terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Papai Noel chegou, com seu topete laranja

Tudo o que eu quero é ouvir de madrugada gemidos com cheiro de mar

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 17 DE DEZEMBRO DE 2024 – Papai Noel já está trabalhando. Bate à porta, deixa correspondências nas portarias dos prédios, dá recados e entra nos lares via mídia. Neste Natal, só entregará o grande presente em janeiro, dia 20, quando porá no peito de Donald Trump a estrela de xerife. Dirão: “Esse cara está louco; Trump só manda nos Estados Unidos”. Ledo engano. Ele manda no mundo todo. É claro que não vai ficar fazendo ameaças com bomba atômica. Não! Todo mundo quer ganhar dinheiro. 

Quero acreditar que Papai Noel tenha alguma coisa a dizer aos injustiçados, principalmente os que são torturados em Cuba e na Venezuela. Que lhes incuta esperança. Seus algozes podem ser exterminados a qualquer momento, trucidados, como costuma acontecer com os ditadores. 

Que os russos possam se livrar de Putin, em 2025, Israel ponha ordem no Oriente Médio e Taiwan siga com sua economia de mercado. A China e A Coreia do Norte deverão continuar seu totalitarismo, pois urdiram um regime que só cairá sob uma guerra nuclear, com bombas atômicas dessas carregadas em maletas. 

Acho que o caso da China é o mesmo da Amazônia. No caso da Amazônia, ela é devorada pela própria bancada no Congresso Nacional. Uma farra. A Amazônia só não enviou o pior congressista porque há Minas Gerais. Os presidentes de ambas as casas podem fazer a pose que fizerem, mas não passam de dois agentes do regime. 

2025 não será fácil para algumas pessoas. Pessoas, não, hienas. O problema delas é que já foram mordidas por encostos sedentos de vingança. São poços de doenças e loucura. Podem cair sozinhas, no seco, bater a cabeça e morrer, ou sentir mal súbito. 

O thriller político O CLUBE DOS ONIPOTENTES abarca a maior máfia do mundo, o comunismo, do seu nascedouro, na Revolução Francesa (1789), passando pelo seu apóstolo, Karl Marx, o Anticristo, e o mago negro da Rússia, Grigóri Iefímovitch Raspútin, até Fidel Castro e Lula da Silva, e o Foro de São Paulo, o ninho da serpente. 

Em 2025, será lançado o segundo volume de O CLUBE DOS ONIPOTENTES, que abarca um intervalo de 2022 a 20 de janeiro de 2025. A trama do terceiro volume se desenrola a partir daí. 

2025 apresenta uma excelente perspectiva. Será um ano de definições. Jorrará muito sangue e paira a ameaça de uma guerra nuclear. Se não explodirem a Terra, quem sabe, autografarei, no Rio de Janeiro, A IDENTIDADE CARIOCA. 

Fernando Canto não mora mais em Macapá. Vive, agora, em outro plano. O que fazer em Macapá sem Fernando? Em Macapá, os donos da cultura são comunistas, a academia, não a de Letras, mas a universidade, está cheia de comunista, a mídia está abarrotada de comunista, e eu sou conservador. Quando o Fernando Canto ainda estava em Macapá e eu ia lá, não queríamos nem saber de política, pegávamos o carrão James Bond do Fernando e saíamos pelo mundo, bebendo e comendo. 

Estou para o que der e vier. Ainda me sinto bem, apesar de meio século de álcool. Em 2025, pretendo continuar meu trabalho voluntário como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, atendendo, nos fins de semana, no Ambulatório Fernando Hessen, no Centro Comunitário da Candangolândia, e no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, além dos meus pacientes particulares. 

Papai Noel também trouxe a expectativa, em 2025, de, finalmente, criarmos a seccional DF da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet). 

