sexta-feira, 14 de março de 2014

NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É, NOVO LIVRO DE RAY CUNHA, ESTÁ À VENDA NA LIVRARIA SEBINHO E NO SITE DA LER EDITORA

Jozef Smets, embaixador da Bélgica, Ray Cunha e Milena Smit,
embaixadora da Eslovênia, no lançamento do livro Na Boca
do Jacaré-Açu  A Amazônia Como Ela É, dia 12, no Sebinho






















MARCELO LARROYED*


BRASÍLIA, MARÇO DE 2014 – Quem mora em Brasília pode adquirir o novo livro de Ray Cunha, Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e restaurante na 406 Norte, Bloco C; pedidos de qualquer região do planeta, incluindo o Distrito Federal, deve ser feito pelo endereço eletrônico www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda diretamente na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Ray Cunha estará apresentando conto vivo e autografando três livros no stand do Chico Livreiro na Bienal Brasil do Livro e da Leitura, de 12 a 21 de abril, na Esplanada dos Ministérios: Na Boca do Jacaré-Açu; Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas, R$ 30); e O Casulo Exposto (LGE/LER Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 28).

Ray Cunha é ainda autor do romance A Casa Amarela e da novela A Caça, ambos pela Editora Cejup, de Belém; e do volume de poemas Sob o Céu Nas Nuvens (Belém, 1982). Estreou com a coletânea de poemas Xarda Misturada (Macapá, 1971), juntamente com José Edson dos Santos e José Montoril. Para o jornalista e escritor Maurício Melo Júnior, que apresenta o programa Leituras na TV Senado, o escritor amapaense representa a moderna literatura amazônica, “temperada em um bom caldo de tucupi”.

Na Boca do Jacaré-Açu é o terceiro volume da trilogia de contos que começou com A Grande Farra (edição do autor, Brasília, 1992, 153 páginas, esgotada) e prosseguiu com Trópico Úmido. A espinha dorsal da trilogia é a Amazônia, tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica da Amazônia, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva e autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, que acaba sendo personagem subjacente no conjunto dos contos, e a quem o autor dedica o livro (Cidades são como mulheres. Este livro é para Santa Maria de Belém do Grão Pará). Algumas histórias têm sequências na maior feira livre da Ibero-América, o Ver-O-Peso, que aparece em fotomontagem na capa desta edição, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo, único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra, apesar de que a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu, representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – observa o escritor.

“Sou caboco (sic) de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – define-se Ray Cunha, que mora em Brasília, onde trabalha como repórter do Portal do Holanda (o mais lido da Amazônia e vigésimo do país entre os sites auditados pelo Instituto de Verificação de Circulação – IVC) e estuda Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc).

SEGUE-SE ENTREVISTA COM O AUTOR

Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?
Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?
Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros, são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?
Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém do Pará, a quem eu dedico o livro; algumas delas têm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do planeta, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?
Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?
Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas e jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?
Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.
Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como a uma certa noite em que nos dedicamos e mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.

Contato do escritor: raycunha@gmail.com



*MARCELO LARROYED é mestre em língua portuguesa e escritor

quarta-feira, 12 de março de 2014

PRESERVE ADISTRIBUI MUDAS DE PLANTA NO LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE RAY CUNHA: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É

Ray Cunha, fotografado pelo artista plástico André Cerino,
no ateliê do pintor, em dezembro passado
















MARCELO LARROYED*


BRASÍLIA, 12 DE MARÇO DE 2014 – A Preserve Amazônia distribuirá mudas de plantas no lançamento do novo livro do escritor amazônida radicado em Brasília, Ray Cunha, o volume de contos Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), nesta quarta-feira 12, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e restaurante na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve e da Proativa Comunicação. Será servido coquetel. O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Fundada em março de 2006, a Preserve, sediada em Brasília, vem realizando incansável trabalho de conscientização junto à bancada da Amazônia no Congresso Nacional, e de governadores e prefeitos do Trópico Úmido, que se empenham pelo desmatamento zero da Hileia. A Preserve fica na Estrada do Sol, Fazenda Jardim Botânico, Chácara 5, numa área de 28 hectares no bairro Jardim Botânico e onde se localiza o córrego Forquilha, um dos afluentes da Bacia do rio São Bartolomeu. O terreno conta com viveiro de espécies arbóreas com capacidade para 12 mil mudas, destinadas a projetos de reflorestamento.

