quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Coluna Medicina Vibracional é publicada semanalmente em um dos mais importantes portais de Belém do Pará: Ver-O-Fato

Ray Cunha

Luzes do Medo, de Carlos Mendes
BRASÍLIA, 22 DE OUTUBRO DE 2020 – Fundado em julho de 2015, o portal jornalístico Ver-O-Fato, sediado em Belém do Pará, já é a quinta revista eletrônica mais visitada no estado, acumulando 4,9 milhões de visualizações desde seu início. Seu criador e diretor geral, jornalista e escritor Carlos Mendes, é um dos mais agudos, destemidos e influentes repórteres da Amazônia. Com mais de 40 anos de jornalismo, Mendes trabalhou nos maiores veículos de comunicação paraenses: jornais Folha do Norte, O Liberal, Diário do Pará e O Estado do Pará, TV RBA e Rádio Clube do Pará, e é, há mais de 20 anos, correspondente do O Estado de São Paulo e também do Correio de Carajás. É autor do livro Luzes do Medo, sobre a Operação Prato.

Hoje, o Ver-O-Fato é leitura diária, obrigatória, de todas as esferas de poder no estado, e de variado público, que encontra no portal matérias, artigos e colunas abordando os mais diversos temas, que vão desde a cobertura de acontecimentos do dia a dia da região metropolitana de Belém até análises, denúncias e fatos importantes do cenário político paraense. 

Como ferramenta para fiscalização da atividade política e aplicação dos recursos públicos e de mobilização social, o Ver-O-Fato é visto, lido e ouvido por pessoas das mais diversas opiniões e pensamentos políticos, seja de esquerda ou de direita, mas com todos reconhecendo no Ver-O-Fato credibilidade nas suas publicações. 

Toda quinta-feira, de 20 às 21 horas, acontece uma live no portal, retransmitida nas suas redes sociais: o programa Linha de Tiro, no qual é entrevistada uma personalidade do mundo político, empresarial ou acadêmico, sobre os mais variados temas e situações em destaque na semana.

Os anunciantes, de produtos ou serviços, sabem que são vistos, lidos e ouvidos por um publico crítico, formador de opinião, isso, juntamente com a credibilidade do jornalismo de primeira categoria realizado pelo Ver-O-Fato.

Estreei no portal em 16 de outubro, com a crônica Belém precisa de um prefeito, seguindo-se os artigos Amazônia: ocoração das trevas e Os homens quenão amam as mulheres, além da coluna semanal Medicina Vibracional, até agora com os seguintes artigos: Acupuntura, fitoterapia e massoterapia, o que é isso? e O caso do paciente sem o intestino grosso curado com apenas uma sessãode acupuntura.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Amazônia: o coração das trevas

RAY CUNHA

O coração das trevas, obra-prima de Joseph Conrad, é um pequeno romance, de pouco mais de 150 páginas, “o mais intenso de todos os relatos que a imaginação humana jamais concebeu”, disse o labiríntico Jorge Luís Borges. A ação se passa no Congo, África, no século 19. Francis Ford Coppola o transpôs para os revolucionários meados do século 20, para a guerra do Vietnã, no clássico dos clássicos dos filmes de guerra, Apocaypse Now. O Coração das Trevas cai, como luva, à Amazônia. Como golpe de navalha seccionando tecido humano, obsceno como ataque de hienas, a face obscura da Amazônia, o Inferno Verde, o latejar da escuridão, espasmos da alma amazônida, a loucura e o malogro da civilização colonialista. 

De repente, o mundo se volta, raivoso, para a Amazônia, como lobo em pele de cordeiro, pele surrada, a lã bastante suja, repetindo que quer o bem da Amazônia, mas, que, na verdade, quer seus bens. A Amazônia, o mais belo realismo fantástico da Terra, a mais rica província mineral do mundo, a maior diversidade biológica do planeta, é saqueada desde o século XVI. Potências europeias, americanos, o Foro de São Paulo, todos têm repasto garantido na Amazônia. É assim que o subcontinente vem sendo assaltado, estuprado, currado, desde sempre. 

Mas, verdade seja dita, o incêndio mais infame que ocorre na floresta dissemina-se na mente dos próprios amazônidas: a mentalidade de colonizado, o curvar-se a políticos e empresários corruptos. Essa é a corrupção mais crônica na colônia, causa e perpetuação de uma das nódoas mais negras da humanidade: a escravidão sexual de crianças. Nos dias de hoje, leva-se, de lá, a floresta, energia hidrelétrica, minérios, pedras preciosas, animais, mulheres e crianças. A Amazônia é um dos locais onde mais se escraviza hoje no mundo. A Interpol francesa calcula que a rede internacional de tráfico de pessoas movimenta cerca de US$ 9 bilhões por ano. 

Um caso que aconteceu em novembro de 2007, em Abaetetuba, cidade no quintal de Belém, constitui-se uma metáfora da Amazônia. Delegados da Polícia Civil do Pará, com a conivência de gente do Judiciário, atiraram uma menina a dezenas de criminosos na cadeia da cidade. Essa criança foi currada, dia após dia, durante um mês. Assassinos, estupradores, espancadores de mulheres e crianças, ladrões, arrombadores, batedores de bolsa de velhinhas, psicopatas, drogados, caíram em cima da garotinha como hienas, e os policiais, ali perto, ouvindo e vendo tudo. 

Os berros de terror eram ouvidos pelos delegados e pelos moradores da cidade, já que a delegacia era um prédio velho praticamente aberto para a rua, e ninguém moveu uma palha pela menina. “Minha filha tinha cabelos lindos e encaracolados que iam até o meio das costas” – disse a mãe da jovem. “Cortaram o cabelo dela com um terçado (facão) para disfarçar que se tratava de uma menina. Cortaram é modo de dizer, escalpelaram a minha filha.” O tempo todo, L ficou com as roupas que usava ao ser presa, uma saia curta e blusinha, cobrindo seios adolescentes. Ela media 1,40 metro. “Aqui, no Pará, colocar homem e mulher na mesma cela é mais comum do que se imagina” – disse, na época, frei Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba. Há caso de atirarem uma mulher a 70 presos. 

“Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada” – disse uma mulher na delegacia a jornalistas. “Antes de comer, os presos se serviam dela” – afirmou outra mulher, explicando que a menina só comia se não dificultasse a curra. “Ela gritava e pedia comida para quem passava, chamava a atenção para si, e, como ela era conhecida por aqui, não dava para ignorar” – afirmou outra mulher, explicando que era possível ver e ouvir da rua muito do que se passava na delegacia. 

Seis delegados estiveram na delegacia durante o suplício da jovem. A delegada plantonista responsável pelo flagrante foi Flávia Verônica Monteiro e o delegado titular de Polícia de Abaetetuba, Celso Viana. “Embora ela estivesse misturada com os homens, o setor onde ela estava é aberto e permite uma ampla visão de qualquer policial” – declarou o delegado Celso Viana. Flávia Verônica Pereira e três policiais tinham conhecimento dos estupros. Nada fizeram. E policiais ameaçaram a menina de morte se não participasse de fraude em cartório para lhe alterar a idade na certidão de nascimento. 

