terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Obras de restauro de um ícone de Brasília, o Hotel Nacional, começam agora em janeiro


RAY CUNHA

BRASÍLIA, 29 DE DEZEMBRO DE 2020 – Um ícone de Brasília, o Hotel Nacional, começará a ser restaurado a partir de janeiro de 2021. Inaugurado um ano depois de Brasília, em 1961, no Setor Hoteleiro Sul, tem 10 andares, 347 apartamentos, quatro salões para festas e eventos, uma piscina aquecida, 12 salas de reunião, salão de beleza e lojas. 

Celebridades de todo o mundo já se hospedaram nele, como o casal real britânico Elizabeth II e Filipe, Duque de Edimburgo, os presidentes americanos Jimmy Carter e Ronald Reagan, o presidente francês Charles De Gaulle e a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi. 

Tanto a família Bittar quanto os irmãos Farah, grandes empreendedores de Brasília, têm as qualidades necessárias para resgatar o brilho de um dos ícones da capital. 

Em 2018, foi arrematado da família Canhedo em leilão judicial, para pagar dívidas, por 93 milhões de reais pelo consórcio Incorp, do Grupo Bittar, da família Bittar, e a Luner, construtora dos irmãos Farah. 

A Rede Bittar de Hotéis, sediada em Brasília, foi fundada na década de 1970 com a inauguração do Hotel Phenícia, um dos primeiros do Setor Hoteleiro Sul, pelo paulista Salim Bittar. Hoje, conta com seis hotéis: Grand Bittar, América e Phenícia, de quatro estrelas, e Monumental, Plaza e Bittar Inn, de três estrelas, além do Hotel Nacional, a partir de 2018. 

Já a Construtora Luner, dos irmãos Farah, tem 38 anos de atividade, fazendo-se presente em todo o Plano Piloto e no bairro favorito de Brasília, o Sudoeste, pela sua proximidade com o Parque da Cidade e com o centro de Brasília, além de sua urbanização e vida noturna movimentada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O rio da minha cidade

Rio Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 28 DE DEZEMBRO DE 2020  Em junho de 2007, uma expedição integrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Geográfico Militar do Peru, determinou o local exato da nascente do rio Amazonas, localizada no rio Apurimac, na cordilheira dos Andes, ao sul do Peru. 

Desde o início da década de 1990, uma equipe do Inpe, chefiada pelo geólogo Paulo Roberto Martini, da Divisão de Sensoriamento Remoto, estudava os rios Amazonas e Nilo, na África, por meio de sensoriamento remoto e geoprocessamento, tecnologias utilizadas no Programa Espacial Brasileiro, além de imagens dos satélites Landsat, da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, calculando, assim, minuciosamente, a extensão de ambos os rios, da nascente à foz. 

Em julho de 2008, bateu o martelo: o Amazonas configurava-se como o maior rio do planeta. 

Conforme o Atlas Geográfico Mundial, o Amazonas media 6.515 quilômetros. Com a nova medição, passou a ter 6.992,06, portanto 139,91 quilômetros mais longo do que o Nilo, que, também segundo o Atlas Geográfico Mundial, media 6.695 quilômetros, nascendo no rio Kagera, próximo à fronteira entre o Burundi e Ruanda, e correndo até o mar Mediterrâneo. A nova medição dele o amplia para 6.852,15 quilômetros. 

Em maio de 2008, o vice-presidente da Sociedade Geográfica de Lima, professor Zaniel Novoa, após 12 anos de investigação, confirmava a versão do explorador polonês Jacek Palkiewicz, que, em 1996, localizou a nascente do Amazonas e afirmou que o rio sul-americano era mesmo o maior do mundo. 

Desde que o Amazonas foi batizado, em 1500, foram identificadas nascentes em vários pontos do Peru, até a atual, a 5.179 metros de altitude, próximo ao monte Quehuisha, na região sul de Arequipa, Peru, e não nas cabeceiras do rio Marañon, como se pensava. 

Paulo Roberto Martini comentou que as medições anteriores foram feitas sem o uso de metodologias científicas: “Esse resultado mostra que, às vezes, as verdades mais bem estabelecidas têm de ser revistas porque podem simplesmente não ser verdade. Pelo menos desta vez não temos “acho”. Temos metodologia científica, e, por essa leitura, por essa interpretação, você pode colocar nos livros que o Amazonas é maior do que o Nilo”.

Mas em 2009, surgiu uma novidade: estudos mostravam que a nascente do Nilo apontava para o rio Rukarara, o que dava ao gigante africano o comprimento de 7.088 quilômetros, 95,94 quilômetros maior do que o Amazonas. E agora? 

Agora só tenho a dizer que o Amazonas é o rio da minha cidade, o que faz dele, entre todos os rios do mundo, o mais especial. Inclusive, numa tarde de maré cheia, quase morro afogado nele. É porque o Amazonas é como o mar. 

A bacia amazônica é um realismo fantástico, uma fronteira misteriosa, pouco conhecida e desprezada pelos governos federais e, pasmem, pelos próprios governos da Amazônia Clássica, apesar de se constituir na mais espantosa província biológica e mineral do planeta. 

Em 1500, o navegador espanhol Vicente Yañez Pizón batizou-o de Rio Santa María del Mar Dulce; 42 anos depois, o também espanhol Francisco Orellana mudou-o para Amazonas. 

O colosso marrom, que no estado do Amazonas recebe o nome de Solimões e nos estados do Pará e Amapá, de Amazonas, tem mais de mil afluentes, constituindo-se na espinha dorsal da maior bacia hidrográfica da Terra, formada por 7 mil rios, 25 mil quilômetros navegáveis, abrangendo uma área, segundo a Agência Nacional de Águas, de 6,110 milhões de quilômetros quadrados, 40% da América do Sul, banhando Bolívia (11%), Brasil (63%), Colômbia (5,8%), Equador (2,2%), Guiana (0,2%), Peru (17%) e Venezuela (0,7%). 

Da nascente até 1.900 quilômetros, o Amazonas desce 5.119 metros; desse ponto até o Atlântico, a queda é de apenas 60 metros. Suas águas correm a uma velocidade média de 2,5 quilômetros por hora, chegando a 8 quilômetros, em Óbidos, cidade paraense a mil quilômetros do mar e ponto da garganta mais estreita do Amazonas, com 1,8 quilômetro de largura e 50 metros de profundidade. 

Fora do estuário, a parte mais larga situa-se próximo à boca do rio Xingu, à margem direita, no Pará, com 20 quilômetros de largura, mas nas grandes cheias chega a mais de 50 quilômetros de largo, quando as águas sobem ao nível de até 16 metros. 

O Amazonas é navegável por navios de alto-mar da embocadura à cidade de Iquitos, no Peru, ao longo de 3.700 quilômetros. Seu talvegue, nesse curso, é sempre superior a 20 metros, e chega a meio quilômetro de profundidade próximo à foz. 

Segundo Admilson Moreira Torres, do Centro de Pesquisas Aquáticas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), e Maâmar El-Robrini, do Grupo de Estudos Marinhos e Costeiros (GEMC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); do Laboratório de Modelagem de Oceano e Estuários Amazônicos (Modelaz); e do Centro de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPa), a descarga hídrica do rio Amazonas é tão gigantesca que reduz a salinidade superficial do mar no oceano Atlântico tropical. 

A descarga média é de 180 mil metros cúbicos de água por segundo, um quinto, ou 16% da água doce despejada nos oceanos do mundo. Em maio, sobe para 220 mil metros cúbicos por segundo e, em novembro, cai para 100 mil metros cúbicos por segundo; 65% do fluxo vaza pelo Canal do Norte, que despeja até 160 mil metros cúbicos de água por segundo. Só a bacia do rio Negro, afluente da margem esquerda do Amazonas, contém mais água doce do que a Europa. 

Trata-se do único rio no planeta a apresentar estuário e delta. Com cerca de 60 vezes mais vazão do que o Nilo, calcula-se que o tributo do Amazonas ao mar é suficiente para encher 8,6 baías de Guanabara em um dia. 

Assim, o rio fertiliza o mar com sua água túrbida de húmus, além de espantosos 3 milhões de toneladas de sedimento por dia, 1,095 bilhão de toneladas por ano. O resultado disso é que a costa do Amapá está crescendo. 

A boca do rio, escancarando-se do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, mede em torno de 240 quilômetros, e sua água túrgida penetra cerca de 320 quilômetros no mar, atingindo o Caribe nas cheias, e, juntamente com outros gigantes do Pará e Amapá, contribui para que a Amazônia Azul setentrional seja a costa mais rica do planeta em todo tipo de criatura do mar, especialmente a costa amapaense, pois o húmus despejado pelo Mar Doce no Atlântico torna-a uma explosão de vida, no Brasil mais mal guardado pela Marinha de Guerra e menos estudado pela academia. 

Se mais de um terço de todas as espécies do planeta vive na Hileia, a bacia é berço de mais de 2.100 espécies de peixes, 900 a mais do que as dos rios da Europa. Somando-se às 1.200 espécies do Atlântico Norte, a Amazônia Atlântica é um santuário de 3.300 espécies. 

“O que me intriga, não apenas no conteúdo da educação fundamental brasileira, mas também na base de informações científicas e acadêmicas no Brasil, é a pobreza de informações ambientais e biológicas sobre essa região, batizada de Mar Dulce pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, em 1500, mesmo ano em que Cabral achava o Brasil” – comenta o oceanógrafo Frederico Brandini. 