Uma das coisas maravilhosas que Papai Noel trouxe são os livros. Vou começar 2025 lendo o terceiro volume de Escravidão, de Laurentino Gomes; o quadragésimo volume de A Verdade da Vida, de Masaharu Taniguchi; Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, mais algumas dezenas de livros que comprei em 2024. 

Mas o melhor, mesmo, é levantar-me em torno das 4 horas para me encontrar com personagens de ficção, a perspectiva de ouvir os sussurros da mulher amada, banhar-me no mar, bater papo com novos amigos, ver os filmes que estou esperando estrear, quem sabe, ir à Espanha, ouvir ainda Frank Sinatra, e Mozart, claro, e ler os contos de Ernest Hemingway. 

Agora, que Fernando Canto foi para o Azul, onde o poeta Isnard Brandão Lima Filho está, preciso encontrar novos amigos que saibam pilotar nave quântica. 

Já não posso mais fazer o desjejum com Cerpinha e ostra, e ouvir gemidos com cheiro de rosas vermelhas esmigalhadas toda uma noite, mas posso reler os seis volumes da série Millennium e todos os romances de Luiz Alfredo Garcia-Roza. Posso também visitar meu amigo senador Plínio Valério e trocar umas ideias com José Aparecido Ribeiro, do Conexão Minas. E, quem sabe, Isaías Oliveira, autor do soberbo romance A Dimensão dos Encantados, dê notícias. 

E há o Arthur Herdy, para quem posso enviar WhatsApp, e meu amigo carioca, Marcos Machado, do portal Do Plenário, com quem posso tomar um espresso na Pães & Vinhos do Sudoeste. 

Cada vez mais mergulho no meu próprio mundo, o meu eu, minha consciência, e cada vez mais minha sensibilidade aumenta e percebo quase tudo à minha volta. Em vez de bebidas alcoólicas, degusto castanha-do-pará, rica em selênio, e leio sobre os cromossomos e genes, que é por onde o mundo espiritual manobra o corpo. 

Mas o grande presente que todos os anos Papai Noel me oferta é uma sensação, cada vez mais intensa, de sentir perfume de jasmineiros chorando e ouvir de madrugada gemidos com cheiro de mar.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Por que eu, caboco de Macapá/AP, na Amazônia Atlântica, escrevi A IDENTIDADE CARIOCA

Ray Cunha e A IDENTIDADE CARIOCA, no seu escritório, em Brasília/DF

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 14 DE DEZEMBRO DE 2024 – Leitores me cobram a razão de eu, caboco de Macapá/AP, na Amazônia Atlântica, ter escrito o romance histórico A IDENTIDADE CARIOCA. 

Nas minhas viagens Brasil afora e minha experiência morando em Brasília, cidade que reúne colônias dos diversos estados do país, notei que o brasileiro vê a identidade do outro geograficamente, como se o Brasil fosse uma espécie de América do Sul espanhola. Os mais famosos são os cariocas, por duas razões: o Brasil começou realmente no Rio de Janeiro, com a vinda de dom João VI, e, até 2019, a TV Globo. 

Há os paulistanos, que mourejam dia e noite. Os mineiros. Os gaúchos e a Região Sul, cheia de migrantes europeus. Os nordestinos. Os amazônidas. O Brasil é, sobretudo, negro e mulato, que foram quem construíram o país. O português falado no Brasil é uma das línguas mais belas e ricas do planeta, porque é tropical, quente, aberta, colorida, portuguesa, tupi, africana e cheia de estrangeirismos. 

Eu me dou bem com tudo isso. Essa situação me faz pensar em um dos maiores escritores americanos, Ernest Hemingway. Nenhum romance dele é ambientado nos Estados Unidos, mas na Europa ou no Caribe, embora os personagens principais sejam sempre americanos. 

A geografia dá pistas de quem é a pessoa, mas não a define. Vejam o caso do escritor Ruy Castro, por exemplo, que nasceu em Minas Gerais, mas é carioca até a medula. 

