quinta-feira, 30 de abril de 2020

Ovnis e ETs existem? Existem. E estão entre nós

JAMBU, em Capa da edição do Clube de Autores

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 30 DE ABRIL DE 2020 – Cada vez mais os objetos voadores não identificados, Ovnis, e os seres extra-terrestres, ETs, se tornam mais pops. Desde meu romance A CONFRARIA CABANAGEM, passando por HIENA e, agora, por JAMBU, misturo, na trama fictícia, personagens reais, vivos ou mortos, com personagens de ficção, e ficção com realidade. Pois bem, em JAMBU, o jornalista fictício João do Bailique entrevista Jorge da Silva Bessa, autor do livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato, belenense, residente em Brasília. Pesquisador, autor de 17 livros, graduado em Economia e pós-graduado em Educação a Distância, formado em Medicina Tradicional Chinesa e em Psicanálise, especialista em assuntos relacionados à atividade de inteligência e de planejamento estratégico. Em 15 de agosto de 1996, foi nomeado para o cargo de coordenador geral de Contrainteligência da Subsecretaria de Inteligência da Casa Militar da Presidência da República, o órgão que ficou encarregado pela área de Inteligência do Governo Federal após a extinção do Serviço Nacional de Inteligência, e que deu origem à atual Agência Brasileira de Inteligência. Tinha entre suas responsabilidades a condução da contraespionagem, do contraterrorismo, a segurança das comunicações e a salvaguarda dos documentos sigilosos que ao Estado cumpria preservar.

Anos mais tarde, Bessa abraçou o estudo de assuntos metafísicos e espiritualistas, tentando estabelecer pontes entre ciência e espiritualidade, tema abordado em alguns dos seus livros. Acompanhou in loco a Operação Prato. Ao entrar em contato com ele e entrevistá-lo, Bailique pensava nas eternas perguntas existenciais dos filósofos, teólogos e cientistas: “Quem somos nós? Qual a finalidade da vida? Por que o Universo foi criado? Se de fato foi criado, quem o criou e com qual finalidade? Estamos sozinhos no Universo? Caso contrário, que tipo de vida existe além do nosso planeta? Qual a constituição física dos outros seres?”

Além disso, pensava também sobre o registro de objetos voadores não identificados desde o início da nossa civilização, concluindo que os ETs tentam apenas, e, por enquanto, discretamente, auxiliar a Humanidade. Embora no livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato Bessa tenha defendido a tese de que os ETs que apareceram em massa em Colares estivessem apenas pesquisando a Amazônia, ocorreu a João do Bailique, ao ler o livro, que a Amazônia Oriental, ou Atlântica, que abarca os estados do Pará e Amapá, é a região que melhor representa o Trópico Úmido, por apresentar todos os ecossistemas amazônicos, inclusive o mar.

“Aventamos anteriormente a possibilidade de que os alienígenas tivessem interesse em colher dados relativos a um dos mais importantes ecossistemas do planeta, a Amazônia, para fins de estudos. A mesma necessidade de informações sobre possíveis doenças a serem enfrentadas na hipótese de um futuro contato, justificaria a presumida coleta de sangue humano verificada em diversas oportunidades” escreve Jorge Bessa, em Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato. Mas o pesquisador foi além, na entrevista exclusiva para a Enfoque Amazônico.

Jorge Bessa – A questão, hoje, não é mais saber se os extraterrestres existem, mas sim como aproveitar melhor a sua presença, à luz das últimas descobertas da ciência e dos conhecimentos espiritualistas. Muitos pesquisadores dão um grande destaque à Operação Prato apenas porque o coronel Hollanda levou o caso a público, revelando que a Aeronáutica tinha investigado o fenômeno, o que motivou um especial do Canal History, mas, pelos parcos resultados palpáveis ou esclarecedores obtidos, o brigadeiro comandante do Comar, Protásio Lopes, mandou encerrar a operação; e as autoridades do SNI, em Brasília, não deram a mínima. Minhas hipóteses para o fenômeno continuam as mesmas que apresentei no livro Discos Voadores na Amazônia – Operação Prato. Quanto ao sangue, temos que destacar que não houve comprovação clara de extração de sangue, apenas pequenas marcas nos seios de algumas mulheres, que, acreditava-se, era resultado do foco de luz emanado. Já fui convidado para participar como palestrante de três congressos de ufologia para tratar do caso e sempre respondo que não há o que acrescentar ao que o coronel Hollanda disse e que tudo o que sei foi expresso no meu livro, nada mais acrescentando, a não ser a visão espiritualista do fato.