Ele lembra que, no Amapá, as autoridades estão pouco preocupadas com o estudo da Amazônia Atlântica. As costas do Amapá e do Pará são um inacreditável banco de vidas marinhas, coalhado de piratas, que vão lá pegar, de arrastão, pescados, lagostas, camarão e outros frutos do mar. Pescadores paraenses já capturaram na altura da Vila de Sucuriju, no município de Amapá, marlim azul de meia tonelada. Nem Ernest Hemingway conseguia espadarte desse porte no Gulf Strean. 

Em 2011, pesquisadores do Observatório Nacional anunciaram evidências de um rio subterrâneo numa profundidade de 4 quilômetros abaixo do Amazonas, com 6 mil quilômetros de comprimento, batizado de Hamza, em homenagem a um dos pesquisadores, o indiano Valiya Hamza. 

Porém tudo o que escrevi neste artigo é apenas realismo fantástico. A Amazônia é ainda uma fronteira, uma colônia disputada pelas potências hegemônicas de sempre, multinacionais, megaempresários, ONGs e políticos perigosos.

A joia do rio Amazonas é Macapá, a capital do estado do Amapá. A cidade tremeluz na Linha Imaginária do Equador, debruçada na margem esquerda do Canal do Norte, quase na boca do gigante, quando o monstro penetra o azul do Atlântico, e, à noite, os jasmineiros soluçam no ar saturado de espilantol.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A eternidade é agora

Olivar Cunha e Santa Rita de Cássia, em
Conduru, Cachoeiro de Itapemirim/ES

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 24 DE DEZEMBRO DE 2020 – Logo no início do ano, estive na praia, na Baixada Santista, com minha filha, Iasmim, e seu marido, Eduardo Akio, mais um casal de amigos deles, durante três dias.  Em março, fui à Vitória fazer um curso de analgesia em acupuntura e passar alguns dias com meu irmão, Olivar Cunha. Rodamos todo o litoral do Espírito Santo e paramos em Cachoeiro de Itapemirim, cidade natal de Roberto Carlos e Rubem Braga, e onde Lili, como o chamamos na intimidade, e que é pintor, mantém também casa e ateliê no distrito de Conduru.

Todo ano, em maio, acontece em Conduru a festa em homenagem à Santa Rita de Cássia. Lili, que é também restaurador, já recuperou várias imagens em cidades do Espírito Santo, inclusive a de Santa Rita de Cássia, bem como a pintou. No próximo ano, ele surpreenderá seus amigos de Cachoeiro com uma tela que vai maravilhar a todos, principalmente um cara muito conhecido.

Lili tem duas gatas lindas, gatas mesmo. Quando estive lá, uma delas, a Lindinha, a quem chamava simplesmente de Linda, dormia comigo. A outra, Juli, a quem eu chamava de Julieta, continuou dormindo com o Lili. Ele achou que Linda o abandonara, mas quando retornei a Brasília, Linda voltou a dormir na cama dele.

No fim de março, o vírus chinês já estava tocando o terror, de modo que retornei no início de abril a Brasília e à minha rotina, levantando-me às 4 horas para escrever. A pandemia acabou me inspirando uma história que vai abrir meu próximo livro de contos. E também comecei novo romance. Fora isso, tenho lido bastante e ouvido muita música.

Desde o ano passado venho aguardando o filme Sem Tempo para Morrer, dirigido por Cary Joji Fukunaga. Trata-se de uma sequência de Spectre, dirigido por Sam Mendes, vigésimo quinto filme e penúltimo da franquia 007.

Em Sem Tempo para Morrer, Daniel Craig encarna James Bond pela quinta e última vez. Para mim, Craig é o melhor 007 de toda a franquia. E teremos novamente Léa Seydoux, uma francesa lindíssima como Jessica Rabbit. O filme seria exibido nos cinemas este ano, mas devido ao vírus chinês ficou para o próximo.

Outro filme que estou aguardando é o quarto da franquia John Wick, com Keanu Reeves, que faz papel de um assassino eficientíssimo, que tenta se aposentar mas não consegue, pois dificilmente se sai de férias sem nenhum efeito colateral em uma profissão dessas. É o máximo do filme de ação. Mas esse parece que só em 2022.

Agora em dezembro, fui, com minha gata, Josiane, a um cinema de arte aqui de Brasília, ver a versão que Francis Ford Coppola queria e o estúdio não deixou para o terceiro O Poderoso Chefão. Extraordinário.

O Sudoeste, bairro de Brasília onde moro, fica ao lado do Parque da Cidade, um dos mais esplêndidos do mundo, e onde caminho quase todos os dias. Às vezes, entediado, pois mesmo as coisas mais esplêndidas do mundo podem nos parecer mesmice, dependendo das nossas circunstâncias, mudo de paisagem, e vou caminhar em outros pontos da cidade. À noite, o Sudoeste já recuperou mais de 50 por cento do seu movimento; é o mais movimentado da cidade, cheio de cafés, restaurantes, padarias e lojas, e conta até com um shopping, o Terraço. Além disso, fica pertinho de tudo.

O trabalho voluntário que realizo, juntamente com uma equipe maravilhosa, no Centro Espírita André Luiz, está suspenso. Aliás, não apareço por lá desde que sofri um infarto, em novembro do ano passado. Mas, agora, no fim de outubro ou início de novembro, voltei a realizar o mesmo trabalho, como terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa, no Centro Comunitário da Candangolândia, atividade que foi suspensa sábado passado, para as festas de fim de ano, com retorno marcado para janeiro.

Este ano, também, comecei a escrever regularmente para um dos portais mais lidos de Belém, o Ver-O-Fato, dirigido por um dos jornalistas mais competentes do Pará, Carlos Mendes, e participei de uma antologia de contos, Literatura Amapaense – Contos Escolhidos, organizada por Mauro Guilherme.

Assim que surgir uma vacina eficaz para o vírus chinês e voltarmos a sair de casa sem máscara, quero visitar meus irmãos, em Macapá, Belém e Vitória. Aliás, para 2021, já pensei numa infinidade de coisas. Uma delas é publicar fisicamente meu último romance, JAMBU. Outra, voltar a frequentar cinema e livrarias, as poucas que restam em Brasília, e fazer um curso de analgesia em acupuntura, quem sabe no Rio. Preciso ir ao Rio.

Em janeiro, tomarei posse na diretoria da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, seção do Distrito Federal (Abrajet/DF), que será presidida pelo jornalista Luiz Solano. Já temos uma pauta que exigirá toda a nossa atenção: a legalização do jogo de azar, incluindo os cassinos.

Estudos do Instituto Brasileiro Jogo Legal/BNLData indicam que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online, mas tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de 1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos.

É um equívoco e uma estupidez o Brasil continuar com o jogo de azar na clandestinidade. Todo o Primeiro Mundo tem jogo de azar funcionando e arrecadando impostos. No senso comum, acredita-se que o jogo financia o crime. É o crime que está enriquecendo mais ainda com o jogo. Está tudo pronto para votarem no Senado a legalização do jogo logo no início de 2021.

Neste 2020, pesquisei muito sobre Medicina Vibracional, e já venho utilizando, em todos os meus pacientes, conhecimentos que obtive nesse mergulho, despertando, cada vez mais, o terceiro olho. Também li e ouvi muito o médium e astrofísico Laércio Fonseca, sobre a vida após a morte.

Ontem, enquanto caminhávamos no Parque da Cidade e conversávamos, minha esposa, Josiane, que é preletora da Seicho-No-Ie e psicóloga, esclareceu algo que eu ainda não entendera completamente: que a matéria não existe. Sim, porque a matéria, tal como a conhecemos aqui no plano físico, só existe na mente. Quando morremos e passamos para o plano astral, o estado da matéria muda, e percebemos que o mundo físico é uma ilusão, não tem existência verdadeira; se tivesse, também no plano astral seria a mesma matéria, e não é.

Assim, tanto faz ser 2020 quanto 2021, o Tao, o caminho, é sempre agora, e o caminho pode ser florido, e nele ouvirmos risos de crianças.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Memórias: quase tudo

Haverá obra de arte mais emocionante do que mulher muito linda?

Sim, nua!

Cheirando a púbis!

E mais bela do que isso?

Grávida!

Amamentando!

Mais belo

Só crianças rindo!

Luz se eternizando!

 

O som do azul, do livro De Tão Azul Sangra


RAY CUNHA

BRASÍLIA, 22 DE DEZEMBRO DE 2020  Livro de memórias tem que ser excepcional. Há três que mexeram comigo. Um deles é Paris é uma festa, de Ernest Hemingway. É como se lêssemos um romance, porque Papa, como era conhecido, reinventou no livro tudo o que tinha vivido em Paris. Os grandes escritores são assim. Não veem Gabriel García Márquez, capaz de pegar um ladrão carniceiro como Fidel Castro e mostrá-lo como um sujeito culto e humanitário?

Paris é uma festa relata a estada de Hemingway na capital francesa nos anos 1920. Foi lançado em 1964, três anos depois da morte do escritor, a partir de manuscritos dele, editados por sua viúva, Mary Hemingway. Em inglês o título do livro é “uma festa móvel”, retirado de uma carta de Hemingway, que diz: “Se você tiver tido a sorte de ter vivido em Paris na sua juventude, então, aonde quer que você vá no resto da sua vida, isso ficará com você, porque Paris é uma festa móvel”.

