domingo, 10 de maio de 2026

A traição da ABI

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 10 DE MAIO DE 2026 – A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi fundada em 7 de abril de 1908, por Gustavo de Lacerda, no Rio de Janeiro, com o objetivo de assegurar direitos assistenciais à classe jornalística. No início, a ABI acomodava-se em espaços alugados e, às vezes, não tinha dinheiro sequer para pagar o aluguel, até os anos 1930, quando, sob a liderança de Herbert Moses, construiu sua sede própria. 

Em 1926, assume a presidência da ABI o advogado, escritor, historiador, ensaísta, jornalista e político Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, aos 29 anos de idade. Ele queria levar à população brasileira conscientização política e social. No seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável pelo pedido da abertura do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. 

Em 1969, o então presidente da ABI, Fernando Segismundo, afirmou: “Além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas – e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do país”.

Atualmente, a ABI se transformou em um valhacouto da corrupção do jornalismo, uma doença que perpassa a grande imprensa do país, aquela que defende, com garras e dentes, a ditadura da toga, prisões políticas e a mordaça. A última da ABI foi entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão da Lei da Dosimetria. 

Em 2025, foi fundada, em Belo Horizonte, a Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia), com o propósito de resgatar o verdadeiro jornalismo, aquele que investiga e resgata a realidade dos fatos. Segue nota de desagravo da Ajoia contra ato da ABI. 

A imprensa militante que enterrou a democracia é a sócia ostensiva do autoritarismo no Brasil 

A chamada "imprensa tradicional" vive hoje uma das maiores crises morais e de credibilidade de sua história, e isso não aconteceu por acidente. O descrédito crescente da população não é fruto de "ataques bolsonaristas", como gostam de repetir em coro os seus porta-vozes, mas consequência direta de anos de manipulação narrativa, militância ideológica e submissão política e institucional disfarçadas de jornalismo.

Boa parte das redações dos grandes veículos brasileiros deixou de exercer a função de informar para assumir o papel de braço político da Esquerda. Não se trata mais de viés eventual ou preferência editorial: trata-se de ativismo organizado, travestido de compromisso democrático.

Durante os últimos anos, especialmente após os eventos de 8 de Janeiro, o país assistiu a um espetáculo vergonhoso de desumanização promovido por setores da mídia. Senhoras idosas, trabalhadores, religiosos e cidadãos comuns foram transformados em "terroristas" de ocasião para justificar prisões arbitrárias, excessos judiciais e penas absolutamente desproporcionais, superiores às aplicadas a criminosos violentos, homicidas e corruptos declarados.

E o mais grave: tudo aquilo que estas pessoas denunciaram a respeito da Suprema Corte vem à tona com o recente escândalo envolvendo instituição financeira. E onde estava a autoproclamada defensora da democracia? Aplaudindo! Os mesmos veículos que deveriam questionar abusos de poder preferiram funcionar como departamentos de propaganda institucional, legitimando arbitrariedades em nome de uma suposta “defesa democrática” ao arrepio da ordem constitucional.

Agora, diante da possibilidade de redução de penas por meio da chamada Lei da Dosimetria, medida que sequer corrige as injustiças cometidas, a militância de redação volta à cena para tentar impedir sua aplicação aos condenados. Inaceitável!

A atuação da Associação Brasileira de Imprensa  ABI nesse processo escancara aquilo que muitos brasileiros já perceberam há tempos: parte significativa da imprensa abandonou qualquer compromisso com equilíbrio, pluralidade ou honestidade intelectual. A essência do jornalismo, informar e opinar, foi mandada às favas com uma defesa intransigente dos abusos cometidos. Tornaram-se agentes políticos, empenhados em sustentar uma narrativa única, perseguir adversários ideológicos e blindar determinados grupos de poder. 

É impossível ignorar também o papel central de grandes conglomerados de mídia nesse cenário de deterioração institucional. Nos últimos anos, produziram o ambiente político e psicológico necessário para a reabilitação de Lula da Silva, sua volta ao poder e a consolidação de um modelo de censura seletiva contra setores conservadores da sociedade, tudo embalado cinicamente sob o slogan de "proteção da democracia".

Mas há algo profundamente perverso em chamar de democracia um sistema em que o divergente é censurado, perseguido e intimidado com processos que lhes privam e suprimem liberdades fundamentais. Não há democracia quando jornalistas se comportam como militantes partidários e redações funcionam como trincheiras ideológicas de grupos políticos e institucionais. A destruição institucional do Brasil possui muitos responsáveis, mas poucos tiveram participação tão decisiva quanto a elite midiática brasileira.

A história haverá de ser implacável com os que chutaram a ética jornalística e tornaram-se correias de transmissão dos mandatários do país. A "grande mídia" normalizou abusos, ridicularizou vozes dissidentes, manipulou narrativas e ajudou a dividir o país entre "cidadãos aceitáveis" e "inimigos da democracia" – a deles.

O Brasil só começará a reconstruir sua vida pública e institucional quando a máscara da "grande imprensa" cair e quando seus setores mais militantes forem finalmente expostos e moralmente confrontados pela sociedade civil organizada.

AJOIA Brasil  Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados

Belo Horizonte, 10 de maio de 2026

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