Na Boca do Jacaré-Açu; Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas, R$ 30); e O Casulo Exposto (LGE/LER Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 28) serão autografados na Bienal Brasil do Livro e da Leitura, de 12 a 21 de abril, em Brasília, no stand do Chico Livreiro, quando Ray Cunha apresentará conto vivo. Os três livros serão autografados ainda em Manaus, em data a ser definida.

O novo livro de Ray Cunha, Na Boca do Jacaré-Açu, enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, o Portal da Amazônia, que perpassa todos os contos e acaba sendo personagem subjacente, a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências no Ver-O-Peso, maior feira livre da Ibero-América, que aparece em fotomontagem na capa desta edição, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo e único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar disso, a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande monstro amazônico; atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – adianta o escritor.

AMAZÔNIA – Na Boca do Jacaré-Açu integra uma trilogia de contos com tema comum: A Amazônia Como Ela É, subtítulo do livro Na Boca do Jacaré-Açu. A edição do primeiro volume da trilogia, A Grande Farra (Brasília, 1992), está esgotada. Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (Brasília, 2000) é o segundo volume da trilogia, que se fecha com Na Boca do Jacaré-Açu. A Amazônia é a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nos seus contos. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica do Trópico Úmido, autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – diz Ray Cunha, utilizando a corruptela “caboco”. Além de ser caboclo, Ray Cunha trabalhou como repórter nos maiores jornais da Amazônia, como O Liberal e Diário do Pará, em Belém, e ACrítica, em Manaus. Em Brasília, onde vive desde 1987, é correspondente do Portaldo Holanda.

Ray Cunha é ainda autor do romance A Casa Amarela e da novela A Caça, pela Editora Cejup, de Belém; e do volume de poemas Sob o Céu Nas Nuvens (Belém, 1982). Estreou com a coletânea de poemas Xarda Misturada (Macapá, 1971), juntamente com José Edson dos Santos e José Montoril. Para o jornalista e escritor Maurício Melo Júnior, que apresenta o programa Leituras na TV Senado, o escritor amapaense representa a moderna literatura amazônica, “temperada em um bom caldo de tucupi”.

SEGUE-SE ENTREVISTA COM O AUTOR DE NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É

Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?

Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?

Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?

Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém, conhecida como Cidade das Mangueiras, Cidade Morena, Portal da Amazônia, a quem dedico o livro; algumas histórias contêm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do mundo, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?

Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?

Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas, e, jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?

Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.

Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como certa noite em que nos dedicamos a mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.


*MARCELO LARROYED é escritor e mestre em língua portuguesa, revisor do trabalho de Ray Cunha

sábado, 8 de março de 2014

RAY CUNHA LANÇA NOVO LIVRO NESTA QUARTA-FEIRA NO SEBINHO: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É

Ray Cunha: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU,
mais um round que chega ao fim


MARCELO LARROYED*


BRASÍLIA, 8 DE MARÇO DE 2014 – O escritor e jornalista amazônida radicado em Brasília, Ray Cunha, lança novo livro, Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), quarta-feira 12, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e restaurante na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve Amazônia e da Proativa Comunicação. Será servido coquetel. O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É; Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas, R$ 30); e O Casulo Exposto (LGE/LER Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 28) serão autografados também na Bienal Brasil do Livro e da Leitura, de 12 a 21 de abril, em Brasília, no stand do Chico Livreiro, quando Ray Cunha apresentará conto vivo. Os três livros serão autografados ainda em Manaus, em data a ser definida. Correspondente em Brasília do Portaldo Holanda (o mais lido da Amazônia e o vigésimo do país, entre os portais de notícias auditados pelo Instituto Verificador de Circulação – IVC), Ray Cunha começou a carreira jornalística em Manaus, onde trabalhou no Jornal do Commercio, no extinto A Notícia e em A Crítica, na década de 1970.

Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, o Portal da Amazônia, que perpassa todos os contos e acaba sendo personagem subjacente, a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências no Ver-O-Peso, maior feira livre da Ibero-América, que aparece em fotomontagem na capa desta edição, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo e único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar disso, a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande monstro amazônico; atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – adianta o escritor.