Hemingway começou a trabalhar em Paris é uma festa em novembro de 1956, quando recuperou dois pequenos baús que deixara no porão do Hôtel Ritz Paris, em maio de 1928, contendo vários cadernos nos quais fizera anotações durante os anos 1920. Com base nesses cadernos, começou a preparar um livro de memórias, chegando a uma versão final, mas que não chegou a publicá-la, pois se matou em 1961. Foi aí que Mary, sua quarta esposa, editou o manuscrito.

Em 1982, o professor Gerry Brenner, da Universidade de Montana, questionou a edição de Mary, acusando-a de alterar a ordem capítulos por motivos cronológicos, o que teria prejudicado a estrutura dramática organizada por Hemingway. Acusou-a também de reinserir um capítulo que Hemingway excluíra e, o mais grave de tudo, acusou-a de excluir uma apologia que Hemingway escreveu para sua primeira esposa, Hadley Richardson.

Verdade ou não, em 2009, o neto de Hemingway e Pauline Pfeiffer, Seán Hemingway, lançou uma nova versão do livro com alterações: a carta introdutória de Hemingway, montada por Mary a partir de fragmentos, foi removida; um capítulo e trechos de outros capítulos foram adicionados; e alguns capítulos foram mudados de lugar. Mas Seán retirou trechos pouco lisonjeiros à sua avó, Pauline Pfeiffer, segunda mulher de Hemingway.

Seja lá como for Paris é uma festa é uma delícia. Já o li mais de uma vez e pretendo degustá-lo de novo, pois os clássicos são sempre recentes, e surpreendentes. Mas para ver como as coisas são: do mesmo autor, e também de memórias, Verdade ao amanhecer, relato do último safári de Hemingway na África, é uma chatice, tanto que tentei lê-lo em mais de uma oportunidade e o larguei sempre, até dá-lo para um projeto de doação de livros aqui de Brasília.

Mary, a quarta e última mulher de Hemingway, foi quem curtiu mais a companhia de Papa, então uma celebridade internacional e ganhando muito bem com a venda dos seus livros. Assim, era ela quem estava junto dele no seu último safári. Hemingway era prolixo quando escrevia, mas quando cortava, para obter o texto final, ia até o osso, de modo que seus livros póstumos, como Verdade ao amanhecer, de mais de 400 páginas, são obesos, ou contêm diálogos quilométricos.

Mas escrevendo este texto, agora, me deu vontade de enfrentar mais uma vez Verdade ao amanhecer. Acho que vou comprá-lo de novo. Tem um negócio em que Hemingway é um mestre, que é enxergar as coisas que somente olhos clínicos veem. Em Paris é uma festa ele descreve minúcias de algumas celebridades com quem conviveu, como, por exemplo, F. Scott Fitzgerald, assim como em Verdade ao amanhecer.

“Eu sou um autor de ficção; logo, também sou um mentiroso e invento a partir daquilo que sei e ouvi dizer. Sou um trapaceiro” – declarou Hemingway, sobre si mesmo. Isso nos aproxima muito.

Outro livro de memórias que eu já li várias vezes é Papa, uma biografia pessoal, de Gregory, filho caçula de Hemingway, com sua segunda mulher, Pauline Pfeiffer. Já médico, publicou Papa em 1976. Travesti, Gregory virou Gloria. Mas se casou quatro vezes e foi pai de oito crianças. Em 1995, se submeteu a uma operação para mudança de sexo. Em 2001, aos 69 anos, Glória morreu de hipertensão com agravante cardiovascular, numa penitenciária feminina de Miami, seis dias depois de ter sido preso nu; devia comparecer perante o juiz no dia em que morreu, acusado de atentado violento ao pudor e de resistir à prisão.

O romance póstumo As ilhas da Corrente, do Nobel criador de O velho e o mar, é, na verdade, um maravilhoso livro de memórias. Nele, Hemingway dá pistas sobre Gregory, e o livro de Gregory, Papa, é uma espécie de As Ilhas da Corrente, só que, nele, desnuda Hemingway, mostra o homem em pelo, ou vestido com o manto dos seus terrores.

O pai de Hemingway se matou e a mãe dele era perturbada. Vestia Hemingway de menina até seus dois, três anos. Talvez por isso Hemingway, que era um baita macho, de mais de 1,80 metro, pugilista amador, bom de tiro e pegador das beldades que o cercavam, fazia de tudo para mostrar que era macho, sem necessidade.

Em Papa, o filho caçula de Hemingway o despe do mito e revela o homem em toda a sua nudez, mesquinho, cafajeste, beberrão, mas lhe presta uma das mais emocionantes homenagens que um filho pode fazer a um pai, que ele amava e admirava pelas qualidades do homem que não tinha medo de nada, do artista revolucionário de O sol também se levanta, do escritor, que, como todo escritor, se autoimpõe disciplina militar e que, como os pugilistas, enfrenta sozinho, no ringue, sua solidão, pelejando, a cada dia, para não ir a nocaute.

Agora, além de Paris é uma festa e de Papa, um livro, que acabei de ler, com atraso de 14 anos, mexeu comigo. Trata-se de Quase tudo, de Danuza Leão, lançado em 2006. O livro desmitifica a vida de celebridades que frequentam capas de revista e a televisão, mostrando que enfrentam as mesmas questões existenciais dos pés-rapados, como depressão, drogas e suicídio. E mostra, em letras garrafais, que a maior ignorância de todas é não saber que nós, humanos, somos seres espirituais. Mas mostra, em prosa deliciosa, o tesão de viver.

Danuza, como sua irmã, Nara Leão, musa da Bossa Nova, e como Roberto Carlos e Rubem Braga, é capixaba, e, claro, carioca. Modelo, jornalista e escritora, foi casada com uma lenda do jornalismo: Samuel Wainer, fundador do extinto jornal Última Hora; com o compositor e cronista Antônio Maria; e com o jornalista Renato Machado. Modelo profissional em Paris, relações públicas em boates famosas do Rio de Janeiro, colunista dos jornais Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil, colaboradora de novelas da Rede Globo, é autora de um megassucesso: Na sala com Danuza, além de outros livros.

Em 2006, o jornalista Euler de França Belém escreveu um artigo para o Jornal Opção com o título: “Livro de memórias de Danuza Leão merece o título de Quase Santa e não de Quase Tudo”, sugere, no texto, o título “Quase Nada” e faz uma observação: “Como na maioria dos livros de memorialistas, Danuza tenta ajeitar sua história, colocando-se no centro dos acontecimentos e transformando Samuel Wainer numa espécie de herói, o homem perfeito, e, ao mesmo tempo, um coadjuvante de certo fôlego. É como se, ao limpar a história de Wainer, também limpasse a sua. A Ava Gardner (o mais belo animal do universo, segundo Jean Cocteau) da periferia pôs cornos em Wainer? Não. Não. O nosso Sinatra não teria sido traído, e sim abandonado, quando Danuza o trocou pelo jornalista, cronista e compositor Antônio Maria. Ajustando ou não as histórias, a colunista da Folha de S. Paulo escreve com leveza e graça”.

Não sei o que Euler sabe, mas concordamos em duas coisas: Danuza Leão era um desses mais belos animais do universo e Quase tudo tem leveza e graça.

Euler reclama, e com razão, que Danuza é muito econômica em fofoca, insinuando que ela sabe muito nesse quesito. É verdade que Danuza evita o sexo explícito, a fofoca, a maledicência gratuita, e até desconfio que Quase tudo é um livro de redenção, um ajuste de contas com o passado, daí que é perpassado por dramas e tragédias. O livro é interessante porque sua prosa é coloquial, deliciosa, porque o Rio, com todas as suas luzes, faz pano de fundo, e porque há no livro uma tensão dramática, talvez a mesma de Paris é uma festa, Papa e Verdade ao amanhecer.

E também ao tratar das celebridades como pessoas comuns na vida dela, as torna humanas, ao ponto de nos vermos, de repente, na sala com Danuza, e com toda a fauna cintilante que transita em Quase tudo.

É Euler que encerra este meu artigo: “Danuza passará. Mas deixará um rastro de perfume, rebeldia e beleza. Não é pouco”.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Tudo pronto para o Senado corrigir um equívoco que trava o país há 74 anos: legalizar os cassinos

Há indícios de que a Humanidade joga desde o início dos tempos. Começou há cinco mil anos, usando dados, entre os sumérios e egípcios. No Império Romano, havia um jogo denominado “hazard”, que, em inglês e francês, significa “risco”, “perigo”, do árabe “al-azar”, “dado”, e entrou na Europa com a Terceira Cruzada. Naquela época, acontecia de um jogador não ter mais nada para apostar e apostava a si mesmo; se perdesse, virava escravo do vencedor, que poderia vendê-lo. 

Os jogos de cartas apareceram na China, por volta do século 9, e na Europa cinco séculos depois. Quanto às loterias também os primeiros registros são da China, Dinastia Han, entre 205 e 187 aC. Na Europa, as primeiras loterias começaram no Império Romano. Pôquer e roleta são mais recentes, do século 19. 

O jogo de azar é praticado em muitos países, como, por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Itália, Suíça, Grécia, Portugal, Áustria, Holanda, Mônaco, Uruguai etc. A Região Administrativa Especial de Macau, na China, é hoje o principal centro de jogos do mundo, desbancando Las Vegas, nos Estados Unidos, como capital mundial dos cassinos e faturando, com apenas 35 cassinos, 38 bilhões de dólares por ano. 

