quarta-feira, 3 de março de 2021

Memórias de um repórter na Amazônia

Jornal A Província do Pará, 1982, quando do lançamento
do livro de poemas Sob o Céu nas Nuvens, deste repórter

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 3 DE MARÇO DE 2021 – Em 31 de março de 1964, eu tinha 9 anos de idade e vivia na minha terra natal, Macapá, cidade ribeirinha na margem esquerda do estuário do maior rio do mundo, o Amazonas, na esquina com a Linha Imaginária do Equador. Era a capital do então Território Federal do Amapá. Daquela época, lembro-me de prisões políticas na Fortaleza de São José de Macapá e da minha mãe queimando livros do meu irmão mais velho, Paulo Cunha, leitor voraz, poeta e líder estudantil, o suficiente para que fosse jogado na Fortaleza. 

Em 1968, aos 14 anos, comecei a frequentar uma roda de artistas, alguns dos quais tinham que se apresentar, de vez em quando, no quartel local do Exército. O poeta Isnard Brandão Lima Filho, pai da minha geração de escritores, foi preso tanto na Fortaleza quanto no antigo presídio São José, em Belém. 

Em 1971, houve uma grande mudança na minha vida. Eu cursava o quarto ano do antigo ginasial no Colégio Amapaense quando, juntamente com três amigos, criamos o jornal estudantil A Rosa (Bonitinha, mas ordinária). Meus amigos eram o poeta e contista José Edson dos Santos (Joy Edson), o jornalista Walter Júnior do Carmo e o advogado José Nazareno Nogueira. 

O pasquim só circulou uma vez. Na época, o diretor do Colégio Amapaense era o professor Tinilo e o vice, professor Edgar. Fui submetido, pelos dois, a um inquérito que durou cerca de uma hora, eles e eu, numa sala fechada. Queriam saber onde o jornal fora datilografado e mimeografado. Não disse nada e peguei 15 dias de suspensão. 

O governador, na época, era o general mato-grossense Ivanhoé Gonçalves Martins. O Palácio do Setentrião era separado do Colégio Amapaense por uma praça descampada e o governador gostava de olhar de binóculo para o colégio. Diziam que ele estava vigiando os alunos. Certa vez, o jornalista Haroldo Franco publicou no seu jornal, do qual, mais tarde, fui editor, uma foto do general Ivanhoé montado num cavalo, com uma legenda mais ou menos assim: O governador Ivanhoé Gonçalves Martins (o de cima) sai para uma blitz. Haroldo Franco teve que se esconder até as coisas esfriarem. Pois bem, enviaram A Rosa para Ivanhoé. 

Na Secretaria de Educação, um amigo meu, Montoril, pai do poeta José Montoril, impediu, não me lembro mais como, que o jornal caísse nas mãos do general. Mas, naquelas alturas, eu andava desestimulado com a vida estudantil, e com a cidade. Em Macapá, naquela época, artista era tratado pela sociedade local como vagabundo, marginal mesmo (não sei se isso mudou). 

Em dezembro daquele ano, 1971, publiquei, com Joy Edson e José Montoril, um livro de poemas, Xarda Misturada, e peguei a estrada, com apenas 17 anos e sem sequer carteira de identidade. Rodei por aí, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Manaus, onde vivem parentes do meu pai, João Raimundo Cunha. Quando eu cheguei em Manaus, tinha 21 anos; era 1975, auge do regime dos generais. 

Antes de pegar o rio e partir para Manaus, para conhecer meus parentes paternos, dei uma parada em Santarém (PA), onde meu irmão, Paulo Cunha, estava morando. Em Santarém, trabalhei como redator da antiga Rádio Clube, de modo que já me sentia jornalista, e, ao chegar a Manaus, entrei no primeiro jornal que encontrei, o Jornal do Commercio, então sediado na Avenida Eduardo Ribeiro, onde, e nada é por acaso, havia uma vaga para repórter policial. 

Comecei no dia seguinte. Rotineiramente, cobria o Tribunal de Justiça e as delegacias de polícia, principalmente a Central, um casarão no centro da cidade, do qual guardei na memória o fedor de urina e de tortura. Ali, perpetrava-se todo tipo de barbaridade. 

No Jornal do Commercio, uma vez meu amigo Wanderley Fortaleza escreveu alguma coisa, não me lembro mais exatamente o que, e a redação foi invadida pela Polícia Militar. Fiquei por pouco tempo no Jornal do Commercio e fui para A Notícia. No dia 31 de março de 1976, o então presidente Ernesto Geisel e ministros foram a Manaus inaugurar o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. 

Quase toda a equipe de A Notícia foi escalada para cobrir a permanência de Geisel e comitiva em Manaus, o dia todo. Fazia parte da minha pauta entrevistar o ministro da Educação, general de brigada Ney Braga, e perguntar a ele se o Decreto 477, editado em 1969 e que enquadrava estudantes e professores que contrariassem o regime, ainda era necessário. 

O diretor de redação de A Notícia, Bianor Garcia, foi claro comigo. Eu teria que perguntar ao general sobre até quando haveria necessidade da vigência do Decreto 477. Talvez porque não vivesse na sala do Bianor, puxando saco dele, eu sentia que ele queria se livrar de mim, pois a missão era impossível. 

À noite, Ney Braga participaria de um encontro em um clube da alta sociedade no centro de Manaus, o Ideal Clube. Fui para lá com um gravador. Sentia-me meio condenado, mas com o estímulo do tudo ou nada. Posicionei-me num local por onde sabia que Ney Braga passaria e fiquei de campana. Não lembro quanto tempo esperei, mas o homem veio na minha direção e quando chegou a uma distância segura dei o bote. 

