí, a Amazônia despida das bobagens que propagam sobre ela

JAMBU, na edição do Clube de Autores: Amazônia completamente nua

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 23 DE AGOSTO DE 2023 – Acho a culinária paraense a mais saborosa do planeta. Claro, cada qual puxa a sardinha para sua brasa. Sou caboco ribeirinho de Macapá. A cidade, em 1954, quando nasci, era um povoado à margem do maior rio do mundo, o Amazonas, e, até 1943, o Amapá era Pará, de modo que sou paraense de Macapá, e meus anos de formação foram principalmente em Macapá e Belém. 

A partir dos 21 anos, em 1975, trabalhei em todos os grandes jornais impressos da Amazônia, e sempre li a literatura científica sobre o Trópico Úmido, além de alguns escritores da Hileia, como os paraenses Dalcídio Jurandir e Benedicto Monteiro, o manauara Márcio Souza e os amapaenses Isnard Brandão Lima Filho e Fernando Canto. 

Importante: nesse meio tempo desenvolvi minhas antenas de escritor, atento ao que se passava não somente comigo, mas ao meu redor, também, lendo, ouvindo sons que vinham do Caribe, como merengue, vendo o trabalho de pintores como R. Peixe e Olivar Cunha, e exercitando minhas papilas gustativas com iguarias de deixar chef francês de joelhos. 

A base da culinária paraense é indígena, com grande colaboração africana e a sofisticação lusitana, e a matéria-prima é principalmente mandioca, peixes de primeiríssima categoria (há mais espécies de peixes na Bacia Amazônica do que no litoral brasileiro) e frutos do mar, jambu e açaí. 

A comida paraense está presente, hoje, nas três maiores praças gastronômicas do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, por meio de restaurantes e casas especializadas em produtos da Amazônia. Além das comunidades dos diversos estados da Amazônia Clássica, os frequentadores desses restaurantes são os próprios paulistanos, cariocas e brasilienses, que, cada vez mais, apreciam o gosto do Trópico Úmido. 

Tacacá, maniçoba, camusquim, tamuatá e pato no tucupi, açaí com farinha de tapioca e mapará assado na brasa, filhote ao molho de castanha-do-pará, pescada ao molho de camarão pitu, caranguejo, unha de caranguejo. À noite, Cerpinha. 

Agora, surgiu um produto novo na Grande Floresta: café de açaí. Novo, não! Ao que se sabe, foi criado há três décadas. Trata-se de caroço de açaí moído e torrado, base de uma bebida com sabor semelhante ao de café, porém sem cafeína. Ao que se sabe, a bebida foi inventada pela agricultora Perina Rodrigues, moradora da Vila Paulo Fonteles, a 60 quilômetros da sede do município de Parauapebas, no interior do Pará, onde moram ela e seu marido, Roberto Carlos Cunha, ambos migrantes goianos. 

Um dia, faltou café em casa. “Sem dinheiro e nem meios para ir a Parauapebas, fiquei pensando, aí surgiu a ideia de torrar semente de bacaba (semelhante a açaí, porém mais clara e gordurosa) para tentar fazer café; a cor ficou igual do café, mas o sabor foi reprovado, porque amargava muito” – lembra Perina. 

Aí, Perina resolveu experimentar caroço de açaí. O cheiro ficou semelhante ao de café e o sabor também. A partir daí, sempre que faltava café, ela torrava açaí. A comunidade ficou sabendo da novidade e o produto foi se espalhando. Hoje, em Macapá, a Engenho Café de Açaí, criada em 2020, já está vendendo café de açaí para a Alemanha e Estados Unidos. A empresa produz quatro toneladas de café de açaí por mês. Matéria-prima é o que não falta. Só em Macapá e Santana, na Zona Metropolitana da capital amapaense, são jogadas fora 24 toneladas de caroços de açaí todos os meses. 

O café de açaí é rico em nutrientes, como vitamina A, que combate o envelhecimento, reforça a imunidade e protege a saúde dos olhos; vitamina D, que fortalece os ossos; vitamina E, benéfica para a pele e o cabelo; e vitamina K, que previne doenças cardiovasculares. Por conter muitas fibras, regula o intestino e reduz colesterol e glicose no sangue.

O meu romance ensaístico JAMBU é um mergulho na cozinha paraense. Sinopse: casal investiga um traficante de crianças e de grude de gurijuba durante o Festival Gastronômico do Pará e Amapá, no luxuoso Hotel Caranã, no bairro do Pacoval, em Macapá. Ensaístico porque mistura personagens de ficção com pessoas reais, vivas ou mortas, além de deixar a Amazônia inteiramente nua, desmitificando todas as bobagens que dizem sobre ela.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Três livros que dissecam o comunismo, o Foro de São Paulo e Lula. Roriz e o inchaço de Brasília

Lula da Silva na ONU, em 2025: fantasmas o perseguem

Ray Cunha 

BRASÍLIA, 18 DE AGOSTO DE 2023 – Há três livros no Brasil que mergulham fundo no ventre da besta, no coração das trevas: o comunismo. Todos os três encontraram no vulcão gástrico-cardíaco o representante no Brasil dessa ideologia satânica, o que conseguiu enxergar mais fundo o inferno: Luiz Inácio Lula da Silva. 