Os mais de 100 cassinos de Las Vegas faturam 8 bilhões de dólares por ano e só uma de suas maiores redes conta com 50 mil empregados. No Brasil, só o jogo do bicho movimenta 10 bilhões de reais por ano, sem pagar nenhum centavo de imposto e sem gerar empregos formais. 

O jogo é proibido na Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, países muçulmanos e Brasil. 

No Brasil, os cassinos surgiram após a independência, em 1822, até 1917, no governo Venceslau Brás. Getúlio Vargas voltou a legalizá-los em 1934, até 1946, proibidos agora pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, até hoje. Casas de bingo e máquinas caça-níqueis eram permitidas pela Lei Zico, de 1993, reafirmada em 1998 pela Lei Pelé, até 2004, quando foram proibidas pelo presidente Lula. 

Para o presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, consultor Técnico da Associação Brasileira de Loterias Estaduais (Able), professor do curso de pós-graduação em Comunicação Empresarial da Universidade Candido Mendes (Ucam/RJ), editor do BNLData e jornalista especializado em loterias e apostas Magno José Santos de Sousa, o Brasil se submete a uma das legislações mais atrasadas do mundo para o setor. “A clandestinidade não anula a prática” – adverte Magno Sousa. 

Calcula-se que o jogo clandestino no Brasil movimente atualmente cerca de 5 bilhões de dólares, incluindo o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, vídeo-jogos, apostas esportivas e jogos online. Mas estudo do IJL/BNLData indica que o mercado de jogos no Brasil tem potencial de arrecadar 15 bilhões de dólares por ano, deixando para o erário 4,2 bilhões de dólares, além de  1,7 bilhão de dólares em outorgas, licenças e autorizações, isso, sem somar investimentos e geração de empregos na implementação das casas de apostas. Além disso, seriam gerados mais de 658 mil empregos diretos e mais de 619 mil empregos indiretos. 

Quando o jogo foi proibido no Brasil havia 70 cassinos espalhados pelo país empregando mais de 40 mil trabalhadores, incluindo artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. 

Contratada pelo portal BNLData/Instituto Brasileiro Jogo Legal, a Paraná Pesquisas consultou 238 deputados federais em maio deste ano, com a pergunta: “O Sr. (a) é a favor ou contra a legalização de TODOS os jogos de azar no Brasil, ou seja, a legalização de cassinos, jogo do bicho, casas de bingo, vídeo-jogo e jogo online?” Resultado: 52,1% dos deputados federais são favoráveis à legalização dos cassinos, jogo do bicho, bingos, vídeo-jogo e jogo online; 40,8% foram contrários; e 7,1% não responderam. 

Pesquisa realizada pela Global Views on Vices em 2019 estima que no mundo 70% da população são favoráveis aos jogos de azar e 25% não. Aqui, 66% dos brasileiros são favoráveis ao jogo, contra 25%. O presidente Jair Bolsonaro é um dos brasileiros favoráveis à legalização dos jogos. 

Mas como foi essa doidice de parar com o jogo legal no Brasil? Moralismo. Nesse contexto, dona Santinha, Carmela Leite Dutra, esposa do presidente Eurico Gaspar Dutra, era beata e exercia forte influência sobre o marido. Para ela, jogo era coisa do capeta. Dutra cedeu e de um momento para o outro arrasou uma das indústrias que mais faziam o país prosperar, jogando no desemprego dezenas de milhares de pais de família.

É claro que muita gente via o diabo em toda parte, quando ele está dentro de cada um de nós e só sai quando é convocado. 

Enquanto isso a dívida pública brasileira chegou a 90% do produto interno bruto (PIB), cenário agravado pelo vírus chinês. 

O senador Angelo Coronel (PSD/BA) disse à Agência Senado o seguinte: “A geração de recursos da tributação de jogos poderia ampliar o alcance do Bolsa Família de 14 milhões de famílias para 22 milhões, ainda aumentando o valor médio recebido de 200 para 300 reais. Isso equivale a mais ou menos 50 bilhões de reais em recursos para custear o incremento do programa. Acredito que os recursos arrecadados devem ser usados na área social, em programa de renda básica, porém isso cabe à gestão orçamentária do governo. Para o Brasil, o que importa é ter a capacidade financeira para custear tal programa”. 

Há um argumento da oposição ao jogo inacreditável. A turma do moralismo acha que a liberação dos jogos de azar pode agravar problemas na saúde, com alto custo de tratamento dos apostadores contumazes, além de aumentar a exploração sexual e a prostituição e piorar a segurança pública, e prejudicaria ações de combate à corrupção, aumentando também lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas. 

Tudo está acontecendo com o jogo na clandestinidade! É a clandestinidade do jogo, que corre à solta, que alimenta a corrupção, propina e chantagem política. Isso torna a legalização do jogo inadiável e irreversível. 

Contudo, somente no Senado há quatro propostas de legalização do jogo, a mais adiantada delas pronta para ser votada no Plenário, já no início de 2021, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP/PI), que autoriza a exploração de “jogos de fortuna” on-line ou presenciais em todo o território nacional, incluindo o jogo do bicho, videobingo e videojogo, bingos, cassinos em complexos integrados de lazer, cassinos on-line e apostas esportivas e não esportivas. O PLS 2.648/2019 do senador Roberto Rocha (PSDB/MA), o PLS 4.495/2020, do senador Irajá (PSD/TO), e o PLS 595/2015, do ex-senador Donizetti Nogueira, seguem na mesma linha.

O fato é que um dos países onde mais se joga hoje no mundo é o Brasil, movimentando cerca de 20 bilhões de reais por ano, clandestinamente, enquanto o Estado chupa o dedo, em nome de um moralismo que esconde sabe-se lá o que. Mas, pelo que tudo indica, a próxima legislatura do Senado poderá mudar esse cenário, e rapidamente.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Os países hegemônicos ocuparão a Amazônia? Entrevista com Gelio Fregapani

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, disse, em debate com o presidente Donald Trump, que vai fazer uma vaquinha entre países hegemônicos de 20 bilhões de dólares destinados a “resolver o problema da Amazônia”. Seria isso a solução para a questão amazônica? 

Joseph Robinette Joe Biden Jr. (Scranton, Pensilvânia, 20 de novembro de 1942), poste do bom de beiço Barack Obama, de quem foi vice, deverá tomar posse na Presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2021. Filiado ao Partido Democrata, vice-presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, foi senador pelo Delaware durante seis mandatos, entre 1973 e 2009, tendo presidido no Senado o Comitê de Relações Exteriores. Sua vice, a senadora Kamala Harris, é comunista de carteirinha. Nos Estados Unidos, os comunistas se homiziam no Partido Democrata. 

Sobre a Amazônia brasileira, até os pets sabem que as potências hegemônicas ambicionam a Hileia, a mais rica província biológica e mineral do planeta, desde o século XVI. Aqui e ali, líderes dessas potências dão com a língua nos dentes, vomitando que a Amazônia brasileira é de quem tiver poder de fogo para tomar a região. Até agora, só portugueses e brasileiros asseguraram essa posse. 

Mas desde o Foro de São Paulo/Fernando Henrique Cardoso e companhia, ONGs ambientalistas estrangeiras se multiplicaram na região como câncer, ameaçando a soberania brasileira sobre a floresta. 

Já houve projeto de os gringos pegaram tudo quanto é negro americano e os jogarem na Amazônia; houve o Bolivian Syndicate; o Instituto Internacional da Hileia Amazônica; o Projeto Grandes Lagos do Hudson Institute etc. 

Al Gore disse, em 1989: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”. 

François Mitterrand, em 1989: “O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia”. 

Mikhail Gorbachev, em 1992: “O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes”. 

John Major, em 1992: “As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas ecológicas internacionais que visam à limitação das soberanias nacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início a uma fase operativa, que pode, definitivamente, ensejar intervenções militares diretas sobre a região”. 

Henry Kissinger, em 1994: “Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos”. 

Emmanuel Macron, em 2019: “Associações, ONGs e atores, já há vários anos – por vezes alguns atores jurídicos internacionais – levantaram a questão para saber se podemos definir um status internacional da Amazônia”.

Joe Biden, em 2020: Disse, no seu falar que lembra Dilma Rousseff, que, assim que tomasse posse da Casa Branca, “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover 20 bilhões de dólares para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”; que a comunidade internacional diria ao Brasil: “Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de destruir a floresta. E se não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas”. 

O fato é que para assegurar o domínio da Amazônia brasileira nós temos que ocupá-la. 

Em 25 de fevereiro de 2005, entrevistei o coronel do Exército Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva. Essa entrevista foi publicada inicialmente na coluna Enfoque Amazônico, que eu assinei durante meia década no portal ABC Politiko, em Brasília. Imediatamente à sua publicação, dezenas de sites e blogs a replicaram. Nela, Fregapani pulveriza qualquer romantismo sobre a Hileia, e não descarta guerra pela ocupação do Trópico Úmido. “A Amazônia será ocupada. Por nós ou por outros” – adverte. Vamos à entrevista, mais atual do que nunca. 