Trópico Úmido Quem são os ETs?

Jorge Bessa Seres como nós, com um nível mais avançado de desenvolvimento tecnológico, mas que nem sempre têm o mesmo nível de desenvolvimento espiritual. Filhos do mesmo Deus, e que habitam as diversas casas na Morada do Pai, muitas vezes auxiliando no processo de evolução antropo-espiritual daqueles que se encontram ainda nas primeiras classes das diferentes escolas de evolução da consciência.

Trópico Úmido – Teria a presença dos ETs na Amazônia a ver com a defesa da Hileia frente à ambição dos europeus, e agora também dos americanos e chineses, pelas riquezas que o subcontinente guarda, considerando-se que os ETs querem ajudar a Humanidade, e a Amazônia é o regulador da temperatura do planeta, evitando, assim, cataclismos com potencial para exterminar a raça humana?

Jorge Bessa Os cataclismos vão acontecer inelutavelmente, como acontecem ciclicamente, porque fazem parte do planejamento superior daqueles que têm a responsabilidade pela evolução em nosso planeta e em nosso cantinho no Universo. Como existem cientistas que já discordam da tese de ser a Amazônia o pulmão do mundo, e que os ETs não estão preocupados com as riquezas materiais que interessam aos europeus, americanos e chineses, é possível que suas pesquisas façam parte de um levantamento de ordem global, já que se realiza em diversas partes do globo, e que tenha por objetivo a realocação dos habitantes do Hemisfério Norte para essa região, depois da ocorrência dos eventos apocalípticos que deverão se processar com mais intensidade naquela região do planeta.

Trópico Úmido Por que os ETs ficaram mais de dois meses em Colares? O que eles queriam naquela ilha na costa do Pará?

Jorge Bessa Busco até hoje resposta para essa questão. Não podemos descartar, também, a possibilidade de se tratar de viagens de estudos e pesquisas que muitos grupos de extraterrestres realizam em diferentes regiões do sistema solar, segundo informações oriundas do plano espiritual.

Trópico Úmido – Para que os ETs coletariam amostras de sangue da população local?

Jorge Bessa Essa é outra questão não respondida. Poderíamos arriscar, como hipótese, que seria uma pesquisa para ver se aquela população fazia parte do mesmo grupo que sofreu mutações genéticas realizadas por ocasião da vinda dos degredados de Sirius ou de Capela, conforme afiança Emmanuel em seu célebre A Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier.

Trópico Úmido – Comente a tecnologia utilizada nos discos voadores.

Jorge Bessa A única afirmação permitida é que se trata de uma tecnologia muito superior à existente em nosso planeta, considerando a velocidade e a energia que movia as naves.

Trópico Úmido – A raça humana teria sido projetada pela espiritualidade?

Jorge Bessa Segundo as informações provenientes de centenas de obras espíritas e espiritualistas, toda a vida que enxameia o Universo é criação de Deus, que se utiliza de seus auxiliares – consciências cósmicas de conhecimento e capacidade de difícil entendimento pelo ser humano no atual nível de evolução –, os chamados Jardineiros Cósmicos, ou Siderais, e que são responsáveis pela realização da panspermia, ou seja, o plantio e cultura dos Filhos de Deus, que nascem simples e ignorantes, mas que, partindo do átomo mais simples se desenvolvem até chegar aos chamados Tronos de Deus, no nível de arcanjos cósmicos. Apesar de todo o planejamento cósmico, esse processo evolutivo segue por diferentes caminhos, mas todos os Filhos de Deus um dia chegarão ao ápice da evolução espiritual.

Trópico Úmido – O corpo humano seria um computador biológico, projetado para que espíritos que estão nas trevas possam evoluir mais rapidamente, por meio do sofrimento, principalmente o apego à matéria?

Jorge Bessa É claro que o corpo físico é o instrumento, ou farda, que permite aos espíritos em evolução a ingressar nas salas de aulas das diferentes escolas de evolução, que servem a todos, indistintamente. Para os espíritos renitentes no egoísmo, no orgulho, na vaidade, na exploração do próximo, no desamor, e uma série de outros sentimentos e condutas consideradas nocivas à comunidade e que atrapalham a evolução, o corpo físico é o que lhes permite atuar em planetas materiais e atrasados. O amor do Pai permite que esses seres, chamados trevosos – pois negra é a sua consciência – e que se tornam um entrave à evolução de seus companheiros de jornada, sejam exilados em planetas primitivos, cujo ambiente seja mais afim com suas inclinações. Essa reencarnação em planetas primitivos é uma dádiva que lhes permite realizar a reforma moral e aliviar suas consciências atormentadas pelos desvios pretéritos, ao mesmo tempo em que auxiliam aqueles que se encontram nos primeiros passos na longa escalada da evolução.