O delegado Celso Viana alegou em depoimento que a adolescente disse ser maior de idade e afirmou que a responsabilidade da prisão da menor seria do sistema penal, e a delegada Flávia Verônica Monteiro afirmou que foi enganada ao ver o documento falso da jovem, indicando que ela tinha 20 anos. Flávia disse ainda que não transferiu a adolescente da delegacia para outra instituição porque esse procedimento só poderia ser feito com ordem judicial. 

Em 27 de novembro de 2007, durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, o então delegado-geral do estado do Pará, Raimundo Benassuly Maués Júnior, insinuou que a jovem é que foi responsável pelo episódio e que devia ter “alguma debilidade mental” por não ter dito que era menor de idade. “Não sou médico legista nem tenho formação na área, mas essa moça tem certamente algum problema, alguma debilidade mental. Ela, em nenhum momento, declarou sua menoridade penal” – afirmou o gênio. 

No dia 3 de outubro de 2013, leio na mídia que a juíza Clarice Maria de Andrade Rocha, que atuava em Abaetetuba quando a adolescente esteve presa, fora promovida, um dia antes, pelo Tribunal de Justiça do Pará, a titular da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de Belém. Segundo portaria da desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento, o critério para a promoção de Clarice foi por merecimento. 

Clarice Maria de Andrade foi considerada omissa pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante o período em que a jovem paraense foi supliciada, e recebeu a punição de aposentadoria compulsória, em 2010. Mas a Associação dos Magistrados do Pará (Amepa) recorreu da decisão e a aposentadoria foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a punição foi exagerada, já que a magistrada não teria como saber da situação da carceragem da delegacia de Abaetetuba. 

O fato é que quando o caso estourou na mídia, em novembro de 2007, a então governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, tratou-o com habitual alienação, e tudo mergulhou no esquecimento. Aliás, crianças são emblemáticas na tragédia da Amazônia. 

Em 1979, fiz, para o antigo mensário Varadouro, em Rio Branco, extremo oeste da Hileia, reportagem sobre o tráfico de meninas pela BR-364, espinha dorsal do Acre, ligando o estado ao resto do país. Frequentei boates e bares, pontos de encontro de caminhoneiros, entrevistei prostitutas e rodoviários, e pesquisei em registros policiais, concluindo que parte dessas meninas que sumiam em Rio Branco era atirada em prostíbulos de Porto Velho, Manaus e Goiânia. Outras, simplesmente fugiam da miséria. Quarenta anos depois a situação piorou, e muito. A tragédia, que afeta toda a Amazônia, foi ampliado em escala assustadora.

Foram identificadas 76 rotas de tráfico de mulheres, crianças e adolescentes na Amazônia, segundo a Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins Sexuais, coordenada pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria) e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual, do Congresso Nacional. 

Nesse comércio negro, assim como ocorre com políticos corruptos, a imunidade, digo, impunidade, é garantida. O holandês Kunathi, um dos maiores traficantes de pessoas, em atividade na Amazônia, já foi preso em flagrante no Pará, mas a Justiça o soltou para responder ao processo em liberdade. Não deu outra, Kunathi fugiu para o Suriname, antiga Guiana Holandesa, onde é dono de boate na qual só trabalham brasileiras, muitas delas do Pará e do Amapá. 

Em 2006, adolescentes de Altamira, no Pará, que caíram nas garras de uma quadrilha de exploração sexual e a denunciaram, foram ameaçadas de morte se falassem na Justiça. A polícia paraense, despreparada, não pôde dar segurança às vítimas e só conseguiu provas contra três dos 15 acusados. A ação da quadrilha envolvia inclusive um político e empresários. “É uma rede complexa de exploração sexual, com várias vítimas e vários adultos envolvidos; é preciso que haja vontade política para que se chegue aos outros envolvidos” – disse, à época, Ana Lins, advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH).

Em março daquele ano, a polícia de Altamira localizou várias adolescentes, algumas dadas como desaparecidas por suas famílias, em uma chácara, onde eram embebedadas e servidas em banquetes sexuais fotografados. As fotos eram divulgadas na internet. As orgias ocorriam também em motéis da cidade e em imóveis de um dos acusados, além de chácaras e balneários no município, onde as bacanais duravam dias. 

Ameaçadas de morte, vítimas, suas famílias e testemunhas, desdisseram nos depoimentos à Justiça as declarações prestadas no inquérito policial. Uma das vítimas contou que foi ameaçada na porta da escola onde estuda, e sua família recebeu bilhetes com ameaças de morte. A jornalista Iolanda Lopes, que denunciou a quadrilha em várias reportagens, disse que recebeu três telefonemas ameaçadores. 

As adolescentes foram, ainda, humilhadas na Câmara de Altamira, onde tiveram seus nomes divulgados durante sessão plenária. “A vergonha, a humilhação, o sentimento de desesperança e a depressão são alguns sintomas encontrados em várias das vítimas desse tipo de crime” – comentou a advogada Ana Lins. “A revitimização é o calvário de ter que reviver os momentos do crime ao ter que relatá-los várias vezes. Esse calvário vai desde não ser atendida dignamente na delegacia, às vezes esperando horas e horas, até conseguir registrar a ocorrência policial, a realização de exames periciais sem a devida humanização do servidor responsável, até ver os algozes soltos livremente e voltando a delinquir em alguns casos.” 

Em janeiro de 2005, o Jornal Nacional, da TV Globo, publicou uma série de reportagens intitulada Povos das Águas, na qual focalizou o trânsito de balsas em Breves, na ilha do Marajó, Pará. Nessas balsas, na cabine de carros, crianças marajoaras serviam de repasto sexual durante o cruzamento do rio. De um modo geral, os municípios marajoaras são miseráveis, apesar da natureza pujante da maior ilha flúvio-marítima do mundo. O Marajó, uma das mais belas regiões do planeta, é do tamanho da Suíça. A ilha é banhada pelos rios Amazonas e Pará e pelo Oceano Atlântico. 

O comércio de crianças amapaenses e paraenses é intenso na Guiana Francesa e no Suriname, ao norte do Amapá, principalmente em cidades como Kourou, onde fica a base francesa de lançamento de satélites; o balneário de Montjoly e Saint Laurent. Meninas e meninos amapaenses e paraenses são bastante apreciados para bacanais, corrompidos por promessas de casamento com franceses ou pela possibilidade de ir para a Europa, onde imaginam que possam ganhar até 100 euros, cerca de R$ 500, por programa, escapando, assim, da miséria. 