Sou caboco de Macapá, ribeirinho, já me internei na Hileia, trabalhei nos maiores jornais impressos da Amazônia, sou leitor tanto da literatura ficcional quanto ensaística do Inferno Verde e tenho um livro de contos intitulado AMAZÔNIA. 

Peguei a estrada aos 17 anos de idade e estive em várias cidades, incluindo Buenos Aires e Rio de Janeiro, onde morei na juventude, e moro em Brasília desde 1987. Já me chamaram de brasiliense, mas naturalidade não é o tempo que passamos em uma cidade. A cidade natal, queiramos ou não, estará sempre dentro da gente. O que não quer dizer que tenhamos que morrer na cidade natal. 

Moramos em uma cidade por diversas razões, ou circunstâncias, e morremos também em qualquer lugar. Posso morrer em Macapá, ou no Rio de Janeiro, ou em Brasília, mesmo. Isso não tem a menor importância, o lugar onde morremos. Só é importante, eu acho, curtir a vida. Certa vez meu irmão gênio, o pintor Olivar Cunha, disse que a vida é um tesão. Acho que ele está certo. 

Meu caso com o Rio de Janeiro começou, como eu disse, na juventude, aos 17 anos. É antigo. Mas não foi por isso que escrevi A IDENTIDADE CARIOCA. Foi por causa de O Rio Antes do Rio, de Rafael Freitas da Silva, de quem li, depois, Arariboia. E Metrópole à Beira-Mar, de Ruy Castro. 

O Rio Antes do Rio é o melhor ensaio que já li sobre o nascimento do Brasil. O Brasil é tupi, lusitano e africano, e nasceu no Rio de Janeiro. A Baía de Guanabara era cercada por nações tamoias. Aí, vem a França Antártica e Estácio de Sá. Arariboia entra na história; nasce Niterói. Metrópole à Beira-Mar mostra os alicerces do Rio moderno. 

Lendo esses livros, percebi que o Rio de Janeiro é um museu a céu aberto da história do Brasil. Suas ruas, praças, monumentos, palácios, igrejas, prédios em geral, bairros, contam a história do Brasil, que é cheia de mitos. E o Rio de Janeiro é um cenário hollywoodiano. Tudo o que eu precisava fazer era criar uma trama carioca com um pé na História. E foi o que eu fiz. 

Peguei a maior lenda urbana do Rio de Janeiro, o Tesouro dos Jesuítas do Morro do Castelo, e pus um jornalista atrás dele e um chefão do narcotráfico atrás do jornalista. Nessa jornada, a saga da construção do Rio de Janeiro e do país, pelos portugueses, é contada com base em pesquisa que realizei, lendo amplamente, procurando chegar o mais perto possível da verdade. De modo que não é só carioca que pode escrever sobre o Rio. 

Você, leitor, pode adquirir A IDENTIDADE CARIOCA no Clube de Autores, na amazon.com.br e na amazon.com. 

Atenção, leitor: você vai se surpreender com A IDENTIDADE CARIOCA. O Tesouro dos Jesuítas do Morro do Castelo existe, realmente, e o jornalista o encontra.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Lula precisa voltar logo ao Palácio do Planalto

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 13 DE DEZEMBRO DE 2024 – O presidente Lula da Silva, atualmente com um furo no crânio, em uma UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo/SP, precisa receber alta e voltar logo para despachar no Palácio do Planalto, em Brasília. Assim, cavará mais fundo sua sepultura, vomitando e fazendo merda em cima de merda, até 20 de janeiro de 2025, quando o xerife planetário da democracia Donald Trump tomará posse na Presidência dos Estados Unidos da América. 

Lula e seu partido, o PT, são comunistas. Há dois tipos de comunista: o mafioso e o equidae. O mafioso é aquele que comete todo tipo de crime e é acobertado pelos ajudantes, que são os assessores, os quais têm suas tetas mais rentáveis nos cabides de emprego. Os asnos são os alienados, zumbis, idiotas úteis. 