Fregapani já esteve em praticamente todos os locais habitados e muitos dos desabitados da Amazônia, inclusive trechos da selva que poucos conhecem e que nem uma hecatombe nuclear destruiria, devido à sua exuberância e umidade, e fala também mais de uma língua indígena. Conduziu geólogos a lugares ínvios, chefiou expedições militares e coordenou expedições científicas às serras do extremo norte, onde dormem as maiores jazidas minerais da Terra, e desenvolveu métodos profiláticos para evitar doenças tropicais, tendo saneado as minas do Pitinga e a região da hidrelétrica de Cachoeira Porteira. 

Fregapani serviu ao Exército durante quatro décadas, quase sempre ligado à Amazônia, tendo fundado e comandado o Centro de Instrução de Guerra na Selva. Há mais de quatro décadas vem observando a atuação estrangeira na Amazônia, o que o levou a escrever Amazônia – A grande cobiça internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas). 

O problema crucial da Amazônia é que ela ainda não foi devidamente ocupada pelos brasileiros. Por isso, ledo engano é supor que a região pertence de fato ao Brasil. Será, sim, do Brasil, quando for desenvolvida por nós e devidamente guardada. Daí porque às potências estrangeiras não interessa o desenvolvimento da Amazônia. Aos Estados Unidos, Inglaterra, Japão e China, principalmente, interessa manter os cartéis agrícolas e de minerais e metais. Dois exemplos: a soja da fronteira agrícola ameaça a soja americana; e a exploração dos fabulosos veios auríferos da Amazônia poriam em cheque as reservas similares americanas e poderia mergulhar ainda mais o gigante em recessão. 

Assim, despovoada, sub explorada e subdesenvolvida, não há grandes problemas para a ocupação estrangeira da região. Por exemplo: a reserva Ianomâmi – etnia que seria forjada pelos ingleses –, do tamanho de Portugal e na tríplice fronteira, em litígio, Brasil, Venezuela e Guiana, é a maior e mais rica província mineral do planeta. Pois bem, já há manifestação na Organização das Nações Unidas (ONU) de torná-la nação independente do Brasil. 

Vamos à entrevista, que, apesar de ter sido realizada há uma década e meia, é atualíssima. 

Assassinatos no interior do Pará tornaram-se banais. Por que a região está convulsionada? 

Vou me arriscar a fazer um pequeno comentário sobre o Pará, mas friso que não sou nenhum especialista na área, que não é da minha especial atenção. Acontece que aquela área é limite da expansão agrícola, que vai continuar, primeiro, pela exploração madeireira; depois, de gado; e depois, de agricultura. Os Estados Unidos preocupam-se especialmente com a tomada do mercado deles de soja. Nós produzimos soja mais barata do que eles, pela nossa quantidade de água, de terras baratas e de insolação. Então, fazem todo o possível para prejudicar-nos. Pessoalmente, estou convencido de que eles introduziram – não quero dizer o governo deles; talvez as companhias deles – a ferrugem da soja e usam o meio ambiente como uma forma de travar o nosso progresso. Nesse uso do meio ambiente se inclui a corrupção existente em alguns dos nossos órgãos; o idealismo, tolo, de algumas das nossas entidades que querem deixar a mata intocada e o nosso povo sem emprego; e, principalmente, a atuação, nefasta, de várias ONGs, como a WWF (Wold Wildlife Found). Eu acredito que nesse contexto muito desses conflitos são provocados por interesses externos. Se o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) fizesse corretamente seu papel e se as reintegrações de posse fossem cumpridas certamente não haveria muitos desses conflitos. É claro que pouca gente vê perder-se o resultado do esforço de toda sua vida sem reagir. E quando a Justiça não atende, algumas pessoas farão justiça com as próprias mãos. 

Qual é a maneira legítima de ocupação da Amazônia? 

A Amazônia será ocupada. Por nós, ou por outros. Numa humanidade em expansão, com uma série de terras superpovoadas, uma terra despovoada e habitável, ela será ocupada. Por quem? Nós temos, legitimamente, a posse, mas essa legitimidade não nos garante o futuro. Se nós não ocuparmos a Amazônia, alguém a ocupará. Se nós não a utilizarmos, alguém vai utilizá-la. Portanto a questão é: devemos ocupá-la, ou não? Nós somos brasileiros, então devemos ocupá-la. Se nós nos achamos cidadãos do mundo, então podemos permitir a ocupação por outros. Como ocupar? Estávamos falando da área do Pará que é a periferia da selva. Essa história de Amazônia Legal é uma falácia, feita para incluir nos benefícios da Amazônia algo que não tem nada a ver com a Amazônia real, que é aquela selva que nós todos conhecemos. Nessa periferia está a agricultura. Então, ela será ocupada, fatalmente, pela agricultura, até para alimentar o mundo. Os madeireiros não fazem o mal à selva que os ambientalistas falam. Os madeireiros pegam espécies selecionadas, que interessam ao mercado. É claro que eles abrem picadas para chegar até essas árvores, mas isso não faz dano à floresta, porque há milhões de pequenas árvores, chamadas de filhotes, que estão lá, há muitos anos, esperando uma chance de chegar ao sol para poder crescer. Quando uma árvore é abatida, aqueles filhotes que estão em redor crescem numa velocidade espantosa, na disputa para ver qual dos indivíduos vai substituir a árvore que foi abatida. Isso não altera em nada a floresta. Mas a fronteira pioneira vai avançando. Nessas trilhas, irão colonos, que procurarão fazer um corte para colocar o gado. Isso faz com que o Brasil tenha o maior rebanho de gado fora da Índia, e que abastece o mundo de carne. Há quem ache ruim. Há quem queira as árvores e não o gado. Depois, pela valorização, essas terras serão usadas pela agricultura. Essa é a forma natural de ocupação, embora lenta, pois precisamos ocupar a Amazônia de uma forma mais veloz. Contudo, tanto o gado como a agricultura, não poderão ficar na área de floresta mesmo. Não porque os ambientalistas querem. É porque a floresta não deixa. Na floresta, fora dessa área de transição, de periferia, na floresta úmida, real, as árvores crescem com uma rapidez incrível. Primeiro vem uma árvore pioneira, a imbaúba, e sob a sombra da imbaúba cresce a verdadeira floresta. Em dois anos, as imbaúbas já estão com mais de 40 metros. Então, não é possível uma agricultura, como nós a concebemos no Sul, ou no Hemisfério Norte, porque a floresta não deixa. O correto seria a silvicultura, ou seja, a substituição de árvores por outras árvores. Muitas outras árvores são interessante para substituir aquelas árvores de menos valor, como a castanheira, a seringueira, mas, no momento, o que chama atenção, mesmo, é o dendê. 

Dendê? 

As reservas de petróleo estão diminuindo no mundo e o consumo está aumentando. Vai chegar um momento que o uso de petróleo será inviável. Eu não estou dizendo que o petróleo vai acabar. Sempre vai sobrar um pouco, ou um achado novo, mais fundo, mas o uso do petróleo, como se faz atualmente, está com seus dias contados. Além do mais, os Estados Unidos estão procurando tomar conta de todas as jazidas que existem no mundo e alguns países estão realmente preocupados com isso. A Alemanha, que já sabe muito bem o que é falta de energia, está plantando canola para substituir diesel, e já tem alguns milhares de postos fornecendo biodiesel aos consumidores. A canola produz por hectare 20 vezes menos do que o dendê, que precisa só de calor, sol e água. Exatamente o que abunda na Amazônia. Sete milhões de hectares de plantação de dendê produz 8 milhões de barris de biodiesel por dia, o que equivale à produção atual de petróleo da Arábia Saudita, que tende a declinar. O Japão mandou o seu primeiro ministro ao Brasil para tratar de biodiesel. O Japão não tem um lugarzinho nem para plantar canola. A China tem muito carvão, mas tem pouco petróleo; ela também está reunida com o Brasil, pedindo que o Brasil faça biodiesel. O mundo tem fome de biodiesel. Essa, me parece, é a melhor ocupação da Amazônia. Sete milhões de hectares plantados seria uma área menor do que a área Ianomâmi. Nós teríamos 200 milhões de hectares plantados, se quiséssemos, produzindo biodiesel. Sete milhões de hectares plantados criarão aproximadamente 6 milhões de empregos. Isso contribuiria para atingir a meta de 10 milhões de empregos. 

Há possibilidade de guerra pela ocupação da Amazônia? 

Sabemos que haverá pressões, sabemos que outros tentarão ocupar a Amazônia, sabemos que se nós não a ocuparmos, certamente teremos uma guerra pela ocupação. E guerra que ninguém garante que nós vamos vencer. A necessidade de ocupação da Amazônia é um fato e a melhor forma é deixar prosseguir a fronteira agrícola. E quanto mais perto das serras que separam o Brasil dos países ao norte, melhor. É nítido o desejo dos povos desenvolvidos tomarem conta das serras que separam o Brasil da Venezuela e da Guiana, por dois motivos: para evitar que o Brasil concorra com seus mercados e como reserva futura de matéria-prima. Podemos substituir as árvores nativas pelo dendê e, com isso, conseguiremos tudo o que precisamos. Atenderia a 6 milhões de trabalhadores rurais e acabaria até com o problema dos sem-terra. Essa solução é tão vantajosa para o Brasil que para mim é incompreensível que isso não esteja com destaque na grande mídia, não esteja na discussão de todos os brasileiros. 

A quem interessa a grita dos ambientalistas na Amazônia? 