Dos 200 mil habitantes da Guiana Francesa, 50 mil são brasileiros ilegais, amapaenses em sua maioria, que fogem do Amapá, estado assolado pela miséria social, roubalheira de colarinho branco, nepotismo, corrupção endêmica e imigração insuportável. A capital, Macapá, é reflexo do desleixo administrativo. Cidade sem esgoto, cheia de ruas esburacadas, com fornecimento precário de energia elétrica e água encanada, apesar de se situar na margem do maior rio do mundo, o Amazonas, a cada dia fica mais inchada e violenta. 

Próximo de Caiena, a capital da colônia francesa na Amazônia, localiza-se a cidade amapaense de Oiapoque. Antes de as meninas seguirem para as três Guianas, passam, geralmente, por um estágio em Oiapoque. Boates locais são internatos de meninas e meninos para o abate. 

Assim, guianenses que atravessam o rio Oiapoque atraídos por sexo são recebidos na cidade de braços abertos – inúmeros bares nos quais o lenocínio prospera, de manhã à noite, açougues onde é possível comprar crianças de, em média, 13 anos. No Amapá, cidades como Laranjal do Jari, Tartarugalzinho, Calçoene e Santana, esta, na zona metropolitana de Macapá, são, como Oiapoque, vitrines de carne infantil. O jornal O Liberal, de Belém, o mais influente da Amazônia, contém, no seu banco de dados, várias reportagens que confirmam o que eu estou dizendo, com nomes, lugares e datas. 

SEREIAS – Madrugada de 16 de setembro de 2004, marina da Ponta Negra, Manaus, Amazonas. A bordo do iate Amazonian, de 25 metros de comprimento, 15 políticos e empresários de Brasília e de São Paulo aguardam um carregamento para zarpar rio Negro acima, aparentemente para uma pescaria em Barcelos, a 450 quilômetros da capital amazonense, em passeio organizado pelo dentista paulista Flávio Talmelli. Era o terceiro ano que o alegre grupo de políticos e empresários candango-paulistas se reunia. 

Finalmente o carregamento chega. São sereias servidas antes mesmo da pescaria: 17 meninas, a maioria delas menor, aliciadas em casas noturnas de Manaus. O programa de dois dias e duas noites renderia R$ 400 a cada uma, fora gorjetas. As garotas foram conduzidas ao iate pela cafetina Dilcilane de Albuquerque Amorim, conhecida como Dil, então com 33 anos, e que ganharia R$ 100 por garota. 

Domingo 19. As meninas se dividiram em dois grupos para o retorno a Manaus. O Amazonian, com os políticos e empresários, seguiu rio Negro acima, com destino a um hotel na selva. Doze meninas retornaram a Manaus. No fim do dia, as cinco meninas restantes retornaram também, no barco Princesa Laura. O barco naufragou naquele mesmo domingo, entre Manaus e Barcelos, com 100 passageiros. Morreram 13 pessoas, entre as quais as cinco garotas que participaram da orgia: Amanda Ferreira Silva, 20 anos; Marlene Cristina dos Santos Reis, 19; Suzie Nogueira Araújo, 18; Taiane Barros, 17; Hingridy Florêncio Viana, 16. 

Dois dias antes do acidente, alguns pais queixaram-se à polícia sobre o desaparecimento de suas filhas. Agentes da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente de Manaus (Deapca) descobriram que as meninas mortas haviam participado de uma bacanal e eram as mesmas que estavam sendo procuradas pelos pais. Depois, localizaram algumas meninas que retornaram a Manaus, do Amazonian. Descobriu-se, então, que três homens que estavam no Amazonian deixaram a embarcação em Barcelos e, dia 23 de setembro, retornaram a Manaus, em avião da Apuí Táxi Aéreo. 

Foi aí que identificaram o então presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado distrital Benício Tavares da Cunha Melo, do PMDB, que adotou o nome Benício Mello (prenome e último sobrenome); Randal Mendes (Sérgio Randal), cunhado de Benício Tavares e então chefe de gabinete da presidência da Câmara Legislativa do DF; e o advogado brasiliense Marco Antônio Attié. 

Uma das menores ouvidas pela polícia disse que Benício Tavares manteve relações sexuais com pelo menos duas menores, uma das quais Taiane Barros, 17 anos, mãe de um bebê de sete meses, e que morreu afogada no Princesa Laura. Outra garota afirmou, em depoimento à polícia, que manteve relações sexuais com Benício, que teria pago R$ 500 a ela. Uma menor disse que Benício lhe ofereceu R$ 500 para manterem relações sexuais, mas ela recusou. Seis das moças que estiveram a bordo do Amazonian garantem que Benício chegou a pagar valores entre R$ 200 e R$ 1 mil para manterem relações sexuais com ele, inclusive com as menores de idade. 

Das 17 meninas contratadas para a bacanal seis afirmaram, em depoimento à delegada Maria das Graças Silva, titular da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente, que Benício Tavares esteve no iate nos dias 17, 18 e 19 de setembro, e que manteve relações sexuais com várias garotas, entre as quais pelo menos duas menores. A delegada garante que coletou elementos suficientes para provar a participação de Benício Tavares em turismo sexual. Maria das Graças Silva mostrou, dia 27 de setembro, fotografias de Benício Tavares a três meninas que participaram da orgia. Elas identificaram imediatamente o parlamentar, paraplégico. 

Três meninas ouvidas pela polícia garantem que no iate Amazonian havia bebida alcoólica e drogas, e que foram realizados desfiles de garotas nuas e sorteio de brindes aos participantes. Em depoimento à polícia, a cafetina Dil declarou que a bacanal foi contratada pelo dentista paulista Flávio Talmelli. “Ele disse que o passeio seria muito divertido e que todas as despesas, desde hospedagem a alimentação, seriam pagas por seus amigos. Somente convidei algumas amigas” – defendeu-se Dil. As garotas disseram à polícia que foram enganadas por Dil. O combinado é que receberiam R$ 400, mais gorjetas, mas, a bordo, receberam somente R$ 200.

Em nota oficial, divulgada no dia 27 de setembro de 2004, Benício Tavares confirmou a viagem a Manaus, de 16 a 22 de setembro, para pescar no rio Negro, hobby até então insuspeito. Confirmou também o voo Barcelos-Manaus. Negou relacionamentos sexuais com garotas menores de idade. Para fazer a viagem turística, Benício se licenciou da presidência da Câmara por 10 dias, embora a casa estivesse votando uma pilha de matérias e sua presença fosse importante. Foi confirmada também a presença, no iate, do chefe de gabinete da presidência da Câmara, Randal Mendes, cunhado de Benício Tavares, e do advogado brasiliense Marco Antônio Attié. 