Os seguranças foram pegos de surpresa, pois não dei tempo a ninguém. O gravador na mão, avencei para cima de Ney Braga, com a serenidade dos que não têm nada a perder, identifiquei-me como repórter de A Notícia e sapequei a pergunta. Jamais esquecerei aquele sujeito me olhando quase na minha cara como se quisesse me fuzilar com os olhos de gelo. Sustentei o olhar dele. Deus, como eu precisava do meu emprego. 

– O Decreto 477 ainda tem razão de ser? – perguntei mais ou menos isso. 

Os olhos dele tinham a opacidade dos olhos de tubarão, e guardavam uma espécie de tédio, o tédio do poder. 

– Você é jornalista? – ele me perguntou. Eu não era jornalista de direito. Tinha parado na quarta série ginasial e só estava trabalhando como repórter porque naquela época ninguém ligava para diploma de jornalista, bastava que soubéssemos escrever. Eu sequer tinha o ensino básico completo. Só em 1982 é que, depois de fazer o Supletivo, comecei a cursar jornalismo, por pressão das empresas jornalísticas e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Pará. 

– Sou repórter de A Notícia – repeti. 

– E o que é que você acha? Você acha certo a anarquia? – ele disse algo mais ou menos assim. – Por que você está preocupado com isso? 

– Quero saber sua opinião, ministro – insisti. 

– O que você acha do decreto? – ele redarguiu. 

– Eu, nada, a pergunta é para o senhor – repliquei. 

– Não se preocupe com isso – ele disse. Lembrava os generais do cinema, sempre acompanhados de uma comitiva. 

A entrevista, que foi curtíssima, caiu na burocracia. O general, e seu labirinto, foram-se logo. Creio que ele encerrou a entrevista mais por enfado do que por pressa. Voltei iluminado para o jornal. Havia compreendido várias coisas, entre as quais é que quem está na chuva é para se molhar. Escrevi um boxe curto com a entrevista e conservei meu emprego, que, aliás, não durou muito tempo, pois me mudei para o jornal A Crítica, levado pelo futuro senador Fábio Lucena, que conheci no Clube da Madrugada e bebíamos no bar Caldeira. 

Falar nele, depois que se elegeu senador e antes de se suicidar, certa vez eu estava em Brasília e fui procurá-lo no Senado. Ao me aproximar dele, um capanga que o acompanhava já ia sacar o revólver para me alvejar quando Fábio Lucena fez um sinal para ele avisando que eu era seu amigo. O próprio Fábio me disse que o capanga tinha ordem para matar quem se aproximasse dele sem ser convidado. Não passou muito tempo para que a paranoia se agravasse e ele se matasse. 

Anos depois, o sargento paraquedista do Exército, Abílio Teixeira, que foi segurança de vários generais, me ensinou que um general é um homem como outro qualquer. A única coisa que o diferencia é seu uniforme. E um uniforme é só um uniforme. Aquela entrevista foi uma das melhores que já fiz, porque comecei, naquele momento, a entender, intuitivamente, que jornalismo é mais do que profissão; é a missão de desmitificar a realidade, essa dama escorregadia, que se move no pântano das trevas.

Foi em A Notícia que tive meus melhores momentos em Manaus como repórter. Certa vez, escrevi uma nota sobre rodoviários atacados por waimiris-atroaris na BR-174, a Manaus-Boa Vista. Por conta da nota, o Bianor Garcia foi chamado para dar explicações no Comando Militar da Amazônia. Não foi; mandou a mim. 

Lembro-me que o coronel que chamara o Bianor Garcia não gostou de ver apenas o repórter, e de 21 anos, para dar explicações sobre uma “questão de segurança nacional”, mas me fez algumas perguntas e me liberou. Recriei esse episódio no conto A Grande Farra, publicado em livro homônimo, em 1992, em Brasília. 

Durante todo o tempo em que trabalhei em A Notícia, o jornal esteve sob censura prévia. Todas as noites, um casal de agentes federais, casados mesmo, ia para uma sala contígua à redação e lia tudo o que sairia na edição do dia seguinte, cortando o que achasse que pudesse ofender o regime. 

A Notícia foi uma escola para mim. Lá, conheci José Marqueiz, Prêmio Esso de 1973, por cobrir para O Estado de S.Paulo a expedição dos irmãos Villas-Bôas de contato dos índios kranhacarores, no Mato Grosso. Marqueiz era correspondente do Estadão e redator de A Notícia. Ele foi o primeiro a pavimentar meu texto jornalístico. 

O Marqueiz e eu nos tornamos amigos. Batíamos muito papo no bar Amarelinho, na Avenida Getúlio Vargas, centro de Manaus. Quando fez a reportagem que lhe daria o Esso, ele contraiu malária e para combater o frio bebia. Tornou-se alcoólatra. Bebia pequenos tragos de Pitú, seguidos de chopp. 

Certa noite, pernoitei na casa dele e no dia seguinte saímos cedinho. Paramos no bar de um português, no centro de Manaus, que Marqueiz frequentava, e ele me convidou para fazer o desjejum: um copo de Pitú na cintura, que ele sorveu de um só trago. Recusei. O máximo a que cheguei foi fazer desjejum com a maravilhosa Antarctica manauara. 

Apesar de eu só ter 21 anos de idade, assinava uma coluna semanal em A Notícia, No Mundo da Arte. Nessa época, entrevistei muito artista importante, alguns em início de carreira, como Márcio Souza e Fafá de Belém, que era um exuberante furacão. Entrevistei vários monstros sagrados, como Grande Otelo, Nara Leão, Roberto Carlos. E conheci Jorge Amado, num encontro fortuito, nos arredores de Manaus. Roberto Carlos me marcou porque foi a pior entrevista que fiz na minha vida. 