Há três países especialmente interessados nisso: os Estados Unidos, a Inglaterra e a Holanda. Eles têm coadjuvantes: França, Alemanha e outros; até mesmo a Rússia já se meteu, no tempo de Gorbachev. Mas o interesse dos Estados Unidos é mais profundo. Se nós explorarmos o ouro abundante da Amazônia, vai cair o preço do ouro, e isso vai diminuir o valor das reservas dos Estados Unidos, onde está certamente a maior parte do ouro governamental do mundo. Isso seria um baque para os Estados Unidos, talvez pior do que perderem o petróleo da Arábia Saudita. A Inglaterra, não é de hoje, sempre meteu o bedelho nessas coisas. A Holanda, que é o país que mais modificou seu meio ambiente, tendo retirado seu território do mar, também tem umas manias loucas em função do meio ambiente. A grita ambientalista atende principalmente aos Estados Unidos, para cortar a exploração do ouro, e também para não atrapalhar seu mercado de soja. À Inglaterra interessa o estanho, mercado que sempre dominou. Uma só jazida de estanho na Amazônia, do Pitinga, quebrou o cartel do estanho, fazendo despencar o preço de US$ 15 mil a tonelada para menos de US$ 3 mil. Agora está em US$ 7.500, mas não voltou aos US$ 15 mil, por causa de uma única jazida. Reconheço que há ambientalistas sinceros, que acreditam nessas falácias, nessas mentiras, ostensivas, como a de que a Amazônia é o pulmão do mundo e que os polos estão derretendo por causa disso e por causa daquilo. Os polos estão derretendo porque ciclicamente derretem e se alguma coisa influi nisso são os países industrializados. 

A abertura de estradas na Amazônia é necessária? 

Quando foi aberta a Belém-Brasília, a Amazônia era como se estivesse noutro continente. Nós poderíamos chegar lá, sem dúvida, de navio ou de avião. A Belém-Brasília rasgou apenas 600 quilômetros de selva, mas essa área já está povoada, é definitivamente nossa. Tem conflitos, mas tem riquezas, tem um rebanho enorme e começa a produzir alimentos vegetais. A Transamazônica não teve o mesmo sucesso porque devia ter sido construída por etapas. A estrada especialmente estratégica, que garantiria para o Brasil a posse da Amazônia, que seria a Perimetral Norte, não saiu do papel. Mas somente estradas podem povoar a Amazônia. Elas terão que ser abertas. 

Quais são os pontos específicos da Amazônia que interessam às potências estrangeiras? 

As serras que separam o Brasil da Venezuela e da Guiana, e um pouquinho da Colômbia. Lá é que estão as principais jazidas e minerais do mundo. É lá que eles forçam para a criação de nações indígenas e, quem sabe, vão forçar depois a separação dessas nações indígenas do Brasil. Um segundo ponto é a orla da floresta, essa transição da floresta para o cerrado, perfeitamente apta à agricultura. Isso entra em choque com os interesses agrícolas dos Estados Unidos. O interior real da floresta, esse é desabitado, desconhecido e é mais falado pelos ambientalistas sinceros, mas ignorantes, aqueles que julgam que a floresta tem que ser preservada na sua totalidade, mesmo que o povo brasileiro fique desempregado, faminto e submisso às potências, que construíram o seu progresso modificando o meio ambiente. Não há como haver progresso sem modificar o meio ambiente. Nós temos, às vezes, algumas falácias nisso. Os ambientalistas não querem que se construam barragens nem que se faça irrigação. Não existe desperdício maior do que o rio jogar água no mar. O ideal é que a água fosse usada toda aqui dentro. 

Trafica-se animais, plantas e até sangue de índio da Amazônia. 

A Rússia tem aquela imensidão da Sibéria, quase despovoada, inabitável mesmo, e com muito menos animais do que pode conter a floresta amazônica. E, para ela, é uma imensa riqueza a exploração de peles. Naturalmente, os ribeirinhos têm que caçar. Os animais são desperdiçados por leis ambientais erradas. Esses animais acabam sendo levados para países vizinhos e de lá são exportados. O que nós teríamos que fazer é uma regulamentação e não uma proibição. Quanto à história de sangue de índio, até onde eu saiba, andaram aí coletando para fazer pesquisas. O que querem com essas pesquisas? Não é prático, no meu entender, coletar sangue para contrabandeá-lo. Quanto à exploração de espécies vegetais, ou à biopirataria, eu também não me assusto muito com isso, porque, uma vez que se vê que uma planta cure alguma coisa, vai se procurar o princípio ativo e produzi-lo sinteticamente. A pesquisa disso, no meu entender, traria bem para a humanidade. Se bem que eu gostaria que nós fizéssemos isso e não que os estrangeiros patenteiem e depois queiram vender para nós. Esses aspectos são mais emocionais e direcionados para que a gente não explore nada.

É verdade que a população indígena foi reduzida drasticamente desde o descobrimento do Brasil?

Mais de 30 milhões de brasileiros que se consideram brancos têm sangue indígena. Temos, portanto, mais de 30 milhões de descendentes de indígenas. Se considerarmos que havia 3 milhões de indígenas na chegada de Cabral e se há 30 milhões de seus descendentes entre os que se consideram brancos nós vemos que a população indígena não foi reduzida; foi ampliada. O que certamente acontecerá não é a eliminação do índio; é a eliminação de suas sociedades, por serem anacrônicas. A sociedade medieval já acabou. A sociedade dos samurais também. A sociedade dos mandarins também. Por que tem de ser mantida uma sociedade que não cabe no mundo moderno? Os valores tribais não são facilmente aceitos por pessoas evoluídas. Canibalismo pode ser aceito? Sinceramente, no meu entender, não. O assassinato de filhos, como cultura, não como delito, pode ser aceito? Isso não é compreensivo para mim. A nossa ingenuidade talvez nos leve a achar que devemos preservar a mata nativa e deixar o povo com fome.

Os ianomâmis são uma nação verdadeira ou forjada?

Absolutamente forjada. São quatro grupos distintos, linguisticamente, etnicamente e, por vezes, hostis entre eles. A criação dos ianomâmis foi uma manobra muito bem conduzida pela WWF com a criação do Parque Ianomâmi para, certamente, criar uma nação que se separe do Brasil. O Parque Ianomâmi é uma região do tamanho de Portugal, ou de Santa Catarina, onde, segundo afirmação da Funai (Fundação Nacional do Índio) há 10 mil índios. A Força Aérea, que andou levando o pessoal para vacinação, viu que os índios não passam de 3 mil. Ainda que fossem 10 mil, há motivo para se deixar a área mais rica do país virtualmente interditada ao Brasil? O esforço deveria ser no sentido de integrá-los na comunidade nacional. Nenhuma epidemia vai deixar de atingir índios isolados. A única salvação, nesse caso, é a ciência médica. A área ianomâmi é imensa e riquíssima, está na fronteira e há outra área ianomâmi, similar, no lado da Venezuela. Então, está tudo pronto para a criação de uma nação. Um desses pretensos líderes, orientado naturalmente pelos falsos missionários americanos, Davi Ianomâmi, já andou pedindo na ONU uma nação, e a ONU andou fazendo uma declaração de que os índios podem ter a nação que quiserem. No discurso de Davi, ele teria dito que querem proteção contra os colonos brasileiros, que os querem exterminar.

Qual é a grande vocação da Amazônia?

Duas. Uma é a mineração. E a outra é a silvicultura. Particularmente a silvicultura do dendê, que, certamente, vai suprir o mundo de combustível em substituição ao petróleo. Em menos de duas décadas, o biodiesel e o álcool terão substituído o diesel e o petróleo em quase todo o mundo. Lugar algum oferece melhores condições para essa produção do que a Amazônia.

E o turismo?

É um pequeno paliativo. Não é suficiente para desenvolver a Amazônia. A Amazônia nunca será uma Suíça, uma Espanha..

A falta de ocupação da Amazônia é, então, o grande problema da região? 

É o grande problema do Brasil. A Amazônia será ocupada, de um jeito ou de outro. Por nós ou por outros. A solução da ocupação não é para a Amazônia, é para o nosso país, se quisermos ter a Amazônia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Cassinos serão a pauta do setor de turismo no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2021

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 7 DE DEZEMBRO DE 2020 – A posse da diretoria da Abrajet/DF (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo) foi transferida de 18 de dezembro para o fim de janeiro de 2021, por questões de agenda da Abrajet Nacional, presidida por Evandro Novak. A associação será presidida no Distrito Federal pelo jornalista Luiz Solano, assessorado pelo seu vice, Wilon Lopes, e diretores: Adilson Vasconcelos, Renata Poli, Ruy Telles, Sionei Leão, Suellem Vieira e o repórter que assina este artigo.

A partir da instalação dos trabalhos legislativos, em fevereiro, a Abrajet deverá dar início a um trabalho voltado para o mais importante projeto de turismo atualmente em discussão, que é a legalização de cassinos, bingos, caça níquel e jogo do bicho, ora em debate no Senado da República.

Enquanto os jogos de azar são legais em vários países, como, por exemplo, nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Espanha, França, Itália, Turquia e China (Macau), no Brasil eles só aconteceram de 1920 até 1946. Desde lá, são proibidos por decreto de abril de 1946, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, argumentando que os jogos eram “nocivos à moral e aos bons costumes”.

