RAY CUNHA
BRASÍLIA, 27 DE MARÇO DE 2026 – Com o título de “O dia em que o Judiciário virou as costas para o Brasil”, a AJOIA Brasil (Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Associados) publicou, ontem, nota sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mandar encerrar no Congresso Nacional a apuração do roubo bilionário dos aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e chancelar os penduricalhos que turbinam o salário dos ministros. O comportamento dos ministros que votaram por essas aberrações é, simplesmente, inominável. Se isso não indignar o povo brasileiro, então, pronto, nada mais tirará a manada da estupidez.
E tudo isso ocorre com o aval do presidente do Congresso Nacional e do Senado, senador pelo Estado do Amapá, Davi Alcolumbre (União Brasil), notório porteiro e segurança dos desmandos que vêm minando a Pátria e jogando o Brasil nos braços do clube infernal das ditaduras e narcoestados globais, e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), ambos do Centrão, bloco de partidos políticos sem ideologia definida, que atua para garantir interesses próprios e governabilidade em troca de cargos e verba, seja o presidente da República de Esquerda ou de Direita, tanto faz.
Segue a nota da AJOIA Brasil:
HÁ MOMENTOS na história de uma nação em que o silêncio institucional se torna cumplicidade. E há momentos em que decisões oficiais falam tão alto que ecoam como afronta direta à sociedade. O que se viu recentemente na mais alta Corte do Judiciário (STF) não pode ser tratado como mera rotina jurídica, foi um recado.
Ao interromper a apuração que poderia expor irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Corte não apenas encerrou uma investigação. Ela fechou uma porta que deveria permanecer aberta: a da transparência.
Num país onde a corrupção insiste em desafiar as instituições, impedir o avanço de investigações sensíveis soa, para o cidadão comum, como blindagem, e não como justiça.
Como se não bastasse, ao chancelar os chamados “penduricalhos”, o Tribunal institucionaliza privilégios que ferem frontalmente o princípio da igualdade.
Em termos práticos, diz-se ao brasileiro que trabalha, paga impostos e enfrenta um Estado ineficiente: há regras para você, e exceções para eles.
Não se trata mais de percepção isolada. Trata-se de um abismo crescente entre quem decide e quem vive as consequências dessas decisões.
O Judiciário, especialmente sua mais alta Corte, não pode se comportar como uma ilha de poder imune ao escrutínio público.
A autoridade do Supremo Tribunal Federal não é um fim em si mesma, ela deriva da Constituição e, em última instância, da confiança da sociedade.
Quando essa confiança é colocada em xeque, não há formalismo jurídico que sustente a legitimidade.
A AJOIA Brasil surge neste cenário com um compromisso claro: não haverá complacência diante de decisões que ampliem a sensação de impunidade ou que consolidem castas dentro do serviço público.
O papel do jornalismo independente não é agradar autoridades, é confrontá-las quando necessário.
Não é aceitável que, em pleno Estado Democrático de Direito, decisões de tamanha repercussão sejam tomadas à revelia do sentimento social, como se a opinião pública fosse um ruído irrelevante. Não é.
A democracia não se sustenta apenas em ritos formais, ela exige responsabilidade, coerência e, sobretudo, respeito ao cidadão.
Quando a mais alta Corte do país transmite a impressão de estar acima disso, o alerta precisa ser dado. E, no que depender da Ajoia Brasil, ele será.
Porque não há poder intocável em uma República. Há, sim, instituições que precisam, permanentemente, lembrar a quem servem.
AJOIA Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados

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