AMAZÔNIA – Na Boca do Jacaré-Açu integra uma trilogia de contos com tema comum: A Amazônia Como Ela É, subtítulo do livro Na Boca do Jacaré-Açu. A edição do primeiro volume da trilogia, A Grande Farra (Brasília, 1992), está esgotada. Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (Brasília, 2000) é o segundo volume da trilogia, que se fecha com Na Boca do Jacaré-Açu. A Amazônia é a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nos seus contos. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica do Trópico Úmido, autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – diz Ray Cunha, utilizando a corruptela “caboco”. Além de ser caboclo, Ray Cunha trabalhou como repórter nos maiores jornais da Amazônia. Além do Jornal do Commercio, A Notícia e A Crítica, de Manaus, trabalhou em O Liberal, Diário do Pará e no extinto O Estado do Pará, em Belém; e no extinto A Gazeta do Acre, além de colaborar com o Varadouro, ambos editados pelo jornalista Elson Martins, em Rio Branco. Em Brasília, onde vive desde 1987, assinou, durante quatro anos, a coluna Enfoque Amazônico no portal ABC Politiko.

Ray Cunha é ainda autor do romance A Casa Amarela e da novela A Caça, pela Editora Cejup, de Belém; e do volume de poemas Sob o Céu Nas Nuvens (Belém, 1982). Estreou com a coletânea de poemas Xarda Misturada (Macapá, 1971), juntamente com José Edson dos Santos e José Montoril. Para o jornalista e escritor Maurício Melo Júnior, que apresenta o programa Leituras na TV Senado, o escritor amapaense representa a moderna literatura amazônica, “temperada em um bom caldo de tucupi”.

Segue-se curta entrevista com o autor de Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É.

Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?

Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?

Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?

Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém, conhecida como Cidade das Mangueiras, Cidade Morena, Portal da Amazônia, a quem dedico o livro; algumas histórias contêm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do mundo, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?

Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?

Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas, e, jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?

Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.

Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como certa noite em que nos dedicamos a mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.


*MARCELO LARROYED é escritor e mestre em língua portuguesa, revisor do trabalho de Ray Cunha

quarta-feira, 5 de março de 2014

RAY CUNHA LANÇA NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É, NESTA QUARTA-FEIRA 12, NO SEBINHO

Ray Cunha folheia NA BOCA DO JACARÉ-AÇU em foto
do artista plástico André Cerino. Ao fundo, acrílica
sobre tela da fase Cerrado, de Cerino


MARCELO LARROYED*


BRASÍLIA, 5 DE MARÇO DE 2014 – O escritor amazônida radicado em Brasília, Ray Cunha, lança novo livro, Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), quarta-feira 12, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e restaurante na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve Amazônia e da Proativa Comunicação. Será servido coquetel.

O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda diretamente na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, que acaba sendo personagem subjacente no conjunto dos contos, e a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências na maior feira livre da Ibero-América, o Ver-O-Peso, que aparece em fotomontagem na capa desta edição, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo, único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra, apesar do que a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, só perdendo para a sucuri, e que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu, representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – adianta o escritor.

Na Boca do Jacaré-Açu é o segundo volume de contos que se encaixam no contexto do subtítulo do livro: A Amazônia Como Ela É. No primeiro volume, Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas), a Amazônia é também a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nas histórias. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica do Trópico Úmido, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva e autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – define-se Ray Cunha, que mora em Brasília, onde é correspondente do Portal do Holanda (o mais lido da Amazônia e vigésimo do país, segundo o último ranking entre os sites auditados pelo Instituto de Verificação de Circulação – IVC) e estuda Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc).

SEGUE-SE BREVE ENTREVISTA – Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?

Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?

Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros, são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?

Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém do Pará, a quem eu dedico o livro; algumas delas têm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do planeta, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?

Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?

Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas e jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?

Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.

Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como a uma certa noite em que nos dedicamos e mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.