Os comunistas pregam a inexistência de Deus, que é substituído pelo Estado; o fim da família; censura; desarmamento da população; aborto em qualquer momento da gestação; sexo com criança; fim da propriedade privada; ditadura totalitária. São como nuvens de gafanhoto. Em doze meses, o governo federal já apresenta déficit de 227,5 bilhões de reais, apesar de arrecadar 1,9 trilhão de reais em um ano. Lula está gastando o que o país não tem. E está vendendo até mina de urânio para a China. 

Lula foi condenado à prisão por mais de uma dúzia de juízes e desembargadores, em três instâncias, mas teve sua ficha corrida limpa e foi guindado à Presidência. Seu maior inimigo, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, quase foi morto com uma peixeirada que lhe abriu o baixo-ventre e durante seus quatro anos de mandato foi perseguido dia e noite. Tiraram-lhe os direitos políticos, mas até agora não conseguiram jogá-lo na prisão. 

Joe Biden, o atual presidente americano, vem apoiando o regime no Brasil, mas Donald Trump, que está acompanhando tudo o que acontece na América do Sul, especialmente no Brasil e na Venezuela, já disse que vai varrer as ditaduras que estupram, esfolam e matam na região, a qual o famigerado Foro de São Paulo tem como  missão transformar na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas da América do Sul. Ideia de Fidel Castro e Lula da Silva. 

Nicolás Maduro, o carniceiro da Venezuela, deverá ser morto, preso ou fugir até janeiro de 2005.

Se você, leitor, quiser saber mais sobre o que está acontecendo no Brasil, leia o thriller político O CLUBE DOS ONIPOTENTES, à venda no Clube de Autores amazon.com.br.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Gato Azul. A identidade amapaense

Fernando Canto e Ray Cunha: a vida é uma grande farra

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 2 DE DEZEMBRO DE 2024 – Até a virada do milênio, Brasília era uma cidade do interior. Quando cheguei, aqui, em 1987, ainda estava em construção. Juscelino Kubitscheck começou a construí-la e Joaquim Roriz terminou a obra. Até os anos 1990, se precisássemos de algum produto sofisticado, tínhamos que aguardar uma semana até chegar de São Paulo. Brasília era o quintal de São Paulo. 

Naquela época, nos feriadões, a cidade ficava parecendo um cemitério. Grande parte da população se mandava para suas cidades natais, especialmente no litoral. O brasiliense era chamado de candango, aquele que veio para construir a cidade e ficou. Não havia, ainda, muitos brasilienses. A população vivia em colônias. Colônia dos cariocas, dos mineiros, dos goianos, dos paulistas, dos gaúchos etc. Havia poucos amazônidas. Amapaenses, então, eram raros. Quando eu me apresentava como amapaense virava atração de circo. 

Lembro que na época escritores, intelectuais e jornalistas tentavam criar uma identidade brasiliense, identificando, como elementos, por exemplo, rock and roll, “véio”. Artistas e agitadores culturais achavam que já havia uma literatura brasiliense. Mas Brasília não tinha identidade, ainda. 

Hoje, Brasília já é a terceira maior cidade do país, a terceira praça gastronômica, a mais cara, os brasilienses são a maior parte da população e todo mundo presta atenção na cidade, devido à Praça dos Três Poderes. 

Nos meios literários, há quem fique tiririca quando alguém diz que aqui não há escritores dos bons; defendem que aqui há gente tão boa quanto os monstros sagrados do país, mas ainda não surgiu um romance que todo mundo leia e diga: isto é Brasília. 

Conheço pessoas que viajam e são atacadas com perguntas: estão roubando muito? A resposta é sempre: sim, o pessoal que vocês mandaram para lá. Fora isso, os brasilienses são como qualquer cidadão desta grande república das bananas. Estão lutando para sobreviver, contra o arrocho fiscal, arrocho salarial, falta de vaga de trabalho, inflação, violência desenfreada e mordaça. 