Aqui termina a curta entrevista de Jorge Bessa à revista Trópico Úmido.

João do Bailique escreveu na sua matéria que a Amazônia poderá abrigar parte da Humanidade em prováveis cataclismos no Hemisfério Norte e na Ásia. As condições climáticas e geográficas da Amazônia a tornam objeto da cobiça de todos os impérios contemporâneos: americanos, ingleses e chineses. E povoou os sonhos de Hitler, considerado nos meios espiritualistas como mago negro. Uma expedição nazista esteve em Belém em 1935, e, durante dois anos, estudou a geologia, a fauna e a flora da Amazônia, especialmente o rio Jari, entre os estados do Amapá e Pará. Um livro de 1938, Mistérios do Inferno da Mata Virgem, do geólogo e piloto Otto Schulz-Kampfhenker, registra minúcias da expedição, referindo-se ao Amapá como região estratégica a ser ocupada na Segunda Guerra Mundial. Os exploradores enviaram para a Alemanha milhares de amostras de animais e cerca de 1.500 objetos arqueológicos, e produziram milhares de fotografias e metros de filme 35 mm, sobre tudo o que encontraram. Um dos alemães, Joseph Greiner, morreu de malária e foi enterrado numa ilhota do rio Jari. Otto referiu-se a “missões maiores no futuro”.

Só a jazida de nióbio de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, tem capacidade para abastecer todo o consumo mundial por 1.400 anos! Estados Unidos, Europa e Japão dependem 100% do nióbio brasileiro, que representa 98% das jazidas do planeta, mas não detém tecnologia para utilizar a matéria-prima na indústria. O nióbio é quase dado pelo Brasil para as potências hegemônicas. A maior jazida de nióbio do mundo, em Araxá, Minas Gerais, está sob o controle da Niobium Corporation, de Nova Iorque. João do Bailique lembrou que o nióbio é empregado no fabrico de reatores nucleares, naves espaciais, satélites, foguetes e aviões.

A exploração e o contrabando de metais e pedras preciosas brasileiras, que começaram com os ibéricos, atingem, hoje, cifras estratosféricas.

Bailique chegou à conclusão de que os ETs, que são sempre discretos, estavam cumprindo, em Colares, uma missão, que durou três meses, documentada por agentes da Força Aérea Brasileira, da psiquiatra Wellaide Cecim Carvalho, que atendeu 80 vítimas do chupa-chupa, e da imprensa, pois a missão parecia ter urgência e data de duração, com aparições à noite e de dia, e coleta de sangue da população local. Estariam os ETs presentes, desde sempre, na Amazônia, guardando suas preciosidades? Estariam os ETs interessados na biodiversidade da Amazônia? O fato é que sem a Amazônia a Terra seria inadequado para a vida humana, pois o Trópico Úmido é que equilibra o clima do planeta, umidificando-o. A bacia amazônica, formada pelo maior rio do mundo, o Amazonas, e mais de 7 mil afluentes, alguns, gigantescos, abrange uma área de 7 milhões de quilômetros quadrados, com 25 mil quilômetros de vias navegáveis. É a maior bacia fluvial do globo, contendo um quinto do fluxo fluvial da Terra, 20% da água doce de superfície do planeta, compreendendo áreas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela; 3,89 milhões de quilômetros quadrados da Bacia Amazônica estão no Brasil, ocupando 49,29% do território nacional, abrangendo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, localizados em três das cinco divisões regionais do país: Norte, Centro-Oeste e Nordeste. A Amazônia é tão extraordinária que em caso de uma guerra nuclear no Hemisfério Norte seria a região da Terra menos atingida pelos “efeitos da radiação, em virtude dos ventos alísios de nordeste e de sueste vindos do Atlântico, portanto sem poeira atômica, e que se chocam próximo à Linha do Equador, formando imensas correntes ascendentes, que seguirão pela estratosfera até a latitude do cavalo (cerca de 30 graus sul e norte” – como observou Gelio Fregapani, em Amazônia – A Grande Cobiça Internacional. “Além disso, a cobertura vegetal e a grande umidade existente contribuiriam para dissipar e mesmo anular a radiação nuclear.”