Em 2004, em Brasília, o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal fechou os olhos e arquivou processo contra o então deputado Benício Tavares (PMDB), que respondia na Justiça por turismo sexual no estado do Amazonas. Benício foi liberado por 14 votos favoráveis e 10 abstenções. Em 2007, o então governador de Brasília, José Roberto Arruda, deu a Benício Tavares a Administração Regional de Ceilândia, o maior colégio eleitoral da cidade-estado. O povo se revoltou, pois, além da acusação de corruptor de menor, Benício Tavares era acusado de desvio de dinheiro. Arruda teve de tirá-lo do cargo. Em 2009, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF (TJDF) instaurou processo penal contra Benício, em ação movida pelo Ministério Público, e o absolveu. Benício Tavares foi reeleito deputado distrital. 

Em 2010, o governador José Roberto Arruda foi preso, acusado de comandar um esquema de corrupção. Em novembro de 2011, Benício Tavares perdeu o mandato de distrital no exercício da sexta legislatura, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou, por unanimidade, que o deputado coagiu eleitores e praticou abuso de poder econômico.

Como se vê, não se vai à Amazônia apenas por energia hidrelétrica, minerais e madeira.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Trecho do romance JAMBU, thriller de arrepiar os cabelos, com ação na cidade mais emblemática da Amazônia: Macapá!


Era o último dia do Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, 31 de julho. Danielle acordara, como sempre, às 5 horas, fizera suas orações, e, intuitivamente, descera e saíra do prédio pela Catedral. Viu o homem de panamá e Patrícia caminhando, apressados. Já haviam passado pela guarita de acesso à marina e seguiam para a lancha Jesus de Nazaré, de 5 metros de comprimento, ancorada no trapiche. Eram 7h05 e a manhã já estava bastante quente. Danielle porejava na testa. Apressou o passo, mas a lancha começou a se mover. Danielle correu para onde a lancha da segurança estava ancorada e zarpou atrás do iate.

A Jesus de Nazaré tomou o rumo sul do rio Amazonas. Pouco depois Patrícia avistou a Fortaleza de São José de Macapá. Parecia pequena, ao longe, e fugaz. Sumiu. Um arrepio perpassou o corpo da deusa grávida. O iate fundeou na ilha de Santana, defronte a uma casa de alvenaria, bastante grande, incrustada entre árvores, arbustos, trepadeiras e cipós. Saboia e Patrícia desembarcaram no trapiche e desapareceram entre as árvores. Atravessaram um salão ricamente adornado por tapetes persas e depois um corredor, até desembocarem em um pátio, onde um homem os esperava junto ao que parecia uma piscina.

– Chegou a gatinha – Saboia anunciou.

Jules Adolphe Lunier mirou a bela moça.

No momento seguinte, Danielle surgiu, segurando com as duas mãos uma pistola de 18 tiros, capaz de matar búfalo.

– Parados! Se alguém se mexer mando bala!

Saboia tentou sacar uma pistola que estava no cós traseiro da sua calça e levou um balaço que fez um buraco no seu pescoço. Simultaneamente, o francês sacara um revólver e atirou em Danielle, mas o chumbo atingiu Patrícia na cabeça. Danielle atirou em Jules Adolphe Lunier e o atingiu no ombro, o homem andou para trás e caiu na piscina, que ficou agitada como o inferno; estava cheia de jacaré-açu. Ouviram-se gritos lancinantes, saídos de dentro do grande silêncio da Amazônia, silêncio emanado pelas brenhas das trevas, pesado, negro e medonho. O berro arrepiou os cabelos de Danielle; era uma mistura de terror de porco arrastado para o abate e o gemido, pegajoso, da casa, como se estivesse pagando pelos horrores que se passavam ali, horrores antigos, desde que os ibéricos desembarcaram nas entranhas do coração das trevas, se instalaram e se perpetuaram, agora como vampiros travestidos de políticos, funcionários públicos graduados e megaempresários, em posição privilegiada para melhor sugar a alma de crianças, mulheres, homens, animais e árvores, como carapanãs que atacam bebês miseráveis, que não contam com mosquiteiro, na calada da noite. Aquilo durou uma eternidade, embora essas sensações tenham se manifestado em menos de um segundo, enquanto Danielle socorria Patrícia. A bala se alojara na cabeça da parturiente, mas não a matou de imediato. Ela estava consciente quando começou a dar sinais de parto. Danielle preparou-a como pode, ali, no chão, enquanto os jacarés comiam o pai da criança ao lado. O bebê nasceu. Pegou-o e pôs o menino, ensanguentado, no colo de Patrícia.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Bolsonaro e Mourão precisam ir logo ao Amapá para visitarem o Porto de Santana e a BR-156


RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 28 DE AGOSTO DE 2020 – Em um ano e meio o Brasil já é outro. O presidente Bolsonaro pegou o país descarrilado em uma ladeira íngreme rumo a um mar de chorume e em 20 meses já reativou o parque industrial do Sudeste, levou água para o Nordeste, botou para correr as quadrilhas que vinham pilhando a Amazônia, está recuperando as rodovias brasileiras e logo começará dois megaprojetos: um ferroviário e outro portuário. É nesse contexto que tanto Bolsonaro quanto o vice-presidente, general Mourão, devem se obrigar a ler não somente este artigo, como meu romance ensaístico JAMBU, e, por consequência, visitarem o Porto de Santana e a BR-156. Eis por que. 

O mais estratégico porto brasileiro fica na Zona Metropolitana de Macapá/AP: o Porto de Santana/AP. Ele foi construído para embarcar o melhor manganês do mundo, o de Serra do Navio/AP, que foi estocado nos Estados Unidos como reserva estratégica, até exaurir a mina no Amapá. Depois, porto foi municipalizado. Sua profundidade é adequada a qualquer cargueiro transoceânico e é o porto brasileiro mais próximo, simultaneamente, dos mercados dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia via Canal do Panamá. Pode receber todas as commodities da Amazônia por hidrovias; do Centro-Oeste, por estradas e hidrovias; e do Sudeste e do Sul, por rodovias. Enquanto o PT preferiu construir um porto em Havana, Cuba, com dinheiro pilhado do Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), atualmente o Porto de Santana é subutilizado. 

Mais: as commodities destinadas à América Central podem ser armazenadas em Santana/AP e de lá seguirem pela BR-156, que liga o porto à Caiena, a capital da colônia que os franceses chamam de departamento ultramarino, e de lá para toda a América Central. Mas o governo federal vem enviando dinheiro para a construção da BR-156 há 80 anos, e ela nunca foi concluída, o que se configura como espantoso recorde mundial dos governadores locais, de irresponsabilidade, preguiça e desprezo para com os amapaenses. No inverno amazônico, a parte inacabada da rodovia se transforma em um atoleiro; no verão, em um inferno de poeira. 

Mais: a rodovia termina na cidade de Oiapoque, no norte do Amapá, separado da Guiana Francesa pelo rio Oiapoque. Em 2008, começaram a construir uma ponte binacional, que ficou pronta em 2011, mas não foi inaugurada porque a BR-156 não estava pronta; tornou-se um enfeite até 20 de março de 2017, quando finalmente foi inaugurada, pois a BR-156, mesmo inacabada, constitui-se na única via de exportação utilizada por caminhoneiros. Também muitos turistas de automóvel utilizam a rodovia, mesmo com os perigos que ela apresenta, pois, para muitos brasileiros, principalmente da Amazônia, Caiena é a porta da Europa.