O brasiliense que sai à luta todas as manhãs vive às voltas com carestia e falta de perspectiva, uma longa noite acordado à espera de picanha, desde 2023. Deu para cochilar um pouquinho de 2019 a 2022, mas agora a coisa arrochou para valer. 

A identidade é a cultura que recebemos na infância e adolescência. Vejam o caso do escritor Ruy Castro. Ele nasceu em Caratinga/MG, mas passou sua infância e adolescência mais no Rio de Janeiro do que em Caratinga, e, aos 17 anos, ficou de uma vez no Rio. Sua memória se alicerça no Rio. É o mais carioca dos cariocas. Então, a identidade é moldada pela memória da infância e adolescência. 

Outro caso é o do poeta, contista, ensaísta e compositor Fernando Canto, que nasceu em Óbidos/PA, mas migrou ainda criança para Macapá. Foi o mais macapaense dos amapaenses. Macapá é a capital do estado do Amapá, no setentrião do litoral brasileiro, na Amazônia. 

Fernando Canto escreveu três dos mais emblemáticos ensaios sobre a cultura amapaense: Literatura das Pedras – A Fortaleza de São José de Macapá como locus das identidades amapaenses (doutorado); Fortaleza de São José de Macapá: Vertentes discursivas e as cartas dos construtores (mestrado); e Água Benta e o Diabo, sobre a maior manifestação folclórica do Amapá, o marabaixo. 

Outro dia, o poeta e cronista amapaense Edevaldo Leal referiu-se a mim como brasiliense nascido em Macapá. Aí, disse-lhe, brincando, que sou caboco tucuju. Os tucujus eram uma etnia que viveram no Brasil-colônia, onde hoje é Macapá. É claro que ele sabe que sou nada mais do que um caboco de Macapá; apenas quis dizer que moro em Brasília. Edevaldo Leal foi o primeiro escritor a me orientar nas trilhas da escrita. Eu tinha 14 anos e ele, também garoto, mas um pouco mais velho do que eu, já era então jornalista e cronista. 

Não sei como será agora que Fernando Canto partiu para o azul. Quando eu ia a Macapá, quase não nos separávamos. Passávamos o dia vagabundando no carrão do Fernando, que eu chamava de 007, comendo e bebendo; entrávamos pela noite e nunca parávamos de conversar, sobre tudo. Podíamos conversar sobre qualquer coisa: literatura, pintura, música, mulheres, bebidas, geopolítica, ETs, qualquer coisa. Agora é curtir o que ele escreveu. 

Ser macapaense, e poeta, é comer mapará assado na brasa com pirão de açaí, ouvir merengue e tomar tacacá quando a tarde está morrendo, beber Cerpinha, comer camarão pitu, sentir o perfume dos jasmineiros chorando e ficar ainda mais embriagado, e ofertar rosas para a madrugada. 

Eu era garoto e às vezes passava pelo Gato Azul e ficava olhando aquela fauna bebendo. O Gato Azul foi o bar mais emblemático da minha memória macapaense. O simples ato de ficar olhando para o pessoal bebendo inflamava minha mente de futuro escritor. Ficava imaginando a vida de cada um, os locais inimagináveis que conheciam, suas experiências, seus mundos. 

O Gato Azul era como Macapá em miniatura. Então, fiz o seguinte, recriei-o no meu romance JAMBU, modificando sua arquitetura e enchendo-o de personagens de ficção. Segue o trecho.