A produção do jornal conseguiu entrevista exclusiva com Roberto, que fora apresentar-se em Manaus, em 1976, e estava hospedado no Hotel Amazonas, centro da cidade. O chefe de reportagem instruiu-me a perguntar ao Rei se ele usava meia de mulher como touca, antes dos shows. Pergunta bizarra, mas que satisfaria o suposto perfil dos leitores do jornal, que tendia ao sensacionalismo. Tudo bem! O problema era que o gravador estava falhando, e isso foi meu terror, porque se chegasse à redação sem a entrevista meu destino estaria selado. 

Fui fazer a entrevista. No hotel, fomos conduzidos, o fotógrafo e eu, ao corredor do apartamento do Rei, onde fomos recebidos por dois seguranças. Roberto não nos recebeu no apartamento, mas, depois de se arrumar, saiu do apartamento e me deu a entrevista no corredor. 

O Rei é um sujeito carismático. Ele me deixou à vontade e eu me senti como se fosse velho amigo dele. Perguntei-lhe sobre o negócio da meia, assunto que fora objeto de revista de fofoca. Ele me respondeu numa boa. Eu prestava mais atenção ao gravador do que a Roberto, pois estava preocupado, vigiando o rolo de fita girando. Era um velho gravador de tamanho médio. Mais tarde, na redação, degravando a entrevista, vi o quanto ela foi burocrática. Mas tudo bem! Restou uma fotografia com o Rei, por insistência do fotógrafo, que se tornara amigo meu e queria me dar um presente. 

Em 1977, mudei-me para Belém, onde trabalhei em O Liberal e depois em O Estado do Pará. Nessa época, trabalhei com dois mestres, um deles nada menos que Octávio Ribeiro, o Pena Branca, um dos maiores repórteres policiais do país. Em 1978, Pena esteve em Belém promovendo seu livro Barra Pesada, quando foi convidado pelo Oliveira Bastos, que foi um dos editores do Jornal do Brasil, para ser editor de polícia de O Estado do Pará, de Oliveira Bastos, mesmo que fosse por pouco tempo. 

Na época, eu trabalhava em O Liberal e fui pautado para entrevistar Pena Branca. Ele gostou tanto da entrevista que me convidou para integrar sua equipe como redator. Para completar, o diretor de redação de O Estado do Pará era Walmir Botelho, um verdadeiro irmão para mim e meu mentor, outro mestre, com quem vim a trabalhar, mais tarde, no Correio do Brasil, em Brasília, e novamente em O Liberal. 

Além da oportunidade de trabalhar com uma lenda, que era Octávio Ribeiro, e com um mago do jornalismo, Walmir Botelho, meu salário dobrou. Assim, deixei O Liberal, no qual voltei a trabalhar anos depois, quando o Walmir assumiu como seu diretor de redação, e fui para O Estado do Pará.

Passei a redigir a manchete de polícia e, às vezes, do jornal, assim como algumas chamadas de capa, a pedido do Walmir. Com Pena Branca aprendi a escrever de maneira objetiva e clara. Obrigado, Pena! 

Mas, inquieto, não demorei muito em O Estado do Pará, e naquele mesmo ano, 1978, fui para Rio Branco, trabalhar no jornal Gazeta do Acre, comandado pelo Elson Martins, editor também do Varadouro, o mais famoso jornal de resistência ao regime militar produzido na Hileia. Tive, também, rapidíssima passagem pelo Varadouro, para o qual escrevi, em março de 1979, a matéria Roteiro da Prostituição, publicada, com chamada de capa, na edição 14 do Varadouro. 

De volta a Belém, permaneci lá até 1987, quando me formei em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará e mudei para Brasília. Em 2005, a Editora Cejup, de Belém, publicou meu romance A Casa Amarela, ambientado em Macapá, a partir de 1964. 

Durante breve período, fui redator-chefe do semanário DF Notícias, em Brasília, onde conheci o sargento da reserva do Exército, Abílio Teixeira, que, em 2002, foi candidato a deputado federal. Fluminense, sargentão, paraquedista, assessor de ministro do Exército durante o regime militar, Abílio Teixeira não tem papa na língua. Escrevia uma coluna na qual descia o cacete no então presidente Lula Rousseff, que submetia os militares a um salário de fome. E também porque Lula não estava nem aí para a Amazônia. Os amazônidas que se lascassem. E ainda porque a infraestrutura do país estava desabando. 

Um dia, um tenente do Comando Militar do Exército ligou para a redação e pediu para falar comigo, marcando a visita de um major. Eu sabia que era por causa dos artigos do Abílio. Na manhã combinada, recebi o major e seu ordenança na minha sala. A certa altura o major me perguntou se poderia ler, de antemão, os artigos do Abílio. O sangue subiu à minha face. 

– Censura? – perguntei, irritado. 

O major escorregou do galho, mas era bom de comunicação e, com habilidade, conduziu a questão para outro lado, perguntando se poderia consultar o arquivo do jornal. Sim, é claro que poderia, mas pus, de propósito, um obstáculo. 

– É claro. Basta que o Exército encaminhe uma carta solicitando isso – disse. 

O major se mexeu na cadeira. Não demorou a ir embora, dizendo que providenciaria o documento, e nunca mais soube dele. 

Tive longos papos com o Abílio sobre assuntos da caserna, e me sinto grato a ele, porque foi decisivo no exorcismo do medo que eu acumulei acompanhando como repórter o regime dos generais, de modo a valorizar, a zelar, a lutar pela democracia plena, sempre. 

Mas compreendo também que os militares atenderam a um pedido de socorro, pois os comunistas tupiniquins estavam prestes a sair do ovo da serpente nos moldes da extinta União Soviética, totalitária; de Cuba, que agoniza; e da Venezuela, que começava a enveredar por um caminho que a levaria à tragédia – hoje, o povo venezuelano, vítima do bolivarianismo, um engodo de Hugo Chávez Maduro, já comeu todos os seus cachorros e gatos e já pensa em comer cadáveres. 