São eles: Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos (Thesaurus Editora/Tagore Editora, Brasília, 2020, 444 páginas), de Jorge Bessa. Espião brasileiro em Moscou durante a Guerra Fria, Bessa chefiou os departamentos de Contra-Espionagem e de Contra-Terrorismo da antiga Secretaria de Inteligência da Presidência da República, atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Graduado em Economia pela Universidade Federal do Pará, formado em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Nacional de Acupuntura, psicanalista, pesquisador de assuntos metafísicos e espiritualistas, tentando estabelecer pontes entre ciência e espiritualidade, é autor de mais de duas dezenas de livros, alguns relacionados à atividade de inteligência de estado e outros ligados às áreas de saúde mental. 

Bessa disseca o comunismo desde a sua origem, na Revolução Francesa, passando pela Revolução Comunista na Rússia e atravessando o período da Guerra Fria, até chegar ao Foro de São Paulo, “organização que pretende realizar na América Latina aquilo que fracassou no Leste Europeu: o comunismo transvestido em socialismo do século XXI, socialismo bolivarianista, socialismo moreno, neocomunismo ou simplesmente socialismo petista”. 

Se em Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos Bessa faz um levantamento da tragédia global que é o comunismo e traça o perfil psicológico de Lula, Romeu Tuma Júnior descreve o modus operandi de Lula e sua organização no seu Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado. Meu exemplar é de 2013, sétima edição, Topbooks, Rio de Janeiro, 557 páginas. No livro, Tuma Jr. mostra, logo de cara, que Lula é cínico e perigosíssimo, e denuncia o projeto de poder do dono do Partido dos Trabalhadores (PT) e a construção de uma polícia de estado e de uma fábrica de contrainformação para exterminar inimigos, além de escrever o roteiro do assassinato de Celso Daniel. 

Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado é um depoimento ao jornalista e escritor Claudio Tognolli, que não conseguiu cortar o excesso de confetes e serpentinas que Júnior lança no pai, Romeu Tuma, diretor-geral do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e senador da República por São Paulo, e as passagens em que o filho, Romeu Tuma Júnior, delegado da Polícia Civil de São Paulo, deputado estadual e secretário Nacional de Justiça, se deixou levar pela emoção. Mas o livro, embora adiposo, consegue conduzir sua micro câmera até o intestino da besta, flagrando um Lula que foi dedo-duro dos seus próprios companheiros, no Dops. Segundo Júnior, Lula foi uma espécie de gato do regime militar, afagado por Romeu Tuma pai, que nem sequer sonhava que estava afagando a própria serpente. Tuma não sonhava, mas Lula já sonhava com o “puder” total. 

O Clube dos Onipotentes (Clube de Autores, 2022, 278 páginas), deste repórter, é um romance ensaístico, um thriller político. Do mesmo gênero de Agosto, de Rubem Fonseca, e A Festa do Bode, de Mario Vargas Llosa, em que os autores misturam ficção com história real, personagens inventadas com pessoas reais, vivas e mortas, ambiento O Clube na história política recente do país. 

Construí o enredo fictício de O Clube com base em dois livros de Jorge Bessa: Grigori Raspútin: As Forças Destrutivas do Mal e Marxismo – O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos. O resultado é um passeio pelas trevas do comunismo. 

– A trama de O Clube dos Onipotentes começa com uma ocorrência policial sobre exploração de menores, com o envolvimento de importantes figuras do cenário político nacional, e envereda para uma trama macabra, com o fim de assassinar o presidente da República. Entre uma coisa e outra, a história nos leva a um tour histórico pelo maior flagelo da humanidade, o socialismo/comunismo, e ouso dizer que maior até que o nazismo, guardadas as proporções globais e o necessário respeito às vítimas. No entanto, mais devastador do ponto de vista da abrangência humana por seu tempo de duração e aplicação em mais de 70 nações do mundo, resultando, sempre, em genocídio, exploração, tirania e miséria – escreve o jornalista, psicanalista e cientista Marcos Machado, editor do portal Do Plenário. 

Aproveito, aqui, para publicar um puxão de orelha que Marcos Machado me deu. O Clube tem ainda em segundo plano o governo Roriz. Na trama, Roriz aparece como culpado pelo inchaço de Brasília. Machado o defende: 

“Mas O Clube dos Onipotentes comete uma injustiça, e tenho certeza de que é por crença do autor e não por ciência. A diferença entre inverdade e mentira é que mentira é o que a esquerda dissemina e inverdade é o que as pessoas repetem por desconhecimento da realidade. Assim, também, mentira e irrealidade são coisas distintas. 