Também a costa do Amapá é a mais rica em todo tipo de criaturas do mar, a mais invadida por piratas internacionais e a mais mal guardada pela Marinha de Guerra. Mas isso é outro artigo.

No romance ensaístico JAMBU a Questão Amazônica é esmiuçada, e o Amapá, que é onde se passa a trama do livro, é examinado com microscópio. Leia dois trechos de JAMBU:

“Mas a Amazônia já está ocupada. Por exemplo: o Japão não importa mais apenas bauxita, mas alumina, produzida graças à energia de Tucuruí agregada ao produto. Uma das matérias da Trópico Úmido era sobre a New Steel, mineradora americana que levou de Serra do Navio, no Amapá, 40 milhões de toneladas do manganês mais puro do mundo, deixando um buraco gigantesco.

“Em 1943, o interventor do Território Federal do Amapá, capitão Janary Gentil Nunes, já sabia que na região dos rios Amapari e Araguari havia manganês, que entra na composição de várias ligas de aço, na fabricação de fertilizantes, no clareamento de vidros, no fabrico de pilhas secas e na produção de tintas e vernizes. Janary fora avisado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Em 1945, ofereceu um prêmio em dinheiro para quem identificasse exatamente onde o minério estava. Um comerciante ribeirinho, chamado Mário Cruz, levou pessoalmente ao interventor algumas pedras que usara como lastro para seu barco, escuras e pesadas. O material foi analisado no DNPM, no Rio de Janeiro, pelo engenheiro Glycon de Paiva, que bateu o martelo: tratava-se de manganês de alto teor. Glycon foi então à região analisar os depósitos. Ele viu uma profusão de morros cobertos de floresta; um deles era um gigantesco bloco de manganês que lembrava a proa de uma embarcação. Então Janary convenceu o presidente Gaspar Dutra a criar uma reserva nacional englobando a mina de manganês e conferindo ao Território Federal do Amapá a competência para prospectá-la e explorá-la por meio de concessão. Três empresas responderam ao convite para explorar a mina: a subsidiária brasileira da United States Steel, Companhia Meridional de Mineração; a Hanna Coal & Ore Corporation; e a Sociedade Brasileira de Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (Icomi), fundada em 1942, com sede em Belo Horizonte e atuação em Minas Gerais, que venceu a concorrência. Só que depois de ganhar a concorrência, a Icomi se associou à americana Bethlehem Steel, maior consumidora mundial de manganês, formando a holding Caemi Mineração, criada por Augusto Trajano de Azevedo Antunes, paulistano nascido em 1906 e falecido na Cidade Maravilhosa, em 1996, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica de São Paulo, em 1930. Com a guerra fria, a União Soviética deixou de suprir de manganês o mercado norte-americano, aumentando, assim, a cotação internacional do produto. Augusto Nunes, que já explorava o minério de ferro no pico do Itabirito, em Minas Gerais, criou então a Icomi, em 1947, e, em 1948, começou as atividades de mineração no Amapá. O contrato de exploração, assinado em 1947, previa que a Icomi teria de investir no Amapá pelo menos 20% de seu lucro líquido; a exploração de um perímetro máximo de 2.500 hectares, o equivalente a 0,17% do território amapaense, e o pagamento de 4% a 5% da receita totais em royalties ao governo do Amapá. Previa, ainda, uma área adicional de 2.300 hectares para a construção de instalações industriais, complexo ferroviário, e duas vilas, que dariam origem às cidades de Santana e Serra do Navio, as quais começaram a ser construídas em janeiro de 1957 e ficaram prontas em 1959. A Estrada de Ferro Amapá, inaugurada em 1957, tem 194 quilômetros, ligando Serra do Navio ao Porto de Santana. Em 1980, com o manganês de Serra do Navio, comprado a preço de banana, estocado nos Estados Unidos, a Bethlehem vendeu sua participação para a Caemi, que encerrou a exploração de manganês em 1997, embora, em 1953, no governo de Getúlio Vargas, a concessão para explorar o minério previa o prazo de 50 anos. Desde 2003, a Caemi  pertence à Companhia Vale do Rio Doce. Em março de 2006, a MMX Mineração e Metálicos, do empresário Eike Batista, assumiu o controle da Estrada de Ferro Amapá, por vinte anos. Em 2008, a MMX foi vendida para a Anglo American. Em 2013, o controle foi repassado para a mineradora inglesa Zamin, e, em 2015, para a Secretaria de Estado de Transportes, quando a linha ferroviária foi também paralisada. Hoje, o governo do Amapá acusa a Icomi de contaminar com arsênio o Porto de Santana e a Vila Elesbão. O morro que lembrava a proa de um navio desapareceu e se transformou numa cratera, até acabar o manganês de boa qualidade. “Não se previa que a exploração seria tão intensiva a ponto de esgotar totalmente a reserva” – comentou Aziz Ab’Sáber, titular do Departamento de Geografia e professor emérito do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). As escavações eram feitas 24 horas por dia. Algumas crateras formaram lagos, alimentados pelo lençol freático. O Morro do Navio foi transformado no Lago Azul. O fato é que a Icomi cumpriu o contrato, mas o poder público deixou que Santana e Serra do Navio sucumbissem. Os governos que passaram pelo Amapá, durante o reinado da Icomi, nunca aplicaram os royalties com sustentabilidade. Restou também o porto mais estratégico da Amazônia, Santana, de onde se pode exportar matéria-prima e produtos manufaturados e industrializados para todo o planeta. A rodovia Perimetral Norte, que deveria ligar Macapá a São Gabriel da Cachoeira, é hoje a única alternativa de transporte para Serra do Navio. A Anglo American comprou uma área da Icomi para a pesquisa de ouro no município vizinho de Serra do Navio, Pedra Branca do Mapari, e descobriu uma mina gigantesca”.

E: “Há duas rodovias federais no Amapá: a BR-210 e a BR-156. A BR-210 é, na verdade, um embrião; conhecida como Perimetral Norte, tem pouco mais que 471 quilômetros. Começa em Macapá e vai até Serra do Navio, terminando na divisa com o Pará. Mas a rodovia que realmente tem importância para o estado é a BR-156, que começou a ser pensada em 1932. Até 1945, somente nove quilômetros foram construídos. Ela começa no município de Laranjal do Jari, vai até a capital do estado, Macapá, e termina no município de Oiapoque, no extremo norte. São 595 quilômetros entre Macapá e Oiapoque, e 369 quilômetros entre Macapá e Laranjal do Jari, totalizando 964 quilômetros. Jamais foi concluída, mas é trafegada, desde sempre. Nos tempos heroicos, durante os seis meses de estiagem, transformava-se em um poeiral sufocante, e nos seis meses de chuva, em um inferno de lama. Em 2011, foi construída uma ponte binacional sobre o rio Oiapoque, ligando Macapá a Caiena, a capital da Guiana Francesa.