Foi nesse cenário que surgiu Lula Rousseff, que, nos anos 1990, instalou o Foro de São Paulo, reunindo hienas como Fidel Castro, e lançando as bases para começar uma ditadura comunista no Brasil. Em 2003, foi eleito presidente da República e começou, imediatamente, seu plano, por meio do patrimonialismo, do paternalismo, do populismo e do aparelhamento do Estado, aliando-se a todas as excrescências que rastejam, do Oiapoque ao Chuí; desqualificando as Forças Armadas, as escolas e as universidades; e assaltando a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

O movimento militar de 1964 recebeu o chamado e o apoio da maioria da sociedade brasileira, receosa de um golpe comunista, que é sempre totalitário e genocida. Mesmo assim, 21 anos depois, os ovos da serpente, infiltrados em todos os estames da sociedade, eclodiram, gerando corrupção em metástase. Hoje, a democracia está em perigo. Faz-se urgente impedir qualquer tipo de ditadura, principalmente a dos fabianos, que agem à sombra da legalidade. 

A grande lição que aprendi nas duas décadas de um regime sufocante, mas que evitou algo pior, é que devemos lutar com unhas e dentes pela democracia, que é, em última instância, um exercício individual de amor ao próximo. Quando tomamos atitudes justas e altruístas, toda a Humanidade melhora, pois nenhum homem é uma ilha; somos, todos, um continente.

terça-feira, 2 de março de 2021

Qualquer pessoa pode praticar acupuntura no Brasil. A prática não é regulamentada

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 2 DE MARÇO DE 2021 Alunos de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), médicos, enfermeiros, massagistas, advogados, jornalistas, atletas, pedreiros, faxineiros, morador de rua, deputado, senador, qualquer pessoa, pode praticar acupuntura no Brasil, porque não é regulamentada. Segundo a Federação Brasileira das Sociedades de Acupuntura e Práticas Integrativas em Saúde (Febrasa), “não há impedimento legal na realização das atividades laborais nessa área do saber em nosso país”. 

Durante décadas, os médicos tentaram fazer reserva de mercado da acupuntura, mas não conseguiram, até porque MTC e medicina ocidental são terapias absolutamente diversas, embora possam complementar-se. Enquanto esta cuida de órgãos e regiões do corpo, com medicamentos e cirurgia, aquela cuida do ser holístico, incluindo o espírito, por meio de fitoterapia, massoterapia e acupuntura, técnica que trabalha meridianos energéticos. 

Há 30 anos que o Congresso Nacional vem ensaiando regulamentar a profissão de acupunturista, mas os projetos afins tramitam a passos de cágado, mas o Projeto de Lei 1549/2003, que disciplina o exercício profissional de acupunturista, é o mais avançado na Câmara Federal; só falta ser votado em plenário. Há cerca de 100 mil acupunturistas no Brasil aguardando por isso. 

No mundo todo, principalmente nos Estados Unidos, acupuntura é profissão, cada vez mais utilizada, mais eficiente como terapia preventiva e mais barata. 

Segundo o presidente da Federação Brasileira das Sociedades de Acupuntura e Práticas Integrativas em Saúde (Febrasa), professor Sohaku Bastos, doutor em Acupuntura e diretor para o Brasil da World Federation of Acupuncture and Moxibustion Societies (WFAS), “a Acupuntura é um recurso terapêutico da Medicina Tradicional Chinesa, que possui uma doutrina terapêutica própria e uma inusitada racionalidade em saúde, não sendo propriedade exclusiva de nenhuma profissão da saúde no Brasil. Para evitar equívocos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou as Diretrizes para o Treinamento Básico e Segurança em Acupuntura, nas quais é clara a autonomia dos profissionais de Acupuntura. 

“Em que pese a inexistência de cursos de graduação superior em Acupuntura no país, até o presente momento, reiteramos a existência de massa crítica científica e acadêmica, além de uma expressiva presença do profissional de Acupuntura no mundo da assistência em saúde de nosso país, tanto na esfera privada quanto na esfera pública, caracterizando uma forte influência dessa cultura assistencial na sociedade brasileira.

“É dever da Febrasa, enquanto instituição que defende a prática, o ensino e a pesquisa da Acupuntura e da Medicina Tradicional Chinesa, no Brasil, informar a todos os alunos, profissionais e professores de Acupuntura que não há impedimento legal na realização das atividades laborais nessa área do saber em nosso país”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

A Amazônia está fadada a ser eterna colônia do Brasil e os amazônidas a comer folha de árvore?

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 26 DE FEVEREIRO DE 2021 – Os dois principais intelectuais da Amazônia, o jornalista e ensaísta paraense Lúcio Flávio Pinto e o ficcionista e ensaísta amazonense Márcio Souza, volta e meia reclamam do tratamento que a capital do país dispensa à Amazônia: apenas tira, e que se dane o povo que vive lá. Com efeito, o que se vê, hoje, é que, embora a Amazônia tenha se tornado a grande produtora de energia elétrica limpa do país, a maior parte da energia produzida é canalizada para outras regiões, enquanto muitas localidades do subcontinente ainda não contam com energia firme. 

Também, o país equilibra a balança comercial exportando minerais da Amazônia, como ferro e alumina, por exemplo. E o comércio clandestino na Hileia vai desde árvores, passando por ouro e pedras preciosas, até mulheres e crianças, traficadas geralmente para escravidão sexual. 

A Amazônia é a maior província biológica, mineral e fitoterápica do planeta, mas os amazônidas são vistos pela capital do país como subespécie, como os paus-de-arara nordestinos em São Paulo e no Rio de Janeiro. 

A revolução da Cabanagem mostra bem isso. Mas mostra ainda que os cabanos, quando se viram no poder, não sabiam o que fazer. Assim, Lúcio Flávio Pinto e Márcio Souza têm razão, também porque a Amazônia é o que é devido à sua elite. 