“No livro, Ray Cunha aborda o programa habitacional do governador Joaquim Roriz como responsável pelo inchaço da capital do país, mas isso é mentira da esquerda, que, à época, lutava para derrubar Roriz, inverdade abraçada pela elite planopilotista e intelectuais unibestados, que proliferou nas redações e mesas de bares ocupadas por pensadores que viam, na maioria, Brasília como uma ilha cuja borda era a quadra do Beirute. Dali para a frente, era tudo Goiás. 

“O programa não era do Roriz, mas coisa séria já prevista no memorial descritivo da Capital, de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, com a indicação, inclusive, da área onde foram criadas as regiões administrativas da expansão urbana. O que Ray Cunha fez foi repetir a inverdade criada pela oposição (esquerda). A intervenção de Roriz acelerou o projeto de expansão, que salvou, isto mesmo, salvou a área tombada, a qualidade de vida no Plano Piloto e redondezas, e, ao contrário da narrativa, não, não inchou Brasília. 

“Crença versus ciência – a primeira se baseia em nada, só em narrativa de alguém, ou de alguéns, sem qualquer comprovação, dado, fato, estatística, estudo, ou seja lá o que for. É só papo de botequeiro. Bem típico da esquerda, até hoje. Mesmo que se apresentem evidências e provas físicas contrárias, o crente, invariavelmente, as ignora porque contraria sua convicção. A ciência, ao contrário, é a tomada de conhecimento da realidade por meio dos fatos, dados etc. 

“No caso do projeto habitacional, começou com o governador Hélio Prates lançando a pedra fundamental de Ceilândia, que depois Aimé Lamaison expandiu; José Aparecido começou Samambaia, o que Roriz tomou a decisão de acelerar a fim de evitar a favelização do centro de Brasília, coisa que Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. não fizeram, e os resultados são visíveis de longe. 

“Todo o programa foi profundamente estudado e delineado por técnicos de carreira do governo, não por políticos. O político tomou a decisão de desencadear o processo, e sabe por quê? Só na área tombada foram listadas 64 ocupações irregulares, algumas já tomando corpo de favela, como na área próxima ao que é o Setor Noroeste. Essas favelas se espalharam por todo o Plano Piloto e, não sei se Ray Cunha se lembra, atrás do Correio Braziliense tinha uma. Havia até um boteco carinhosamente chamado de “Boldo”, onde os colegas iam consumir turbinadores de consciência. 

“Inchaço? Essa é outra mentira que viralizou em inverdade na boca de muita gente. Não sei se os dados do IBGE ainda estão disponíveis, mas como fiz várias reportagens à época para desconstruir a desconstrução da esquerda ao projeto, ainda lembro que no referido período dito como de inchaço ocorreu o inverso. Nos anos de explosão do programa, 1988 a 1994, ocorreu redução no fluxo migratório para Brasília. O grande volume, retirado o período da construção, ocorreu nos anos 1970. 

“Falei das favelas, e nem preciso abordar o volume de cortiços, barracos de fundo de quintal etc., que degradavam a qualidade de vida das pessoas nos bairros de Brasília, chamados de cidades-satélites, apesar de não haver qualquer referência ao termo em qualquer documento, desde o projeto piloto; essa é outra invenção que viralizou. Brasília sofria com grave déficit habitacional, especialmente em razão dos valores impagáveis de seus imóveis. Morar em casa própria era um sonho, realmente. O déficit habitacional resultava não de fluxo migratório, mas do crescimento orgânico da população. Poderia explicar isso mais detalhadamente, mas acho que Ray Cunha entende. 

“Claro que Roriz usou politicamente o programa, e qualquer outro faria o mesmo, mas é preciso que a ciência tome o lugar da crença. Não que a crença não possa se sustentar na ciência, aliás é isto o que precisa ser feito. Ocorreram, óbvio, algumas distorções, mas não no nível que a esquerda prega. 

“A partir de 1995, ocorreu a proliferação dos condomínios ilegais, com a bênção do PT do governador Cristovam Buarque, em área inadequada para projetos habitacionais (Vicente Pires, Colorado, Jardim Botânico etc.), e invasões absurdas que viraram bairros, como Estrutural e 26 de Setembro, que resultaram em devastação ambiental. Recentemente, o Senado aprovou novos limites para o Parque Nacional a fim de ajustar a área para a regularização da invasão 26 de Setembro. 

“Bem, eu estava lá, eu vi, acompanhei, entrevistei, comparei e comprovei os dados, daí minha preocupação com o restabelecimento da verdade. Ah! Sim! Os primeiros assentamentos habitacionais em Brasília foram Gama e Sobradinho, após a inauguração de Brasília, já que Núcleo Bandeirante e Taguatinga surgiram antes da inauguração.

“Se não fosse Roriz, talvez, hoje, você desse de cara com uma Rocinha ao abrir a janela de seu apartamento, de manhã. É isso o que ocorre com moradores de bairros nobres no Rio”.