“Com 84 mil quilômetros quadrados, a Guiana Francesa é limitada ao norte pelo oceano Atlântico, a leste e a sul pelo Amapá e a oeste pelo Suriname. Foi colônia francesa até 1947, quando passou a departamento ultramarino francês, com representação no Senado e na Assembleia Nacional da França, e seus cidadãos participam das eleições para presidente da França. Como integrante da União Europeia, a moeda local é o euro. O Centro Espacial de Kourou serve à Agência Espacial Europeia desde 1968. Ou seja, a Guiana Francesa é o principal território da União Europeia na América do Sul. Vizinho da Guiana Francesa e fazendo fronteira com um pedacinho do Amapá, fica o Suriname, antiga Guiana Holandesa, e que tem como capital Paramaribo. Com pouco menos de 165 mil quilômetros quadrados, é o menor país da América do Sul. Em 25 de novembro de 1975, deixou o Reino dos Países Baixos para se tornar um estado independente. Limitado a norte pelo oceano Atlântico, a leste pela Guiana Francesa, ao sul pelo Brasil, é vizinha da Guiana, antiga Guiana Inglesa, a oeste, que, por sua vez, se limita com o Brasil ao sul e sudoeste, com a Venezuela a oeste, e com o oceano Atlântico ao norte. A Guiana, capital Georgetown, conquistou sua independência do Reino Unido em 26 de maio de 1966, constituindo-se o único estado-membro da Commonwealth na América do Sul.

“É neste cenário que a Fortaleza de São José de Macapá estava fadada a se tornar o mais emblemático cartão postal dos macapaenses, juntamente com dois marcos de grandeza planetária: a Linha Imaginária do Equador, que secciona a cidade, e o Canal do Norte do rio Amazonas, que a banha na margem esquerda. Enquanto o Equador é só uma linha imaginária, o rio Amazonas é a substância da cidade. Com descarga hídrica tão gigantesca que reduz a salinidade superficial do mar, pois despeja em média 180 mil metros cúbicos de água por segundo no Atlântico, dos quais 65% via Canal do Norte – 16% da água doce vazada para os oceanos do mundo. Assim, o rio invade o mar com 8,6 baías de Guanabara e espantosos 3 milhões de toneladas de sedimento a cada 24 horas, ou 1,095 bilhão de toneladas por ano. O resultado disso é que a costa do Amapá continua crescendo. A boca do Canal do Norte, escancarando-se do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, mede em torno de 240 quilômetros, onde o Amazonas penetra cerca de 320 quilômetros no mar, atingindo o Caribe nas cheias, e, juntamente com outros gigantes do Pará e Amapá, e extensos manguezais, contribui para que a Amazônia Azul setentrional seja a costa mais rica do planeta em todo tipo de criaturas marinhas”.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O que é a dor? É possível extinguir a dor aguda só com acupuntura? E a dor crônica? E a causa?

O TCC de Ray Cunha na Escola Nacional de Acupuntura foi um inusitado romance

RAY CUNHA*

BRASÍLIA, 18 DE AGOSTO DE 2020 – A dor não está na matéria; está na mente. Essa observação é do filósofo japonês Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie. Para comprovar isso, ele menciona um cadáver, que não sente dor, porque a mente já se desligou do corpo. Masaharu, que estudou a fundo o budismo, também afirma que a matéria não existe, o que foi confirmado por Albert Einstein. O que existe é vibração; a matéria é apenas um estado muito acelerado dessa vibração. 

A matéria não existe. O que existe é o espírito. Mas o que é o espírito? Geralmente pensamos o espírito como a energia vital que anima o corpo físico, e também como a mente, que é a consciência, o pensamento. O espírito é o ser por excelência, a vibração divina, digamos assim. Encarnamos para evoluir o espírito, pois a matéria é o estado mais primitivo do ser; é o reflexo da dor, que pode chegar a um nível tão insuportável a ponto de desejarmos extirpar a parte da matéria onde se situa o foco da dor. 

Comecei o curso técnico de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (Enac), em Brasília/DF, no segundo semestre de 2013. Tive excelentes professores, entre os quais o especialista em analgesia em acupuntura e terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa clássica Francisco Vorcaro, que estuda medicina chinesa em mandarim, e Ricardo Augusto Comelli Antunes, um gigante no embate pela regulamentação da profissão de acupunturista no Brasil, e que aprovou meu trabalho de conclusão de curso, um inusitado romance policial, mas com estudo de caso: o de uma jovem portadora de uma colônia de miomas, com o devido protocolo de tratamento. Terminei o curso no primeiro semestre de 2016, mas comecei a clinicar em 2014, quando ouvi falar no astrofísico e médium Laércio Fonseca. 

Desde 2000, leio avidamente os livros de Masaharu Taniguchi e, mais para a frente, Allan Kardec, Chico Xavier, André Luiz etc. Entre 2014 e 2015, comecei a ouvir palestras proferidas por Laércio Fonseca no YouTub, além de frequentar a casa do meu amigo Jorge Bessa, espiritualista, ufologista, acupunturista, psicanalista, ex-chefe da contraespionagem do estado brasileiro, autor de mais de uma dezena de livros, que vão de acupuntura à política, de ufologia à espionagem. Também, sou atento à psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, especializada em pacientes oncológicos e em cuidados paliativos, e minha esposa. Isso me norteou como acupunturista. 

Norteou-me da seguinte maneira: talvez o melhor exemplo que posso dar é o de um paciente que atendi no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, onde, nas manhãs de domingo, uma equipe coordenada pelo acupunturista e jornalista José Marcelo Santos realiza trabalho voluntário em acupuntura e massoterapia. A ficha desse paciente já estava massuda; acho que ele havia passado por todos os terapeutas da equipe. Mas, naquela manhã, eu já vinha desenvolvendo o que eu chamo de acupuntura espiritualista. 

O paciente sofrera de câncer no intestino grosso, que fora extirpado, e vinha baixando hospital toda semana, pois tudo o que comesse lhe causava diarreia. Disse-lhe que, na verdade, seu intestino grosso continuava intacto. Ele me olhou incrédulo. Expliquei a ele que somos espíritos, compostos de várias camadas, chamadas de corpos; que o corpo material é a ponta do iceberg; que, ao se remover um órgão do corpo físico, ele permanece no duplo etério, que faz a ligação do corpo material com o perispírito, ou corpo astral. A prova disso, disse-lhe, é que, por exemplo, uma pessoa pode sentir coceira em um membro extirpado. Ele começou a entender. 

Aí, disse-lhe que o meridiano do seu intestino grosso, composto de um total de 20 acupontos, estava ali, intacto, e que eu iria fazer uma limpeza energética nele, por meio da acupuntura. Fiz isso, além de tonificar seu baço e de lhe fazer algumas recomendações em termos de alimentação. No domingo seguinte voltei a atendê-lo; ele não baixara hospital. Três meses depois ele mesmo pediu alta, bonzinho do problema digestivo. 