O amapaense Davi Alcolumbre (DEM/AP), penúltimo presidente do Senado da República, gastou dois anos fazendo uma política de quintal. Esta semana, foi eleito presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); no seu discurso de posse disse que agora teria mais tempo para se digladiar contra seus detratores, que o acusam de ter passado dois anos protegendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), engavetando pedidos de impeachment com acusações robustas. 

Outro, também ligado ao Amapá, que poderia ter feito uma política amazônica, foi o ex-presidente José Sarney. Corrido do Maranhão, seu estado natal, Sarney saltou de paraquedas em Macapá, a capital do Amapá, que o elegeu senador perpétuo; ele só largou o osso porque não tinha mais energia para isso. 

O que fez Sarney? Além de ter anexado o Amapá como quintal do Maranhão atraiu para Macapá, com a história de uma zona franca de quinquilharias, uma migração insustentável. Resultado: Macapá, que não tem um metro de esgotamento sanitário e é tratada pelos prefeitos e governadores como aquelas vacas que passam a vida amarradas e com as tetas cheias de pus de tão inchadas, se tornou uma das cidades mais violentas do país. 

A propósito, Macapá se tornou famosa até no Sul, pelo apagão que sofreu recentemente, já que suas instalações elétricas são uma piada de mal gosto. As trevas somadas ao vírus chinês matou igual na guerra. 

Quanto a Cabanagem, como se sabe, em 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral chega a Porto Seguro, na Bahia. Nas décadas seguintes, a Coroa Portuguesa tratou de garantir a posse das terras no Novo Mundo, distribuindo capitanias hereditárias a membros da nobreza. Mas somente as capitanias de Pernambuco e de São Vicente (São Paulo) prosperaram. Em 1549, Portugal cria o Estado do Brasil, com um governo-geral sediado em Salvador, e, em 1763, no Rio de Janeiro. 

Mas, em 1621, durante o domínio espanhol, Filipe II de Portugal (Filipe III da Espanha) dividiu a colônia portuguesa em duas: o Estado do Brasil, que abrangia de Pernambuco até a atual Santa Catarina; e o Estado do Maranhão, do atual Ceará até a Amazônia, com a capital em São Luís, e, a partir de 1737, em Belém, quando o Estado do Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Então, era mais fácil navegar de Belém para Lisboa, vice-versa, do que de Belém para Salvador, vice-versa, devido aos ventos. 

Em 1823, Dom Pedro I anexa o Grão-Pará e Maranhão ao Império do Brasil. Em 1835, explode uma revolução em Belém, a Cabanagem, estendendo-se, até 1840, para toda a Amazônia. A resposta do Império do Brasil foi de uma ferocidade que até hoje causa ressentimento. 

Influenciada pela Revolução Francesa, a Cabanagem eclodiu devido à pobreza, fome e doenças na Amazônia, principalmente entre índios e mestiços que viviam em cabanas à beira dos rios, verdadeiros escravos da elite branca. Liderados por integrantes da classe média alijada pelo Rio de Janeiro desde a Independência, tomaram o poder em 6 de janeiro de 1835. 

Trocando em miúdos: o Estado do Grão-Pará reportava-se diretamente à Lisboa. Quando o Estado do Brasil proclamou a independência Dom Pedro I anexou a Amazônia ao Império do Brasil, desprezando a elite paraense que se reportava diretamente à Lisboa. Abandonada, já que agora não contava mais com Portugal, a população começou a passar necessidade. Então revoltou-se contra o Brasil, numa tentativa de se unir novamente a Portugal. 

Mas, sem planejamento, os cabanos permaneceram no poder apenas dez meses, quando Belém foi bombardeada sem dó nem piedade; segundo os historiadores, as tropas do Império do Brasil reduziram a população belenense, de 100 mil habitantes, quase pela metade. 

Isso se tornou um emblema. O Rio de Janeiro e, depois, Brasília, têm governado de costas para a Amazônia. Mas a tragédia nem é isso; consiste em que a elite da Hileia só defende, com unhas e dentes, o próprio pirão. Aí nem jacaré aguenta. 

Pior é que as vozes que se levantam geralmente beberam também na fonte da Revolução Francesa e hoje se tornaram fabianos, ecologistas radicais, do tipo que quer que a floresta e os animais fiquem intocados e aos ribeirinhos seja permitido comerem apenas folha de árvore. Como diz o coronel Gélio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva:

– A Amazônia será ocupada, por nós, ou por uma ou mais potências estrangeiras!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

A vida é como a eternidade das rosas vermelhas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 25 DE FEVEREIRO DE 2021 – A tarde imobilizava a cidade com um bafo quente, afrouxando o ânimo, escoando energias, lenta como lesma. Os dois rapazes e quatro moças comiam sanduíches e tortas com refrigerante na lanchonete. Eram estudantes. Haviam saído cedo da faculdade, que ficava ali perto. A três mesas deles encontrava-se um velhote empertigado lendo um jornal. Os garotos olharam para ele numa sequência de cochichos, rindo furtivamente, enveredando numa conversa sobre o quanto aquele velhote era ridículo. Um deles mostrava-se preocupado porque era o mais velho da turma, completara 21 anos e sentia-se envergonhado, um avô. A mais jovem, de 17 anos, sentia-se ansiosa, pois ainda faltavam seis meses para completar 18 anos. “Quando isso acontecer” – pensou – “vou mostrar ao meu pai quem manda na minha vida.” Imaginava-se voltando para casa com o sol nascendo, depois de uma noitada com seu gatão, aquele rapagão de um metro e oitenta, olhos verdes, moreno claro, os cabelos caindo na testa e aquele beijo que ia até a garganta. 