A Amazônia é lar de pelo menos 427 espécies de mamíferos; 1.294 de aves; 3 mil de peixes; 428 de anfíbios; 378 de répteis; 2,5 milhões de insetos; e 40 mil de plantas. Um quilômetro quadrado da floresta amazônica pode conter mais de mil tipos de árvores, algumas com mais de 50 metros de altura. Além do dossel, a Amazônia detém os dois picos mais altos do país: o Pico da Neblina, com 2.993,8 metros, localizado na Serra do Imeri, no Planalto das Guianas, no estado do Amazonas, fronteira entre Brasil e Venezuela; e o Pico 31 de Março, com 2.972,7 metros, também na Serra do Imeri, na fronteira entre o estado do Amazonas e a Venezuela. Essa região montanhosa guarda incalculável riqueza mineral. Além disso, água.

E, para guardar tudo isso, o estado brasileiro colocou o Projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), implementado em 1966 e inaugurado em 25 de julho de 2002, nas mãos da empresa norte-americana Raytheon – a raposa cuidando do galinheiro. A Raytheon é especialista em sistemas de espionagem, eletrônica industrial e em guerra, e é dona da E-Systems, de sistemas de inteligência. É ela que controla o espaço aéreo da Amazônia, apesar do Instituto Tecnológico de Engenharia (ITA) e do Instituto Militar de Engenharia (IME). Assim, o controle da Amazônia foi entregue, de mão beijada, para os americanos.

Bailique pensou na tecnologia ET, pois nada pode ser mais rápido que a velocidade da luz no vácuo, de 299.792.458 metros por segundo, praticamente 300 mil quilômetros por segundo, quase 1 trilhão de quilômetros por hora. Além do mais, mesmo o Universo conhecido já é algo tão grande que só podemos imaginá-lo infinito. Assim, Bailique só podia pensar em mundos paralelos, que os ETs se deslocam em velocidade quântica no multiverso e que sempre estiveram aqui, junto de nós. Segundo o astrofísico e médium Laércio Fonseca, a raça humana é toda de ETs, e a Terra nada mais é do que um dos planetas utilizados por comandos astrais para transmigrações de almas dos mais diversos recantos do Cosmos, conforme seus ciclos cármicos, no processo evolutivo, das trevas, ou ignorância, para a luz, a verdade.

Bailique repassou mentalmente o teor da matéria sobre a Operação Prato da edição de agosto de 2019 da revista Enfoque Amazônico:

“É plano das três grandes potências nucleares – Estados Unidos, Rússia e China – enviar a nata dos seus governantes e cientistas para a Amazônia em caso de uma hecatombe nuclear. No planeta, somente o Trópico Úmido oferece condições naturais para sobrevida humana em face da suposta terceira guerra mundial. Nesse caso, os Estados Unidos levam vantagem sobre seus concorrentes, porque estão mais pertos da América do Sul e são aliados do Brasil.

“Estariam os ETs da Operação Prato examinando a região como possível abrigo ante um iminente confronto nuclear? Basta 1% do arsenal armazenado pelas potências nucleares para destruir o planeta. Não por acaso, o oficial de inteligência que testemunhou o fenômeno no Pará, Jorge Bessa, defende a tese, em vários livros publicados, de que os ETs são apenas algumas das raças dos espíritos que habitam o multiverso, e que estão de prontidão para auxiliar os terráqueos em um momento de transição planetária. Tese corroborada pelo médium e astrofísico Laércio Fonseca, passageiro de viagens astrais, enquanto seu corpo repousa em sono profundo. Essas viagens quânticas e intergalácticas são realizadas a bordo de naves do tamanho da capital de São Paulo.

“Embora situada na borda oriental da Amazônia continental, ao sul do Marajó, Belém é o centro astral do subcontinente, onde, de leste para oeste e de norte para sul, Ufos são avistados desde sempre, mas o maior fenômeno de aparição de Ufos, devidamente registrado pela Força Aérea Brasileira, pela agência de inteligência do país, pela imprensa belenense e pela revista Ufo, se deu na costa do Pará, tendo Belém como centro. As costas do Amapá e do Pará, onde se localizam Macapá e Belém, são privilegiadas. Tropicais, refrescadas pelos ventos alísios, que sopram do oceano Atlântico, é por onde fluem 20% da água doce de superfície do planeta, que vai ficando salobra à medida que mergulha no Atlântico, como o yin e o yang se amalgamando no fluir incessante, eterno, do caminho da luz”.