O filósofo, físico e matemático renascentista francês René Descartes, ou Renatus Cartesius, foi um dos gênios da Humanidade, um avatar. Para ele, a glândula pineal seria a sede da alma. Também conhecida como conarium ou epífise cerebral, a pineal, em forma de pinha, é uma pequena glândula endócrina encontrada no centro do cérebro dos vertebrados. Produz melatonina, um derivado da serotonina, que modula os padrões de sono. Os exotéricos a chamam de o terceiro olho, ou sexto chakra, Ajna, situado entre as sobrancelhas, o equivalente, em acupuntura, ao Yintang, um acuponto que, segundo Ysao Yamamura, acalma o espírito e clareia a mente, combatendo ansiedade, insônia, medo, vertigem, cefaleia e epistaxe. 

Minhas pesquisas mostraram que a pineal é a conexão do duplo etério, ou seja, é por onde o perispírito se conecta com o corpo físico. Vi também que o perispírito, ou corpo astral, é a sede das emoções, e é nas emoções que se situa a causa de todas as doenças. Então, quando acolhemos um paciente, a primeira coisa que se faz é extirpar a dor física, aquela que já passou para seus neurônios, e só depois lhe perscrutamos a alma. 

À medida que mergulho nesse tipo de trabalho que venho desenvolvendo sinto crescer em mim uma percepção extra-sensorial. Para mim, está claro como o sol do trópico que os mortos estão entre nós, os vivos. Não os vemos porque sua matéria é sutil e não refletem a luz, para que nossos olhos os decodificassem. Aqui, entre os vivos, é como se vestíssemos um escafandro e mergulhássemos no mar, para o aperfeiçoamento moral. E é nessa caminhada que sentimos dor. 

Para a Associação Internacional para o Estudo da Dor, “a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada ao dano tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tais danos”. Para o acupunturista, a dor é um sintoma. Afirmo que até a causa de um acidente é emocional. Como nada é por acaso, o acidente serve para chamar a atenção, e causa dor, que é um pedido de socorro, um berro, o grito. E é isso que lota as clínicas. Geralmente os pacientes são estupidificados de drogas, inclusive comida, na esperança de mitigar o latejar da dor, a agulhada da dor, até a dor mais profunda, mais insuportável, a loucura, o desequilíbrio da mente. 

A causa da dor está sempre nas emoções. Atendi uma paciente idosa que perdeu seu filho ainda adolescente por suicídio. Desde então, ao longo de décadas, ela passava os dias pensando nele, em um resgate inútil do passado, que poderia ser tão feliz. Quando a atendi ela já se tratava de um câncer no seio direito, o ponto onde o sofrimento causado pela perda absurda a atingiu na matéria. Câncer, para nós acupunturistas, é excesso de Yang e umidade, e tratamos isso, mas nela, tratei também do seu corpo astral, seriamente desequilibrado pela emoção avassaladora que portava. 

Corpo físico, ou soma, do grego, são apenas os tecidos da matéria. Assim, quando atendo os pacientes, a primeira e imediata investigação é sobre a dor, aquela manifestada no corpo físico e que, de alguma maneira, já o desfigurou, pois a dor é um sintoma corrosivo, que vai depauperando a matéria, até torná-la, embora ainda animada, um bolor monstruoso. Vi, certa vez, um amigo meu que tivera seu corpo todo cortado para extirpar câncer em metástase, que virara um Frankenstein, e, claro, faleceu em pouco tempo. Hoje, não se faz mais isso; o tratamento é mais voltado para a compreensão do paciente de que há uma cidade astral à sua espera. É claro que os psicólogos que trabalham junto aos médicos oncologistas se comunicam em termos científicos.

Se não houver recurso médico e tivermos que tratar de uma vítima do vírus chinês, por exemplo, sofrendo com falta de ar e dor de cabeça, não importa se sabemos que o vírus chinês é uma limpeza promovida pelo mundo espiritual, o que vamos fazer é tirar a dor do paciente e tentar o resgate da sua saúde. Podemos fazer a limpeza do meridiano do pulmão e tonificar os canais do coração e do baço, para purificar o sangue. E o Yintang, o vaso governador 20 e o circulação sexo 17 são sempre importantes, para abrir as janelas da alma.

RAY CUNHA é autor dos romances JAMBU e FOGO NO CORAÇÃO

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Os espíritos não me deixaram partir porque ainda tenho alguns romances para escrever

Ray Cunha batendo palmas para ele mesmo

BRASÍLIA, 7 DE AGOSTO DE 2020 – O silêncio da madrugada é, como sempre, um esvoaçar de rosas vermelhas, colombianas, compostas de subpartículas de átomo como em um sonho colorido, criado na paleta de Olivar Cunha em um dia em que ele amanheceu amando e então pintou a personagem central do meu romance JAMBU, Danielle Silvestre Castro, cafuza, ruiva de olhos verdes, tomando tacacá. Levanto-me, quase todos os dias, às 4h20. Até algum tempo atrás, tomava café 3 Corações, 100% arábica, gourmet, porém, como não o encontrei mais no Pão de Açúcar, passei a comprar 3 Corações 100% arábica do sul de Minas, que produz um dos melhores cafés do mundo. 

Levantava-me cedo para escrever, mas mudei o horário da escrita. Agora, depois de tomar uma ou duas xícaras do encorpado café coado faço minhas orações, juntamente com minha gata, Josiane. Duram em média uma hora e meia, basicamente de agradecimento a meus antepassados e parentes que já partiram para o mundo espiritual. Estou me acostumando a escrever à tarde, após a sesta. De manhã, caminho no Parque da Cidade ou nas diversas trilhas que tenho descoberto no meu bairro, o Sudoeste.

Depois das orações, vou à janela da sacada do meu quarto, defronte à pracinha do bloco onde moro. O sol é um convite. O tucano, que bate ponto junto com sua companheira, passa sozinho na altura do quarto andar do Le Triumph, no seu voo pesado; atravessa a pracinha, passa por cima da amoreira, que ele frequenta no outono, e some entre os prédios. Na sala, já arrumaram a mesa. É meu aniversário e me chamam. Há uma deliciosa torta de beterraba com creme de leite Ninho. Minha gata sempre pergunta o que eu quero de presente e minha resposta é a mesma: minha família. 

Ano passado, em novembro, sofri um infarto, mas sobrevivi. Foi como se os guardiões que me assistem do mundo espiritual, vendo que eu tenho ainda alguns romances para escrever, ordenassem uma limpeza na artéria entupida do meu coração. Assim, sobrevivi, mas se me perguntarem minha idade, não sei bem qual é, acho que porque vivo com um pé aqui outro lá, e lá não existe tempo, nem matéria, pelo menos do jeito que a conhecemos aqui.