O que é a velhice? Por que a velhice arrepia os cabelos de tanta gente? Por que muitos a entendem como doença? Por que inspira tanta repugnância? A preocupação com a velhice perpassa idades, gêneros, etnias, regiões e sociedades. Do ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa, velhice é quando a energia pré-celestial – aquela que garante o desenvolvimento do feto, o crescimento do corpo e a manutenção da vida até a morte – vai para o ralo; do ponto de vista existencial, é a aproximação natural da morte física, quando a energia vital vai se acabando, os órgãos começam a falhar e a defesa orgânica cai para zero. 

O desdém que algumas pessoas dispensam aos velhos decorre de dois fatores: um, a forte animalidade principalmente dos jovens, para os quais a morte, e a velhice, não existem no seu estado de consciência, no qual só há beleza, vigor, primavera. O outro fator é o apego, a ilusão de que nossas quatro dimensões são para sempre. Notaram que as crianças não excluem os velhos? Pois elas ainda têm aberto o portal que transcende as quatro dimensões, e que só pode ser transposto por meio do não apego. 

Mas o tempo só existe no mundo material. Somos espíritos, e na dimensão espiritual não existe tempo. Existe a eternidade, o agora. O fato é que o tempo não é importante. Importante é a energia. Há velhos que jamais deixam de amar, de trabalhar, de produzir, de ajudar os jovens a construírem seus mundos. E há os que morrem mentalmente, mas seus corpos continuam vagando por aí, deteriorando-se. A energia está, pois, na mente; os corpos são apenas prisão. 

Como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, atendo dezenas de pacientes por mês; expressiva parcela deles sente mais medo da velhice do que da morte, porque associam a velhice à tragédia, à dor, a sofrimento, a doenças degenerativas, à feiura, a lixo, ao fim dos prazeres mundanos, à renúncia, ao nada. Mas quando vivemos o agora não morremos nunca. Cinquentão quando me formei em Medicina Tradicional Chinesa, na Escola Nacional de Acupuntura (Enac), ouvia, de vez em quando, nos corredores da escola, que um acupunturista é realmente bom com 20 anos de atividade. Assim, eu não estaria velho demais dali a vinte anos? Eu ouvia, em perguntas não verbalizadas, formuladas em olhares zombeteiros dos que sentem o sabor de imortalidade física da juventude. Não! A eternidade é agora. E a Medicina Chinesa é tão generosa que, por pouco que se conheça dela, aplicada com honestidade e amor ao paciente, proporciona felicidade inesgotável. 

Falar em sabor de imortalidade física, senti isso durante muito tempo, ainda quarentão. Lembro-me que aos 21 anos sentia-me fisicamente um deus, e podia ouvir uma noite inteira a música que só as mulheres sabem reproduzir dos abismos labirínticos das suas almas, os sons que somente as rosas vermelhas vibram e os jasmineiros choram. Mas quando quis peitar o mundo com a força dos meus músculos, me senti esmagado. Cheguei a flertar com a morte; queria enfrentá-la. Mais tarde, lendo o filósofo japonês Massaharu Taniguchi, descobri que o mundo material é limitado, só há morte física, mas o caminho é eterno. 

A vida carnal, a parte espinhosa do caminho, pode durar o instante da concepção, e pode passar dos 100 anos. Às vezes, nossa missão só pode ser cumprida durante longa caminhada, ao cabo da qual nosso corpo, exaurido, estará enrugado, os cabelos terão caído; os lábios, os seios, o pênis, os músculos, estarão murchos; os ossos, quebradiços; o coração, fraco. Mas isso só incomoda as pessoas apegadas à matéria. Pois o que é a vida material senão uma caminhada repleta de obstáculos, caminhada evolutiva, oportunidade para o espírito ascender! 

Todos nós temos encontro marcado com a vida, permanentemente. E o que é a vida senão amar? Às vezes, aqui no mundo material, tudo fica tão maçante, tão chato, e de repente uma rosa incendeia de amor o coração, e então o Qi da alegria transforma de novo a vida em um jardim, e sentimos que a eternidade é agora, intensa, mergulho para cima, que jamais se extingue. Ser jovem é possuir a eternidade das rosas, que são indestrutíveis na sua poesia. 

Já estou descendo a ladeira da existência material, sem freio, mas essa velocidade é nada perante o cheiro azul do mar, o perfume das virgens ruivas, o orgasmo das rosas colombianas vermelhas, o triunfo da luz. De tanto ouvir o riso das crianças, de observar as rosas, de sentir os jasmineiros umedecendo as noites tórridas do trópico, e o cheiro do mar, de tanto montar a luz e sentir o cataclismo do primeiro beijo, e de ouvir o atrito da Terra no espaço, como música de Mozart, transcendi o tempo.

Masaharu Taniguchi disse que o mundo físico é apenas criação da mente; o segredo para entendermos isso está no iceberg da vida. Como bem observou o criador de O Velho e o Mar, Ernest Hemingway, o iceberg flutua com tanta elegância porque sete oitavos ficam submersos e somente um oitavo aparece fora d’água, o equivalente ao mundo físico, limitado pelo espaço e pelo tempo. Os sete oitavos dentro da água podem ser identificados como realidades múltiplas, universos multidimensionais, ou qualquer outra coisa que se aproxime do que rotulamos de realidade. E o que é realidade? Matéria? Sonho? Poesia? Gosto de pensar que realidade é o nada, o éter, algo que apenas flui, e que sou leão de asas.

O eleitor fluminense está de olho no deputado Luiz Lima. Prefeitura do Rio foi um teste

Lima mostrou na campanha que conhece o Rio profundo

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 25 DE FEVEREIRO DE 2021 – O deputado federal (PSL/RJ) Luiz Lima vem crescendo na Câmara, mostrando potencial para voos maiores, e começa a despontar como o candidato conservador, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, ao governo do Rio de Janeiro, no próximo ano. Mas terá que mostrar ao eleitorado do Rio que tem o perfil certo para pôr o estado nos trilhos. 