João do Bailique estava no terceiro daiquiri. O Gato Azul começou a se encher. Tomaria só mais aquele e depois seguiria para o encerramento do Festival Gastronômico do Pará e Amapá, no Caranã, e, de lá, iria ao velório de Patrícia Valente Melo.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Humanidade passa por momento de mudanças extremas, mas a bonança virá a partir de 2023

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

Edição do Clube de Autores
BRASÍLIA, 29 DE ABRIL DE 2020 – O astrofísico e médium Laércio Fonseca sustenta no seu livro Projeto Terra que a vida na crosta do nosso planeta, e o próprio planeta, foram projetados por seres cósmicos, visando à ampliação e ao aprimoramento da mente, de modo que esses seres superiores mantêm controle absoluto da Humanidade, embora respeitem o livre arbítrio, sem o qual não haveria evolução. Pois bem, a Humanidade, desde seus primórdios, sempre esteve às voltas com pandemias. Aqui e ali uma pandemia leva a mudanças radicais de hábitos, relacionamentos humanos e pontos de vista.

A Peste Negra, a Gripe Espanhola, a Aids, o cólera, a tuberculose, ceifaram milhões de pessoas no mundo todo. Agora, o novo coronavírus, que vem matando a torto e a direito, pôs o planeta em quarentena. Astrológicos vêm apontando 2020 como um divisor de águas para a Humanidade. Em 2016, o astrólogo Boris Cristoff (1925-2017) previu um acontecimento que sacudiria a Humanidade, em 2020, assim como Henri-Joseph Gouchon (1898-1978), Andre Barbault (1921-2019) e a brasileira Celisa Beranger, com índices pavorosos de desencarnes e radicais mudanças políticas e econômicas mundiais.

Edição da amazon.com
Mas a partir de 2023 começaremos o maior período de crescimento já experimentado pela Humanidade. Chico Xavier, ao falar sobre o que se convencionaria chamar de Data-Limite, declarou que essa mudança começaria já a partir de 20 de março de 2019, assunto que abordo no romance JAMBU.

A atual pandemia veio para nos mostrar, mais uma vez, que estamos todos conectados, que está passando da hora de cuidarmos uns dos outros, amar o próximo, que nosso comportamento tanto pode salvar quanto matar, que precisamos nos manter serenos e pensar sempre positivo, pois o medo, o pânico, leva ao desespero e às trevas.

A serenidade advém quando observamos os cuidados necessários, quando ajudamos financeiramente, ou com comida, os famintos, mas, principalmente, quando oramos pelos infectados, pelos médicos, pelas autoridades, pelos que moram na rua, pelos que estão passando fome, pelos que partiram.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Copacabana, meu amor

O escritor carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza alçou o
romance policial à prateleira da literatura classe A

RAY CUNHA

BRASÍLIA, 17 DE ABRIL DE 2020 – Todo leitor inveterado elege um time de escritores dos quais gostaria de ter sido, ou de ser amigo, conviver com eles, enfim, de fazer parte de suas vidas, por uma razão fundamental: as muitas coisas que têm em comum, além das experiências que ambos viveram juntos. Às vezes, temos a sorte de conhecermos alguém assim, como é meu caso com Fernando Canto, contista e ensaísta amapaense.

E há os escritores favoritos de quem gostaríamos de ser amigos, mas que não há a menor possibilidade de nos aproximarmos deles, ou de o acompanharmos, ou já morreram. Por exemplo: eu gostaria de conviver, mesmo que fosse só por algum tempo, com Paulo Coelho. Acho que ele me ensinaria uma pá de coisas, mas além de não haver nenhuma ponte que me leve a ele, eu não teria recursos para acompanhá-lo, por mais que surgisse oportunidade para isso.

Os que já morreram, há dois, principalmente, com quem gostaria de ter convivido: Ernest Hemingway e Gabriel García Márquez. Com Hemingway, provavelmente eu teria morrido de tanto beber, ou de cansaço durante uma pescaria longa ao marlim azul. Mas, até lá, teria batido muito papo com ele na Finca Vigia, em Havana, Cuba, ou em Paris, ou na África. Papo de dias, conversando sobre tudo, inclusive literatura, escritores, bebida, é claro, boxe, peixes e, certamente, mulheres.

Com Gabriel García Márquez, ele teria desvendado, para mim, o Caribe, teria comentado sobre suas bruxarias literárias, contado algum segredo sobre as mulheres, que me iluminasse ao me relacionar com elas, e teríamos ouvido o silêncio das madrugadas e do Caribe, como fizemos Fernando Canto e eu, em Belém/PA.