SERVIÇO

Lançamento do livro Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É
Onde: Sebinho, na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72
Quando: Quarta-feira 12 de março
Horário: A partir das 18h30
Será servido coquetel
Apoio: Preserve Amazônia e Proativa Comunicação
Contato de Ray Cunha: raycunha@gmail.com


*MARCELO LARROYED é mestre em língua portuguesa e escritor

domingo, 2 de março de 2014

AMAZONÊS, LÍNGUA BRASILEIRA E TRÓPICO, INCLUSIVE O ÚMIDO

O artista plástico amapaense Olivar Cunha e a acrílica sobre
tela de 2005 Baixadapaisagem comum na periferia
das metrópoles da Amazônia, como Manaus e Belém


BRASÍLIA, 28 DE FEVEREIRO DE 2014 – Na letra de Amazonês o compositor e cantor Nicolas Júnior utiliza palavras como “maninha, leso, triscar, ralhava”, só conhecidas na Amazônia, mas disponível na internet. A comunidade Eu Falo Amazonês, no Facebook, registrava, até às 11h39 de de 28 de fevereiro, 65.397 curtidas. No Youtube, o humorista amazonense Abdias, O Cabucão, registrava, às 11h28 de hoje, 995.471 visualizações do vídeo Vou Cagar nas Calças, paródia de Gangnam Style, do coreano Psy.

Para Sérgio Freire, doutor em linguística e pesquisador do falar amazonense, os manauaras sofrem três influências: indígena, portuguesa e nordestina. O índio é autóctone, os lusitanos chegaram ao Amazonas na primeira metade do século 16 e os nordestinos, no ciclo da borracha. “Temos a herança fonológica dos sons do português de Portugal, por isso que chiamos ao puxarmos o s. Também recebemos influência dos nordestinos, que vieram para cá como soldados da borracha na década de 40; e, por fim, a influência muito grande da linguagem indígena, com suas expressões. Nossa matriz oral vem daí, em maior ou menor grau” – explica Freire, autor de Amazonês, que lista expressões regionais, especialmente tupis.

O amazonês é apenas uma peça da língua brasileira, que, cada vez mais, se impõe no planeta, levando para as regiões frias, que antes sediavam a metrópole, a riqueza cultural e a alegria dos trópicos, por meio da literatura, da tecnologia e do trabalho. Tudo começou na região ocidental da Península Ibérica, há 300 anos antes de Cristo, com os soldados romanos e seu latim vulgar. No ano 500 da era cristã, o Império Romano começou a desabar, mas deixava várias línguas, variantes do latim. O português escrito começou a ser utilizado, em documentos, no século IX; no século XV, já se tornara língua literária.

Desde os romanos, havia duas províncias na região em que se formou a língua portuguesa: Lusitânia, hoje Portugal, e, ao norte, Galécia, Galícia para nós, brasileiros. O Império Romano conquistara a região ocidental da Península Ibérica, criando as províncias da Lusitânia e da Galécia, equivalentes, hoje, ao centro-norte de Portugal e à província espanhola da Galícia, a noroeste da Espanha, nas quais se começou a falar latim vulgar, do qual nasceram as línguas neolatinas e 90% do léxico, ou dicionário, da língua portuguesa. Os únicos vestígios das línguas nativas dessa região dormem na toponímia da Galícia e de Portugal.

Entre 409 e 711, o Império Romano entrava em colapso e a Península Ibérica era novamente invadida, agora por povos de origem alemã – suevos e visigodos –, que os romanos chamavam de bárbaros. Entretanto, os novos invasores absorveram a língua romana da península. Devido ao fato de que cada uma das tribos bárbaras falava latim à sua maneira, o resultado foi a formação do galaico-português, ou português medieval, o espanhol e o catalão.

Em 711, a península foi invadida pelos mouros, de língua árabe, oriundos do norte da África. O árabe foi utilizado, então, como língua administrativa nas regiões conquistadas, mas a população continuou a falar latim vulgar. Em 1249, os mouros foram expulsos, mas deixaram grande número de palavras árabes, especialmente relacionadas à culinária e à agricultura, sem equivalente nas demais línguas neolatinas, além de nomes de locais no sul de Portugal, como Algarve e Alcácer do Sal. Muitas palavras portuguesas que começam por “al” são de origem árabe.

O mais antigo documento latino-português de que se tem conhecimento é a Carta de Fundação e Dotação da Igreja de S. Miguel de Lardosa, datada de 882. O Testamento de Afonso II, de 1214, é o texto em escrita portuguesa considerado mais antigo. Esses documentos estão guardados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.

O vernáculo escrito passou, gradualmente, para uso geral a partir do fim do século XIII. Portugal se tornou país independente em 1143, com o rei Dom Afonso I. Em 1290, o rei Dom Dinis criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa – Estudo Geral – e decretou que o português, então chamado “linguagem”, substituísse o latim no contexto administrativo.