Profundo conhecedor tanto da Cidade Maravilhosa quanto do estado, Luiz Lima mostra que já tem uma meta traçada para cuidar das principais questões do estado, temas tratados durante a campanha para a prefeitura do Rio: tolerância zero com a bandidagem, ajuste fiscal e a principal indústria do estado: o turismo, além do tratamento e distribuição de água, produção de energia elétrica e transporte público. 

Eleito deputado federal pelo PSL, em 2018, foi votado nos 92 municípios do estado, o que significa que é conhecido em todos eles, depreendendo-se que é conhecido porque já realizou algum trabalho que beneficiou o estado, e o eleitorado, como um todo. 

Eleito deputado com apenas 115.119 votos, ano passado, ao disputar a prefeitura do Rio, ficou em quinto lugar, com 180.336 votos. A prefeitura do Rio foi um teste. 

Luiz Eduardo Carneiro Silva de Souza Lima é carioca de 1977, ex-atleta olímpico de natação, graduado em Educação Física. Prata nos Jogos Pan-Americanos de 1995, na Argentina, ouro no Pan de Winnipeg, no Canadá, em 1999, e campeão brasileiro em 2006 e sul-americano em 2008, iniciou sua vida política em 2016, quando, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, aceitou o convite para ser secretário Nacional de Esportes de Alto Rendimento. 

Em 27 de março de 2019 teve seu primeiro projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, o qual altera a Lei Maria da Penha, garantindo às vítimas de violência doméstica a decretação imediata de divórcio ou dissolução de união estável. 

Outro projeto de lei seu, o PL 511/2019, que limita o poder de juízes e desembargadores nos plantões judiciais, limitando-os a análise de medidas urgentes, como prisões em flagrante, decretação de prisão preventiva ou temporária, busca e apreensão, mandados de segurança e habeas corpus, já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

Este ano, deverá ter protagonismo em duas questões caras ao estado do Rio de Janeiro, especialmente à Cidade Maravilhosa: a reforma fiscal e a legalização dos cassinos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Por que a gasolina custa o olho da cara? A Petrobras continua aparelhada?

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 24 DE FEVEREIRO DE 2021 – A gasolina vendida no Brasil é uma das mais caras do mundo, devido à carga tributária: Cide, PIS, Cofins e ICMS, enumera o analista de energia e petróleo da Tendências Consultoria, Walter De Vitto. A isso, soma-se a falta de autossuficiência do Brasil no setor. O economista André Suriane também atribui o alto preço dos combustíveis ao monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e refino da gasolina, distribuição concentrada em poucas empresas e cartel dos postos. 

Segundo a Petrobras, o preço dos combustíveis na bomba é a soma de 31% dos custos de produção, 10% de impostos da União (Cide, PIS, Cofins), 28% de impostos estaduais (ICMS), 15% do etanol adicionado à gasolina e 16% da distribuição e revenda. 

Também o transporte rodoviário de diesel, gasolina e querosene contribui para aumentar o preço dos combustíveis, além de ampliar o risco de acidentes. Melhor seria ter refinarias espalhadas pelo país todo, um verdadeiro continente, e serem utilizados oleodutos. Ainda, aqui e ali, paira ameaça de greve dos caminhoneiros. 

Só reduzir impostos em um país depauperado por assalto permanente à burra e que de 2003 a 2016 quase foi à lona é uma coisa que os governadores dos estados não querem nem ouvir falar, porque estão falidos. Que tal, então, uma reforma tributária para valer e a privatização da Petrobras? 

Giovana Araújo, da consultoria MB Agro, fez uma observação interessante: os preços dos combustíveis no Brasil são regulados pela Petrobras, e numa lógica que os economistas não entendem, muito menos o mercado, pois fixam os preços com critérios próprios. Por que será? 

Mesmo com os combustíveis valendo os olhos da cara, a empresa quase vai para o brejo. Entre 2004 e 2012, a Petrobras sofreu um prejuízo de 6,194 bilhões de reais. Em 2014, o prejuízo foi de 21,587 bilhões de reais. Em 2015, foi de 34,8 bilhões de reais. A empresa estava cheia de ratos; atrevidos, furtavam até leite de mãe amamentando. 

Segundo a Operação Lava Jato, entre 2014 e 2017, a Petrobras acumulou mais de 70 bilhões de reais em prejuízo, devido a desvio de dinheiro. E atualmente? O candidato a presidente Jair Bolsonaro, mesmo segurando as tripas, depois de ter sido estripado com uma peixeira, disse que se saísse vivo e ganhasse as eleições promoveria uma limpa no país da qual não escaparia nem barata, quanto mais rato. 

Então, ainda há esquemas mafiosos dentro da Petrobras? Até onde Lula Rousseff (sic), e o PT, conseguiram aparelhar a empresa?

O presidente Jair Bolsonaro está prestes a descobrir. Sexta-feira 19, ele indicou para presidir a Petrobras, no lugar de Roberto Cunha Castello Branco, o general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa e atual diretor-geral da Itaipu Binacional, onde mostrou que é bom em pegar fabianos, lobos em pelo de cordeiro, comunistas disfarçados de democratas, que não querem o bem, mas os bens dos brasileiros.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos já nasce como um clássico da exumação do comunismo e do lulo-petismo

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 22 DE FEVEREIRO DE 2021 – Jorge Bessa, 66 anos, belenense, escritor, psicanalista, acupunturista formado em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Nacional de Acupuntura, graduado em Economia pela Universidade Federal do Pará, especialista em assuntos relacionados à atividade de inteligência e de planejamento estratégico, chefiou os Departamentos de Contra-Espionagem e de Contra-Terrorismo da antiga Secretaria de Inteligência da Presidência da República, atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pesquisador de assuntos metafísicos e espiritualistas, tentando estabelecer pontes entre ciência e espiritualidade, autor de 18 livros, alguns relacionados à atividade de inteligência de estado e outros ligados às áreas de saúde mental, poliglota, incluindo-se aí o russo, após longa e intensa pesquisa, publicou, em 2020, um dos mais cirúrgicos mergulhos no ventre da besta: Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos (Thesaurus Editora/Tagore Editora, Brasília, 2020, 444 páginas). 