Outro com quem eu gostaria de ter convivido é com Rubem Fonseca, que morreu recentemente. Rubem criou o conto e o romance brasileiro das megalópoles. Eu ainda não o lera quando criei também o conto e o romance que se movem nas metrópoles da Amazônia: Belém/PA e Manaus/AM, e Macapá/AP também. Quem sabe, se nos conhecêssemos, não teríamos batido muito papo e batido perna no Rio de Janeiro, cidade que Rubem elegeu como sua.

Vivi em Copacabana, Rio de Janeiro e de todos os meses, há muito tempo, mas o suficiente para um renascimento. Nasci em Macapá; minhas raízes cabocas são a fibra do que sou feito. Mas o DNA de todos nós é como um laboratório alquímico que nos vai modificando, ampliando nossa mente, ao longo das sucessivas encarnações, de modo que Copacabana, o Rio, mudou o curso da minha vida. Em vez de só pensar em Macapá, entrou mais uma cidade na minha perspectiva. E foi com esse espírito que conheci Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Desde que o li pela primeira vez, em 2002, em Uma Janela em Copacabana, que me apaixonei por ele. E de tanto o ler é que comecei a imaginar uma amizade entre nós dois, no Rio, ele repartindo comigo um pouquinho da sua imensa sabedoria, do seu intelecto descomunal, da sua rica experiência de vida, me falando sobre o Rio, sobre literatura, sobre a alma, sobre mulheres.

Tenho plena consciência de que essas amizades impossíveis são meras fantasias, a que me dou ao luxo, pois me encontro firmemente alicerçado no meu mundo mental, nas minhas experiências, que me dão o rumo de para onde seguir. Assim, curto o amigo do local onde estou, e agora.

O carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza desencarnou ontem, aos 84 anos. Psicanalista, ensaísta e professor universitário, aos 60 anos largou tudo o que vinha fazendo para dedicar-se à ficção, estreando com O Silêncio da Chuva, laureado com o Jabuti e o Nestlè, em 1997. Desde então, escreveu mais 11 romances policiais, todos ambientados no Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana e no Peixoto, um bairro dentro de Copacabana, onde mora o delegado Espinosa, personagem recorrente de seus livros, e que trabalha na 12ª DP, na Rua Hilário de Gouveia.

Nos 12 romances que escreveu ao longo de 24 anos, Roza se revelou um mestre do gênero policial, traduzido para vários idiomas. Suas personagens são tão de carne e osso que lhes sentimos o cheiro, e suas tramas são tão intricadas como as da vida real. E o Rio é descortinado sob a ótica de um policial singular, o delegado Espinoza, de caráter irrepreensível, leitor inveterado, viajor de fantasias, mas que, ao investigar um caso, vai até o fim, por uma razão: é imperioso que o caso seja deslindado, o que significa dizer desnudar a alma das pessoas envolvidas nele, pois para tudo há uma razão, e é atrás dessa razão que Espinoza anda.

Assim, o que o move é o mistério. “Quem gosta de whodunit é cão farejador. O crime, qualquer um pode desvendar. O enigma, não. O que importa é o que está por trás do crime, suas motivações, o silêncio” – disse Roza, lembrando Crime e Castigo, de Dostoiévski. “Não é um desvendamento de um assassinato. O Dostoiévski mostra o crime logo no início, assim como fiz em O Silêncio da Chuva. E ninguém deixou de ler por causa disso.”

A Copacabana de Espinosa é noir, um enxame de personagens excessivamente humanos. Já dizia Rubem Fonseca: “O Rio não é aquilo que se vê do Pão de Açúcar”. As tramas de Roza geralmente se passam entre o Bairro Peixoto, a Rua Hilário de Gouveia e a praia. Nessa região, ele frequenta La Trattoria, sebos, a Galeria Menescal, onde compra quibes no Baalbek, e gosta de caminhar, simplesmente caminhar, assim como eu. O simples ato de caminhar é repleto de nuanças, de visões, de perspectivas.

É nesse cenário que as tramas de Roza vão dando vida ao tecido. “Quase sempre parto de um fato bobo e sem expressão. Certa vez vi um menino saindo debaixo de uma caixa de papelão. Esse foi o ponto de partida para Achados e Perdidos, por exemplo. Eu não costumo fazer um plot. A trama surge enquanto escrevo, no meio do livro” – disse Roza.