O Brasil chegou a ter 70 cassinos, grandes centros de entretenimento, com restaurantes, bares, salões de baile e teatros. Nos anos de 1930, Carmen Miranda pontificava nos cassinos cariocas.

Com o jogo expulso para a clandestinidade, cerca de 55 mil brasileiros foram para a rua da amargura, desempregados. Mas de uns 30 anos para cá várias vozes no Senado, que é a casa que pode legalizar o jogo, começaram a soar, cada vez mais altas. Agora, a ideia ganhou um reforço e tanto: percebe-se, nos seus discursos e bate-papos com o povo, que o presidente Jair Bolsonaro sacou que é uma boa ideia, aliás, uma excelente ideia, legalizar o jogo.

O jogo tem o potencial de gerar 50 bilhões de reais ao ano para o governo, dinheiro que poderá ser utilizado no Renda Cidadã e na Segurança Pública, além de gerar 700 mil empregos diretos e outros 600 mil indiretos. O Senado Federal já analisa proposta de legalizar o jogo e deverá votar a matéria em plenário no primeiro semestre de 2021. Está tudo pronto para isso.

O principal projeto em discussão é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o PLS 186/2014, que autoriza a exploração de “jogos de fortuna”, on-line ou presenciais, em todo o território nacional. Pelo substitutivo do senador licenciado Benedito de Lira (PP-AL), a regulamentação contempla o jogo do bicho, vídeo-bingo e videojogo, bingos, cassinos em complexos integrados de lazer, apostas esportivas e não esportivas e cassinos on-line.

Para Benedito de Lira, “é justamente a legalização dos jogos de fortuna que acabará com os jogos clandestinos. Tornar transparente essa atividade em muito ajudará no combate à lavagem de dinheiro. A legalização também permitirá atendimento aos viciados em jogos que na clandestinidade de hoje não possuem saída alguma. Se chegar hoje em São Paulo você vai encontrar muitas casas de bingo lotadas. Lavagem de dinheiro existe hoje porque tudo é feito às escondidas”.

Com efeito, o jogo corre solto no Brasil, como uma gigantesca lavanderia funcionando dia e noite. Com a legalização do jogo, tudo será dentro da lei e o estado cobrará impostos. Para Ciro Nogueira do jeito que está existe uma "cortina de fumaça; o Brasil, hoje, é um dos países em que mais se joga no mundo”.

Enquanto isso, estima-se que a máfia fatura em torno de 12 bilhões de reais ao ano com o jogo de azar no Brasil, que é um dos poucos países do mundo que proíbem isso, ao lado da ditadura sangrenta de Cuba e países muçulmanos.

Enquanto isso, desde 1962 que a Caixa Econômica Federal controla jogos como a Mega-Sena e outros, arrecadando em torno de 12,8 bilhões de reais ao ano. Os bingos, proibidos a partir de 2004, arrecadam, na clandestinidade, 1,3 bilhão de reais por ano. O jogo do bicho, sempre clandestino, desde o fim do século 19, fatura hoje cerca de 12 bilhões de reais.

A Constituição brasileira, que legisla sobre tudo, não diz nada sobre jogos de azar. Assim, o espetáculo fica por conta do Congresso Nacional, que, pelo andar da carruagem, deverá mesmo legalizar o jogo, e Bolsonaro, feliz da vida, chancelar. Não acredito que, diante disso, o Supremo vetaria o jogo.

Bolsonaro só terá um obstáculo no Senado, aliás, um grande obstáculo, que é a bancada evangélica, que acha que o principal crupiê é o diabo. Mas, pondo os fervores religiosos de lado, acabarão compreendendo que a legalização do jogo é que tirará o diabo da frente dos negócios.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Luiz Solano toma posse como presidente da Abrajet/DF. A volta dos cassinos. O Rio pontifica

RAY CUNHA 

BRASÍLIA, 1 DE DEZEMBRO DE 2020 – A convite do presidente da Abrajet Nacional (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo), Evandro Novak (SC), o jornalista Luiz Solano (foto) tomará posse como presidente da Abrajet/DF no próximo dia 18, às 16 horas, na Associação Comercial do DF (ACDF), da qual é diretor. Oito jornalistas comporão a diretoria da Abrajet/DF, entre os quais o repórter que assina este artigo. Além de atuar pelos interesses do setor de turismo do Distrito Federal e Entorno, a Abrajet/DF também transitará na área federal, com foco, neste momento, no mais importante projeto nacional de turismo, que é a legalização de cassinos, bingos, caça níquel e jogo do bicho, ora em debate no Senado da República.

Luiz Solano é membro da Academia de Letras e Artes do Planalto e do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Pioneiro em Brasília, foi decano dos jornalistas no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional. Atualmente, cobre o dia a dia de Brasília para várias emissoras de rádio e sites, acompanhando os principais fatos que acontecem nos bastidores do Palácio do Planalto, ministérios, Congresso Nacional e demais órgãos federais sediados em Brasília.

Fundada em 29 de janeiro de 1957, no Rio, por um grupo de jornalistas e escritores, a Abrajet tem hoje seccionais em quase todo o Brasil, mobilizando cerca de 350 jornalistas, que atuam em jornais, revistas, TVs, rádios, portais, sites, blogues e assessorias de imprensa de órgãos públicos ou empresas do setor de turismo, contribuindo para com o desenvolvimento do segmento no país.

Os jogos de azar foram proibidos no Brasil pelo decreto-lei 9.215, de 30 de abril de 1946, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, sob o argumento de que são degradantes. Sabe-se que a esposa de Dutra, Carmela Teles Leite Dutra, devota da Igreja Católica, exercia forte influência sobre seu marido.

O fato é que a legalização do chamado jogo de azar tem o potencial de gerar renda de 50 bilhões de reais ao ano para o governo, dinheiro que poderá ser utilizado no Renda Cidadã e na Segurança Pública, além de gerar 700 mil empregos diretos e outros 600 mil indiretos. O Senado Federal já analisa proposta de legalizar o jogo de azar e deverá votar a matéria em plenário no primeiro semestre de 2021. O principal projeto em discussão é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o PLS 186/2014, que autoriza a exploração de “jogos de fortuna”, on-line ou presenciais, em todo o território nacional.

Pelo substitutivo do senador licenciado Benedito de Lira (PP-AL), a regulamentação contempla o jogo do bicho, vídeo-bingo e videojogo, bingos, cassinos em complexos integrados de lazer, apostas esportivas e não esportivas e cassinos on-line. Segundo o texto, o credenciamento para exploração do jogo de bingo e vídeo-bingo terá prazo de 20 anos, renovável por igual período, e será de responsabilidade dos estados; os cassinos terão validade de 30 anos, podendo ser renovada por sucessivos períodos.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, estão esperançosos de que o projeto seja aprovado e passe a ser uma realidade.

A proposta foi aprovada em 2019 pela Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional, que poderia decidir de forma terminativa, mas houve um requerimento para que fosse votada antes na Comissão de Constituição e Justiça, onde a maioria dos senadores a rejeitou, seguindo a posição do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que apresentou voto em separado pela rejeição, argumentando que o projeto é permissivo, amplo e carente de qualquer mecanismo de controle do Estado, o que poderia facilitar lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e evasão de receita. Para ele, jogo de azar teria “nefasto” impacto psíquico e sociofamiliar sobre o jogador contumaz e não produziria aumento de receita tributária nem fomentaria o turismo no Brasil.

Para o senador Benedito de Lira, “é justamente a legalização dos jogos de fortuna que acabará com os jogos clandestinos. Tornar transparente essa atividade em muito ajudará no combate à lavagem de dinheiro. A legalização também permitirá atendimento aos viciados em jogos que na clandestinidade de hoje não possuem saída alguma. Se chegar hoje em São Paulo você vai encontrar muitas casas de bingo lotadas. Lavagem de dinheiro existe hoje porque tudo é feito às escondidas”.

Para o senador Ciro Nogueira existe uma "cortina de fumaça", como se o jogo já não fosse uma realidade: “O Brasil hoje é um dos países em que mais se joga no mundo. O mercado clandestino movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano”.

Hoje, o Brasil tem uma dívida pública de 90% do produto interno bruto (PIB), o vírus chinês pela frente e jogatina do Oiapoque, no estado de Randolfo Rodrigues, ao Chuí.

A regularização do jogo de azar é discutida há quase três décadas no Congresso. Haverá sempre quem ache que o jogo é um pecado mortal. O fato é que é legal tanto em democracias como os Estados Unidos e até em ditaduras totalitárias, como em Macau, na China.

Segundo o projeto em discussão, estados com até 15 milhões de habitantes poderão ter um cassino, com licença para 30 anos; estados com entre 15 e 25 milhões poderão ter dois cassinos; e estados com mais de 25 milhões poderão ter três cassinos. Na Bahia, as cidades candidatas são Salvador e Porto Seguro. Em Santa Catarina, Camboriú. Em São Paulo, São Paulo. Em Minas Gerais, Belo Horizonte. No estado do Rio de Janeiro, o Rio, Petrópolis e Angra dos Reis.

O prefeito Fernando Jordão (MDB), de Angra dos Reis, já até começou a se mexer para flexibilizar leis ecológicas que mais entravam o desenvolvimento do que conservam o meio ambiente e receber um cassino.