O GATO AZUL, na Rua São José com a Avenida Presidente Vargas, estava sempre lotado. Fechado por vidraças que permitiam visão apenas de dentro para fora, com temperatura ambiente de 21 graus e variedade internacional de bebidas, o bar constituía-se no melhor refúgio da cidade. Era possível encontrar nas suas confortáveis cadeiras de palinha e poltronas, de senador da República a contrabandistas e traficantes. Jornalista, então, dava no meio da canela. João do Bailique gostava de passar por lá geralmente naquele momento de transição entre a tarde e a noite, procurava a extremidade sul do balcão e pedia diretamente ao barman, Antônio, um “espilantol”. Era como denominava o daiquiri, coquetel cubano feito com rum, suco de lima, açúcar ou xarope e gelo picado, agitados na coqueteleira e servido em um copo grande; o de Bailique lembrava um pouco o Daiquiri Hemingway, ou Papa Doble, criado no Bar Floridita, em Havana, Cuba, especialmente para o escritor americano Ernest Hemingway, que morou em Havana boa parte de sua vida; Papa era diabético e seu daiquiri não continha açúcar, e era servido com o dobro de rum, Bacardi. Além disso, o de Bailique era com suco de limão. Antônio lhe estendeu a bebida e o jornalista deu o primeiro gole, e veio-lhe a velha sensação que lhe despertava o tacacá da Esmeralda, naquele momento em que a tarde morre, anestesiando o calor, perfume de jasmineiros se insinuando, e um remoto som de merengue. Bebeu mais um gole. A edição de agosto da Trópico Úmido já estava praticamente editada. Bailique vinha trabalhando, intensamente, na matéria da Operação Prato, que começara a tomar corpo após longas conversas com Danielle, intensa pesquisa e uma entrevista com o escritor Jorge Bessa. Estava investigando ângulos da Operação Prato que não foram abordados pela mídia: Existem mesmo ETs? Se existem, quem são, de onde vêm? Por que se interessariam pela Amazônia? Estariam os ETs emitindo sinais de que a Amazônia está guardada para um fim maior? Sabe-se que o Brasil é visto nos meios exotéricos como o país mais avançado em termos espirituais: abriga todas as grandes religiões do planeta, além das dos índios e as africanas; e é um cadinho étnico. E a Amazônia, a maior floresta tropical do globo, a maior diversidade biológica da Terra, a maior província mineral do planeta, é a última fronteira, ambicionada por todos e sugada até o osso pelos governos que se sucedem em Brasília.

JAMBU, na edição da Amazon: A Amazônia completamente nua

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

China começa a ocupar a Amazônia. Lula abre as portas. Estados Unidos de Biden estão calados

Presdente Figueiredo: jóia do turismo no Amazonas

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 29 DE NOVEMBRO DE 2024 – A empresa estatal China Nonferrous Trade Co. Ltd., pertencente à ditadura chinesa, comprou da Mineração Taboca, terça-feira 26, a mina do Pitinga, no município de Presidente Figueiredo, no estado do Amazonas, e que contém a maior reserva de urânio do Brasil e outros minerais estratégicos, pela ninharia de 340 milhões de dólares. Os Estados Unidos de Joe Biden estão calados. 

Pitinga é rica em nióbio, tântalo, estanho e tório, além de urânio. Esses minerais são utilizados em alta tecnologia, como a fabricação de turbinas, foguetes, baterias e satélites, além da bomba atômica. 

– Estamos impedidos com cadeados ambientais que nos escravizam e que nos prendem, porque sempre esbarramos nas ONGs. Sempre esbarramos na ministra Marina Silva, a serviço das ONGs, e, de repente, os chineses compram a maior mina de urânio do Brasil. Vão beneficiar urânio no Amazonas, perto de Manaus, no município de Presidente Figueiredo, que vive do turismo, que vive das suas 160 e poucas cachoeiras, e ninguém fala nada. Por quê? O que há aí? Um compromisso? Um conluio? Uma perseguição àquilo que a gente pode ou não pode fazer? – pergunta o senador Plínio Valério (PSDB/AM). – Agora, vemos os chineses adquirindo a maior mina de urânio do Brasil, uma mina situada no coração da Amazônia, e ninguém faz nada a respeito. O que está por trás disso? Um acordo secreto? Um favorecimento político? 