Perguntado se ele mataria Espinosa, como Conan Doyle fez com Sherlock Holmes, Roza respondeu: “Não tenho plano de matá-lo, mas não está fora de cogitação. No dia em que ele começar a ser repetitivo, terei que tomar uma decisão”. Espinosa sobreviveu a Roza.

sábado, 11 de abril de 2020

Léa Seydoux ao sol, no Sudoeste, em Brasília



BRASÍLIA, 11 DE ABRIL DE 2020 – De repente, o mundo amanhece numa ditadura chinesa, os shoppings estão fechados, os estudantes sumiram das ruas, o Parque da Cidade está deserto. Olho pela janela e vejo a manhã nua, não ouço nenhum riso de criança, e somente, aqui e ali, a nudez da manhã é quebrada por um velho, ou uma moça, conduzindo cachorros, o saco para recolher cocô numa das mãos, impondo à manhã mais solidão ainda. E me dou conta de que não há nada a fazer. Então, viajo para dentro. Trabalho, todos os dias, em novo romance, que, neste momento, é como um trem de alta velocidade que tomo a cada manhã; às vezes, ele se transforma em um Boeing.

Hoje, arrumei minha estante. A prateleira dos livros para ler ampliou-se. Nela, há de tudo: de Joseph Conrad a medicina tradicional chinesa, passando pela Fisiologia do Comportamento, de Neil R. Carlson, a Malabar Azul, de Isnard Lima Filho. Há também uma entrevista com Paulo Coelho na Playboy de agosto de 2008 e o Anuário Brasileiro de Pesca Esportiva de 2013, no qual quero reler sobre o maior marlim azul do mundo, que foi capturado na costa do Espírito Santo. São dezenas de livros, incluindo a Bíblia e Bhagavad-Gita, além dos que estou lendo ao computador.

Mas não leio por obrigação. Acho que leio um pouco por compulsão, porém mais por prazer, pois descobri, ainda cedo, que a vida é mental, que a experiência dos sentidos é quase sempre fugaz, exceto quando sentimos com o coração, como o primeiro beijo, que é como as rosas, pode até ser destruída, esmagada, mas a sensação dela na alma é para sempre.

Se nos sentimos felizes, bastamo-nos a nós mesmos, e não sentimos saudade dos ex-amigos, nem das grandes livrarias, nem do mar. Se nos sentimos felizes, tudo isso está dentro de nós.

Lá fora, há várias guerras. Uma, se trava contra o coronavírus; outra, contra os assaltantes soltos pelo Supremo Tribunal Federal; outra ainda, contra os traidores da pátria, um enxame mais voraz do que o dos vírus.

Às vezes, ouço música, inclusive Beatles, Amira Willighagen e Angelina Jordan, e, certamente, música caribenha. Depois do infarto, reduzi tudo o que pude em açúcar, e quase não janto mais. De vez em quando, estudo medicina tradicional chinesa. E acontece de eu atender um ou outro paciente ao telefone.

Li, recentemente, todos os Stieg Larsson, David Lagercrantz, Dan Brown e sete Luiz Alfredo Garcia-Roza, reli Os Tempos Insanos (My friend Mundico), de Fernando Canto, e visitei o Copacabana Palace e o Condomínio Chopin, na Avenida Atlântica, Rio de Janeiro, onde se passa um pouco meu próximo romance.

Mantenho-me ligado, também, ao artista plástico Olivar Cunha. Recentemente fui visitá-lo e antes que as coisas ficassem feias por causa do coronavírus batemos perna pelo litoral do Espírito Santo.

No Sudoeste, em Brasília, a noite feérica foi substituída pelo silêncio e as manhãs se transformaram em luz. Tomo sol pela janela e faço abdominal e apoio no quarto. Se me canso de ler, assisto a um documentário sobre a África ou, se tenho sorte, um John Wick, com Keanu Reeves. Sem Tempo Para Morrer, com Daniel Craig e Léa Seydoux, está prometido para novembro. Léa Seydoux é maravilhosa.