Em 1296, a língua portuguesa foi adotada pela Chancelaria Real. A partir daí, o galego-português passou a ser utilizado também na poesia. Já em meados do século XIV, o português alcançara tradição literária. Nessa época, os nativos da Galícia começaram a ser influenciados pelo castelhano, base do espanhol moderno. Entre os séculos XIV e XVI, com as grandes navegações, a língua portuguesa é difundida na Ásia, África e América.

Na Renascença, aumenta o número de palavras eruditas do latim clássico e do grego arcaico, ampliando a complexidade da língua portuguesa. O fim do português arcaico é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

Hoje, fala-se oficialmente português nos oito países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola (África), Brasil (América do Sul), Cabo Verde (África), Guiné-Bissau (África), Moçambique (África), Portugal (Europa), São Tomé e Príncipe (África), e Timor-Leste (Ásia). Mas em cada uma das ex-colônias portuguesas falam-se, a rigor, variantes do português de Portugal. Também falam-se variantes de português nas seguintes regiões: Galícia (província da Espanha, Europa); Goa, Diu e Damão (Índia, Ásia); Macau (China, Ásia), Málaca (Malásia, Ásia) e Zanzibar (Tanzânia, África).

A escrita da língua portuguesa é semelhante em todos os países da CPLP, com poucas variações gramaticais. O que muda, de forma mais evidente, além da grafia de um certo número de palavras, é o significado de outras tantas palavras, com conotações diferentes de região para região; o modo de se utilizar formas verbais; e o estilo erudito, isto é, o modo de se construir frases e contextos literários. Quanto ao falar, um brasiliense só se entenderá com um lisboeta, por exemplo, se ambos conversarem vagarosamente e pronunciarem claramente as sílabas das palavras, do mesmo modo que entre um caboclo (caboco, como se diz na Amazônia) e um gaúcho da fronteira.

Trata-se da quinta língua mais falada no planeta, por cerca de 240 milhões de falantes, em quatro continentes. Se Portugal é o portão de entrada da lusofonia no Velho Continente, o Brasil é o gigante da CPLP.

A LÍNGUA BRASILEIRA – No Brasil, a língua portuguesa sofreu influências do tupi-guarani – tronco linguístico dos índios da América do Sul – e de várias línguas africanas. Desde o início do século XX, Portugal e Brasil buscam a unificação da língua portuguesa escrita, para chegar, pelo menos, ao consenso de um texto burocrático, que possa reforçar o idioma na Organização das Nações Unidas (ONU). Mas a verdade não pode ser mudada. O português de Portugal se esgotou, enquanto o português do Brasil foi enriquecido pelo índio, pela África e pelo trópico, e é aberto.

No dia 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, em homenagem ao escritor Machado de Assis, que completava cem anos de morto (1839-1908), o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou quatro decretos de promulgação do novo Acordo Ortográfico no âmbito da CPLP. “Com esses atos, Machado de Assis será duplamente exaltado: de um lado, a Academia lhe rende a mais expressiva homenagem neste ano em que celebramos o centenário de sua morte, e, de outro, a assinatura pelo presidente Lula dos decretos que promulgam o Acordo Ortográfico dos sete países lusófonos” – declarou, então, o presidente da ABL, Cícero Sandroni.

Segundo Sandroni, a promulgação do Acordo Ortográfico concretizava uma antiga aspiração de Machado de Assis, manifestada num de seus discursos, em 1897. “A Academia buscará ser a guardiã de nosso idioma, fundado em suas legítimas fontes – o povo e os escritores, todos os falantes de língua portuguesa” – disse, na altura, o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

O argumento para mudanças ortográficas na língua portuguesa é que a alegada unificação da escrita no Brasil e em Portugal tornaria o idioma lusitano língua oficial da Organização das Nações Unidas (ONU). O fato é que o novo Acordo Ortográfico não unifica as línguas portuguesa e brasileira, nem etimologicamente, muito menos em estilo. E qualquer tradutor na ONU terá que ser bom de ouvido, tanto para o falar lusitano, típico dos países de clima frio, como para o falar brasileiro, tropical, aberto. Isso, sem falar do crioulo.

