terça-feira, 18 de agosto de 2020

O que é a dor? É possível extinguir a dor aguda só com acupuntura? E a dor crônica? E a causa?

O TCC de Ray Cunha na Escola Nacional de Acupuntura foi um inusitado romance

RAY CUNHA*

BRASÍLIA, 18 DE AGOSTO DE 2020 – A dor não está na matéria; está na mente. Essa observação é do filósofo japonês Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie. Para comprovar isso, ele menciona um cadáver, que não sente dor, porque a mente já se desligou do corpo. Masaharu, que estudou a fundo o budismo, também afirma que a matéria não existe, o que foi confirmado por Albert Einstein. O que existe é vibração; a matéria é apenas um estado muito acelerado dessa vibração. 

A matéria não existe. O que existe é o espírito. Mas o que é o espírito? Geralmente pensamos o espírito como a energia vital que anima o corpo físico, e também como a mente, que é a consciência, o pensamento. O espírito é o ser por excelência, a vibração divina, digamos assim. Encarnamos para evoluir o espírito, pois a matéria é o estado mais primitivo do ser; é o reflexo da dor, que pode chegar a um nível tão insuportável a ponto de desejarmos extirpar a parte da matéria onde se situa o foco da dor. 

Comecei o curso técnico de Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (Enac), em Brasília/DF, no segundo semestre de 2013. Tive excelentes professores, entre os quais o especialista em analgesia em acupuntura e terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa clássica Francisco Vorcaro, que estuda medicina chinesa em mandarim, e Ricardo Augusto Comelli Antunes, um gigante no embate pela regulamentação da profissão de acupunturista no Brasil, e que aprovou meu trabalho de conclusão de curso, um inusitado romance policial, mas com estudo de caso: o de uma jovem portadora de uma colônia de miomas, com o devido protocolo de tratamento. Terminei o curso no primeiro semestre de 2016, mas comecei a clinicar em 2014, quando ouvi falar no astrofísico e médium Laércio Fonseca. 

Desde 2000, leio avidamente os livros de Masaharu Taniguchi e, mais para a frente, Allan Kardec, Chico Xavier, André Luiz etc. Entre 2014 e 2015, comecei a ouvir palestras proferidas por Laércio Fonseca no YouTub, além de frequentar a casa do meu amigo Jorge Bessa, espiritualista, ufologista, acupunturista, psicanalista, ex-chefe da contraespionagem do estado brasileiro, autor de mais de uma dezena de livros, que vão de acupuntura à política, de ufologia à espionagem. Também, sou atento à psicóloga Josiane Souza Moreira Cunha, especializada em pacientes oncológicos e em cuidados paliativos, e minha esposa. Isso me norteou como acupunturista. 

Norteou-me da seguinte maneira: talvez o melhor exemplo que posso dar é o de um paciente que atendi no Centro Espírita André Luiz (Ceal), no Guará I, onde, nas manhãs de domingo, uma equipe coordenada pelo acupunturista e jornalista José Marcelo Santos realiza trabalho voluntário em acupuntura e massoterapia. A ficha desse paciente já estava massuda; acho que ele havia passado por todos os terapeutas da equipe. Mas, naquela manhã, eu já vinha desenvolvendo o que eu chamo de acupuntura espiritualista. 

O paciente sofrera de câncer no intestino grosso, que fora extirpado, e vinha baixando hospital toda semana, pois tudo o que comesse lhe causava diarreia. Disse-lhe que, na verdade, seu intestino grosso continuava intacto. Ele me olhou incrédulo. Expliquei a ele que somos espíritos, compostos de várias camadas, chamadas de corpos; que o corpo material é a ponta do iceberg; que, ao se remover um órgão do corpo físico, ele permanece no duplo etério, que faz a ligação do corpo material com o perispírito, ou corpo astral. A prova disso, disse-lhe, é que, por exemplo, uma pessoa pode sentir coceira em um membro extirpado. Ele começou a entender. 

Aí, disse-lhe que o meridiano do seu intestino grosso, composto de um total de 20 acupontos, estava ali, intacto, e que eu iria fazer uma limpeza energética nele, por meio da acupuntura. Fiz isso, além de tonificar seu baço e de lhe fazer algumas recomendações em termos de alimentação. No domingo seguinte voltei a atendê-lo; ele não baixara hospital. Três meses depois ele mesmo pediu alta, bonzinho do problema digestivo. 