Reconheço que nestes tempos de quarentena alguns são privilegiados. Mas só temos o que merecemos. Alguns contam com a geladeira cheia de comidas gostosas e podem, de madrugada, ou em outras horas do dia, ouvir gemidos de rosas, sons de luz, que se diluem entre as estrelas, e, se for dia, misturam-se ao sol.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Quarentena

Eu, de quarentena, no meu quarto (31-03-2020)

RAY CUNHA


Os dias desfilam à minha frente com lentidão mortal
Tento sair deles movido pelo desespero dos afogados
Mas o mar é um abismo de eternidade
Penetrando minhas células, ocupando meu DNA, como líquido metal

São dias de espera, de mortos nas esquinas
Pesadelos no umbral, o horror
Terrorista à espreita, arma biológica
A morte que vem da China

Se é noite, há a Lua e estrelas, e o Sol, se é dia
Mas com sons sem origem, em meio ao nada
Como se a vida ainda não existisse

Sinto a angústia se avolumar, se transformar no próprio Universo
Mas percebo que isso se passa apenas na minha alma
Como um danado que não morre de vírus, mas de quarentena


Brasília, 3 de abril de 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A batalha entre os magos negros e os anjos de luz

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 1 DE ABRIL DE 2020 – O Sudoeste é um bairro de Brasília situado entre o Parque da Cidade, ao sul, e o Eixo Monumental, ao norte, o Cruzeiro Velho e Novo e a Octogonal a oeste e o Setor Gráfico a leste. É onde a noite fervilha. Nestes tempos de corona, o silêncio se abateu na região, a favorita de altos funcionários dos três poderes, empresários e jornalistas (pela proximidade geográfica do poder?), que, de quarentena, pedem por telefone comida e produtos vendidos em supermercados e farmácias.

Aos poucos, o bairro desperta. Hoje, como ontem, o sol se impôs, bom para um banho de raios ultravioletas de 20 minutos, para ativar vitamina D. Ouço sons de operários trabalhando e já vi mulheres, crianças e cachorros passeando na pracinha defronte ao prédio onde moro. Outro dia, vi um vendedor de pamonha. Quanto à caçamba que recolhe o lixo, nunca deixou de passar. À noite, jamais vi tantas estrelas em Brasília, porque a frota de carros nas ruas caiu 70 por cento.

Enquanto os cientistas não criam vacina contra o covide-19, vem-se utilizando hidroxicloroquina. A cloroquina foi descoberta em 1934, por Hans Andersag, da Bayer. Normalmente usada contra malária, hidroxicloroquina é também aplicada, ocasionalmente, contra algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso, além de abcesso de fígado por amebíase.

A ingestão de cloroquina provoca efeitos adversos, como náusea, vômito, dores abdominais, diarreia, dor de cabeça, tornozelos e pernas inchados, dificuldade para respirar, palidez, fraqueza muscular, sangramentos, surdez, visão turva, confusão mental e, mais raramente, problemas cardiovasculares. Mas a droga é excretada pelos rins.

Em janeiro passado, pesquisadores chineses realizaram um teste experimental com cloroquina, em combinação com remdesivir e lopinavir/ritonavir, conseguindo inibir o vírus que causa o covid-19. Em relatório, o Departamento de Ciências e Tecnologia da Província de Guandong informou que o fosfato de cloroquina “aumenta o índice de tratamento e diminuí o tempo do paciente no hospital”. A cloroquina já foi recomendada por entidades de saúde chinesas, sul-coreanas e italianas para o tratamento do covid-19, com recomendações de contraindicação para pessoas que apresentam problemas cardíacos ou diabetes.

Em fevereiro, estudos indicaram que a hidroxicloroquina é mais potente do que a cloroquina, e com mais tolerância, “melhorando as funções dos pulmões, promovendo uma ação negativa contra o vírus e diminuindo o tempo de duplicação da doença”. A Food and Drug Administration (FDA) aprovou emergencialmente uso de cloroquina e de hidroxicloroquina nos Estados Unidos; no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro também vem incentivando o uso da droga contra o covid-19.

Enquanto o surto do vírus não desaparece, e vai desaparecer, bolivarianos, incluindo jornalistas acossados por outra ordem de quarentena, a do balcão de negócios, arremetem contra Bolsonaro, que, como já se sabe, não foi eleito para distribuir flores, mas para entrar com os dois pés no covil dos corruptos.

Nos lares, alguns gozam de paz, e casais felizes aproveitam para as viagens interiores que vêm adiando. Em outros lares, desaba o inferno. Em muitos, há fartura de comida; em muitos mais, a morte pela fome ronda cada vez mais próxima.

Talvez seja esta a batalha decisiva entre os magos negros e os anjos de luz, e só há um de dois resultados: ou o Brasil, a pátria do Cruzeiro, fenecerá, sugado pelos gafanhotos bolivarianos, ou entraremos em longo período de luz, amor, paz e prosperidade.

Com a Wikipédia