– O urânio não é apenas uma commodity. Ele é um recurso essencial para a produção de energia nuclear e, em contextos militares, pode ser usado no desenvolvimento de armamentos – alerta o deputado federal Luiz Lima (PL/RJ), manifestando preocupação com a entrega de recursos estratégicos a uma empresa de um país com regime totalitário. 

Quarta-feira 20, o presidente Lula da Silva recebeu o presidente da China, Xi Jinping, no Palácio da Alvorada, onde firmaram 37 acordos, abrangendo agricultura, tecnologia, infraestrutura, energia, mineração, saúde, cultura, turismo, esportes, finanças, comunicações, desenvolvimento sustentável e educação (?). 

A China, potência comunista, detentora do maior poder de dissuasão, tecnologia e exército, depois dos Estados Unidos, vem investindo trilhões na América do Sul, especialmente no Brasil de Lula da Silva, que se alinhou com os Brics, Irã, Venezuela e Cuba, além da China. 

A Amazônia, maior província biológica e mineral do mundo, é a região do planeta mais cobiçada pelas potências hegemônicas. Se não for ocupada e desenvolvida pelos brasileiros será ocupada e desenvolvida por outros povos. 

No romance ensaístico JAMBU, faço um mergulho do que é a Amazônia sem a conversa mole dos comunistas ou dos ecologistas a serviço das ONGs que proliferam na Hileia e que trabalham para as agências de inteligência das potências mundiais.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Um país em busca de se libertar da mordaça

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 27 DE NOVEMBRO DE 2024 – No meu romance A IDENTIDADE CARIOCA, thriller histórico ambientado no Rio de Janeiro de hoje, faço uma revisão da história do Brasil, acenando para o que seria a identidade brasileira, sem o ranço da visão marxista, que tanto deturpa a realidade, esta, já é por si só pantanosa, fluida, sutil. A história da nossa pátria é a história de quem está no poder, como agora, quando o crime organizado toma de assalto o Estado brasileiro. 

Mas, para o bem do Brasil, temos jornalistas sérios, os que garimpam a verdade em meio à carniça da mentira. Como Laurentino Gomes, que se tornou também escritor, repórter na história do Brasil. 

Acabei de ler 1889, de Laurentino Gomes. Trata-se do 15 de Novembro de 1889, dia em que foi derrubada a Monarquia e instituída a República. 

– Uma sociedade que não estuda história não consegue entender a si própria porque desconhece suas raízes e as razões que a trouxeram até aqui – diz Laurentino Gomes.  –O estudo da história é, hoje, talvez até mais do que qualquer outra disciplina, uma ferramenta fundamental na construção do Brasil dos nossos sonhos, em um novo ambiente de democracia. 

A Proclamação da República Brasileira, ou Golpe Republicano, ou Golpe de 1889, foi um golpe de Estado político-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, então capital do país, instaurando a forma republicana presidencialista de governo no Brasil e pondo termo à monarquia constitucional parlamentarista do Império, destituindo o então chefe de Estado, o imperador Pedro II. 

Em 1889, Laurentino Gomes dá pistas de que as elites brasileiras estavam fartas dos portugueses mandando e queriam, mesmo aos trambolhões, transformar os Brasil em um país de e para brasileiros. Assim, foi urdido o golpe, que não foi o primeiro; um golpe de verdade e não um “gópi”. 

Os anos seguintes do 15 de Novembro não foram a tranquilidade que os professores costumam passar em sala de aula, mas correram rios de sangue em todo o Brasil, que é um subcontinente. 

O imperador Pedro II não gerou filhos, apenas filhas. Após sua morte, e ele já andava trôpego, em 1889, o trono seria ocupado por sua filha mais velha, a princesa Isabel, que fazia tudo o que os arautos da Igreja Católica Apostólica Romana mandavam e era também manobrada pelo seu marido, o francês Gastão de Orléans, Conde d'Eu, arrogante, meio surdo, ruim de português, dono de cortiços pelos quais cobrava aluguéis exorbitantes. 

