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| Pedra da Ceasa/DF (Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília) |
RAY CUNHA
BRASÍLIA, 29 DE NOVEMBRO DE 2025 – Conto novo para novo livro de contos:
SOU ROBERTO SILVA LEÃO, paraense de ascendência espanhola, viúvo, aposentado e meus dois filhos e uma filha moram no exterior. O mais velho, Ricardo, é formado em informática, no que é muito bom, mora nos Estados Unidos, em Miami, é casado com uma americana rica e tem um casal de filhos; o do meio, Romeu, mora em Viena, é músico, talentoso, solteiro; a terceira, Rafaela, mora na Espanha, é casada com um aristocrata espanhol, rico, e tem uma filha, uma netinha linda. Eu moro em Brasília. Sou jornalista aposentado pelo Senado Federal, o que quer dizer que posso viver como um príncipe, e vivo! Moro no Sudoeste, o melhor bairro de Brasília, pelo menos é o que acho. Sempre coloquei comida à mesa e paguei as contas como jornalista, mas o que sou, realmente, é escritor. Tenho três romances e um livro de contos publicados no Clube de Autores e na amazon.com.br. Não vendem, mas estão publicados. Meu amigo Alexandre Rodrigues Alves acha que meus livros poderiam facilmente ganhar concursos literários, mas nunca entrei em um, por razões que explicarei adiante.
Hoje, é sábado, e estou na Pedra da Ceasa. A Pedra é uma área dentro das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa/DF), onde produtores rurais de municípios da Ride/DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno) comercializam seus produtos, no atacado, às segundas-feiras e quintas, e no varejo aos sábados, das 4h30 às 15 horas. A Ride é integrada pelo Distrito Federal, 29 municípios de Goiás e quatro municípios de Minas Gerais. Quanto à Ceasa, é uma extensa área destinada a empresas estatais ou de capital privado que comercializam produtos sem atravessador, daí que saem mais em conta.
Sou frequentador da Pedra, que é uma amostra em três por quatro do Brasil. Adoro ir à Pedra para ver as frutas, os peixes, as iguarias, as mulheres, tudo. Hoje, fui com meu amigo Alexandre Rodrigues Alves. Ele é mestre em Literatura e revisa meus livros. Insisto em pagá-lo por isso, mas ele recusa, irredutível. É rico, diga-se. Alexandre quer que eu vá trabalhar com ele, mas não dá: eu sou conservador e, ele, comunista. Para mim, comunismo é máfia, e uma pessoa como o Alexandre, com nível cultural acima da média, só pode ser comunista por duas razões. Uma delas é a estupidez. O ignorante não sabe, já o estúpido tem certeza, absoluta, de que sabe o que não sabe. Dá para entender? O sujeito não sabe, mas ele acha, tem certeza, de que sabe. Isso é alienação. Está fora da realidade comum.
Comecei a entender isso lendo três filósofos. Dois deles são o historiador italiano Carlo M. Cipolla e o teólogo e filósofo alemão Dietrich Bonhoeffer. Cipolla escreveu As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, no qual argumenta que as pessoas estúpidas causam danos a outros sem obter benefício próprio, diferentemente de um bandido, que sempre busca um benefício pessoal. Já Dietrich Bonhoeffer, que foi preso e executado por sua resistência ao regime nazista, sustenta que a estupidez não é apenas uma questão de falta de inteligência, mas um fenômeno social e psicológico, perigoso. Para ele, a estupidez é uma falha moral e intelectual que leva à perda da independência de pensamento e à recusa em questionar a autoridade. De modo que, contra a estupidez, somos indefesos, pois ela não pode ser combatida com argumentos lógicos, mas somente com a libertação das amarras que cegam o indivíduo.
Não é o caso de Alexandre Rodrigues Alves. Ele não é estúpido. Ele manobra os estúpidos. Ele está incurso no segundo caso: é mafioso. O que nos une, basicamente, é que ele entende, como ninguém, de literatura, e está certo de que se eu participasse de um concurso de romance ou conto ganharia facilmente. Só que tenho um amigo que já foi convidado para ser jurado de um concurso de contos, um concurso importante, e, lá pelas tantas, foi informado de que o concurso era um jogo de cartas marcadas. Como se tratava de um sujeito honesto, ele se retirou do negócio.
O que ocorre é que concursos importantes ganham a mídia, e, os jurados, invariavelmente pessoas com um currículo acadêmico quilométrico, são apresentados no proscênio, e quase sempre jurados são uma caixinha de pose. Quando ao concurso em si, os currículos pomposos dão um ar de seriedade ao negócio.
Nos concursos sem prêmios em dinheiro, ou com prêmios fajutos, só participa quem não é escritor e tenta, desesperadamente, parecer escritor. E, geralmente, esses concursos premiam todo mundo com um diploma. Aí, o cara faz o maior auê na internet. Quanto aos concursos que pagam bem, também cobram bem por participação, e, assim, arrecadam uma boa grana. Como os prêmios são bons, milhares de escritores tentam a sorte. Os jurados são, quando muito, meia dúzia, com prazo exíguo para ler os milhares de contos, ou romances, e o resultado dessa equação é uma farsa.
