sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Réveillon de Luiz Estêvão teve sabor duplo: regime aberto já em 2021 e o sucesso de um dos jornais mais acessados do país: Metrópoles

Luiz Estêvão: férias no cárcere lhe proporcionam tempo para pensar mais

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com






BRASÍLIA, 1 DE JANEIRO DE 2021 – O bilionário carioca-brasiliense Luís Estêvão de Oliveira Neto (Rio de Janeiro, 6 de julho de 1949), preso desde 2016, deverá preencher os requisitos para progredir para o regime aberto em 2021. Preso desde 2016, ele cumpre pena na Papuda, a penitenciária federal de Brasília, condenado a 31 anos de prisão pelos crimes de peculato, corrupção ativa e estelionato.

Durante as investigações da CPI do Judiciário no Senado, Estêvão foi acusado de se envolver com o juiz Nicolau dos Santos Neto no desvio de verbas das obras do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Em 28 de junho de 2000, por 52 votos a favor, 18 contra e 10 abstenções, tornou-se o primeiro senador cassado, por quebra de decoro parlamentar, e ficou inelegível por oito anos. 

Órfão aos 16 anos de idade, foi adotado por Lino Martins Pinto, casado com uma tia de Estêvão, dona Marita, e proprietário de uma loja de pneus em Uberlândia, Minas Gerais. Em 1966, o casal e o filho adotivo se mudaram para Brasília. 

Estêvão estudou em um colégio interno no Rio de Janeiro, o Liceu Francês, e estudou física na Universidade de Brasília (UnB), desistindo do curso no segundo semestre. Aos 18 anos de idade começa a trabalhar na revendedora de pneus do pai adotivo. 

Estêvão se casou com Cleucy Meirelles de Oliveira, filha do empresário Cleto Meirelles, com quem tem seis filhos. Já sócio de Lino, mostrou-se um arrojado empreendedor, ampliando os negócios em agropecuária, construção civil, revenda de automóveis e pneus, estação de rádio e banco de investimentos. 

Em 1994, é eleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo Partido Progressista (PP), com 46.205 votos, um recorde. Elege-se pelo PMDB para o Senado Federal em outubro de 1998, com 460.947 votos, correspondentes a 47,7% dos votos válidos. 

Em 1999, a fortuna de Luiz Estêvão já era estimada em 350 milhões de dólares; em 2016, é avaliada em 30 bilhões de reais. Agora, em 2020, uma magistrada se referiu a ele, em decisão judicial, com “um dos homens mais ricos do DF, quiçá do Brasil”. 

Em 8 de setembro de 2015, Luiz Estêvão funda o portal Metrópoles, sediado em Brasília, de acesso gratuito e com equipe de quase 200 profissionais, hoje a mídia mais lida do Distrito Federal e uma das 10 mais acessadas do país, além de ter abiscoitado prêmios de jornalismo nacionais e internacionais. 

O sucesso do Metrópoles, além de investimento milionário, é sua diretora de redação, a brasiliense Lilian Tahan. Graduada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha, Lilian já tinha estrada antes do Metrópoles; trabalhou por 12 anos no jornal Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília, e conquistou os prêmios Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT e Engenho. 

Dedicada e serena, Lilian Tahan comanda o Metrópoles com mão de ferro. Luiz Estêvão suou para tê-la na sua equipe, e teve de lhe dar carta branca. Em troca, Lilian garante algo que anda sumido da mídia: jornalismo. 

Com ou sem vírus chinês, Metrópoles parece indicar o início de uma carreira de magnata das comunicações. Quando circulou por Brasília a notícia de que ele pretendia investir empresarialmente em comunicação social, chegou-se a noticiar que ele compraria o velho Correio Braziliense, que anda trôpego das pernas. Mas Luiz Estêvão desmentiu o boato; não investiria em jornal impresso. E quando a Veja, que já foi uma revista ansiosamente esperada a cada semana, fechou a anêmica Vejinha Brasília, Luiz Estêvão contratou toda a equipe desempregada, a começar por Lilian Tahan.

Luiz Estêvão ampliará o braço das comunicações do seu grupo empresarial com um canal de televisão? Só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa, ele não perdeu o fôlego. Pelo contrário, suas férias no cárcere lhe proporcionam o aprimoramento do seu condicionamento físico; ler mais, algo de que gosta muito, e de grandes autores da literatura universal; e tempo para pensar mais.

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