Segundo ele, comunismo é o socialismo armado, até os dentes. Ou melhor, o estado armado, pois os trabalhadores ficam desarmados. Vários intelectuais embarcaram no comunismo, mas só continuaram inalando ópio os intelectoides. 

O comunismo começou a desmoronar juntamente com do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. O sonho que seduziu grande parte dos intelectuais do Ocidente virou pesadelo, o maior dos fracassos políticos da humanidade, levando consigo pelo menos uma centena de milhões de mortos diretos, a maioria pela fome. Contudo, os arautos do comunismo estão sempre de plantão, prontos para enganar, iludir, prometendo o paraíso na Terra e promovendo o terrorismo intelectual contra seus desafetos, pois só assim, como nuvem de gafanhotos, podem chegar às tetas do estado inchado. 

No Brasil, os comunistas vêm tentando pousar desde o começo do século passado, mas foi a partir do Foro de São Paulo, do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Luiz Inácio Lula da Silva que conseguiram dominar o país, mergulhando-o durante uma década e meia em uma bacanal de corrupção, com o furto de trilhões de reais da burra. 

“Essa guerra eu já conheço. Como já expliquei em outras obras, fui um combatente na Guerra Fria, uma guerra ideológica em que os dirigentes de diversos países, conhecedores dos resultados de se provar dos frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, preferiram evitar essa nova queda do homem e se juntaram a combater esse mal, a doutrina marxista-leninista que emanava da então poderosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que se autointitulava A Pátria Mãe do Comunismo e que se arvorou em ser a condutora de revoluções comunistas por todo o mundo” – diz Bessa. 

“Não se sabe ao certo se o colapso do regime soviético se deu pela eficácia dos serviços de inteligência do Ocidente, pela debacle econômica ou pelo processo de autofagia interna que consumia a liderança daquele país. Aliás, justiça seja feita: os comunistas não devoram criancinhas; eles se devoram uns aos outros. O certo é que, ao final de 46 anos de Guerra Fria, os países capitalistas saíram vencedores, e parecia que o comunismo havia sido mortalmente ferido e perdido essa guerra.” 

Bessa disseca o comunismo desde a sua origem, na Revolução Francesa, passando pela Revolução Comunista na Rússia e atravessando o período da Guerra Fria, até chegar ao Foro de São Paulo, “organização que pretende realizar na América Latina aquilo que fracassou no Leste Europeu: o comunismo transvestido em socialismo do século XXI, socialismo bolivarianista, socialismo moreno, neocomunismo ou simplesmente socialismo petista”. 

“A exemplo da fênix grega, que ressurgia das próprias cinzas, ou da conhecida besta do apocalipse, que teve sua cabeça decepada e logo restaurada, o comunismo – que muito de seus defensores envergonhadamente preferem chamar simplesmente de socialismo, para se confundirem com os setores do socialismo não comunista revolucionário conhecido como Socialismo Fabiano – não morreu, como muitos pensam, e fincou suas garras em vários países, principalmente na América do Sul, onde seus adeptos modificam conceitos e ocultam intenções pouco democráticas para enganar os desavisados, utilizando-se, para isso, das armas que conhecem muito bem: a mentira, a hipocrisia, a subversão cultural, a distorção da realidade, tudo isso ampliado pelo poder hipnótico do marketing político, o ilusionismo que, sabiamente utilizado pelo magos da mentira, transformam mitômanos contumazes em gênios políticos, intoxicando o pensamento da nação e conquistando multidões de fanáticos. 

“Muitos intelectuais, ou pseudointelectuais, a quem denomino de intelectoides, em seus sonhos e devaneios, alguns até movidos por bons e sinceros desejos de melhoria para a sociedade, estão sempre dispostos a seguir líderes espertalhões, egoístas e sedentos de poder, que prometem que finalmente vão executar suas velhas, surradas e já derrotadas utopias, pois a coisa mais fácil é manipular gente sonhadora, mas sem os pés fincados na realidade, e a quem o líder comunista Vladimir Lenin chamava de Idiotas Úteis. 

“A grande massa da sociedade não sabe como é fácil empregar a hipnose coletiva, que hoje é realizada através da televisão e das redes sociais, e por meio dela conseguir dominá-la. Hitler fez isso com facilidade na Alemanha e levou seu país e seus compatriotas à destruição. Não sabe, também, como é fácil corromper a consciência e a alma dos políticos: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro José Dirceu fizeram isso com grande maestria. 

“Os esquerdistas de hoje têm vergonha de assumir que defendem o regime que mais matou na história da humanidade e o fazem ou por conveniência política, por falta de caráter, ou por serem avessos aos estudos, a exemplo de Lula, que reiteradamente declara ser avesso a qualquer estudo. Em um arroubo de franqueza, em 1981, um ano depois de ter criado o PT e quando participava de uma entrevista no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, respondendo a uma provocação do teatrólogo Flávio Rangel, que lhe perguntou: – Você não está estudando nada? Você sente necessidade de estudar? Lula respondeu: – Primeiro, eu acho que eu sou muito preguiçoso. Até pra (sic) ler eu sou preguiçoso. Eu não gosto de ler, eu tenho preguiça de ler. Pelo hábito, isso é questão de hábito. Tem companheiro que passa um dia lendo um livro. Eu não consigo.”

Alicerçada na experiência do autor na área da informação e contrainformação e em incansável pesquisa bibliográfica, Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-Americanos nasce clássico, um livro a ser indicado a todos os estudantes e professores de História, Política, Economia e Jornalismo.