Mas, suponhamos que a coisa seja séria. Nesse caso, o resultado será sempre subjetivo. Em milhares de contos, ou romances, como um pode ser melhor do que todos os outros, em todos os aspectos?
– Acho que Ernest Hemingway pensava do mesmo jeito que eu – disse, certa vez, a Alexandre. – Até onde sei, ele nunca participou de concurso literário aberto. Ganhou os prêmios Pulitzer e o Nobel, que são concedidos por júris ou academias que avaliam a obra publicada e a contribuição literária do autor.
– Geralmente, os jurados dos concursos importantes são mestres, doutores e até pós-doutores – Alexandre argumentava.
Ele se impressionava com títulos acadêmicos. Conheço pessoas graduadas em Literatura que são leitores funcionais; se um mestre que não entende o que lê fizer doutorado e pós-doutorado, continuará sendo semialfabetizado.
Também a estupidez no Brasil não é por falta de dinheiro. Lembrem-se do orçamento do Ministério da Cultura (MinC), em 2025: 2,9 bilhões de reais. A maioria dessa grana vai para o bolso dos medalhões do show bizz, via Lei Rouanet. São múmias tipo Fafá de Belém, que estão morrendo, mas, quando veem o dinheiro reúnem força para gritar igual Geraldo Alckimin, popular picolé de chuchu, segundo vice-presidente de Lula da Silva. A primeira vice é Janja da Silva, primeira dama da nação tupiniquim. Alckimin, que lá atrás tinha gritado publicamente que Lula é ladrão, nas eleições para presidente, em 2022, gritou, com voz de traveco enfezado: Lula! Lula!, para presidente, afirmando que era comunista de carteirinha. Logo depois Lula o despachou para o Irã, para uma reunião com a nata do terrorismo mundial. Desde aí que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o maior líder da Direita mundial, está de olho no picolé de chuchu, e não é para chupá-lo.
Bom, o terceiro cientista que li para compreender a estupidez brasileira foi Antonio Gramsci. Se Vladimir Ilyich Ulianov, Lenin, se tornou capo di tutti i capi de todas as máfias, em 1917, na Rússia, Antonio Sebastiano Francesco Gramsci foi seu grande teórico para a instalação de ditaduras comunistas mundo afora, como está acontecendo, hoje, no Brasil. Gramsci foi filósofo marxista, escritor, jornalista, crítico literário, linguista, historiador e político italiano, membro-fundador e secretário-geral do Partido Comunista da Itália e deputado pelo distrito do Vêneto, preso pelo regime fascista de Benito Mussolini. Sua teoria da hegemonia cultural, usada pelo Estado para conservar o poder, começou a ser difundida em escala no Brasil desde a fundação do Foro de São Paulo, em 1990. E vem dando certo. Depois que Lula da Silva chegou ao poder, em 1 de janeiro de 2003, a mídia, artistas e a academia entraram na folha de pagamento da máfia comunistas, com ganhos anuais de milhões de reais, e até de bilhões de reais. Aparelharam tudo. Até a Academia Brasileira de Letras (ABL). E, claro, todo o resto... Bom, a gente não pode falar mais do que o suficiente, pois já existe o crime de pensamento. Eles chegam às 6 horas da manhã e levam o cara. Jair Messias Bolsonaro está apodrecendo na cadeia.
Alexandre Rodrigues Alves sustenta que Bolsonaro liderou um golpe de Estado. Tentei argumentar que Bolsonaro nem estava em Brasília no dia do tal golpe e que ninguém estava armado na manifestação que chamam de golpe, mas ele arremete, dizendo que além de golpista, Bolsonaro já tinha tudo pronto para assassinar Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), seu xará, Alexandre de Moraes.
Sabedor de
que a esposa de Alexandre Rodrigues Alves, que, por acaso, é senador pelo
Estado de Minas Gerais, e sua esposa ocupa um cargo em comissão de 30 mil reais
por mês no Judiciário, sabedor de que ela gosta de mangas, comprei algumas
mangas-maçãs, lindas, e pedi a Alexandre para levar para ela. Da Pedra, fomos
ao Natural Brasil, onde comprei duas barras de açaí paraense, grosso, para
tomar com farinha de tapioca. O carro de Alexandre, com motorista, aguardava.
Ele recebeu um telefonema e disse que teria que ir. O cara gosta mesmo de mim.
Acompanha-me até na Ceasa para comprar frutas. Mas nossa amizade vem desde a Universidade
Federal do Rio de Janeiro, quando éramos rapazes e acreditávamos em Papai Noel,
Fidel Castro, Che Guevara e molusco de nove braços.