Meu último romance foi JAMBU, uma história que se passa em Macapá, mas que tem como pano de fundo todo o Brasil, especialmente a Amazônia. Comecei a trabalhar em novo romance, e estou adorando escrevê-lo. Nunca as personagens vieram conversar tão facilmente comigo, sondando para ver se tomarão parte da história que estou escrevendo ou se estão fartas das minhas tramas. Mas algumas personagens gostam do que escrevo e sempre batem ponto nos meus romances ou contos.

Também me ocupo com pacientes, pois sou terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa. Tenho uma paciente, que, ao auscultar seu pulso, percebi que seus pulmões estavam desequilibrados; no dia seguinte, ela se submeteu a exame clínico e deu o vírus chinês. Então, fiz uma limpeza no seu meridiano do pulmão e o resultado foi espantoso: sua respiração voltou ao normal e a dormir bem.

Certamente, houve a intervenção dos guardiões não só porque escrevo livros, mas também porque realizo trabalho voluntário no Centro Espírita André Luiz, onde, com uma equipe de acupunturistas e massoterapeutas, atendemos muita gente, principalmente velhinhos como eu.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

O prazer ou a dor das palavras

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 15 DE JULHO DE 2020 – Um dia, o poeta Jorge Tufic me disse, em Manaus, que um homem lê com verdadeiro prazer durante sua juventude; maduro, ocupado em ganhar a vida, lê mais por obrigação do que por prazer. Ele tinha, então, 46 anos, e eu, 21. Comecei a ler aos 5, especialmente gibis. Aos 14, lia de Hemingway a enciclopédias. Varava as noites lendo.

Certa vez, em Brasília, mencionei Dan Brown a um amigo, erudito, que resmungou alguma coisa em resposta, como se eu estivesse falando besteira. Ele só lê clássico. Li Os Irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, adolescente. Outro dia comprei a edição da 34, avancei algumas dezenas de páginas e larguei o livro. Não aguentei. Para traçar o perfil de uma personagem Dostoévski consome pelo menos 10 páginas. Lembrei de Marcel Prout no Em Busca do Tempo Perdido, que leva umas 30 páginas para descrever o filho esperando o beijo matinal da mãe.

Hemingway revolucionou a literatura com O Sol Também se Levanta, de 1927, no qual adota uma linguagem jornalística, direta e enxuta, e sem papa na língua, tanto que ele foi chamado de devasso nos Estados Unidos durante algum tempo pelas beatas de plantão. O Sol Também se Levanta acaba com o rebuscado proustiano, sem deixar de ser tão profundo como Proust, ou Dostoiévski. É um clássico moderno.

Outro dia, resolvi fazer nova leitura de Dom Casmurro e de Memórias Póstumas de Brás Cubas, ambos de Machado de Assis. Também não aguentei. Larguei-os. Já Dalcídio Jurandir não consigo levar adiante nem seu principal livro, Chove nos Campos de Cachoeira. Dalcídio, apesar do pouco que li dele, reconheço como o maior escritor da Amazônia; lembra um Proust amazônida. O caboco é bom, mas há um, ou dois fatores fundamentais que norteiam o leitor de ficção.

O primeiro é o seguinte: acho que é preciso o leitor ter alguma coisa a ver com o tempo psicológico do romance ou conto em questão. Por exemplo: já li Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, publicado em 1605, em Madri, Espanha, mas não consigo lê-lo, hoje. Tenho 65 anos de idade e sou eminentemente homem tropical e do meu tempo. Não me interesse por castelos nem por cavaleiros andantes, muito menos por loucos. Será por isso? Tentei reler também O Nome da Rosa, de Umberto Eco, e não consegui.

Aí dirão: daí não conseguir ler Machado de Assis, o escritor mais incensado do Brasil, é demais. Pois é! Amo o Rio de Janeiro. Mas vivo intensamente o agora. Amo o Rio tal qual ele é, e não o Rio de Machado de Assis, não as personagens de Machado de Assis. Acho Capitu uma das personagens de ficção mais sensuais do mundo, com olhar oblíquo, dissimulado, e olhos de ressaca. Do jeito que Machado a cria, levanta até defunto.

E Dalcídio? Já que sou caboco ribeirinho, nascido em Macapá, a capital do estado do Amapá, em 1954, quando era um povoado na beira do rio Amazonas! Os que leram algum livro meu, romance ou contos, ambientados na Amazônia, sabe que meus personagens são da cidade grande, principalmente Belém e Manaus. São cabocos da cidade grande, políticos obscenos, mulheres sensuais, adolescentes endiabrados, psicopatas... e também gente direita.

Adoro a ficção de um carioca de quem já li sete romances e estou lendo o oitavo, Luiz Alfredo Garca-Roza, que me leva pelas ruas do Rio de agora, principalmente Copacabana. São livros policiais, mas de uma profundidade guanabarina, reconhecida até pela academia. Outro carioca, embora nascido em Minas, que leio como devoro um bom prato de comida: Rubem Fonseca.

Um dos escritores que mais li é Ernest Hemingway, mas não sei quando enfrentarei novamente Adeus às Armas, ou Por Quem os Sinos Dobram. E já houve livro de Hemingway do qual me desfiz: Verdade ao Amanhecer, de memórias. Acho que é aí que surge o segundo fator que norteia o leitor de ficção: sua história pessoal. Bom, aí é pessoal; não há o que discutir.

Há um escritor que Hemingway degustava: Joseph Conrad, que nasceu em meados do século 19. Leio tudo o que ele escreveu. Trata-se, simplesmente, do autor de O Coração das Trevas. Sua ficção está ancorada no século 19, na África, no mar, no Oriente, mas é sempre um mergulho na alma, além de que Conrad utiliza as palavras como o cirurgião talentoso maneja o bisturi.

Leio tudo, também, de Dan Brown, aquele de O Código da Vinci, de quem não espero voos faulknerianos, mas apenas as surpresas de uma trama moderna, desenrolada em um mundo cada vez mais globalizado e totalitário, que é o mundo em que vivemos. Assim, com o mesmo gosto, li a série Millennium, de Stieg Larsson e David Lagercrantz.

Voltando ao Jorge Tufic, concordo com ele em que leitura é prazer, principalmente prazer do espírito, seja ela ficção, ensaio ou poesia. Já li livros sem entendê-los, ou apenas como desafio, mas era tempo de juventude, de aprendizado, de desbravamento. Isso porque um livro será sempre uma aventura. Até os livros científicos. O fato é que livros são caminhos pelos quais enveredamos na vida, ou nos quais nem entramos, ou desistimos deles. Alguns desses caminhos acabam se tornando trilhas seguras, onde descobrimos tesouros, e até a luz.

Mas não há a melhor ou a pior escolha, porque a escolha é sempre pessoal, intransferível. Assim, um livro é como a própria vida: seu significado e o prazer, ou a dor, que nos proporciona ou nos provoca, serão sempre subjetivos.