A pergunta que lateja é: A “unificação” da língua portuguesa escrita no Brasil com o português grafado em Portugal tem alguma utilidade? No caso do Brasil, não seria melhor investir maciçamente no ensino básico? E depois o Brasil tem mais com que se preocupar. Enquanto Lula levava seu palanque para a Academia Brasileira de Letras, o Correio Braziliense, maior jornal da capital do país, publicava uma série de reportagens sobre crianças, meninas e meninos, que embarcavam em carros de luxo, no coração de Brasília, para serem estuprados a troco de comida. A propósito, a exploração sexual de crianças é comum na província potencialmente mais rica do planeta, a Amazônia, onde a miséria humana, a escravidão, o assassinato, campeiam.

A grande tragédia brasileira é a escola pública. O senador Cristovam Buarque (PDT/DF) costuma comparar as escolas públicas brasileiras, regidas por orientação federal, com o Banco do Brasil. Se as agências do BB em Brasília contam com a mesma estrutura das agências nos grotões brasileiros, como, por exemplo, o sertão do Maranhão, uma escola pública do Plano Piloto não é a mesma na hiterlândia da Amazônia.

O novo Acordo Ortográfico só beneficiou editoras, principalmente as que integram a panelinha do Ministério da Educação; estão faturando bilhões. Quanto ao ensino público e à pesquisa no Brasil são para inglês ver. E a CPLP tem mais com se ocupar. Ela poderia encampar o Instituto Camões e criar o Instituto Machado de Assis, e, por meio deles, difundir mundialmente a língua portuguesa, que são várias: a de Portugal; a do Brasil; a crioula, ou africana; a galega; a do Timor-Leste etc. Cada um desses países conta com escritores que representam bem suas culturas, e que não estão absolutamente preocupados com burocracia. Os grandes escritores deste continente chamado Brasil são tradutores da nossa mestiçagem mulata, cafuza e mameluca, das nossas cores, cheiros, florestas, mar, sol e alegria. A CPLP pode e deve é influenciar a democracia e se aperfeiçoar como bloco econômico.

O Acordo Ortográfico foi mais uma peça de marketing do governo lulapetista, em um país de esmagadora maioria de alfabetizados funcionais – que leem mas não entendem o que leem –, com pelo menos 20 milhões de pessoas que vivem na Idade da Pedra – não sabem ler e, muitos deles, não têm sequer certidão de nascimento; outros, são escravos mesmo, principalmente nos medievais estados da Amazônia.

No Brasil, nós não precisamos de reforma ortográfica. Precisamos de reforma política, fiscal, educacional, do Judiciário, administrativa, previdenciária, de pacto federativo, de reforma do Estado, e, sobretudo, faz-se necessário jogar os ladrões de colarinho branco na cadeia e fazê-los pagar o que roubaram, tudo. Também é preciso acabar com a indecência da imunidade parlamentar; urge passar a limpo o Brasil corrupto.

A reforma ortográfica tudo muda para nada mudar, como diz uma personagem no romance O Leopardo, de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa, referindo-se à monarquia italiana, então com as ventosas no erário, como ocorre hoje e sempre no Brasil chavista e patrimonialista. A célebre frase literária se ajusta à nomenklatura de plantão, embora o destino do Brasil, a província agrícola, florestal e mineral mais rica do planeta, é o de ser uma potência mundial, o que só poderá conquistar por meio da democracia. E a democracia dorme no idioma. Só então, a língua brasileira será respeitada, procurada e aprendida.

No nosso caso linguístico, enquanto o português lusitano se esgotou, o português brasileiro é uma língua jovem, enriquecida pelo tupi-guarani, por idiomas africanos, por estrangeirismos e pelo calor, cores, aromas, sabores e contexturas do trópico e da Amazônia.

Quanto à Hileia – o subcontinente cortado pelo rio Amazonas/Solimões e a Linha Imaginária do Equador, a eterna colônia inicialmente ibérica e agora dos países hegemônicos, de Brasília e do Sudeste –, a melhor maneira de compreendê-la, e a amar, é por meio da arte, e nesse contexto alguns artistas são fundamentais nesse mister; para citar uns poucos, os romancistas paraenses Dalcídio Jurandir e Benedicto Monteiro, e o amazonense Márcio Souza; os poetas amazonenses LuizBacellar e Jorge Tufic, e o paraense João de Jesus Paes Loureiro; o jornalista paroara Lúcio Flávio Pinto; o pintor amapaense Olivar Cunha.