sábado, 21 de dezembro de 2019

Jornalista investiga o tráfico de crianças e mulheres para escravidão sexual e a presença de ETs na Amazônia, durante o Festival de Gastronomia do Pará e Amapá

Edição da amazon.com

BRASÍLIA, 21 DE DEZEMBRO DE 2019 – Festival de Gastronomia do Pará e Amapá, no monumental Hotel Caranã, no bairro do Pacoval, em Macapá/AP. É julho, mês de férias de verão na Amazônia. O editor da revista Trópico Úmido, João do Bailique, está escrevendo uma edição especial sobre a Hileia, além de investigar o tráfico de crianças e mulheres para escravidão sexual.

Entre as matérias que serão publicadas está a Operação Prato, a maior aparição de ovnis e ETs já registrada no Brasil, no caso pela Aeronáutica, e que se deu na costa do Pará. O que é que os ETs queriam? De onde vieram? João do Bailique dá as respostas.

No caso de uma terceira guerra mundial, que papel a Amazônia teria? Resistiria a uma hecatombe nuclear? Seria ocupada pelos americanos? Também João do Bailique investiga essa questão, bem como analisa a soberania do Brasil sobre a região.

Enquanto isso, nos salões do Hotel Caranã, são servidos pratos da mais saborosa e nutritiva culinária do planeta: a paraense.

Essa história se passa no romance JAMBU (Clube de Autores e amazon.com, Brasília, 2019, 190 páginas), de Ray Cunha, escritor, jornalista e terapeuta em medicina tradicional chinesa, de Macapá/AP, e que mora atualmente em Brasília/DF. Em JAMBU, o leitor conhecerá a Amazônia profunda, aquela capaz de resistir até a um bombardeio atômico, e entenderá o que foi a Operação Prato e a Data-Limite, de Chico Xavier.

Você pode adquirir JAMBU nos sites do Clube de Autores e da amazon.com.br

Edição do Clube de Autores

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Depois do infarto

Anjos: Minha princesa, Iasmim; tia Graça; eu e minha gata, Josiane Souza Moreira
Genro, Eduardo Yamamoto Moriya, e Iasmim

BRASÍLIA, 11 DE DEZEMBRO DE 2019 – A vida fica mais lenta após o infarto do miocárdio, e sentimos um pé no vazio e no silêncio. Como o coração é o órgão que digere os sentimentos, advém uma sensação de fim de linha, logo superada, quando nos lembramos das rosas e do mar. Depois do infarto não há mais urgência, e nos apegamos ainda menos a tudo. E quando tudo passa, logo depois daquela dor pungente, nem os livros que escrevemos nos importam mais, até porque eles não são mais nossos; são de quem os ama. Será que alguém ama alguma das histórias que criei? Creio que não. Talvez ame um verso, ou só o título de um conto, quando muito. Mas que importa, agora, depois do infarto?

As dores começaram há muito tempo, alimentadas por exageros inacreditáveis, mas dos quais não me arrependo, porque o passado não existe. Como, não existe? Alguém pode provar que o passado existe? Só existe o agora, e agora estou escrevendo este texto sobre o passado. Então, o passado é só isto: um texto. A primeira estrela explodiu na madrugada de 12 de novembro. Fui a nocaute. Mas não estava mais raciocinando direito, e pensei que fossem prosaicos gases. De manhã, fui caminhar, com minha gata, Josiane, no Parque da Cidade, mas me faltou ar e voltei para casa. Minha gata queria me levar imediatamente para o pronto socorro, mas resisti.

À tarde, fui ao supermercado, parando no caminho todo. Já não raciocinava mais. Na madrugada do dia 13, uma quarta-feira, as estrelas começaram a explodir, uma a uma. Enquanto minha gata chamava o Uber, peguei uma agulha de acupuntura e furei meus dedos dos pés para sangrá-los, aliviar a tensão e chegar a tempo no Hospital Brasília, no Lago Sul. Quando chegamos, enquanto minha gata cuidava da papelada, entrei na sala do clínico geral para ele preencher a papelada dele. Então gritei, o mais alto que pude: – Estou sofrendo um infarto!

Para ver como são os hábitos. Em vez de usar o neologismo “infartar”, mais direto, rápido, disse que estava sofrendo um infarto. Mas surtiu efeito. O clínico geral renunciou à anamnese, me pôs numa cadeira de rodas e minha gata levou-me para a antessala de cirurgia, onde uma equipe médica se reuniu. Uma enfermeira perguntou o que eu estava sentindo. – Infarto! – gemi.

Eram 5 horas, a mesma hora de quando eu nasci, quando o dr. Fabio Feurharmel Giuseppin começou a intervenção. Apaguei. O dr. Fabio introduziu por meio de um cateter na artéria do braço direito um stent na desembocadura da principal artéria do coração, que estava entupida. Aí, fui levado para a UTI.

Passei a quarta-feira enjoado. Quase não comi nada, e vomitei. No dia seguinte, amanheci com fome, tomei banho e caminhei pelos corredores do hospital ao lado de uma enfermeira bonita como uma modelo, de modo que quando o dr. Fabio foi me visitar me encontrou rindo e inventando que tentei fugir do hospital, de camisola, mas fui identificado e detido no outro lado da rua e conduzido para a UTI.