O caso de Angra é especial. Paradisíaca, Angra fica no sul do estado do Rio de Janeiro, com área de 816,3 quilômetros quadrados, continental e insular, com 365 ilhas, a maior delas a Ilha Grande. Sua população é de 207 mil habitantes. Faz divisa com os municípios fluminenses de Rio Claro, Mangaratiba e Paraty, onde é realizada anualmente a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip; e com os municípios paulistas de Bananal e São José do Barreiro.

Antes da chegada dos europeus, era habitada pelos tupinambás. Uma expedição portuguesa comandada por Gonçalo Coelho chegou à região em 6 de janeiro de 1502. Como era o dia da visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus batizaram-na de Angra dos Reis, mas só começaram a colonizar a região a partir de 1556, com o nome de Vila dos Três Santos Reis, depois Vila de Angra dos Reis e finalmente Angra dos Reis.

Com mais de 2 mil praias em mar cor de esmeralda, Angra dos Reis é, provavelmente, a mais paradisíaca paisagem da Terra. Suas águas são tépidas, as areias brancas e finas, há sol praticamente o ano todo, a temperatura é tropical e não há cataclismos na região. A comida é saborosa, brasileira, e a cultura é rica, um cadinho étnico com três elementos: o europeu, o indígena e o africano.

E Angra fica por estrada, 152 quilômetros,  a duas horas do Rio, a cidade mais bonita do mundo, vitrine cultural e maior destino turístico internacional no Brasil, na América Latina e em todo o Hemisfério Sul. Segunda maior metrópole do país, com mais de 6,7 milhões de habitantes, está atrás somente de São Paulo. É a cidade brasileira mais conhecida no exterior, a Cidade Maravilhosa.

O Pão de Açúcar, o morro do Corcovado com a estátua do Cristo Redentor, as praias dos bairros de Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca, entre outras, o réveillon de Copacabana, o carnaval carioca, a bossa nova, o samba etc. etc. etc., fazem do Rio um espetáculo permanente.

Foi capital da colônia portuguesa do Estado do Brasil (1763-1815), do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), do Império do Brasil (1822-1889) e da República dos Estados Unidos do Brasil (1889-1960), quando a sede do governo foi transferida para a nascente Brasília e foi transformada em cidade-estado, Guanabara, até 1975, quando se tornou a capital do estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Wikipédia, a Baía de Guanabara foi descoberta pelo explorador português Gaspar de Lemos, em 1 de janeiro de 1502. O litoral do estado era habitado por índios do tronco linguístico macro-jê há milhares de anos. Por volta do ano 1000, a região foi conquistada por povos de língua tupi procedentes da Amazônia. Um desses povos, os tamoios, também conhecidos como tupinambás, ocupava a região ao redor da Baía de Guanabara quando os portugueses chegaram à região no século XVI.

Em 1 de novembro de 1555, franceses, capitaneados por Nicolas Durand de Villegagnon, apossaram-se da Baía da Guanabara, estabelecendo-se na ilha de Sergipe, atual Villegagnon, onde ergueram o Forte Coligny e consolidaram aliança com os índios tupinambás. Em 1 de março de 1565, tropas vindas da Bahia, sob o comando de Estácio de Sá, desembarcaram num istmo entre o Morro Cara de Cão e o Morro do Pão de Açúcar, hoje, Urca, de onde continuaram a lutar contra os franceses. Em janeiro de 1567, Estácio de Sá venceu finalmente o invasor.

A povoação na Urca foi transferida para o antigo Morro do Castelo, no atual centro da cidade, e removido em 1922 como parte de uma reforma urbanística.

Mas foi graças a um francês, Napoleão Bonaparte, que o Rio de Janeiro, e o Brasil, se desenvolveram. Bonaparte invadiu Portugal, mas antes que isso acontecesse, em 1808, a corte portuguesa se mandou para o Rio de Janeiro. Aí a história da cidade mudou de rumo.

Se o litoral do Rio tem 197 quilômetros de extensão, com mais de cem ilhas, imaginem o estado do Rio de Janeiro. Situado na Região Sudeste e se limitando ao norte e noroeste com Minas Gerais, a nordeste com o Espírito Santo, a sudoeste com São Paulo e a leste e sul com o oceano Atlântico, com área de 43.780,172 quilômetros quadrados e mais de 17 milhões de habitantes.

Além da Cidade Maravilhosa e de Angra dos Reis, o litoral do estado, com 636 quilômetros de extensão, é uma lindeza só, como, por exemplo, Armação dos Búzios e Cabo Frio. Se não bastasse, ainda há as cidades nas montanhas, como Petrópoles.

E para terminar este artigo, um pouco de curiosidade. Carioca é o gentílico da cidade do Rio de Janeiro. Mas os fluminenses, gentílico do estado, gostam também de serem chamados de cariocas. Esse adjetivo começou a ser usado durante o período colonial, do século 16 ao século 18. Os nascidos na capitania do Rio de Janeiro eram conhecidos por carioca devido ao rio Carioca, de onde a população se abastecia de água potável.

O rio Carioca é um riacho que nasce na Floresta da Tijuca, passa pelos bairros de Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e deságua na Baía de Guanabara, na Praia do Flamengo, junto à estação de tratamento de efluentes. Atualmente, a maior parte de seu curso é subterrânea.

A partir de 1783, por decreto de D. Luiz de Vasconcelos, vice-rei do Brasil, foi criado novo gentílico, “mais civilizado”, para o Rio de Janeiro: “fluminense”, do latim “flumen”, que significa “rio”.

Mas o nobre espanhol Dom Juan Francisco de Aguirre, que visitou o Rio de Janeiro em março de 1782, registrou que os naturais do Rio de Janeiro passaram a ser apelidados de “cariocas” devido ao seu deslumbramento com o Aqueduto da Carioca: “Foi esse deslumbre pelo seu aqueduto que fez com que os naturais desta cidade ficassem conhecidos como cariocas, nome da fonte de onde vem a água que abastece a região. Logo que estabelecem contato com um europeu, os cariocas apressam-se em dizer-lhe que essa água tem o poder de enfeitiçá-lo e de fazê-lo fixar residência na cidade”.

Segundo a Wikipédia, “em 1834, através do Ato Adicional à Constituição de 1824, o município do Rio de Janeiro se separou da Província do Rio de Janeiro para constituir o Município Neutro, com administração vinculada diretamente à corte imperial brasileira. Como carioca é um termo indígena, os membros da Corte optaram por intitularem-se fluminenses, tendo o termo carioca sobrevivido pelo uso popular, principalmente nas demais províncias do Império do Brasil”.

Ainda a Wikipédia: “Em 1891, após a Proclamação da República do Brasil, que ocorreu em 1889, o Município Neutro transformou-se no Distrito Federal e a província do Rio de Janeiro no estado do Rio de Janeiro. Em 1960, com a mudança da capital do país para Brasília, o antigo Distrito Federal tornou-se o estado da Guanabara, que adotou então oficialmente a designação carioca pela primeira vez para os habitantes do novo estado.

“Com a fusão do estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro, em 1975, o então estado da Guanabara passou a integrar o atual estado do Rio de Janeiro. Oficialmente, optou-se por fluminense como gentílico oficial do novo estado, reduzindo-se o gentílico carioca a gentílico municipal. Contudo, a maioria dos habitantes do estado do Rio de Janeiro prefere a designação carioca, especialmente na Região Metropolitana, Costa Verde e Região dos Lagos, de modo que desde 2000 o movimento Somos Todos Cariocas busca o reconhecimento de carioca como gentílico oficial do estado do Rio de Janeiro”.

O termo “carioca” tem origem tupi, “casa de homem branco”, pela junção de kara'iwa ou kari (homem branco) e oka (casa). Mas há controvérsias, porque não há qualquer registro de que os indígenas chamassem os europeus de “cari”.

Segundo o livro O Rio Antes do Rio, de Rafael Freitas da Silva, carioca é o nome de uma antiga aldeia tupinambá que existia no sopé do Outeiro da Glória, em uma das duas fozes do rio Carioca, no hoje bairro da Glória. A aldeia se chamava Kariók ou Karióg e foi mencionada pelo escritor francês Jean de Léry, que fez parte da expedição francesa que criou a França Antártica na região, no século 16. Segundo esta versão, carioca seria a fusão dos termos tupis kariîó (índio carijó) e oka (casa), casa de índio carijó”.

Também no século 16, os índios tupinambás teriam apelidado os portugueses de akari (peixe cascudo), por causa das armaduras dos portugueses. Na segunda expedição portuguesa à Baía de Guanabara, em 1503-1504, comandada por Gonçalo Coelho, foi construída, pelos portugueses, em uma das desembocaduras do rio Carioca, na atual Praia do Flamengo, uma casa de pedra que os índios tamoios chamaram de akari oka, “casa de homem branco”, desativada por Cristóvão Jaques, em 1516.

Havia uma tribo chamada carioca. Felisbello Freire, na sua obra História Territorial do Brazil, menciona duas tribos em guerra na localidade baiana de Toco: os Mungurus e os Cariocas.

Ainda segundo a Wikipédia, o Dicionário Aurélio indica a existência de uma etnia indígena denominada “carii”, que habitava a região da atual cidade de Niterói. Conforme esta versão, “carioca” poderia significar “casa de carii” (cariioka).

Seja lá como for, mesmo com cinco governadores do estado do Rio presos nos últimos três anos, por corrupção, e o atual afastado do cargo, também acusado de corrupção, o carioca não deixa de ter orgulho da sua história e da sua geografia abençoada por Deus.

Com a Wikipédia