Para completar, ela libertou os escravos, que eram o sustentáculo da economia brasileira, mas não proporcionou a menor chance de os ex-escravos se sustentarem, nem uma alternativa para substituir a economia escravocrata. 

Na véspera da Proclamação da República, o marechal Deodoro da Fonseca, um dos líderes da Proclamação da República, era monarquista e estava acamado, esperando pela morte. Mas urdiram uma intriga, envolvendo mulher, que fizeram o velho marechal se levantar do leito, puto da vida e republicano, dar o golpe final em Pedro II, seu amigo. Pedro II, por sua vez, não estava nem aí para mais nada. 

Quanto ao povo, os cariocas eram os mesmos de hoje. O que mudou, de lá para cá, é que, hoje, há o crime organizado, com representação nos três poderes e estado paralelo nas favelas, onde a polícia não entra, nem as Forças Armadas. 

Atualmente, o grande projeto da República é amordaçar as redes sociais. Já estamos argolados com a China até o pescoço. Como todo mundo sabe, a China é uma das mais diabólicas ditaduras do planeta. Mas há uma data esotérica bastante aguardada, que traz esperança à República: 20 de janeiro de 2025.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

A arte é feita de ilusão. Passado e futuro não existem e o presente é fluido como ectoplasma

Rinoceronte virtual ataca gladiador no Coliseu, em Roma

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 26 DE NOVEMBRO DE 2024 – Os arqueólogos recriam o passado por meio de ossos, cerâmica, ruínas etc. e, os historiadores, através de registros escritos. Com esses elementos, tentam recriar animais extintos, indumentárias, adereços, vasilhas, arquiteturas e cidades, e descrever costumes e culturas. Essas recriações atingiram a estratosfera da fantasia com a sétima arte, ao longo do século XX, e, já neste século XXI, com a informática. 

O exemplo mais emblemático que se pode dar é o de Jesus Cristo. Supondo que houve um Jesus histórico, ele teria olhos escuros, estatura média, pele morena e cabelos crespos. O de Hollywood tem olhos azuis, é alto e seus cabelos são longos, louros e bem cuidados. E acredito que 99 por cento dos ocidentais juram que ele era assim mesmo, igual astro de Hollywood. 

Acho que o diretor italiano Federico Fellini foi quem melhor utilizou a trucagem no cinema, e, agora, o inglês Ridley Scott, criador de Blade Runner, o Caçador de Androides; Alien, o Oitavo Passageiro; Napoleão; e Gladiador I e II. 

Napoleão deu o que falar, porque muitos, incluindo historiadores, não concordavam com o Napoleão Bonarparte apresentado por Scott. Foi aí que Scott pôs fim a essa discussão sobre se filmes históricos são documentários ou ficção. São ficção. 

O artista trabalha com licença poética, e até subverte a História. Ninguém o prenderá por isso. Quem quiser realidade precisa procurá-la na obra dos arqueólogos e historiadores. Ainda assim, é bom que tenha senso crítico. 

A sequência de Gladiador, lançada sexta-feira 22, deixou muita gente irritada com Scott e com Alexander Mariotti, consultor histórico da produção. Scott é um artista e não historiador. Assim, recria. Em 2023, o historiador Dan Snow apontou várias imprecisões no filme Napoleão; Scott aconselhou-o a “arranjar o que fazer”. 

Em Gladiador II, a arquitetura romana foi recriada e Scott criou até uma cafeteria em plena Roma clássica. Na época em que a trama se passa o Coliseu era conhecido como Anfiteatro Flaviano e os gladiadores não lutavam contra babuínos, rinoceronte e tubarões. Também quase a metade dos gladiadores eram pessoas livres e personagens como os imperadores gêmeos Caracalla e Geta realmente existiram, mas não do jeito como foram dramatizadas no filme. 

– O que Ridley faz não é diferente de Shakespeare ou Michelangelo. É usar a História para contar uma história e nos ensinar uma lição – esclarece Alexander Mariotti.