Mais tarde, inventei que à meia-noite um paciente internado na UTI arrancou todos os fios ligados a ele e foi à lanchonete, onde pediu 10 quibes e um litro de Coca-Cola, aí, foi agarrado e descobriram que se tratava de um gorila, pet de um sujeito que adorava o gorila e não queria interná-lo numa clínica veterinária. Então me alertaram que os enfermeiros poderiam ouvir aquelas histórias e pensarem que eu estivesse louco, e eu acabasse na ala dos alienados. Fazia sentido.

Sexta-feira, comecei a sentir tédio, e fui informado de que quanto mais eu caminhasse, mais cedo receberia alta. Então, na companhia de um enfermeiro tão jovem que parecia um garoto, andamos por todo o jardim, que tem um lago cheio de carpas e tilápias e quatro mangueiras. No mesmo dia, pedi para deixar a UTI e sábado de manhã fui para um apartamento. Domingo, eu estava inquieto. Quando o médico do dia, dr. Samuel Abner da Cruz Silva, chegou, conversei com ele e depois de me examinar e fazer várias perguntas, convenceu-se de que eu estava realmente bem, e me deu alta. Voltei para casa.

Aos poucos, volto a sentir os rumores do Sudoeste, do quarto andar do meu prédio, e o cheiro do Parque da Cidade, a sentir a pele da minha gata quando a madrugada é a única coisa que existe no mundo, e voltei a percorrer minha estante, a voltar a trabalhar em um novo livro e a sair de vez em quando. Depois do infarto, basta a lembrança dos que amamos para que nos sintamos o homem mais forte do mundo, o mais rico, mais feliz.

Depois do infarto, sinto, urgentemente, que nada é mais importante do que amar, pois o amor a tudo aplaca e cura, e que devemos ser felizes, pois o riso e o perdão são pepitas de luz que depositamos no coração dos que nos amam. E é por eles, os que nos amam, que devemos superar o infarto, e, quando for a hora, partir discretamente, sem que ninguém perceba, para as estrelas. E já sei como é lá, devido às orações que recebi!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

A vida se passa em uma crônica de Fernando Canto, em uma tela de Olivar Cunha, em um conto de Hemingway, em um romance de Fitzgerald, em um bate-papo com meu pai

Olivar Cunha, Ray Cunha e Josiane Souza Moreira Cunha: agora é a eternidade

Edição da amazon.com
BRASÍLIA, 5 DE DEZEMBRO DE 2019 – No primeiro volume dos 40 livros fundamentais da Seicho-No-Ie, Masaharu Taniguchi desenvolve uma teoria interessante: em uma década e meia todas as células do corpo humano são renovadas, de modo, que, a rigor, tem-se um novo corpo em relação há 15 anos. Mas continuamos sentindo as mesmas coisas. Logo, entre A e B, existe algo que subsiste, algo essencial, presente.

Há 2.500 anos, os budistas já sabiam que a matéria não existe, e, no início do século passado, um cientista, judeu-alemão, Albert Einstein, teorizou esse conhecimento. Hoje, sabe-se, cientificamente, que não existe matéria. O que há são vibrações, que, para fins de estudo, são denominadas prótons, elétrons e nêutrons, e vazios imensos. Essas vibrações formam átomos, que formam moléculas, que formam energia densa, ou seja, matéria. No caso do corpo humano, as células, tijolos da carne, são formadas por átomos, e animadas pela vida.

Edição do Clube de Autores
Desde Alan Kardec, no século 19, e depois, a partir de 1947, com a aparição cada vez mais comum de discos voadores e ETs, bem como da hoje numerosa literatura psicografada por médiuns, só mesmo cientistas empedernidos, como Stephen Hawking, afirmam que tudo é matéria e que não existe nenhum plano além da matéria, a qual, para eles, surgiu de um tal de big-bang, há 15 bilhões de anos, e também que nós, seres humanos, surgimos de uma célula que adquiriu vida sabe Deus como, se multiplicou, e, milhões de anos depois, evoluiu até formar o cérebro humano tal como o conhecemos hoje.

Cientistas há que já sabem que nós, seres humanos, somos espíritos, criaturas de outros planos, além da matéria, assim como inúmeras raças que habitam o Universo, e que encarnamos para obter a experiência da matéria e evoluir mais rapidamente, pois neste plano tudo muda a todo instante e somos cercados de limitações, inclusive a da morte carnal. Mas no império da lei, que é a vida, tudo no Universo avança, nada retrocede, e não há passado, nem futuro. A eternidade é agora.

O espírito é uma expressão da Vida, e, quando encarna, utiliza-se de um corpo ao qual podemos chamar de perispírito, ou corpo astral, ou, para ser acadêmico, psicossoma, que se conecta com a hipófise, ou pituitária, e esta ao cérebro, para que o espírito possa utilizar o corpo carnal, uma espécie de escafandro usado para a caminhada sob a força de gravidade da Terra.