O filósofo, físico e matemático renascentista francês René Descartes, ou Renatus Cartesius, foi um dos gênios da Humanidade, um avatar. Para ele, a glândula pineal seria a sede da alma. Também conhecida como conarium ou epífise cerebral, a pineal, em forma de pinha, é uma pequena glândula endócrina encontrada no centro do cérebro dos vertebrados. Produz melatonina, um derivado da serotonina, que modula os padrões de sono. Os exotéricos a chamam de o terceiro olho, ou sexto chakra, Ajna, situado entre as sobrancelhas, o equivalente, em acupuntura, ao Yintang, um acuponto que, segundo Ysao Yamamura, acalma o espírito e clareia a mente, combatendo ansiedade, insônia, medo, vertigem, cefaleia e epistaxe. 

Minhas pesquisas mostraram que a pineal é a conexão do duplo etério, ou seja, é por onde o perispírito se conecta com o corpo físico. Vi também que o perispírito, ou corpo astral, é a sede das emoções, e é nas emoções que se situa a causa de todas as doenças. Então, quando acolhemos um paciente, a primeira coisa que se faz é extirpar a dor física, aquela que já passou para seus neurônios, e só depois lhe perscrutamos a alma. 

À medida que mergulho nesse tipo de trabalho que venho desenvolvendo sinto crescer em mim uma percepção extra-sensorial. Para mim, está claro como o sol do trópico que os mortos estão entre nós, os vivos. Não os vemos porque sua matéria é sutil e não refletem a luz, para que nossos olhos os decodificassem. Aqui, entre os vivos, é como se vestíssemos um escafandro e mergulhássemos no mar, para o aperfeiçoamento moral. E é nessa caminhada que sentimos dor. 

Para a Associação Internacional para o Estudo da Dor, “a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada ao dano tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tais danos”. Para o acupunturista, a dor é um sintoma. Afirmo que até a causa de um acidente é emocional. Como nada é por acaso, o acidente serve para chamar a atenção, e causa dor, que é um pedido de socorro, um berro, o grito. E é isso que lota as clínicas. Geralmente os pacientes são estupidificados de drogas, inclusive comida, na esperança de mitigar o latejar da dor, a agulhada da dor, até a dor mais profunda, mais insuportável, a loucura, o desequilíbrio da mente. 

A causa da dor está sempre nas emoções. Atendi uma paciente idosa que perdeu seu filho ainda adolescente por suicídio. Desde então, ao longo de décadas, ela passava os dias pensando nele, em um resgate inútil do passado, que poderia ser tão feliz. Quando a atendi ela já se tratava de um câncer no seio direito, o ponto onde o sofrimento causado pela perda absurda a atingiu na matéria. Câncer, para nós acupunturistas, é excesso de Yang e umidade, e tratamos isso, mas nela, tratei também do seu corpo astral, seriamente desequilibrado pela emoção avassaladora que portava. 

Corpo físico, ou soma, do grego, são apenas os tecidos da matéria. Assim, quando atendo os pacientes, a primeira e imediata investigação é sobre a dor, aquela manifestada no corpo físico e que, de alguma maneira, já o desfigurou, pois a dor é um sintoma corrosivo, que vai depauperando a matéria, até torná-la, embora ainda animada, um bolor monstruoso. Vi, certa vez, um amigo meu que tivera seu corpo todo cortado para extirpar câncer em metástase, que virara um Frankenstein, e, claro, faleceu em pouco tempo. Hoje, não se faz mais isso; o tratamento é mais voltado para a compreensão do paciente de que há uma cidade astral à sua espera. É claro que os psicólogos que trabalham junto aos médicos oncologistas se comunicam em termos científicos.

Se não houver recurso médico e tivermos que tratar de uma vítima do vírus chinês, por exemplo, sofrendo com falta de ar e dor de cabeça, não importa se sabemos que o vírus chinês é uma limpeza promovida pelo mundo espiritual, o que vamos fazer é tirar a dor do paciente e tentar o resgate da sua saúde. Podemos fazer a limpeza do meridiano do pulmão e tonificar os canais do coração e do baço, para purificar o sangue. E o Yintang, o vaso governador 20 e o circulação sexo 17 são sempre importantes, para abrir as janelas da alma.

RAY CUNHA é autor dos romances JAMBU e FOGO NO CORAÇÃO

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