Assim, nessa caminhada, só existe o agora e o agora, o momento mesmo da vida. Nostalgia, remorso, sentimento de culpa, ansiedade, angústia, são sentimentos deslocados do presente e que remetem ao medo, e o medo corrói o períspirito e se reflete no corpo carnal em doenças, como câncer.

Então, todos buscam viver o agora e o agora, o momento mesmo da vida, a liberdade do espírito, que não adoece, que não arrasta um corpo material e que pode ir para aonde quiser. Masaharu Taniguchi prega que podemos atingir esse estado aqui e agora, no mundo cármico. Acontece de turistas ocidentais irem à Índia e observarem monges, cercados de miséria, meditando à margem do poluído rio Ganges. Mas ali, só está o corpo carnal dele. Onde estará seu espírito? Talvez nem na Via Láctea, mas a bordo de uma nave rumo à Hidra-Centauro.

A vida é um tesão, como disse Olivar Cunha. E só podemos ter a noção do agora e o agora, a alegria de viver, a intensidade, o voo vertiginoso da luz, quando amamos. Amar é quando percebemos o azul, quando avançamos no misterioso labirinto da mulher amada, quando crianças riem na manhã, em meio a zínias e rosas, quando a sensação do primeiro beijo nos transporta para a eternidade. E só amamos pelo desapego. Não tenho apego a nada, nem a mim mesmo; este é o segredo da velocidade superior a da luz, a do elétron.

Antes de escrever o romance A CASA AMARELA, passei anos sonhando, de forma recorrente, o mesmo sonho: planava, mesmo sem ter asas, sobre a casa da minha infância, que era amarela, e sobre jardins imensos de zínias multicoloridas e rosas vermelhas. Então comecei a criar uma história, e quando a concluí, nunca mais sonhei com a casa amarela. Na história que criei há um portal, o Quartinho, onde escritores, personagens de ficção e pessoas vivas e mortas se reúnem. Ali, a vida é para sempre, como uma crônica de Fernando Canto, uma tela de Olivar Cunha, um conto de Hemingway, um romance de Fitzgerald, um bate papo com João Raimundo Cunha, meu pai.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A vida é um tesão, como cheiro de mulher nua

Tudo o que quero é comparecer ao encontro marcado com a mulher amada

Ernest Hemingway e meu pai, João Raimundo Cunha, tinham 61 anos quando partiram para o éter. Sei como as coisas são nessa idade. Nós três nos encontramos no Quartinho da Casa Amarela, portal onde vivos e mortos confabulam numa festa sem fim. Hemingway gosta do balcão do bar; papai prefere o quintal. E eu curto intensamente tudo o que tenho.

Aos 21 anos, perdi-me, durante décadas, em um emaranhado de labirintos, até descobrir que estivera andando em círculos. Hoje, caminho melhor nesse mergulho, guiado pela experiência da longa caminhada. Meus sentidos, inclusive o sexto, estão encharcados de espilantol, meu corpo denso começa a desaparecer e me sinto flutuando no éter.

Tantas coisas me proporcionam prazer intenso: ver as pessoas que amo, ouvir o som da Terra no espaço, a madrugada, riso de crianças, Mozart, gemidos da mulher amada, ler, dormir, meditar, andar à toa, especialmente em grandes livrarias, tomar tacacá, montar a luz, sentir cheiro de mulher nua. O tempo vai deixando de existir, dilui-se, o passado são cinzas atiradas ao mar, e não há amanhã, só há o agora eternizando-se.

Erguer universos com palavras tem sido isso que me sustenta, e que me faz enxergar a nudez das rosas e o mistério que as mulheres exalam, nunca desvendado, porque eterno. Sou dono de tesouros imensos, de valor inestimável, pois desenvolvi a capacidade de sentir o voo da luz, o cheiro mar e o choro dos jasmineiros, nas tórridas noites do mundo, em agosto, e em todos os meses. Tenho telas de Olivar Cunha e sinto a presença das rosas que Isnard Brandão Lima Filho ofertou para a madrugada. E sou capaz, como um mágico, de aliviar dores com agulhas.

Não desejo mais descobrir ouro no morro do Salamangone, Serra Lombarda, município de Calçoene, no estado do Amapá, nem escalar o Pico da Neblina, nem pilotar um Boeing 777, nem praticar kendo, nem saltar de paraquedas, nem de mergulhar no coração das trevas da Amazônia. Basta-me a companhia de Hemingway, ou de Gabriel García Márquez, ou de Vargas Llosa, ou de Machado de Assis, ou de Rubem Fonseca, para viajar por mundos insuspeitos. Se não posso mais beber Cerpinha enevoada no quarto de um hotel, no sétimo andar, sei que na hora de ser enforcado sou salvo e durmo com a princesa.

Tudo o que quero agora é comparecer ao encontro marcado com a mulher amada, criar universos, sentir a noite, como um navio iluminado, embriagar-me com o perfume das virgens ruivas, ouvir o som da madrugada, sentir a presença do mar, do trópico, do sol das oito no rosto, diluir-me no acme e reaparecer no azul.